# Questão 6a6872b9-a5 — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/6a6872b9-a5

- **Código:** 6a6872b9-a5
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2018](https://dicasdoenem.com.br/ano/2018)
- **Instituição:** Universidade Federal de Uberlândia
- **Assuntos:** Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
- **Nível:** Médio
- **Gabarito:** alternativa A

## Enunciado

CAPÍTULO CVI

... Ou, mais propriamente, capítulo em que o leitor, desorientado, não pode combinar as tristezas de
Sofia com a anedota do cocheiro. E pergunta confuso: - Então a entrevista da Rua da Harmonia,
Sofia, Carlos Maria, esse chocalho de rimas sonoras e delinquentes é tudo calúnia? Calúnia do
leitor e do Rubião, não do pobre cocheiro que não proferiu nomes, não chegou sequer a contar uma
anedota verdadeira. É o que terias visto, se lesses com pausa. Sim, desgraçado, adverte bem que
era inverossímil que um homem, indo a uma aventura daquelas, fizesse parar o tílburi diante da
casa pactuada. Seria pôr uma testemunha ao crime. Há entre o céu e a terra muitas mais ruas do
que sonha a tua filosofia, – ruas transversais, onde o tílburi podia ficar esperando.


- Bem; PONTO E VÍRGULA? o cocheiro não soube compor. Mas que interesse tinha em inventar a
anedota?

Conduzira Rubião a uma casa, onde o nosso amigo ficou quase duas horas, sem o despedir; viu-o
sair, entrar no tílburi, descer logo e vir a pé, ordenando-lhe que o acompanhasse. Concluiu que era
ótimo freguês; mas, ainda assim não se lembrou de inventar nada. Passou, porém, uma senhora
com um menino, – a da Rua da Saúde – e Rubião quedou-se a olhar para ela com vistas de amor
e melancolia. Aqui é que o cocheiro o teve por lascivo, além de pródigo, e encomendou-lhe as suas
prendas. Se falou em Rua da Harmonia foi por sugestão do bairro donde vinham, e se disse que
trouxera um moço da Rua dos Inválidos, é que naturalmente transportara de lá algum, na véspera,
– talvez o próprio Carlos Maria, – ou porque lá morasse, ou porque lá tivesse a cocheira, – qualquer
outra circunstância que lhe ajudou a invenção, como as reminiscências do dia servem de matéria
aos sonhos da noite. Nem todos os cocheiros são imaginativos. Já é muito CONSERTAR? farrapos
da realidade.

Resta só a coincidência de morar na Rua da Harmonia uma das costureiras do luto. Aqui, sim,
parece um propósito do acaso. Mas a culpa é da costureira; não lhe faltaria casa mais para o centro
da cidade, se quisesse deixar a agulha e o marido. Ao contrário disso, ama-os sobre todas as
cousas deste mundo. Não era razão para que eu cortasse o episódio, ou interrompesse o livro.

ASSIS, Machado. Quincas Borba. São Paulo: Editora Globo, 1997. p. 142.

Levando-se em consideração a obra Quincas Borba e o fragmento acima, o narrador revela

## Alternativas

- **A)** a credulidade inocente de Rubião em relação às palavras do cocheiro. ✔ **correta**
- **B)** a indignação de Rubião em relação à mudança de atitude de Sofia.
- **C)** a mentira propagada pelo cocheiro em relação à esposa de Palha.
- **D)** a degradação moral de Carlos Maria em relação à sua real índole.

## Resposta correta

Alternativa **A**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão 6a6872b9-a5. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/6a6872b9-a5
