# Questão ba683271-3c — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/ba683271-3c

- **Código:** ba683271-3c
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2024](https://dicasdoenem.com.br/ano/2024)
- **Instituição:** Universidade Federal de Juiz de Fora - MG
- **Assuntos:** Interpretação de Textos
- **Nível:** Fácil
- **Gabarito:** alternativa B

## Enunciado

Leia o texto II a seguir, publicado na revista “Carta Capital”, para responder a questão.

Uberismo é a total desumanização das
relações trabalhistas

Não há um patrão de carne e osso, não existe um
departamento de recursos humanos

Há palavras cuja sonoridade é aparentemente
inócua, cuja grafia parece inocente, insuspeita, mas
basta ir um pouco além da fisionomia ortográfica para
entender os infernos que escondem. Uberismo seria
uma das mais recentes formas de exploração da forma
de trabalho, consistente numa hiperexploração dos
trabalhadores por meio de plataformas. Um emaranhado algorítmico pensado para arrancar direitos
trabalhistas na forma de startup jovem, de sucesso,
vibrante, lucrativa. Recomendo a leitura atenta do
que escreve o professor Ruy Braga, da USP, excelente
pesquisador na área sobre as ameaças brutais da “plataformização” do trabalho ou a tirania à qual as novas
tecnologias digitais submetem a vida dos trabalhadores mais precarizados. É a total desumanização das relações trabalhistas. Não há um patrão de carne e
osso, não existe um departamento de recursos humanos, muitos sindicatos rejeitam representar essas categorias. O contato com o “cliente” resume-se, muitas vezes, a uma entrega rápida e insensível, com um
portão com grades no meio de dois indivíduos, que no
momento estão a centímetros de distância, mas cujas
mãos apenas se tocam e cujas vidas se tocam menos
ainda. Não há direitos, não há humanidade. Um país
como Brasil é o ambiente perfeito para esse processo
de uberização da vida. Milhões de trabalhadores informais, uma pauperização crescente, um exército de
jovens sem formação, a volta da miséria, o desmonte
incessante dos direitos trabalhistas. [...]

No Brasil, a carne do trabalhador precarizado se
vende barata. Muito barata. Uber, Ifood, Rappi,
o mundo do trabalhador escravizado pelo algoritmo
que, em tempos de crise, absorve, engole milhões de
profissionais sem expectativas. São os descartáveis.
Mas, paradoxos de uma vida fortuita, os descartáveis
viraram essenciais na pandemia. O número de entregadores antes do coronavírus era de 280 mil. Depois da pandemia, passaram a 500 mil. São números impressionantes: 500 mil invisíveis que entregam comida, mas cujas famílias passam fome ou convivem
com ela. São 500 mil. Mais gente, menos lucro.

O estudo “Condições de Trabalho de Entregadores
Via Plataforma Digital Durante a Covid-19” identificou as jornadas de trabalho maiores e a queda nos
rendimentos de 58,9% dos entregadores. [...] Não se
preocupe. O entregador é microempresário, empreendedor. Não é pobreza, é um processo de sucesso
individual. Os entregadores não são trabalhadores,
são “parceiros” das plataformas. Os jovens que se
endividam para comprar uma moto investem no seu
futuro. Num país como Brasil, o discurso da meritocracia mata, assim como matam as motos dos entregadores cansados de trabalhar durante mais de dez
horas por dia. Entre março e maio deste ano, 87
morreram na capital paulista.

[...]

Mas a exploração tem seus limites. Os explorados
também explodem. Os invisíveis se cansam da invisibilidade. As greves de entregadores e a formação dos “Entregadores Antifascistas” são focos de luz nas
trevas. Entre as exigências dos trabalhadores estão
reajuste de preços, entrega de EPIs para trabalhar
com mais segurança durante a pandemia, fim dos
bloqueios indevidos, demanda de auxílios ou licenças
de saúde e acidente, questionamentos com relação a
programas de pontos realizados por algumas plataformas. Dignidade para os que são tratados com indignidade. É a revolta dos de baixo, dos que passavam despercebidos e hoje se tornaram essenciais. Todo o
meu respeito, todo o meu apoio.

Fonte: https://www.cartacapital.com.br/artigo/uberismo-e-a-totaldesumanizacao-das-relacoes-trabalhistas/. Acesso em: 08 jul. 2024.
(adaptado).

O texto lido é um artigo de opinião, gênero que tem
a característica da defesa de um ponto de vista.

Qual das alternativas a seguir apresenta a tese central do autor do texto?

## Alternativas

- **A)** “Há palavras cuja sonoridade é aparentemente inócua, cuja grafia parece inocente, insuspeita, mas basta ir um pouco além da fisionomia ortográfica para entender os infernos que escondem”. (Parágrafo 1)
- **B)** “Uberismo seria uma das mais recentes formas de exploração da forma de trabalho, consistente numa hiperexploração dos trabalhadores por meio de plataformas”. (Parágrafo 1) ✔ **correta**
- **C)** “O contato com o ‘cliente’ resume-se, muitas vezes, a uma entrega rápida e insensível, [...], que no momento estão a centímetros de distância, mas cujas mãos apenas se tocam e cujas vidas se tocam menos ainda”. (Parágrafo 1)
- **D)** “O estudo ‘Condições de Trabalho de Entregadores Via Plataforma Digital Durante a Covid-19” identificou as jornadas de trabalho maiores e a queda nos rendimentos de 58,9% dos entregadores’. (Parágrafo 3)
- **E)** “O entregador é microempresário, empreendedor. Não é pobreza, é um processo de sucesso individual. Os entregadores não são trabalhadores, são ‘parceiros’ das plataformas”. (Parágrafo 3)

## Resposta correta

Alternativa **B**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão ba683271-3c. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/ba683271-3c
