Questões do ENEM: Denotação e Conotação

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110 questões encontradas. Mostrando a página 1 de 6.

  • 1F9E33F5-89

    Português

    Denotação e Conotação
    UFU-MG · 2026Entre para guardar nos favoritos

    Q2.png (408×261)

    Disponível em: https://cartum.folha.uol.com.br/charges/2025/12/06/marilia-marz.shtml. Acesso em: 8 dez. 2025.



    A presença da flor sob uma redoma estabelece um diálogo intertextual com representações ficcionais em que esse objeto simboliza proteção ou encantamento. Na charge, esse diálogo contribui para a construção do sentido de que o Estado  

    Escolha uma alternativa para a questão 1f9e33f5-89
  • C1926EA9-6F

    Português

    Denotação e Conotação
    UECE · 2026Entre para guardar nos favoritos
    O texto, a seguir, é parte da obra Os sertões, de Euclides da Cunha, publicado em 1902, intitulada “A terra”. A obra é resultado da cobertura jornalística da Guerra de Canudos, realizada entre agosto e outubro de 1897, para o jornal O Estado de S.Paulo.


    TEXTO II

    A terra

    Imagem da questão de Português, da prova de 2026
    Imagem da questão de Português, da prova de 2026

    CUNHA, Euclides da. Os Sertões. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
    O trecho “Volvia ao turbilhão da vida sem decomposição repugnante, numa exaustão imperceptível.” (linhas 121-122) apresenta o sentido correspondente
    Escolha uma alternativa para a questão c1926ea9-6f
  • 14269991-69

    Português

    Denotação e Conotação
    Ensino Einstein · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o poema de José Carlos Capinan (1941-) para responder à questão.

    o rebanho e o homem

    O rebanho trafega com tranquilidade o caminho:
    é sempre uma surpresa ao rebanho que ele chegue
    ao campo ou ao matadouro.
    Nenhuma raiva
    nenhuma esperança o rebanho leva,
    pouco importa que a flor sucumba aos cascos
    ou ainda que sobreviva.
    Nenhuma pergunta o rebanho não diz:
    até na sede ele é tranquilo
    até na guerra ele é mudo —
    o rebanho não pronuncia,
    usa a luz mas nunca explica a sua falta
    usa o alimento sem nunca se perguntar.
    Sobre o rebanho o sexo
    que ele nunca explicava
    e as fêmeas cobertas
    recebem a fecundidade sem admiração.
    A morte ele desconhece, e a sua vida,
    no rebanho não há companheiros
    há cada corpo em si sem lucidez alguma.
    O rebanho não vê a cara dos homens
    aceita o caminho e vai escorrendo
    num andar pesado sobre os campos.

    (Heloisa Buarque de Hollanda (org.). 26 poetas hoje: antologia, 2021.)
    No poema, caso entendida como uma metáfora, a palavra “rebanho” descreveria
    Escolha uma alternativa para a questão 14269991-69
  • C17BD2CF-8D

    Português

    Denotação e Conotação
    USP · 2024Entre para guardar nos favoritos
    Bem-vinda!


