# Questão c5d0a44b-3b — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/c5d0a44b-3b

- **Código:** c5d0a44b-3b
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2017](https://dicasdoenem.com.br/ano/2017)
- **Instituição:** Universidade Estadual Paulista
- **Assuntos:** Interpretação de Textos, Tipos de Discurso: Direto, Indireto e Indireto Livre
- **Nível:** Difícil
- **Gabarito:** alternativa D

## Enunciado

Para responder à questão, leia a crônica “Seu
‘Afredo’”, de Vinicius de Moraes (1913-1980), publicada originalmente
em setembro de 1953.

Seu Afredo (ele sempre subtraía o “l” do nome, ao se
apresentar com uma ligeira curvatura: “Afredo Paiva, um seu
criado...”) tornou-se inesquecível à minha infância porque
tratava-se muito mais de um linguista que de um encerador.
Como encerador, não ia muito lá das pernas. Lembro-me
que, sempre depois de seu trabalho, minha mãe ficava passeando
pela sala com uma flanelinha debaixo de cada pé,
para melhorar o lustro. Mas, como linguista, cultor do vernáculo¹e aplicador de sutilezas gramaticais, seu Afredo estava
sozinho.

Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador,
mas em quem a preocupação linguística perturbava às vezes
a colocação pronominal. Um dia, numa fila de ônibus, minha
mãe ficou ligeiramente ressabiada2
quando seu Afredo,
casualmente de passagem, parou junto a ela e perguntou-lhe
à queima-roupa, na segunda do singular:

– Onde vais assim tão elegante?

Nós lhe dávamos uma bruta corda. Ele falava horas a fio,
no ritmo do trabalho, fazendo os mais deliciosos pedantismos
que já me foi dado ouvir. Uma vez, minha mãe, em meio à
lide3
caseira, queixou-se do fatigante ramerrão4
do trabalho
doméstico. Seu Afredo virou-se para ela e disse:

– Dona Lídia, o que a senhora precisa fazer é ir a um
médico e tomar a sua quilometragem. Diz que é muito bão.

De outra feita, minha tia Graziela, recém-chegada de
fora, cantarolava ao piano enquanto seu Afredo, acocorado
perto dela, esfregava cera no soalho. Seu Afredo nunca tinha
visto minha tia mais gorda. Pois bem: chegou-se a ela e
perguntou-lhe:

– Cantas?
Minha tia, meio surpresa, respondeu com um riso amarelo:

– É, canto às vezes, de brincadeira...

Mas, um tanto formalizada, foi queixar-se a minha mãe,
que lhe explicou o temperamento do nosso encerador:

– Não, ele é assim mesmo. Isso não é falta de respeito,
não. É excesso de... gramática.

Conta ela que seu Afredo, mal viu minha tia sair, chegou-se a ela com ar disfarçado e falou:

– Olhe aqui, dona Lídia, não leve a mal, mas essa menina,
sua irmã, se ela pensa que pode cantar no rádio com
essa voz, ‘tá redondamente enganada. Nem em programa
de calouro!

E, a seguir, ponderou:

– Agora, piano é diferente. Pianista ela é!

E acrescentou:

– Eximinista pianista!

(Para uma menina com uma flor, 2009.)

1 vernáculo: a língua própria de um país; língua nacional.

2 ressabiado: desconfiado.

3 lide: trabalho penoso, labuta.

4 ramerrão: rotina.

“[Seu Afredo] perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do
singular:


– Onde vais assim tão elegante?” (2° parágrafo/3° parágrafo)

Ao se adaptar este trecho para o discurso indireto, o verbo
“vais” assume a seguinte forma:

## Alternativas

- **A)** foi.
- **B)** fora.
- **C)** vai.
- **D)** ia. ✔ **correta**
- **E)** iria.

## Resposta correta

Alternativa **D**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão c5d0a44b-3b. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/c5d0a44b-3b
