# Questão c18e8e65-9a — Filosofia

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/c18e8e65-9a

- **Código:** c18e8e65-9a
- **Disciplina:** [Filosofia](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/546-filosofia)
- **Área:** [Ciências Humanas](https://dicasdoenem.com.br/area/ciencias-humanas)
- **Ano:** [2015](https://dicasdoenem.com.br/ano/2015)
- **Instituição:** Pontifícia Universidade Católica de Goiás
- **Assuntos:** Conceitos Filosóficos
- **Nível:** Fácil
- **Gabarito:** alternativa B

## Enunciado

TEXTO 4

A dúvida, continuou Laura, maldita dúvida.
Essa é minha companheira, a sombra inconveniente
que me segura pelos calcanhares, que há de seguir
comigo até o túmulo. A morte de Tomázia, será que
ela me convinha? Talvez me conviesse. Essa hipótese,
eu não tenho como descartar. Seu desaparecimento
anularia a prova de meu crime? Teria poder para
apaziguar a culpa que continuava latejando mesmo
depois de meu rompimento definitivo com Vítor? A
dúvida acabou se revelando muito superior à certeza.
Mil, um milhão de vezes mais forte. Talvez se eu tivesse
sido obrigada a confessar meu crime aos pés de
um juiz, se tivesse sido enjaulada entre mulheres que
me odiavam, que me submetessem ao horror do estupro,
que atentassem contra minha pessoa, a sensação de culpa tivesse sido atenuada. Juro que cheguei
a sentir inveja do destino reservado às muçulmanas
que cometem o pecado do adultério. Desejei, sim,
ser publicamente difamada, arrastada pelos cabelos,
enterrada até o pescoço, e, finalmente, ter a cabeça
esfacelada a pedradas. Qualquer coisa, qualquer situação
limite teria sido menos penosa do que seguir
carregando a culpa, enquanto simulava a mais absoluta
indiferença. Não tenho vocação para o disfarce, a
simulação. Ah, como eu lamentei a perda de meu direito
de exibir minha fraqueza como outras mulheres
faziam! Mas não, eu tinha a permanente obrigação de
ser forte, de estar preparada para o momento em que
meu mundo viesse abaixo, como veio.

A visão de mulheres com as cabeças esfaceladas,
transformadas em um bolo de carne sangrento e disforme, partículas de cérebro espatifadas pra tudo que
é lado, arrepiou meu corpo dolorido. Sentindo um
princípio de náusea, comecei a fungar uma emoçãozinha
desconfiada. Essa bruxa tá me embromando,
penso, daqui a pouco eu entro na dela, caio em prantos
e, alagada de piedade, abraço a velha, aliso seus
cabelos grisalhos, cubro-lhe a face enrugada com
beijinhos consoladores. Calma, tia, calma! Cuidado
com a pressão. Tem aí algum tranquilizante que eu
possa lhe dar?

(BARROS, Adelice da Silveira. A mesa dos inocentes.
Goiânia: Kelps, 2010. p. 23.)

Chama atenção o drama vivido pela personagem
do fragmento extraído do livro A mesa dos inocentes,
de Adelice Barros (Texto 4).


Marque a alternativa correta concernente às reflexões
da personagem no fragmento em questão:

## Alternativas

- **A)** Ela se esforça para pintar o mundo exatamente como ele é, nem que para isso tenha de se expor, confessando suas fraquezas e frustrando qualquer possibilidade de se encontrar na vida.
- **B)** Ela imagina outra realidade, na qual possa se ver livre de seus pecados pela via do sofrimento reparador e purificador de sua consciência, que não lhe dá um só instante de paz. ✔ **correta**
- **C)** Ela é absolutamente confusa: não consegue articular suas ideias, nem mesmo se reconhece ante a realidade na qual se atirou por vontade própria.
- **D)** Ela ironiza sua própria sombra, numa clara alusão ao que se percebe nas relações dos dias atuais, em que as pessoas devem, antes de mais nada, aprender a não confiar em ninguém.

## Resposta correta

Alternativa **B**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão c18e8e65-9a. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/c18e8e65-9a
