# Questão b17f3c12-b4 — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/b17f3c12-b4

- **Código:** b17f3c12-b4
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2016](https://dicasdoenem.com.br/ano/2016)
- **Instituição:** Universidade Federal de Juiz de Fora - MG
- **Assuntos:** Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
- **Nível:** Médio
- **Gabarito:** alternativa A

## Enunciado

TEXTO I

A televisão

(Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Belloto)

A televisão

Me deixou burro

Muito burro demais

Oh! Oh! Oh!

Agora todas coisas

Que eu penso

Me parecem iguais

Oh! Oh! Oh!

O sorvete me deixou gripado

Pelo resto da vida

E agora toda noite

Quando deito

É boa noite, querida

Oh! Cride, fala pra mãe

Que eu nunca li num livro

Que o espirro

Fosse um vírus sem cura

Vê se me entende

Pelo menos uma vez

Criatura!

Oh! Cride, fala pra mãe!

A mãe diz pra eu fazer

Alguma coisa

Mas eu não faço nada

Oh! Oh! Oh!

A luz do sol me incomoda

Então deixa

A cortina fechada

Oh! Oh! Oh!

É que a televisão

Me deixou burro

Muito burro demais

E agora eu vivo

Dentro dessa jaula

Junto dos animais

Oh! Cride, fala pra mãe

Que tudo que a antena captar

Meu coração captura

Vê se me entende

Pelo menos uma vez

Criatura!

Oh! Cride, fala pra mãe!

Titãs. Televisão. Lp. Gravadora WEA, 1985.

TEXTO II

Estorvo (fragmento)


Vejo tumulto defronte ao edifício do meu amigo.
Aglomeração, um camburão, duas joaninhas, um
rabecão, vários carros de reportagem, guardas
desviando o trânsito. No meio do povo, compreendo que
houve um crime, alguém morreu esfaqueado e
estrangulado. Vem chegando a sirene de um segundo
camburão, e o empurra-empurra acaba por me levar ao
miolo do acontecimento. Uma corda vermelha isola a
calçada do velho prédio, formando uma espécie de
ringue. A televisão entrevista o zelador sob a marquise
da portaria. Deve estar ruim de filmar, pois o zelador
olha para o chão e não fala direito, parece um
condenado. Penso que é ele o criminoso, mas em
seguida me convenço de que está somente muito
envergonhado pelo seu edifício. O repórter pergunta se
a vítima costumava receber rapazes, e o zelador faz sim
com a cabeça, mais confessando que assentindo. A
entrevista é prejudicada por uma baixinha com cara de
índia e lenço na cabeça, que se desvencilha de um
policial e investe contra o zelador, gritando "diga que
conhece meu filho, miserável!". O policial levanta a índia
baixinha e deposita-a fora do cordão de isolamento. Ela
passa outra vez sob o cordão e agora se dirige ao
público. Diz "não tem televisão aí?" e diz "ninguém vai
me entrevistar?". Um rapaz que se apresenta como
repórter do Diário Vigilante pergunta o que fazia o
suspeito no local do crime. Ela diz "que suspeito o quê" e
"que local do crime o quê", e diz "meu filho veio me ver,
foi detido entrando no prédio, se fosse suspeito estaria
fugindo", e diz "onde é que já se viu suspeito fugir para
dentro?". Sem mais nem mais, começo a ficar a favor da
mãe índia. O do Diário Vigilante vai fazer outra pergunta,
mas ela o interrompe e diz que trabalha no 204 há
quinze anos, que todo mundo sabe quem ela é, que
aquele miserável ali conhece o filho dela e não o
defende porque tem preconceito de cor. Vai atacar de
novo o zelador, mas é suspensa pelo policial. Outro
repórter de tevê indaga do zelador se a vítima era
homossexual. O zelador resmunga "isso aí eu não sei
porque nunca vi". A índia responde à Rádio Primazia que
prenderam o filho porque ele estava sem documento.
Diz "meu filho estava voltando da praia, não é crime ir na
praia, ninguém vai na praia com carteira de trabalho
metida no calção". Um sujeito atrás de mim diz que
também é de jornal e pergunta “afinal a bichona era
artista ou o quê?''. Ela responde "a bichona sei lá, parece
que era professor de ginástica". Aproxima-se o repórter
da TV Promontório dizendo "ouvimos também a mãe do
principal suspeito". Aí a índia perde a razão, agarra as
lapelas do repórter e desata a chorar no microfone e
berrar "ele não é criminoso!, meu filho é um moço
decente!", mas o cameraman, que está trepado no capô
da camionete, grita "não valeu, não gravou nada, troca a bateria!". A índia para de chorar, olha para o setor da
imprensa e diz "imagine meu filho, que até é doente,
estrangulando um professor de ginástica". Volta o
repórter da TV Promontório e pede-lhe para repetir a
fala anterior, que ele achou bem forte.

BUARQUE, Chico. Estorvo. São Paulo: Cia. das Letras, 1991.

Os textos I e II possibilitam a reflexão
sobre a TV como meio de comunicação. Os enfoques
de cada um desses textos são, respectivamente,
sobre:

## Alternativas

- **A)** a recepção e a produção. ✔ **correta**
- **B)** o canal e o referente.
- **C)** o código e a mensagem.
- **D)** o sinal e a recepção.
- **E)** o símbolo e a entrevista.

## Resposta correta

Alternativa **A**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão b17f3c12-b4. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/b17f3c12-b4
