Dicas do ENEMEntrar

Questões do ENEM 2025

Questões aplicadas na prova de 2025, cada uma em página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

Resultados

615 questões encontradas. Mostrando a página 1 de 31.

  • 1F7B7F0B-76

    Português

    Morfologia - Pronomes
    UEA · 2025DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto de Dan Ariely, traduzido por Ivo Korytowski, para responder à questão.


    O chamado da arte


        Em abril de 2011, o programa de rádio This American Life apresentou uma matéria sobre Dan Weiss, um jovem universitário que trabalhava no Centro John F. Kennedy de Artes Cênicas, em Washington. Sua função era cuidar do estoque das lojas de suvenires do centro, onde uma equipe de 300 voluntários bem-intencionados — em sua maioria, aposentados que adoravam teatro e música — vendia as mercadorias aos visitantes.

        As lojas de suvenires eram administradas como barracas de limonada. Não havia caixas registradoras, apenas caixas de papel onde os voluntários depositavam o dinheiro e de onde pegavam o troco. As lojinhas eram um ótimo negócio, com mais de 400 mil dólares em vendas de mercadorias anualmente. Mas tinham um grande problema: daquela quantia, uns 150 mil dólares desapareciam a cada ano.

        Quando foi promovido a gerente, Dan assumiu a tarefa de capturar o ladrão. Começou a suspeitar de outro jovem funcionário cujo trabalho era levar o dinheiro ao banco. Contratou um detetive para montar uma operação e, numa noite de fevereiro, armaram a cilada. Dan colocou notas marcadas na caixa de papel e partiu. Depois, ele e o detetive se esconderam atrás de umas árvores ali por perto, aguardando pelo suspeito. Quando acabou o expediente e o membro suspeito da equipe foi embora, eles o abordaram e acharam algumas das notas marcadas no seu bolso. Caso encerrado, certo?

        Não exatamente, como se constatou depois. O jovem empregado furtou apenas 60 dólares naquela noite, e, mesmo após sua demissão, o dinheiro e as mercadorias continuaram desaparecendo. O próximo passo de Dan foi criar um sistema de estoque com listas de preços e registros de vendas. Ele orientou os aposentados a anotarem o que era vendido e o que recebiam, e os furtos cessaram. O problema não era um único ladrão, mas a multidão de voluntários idosos, bem-intencionados, amantes das artes que se apropriavam dos produtos e do dinheiro que estavam ali de bobeira.

        A moral dessa história não é nada edificante. Nas palavras de Dan: “Nós vamos nos apropriar de coisas que não nos pertencem se tivermos uma chance. (...) Muitas pessoas precisam de alguma forma de controle para fazerem a coisa certa.”


    (A (honesta) verdade sobre a desonestidade, 2021. Adaptado.)

    “Começou a suspeitar de outro jovem funcionário cujo trabalho era levar o dinheiro ao banco.” (3o parágrafo)


    Suponha que o trecho sublinhado seja substituído por “era destinada a tarefa de levar o dinheiro ao banco”. Para manter a correção gramatical, na nova frase a palavra “cujo” deve ser substituída por:

    Escolha uma alternativa para a questão 1f7b7f0b-76
  • 1F78B0D6-76

    Português

    Concordância verbal, Concordância nominal
    UEA · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto de Dan Ariely, traduzido por Ivo Korytowski, para responder à questão.


    O chamado da arte


        Em abril de 2011, o programa de rádio This American Life apresentou uma matéria sobre Dan Weiss, um jovem universitário que trabalhava no Centro John F. Kennedy de Artes Cênicas, em Washington. Sua função era cuidar do estoque das lojas de suvenires do centro, onde uma equipe de 300 voluntários bem-intencionados — em sua maioria, aposentados que adoravam teatro e música — vendia as mercadorias aos visitantes.

        As lojas de suvenires eram administradas como barracas de limonada. Não havia caixas registradoras, apenas caixas de papel onde os voluntários depositavam o dinheiro e de onde pegavam o troco. As lojinhas eram um ótimo negócio, com mais de 400 mil dólares em vendas de mercadorias anualmente. Mas tinham um grande problema: daquela quantia, uns 150 mil dólares desapareciam a cada ano.