    “Eram faíscas suas palavras que me queimavam em
    doses homeopáticas
    durante todas as noites…
    Foram longos anos, dia após dia perdendo um pouco
    mais minha autoestima,
    abrindo mão das roupas que gostava, dos estudos, do
    trabalho e das amigas
    fazendo de tudo pra evitar brigas,
    mas ele sempre dizia que a culpa era minha.
    Até que um dia, me empurrou, me acuou
    como se eu pudesse caber em qualquer fresta,
    encurralada,
    me mandou ficar calada e, com medo, obedeci.
    Eu pedia desculpa toda vez depois de falar
    como se fosse um defeito de nascença querer me
    colocar.
    A minha casa se tornou um ambiente tão hostil e eu,
    prisioneira das minhas próprias ideias,
    acreditando que o amor era isso, esse abismo, onde só
    um fala e o outro, fica omisso.
    Precisei tirar forças de lugares sagrados
    pra me afastar e reagir, recolher meus pedaços.
    Meus olhos encheram de mar, eu desaguei,
    decidi não mais me calar, denunciei!
    E depois do silêncio quebrado, meus pensamentos em
    guerra cessaram,
    recuperei o fôlego e ouvi meu coração sendo grato.
    Encontrei em mim um porto seguro, entendi que meu
    corpo é meu lar
    e, no caminho até ele, escolho quem anda comigo e
    quem convido pra entrar.
    Hoje, quando olho pra dentro, vejo uma nova mulher
    renascendo,
    eu celebro sua chegada e contemplo essa nova vida.
    Sem medo, abro a janela de casa
    e, com olhar de quem há tanto tempo esperava,
    te pego pela mão e digo:
    Seja bem-vinda!”


    Mel Duarte. Colmeia - Poemas Reunidos.
    A expressão bem-vinda usada no título e repetida no último verso faz alusão
    Escolha uma alternativa para a questão c17bd2cf-8d
  • D332EDAC-75

    Português

    Denotação e Conotação
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2024Entre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho inicial do conto “Evolução”, de Machado de Assis, para responder à questão


        Chamo-me Inácio; ele, Benedito. Não digo o resto dos nossos nomes por um sentimento de compostura, que toda a gente discreta apreciará. Inácio basta. Contentem-se com Benedito. Não é muito, mas é alguma coisa, e está com a filosofia de Julieta: “Que valem nomes, perguntava ela ao namorado. A rosa, como quer que se lhe chame, terá sempre o mesmo cheiro.” Vamos ao cheiro do Benedito.



        E desde logo assentemos que ele era o menos Romeu deste mundo. Tinha quarenta e cinco anos, quando o conheci; não declaro em que tempo, porque tudo neste conto há de ser misterioso e truncado. Quarenta e cinco anos, e muitos cabelos pretos; para os que o não eram, usava um processo químico, tão eficaz que não se lhe distinguiam os pretos dos outros — salvo ao levantar da cama; mas ao levantar da cama não aparecia a ninguém. Tudo mais era natural, pernas, braços, cabeça, olhos, roupa, sapatos, corrente do relógio e bengala. O próprio alfinete de diamante, que trazia na gravata, um dos mais lindos que tenho visto, era natural e legítimo; custou-lhe bom dinheiro; eu mesmo o vi comprar na casa do... lá me ia escapando o nome do joalheiro; — fiquemos na rua do Ouvidor.



        Moralmente, era ele mesmo. Ninguém muda de caráter, e o do Benedito era bom, — ou para melhor dizer, pacato. Mas, intelectualmente, é que ele era menos original. Podemos compará-lo a uma hospedaria bem afreguesada, aonde iam ter ideias de toda parte e de toda sorte, que se sentavam à mesa com a família da casa. Às vezes, acontecia acharem--se ali duas pessoas inimigas, ou simplesmente antipáticas; ninguém brigava, o dono da casa impunha aos hóspedes a indulgência recíproca. Era assim que ele conseguia ajustar uma espécie de ateísmo vago com duas irmandades que fundou, não sei se na Gávea, na Tijuca ou no Engenho Velho. Usava assim, promiscuamente, a devoção, a irreligião e as meias de seda. Nunca lhe vi as meias, note-se; mas ele não tinha segredos para os amigos.


    (Machado de Assis. Contos: uma antologia, 1998.)


    Está empregado em sentido figurado o termo sublinhado em:
    Escolha uma alternativa para a questão d332edac-75
  • 1AA9EF8B-71

    Português

    Denotação e Conotação
    Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná · 2024Entre para guardar nos favoritos
    As frases a seguir, estão construídas com sentido figurado. Assinale a opção que mostra, de forma inadequada, a mesma frase em linguagem lógica.
    Escolha uma alternativa para a questão 1aa9ef8b-71
  • 24FA5392-3A

    Português

    Denotação e Conotação
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o Texto III a seguir para resolver a questão.



