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Questões de Linguagens do ENEM

Todas as questões de Linguagens do banco, com gabarito em cada página. Combine com ano, disciplina e dificuldade para montar sua lista de estudo.

  • 18.995 questões
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  • 219 assuntos

Resultados: 18.995 questões

Página 683 de 950

  • Linguagens

    Português

    TEMPO

    Antônio Prata

    O bem mais valioso de nossa época não é o diamante nem o petróleo, a fórmula da Coca-Cola ou o sorriso da Natalie Portman: é o tempo. Obedecendo à lei da oferta e da procura, quanto mais escasso ele fica, mais caro nos é. A seca temporal é geral e irrestrita, tão democrática quanto a calvície, a saudade e a morte: eu não tenho tempo, você não tem tempo, o Eike Batista não tem tempo, o cara que está vendendo bala no farol, em agônica marcha atlética para recolher os saquinhos dos retrovisores, antes que abra o sinal, também não tem.

    Como vocês devem saber, o principal sintoma desta doença crônica – sem trocadilho – é a ansiedade. Toda manhã, flagro-me aflito, escovando os dentes, com pressa. Vejo-me batendo os pés no hall, enquanto o elevador não chega. Até o segundo que o cursor do celular leva para piscar, num SMS, permitindo-me digitar outra letra da mesma tecla, deixa-me exasperado.

    Antigamente, não era assim. Na minha infância, os dias tinham trinta horas, alguns chegando mesmo a quarenta, se bem me lembro. Não, não é que eu faça hoje mais coisas do que antes. Já pensei nisso, mas veja só quantas obrigações eu tinha no passado: cinco horas na escola, lição de casa, inglês, bateria, natação, jantar com os pais, toda noite, sem contar os séculos ao vivo ou ao telefone tentando convencer alguma menina a beijar-me na boca... E, mesmo assim, ainda sobravam infinitos latifúndios improdutivos, impossíveis de se ocupar, por mais que assistisse televisão, tirasse cochilos vespertinos, lesse livros, fosse às casas dos amigos jogar videogame, falar mal dos outros ou simplesmente juntar nossos tédios, olhar as paredes e escutar o tic-tac dos relógios.

    Das duas, uma: ou as horas eram mais abundantes do que hoje, ou, então, tinham uma incrível capacidade regenerativa, que perderam: a cada duas ou três horas mortas, uma nova hora nascia, fresquinha, como as células de uma pele jovem.

    Acho que foi lá pelo ano dois mil que o dia começou a encolher, chegando a essas míseras vinte quatro horas – com sensação térmica de dezesseis. Talvez tenha sido esse o verdadeiro bug do milênio: na virada de noventa e nove para o zero zero, todos os ponteiros, vendo-se livres do velho milênio e admirando o vazio que se abria adiante, como um retão num circuito de fórmula um, resolveram meter os pés no acelerador, de modo que acabamos assim, espremidos entre prazeres e obrigações, aflitos, escovando os dentes com pressa, andando em círculos, no hall do elevador.

    Há quem diga que a culpa é da melhora das comunicações e, consequentemente, do envio de dados. Com a informação viajando tão rápido, desaprendemos a arte da espera. Antigamente, aguardar era normal. Estávamos sempre esperando alguma coisa chegar. Uma carta, pelo correio. Um disco, do exterior. Uma foto, um texto ou um documento, via portador. Esses hiatos eram tidos como normais, uma brecha saudável, pausa para o cigarro ou o café, a prosa, a leitura de uma revista, o devaneio, a conversa na janela, a morte da bezerra. Hoje, não. Tá tudo aqui, e, se não está, nos afligimos. Queremos o pássaro na mão e os dois voando. Por que é que ainda não trouxeram esses dois que tão no céu, diabo?! Já não era melhor ter pego logo os três, de uma vez, otimizando custos e esforços?

    Enquanto não descobrimos a cura para este mal, a única saída é aprender a lidar com ele. Há que cercar com muros altos certas horas do relógio, para que nada as possa roubar de nós. Fazer diques de pedra em torno da hora de ficar com nosso amor, da hora de trabalhar no projeto pessoal, da hora do esporte, de ler um livro, encontrar um amigo. Mesmo assim, vira e mexe, vêm as obrigações, como um tsunami, ou os eventos sociais, como meteoros, e derrubam as barragens. Não há nada a fazer, senão reconstruir os muros, ainda mais fortes do que antes.