        Quando foi promovido a gerente, Dan assumiu a tarefa de capturar o ladrão. Começou a suspeitar de outro jovem funcionário cujo trabalho era levar o dinheiro ao banco. Contratou um detetive para montar uma operação e, numa noite de fevereiro, armaram a cilada. Dan colocou notas marcadas na caixa de papel e partiu. Depois, ele e o detetive se esconderam atrás de umas árvores ali por perto, aguardando pelo suspeito. Quando acabou o expediente e o membro suspeito da equipe foi embora, eles o abordaram e acharam algumas das notas marcadas no seu bolso. Caso encerrado, certo?

        Não exatamente, como se constatou depois. O jovem empregado furtou apenas 60 dólares naquela noite, e, mesmo após sua demissão, o dinheiro e as mercadorias continuaram desaparecendo. O próximo passo de Dan foi criar um sistema de estoque com listas de preços e registros de vendas. Ele orientou os aposentados a anotarem o que era vendido e o que recebiam, e os furtos cessaram. O problema não era um único ladrão, mas a multidão de voluntários idosos, bem-intencionados, amantes das artes que se apropriavam dos produtos e do dinheiro que estavam ali de bobeira.

        A moral dessa história não é nada edificante. Nas palavras de Dan: “Nós vamos nos apropriar de coisas que não nos pertencem se tivermos uma chance. (...) Muitas pessoas precisam de alguma forma de controle para fazerem a coisa certa.”


    (A (honesta) verdade sobre a desonestidade, 2021. Adaptado.)

    “Dan assumiu a tarefa de capturar o ladrão” (3o parágrafo)


    Ao se transpor a oração centrada no verbo sublinhado para a voz passiva, esse verbo assume a forma:

    Escolha uma alternativa para a questão 1f78b0d6-76
  • 1F762C99-76

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2025Entre para guardar nos favoritos

    Leia o texto de Dan Ariely, traduzido por Ivo Korytowski, para responder à questão.


    O chamado da arte


        Em abril de 2011, o programa de rádio This American Life apresentou uma matéria sobre Dan Weiss, um jovem universitário que trabalhava no Centro John F. Kennedy de Artes Cênicas, em Washington. Sua função era cuidar do estoque das lojas de suvenires do centro, onde uma equipe de 300 voluntários bem-intencionados — em sua maioria, aposentados que adoravam teatro e música — vendia as mercadorias aos visitantes.

        As lojas de suvenires eram administradas como barracas de limonada. Não havia caixas registradoras, apenas caixas de papel onde os voluntários depositavam o dinheiro e de onde pegavam o troco. As lojinhas eram um ótimo negócio, com mais de 400 mil dólares em vendas de mercadorias anualmente. Mas tinham um grande problema: daquela quantia, uns 150 mil dólares desapareciam a cada ano.

        Quando foi promovido a gerente, Dan assumiu a tarefa de capturar o ladrão. Começou a suspeitar de outro jovem funcionário cujo trabalho era levar o dinheiro ao banco. Contratou um detetive para montar uma operação e, numa noite de fevereiro, armaram a cilada. Dan colocou notas marcadas na caixa de papel e partiu. Depois, ele e o detetive se esconderam atrás de umas árvores ali por perto, aguardando pelo suspeito. Quando acabou o expediente e o membro suspeito da equipe foi embora, eles o abordaram e acharam algumas das notas marcadas no seu bolso. Caso encerrado, certo?

        Não exatamente, como se constatou depois. O jovem empregado furtou apenas 60 dólares naquela noite, e, mesmo após sua demissão, o dinheiro e as mercadorias continuaram desaparecendo. O próximo passo de Dan foi criar um sistema de estoque com listas de preços e registros de vendas. Ele orientou os aposentados a anotarem o que era vendido e o que recebiam, e os furtos cessaram. O problema não era um único ladrão, mas a multidão de voluntários idosos, bem-intencionados, amantes das artes que se apropriavam dos produtos e do dinheiro que estavam ali de bobeira.