    TEXTO III



    Projeto de lei pretende regulamentar a profissão de influenciador digital



    16/09/2022 MARINA TEODORO



    O Brasil tem mais de 500 mil influenciadores digitais, de acordo com levantamento da Nielsen, e um Projeto de Lei apresentado pelo deputado José Nelto (PP/GO) pretende regulamentar essa categoria como profissão.



            Apresentado no fim de agosto, o PL 2347/2022 foi recebido pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados e, se seguir para aprovação, poderá mudar a maneira como os influenciadores digitais trabalham atualmente.



           Se o PL passar, algumas exigências serão feitas para quem quiser virar influenciador, como cadastro exigido pelo Governo Federal, que irá permitir (ou não) que os produtores de conteúdo exerçam suas atividades. 



            Além disso, também deverá ser solicitado “conhecimento técnico” para que os profissionais possam falar sobre determinados assuntos e sejam classificados como influenciadores.



         O PL ainda não avançou, e talvez não vá muito adiante: ele pode ser interpretado como inconstitucional, já que a Constituição Federal assegura que todos podem exercer qualquer atividade econômica, independente de autorização, salvo em casos específicos.



    Fonte: TEODORO, Marina. Disponível em: https://istoedinheiro.com.br/projeto-lei-regulamentar-profissaoinfluenciador-digita. 16 set. 2022. Acesso em: 05 jul. 2024.

    Em qual alternativa a seguir nota-se a NÃO neutralidade presente na notícia lida acerca da proposição do PL de regulamentação da profissão de Influenciador Digital?

    Escolha uma alternativa para a questão 24fa5392-3a
  • 5DCBE7FF-D8

    Português

    Denotação e Conotação
    ENEM · 2024Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2024



    Nesse cartaz, a expressão “Vou deixar que você se vá”, em conjunto com os elementos não verbais utilizados, tem a finalidade de

    Escolha uma alternativa para a questão 5dcbe7ff-d8
  • 5DC17503-D8

    Português

    Denotação e Conotação
    ENEM · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Meu irmão é filho adotivo. Há uma tecnicidade no termo, filho adotivo, que contribui para sua aceitação social. Há uma novidade que por um átimo o absolve das mazelas do passado, que parece limpá-lo de seus sentidos indesejáveis. Digo que meu irmão é filho adotivo e as pessoas tendem a assentir com solenidade, disfarçando qualquer pesar, baixando os olhos como se não sentissem nenhuma ânsia de perguntar mais nada. Talvez compartilhem da minha inquietude, talvez de fato se esqueçam do assunto no próximo gole ou na próxima garfada. Se a inquietude continua a reverberar em mim, é porque ouço a frase também de maneira parcial — meu irmão é filho — e é difícil aceitar que ela não termine com a verdade tautológica habitual: meu irmão é filho dos meus pais. Estou entoando que meu irmão é filho e uma interrogação sempre me salta aos lábios: filho de quem?

    FUCKS, J. A resistência. São Paulo: Cia. das Letras, 2015.


    Das reflexões do narrador, apreende-se uma perspectiva que associa a adoção
    Escolha uma alternativa para a questão 5dc17503-d8
  • 2080A3BE-B7

    Português

    Denotação e Conotação
    UNICAMP · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Qual o macete de ‘Macetando’?


    Macetar, verbo transitivo: “golpear (alguém ou algo) com maceta ou macete, um martelo de cabo curto”. A definição está nos dicionários, mas o carnaval, como de praxe, mascarou o significado a seu bel-prazer. O coro da multidão que acompanhou Ivete Sangalo na abertura da folia de Salvador comprova que essa é a época ideal para enriquecer o vocabulário. Música gravada pela cantora baiana com participação de Ludmilla, “Macetando” despontou como hit nacional ao encher a boca do povo com o refrão-chiclete: “Ah, bebê, é a Veveta que tá no comando / Macetando, macetando, macetando...”.