    Você sente a mesma coisa, ou sou só eu? Talvez seja só eu. Quem sabe, numa manhã de terça-feira, lá por 1998, eu tenha perdido a hora, para nunca mais encontrá-la? Ficarei assim, trinta minutos atrás do resto do mundo, tentando alcançá-lo, ininterruptamente, como quem corre atrás de um trem, até o fim dos tempos. Será que foi isso?

    Disponível em: https://www.pavablog.com/2011/08/20/tempo. Acesso em: 11 jul. 2020.

    A partir da leitura da crônica Tempo, de Antônio Prata, assinale a alternativa que apresenta características observáveis nesse texto.
    Escolha uma alternativa para a questão bce17666-04
  • Linguagens

    Português

    Analise as proposições em relação à obra Melhores poemas, Manuel Bandeira, e ao Texto 1.

    I. Nos versos “Será a idade que pareces” (verso 2) e “Tivesses a que tivesses” (verso 3) a palavra destacada, em relação à morfossintaxe, classifica-se em artigo/adjunto adnominal e pronome demonstrativo/objeto direto, sequencialmente.

    II. No verso “Que exíguo o teu talhe! E penso” (verso 5) se as palavras destacadas forem substituídas, respectivamente, por pequeno e porte o sentido e a coerência, no texto, são mantidos.

    III. O sinal de pontuação de reticências nos versos “Dão os dois uma mancheia...” (verso 10) e “Faz cinza de desenganos...” (verso 12) é usado para reforçar o sentido dos termos assinalados.

    IV. O poema é marcado por elementos linguísticos como, reticências e interrogação, ponto de exclamação, dois pontos, vocativo, para configurar a função que o autor deseja: registrar a emoção, a expressividade por meio da expressão oral.

    V. Nos versos “Que idade tens, Colombina” (verso 1) e “Perdão, perdão, Colombina” (verso 33) a palavra destacada, em relação à morfologia, é substantivo próprio nos dois versos e, quanto à sintaxe, no verso 1 é vocativo e no verso 33, sujeito.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão bce29dde-b0
  • Linguagens

    Português

    [...] é pertinente abranger outras categorias eminentemente textuais, como, por exemplo a anáfora e a catáfora [...]. Na sequência de um texto, podemos reativar uma referência anteriormente ativada: ‘um rei’ – ‘o rei’. Essa operação se caracteriza por uma ‘anáfora’, ou seja, constitui uma retomada de uma referência feita anteriormente.

    [...] As catáforas, menos comuns em nossos textos do dia a dia, ocorrem quando esse movimento de ativação e de reativação aparece invertido: primeiro vem a referência que seria de retomada e, depois, a que seria a referência base; por exemplo: ‘Ele – o rei’ ”.

    ANTUNES, Irandé. Textualidade: noções básicas e implicações pedagógicas. São Paulo: Parábola, 2017, p. 100-101, grifos da autora.

    Quanto à coesão textual, analise a ocorrência, nos dois enunciados a seguir, de presença ou ausência das categorias anáfora e catáfora.

    I. Ah, pobre Tom, meu menino mais cabeça-dura, não estou sendo dura com você. Eu não faria isso.

    II. Já sei, vamos fazer assim. Ninguém conta nada pra eles […].

    Diálogos retirados de: TWAIN, Mark. As aventuras de Tom Sawyer. Trad. Karla Lima. Jandira-SP: Ciranda Cultural, 2019.