        A moral dessa história não é nada edificante. Nas palavras de Dan: “Nós vamos nos apropriar de coisas que não nos pertencem se tivermos uma chance. (...) Muitas pessoas precisam de alguma forma de controle para fazerem a coisa certa.”


    (A (honesta) verdade sobre a desonestidade, 2021. Adaptado.)

    A característica das lojas de suvenires que as fazia semelhantes a “barracas de limonada” (2o parágrafo) era que as lojas
    Escolha uma alternativa para a questão 1f762c99-76
  • 1F72EE90-76

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto de Dan Ariely, traduzido por Ivo Korytowski, para responder à questão.


    O chamado da arte


        Em abril de 2011, o programa de rádio This American Life apresentou uma matéria sobre Dan Weiss, um jovem universitário que trabalhava no Centro John F. Kennedy de Artes Cênicas, em Washington. Sua função era cuidar do estoque das lojas de suvenires do centro, onde uma equipe de 300 voluntários bem-intencionados — em sua maioria, aposentados que adoravam teatro e música — vendia as mercadorias aos visitantes.

        As lojas de suvenires eram administradas como barracas de limonada. Não havia caixas registradoras, apenas caixas de papel onde os voluntários depositavam o dinheiro e de onde pegavam o troco. As lojinhas eram um ótimo negócio, com mais de 400 mil dólares em vendas de mercadorias anualmente. Mas tinham um grande problema: daquela quantia, uns 150 mil dólares desapareciam a cada ano.

        Quando foi promovido a gerente, Dan assumiu a tarefa de capturar o ladrão. Começou a suspeitar de outro jovem funcionário cujo trabalho era levar o dinheiro ao banco. Contratou um detetive para montar uma operação e, numa noite de fevereiro, armaram a cilada. Dan colocou notas marcadas na caixa de papel e partiu. Depois, ele e o detetive se esconderam atrás de umas árvores ali por perto, aguardando pelo suspeito. Quando acabou o expediente e o membro suspeito da equipe foi embora, eles o abordaram e acharam algumas das notas marcadas no seu bolso. Caso encerrado, certo?

        Não exatamente, como se constatou depois. O jovem empregado furtou apenas 60 dólares naquela noite, e, mesmo após sua demissão, o dinheiro e as mercadorias continuaram desaparecendo. O próximo passo de Dan foi criar um sistema de estoque com listas de preços e registros de vendas. Ele orientou os aposentados a anotarem o que era vendido e o que recebiam, e os furtos cessaram. O problema não era um único ladrão, mas a multidão de voluntários idosos, bem-intencionados, amantes das artes que se apropriavam dos produtos e do dinheiro que estavam ali de bobeira.

        A moral dessa história não é nada edificante. Nas palavras de Dan: “Nós vamos nos apropriar de coisas que não nos pertencem se tivermos uma chance. (...) Muitas pessoas precisam de alguma forma de controle para fazerem a coisa certa.”


    (A (honesta) verdade sobre a desonestidade, 2021. Adaptado.)

    De acordo com o texto, a explicação correta para o desaparecimento de grande quantia de dinheiro das lojas era:
    Escolha uma alternativa para a questão 1f72ee90-76
  • 1F701EEE-76

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho do conto “A caligrafia de Deus”, de Márcio Souza.



        Na loucura da Zona Franca, o povo era tão afável na sua ironia que chamava aquilo de bairro. Em dez anos, aquelas colinas suaves cortadas por um igarapé viram desaparecer os buritizais e a mata quase cerrada, as chácaras e os banhos, para dar lugar a um conjunto habitacional do BNH e às adesões provocadas pela iniciativa particular dos ribeirinhos que chegavam com a anual subida das águas. O conjunto habitacional nunca ficaria pronto, e era um inferno de calor e poeira ao meio-dia, uma geladeira tropical de umidade e bruma durante a noite. Nada mais restava da antiga mata e o deserto estendia-se pelo lado das casas dos ribeirinhos. Nos meses de chuva formava-se um atoleiro que era um verdadeiro nirvana para os porcos; nos meses sem chuva, uma paisagem marcada com todo o charme de um barro avermelhado que empoava as crianças e as galinhas.


