# Questão 4abfd23a-75 — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/4abfd23a-75

- **Código:** 4abfd23a-75
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2023](https://dicasdoenem.com.br/ano/2023)
- **Instituição:** Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
- **Assuntos:** Interpretação de Textos, Redação - Reescritura de texto, Tipos de Discurso: Direto, Indireto e Indireto Livre
- **Gabarito:** alternativa A

## Enunciado

O dentista me passou a receita de remédio para ajudar
a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma
dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente
entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E
importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de
tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs,
refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!

Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou,
reolhou e perguntou:

— O que está escrito aqui?

— O nome do remédio.

— Sei, mas qual é o remédio?

— Você é quem tem de saber.

— Mas como vou saber, se não entendo a letra?

— Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?

— Vou ver.

Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.

— Não temos.

— Acabou ou está em falta?

— Está em falta.

Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima.
Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que
deu uma vista na receita.

— Não temos.

— Que remédio mesmo é?
— É esse que está escrito aí.
— Sei. Mas não entendo letra de médico. — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?

Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa,
pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles
garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por
sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que
o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao
prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de
vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:

— Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa?
Que o professor é farmacêutico?

Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com
as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo,
champolions1
dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita
para aviar2
. Na calada da noite, o farmacêutico batendo à
porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.

Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm
tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o
nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo
anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar
um laboratório e em seguida uma farmácia.

(Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

1
    champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela
decifração dos hieróglifos egípcios.


2
   aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.

Transposto para o discurso indireto, o trecho “o jovem [...]
perguntou: — O que está escrito aqui?” (2º /3º parágrafos)
assume a seguinte redação:

## Alternativas

- **A)** O jovem perguntou o que estava escrito ali. ✔ **correta**
- **B)** O jovem perguntou: “O que estava escrito aqui?”
- **C)** O jovem perguntou o que estaria escrito aqui.
- **D)** O jovem perguntou: “O que estaria escrito aqui?”
- **E)** O jovem perguntou o que tinham escrito ali.

## Resposta correta

Alternativa **A**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão 4abfd23a-75. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/4abfd23a-75