    Sobre os enunciados em análise, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão bce3b3c4-04
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2016, Interpretação de Textos

    aos cães domesticados se ensina

    a andar sempre atrás do dono

    mas os cães o passado só aparentemente nos pertencem (v. 12-14)

    Nesses versos, sugere-se uma ideia a respeito da relação entre cães e seres humanos. Essa ideia, no verso destacado, recebe da poeta a seguinte avaliação:

    Escolha uma alternativa para a questão bce4ab1a-31
  • Linguagens

    Português

    O título do artigo – Mais escolarizadas, mulheres ainda ganham menos e têm dificuldades de subir na carreira – poderia ser substituído, sem causar prejuízo de sentido, por:
    Escolha uma alternativa para a questão bce55e56-b1
  • Linguagens

    Português

    Assinale a alternativa cujo texto está corretamente pontuado.
    Escolha uma alternativa para a questão bce6603c-04
  • Linguagens

    Português

    Analise as proposições em relação à obra Melhores poemas, Manuel Bandeira, ao Texto 1, e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa.

    ( ) Quanto ao processo de formação de palavras, os vocábulos “desenganos” (verso 12), “cabeleira” (verso 17) e “recém-nascidos” (verso 29) sofreram o processo de prefixação, de sufixação e de justaposição, sequencialmente.
    ( ) A arquitetura da sétima estrofe, para dar um valor mais expressivo ao poema, sustenta-se por duas figuras de linguagem: uma figura de pensamento – antítese, e a outra de construção, hipérbato.
    ( ) A leitura dos versos “A cabeça, essa é de vento” (verso 26) e “Perdão, que me deu na telha” (verso 34) leva o leitor a inferir que os registros coloquiais aparecem como escolhas lexicais, ritmados pela prosódia da fala, sugerindo espontaneidade.
    ( ) O poema é composto por versos irregulares, distribuídos em nove estrofes, também irregulares, caracterizando o padrão métrico tradicional – redondilhas menores, versos pentassílabos.
    ( ) A leitura do texto mostra que a composição do poema remete a uma menina-moça, adolescente, o que se justifica pelo campo semântico: menina, treze anos, criança, infantil.

    Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
    Escolha uma alternativa para a questão bce82cb8-b0
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2016, Gêneros Textuais

    Umberto Eco narra, no segundo parágrafo do texto, uma experiência surpreendente que vivenciou.

    Pode-se compreender essa experiência pela relação que se estabelece entre os seguintes elementos:

    Escolha uma alternativa para a questão bce8f32a-31
  • Linguagens

    Português

    O avanço tecnológico provocou alterações nos meios de comunicação e também na linguagem, o que deu origem aos gêneros digitais. Tal avanço trouxe diversas novidades não apenas para os meios de comunicação, mas também para a linguagem. A comunicação passou por diversas transformações graças ao advento da informática, e essas transformações estão mais próximas do que imaginamos.

    Os gêneros textuais são incontáveis e adaptáveis às diversas realidades e situações comunicacionais. Eles também podem ser definidos graças a um conjunto de elementos fixos, embora sejam mais flexíveis do que os tipos textuais convencionais. A verdade é que a comunicação na internet acabou criando novos gêneros e alterando outros, comprovando que eles estão a serviço dos falantes e às necessidades de seu tempo. Se antes enviávamos cartas, hoje enviamos e-mail, que nada mais é do que uma adaptação virtual que dispensa o papel e a caneta. Hoje utilizamos as redes sociais para deixar um recado para nossos amigos. Contudo, é importante observar que, embora os meios tenham sido modernizados, a estrutura da comunicação e a forma com a qual nos expressamos continuam seguindo parâmetros que estabelecem uma relação dialógica com formas textuais preexistentes. Embora o número de gêneros seja variado, muitos deles possuem certa similaridade na escrita e na oralidade. Podemse exemplificar como gêneros digitais presentes no dia a dia o e-mail, os blogs, os chats e os fóruns eletrônicos.

    Disponível em: https://www.portugues.com.br/redacao/generos-digitais.html. Acesso em: 24 set. 2020 (Adaptado).

    Marque a alternativa que apresenta uma característica do desenvolvimento dos gêneros digitais.
    Escolha uma alternativa para a questão bce9571d-04
  • Linguagens

    Português

    De Tanto Olhar o Céu Gastei Meus Olhos (2017), produção ficcional sul-mato-grossense, dirigida por Nathália Tereza e protagonizada por Maria Eny (Luana) e Edilson Silva (Wagner), traz uma situação contemporânea que assola muitas famílias brasileiras.

