Português
- Interpretação de Textos
- Prova de 2017
- Centro Universitário São Camilo
- Dificuldade: Fácil
- Código da questão: 563EBAE4-07
Área do conhecimento
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Adaptado de Folha de São Paulo, 11/01/2015.
Considere o último parágrafo do texto para responder à questão abaixo.
Besides being funny, comics often expresses criticism.
The comic strip criticizes men’s incapacity to take the following action:

No título da matéria, o uso do substantivo “pioneiros” decorre da necessidade de reforçar.




INSTRUÇÃO: Para responder à questão , considere as afirmativas sobre o conteúdo e a composição dos textos 1 e 2.
I. A tendência social delineada nas pequenas narrativas que compõem o texto 1 é referida, de forma sintética, por uma passagem do texto 2.
II. O texto 2 se constrói a partir do diálogo entre as personagens; já no texto 1, o discurso das pessoas mencionadas não aparece.
III. O texto 2 se apresenta como uma contraposição ao ponto de vista dos moradores de Curitiba mencionados no texto 1.
Está/Estão correta(s) a(s) afirmativa(s)


Texto 1
P: Assistimos nesta pandemia a segmentos da sociedade que embarcaram num processo de relativizar a gravidade da doença. Como a psicanálise explica o negacionismo?
R: Poucas pessoas se dão conta de que a expressão negacionismo vem da psicanálise. Freud tem um texto clássico, chamado A negação, sobre a nossa atitude diante de realidades que são mais dolorosas ou complexas do que conseguimos aguentar. Essa é uma atitude muito básica, muito simples, é o começo de muitas outras formas de negação e foi descrita ali no início da psicanálise. (...) A chegada do novo coronavírus pegou o Brasil em meio a dois processos particulares: a divisão social discursiva e a pauperização da vida econômica e dos direitos trabalhistas. A retórica de campanha eleitoral, tornada depois método de governo, baseada na produção contínua de inimigos imaginários, foi impactada pela chegada de um inimigo real, biológico e natural. (...) A pandemia não é inimigo político, não é um inimigo intencional, é um fato que vem da natureza, vem desse lugar terceiro, algo que nos une. Mas num governo que adota esse método, não se pode admitir que exista esse terceiro, algo que nos une, porque esse terceiro destrói a retórica da produção contínua de inimigos. Nada mais óbvio que isso gerasse a resposta descrita por Freud como a negação. E por que o negacionismo é importante como método deste governo? Para criar os processos de transferência de autoridade simbólica das instituições para a autoridade pessoal de quem as desafia.
P: Em sua avaliação, qual é o impacto social desta conduta no enfrentamento da COVID-19?
R: O negacionismo representou um prejuízo dramático para o enfrentamento da COVID-19, custou a vida de milhares de brasileiros, nos colocou no segundo lugar do número de mortes no mundo (...). Nessa hora, para que todos fizessem o sacrifício das restrições, seria esperado que figuras de autoridade dissessem: vai ser muito difícil, mas faço em nome de alguém. Mas, nessa hora encontramos uma divisão na política sanitária, marcada por uma hesitação e pela negação do consenso científico. (...)
P: Embora a educação formal seja, em princípio, um elemento central para combater o negacionismo, há também pessoas adultas e de alta escolaridade que adotam alguns raciocínios simplificadores para o enfrentamento da COVID-19. O negacionismo se vincula a algum tipo de regressão intelectual?
R: Quando apresentei a ideia de negação, disse que ela ocorre por algo doloroso ou algo que supera a nossa capacidade de simbolização por ser excessivamente complexo. Vamos encontrar a ideia de anomia em Émile Durkheim, da impossibilidade de reconhecer uma sociedade que se torna mais complicada do que os nossos dispositivos de interpretação. O que ela desencadeia? A regressão, as formas de pensamento regressivas. Voltamos da instituição que representa a razão no seu sentido impessoal para as instituições que representam a razão no sentido pessoal: voltamos para a família. Como a ideia de que a Terra é plana, entre várias outras, se infiltra aí? Ao questionar verdades muito sólidas, muito consensuais, você mostraria que a ciência não está dando as respostas que gostaria para todas as perguntas que você tem. (...) Ao conseguir dividir a autoridade simbólica, se produzem efeitos de reempoderamento da autoridade política particular. (...)
(Adaptado de O negacionismo como arma de destruição durante a
pandemia. Entrevista com o psicanalista Christian Dunker. Estado de
Minas, 24/07/2020. Disponível em https://www.em.com.br. Acessado
em 05/11/2020.)