    (Adaptado de CUNHA, G. Qual o macete de ‘macetando’? O Globo (versão online), 10/02/2024.)



    Na letra da música em questão, um dos aspectos que contribuem para o mascaramento do significado de macetar é
    Escolha uma alternativa para a questão 2080a3be-b7
  • 936D61C7-8B

    Português

    Denotação e Conotação
    IFN-MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho a seguir, parte da canção “Bença” do mineiro Gustavo Pereira Marques (rapper, escritor e compositor brasileiro), conhecido pelo nome artístico Djonga, para responder a esta questão. O rapper é considerado um dos artistas mais influentes da atualidade e chama a atenção por suas letras repletas de críticas sociais.  


    Texto 3

    Bença (Djonga)
    Me dá (e vai) vovô, vovô (e vai)
    Me dê vovô (e vai), mamãe (e vai)
    Vó, como 'cê conseguiu criar três mulheres sozinha
    Na época que mulher não valia nada?
    Menina na cidade grande, no susto viúva
    E daquela cor que só serve pra ser abusada
    Você não costurou só roupa, né?
    Teve que costurar um mundo de trauma, abdicação, luta
    Pra hoje falar com orgulho que essa família não tem vagabundo
    Aprendi no seu colo
    Tenha medo de quem 'tá vivo e respeito por quem 'tá morto
    Ouvindo desde novo, 'cê já é preto
    Não, não sai desse jeito, se não eles te olha torto
    Fico pensando, uma cama pra quatro
    Ditadura na rua e o frio que trinca o corpo
    Onde mães fortes e generosas se criaram
    O que é dos outro não é meu, mas o que é meu 'tá aí pros outro
    Se precisar
    Na macumba ela é foda
    Dinheiro é pra quem precisa, aqui é só por caridade
    Pensando tudo que 'cê passou nessa vida
    E no fundo do seus olhos não consigo ver maldade
    Vejo gente criando problemas
    Pra competir quem sofre mais, porra, são covardes
    Olhe pras suas nega véia e entenda
    Que num é em blog de hippie boy que se aprende sobre ancestralidade
    Vai e vai
    Ganha esse mundo sem olhar pra trás e vai
    Só não esquece de voltar pra
    Vai e vai
    Ganha esse mundo sem olhar pra trás e vai
    Só não esquece de voltar
    [...] 

    Disponível em: https://www.letras.mus.br/djonga/benca/. Acesso em: 18 jul. 2024. Adaptado.



    Assinale a alternativa que apresenta trecho da música “Bença” com sentido conotativo.

    Escolha uma alternativa para a questão 936d61c7-8b
  • 82B6A770-73

    Português

    Denotação e Conotação
    Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Um livro de frases célebres traz, em sua contracapa, o seguinte texto, de autoria de Luís Fernando Veríssimo:

    “Que sacada!” é a frase que você mais dirá, folheando este livro. E não é um livro de arquitetura!

    O humor desse pequeno texto é formado a partir de uma característica da linguagem. Assinale a opção que a apresenta. 
    Escolha uma alternativa para a questão 82b6a770-73
  • B0B745C0-04

    Português

    Denotação e Conotação
    UFGD · 2023MédioEntre para guardar nos favoritos
    O rap é um estilo de música muitas vezes caracterizado por letras fortes e impactantes. Não raramente, os rappers utilizam-se de samples em suas músicas, ou seja, inserem em suas letras trechos de outras obras, atribuindo novos significados a esses fragmentos e gerando uma nova composição que pode reforçar ou ressignificar o conteúdo do sample. Na canção AmarElo, de Emicida, o sample utilizado é parte da música Sujeito de Sorte, de Belchior.

