# Questão e28d2c23-64 — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/e28d2c23-64

- **Código:** e28d2c23-64
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2026](https://dicasdoenem.com.br/ano/2026)
- **Instituição:** Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas
- **Assuntos:** Coesão e coerência, Interpretação de Textos, Morfologia - Pronomes, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto, Pronomes pessoais oblíquos
- **Nível:** Médio
- **Gabarito:** alternativa E

## Enunciado

TEXTO I

O padeiro


Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abroaportadoapartamento - mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lidoalgumacoisa nos jornais da véspera sobre a "greve do pão dormido". De resto não é bemuma greve, éumlockout, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando opovoatomarseu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.

Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquantotomocafévou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar opãoàportado apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:

- Não é ninguém, é o padeiro!


Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?


"Então você não é ninguém?"

Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lheacontecerabater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, eouvirumavoz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: "nãoé ninguém, não senhora, é o padeiro". Assim ficara sabendo que não era ninguém...

Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-loparaexplicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempoeutambém,como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quasesempre depois de uma passagem pela oficina - e muitas vezes saía já levando na mão umdos primeirosexemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.

Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porquenojornalque levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônicaouartigocom o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro domeucoraçãoeu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; "não é ninguém, éopadeiro!"

E assobiava pelas escadas.

Fonte: BRAGA, Rubem. O padeiro. In: ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Crônicas I. 27. ed. São Paulo: Ática, 2006, p.61-62.

“Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo.” O termo grifado refere-se:

## Alternativas

- **A)** ao fato de o narrador tomar café com pão dormido.
- **B)** aos tempos em que padeiros e jornalistas faziam trabalhos noturnos.
- **C)** à lição de humildade que aprendeu com o padeiro.
- **D)** à desilusão da greve.
- **E)** a quando o padeiro ficou sabendo que não era ninguém. ✔ **correta**

## Resposta correta

Alternativa **E**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão e28d2c23-64. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/e28d2c23-64
