# Questão 20bfd0a7-fe — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/20bfd0a7-fe

- **Código:** 20bfd0a7-fe
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2017](https://dicasdoenem.com.br/ano/2017)
- **Instituição:** Associação Brasileira de Engenharia de Produção
- **Assuntos:** Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
- **Nível:** Fácil
- **Gabarito:** alternativa C

## Enunciado

De Newton à Nature

Na ciência, não basta descobrir, é preciso contar aos
outros o que você descobriu. Copérnico, Galileu e
Newton, por exemplo, escreviam livros técnicos, relatando suas experiências e resultados. Com o tempo,
a divulgação passou a acontecer menos por livros e
mais por artigos científicos – peças curtas, publicadas
em revistas e periódicos especializados.

As primeiras revistas científicas, lá no século XVIII,
não tinham fins lucrativos. Mas com o aumento dos
investimentos públicos nos laboratórios, a partir da
década de 1950, as universidades passaram a ter
muito mais pesquisadores. São todos funcionários
com carteira assinada, que precisam mostrar serviço –
e que recebem avaliações de desempenho. Para fazer
essas avaliações, a comunidade acadêmica adotou
basicamente dois critérios: a quantidade de artigos
científicos publicados em revistas – um suposto sinal
de produtividade e dedicação – e o número de vezes
em que esses artigos são citados em outros artigos – o
que, em teoria, é uma evidência de que o trabalho foi
relevante e influente.

Pois bem. Os cientistas não querem lucro, só divulgação. Então entregam o material de graça. Na outra
ponta da equação, há as universidades, que não têm
outra opção a não ser pagar o que as editoras pedem
para ter acesso às pesquisas mais importantes (afinal,
um pesquisador só consegue trabalhar se puder ler o
trabalho de outros pesquisadores). Isso deu origem
a um modelo de negócio sem igual: você, dono da
editora de periódicos científicos, recebe conteúdo de
graça e vende a um público disposto a pagar muito.
Criaram-se grifes da ciência: periódicos muito seletivos, que só publicam a nata das pesquisas. Sair em
títulos como Cell, Nature ou Science dá visibilidade e é
bom para a carreira dos cientistas.

“Na era digital, a figura da editora científica é ainda
mais importante”, afirma Dante Cid, vice-presidente de
relações acadêmicas da Elsevier no Brasil. “Ela inibe a
disseminação de informações equivocadas e colabora
com a distribuição da pesquisa de qualidade.” De fato,
os padrões de excelência da Elsevier e de outras editoras de peso continuam altos. Mas o sistema causa distorções. “Um Newton da vida, que passava a vida toda
trabalhando e publicava pouco, não teria chance no
século XXI”, diz Fernando Reinach, ex-biólogo da USP.

VOIANO, B. A máquina que trava a ciência. Superinteressante. ed. 383,
dez/2017. p. 40-41. [Adaptado]

De acordo com o texto, o autor do texto:

## Alternativas

- **A)** elogia o impacto científico dos artigos e coloca sob suspeição o impacto acadêmico dos livros.
- **B)** acredita nas “grifes da ciência”, publicando seus próprios artigos no periódico Nature.
- **C)** discorre sobre mecanismos de funcionamento da divulgação científica por meio de publicações em periódicos especializados. ✔ **correta**
- **D)** defende a ideia do “quanto mais, melhor”, em termos de divulgação científica, priorizando a quantidade em detrimento da qualidade.
- **E)** propõe que os pesquisadores publiquem os resultados de suas investigações por partes, em pequenos artigos.

## Resposta correta

Alternativa **C**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão 20bfd0a7-fe. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/20bfd0a7-fe