    (Márcio Souza. A caligrafia de Deus, 2007.)



    O ambiente apresentado, em que vive o “povo” referido no início do trecho, colabora no conto para estabelecer

    Escolha uma alternativa para a questão 1f701eee-76
  • 1F6D9BF8-76

    Português

    Análise sintática
    UEA · 2025DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder a questão


        Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.

    — Está bom, hein?— indagou o major.

    — Magnífico — fez Ricardo, estalando os lábios.

    — É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…

        E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.

        Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.

        Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4 .

        Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:

    — Vamos ver. Tire a escala, major.

    (Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)


    1 lutulento: lamacento, lodoso.

    2 olente: cheiroso, perfumado.

    3 dolente: lamentosa, queixosa.

    4 deliquescência: propriedade que certas substâncias têm de extrair água.


    “e foi como se todo ele bebesse o licor nacional” (1o parágrafo)


    Nessa frase, o verbo sublinhado tem um objeto direto — “o licor nacional” —, isto é, o verbo tem um complemento e é ligado a ele diretamente, sem a presença de uma preposição.


    O verbo sublinhado tem também um objeto direto em:

    Escolha uma alternativa para a questão 1f6d9bf8-76
  • 1F6AC3C6-76

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder a questão


        Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.

    — Está bom, hein?— indagou o major.

    — Magnífico — fez Ricardo, estalando os lábios.

    — É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…

        E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.

        Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.

        Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4 .

        Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:

    — Vamos ver. Tire a escala, major.

    (Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)


    1 lutulento: lamacento, lodoso.

    2 olente: cheiroso, perfumado.

    3 dolente: lamentosa, queixosa.

    4 deliquescência: propriedade que certas substâncias têm de extrair água.


    “Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…” (4o parágrafo)


    Mantendo a correção gramatical e o sentido original do texto, a palavra sublinhada pode ser substituída por:

    Escolha uma alternativa para a questão 1f6ac3c6-76
  • 1F6806EE-76

    Português

    Orações subordinadas adverbiais: Causal, Comparativa, Consecutiva, Concessiva, Condicional...
    UEA · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder a questão


        Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.

    — Está bom, hein?— indagou o major.

    — Magnífico — fez Ricardo, estalando os lábios.

    — É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…

        E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.

        Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.

        Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4 .

        Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:

    — Vamos ver. Tire a escala, major.

    (Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)


    1 lutulento: lamacento, lodoso.

    2 olente: cheiroso, perfumado.

    3 dolente: lamentosa, queixosa.

    4 deliquescência: propriedade que certas substâncias têm de extrair água.


    No contexto em que está inserido, o trecho sublinhado expressa um tempo em:
    Escolha uma alternativa para a questão 1f6806ee-76
  • 1F656905-76

    Português

    Figuras de Linguagem
    UEA · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder a questão


        Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.

    — Está bom, hein?— indagou o major.

    — Magnífico — fez Ricardo, estalando os lábios.

    — É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…

        E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.

        Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.

        Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4 .

        Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:

    — Vamos ver. Tire a escala, major.

    (Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)


    1 lutulento: lamacento, lodoso.

    2 olente: cheiroso, perfumado.

    3 dolente: lamentosa, queixosa.

    4 deliquescência: propriedade que certas substâncias têm de extrair água.


    O narrador do romance manifesta-se ironicamente, em tom jocoso, em:
    Escolha uma alternativa para a questão 1f656905-76
  • 1F627839-76

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
    UEA · 2025Entre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder a questão


        Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.

    — Está bom, hein?— indagou o major.

    — Magnífico — fez Ricardo, estalando os lábios.

    — É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…

        E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.

        Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.

        Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4 .

        Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:

    — Vamos ver. Tire a escala, major.

    (Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)


    1 lutulento: lamacento, lodoso.

    2 olente: cheiroso, perfumado.

    3 dolente: lamentosa, queixosa.

