# Questão 7f45c2ad-08 — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/7f45c2ad-08

- **Código:** 7f45c2ad-08
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2025](https://dicasdoenem.com.br/ano/2025)
- **Instituição:** Universidade Federal de Itajubá
- **Assuntos:** Sintaxe
- **Nível:** Fácil
- **Gabarito:** alternativa B

## Enunciado

A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.

Não existem finais felizes: a felicidade é uma ilusão 
que não desejamos

Julián Fuks

Convidaram-me a falar sobre a mentira dos finais 
felizes. Tarefa fácil: são mesmo mentirosos os finais 
felizes. Basta lançar ao mundo algum olhar clínico. 
Nossa cultura já aprendeu que nem tudo se dissolve 
em harmonia, que jamais se cria uma paz absoluta, 
carente de todo trauma passado e todo conflito futuro. Onde se vê felicidade pura pode ser que algo não 
se veja, que os olhos estejam turvos.

A fórmula clássica que encerra as histórias infantis, 
"e viveram felizes para sempre", é a expressão de um 
desinteresse total pelo que seria essa existência feliz. 
Nela se realiza, é fácil sentir, uma associação entre 
felicidade e morte. No fundo o que a fórmula diz, em 
tom apaziguador, equivale a um "não viveram mais 
nada até que morreram". Mas me convidaram a falar 
sobre isso em Medelín, em espanhol, e nessa língua 
o final clássico tem outra nuance: "vivieron felices y 
comieron perdices". Nesse pequeno detalhe acrescido, o fato de terem comido perdizes, cabe ao menos 
um pouco de vida. Nessa outra fórmula o que se diz 
é que "viveram uma série de outras coisas que já não 
nos interessam", e só depois disso se chega ao fim.

Seja como for, do tempo dos clássicos até o tempo 
presente, deu-se uma revolução em nosso interesse. 
Já há alguns séculos, desde o surgimento do romance 
moderno, nossa curiosidade tem recaído exatamente 
sobre essa vida comum que se inicia ao fim de qualquer aventura, sobre o cotidiano tenso que antes 
tomávamos por feliz. Interessa a aflição que subjaz 
à rotina, interessa a angústia sutil que se gesta em silêncio ao longo dos anos. O que procuramos nas histórias que narramos a nós mesmos, agora, é a desilusão da vida que trai os anseios juvenis, é o indiscreto 
caos do convívio familiar, é o medo da morte depois 
de tanta monotonia, tudo isso quem sabe redimido 
em alguma medida por um final mais ameno.

"Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira." Nessa frase magistral de Tolstói que abre Anna Karenina se manifesta com 
clareza nossa vontade insuperável de observar com 
atenção de que é feita a infelicidade. Mas acho que 
ela merece um reparo, se formos honestos, e se o 
leitor me permite tamanha insolência. Também as 
famílias felizes são felizes cada uma à sua maneira. 
Não porque haja tanta nuance na paz e na existência 
tranquila, mas porque aquilo que chamamos felicidade também é feito da infelicidade em sua infinita 
riqueza, porque uma vida feliz também é atravessada continuamente por tristezas, sobressaltos, sustos, 
desalentos, desilusões, pesadelos.

De modo que não existe e jamais existiu uma felicidade pura, até porque não existe nenhum tipo real de 
pureza — mesmo em ciência a pureza é sempre um 
estado hipotético. Uma felicidade absoluta não chega nem mesmo a ser um ideal que nutrimos, porque 
a ele associamos algum torpor, uma indolência, uma 
saciedade que conduz à paralisia, a ausência de um 
novo desejo que nos vitalize. A partir disso já poderíamos concluir pela impossibilidade de todo "final feliz", já que essa última palavra seria inatingível. Mas 
a primeira também é uma falácia, e sobre isso talvez 
valha acrescentar ainda algum raciocínio.

Penso na leitura de livros infantis que tenho feito ao 
lado das minhas filhas, esse um dos momentos mais 
puramente felizes da minha vida cotidiana, como já 
confessei uma vez aqui. Penso nos bordões que Tulipa criou para emendar ao final de cada livro, numa 
fórmula própria que em alguma medida os ordena. 
São duas variações: "Mas essa já é outra história", ou 
então "E vai começar tudo outra vez". Acho cômico e 
preciso seu sistema de classificação. Vejo nele uma 
proposta de distinção entre as histórias cíclicas, cujo 
fim remonta ao princípio, e aquelas que avançam 
numa espécie de deriva, e vão convocando outros 
sinuosos acontecimentos que já não cabem nas páginas que lemos.

E então me pergunto se não será assim a vida, feita 
de retornos e derivas, num movimento perpétuo. Se 
não se encadeiam assim tanto os momentos felizes 
quanto os infelizes, ou os momentos a um só tempo 
felizes e infelizes, sempre sucedidos por outros tão 
complexos e indefiníveis quanto eles, em nossa própria existência ou na existência daqueles que ficam 
quando partimos. Não existem finais felizes, eles são 
uma mentira, pelo simples fato de que não existem finais, de que os finais são sempre uma ilusão momentânea, e nada jamais termina. Bom, nada talvez 
seja muito: ao menos um texto, sim, é capaz de alcançar o seu fortuito fim.

Disponível 
em: 
https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2025/08/23/nao-existem-finais-felizes-a-felicidade-e-uma-ilusao-que-nao-desejamos.htm. Acesso em: 10 set. 2025.

“Nossa cultura já aprendeu que nem tudo se dissolve em harmonia"

É correto afirmar que, em relação à oração principal,
a oração em destaque exerce função sintática de oração subordinada substantiva

## Alternativas

- **A)** subjetiva.
- **B)** objetiva direta. ✔ **correta**
- **C)** objetiva indireta.
- **D)** predicativa.
- **E)** completiva nominal.

## Resposta correta

Alternativa **B**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão 7f45c2ad-08. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/7f45c2ad-08
