# Questão 33149c15-1b — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/33149c15-1b

- **Código:** 33149c15-1b
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2017](https://dicasdoenem.com.br/ano/2017)
- **Instituição:** Universidade Estadual Paulista
- **Assuntos:** Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
- **Nível:** Fácil
- **Gabarito:** alternativa B

## Enunciado

Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Vieira
(1608-1697), para responder à questão..

Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa armada
pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse
trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando
os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de
andar em tão mau ofício; porém ele, que não era medroso
nem lerdo, respondeu assim: “Basta, Senhor, que eu,
porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque
roubais em uma armada, sois imperador?”. Assim é. O
roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar
com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito,
os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as
qualidades, e interpretar as significações, a uns e outros,
definiu com o mesmo nome: [...] Se o rei de Macedônia,
ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata; o
ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem
o mesmo nome.

Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de
que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma tal
sentença em Roma, reinando nela Nero; o que mais me
admirou, e quase envergonhou, foi que os nossos oradores
evangélicos em tempo de príncipes católicos, ou para
a emenda, ou para a cautela, não preguem a mesma doutrina.
Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem
os reis com o que calam que com o que disserem; porque
a confiança com que isto se diz é sinal que lhes não toca, e que se não podem ofender; e a cautela com que se
cala é argumento de que se ofenderão, porque lhes pode
tocar. [...]

Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não
são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de
sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a
mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado [...].
O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno:
os que não só vão, mas levam, de que eu trato,
são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera [...].
Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Magno], os
que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar,
para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e
dignamente merecem este título são aqueles a quem os
reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo
das províncias, ou a administração das cidades, os quais
já com manha, já com força, roubam e despojam os povos.
Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam
cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco,
estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são
enforcados: estes furtam e enforcam.

(Essencial, 2011.)

No primeiro parágrafo, Antônio Vieira caracteriza a resposta
do pirata a Alexandre Magno como

## Alternativas

- **A)** dissimulada.
- **B)** ousada. ✔ **correta**
- **C)** enigmática.
- **D)** servil.
- **E)** hesitante.

## Resposta correta

Alternativa **B**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão 33149c15-1b. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/33149c15-1b