    Sujeito de sorte

    Presentemente eu posso me
    Considerar um sujeito de sorte
    Porque apesar de muito moço
    Me sinto são e salvo e forte

    E tenho comigo pensado
    Deus é brasileiro e anda do meu lado
    E assim já não posso sofrer no ano passado

    Tenho sangrado demais
    Tenho chorado pra cachorro
    Ano passado eu morri
    Mas esse ano eu não morro

    Disponível em: https://www.letras.mus.br/belchior/344922/. Acesso em: 1 jun. 2023 (fragmento).


     AmarElo

    Eu sonho mais alto que drones
    Combustível do meu tipo? A fome
    Pra arregaçar como um ciclone
    Pra que amanhã não seja só um ontem
    Com um novo nome

    [...]

    É um mundo cão pra nóis, perder não é opção, certo?
    De onde o vento faz a curva, brota o papo reto
    Num deixo quieto, num tem como deixar quieto
    A meta é deixar sem chão quem riu de nós sem teto, vai

    [...]

    Mano, rancor é igual tumor, envenena raiz
    Onde a plateia só deseja ser feliz, saca?
    Com uma presença aérea, onde a última tendência
    É depressão com aparência de férias

    Disponível em: https://g.co/kgs/VQLE8i. Acesso em: 1 jun. 2023 (fragmento).


    A partir dos seus conhecimentos sobre a língua portuguesa e com base na canção AmarElo e na leitura dos fragmentos transcritos, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão b0b745c0-04
  • F5767BF1-A4

    Português

    Denotação e Conotação
    UNICAMP · 2023FácilEntre para guardar nos favoritos
    ‘Nevou’ no Rio


    Em pleno verão, o fenômeno que vem chamando atenção nas ruas do Rio é conhecido como “nevada carioca”, ou apenas “nevou”. Trata-se da mania de descolorir, platinando os cabelos até os fios ficarem completamente brancos, que tomou conta das cabeças dos jovens de Norte a Sul e virou a febre do momento. A onda começou às vésperas do Natal, ganhou força no réveillon e entrou em janeiro lotando os salões. Nascida nas comunidades e nos subúrbios, a tendência ultrapassou fronteiras geográficas e sociais da cidade, principalmente depois de ganhar as redes e de ter conquistado artistas e atletas. Cabeleireiros e donos de salão apostam que o modismo resiste com força até os dias de folia.

    (Adaptado de: https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2023/01/nevou-no-rio-mania-de- -descolorir-o-cabelo-ate-ficar-quase-branco-vira-moda-entre-os-cariocas.ghtml. Acesso em 22/06/2023.)
    No texto, o verbo nevar apresenta sentido
    Escolha uma alternativa para a questão f5767bf1-a4
  • DBAE0DA8-8B

    Português

    Denotação e Conotação
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


        Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

        — Mãe, venha ouvir: está a bater!

        A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

        Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

        — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

        A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

        Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

    — Agora não sonha, filha?

    — Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

        Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

        — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

        O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

    — Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

    — Morta, a minha menina? Mas, assim...?

    — Esta é a sua maneira de estar morta.

        A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

    — Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

        A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

        — Então, minha querida não escutou nada?

        Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

        Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

        E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


    (Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
    “E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto.” (3° parágrafo)


    No contexto do conto, “pingo de água” e “pleno deserto” referem-se, metaforicamente,
    Escolha uma alternativa para a questão dbae0da8-8b
  • FA6687B7-73

    Português

    Denotação e Conotação
    Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Nos jogos de palavras, uma das estratégias mais comuns é a de empregar uma palavra em uma frase com sentido lógico, mas essa mesma palavra se prender à outra da mesma frase, num sentido figurado. Assinale a frase em que não ocorre essa estratégia. 
    Escolha uma alternativa para a questão fa6687b7-73
  • BFDF4CC6-68

    Português

    Denotação e Conotação
    Ensino Einstein · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia um trecho do prefácio “Um gênero tipicamente brasileiro”, do escritor Humberto Werneck, publicado na antologia Boa companhia: crônicas.

