# Questão a61fe57b-d4 — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/a61fe57b-d4

- **Código:** a61fe57b-d4
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2015](https://dicasdoenem.com.br/ano/2015)
- **Instituição:** Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário
- **Assuntos:** Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
- **Nível:** Difícil
- **Gabarito:** alternativa B

## Enunciado

TEXTO 3

O canteiro de palavras

Qual é o seu ofício – me pergunta com certa formalidade o
simpático velhinho da fila do banco, depois do cumprimento
habitual e do comentário sobre o tempo, rotinas que servem
para quebrar o gelo (no nosso clima, literalmente) entre
desconhecidos circunstancialmente íntimos pela espera
compartilhada. Quase digo que sou jornalista, mas me
policio porque conheço o poder inibidor da minha profissão.

– Vivo de escrever. – Respondo no mesmo tom evasivo,
tentando decifrar o efeito da resposta no seu olhar
enrugado. (...)

– Eu sou cortador de pedras – me diz com indisfarçável
orgulho de quem detém um dote raro.

Antes que a fila ande, tenho tempo ainda para ouvir
algumas explicações sobre a arte de tirar paralelepípedos
da rocha bruta, sobre as ferramentas que usa e sobre a
quantidade de peças que produz. Ouço em silêncio para
não perturbar a narrativa, mas seu trabalho não me é
estranho. Perto de minha casa há uma pedreira. Conheço a
faina dos homens empoeirados que lá labutam. De vez em
quando fico ouvindo a distância o martelar dos canteiros e
pensando na célebre fábula sobre “a tenacidade de nossas
ações”, escrita por Jacob Riis, que tem como personagem
exatamente um cortador de pedras. Diz mais ou menos o
seguinte: “Quando nada parece dar certo, eu observo o
homem que corta pedras. Ele martela uma, duas, centenas
de vezes, sem que uma só rachadura apareça. Porém, na
centésima primeira martelada, a pedra se abre em duas. E
eu sei que não foi aquela pancada que operou o milagre,
mas todas as que vieram antes”.

Pois escrever, me dou conta enquanto preencho o cheque,
não deixa de ser um processo semelhante. A gente martela
centenas de vezes até que brote do cérebro (ou do
dicionário) a palavra adequada, talvez a única capaz de
servir à construção literária planejada. Nem sempre se
consegue. A não ser que o canteiro de letras tenha o
talento daquele escultor de estátuas equestres que
explicava com simplicidade como conseguia tal perfeição:

– Eu tiro da pedra tudo o que não seja cavalo.

(Nilson de Souza. Zero Hora. 17/7/1996).

O Texto 3, visto globalmente, se desenvolve:

## Alternativas

- **A)** a partir da descrição de como a faina dos cortadores de pedras é um processo penoso.
- **B)** em torno de uma metáfora que explora a analogia entre o ofício do escritor e o trabalho do escultor. ✔ **correta**
- **C)** na pretensão de enfatizar as rotinas dos diálogos breves que, por vezes, ocorrem socialmente.
- **D)** à volta das peculiaridades do trabalho dos jornalistas na sua lida diária de divulgar e noticiar.
- **E)** com vistas a contribuir para uma maior qualidade e relevância da construção literária.

## Resposta correta

Alternativa **B**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão a61fe57b-d4. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/a61fe57b-d4