    4 deliquescência: propriedade que certas substâncias têm de extrair água.


    Uma característica do personagem Policarpo Quaresma que o acompanha ao longo de todo o romance e que está presente nesse trecho é sua obsessão
    Escolha uma alternativa para a questão 1f627839-76
  • 1F5FCEC9-76

    Português

    Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
    UEA · 2025Entre para guardar nos favoritos

    Considere a tirinha de Eduardo Arruda, publicada no perfil @eduardobarruda do Instagram em 25.01.2025, para responder à questão


    Q25-26.png (318×331)

    A tirinha pode ser entendida como uma reflexão metalinguística. Nessa interpretação, a metalinguagem decorreria de a tirinha propor uma reflexão sobre 
    Escolha uma alternativa para a questão 1f5fcec9-76
  • 1F5D0931-76

    Português

    Coesão e coerência
    UEA · 2025Entre para guardar nos favoritos

    Considere a tirinha de Eduardo Arruda, publicada no perfil @eduardobarruda do Instagram em 25.01.2025, para responder à questão


    Q25-26.png (318×331)

    Na situação exposta na tirinha, a informação “nem começava” representa
    Escolha uma alternativa para a questão 1f5d0931-76
  • 8E56A2BB-75

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos

    Leia a tirinha de Brian Crane para responder à questão.



    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2025


    (Brian Crane. Still Pickled After All These Years, 2004.)

    No trecho do primeiro quadrinho “Can I try on your glasses, grampa?”, o termo “Can” expressa
    Escolha uma alternativa para a questão 8e56a2bb-75
  • 8E54093B-75

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos

    Leia a tirinha de Brian Crane para responder à questão.



    Imagem da questão de Português, da prova de 2025


    (Brian Crane. Still Pickled After All These Years, 2004.)

    De acordo com a tirinha, o avô
    Escolha uma alternativa para a questão 8e54093b-75
  • 8E515423-75

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Leia a resenha crítica do filme Joker, publicada no website da Rodgers Memorial Library, para responder à questão.


    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2025


        Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) is a mentally ill man who laughs uncontrollably. He works as a clown, gets help from a social assistant, lives with his mother, and wants to be a comedian. As the movie progresses, Arthur feels betrayal from everyone around him, pushing him to a breaking point as his support system collapses.

       Joker is an unusual comic book movie in the sense that it is a character study. Inspired in part by Martin Scorsese films like King of Comedy and Taxi Driver, Joker looks at the need for affection and identity. This contrasts heavily with action-packed superhero movies. It’s a serious, disturbing movie that opens itself to critical thinking, not all of it pleasant as exemplified when Arthur, in a moment of exasperation, tells his social assistant “All I have are negative thoughts.”

       Usually, the Joker is defined by his relationship with Batman. Bruce Wayne (Batman’s real self) and his family play an important part in Joker, yet another rich family could be substituted without changing the plot much. Fleck’s journey is not as connected to his traditional comic book role as in other movies and the audience is challenged to ask if he is a villain or a victim.


    (Rodgers Memorial Library. https://sites.google.com. Adaptado.)
    No trecho do terceiro parágrafo “Fleck’s journey is not as connected to his traditional comic book role as in other movies and the audience is challenged to ask if he is a villain or a victim”, os termos sublinhados expressam
    Escolha uma alternativa para a questão 8e515423-75
  • 8E4E9EAF-75

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Leia a resenha crítica do filme Joker, publicada no website da Rodgers Memorial Library, para responder à questão.


    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2025


        Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) is a mentally ill man who laughs uncontrollably. He works as a clown, gets help from a social assistant, lives with his mother, and wants to be a comedian. As the movie progresses, Arthur feels betrayal from everyone around him, pushing him to a breaking point as his support system collapses.

       Joker is an unusual comic book movie in the sense that it is a character study. Inspired in part by Martin Scorsese films like King of Comedy and Taxi Driver, Joker looks at the need for affection and identity. This contrasts heavily with action-packed superhero movies. It’s a serious, disturbing movie that opens itself to critical thinking, not all of it pleasant as exemplified when Arthur, in a moment of exasperation, tells his social assistant “All I have are negative thoughts.”