        Fernando Sabino e Rubem Braga, por longos anos obrigados a desovar crônicas diárias, não se limitavam, nas horas de aperto, a requentar seus requintados escritos — chegaram a permutar, na moita, velhos recortes, na suposição de que os textos, de tão antigos, já se houvessem apagado da memória do leitor de jornal, recuperando assim a virgindade tipográfica. O troca-troca, contado por Fernando Sabino na crônica “O estranho ofício de escrever”, merece ser aqui reproduzido:

        Éramos três condenados à crônica diária: Rubem no Diário de Notícias, Paulo no Diário Carioca e eu no O Jornal. Não raro um caso ou uma ideia, surgidos na mesa do bar, servia de tema para mais de um de nós. Às vezes para os três. Quando caiu um edifício no bairro Peixoto, por exemplo, três crônicas foram por coincidência publicadas no dia seguinte, intituladas respectivamente: “Mas não cai?”, “Vai cair” e “Caiu”.
         Até que um dia, numa hora de aperto, Rubem perdeu a cerimônia: 
        — Será que você teria aí uma crônica pequenininha para me emprestar?
        Procurei nos meus guardados e encontrei uma que talvez servisse: sobre um menino que me pediu um cruzeiro para tomar uma sopa, foi seguido por mim até uma miserável casa de pasto da Lapa: a sopa existia mesmo, e por aquele preço. Chamava-se “O preço da sopa”. Rubem deu uma melhorada na história, trocou “casa de pasto” por “restaurante”, elevou o preço para cinco cruzeiros, pôs o título mais simples de “A sopa”.
        Tempos mais tarde chegou a minha vez — nada como se valer de um amigo nas horas difíceis:
         — Uma crônica usada, de que você não precisa mais, qualquer uma serve.     — Vou ver o que posso fazer
        — prometeu ele. Acabou me dando de volta a da sopa.
        — Logo esta? — protestei.    
        — As outras estão muito gastas.
        Sou pobre mas não sou soberbo. Ajeitei a crônica como pude, toquei-lhe uns remendos, atualizei o preço para dez cruzeiros e liquidei de vez com ela, sob o título: “Esta sopa vai acabar”.

        Eternamente deleitável ou imediatamente deletável — depende menos do tema do que das artes do autor —, a crônica pode não ser um “gênero de primeira necessidade, a não ser talvez para os escritores que a praticam”, como sustentava Luís Martins — um dos recordistas brasileiros nesse ramo de escreveção. Um subgênero, há quem desdenhe. “Literatura em mangas de camisa”, diz-se em Portugal. Mas, para o crítico Wilson Martins, trata-se de uma “espécie literária” que de jornalístico “só tem o fato todo circunstancial de aparecer em periódicos.”

    (Humberto Werneck (org.). Boa companhia: crônicas, 2005. Adaptado.)
    Está empregado em sentido figurado o termo sublinhado em:
    Escolha uma alternativa para a questão bfdf4cc6-68
  • 6443EC0B-B0

    Português

    Denotação e Conotação
    Universidade Estadual do Maranhão · 2022MédioEntre para guardar nos favoritos

    O (não) lugar do “pardo”

         Lá no fim do século XIX e no começo do XX, o Brasil passava pelo dilema que todas as nações modernas enfrentaram (e, de certa maneira, ainda enfrentam): como criar uma identidade nacional que justifique e mantenha o Estado?

         Notem que eu ouso criar, porque é bem isso mesmo, inventar uma história que servisse aos interesses da elite dominante e homogeneizasse a população brasileira. Ora, essa população era formada, principalmente, por pretos escravos ou ex-escravos, indígenas perseguidos e uma parcela de gente branca. No centro da discussão estava: quem seria o cidadão brasileiro.

