# Questão 20acc7fd-fe — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/20acc7fd-fe

- **Código:** 20acc7fd-fe
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2017](https://dicasdoenem.com.br/ano/2017)
- **Instituição:** Associação Brasileira de Engenharia de Produção
- **Assuntos:** Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
- **Nível:** Médio
- **Gabarito:** alternativa B

## Enunciado

Roger Chartier, o especialista em história da leitura

A história da cultura e dos livros tem uma longa tradição, mas só há pouco tempo ela ampliou seu âmbito
para compreender também a trajetória da leitura e da
escrita como práticas sociais. Um dos responsáveis por
isso é o francês Roger Chartier. “Ele fez uma revolução
ao demonstrar que é possível estudar a humanidade
pela evolução do escrito”, diz Mary Del Priore, sócia
honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
“Se a história cultural sempre foi baseada em dados
estatísticos ou sociológicos, Chartier a direcionou para
as significações sociais dos textos.” O historiador “escolheu concentrar-se nos estudos das práticas culturais,
sem postular a existência de uma ‘cultura’ geral”, diz
Mary Del Priore.

O pesquisador francês costuma combater a ideia do
material escrito como um objeto fixo, impossível de
ser modificado e alterado pelas pessoas que o utilizam
e interagem com ele. As novas tecnologias lhe dão
razão – a leitura na internet costuma ser descontínua
e fragmentária, e o leitor raramente percebe o sentido do todo e da contiguidade, que, por exemplo, o
simples manuseio de um jornal já gera. Essa diferença
fundamental, que torna a leitura dos livros mais profunda e duradoura, faz com que ele preveja a sobrevivência do formato impresso, apesar da disseminação
dos meios eletrônicos. “O trabalho que fazemos como
historiadores do livro é mostrar que o sentido de um
texto depende também da forma material como ele
se apresentou a seus leitores originais e por seu autor”,
diz Chartier. “Por meio dela, podemos compreender
como e por que foi editado, a maneira como foi manuseado, lido e interpretado por aqueles de seu tempo.”
O suporte, portanto, influencia o sentido do texto
construído pelo leitor.

Ele gosta de enfatizar duas outras mudanças importantes nos padrões predominantes de leitura. A primeira: feita em voz alta à frente de plateias, foi para
a silenciosa na Idade Média. A segunda: da leitura
intensiva para a extensiva, no século XVIII – quando
os hábitos de retorno sistemático às mesmas e poucas
obras escolhidas como essenciais foram substituídos
por uma relação mais informativa e ampla com o
material escrito.

FERRARI, M. Roger Chartier, o especialista em história da leitura.
[Adaptado] Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/2529/roger-chatier-o-especialista-em-historia-da-leitura
Acesso em: 09/12/2017.

Do texto, infere-se que:

## Alternativas

- **A)** as mudanças na relação entre o leitor e o material escrito determinadas pela tecnologia não afetam o modo de significação.
- **B)** a leitura implica uma elaboração de significados que não estão apenas nas palavras escritas, mas precisam ser construídos pelo leitor. ✔ **correta**
- **C)** independentemente do suporte, um texto é sempre uma abstração, sendo impossível ao leitor captar a intenção do autor.
- **D)** Chartier é um revolucionário na medida em que desvincula a evolução cultural da humanidade da evolução da escrita.
- **E)** Mary Del Priore é uma historiadora especialista na técnica de produção e reprodução de textos e na forma como são disponibilizados ao público.

## Resposta correta

Alternativa **B**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão 20acc7fd-fe. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/20acc7fd-fe