       Usually, the Joker is defined by his relationship with Batman. Bruce Wayne (Batman’s real self) and his family play an important part in Joker, yet another rich family could be substituted without changing the plot much. Fleck’s journey is not as connected to his traditional comic book role as in other movies and the audience is challenged to ask if he is a villain or a victim.


    (Rodgers Memorial Library. https://sites.google.com. Adaptado.)
    No trecho do segundo parágrafo “It’s a serious, disturbing movie that opens itself to critical thinking, not all of it pleasant”, o termo sublinhado refere-se a
    Escolha uma alternativa para a questão 8e4e9eaf-75
  • 8E4BF17E-75

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Leia a resenha crítica do filme Joker, publicada no website da Rodgers Memorial Library, para responder à questão.


    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2025


        Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) is a mentally ill man who laughs uncontrollably. He works as a clown, gets help from a social assistant, lives with his mother, and wants to be a comedian. As the movie progresses, Arthur feels betrayal from everyone around him, pushing him to a breaking point as his support system collapses.

       Joker is an unusual comic book movie in the sense that it is a character study. Inspired in part by Martin Scorsese films like King of Comedy and Taxi Driver, Joker looks at the need for affection and identity. This contrasts heavily with action-packed superhero movies. It’s a serious, disturbing movie that opens itself to critical thinking, not all of it pleasant as exemplified when Arthur, in a moment of exasperation, tells his social assistant “All I have are negative thoughts.”

       Usually, the Joker is defined by his relationship with Batman. Bruce Wayne (Batman’s real self) and his family play an important part in Joker, yet another rich family could be substituted without changing the plot much. Fleck’s journey is not as connected to his traditional comic book role as in other movies and the audience is challenged to ask if he is a villain or a victim.


    (Rodgers Memorial Library. https://sites.google.com. Adaptado.)
    Considerando o contexto, o trecho sublinhado que inequivocamente expressa um ponto de vista é:
    Escolha uma alternativa para a questão 8e4bf17e-75
  • 8E4965DF-75

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Leia a resenha crítica do filme Joker, publicada no website da Rodgers Memorial Library, para responder à questão.


    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2025


        Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) is a mentally ill man who laughs uncontrollably. He works as a clown, gets help from a social assistant, lives with his mother, and wants to be a comedian. As the movie progresses, Arthur feels betrayal from everyone around him, pushing him to a breaking point as his support system collapses.

       Joker is an unusual comic book movie in the sense that it is a character study. Inspired in part by Martin Scorsese films like King of Comedy and Taxi Driver, Joker looks at the need for affection and identity. This contrasts heavily with action-packed superhero movies. It’s a serious, disturbing movie that opens itself to critical thinking, not all of it pleasant as exemplified when Arthur, in a moment of exasperation, tells his social assistant “All I have are negative thoughts.”

       Usually, the Joker is defined by his relationship with Batman. Bruce Wayne (Batman’s real self) and his family play an important part in Joker, yet another rich family could be substituted without changing the plot much. Fleck’s journey is not as connected to his traditional comic book role as in other movies and the audience is challenged to ask if he is a villain or a victim.


    (Rodgers Memorial Library. https://sites.google.com. Adaptado.)
    O propósito principal do texto é
    Escolha uma alternativa para a questão 8e4965df-75
  • 8E46AF43-75

    Português

    Figuras de Linguagem
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage.


    Imagem da questão de Português, da prova de 2025


    (Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974.)
    Antítese é a figura de linguagem pela qual se opõem duas palavras de sentido contrário em um mesmo enunciado. O eu lírico lança mão dessa figura de linguagem no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão 8e46af43-75
  • 8E43196D-75

    Literatura

    Arcadismo
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage.


    Imagem da questão de Literatura, da prova de 2025


    (Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974.)
    Um traço estilístico que afasta esse soneto do Neoclassicismo, aproximando-o da estética romântica, é
    Escolha uma alternativa para a questão 8e43196d-75