         Houve quem defendesse a educação para o trabalho: ensinar os pretos amolecidos e degenerados pela escravidão (faz me rir) a trabalhar resignado. Teve aqueles que achavam que a inferioridade dos pretos era tão grande que não adiantava educar nem nada, era melhor expulsar ou deixar morrer. O Brasil, em seus debates sobre a nação e seus cidadãos, bebeu muito das teorias racialistas que estavam em voga na Europa e sendo amplamente utilizadas para justificar a colonização na África depois de séculos e séculos de saque humano. [...]

        Daí surge o pardo como a gente conhece hoje. O pardo não é raça, não é povo, não é cidadão brasileiro. Ele é o estágio transitório entre a base da pirâmide (os negros) e o topo (os brancos). Não é branco, ainda não chegou no estágio sublime de branquitude que garante o direito à vida, oportunidades e cidadania, mas é prova viva da boa vontade e do esforço de se embranquecer tão valorizado por uma elite branca que, desde sempre, morre de medo dos pretos fazerem daqui o Haiti.

         Como fala Foucault, o poder, no estado moderno, não é negativo, ele é normatizador. Ou seja, estabelece normas de conduta, estéticas, discursivas, e beneficia aqueles que fazem o jogo. No caso do Brasil, o jogo da branquitude. Quanto mais branco você tentar ser, seja usando intervenções estéticas ou compartilhando o discurso político e social, mais “tolerável” você vai ser. Nisso, nós que somos claros, temos uma vantagem: o branqueamento estético é mais alcançável para nós. Mas nada disso garante que você vai passar de boa em uma sociedade racialmente hierarquizada, o embranquecimento é, sobretudo, uma mutilação. E pra quem ainda tem dúvidas, mutilação é sempre ruim ok? Não tem gradação de violência e mutilação. [...]


    https://medium.com/@isabelapsena/o-n%C3%A3o-lugar-do-pardo 

    A fluidez do texto é perceptível e garante ao leitor interesse por sua leitura pelo fato de serem inseridas expressões coloquiais, descontraídas, gerando atração muito mais pelo conteúdo do que pela forma.


    Essa assertiva é comprovada no seguinte exemplo: 

    Escolha uma alternativa para a questão 6443ec0b-b0
  • 99E5C7ED-7A

    Português

    Denotação e Conotação
    USP · 2022MédioEntre para guardar nos favoritos
    “Eu quase fui um índio sacana, como meu tio. (...) Desses índio que são índio pela metade. Ou seja, qui nem índio, nem branco, nem cholo, nem negro, nem serrano, nem costeiro, nem camponês, nem equatoriano, nem estrangeiro, nem nada. Índio sacana, claro. Índio qu’está à vista de toda gente e ninguém vê, qu’está mesminho nas ruas todos os dias, caminhando pra lá pra cá, buscando trabalho nas porta de gente rica, de jardineiro, de mensageiro, cuidador de cachorros, saloneiro, caseiro, criador de crianças, de toda classe de trabalho. Chofer. O Equador está cheinho de índio sacana assim. Desse tipo d’índio que não é nada”. 

    CARVALHO-NETO, Paulo de. Meu tio Atahualpa. Rio de Janeiro: Salamandra,
    1978.

    A expressão “índio sacana”, presente no texto, faz referência a: 
    Escolha uma alternativa para a questão 99e5c7ed-7a
  • 99D71D58-7A

    Português

    Denotação e Conotação
    USP · 2022MédioEntre para guardar nos favoritos
    Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
    Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte
    E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado
    E assim já não posso sofrer no ano passado

    Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
    Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro 

    Belchior. “Sujeito de sorte”.

    Leia as seguintes afirmações a respeito da letra da música:

    I - Os adjuntos adverbiais temporais remetem a um contraste entre passado e presente, o que reforça o caráter metafórico do texto.

    II - A locução “apesar de” contribui para a expressão de um sentimento inesperado em relação ao sentido de “muito moço”.

    III – As formas verbais “morri” e “morro”, embora se refiram a momentos distintos, apresentam sentido denotativo.


    Está correto o que se afirma em:
    Escolha uma alternativa para a questão 99d71d58-7a