# Questão 6440fd64-b0 — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/6440fd64-b0

- **Código:** 6440fd64-b0
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2022](https://dicasdoenem.com.br/ano/2022)
- **Instituição:** Universidade Estadual do Maranhão
- **Assuntos:** Funções morfossintáticas da palavra QUE
- **Nível:** Fácil
- **Gabarito:** alternativa A

## Enunciado

O (não) lugar do “pardo”

Lá no fim do século XIX e no começo do XX, o Brasil passava pelo dilema que todas as nações modernas enfrentaram (e, de certa maneira, ainda enfrentam): como criar uma identidade nacional
que justifique e mantenha o Estado?

Notem que eu ouso criar, porque é bem isso mesmo, inventar uma história que servisse aos
interesses da elite dominante e homogeneizasse a população brasileira. Ora, essa população era
formada, principalmente, por pretos escravos ou ex-escravos, indígenas perseguidos e uma parcela
de gente branca. No centro da discussão estava: quem seria o cidadão brasileiro.

Houve quem defendesse a educação para o trabalho: ensinar os pretos amolecidos e degenerados
pela escravidão (faz me rir) a trabalhar resignado. Teve aqueles que achavam que a inferioridade dos
pretos era tão grande que não adiantava educar nem nada, era melhor expulsar ou deixar morrer.
O Brasil, em seus debates sobre a nação e seus cidadãos, bebeu muito das teorias racialistas que
estavam em voga na Europa e sendo amplamente utilizadas para justificar a colonização na África
depois de séculos e séculos de saque humano. [...]

Daí surge o pardo como a gente conhece hoje. O pardo não é raça, não é povo, não é cidadão
brasileiro. Ele é o estágio transitório entre a base da pirâmide (os negros) e o topo (os brancos).
Não é branco, ainda não chegou no estágio sublime de branquitude que garante o direito à vida,
oportunidades e cidadania, mas é prova viva da boa vontade e do esforço de se embranquecer tão
valorizado por uma elite branca que, desde sempre, morre de medo dos pretos fazerem daqui o
Haiti.

Como fala Foucault, o poder, no estado moderno, não é negativo, ele é normatizador. Ou seja,
estabelece normas de conduta, estéticas, discursivas, e beneficia aqueles que fazem o jogo. No caso
do Brasil, o jogo da branquitude. Quanto mais branco você tentar ser, seja usando intervenções
estéticas ou compartilhando o discurso político e social, mais “tolerável” você vai ser. Nisso, nós
que somos claros, temos uma vantagem: o branqueamento estético é mais alcançável para nós.
Mas nada disso garante que você vai passar de boa em uma sociedade racialmente hierarquizada,
o embranquecimento é, sobretudo, uma mutilação. E pra quem ainda tem dúvidas, mutilação é
sempre ruim ok? Não tem gradação de violência e mutilação. [...]

https://medium.com/@isabelapsena/o-n%C3%A3o-lugar-do-pardo

Dos fragmentos a seguir, a palavra sublinhada cuja relação morfossintática difere das demais é

## Alternativas

- **A)** [...]Notem que eu ouso criar [...] ( §2º) ✔ **correta**
- **B)** [...]criar uma identidade nacional que justifique [...] (§1º)
- **C)** [...]uma história que servisse aos interesses da elite [...] ( §2º)
- **D)** [...]aqueles que achavam que a inferioridade dos pretos [...] ( §3º)
- **E)** [...]das teorias racialistas que estavam em voga na Europa [...] ( §3º)

## Resposta correta

Alternativa **A**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão 6440fd64-b0. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/6440fd64-b0
