# Questão c41cc102-e1 — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/c41cc102-e1

- **Código:** c41cc102-e1
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2008](https://dicasdoenem.com.br/ano/2008)
- **Instituição:** Universidade Católica de Pelotas
- **Assuntos:** Interpretação de Textos, Significação Contextual de Palavras e Expressões. Sinônimos e Antônimos.
- **Nível:** Fácil
- **Gabarito:** alternativa A

## Enunciado

Leia o texto a seguir.

ANGELINA

I

A mão de Deus passou de leve pelos seus cabelos loiros e ela adormeceu.

Ao pé de sua alcova, nesse dia de luto e de tristeza para os de sua casa, as roseiras amareleciam e finavam também com saudade.

Era quase noite... a lua pálida, como um cadáver, surgia através da montanha, atirando os primeiros raios à cabeceira da morta.

II

Angelina expirara com um sorriso a brincar-lhe na boca
cor de rosa.

É assim que emurchece a campainha dos vales; é assim
que morre a abelha que não lhe encontra no seio o último
favo de mel.

A alma da criança voara de seus lábios sorrindo e
parecia adejar ainda em torno daquela cabeça emoldurada
em ouro.

É que as almas das moças bonitas são como as
mariposas da noite, amam as rosas mesmo depois que se
esfolham.

III

Pobre Angelina!

E a dor prostrara a todos naquela casa, porque ninguém
supunha que ela morresse; tão linda que era, tão cheia de
vida!
A família não se animara a vê-la no leito de defunta.

Apenas de joelhos junto à cabeceira, chorava uma pobre
escrava que a trouxera aos peitos, quando pequena, e
chorava com a eloqüência dessas agonias maternais que
não se explicam.

IV

E a Nhan-nhanzinha já não podia ouvir o soluçar de
sua negra velha!

Era em vão que as lágrimas caíam sobre as mãos frias
da criança; o sono dos que vão para o céu é tão suave que
os próprios espíritos aprazem-se em fazê-lo eterno!

V

E quando, no outro dia, o esquife saiu, a pobre escrava
deixava cair sobre a mortalha fria de Angelina um ramo de
cravos brancos, que fora arrancar no jardim.

VI

A ponte desceu... os convidados voltaram... e a menina
ficou na sua cova do cemitério velho.

Nunca mais a alegria voltou à estância.

Durante um ano e mais, os escravos supersticiosos
imaginavam ver a figura branca e vaporosa de Nhannhanzinha, altas horas da noite, voltear sorrindo por entre
as cravinas e as rosas do canteiro grande ao pé da casa!

VII

Mas, o certo foi que, sobre a sepultura da menina,
nasceram muitos cravos brancos e perfumosos, cuja essência
agreste e divina embalsama o leito de mármore dos que ali
dormem...
Ainda hoje mesmo, as borboletas, que perpassam pelo
ninho daquelas flores, parecem ser o espírito de Angelina
que se lembra, com saudade, da casa onde nasceu e para
onde nunca mais voltará!

LOBO DA COSTA, Francisco. Angelina. Arauto das Letras, 8 de
outubro de 1882.

Na parte V, linha 1, a palavra “esquife” só não pode
ser entendida como

## Alternativas

- **A)** vereda. ✔ **correta**
- **B)** ataúde.
- **C)** urna funerária.
- **D)** tumba.
- **E)** féretro.

## Resposta correta

Alternativa **A**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão c41cc102-e1. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/c41cc102-e1
