# Questão f9873553-b6 — Português

> Questão de múltipla escolha com gabarito, do acervo do Dicas do ENEM.
> Página com a questão respondível: https://dicasdoenem.com.br/questao/f9873553-b6

- **Código:** f9873553-b6
- **Disciplina:** [Português](https://dicasdoenem.com.br/disciplina/1-portugues)
- **Área:** [Linguagens](https://dicasdoenem.com.br/area/linguagens)
- **Ano:** [2010](https://dicasdoenem.com.br/ano/2010)
- **Instituição:** Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - Goiás
- **Assuntos:** Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
- **Nível:** Difícil
- **Gabarito:** alternativa E

## Enunciado

Texto 2

Homem Comum

Sou um homem comum

de carne e de memória

de osso e esquecimento

e a vida sopra dentro de mim

pânica

feito a chama de um maçarico

e pode

subitamente

cessar.

Sou como você

feito de coisas lembradas

e esquecidas

rostos e

mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia

em Pastos-Bons

defuntas alegrias flores passarinhos

facho de tarde luminosa

nomes que já nem sei

bandejas bandeiras bananeiras

tudo

misturado

essa lenha perfumada

que se acende

e me faz caminhar

Sou um homem comum

brasileiro, maior, casado, reservista,

e não vejo na vida, amigo,


nenhum sentido, senão


lutarmos juntos por um mundo melhor.


Poeta fui de rápido destino.


Mas a poesia é rara e não comove


nem move o pau-de-arara.


Quero, por isso, falar com você,


de homem para homem,


apoiar-me em você


oferecer-lhe o meu braço


que o tempo é pouco


e o latifúndio está aí, matando.




Que o tempo é pouco


e aí estão o Chase Bank,


a IT & T, a Bond and Share,


a Wilson, a Hanna, a Anderson Clayton,


e sabe-se lá quantos outros


braços do polvo a nos sugar a vida


e a bolsa


Homem comum, igual


a você,


cruzo a Avenida sob a pressão do imperialismo.


A sombra do latifúndio


mancha a paisagem


turva as águas do mar


e a infância nos volta


à boca, amarga,


suja de lama e de fome.




Mas somos muitos milhões de homens


comuns


e podemos formar uma muralha


com nossos corpos de sonho e margaridas.



Gullar, F. Dentro da noite veloz. Civilização Brasileira, 1975; 3ª ed.,


José Olympio, 1998. In: Toda poesia. José Olympio, 12ª ed., 2002.





A metáfora transfigura o sentido das palavras
expandindo a possibilidade de associações
entre signos diferentes. Nos versos “e sabe-se
lá quantos/outros/braços do polvo a nos sugar a
vida/e a bolsa”, o poeta estruturou seu
pensamento metaforicamente para:

## Alternativas

- **A)** Minimizar o alcance de organizações econômicas nas representações dos anseios da sociedade.
- **B)** Realçar a antítese que há entre as empresas citadas e o domínio econômico imposto pelo imperialismo.
- **C)** Expandir e intensificar as experiências vividas pelo homem comum nas múltiplas realidades sociais.
- **D)** Destacar a importância da união dos homens comuns como braços de um mesmo projeto social.
- **E)** Associar o imperialismo a um polvo aprisionando povos e países pelo domínio econômico. ✔ **correta**

## Resposta correta

Alternativa **E**.

## Como citar

Dicas do ENEM. Questão f9873553-b6. Disponível em: https://dicasdoenem.com.br/questao/f9873553-b6
