# Questão b1180b4c-ce — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/b1180b4c-ce

- **Código:** b1180b4c-ce
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2018](https://dicasdoenem.com.br/ano/2018)
- **Instituição:** Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais
- **Assuntos:** Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
- **Nível:** Difícil
- **Gabarito:** alternativa C

## Enunciado

Texto II

Estrelas além do tempo

Alex Gonçalves

Após todas as discussões sobre representatividade que permearam o último ano hollywoodiano, “Estrelas
Além do Tempo” [2016] se apresenta para o público com um timing perfeito. Há tempos não nos víamos
inseridos em um cenário no qual as ideologias reacionárias estão tão evidentes, assim como os protestos em
busca pela igualdade. Portanto, nada melhor do que a ficção para nos relembrar de outros períodos também
nefastos que não calaram a atuação de heróis anônimos.

No caso de “Estrelas Além do Tempo”, temos uma história que enaltece três figuras reais da NASA até então
mantidas anônimas. Tratam-se de Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer)
e Mary Jackson (Janelle Monáe), três mulheres negras essenciais para o sucesso da missão do astronauta John
Glenn (Glen Powell) em alcançar a lua.

Entretanto, estamos aqui nos não tão distantes anos 1960, em uma Virgínia segregada e com poucos afroamericanos
exercendo profissões que exigem um perfil lógico. Por isso mesmo, as vidas de Katherine, Dorothy
e Mary foram triplamente difíceis justamente pela raça e gênero a que pertencem.

Sempre unidas antes e após o expediente de trabalho, essas mulheres enfrentam sozinhas em suas
competências os preconceitos que impedem as suas evoluções. Solicitada pelo departamento comandado por
Al Harrison (Kevin Costner) para fazer os cálculos que devem assegurar o sucesso da decolagem do foguete
que lançará John Glenn às alturas, Katherine é diariamente hostilizada pelos colegas, todos homens e brancos.
Já em seu setor, Dorothy tem todos os seus pedidos de promoção sabotados pelo intermédio de Vivian (Kirsten
Dunst), enquanto Mary não consegue desempenhar a função de engenheira por ser impedida de ingressar em
uma universidade.

Mesmo com todas essas circunstâncias, elas não desistirão de provar as singularidades que possuem,
visualizando os obstáculos não como limites, mas como incentivos para continuarem perseverando. Temos
com isso aquele modelo de narrativa cinematográfica que encanta desde os tempos do tramp de Charlie
Chaplin, no qual a vontade para ganhar um lugar ao sol é maior do que as adversidades.

Diretor de “Um Santo Vizinho”, Theodore Melfi se apropria do texto de Allison Schroeder compreendendo
muito bem as características desse cinema inspirado e inspirador, contornando com traços ficcionais uma
história real para ser efetivo principalmente em seus gritos de protesto. É especialmente arrebatadora a
explosão de Katherine ao finalmente externar a sua humilhação ao precisar se prestar a um trajeto de mais de
um quilômetro para ir ao banheiro exclusivo para negros. Não ficam muito atrás o fervor de Dorothy e Mary
em se provarem extremamente capazes de enfrentar novos desafios.

Além do mais, Melfi conduz com uma fluidez invejável algo que, em teoria, não tem qualquer encanto.
Mesmo o mais avesso aos raciocínios de exatas se verão imediatamente hipnotizados com números e fórmulas
que se revelam não somente como uma ciência complexa, como também como instrumentos sociais que só
engrenam quando os seus operadores se reconhecem como semelhantes.

Publicado em 09/02/2017.


Disponível em:<http://cineresenhas.com.br/2017/02/09/resenha-critica-estrelas-alem-do-tempo-2016/>. Acesso em: 30/03/2018.

De acordo com o autor, “Estrelas além do tempo” apresenta um “timing perfeito” porque:

## Alternativas

- **A)** aborda a importância do combate a posicionamentos antidemocráticos na sociedade americana nos anos sessenta do século XX.
- **B)** retrata um período sombrio da história, localizado no passado, em que se percebia claramente o preconceito contra a população negra estadunidense.
- **C)** evidencia o empenho de três mulheres negras a fim de ter suas competências profissionais reconhecidas, em um contexto exclusivamente masculino. ✔ **correta**
- **D)** tira do anonimato da história americana três mulheres negras impedidas de exercer uma profissão num órgão governamental de prestígio, a NASA.

## Resposta correta

Alternativa **C**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão b1180b4c-ce. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/b1180b4c-ce
