# Questão d14a5b3c-e4 — Conhecimentos Gerais

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/d14a5b3c-e4

- **Código:** d14a5b3c-e4
- **Disciplina:** [Conhecimentos Gerais](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/24-conhecimentos-gerais)
- **Ano:** [2016](https://dicasdoenem.com.br/ano/2016)
- **Instituição:** Pontifícia Universidade Católica de Goiás
- **Assuntos:** Sociedade e Comportamento
- **Nível:** Médio
- **Gabarito:** alternativa C

## Enunciado

TEXTO 3

Escalada para o inferno


Iniciava-se ali, meu estágio no inferno. A
ardida solidão corroía cada passo que eu dava. Via
crucis vivida aos seis anos de idade, ao sol das duas
horas. Vermelhidão por todos os lados daquela rua
íngreme e poeirenta. Meus olhos pediam socorro mas
só encontravam uma infinitude de terra e desolação.
Tentava acompanhar os passos de meu pai. E eles
eram enormes. Não só os passos mas as pernas.
Meus olhos olhavam duplamente: para os passos e
para as pernas e não alcançavam nem um nem outro.
Apenas se defrontavam com um vazio empoeirado
que entrava no meu ser inteiro. Eu queria chorar mas
tinha medo. Tropeçava a cada tentativa de correr para
alcançar meu pai. E eu tinha medo de ter medo. E
eu tinha medo de chorar. E era um sofrimento com
todos os vórtices de agonia. À minha frente, até
onde meus olhos conseguiram enxergar, estavam os
pés e as pernas de meu pai que iam firmes subindo
subindo subindo sem cessar. À minha volta eu podia
ver e sentir a terra vermelha e minha vida envolta
num turbilhão de desespero. Na verdade eu não sabia
muito bem para onde estava indo. Eu era bestializado
nos meus próprios passos. Nas minhas próprias
pernas. Tinha a impressão que o ponto de chegada
era aquele redemoinho em que me encontrava e que
dele nunca mais sairia. Na ânsia de ir sem querer ir
eu gaguejava no caminhar. E olhava com sofreguidão
para os meus pés e via ainda com mais aflição que os
bicos de meus sapatos novos estavam sujos daquela
poeira impregnante, vasculhante, suja. Eu sempre
gostei de sapatos. Eu sempre gostei de sapatos novos.
Novos e luzidios. E eles estavam sujos. Cobertos de
poeira. E a subida prosseguia inalterada. Tentava
olhar para o alto e só conseguia ver os enormes
joelhos de meu pai que dobravam num ritmo
compassado. Via suas pernas e seus pés. E só. Sentia,
lá no fundo, um desejo calado de dizer alguma coisa.
De dizer-lhe que parasse. Que fosse mais devagar.
Que me amparasse. Mas esse desejo era um calo na
minha pequenina garganta que jamais seria curado.
E eu prossegui ao extremo de meus limites. Tinha de
acontecer: desamarrou o cadarço de meu sapato. A
loucura do sol das duas horas parece ter se engraçado
pelo meu desatino. Tudo ficou muito mais quente.
Tudo ficou mais empoeirado e muito mais vermelho.
O desatino me levou ao choro. Não sei se chorei
ou se choraminguei. Só sei que dei índices de que
eu precisava de meu pai. E ele atendeu. Voltou-se
para mim e viu que estava pisando no cadarço. Que
estava prestes a cair. Então me socorreu. Olhou-me
nos olhos com a expressão casmurra. Levou suas
enormes mãos aos meus pés e amarrou o cadarço
firmemente com um intrincado nó. A cena me levou
a um estado de cegueira anestésica tão intensa que
sofri uma espécie de amnésia passageira. Estado de
torpor. Quando dei por mim, já tinha chegado ao meu destino: cadeira do barbeiro. Alta, prepotente
e giratória. Ele, o barbeiro, cabeça enorme, mãos
enormes, enormes unhas, sorriso nos lábios dos
quais surgiam grandes caninos. Ele portava enorme
máquina que apontava em minha direção. E ouvi a
voz do pai: pode tirar quase tudo! deixa só um pouco
em cima! Ali, finalmente, para lembrar Rimbaud, ia
se encerrar meu estágio no inferno.

(GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo:
Nankin, 2013. p. 45-46.)

O Texto 3 aborda o sofrimento de uma criança ainda
pequena acompanhando o pai em um ambiente árido
e atemorizador. A cena inicial possui semelhanças com
uma narrativa importante para as três grandes religiões
monoteístas: o sacrifício de Isaque por Abraão. Deus teria
pedido ao ancião que sacrificasse o filho que havia
gerado milagrosamente com sua esposa, também idosa,
Sara. Devido ao gesto de tomar o filho e levá-lo para o
altar sacrificial, o patriarca foi chamado de “O Pai da
Fé”. Além dessa narrativa comum, o Judaísmo, o Cristianismo
e o Islamismo possuem historicamente características
que os aproximam. Sobre esse tema, analise as
afirmações a seguir:

I - Essas religiões apresentam a imagem de um Deus profundamente
étnico, que escolhe um único povo, exige a
execução de rituais sacrificiais e de ritos que reforçam
essa identidade coletiva.

II - As três religiões apresentam a imagem de um Deus
misericordioso e único, criador de toda a humanidade,
apesar de muitas perseguições e conflitos terem sido gerados
em razão da fé religiosa desses povos.


III - Elas utilizam um livro como referência para conhecer
esse Deus, bem como para transmitir seus ensinamentos
e valores.

IV - As três religiões se separaram e passaram a entrar
em guerra logo após a morte de Abraão, já que o
clã patriarcal não manteve o consenso na conquista de
Canaã

De acordo com os itens analisados, marque a alternativa
que contém todas as proposições corretas:

## Alternativas

- **A)** I , II e III.
- **B)** I e III e IV.
- **C)** II e III. ✔ **correta**
- **D)** III e IV.

## Resposta correta

Alternativa **C**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão d14a5b3c-e4. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/d14a5b3c-e4
