# Questão a2307bbf-b2 — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/a2307bbf-b2

- **Código:** a2307bbf-b2
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2017](https://dicasdoenem.com.br/ano/2017)
- **Instituição:** Universidade Federal de Roraima
- **Assuntos:** Adjetivos, Morfologia
- **Nível:** Difícil
- **Gabarito:** alternativa E

## Enunciado

Leia o texto abaixo e responda a questão.

TEXTO II

UM APÓLOGO

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de
linha:

— Por que está você com esse ar, toda cheia de si,
toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa
neste mundo?

— Deixe-me, senhora.

— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe
digo que está com um ar insuportável Repito que sim, e
falarei sempre que me der na cabeça.

— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é
agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu
ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com
a sua vida e deixe a dos outros.

— Mas você é orgulhosa.

— Decerto que sou.

— Mas por quê?

— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites
de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?

— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose?
Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?

— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso,
prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...

— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou
adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao
que eu faço e mando...

— Também os batedores vão adiante do imperador.

— Você é imperador?

— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um
papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o
caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é
que prendo, ligo, ajunto...

Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da
baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de
uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não
andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano,
pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na
agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando
orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das
sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos
de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a
agulha:

— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há
pouco? Não repara que esta distinta costureira só se
importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela,
unidinha a eles, furando abaixo e acima...

A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto
pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa,
como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras
loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta,
calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na
saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plicplic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou
a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no
outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando
o baile.

Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A
costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha
espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E
enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de
um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando,
abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha,
perguntou-lhe:

— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no
corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da
elegância? Quem é que vai dançar com ministros e
diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da
costureira, antes de ir para o balaio das
mucamas? Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete,
de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à
pobre agulha:

— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho
para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho
para ninguém. Onde me espetam, fico.



Contei esta história a um professor de melancolia,
que me disse, abanando a cabeça:

— Também eu tenho servido de agulha a muita linha
ordinária!

ASSIS, Machado de. Para Gostar de Ler - Volume 9 – Contos. São
Paulo: Ática, 1984.

No trecho: "Esta agora é melhor.", e no trecho "... um
alfinete, de cabeça grande e não menor experiência...", as
palavras destacadas são adjetivos expressos na gradação
ou grau:

## Alternativas

- **A)** superlativo absoluto sintético e superlativo absoluto analítico, respectivamente.
- **B)** comparativo de inferioridade.
- **C)** comparativo de superioridade e comparativo de inferioridade, respectivamente.
- **D)** superlativo relativo de superioridade.
- **E)** comparativo de superioridade. ✔ **correta**

## Resposta correta

Alternativa **E**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão a2307bbf-b2. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/a2307bbf-b2
