# Questão 6c576f9f-fd — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/6c576f9f-fd

- **Código:** 6c576f9f-fd
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2018](https://dicasdoenem.com.br/ano/2018)
- **Instituição:** Universidade Federal do Tocantins
- **Assuntos:** Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto, Pontuação, Tipos de Discurso: Direto, Indireto e Indireto Livre, Uso das aspas
- **Nível:** Médio
- **Gabarito:** alternativa D

## Enunciado

Opinião não é argumento


Aqui está uma história que pode ser verdadeira no contexto
atual do Brasil. Um jovem professor de Filosofia, instruindo
seus alunos à Filosofia da Religião, introduz, à maneira que a
Filosofia opera há séculos, argumentos favoráveis e contrários
à existência de Deus. Um dos alunos se queixa, para o diretor
e também nas onipresentes redes sociais, de que suas
crenças religiosas estão sendo atacadas. “Eu tenho direito às
minhas crenças”. O diretor concorda com o aluno e força o
professor a desistir de ensinar Filosofia da Religião.


Mas o que é exatamente um “direito às minhas crenças”? [...]
O direito à crença, nesse caso, poderia ser visto como o
“direito evidencial”. Alguém tem um direito evidencial à sua
crença se estiver disposto a fornecer evidências apropriadas
em apoio a ela. Mas o que o estudante e o diretor estão
reivindicando e promovendo não parece ser esse direito, pois
isso implicaria precisamente a necessidade de pôr as
evidencias à prova.


Parece que o estudante está reivindicando outra coisa, um
certo “direito moral” à sua crença, como avaliado pelo filósofo
americano Joel Feinberg, que trabalhou temas da Ética,
Teoria da Ação e Filosofia Política. O estudante está
afirmando que tem o direito moral de acreditar no que quiser,
mesmo em crenças falsas.


Muitas pessoas acham que, se têm um direito moral a uma
crença, todo mundo tem o dever de não as privar dessa
crença, o que envolve não criticá-la, não mostrar que é ilógica
ou que lhe falta apoio evidencial. O problema é que essa é
uma maneira cada vez mais comum de pensar sobre o direito
de acreditar. E as grandes perdedoras são a liberdade de
expressão e a democracia.


[...] A defesa de uma crença está restrita ao uso de métodos
que pertence ao espaço das razões – argumentação e
persuasão, em vez de força. Você tem o direito de avançar
sua crença na arena pública usando os mesmos métodos de
que seus oponentes dispõem para dissuadi-lo.
O pior acontece quando crenças se materializam em opinião,
e são usadas como substitutas de argumentos, quando o “Eu
tenho direito às minhas crenças” se transforma em “Eu tenho
direito à minha opinião”. Crenças e opiniões não são
argumentos. Mais precisamente, crenças diferem de opinião,
que diferem de fatos, que diferem de argumentos. Um fato é
algo que pode ser comprovado verdadeiro. Por exemplo, é um
fato que Júpiter é o maior planeta do sistema solar tanto em
diâmetro quanto em massa. Esse fato pode ser provado pela
observação ou pela consulta a uma fonte fidedigna.


Uma crença é uma ideia ou convicção que alguém aceita
como verdade, como “passar debaixo de uma escada dá
azar”. Isso certamente não pode ser provado (ou pelo menos
nunca foi). Mas a pessoa ainda pode manter sua crença,
como vimos, se não pelo “direito evidencial”, apelando para o
“direito moral”. Ou ainda, pelo mesmo “direito moral”, deixar de
acreditar no que ela própria pensa ser evidência, como no
caso do famoso dito (atribuído a Sancho Pança): “Não creio
em bruxas, ainda que existam”. [...]


Fonte: CARNIELLI, Walter. Página Aberta. In: Revista Veja. Edição 2578, ano 51,
nº 16. São Paulo: Editora Abril, 2018, p. 64 (fragmento adaptado).

Ao longo do texto, o autor faz uso de diversas citações,
destacadas pelos sinais gráficos de aspas. Sobre essa
utilização, analise as afirmativas a seguir.

I. Em: “Eu tenho direito às minhas crenças” (1º parágrafo),
as aspas marcam o discurso direto do aluno.


II. Em: “Não creio em bruxas, ainda que existam” (7º
parágrafo), as aspas marcam a fala de Sancho Pança,
estabelecendo intertextualidade, ou seja, o diálogo entre
textos.


III. Em: “[...] passar debaixo de uma escada dá azar” (7º
parágrafo), as aspas foram usadas para transcrever um
dito popular, com o intuito de exemplificar uma crença que,
de acordo com o autor, não pode ser provada.

Assinale a alternativa CORRETA.

## Alternativas

- **A)** Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
- **B)** Apenas as afirmativas I e III estão corretas.
- **C)** Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
- **D)** Todas as afirmativas estão corretas. ✔ **correta**

## Resposta correta

Alternativa **D**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão 6c576f9f-fd. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/6c576f9f-fd