    Figura 1 de 4 da questão de Português, UFGD 2021, Interpretação de Textos
    Figura 2 de 4 da questão de Português, UFGD 2021, Interpretação de Textos
    Figura 3 de 4 da questão de Português, UFGD 2021, Interpretação de Textos
    Figura 4 de 4 da questão de Português, UFGD 2021, Interpretação de Textos
    DE TANTO OLHAR O CÉU GASTEI MEUS OLHOS. Direção de Nathália Tereza. Campo Grande: Tamanduá TV, 2017. Curta-metragem (25 min.).

    Assinale a alternativa correta a respeito do tema principal abordado pelo curta-metragem.
    Escolha uma alternativa para a questão bcebc40e-04
  • Linguagens

    Português

    Analise as proposições em relação à obra Melhores poemas, ao autor Manuel Bandeira, e ao Texto 1.

    I. A leitura do poema deixa claro, para o leitor, que a aliteração e a assonância são traços formais que em conjunto com o tom coloquial, que pontuam o poema, possibilitam a pretensão de o autor, com isso, dar um caráter menos europeizado e mais brasileiro à nossa literatura, fugindo ao molde europeu.

    II. No poema, há predominância dos períodos na ordem direta. A estrutura dos versos é uma tentativa de o autor dar um tom determinante e de aceleração, que é quebrado pelo verso “Infantil é o teu sorriso” (verso 25), que está na ordem indireta.

    III. Nas obras de Manuel Bandeira, os temas predominantes são doenças, isolamento, morte, erotismo, solidão, angústia existencial, cotidiano, infância.

    IV. A poética bandeiriana reflete a integração entre a língua coloquial e a linguagem poética, marcando a geração modernista, é o que evidenciam as poesias de caráter confidencial, autobiográfico, exprimindo-se tanto pelo versilibrismo quanto pelo verso tradicional.

    V. Nas obras de Manuel Bandeira, em especial as que didaticamente fazem parte da primeira fase do Modernismo, a criatividade poética dá ao poeta a possibilidade de fazer uma reflexão sobre os valores transcendentais do homem em final de século.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão bcec9f46-b0
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2016, Estrutura das Palavras: Radical, Desinência, Prefixo e Sufixo

    Quase hiper-realisticamente vivenciei a primeira noite de minha vida. (l. 9)


    Na palavra destacada, o acréscimo do prefixo hiper indica ideia de: 

    Escolha uma alternativa para a questão bcecbd72-31
  • Linguagens

    Português

    Texto I

    NÓ, CLÍMAX, DESFECHO

    Nó – É o fato que interrompe o fluxo da situação inicial da narrativa, criando um problema ou obstáculo que deverá ser resolvido. O Nó é o que dá origem ao conflito dramático [...]. Ele evidencia que só há uma história a ser contada por que uma crise se instalou em determinada situação exigindo que se tente resolvê-la de modo a reequilibrar o que ela desestabilizou [...];

    Clímax – É o elemento que marca o auge do conflito dramático, momento do tudo ou nada entre as forças contrárias que agem e se defrontam na narrativa [...], engendrando e desenvolvendo a história. Diferentemente do desfecho, o clímax caracteriza um momento em que a expectativa em relação à resolução do conflito central da narrativa ignora qual das forças contrárias vencerá. O clímax, portanto, suspende, mantendo por instantes em tensão máxima, a história contada na narrativa;

    Desfecho – É a resolução do conflito central da narrativa, momento em que uma das forças contrárias vence e se afirma sobre a sua oponente. Normalmente, liga-se à situação final da narrativa.

    FRANCO JUNIOR, Arnaldo. Operadores de leitura da narrativa. In: BONNICI, Thomas; ZOLIN, Lúcia Osana (orgs.). Teoria literária: abordagens históricas e tendências contemporâneas. Maringá: Eduem, 2003, p. 42.


    Texto II

    SOZINHOS

    Esta ideia para um conto de terror é tão terrível que, logo depois de tê-la, me arrependi. Mas já estava tida, não adiantava mais. Você, leitor, no entanto, tem uma escolha. Pode parar aqui, e se poupar, ou ler até o fim e provavelmente nunca mais dormir. Vejo que decidiu continuar. Muito bem, vamos em frente. Talvez, posta no papel, a ideia perca um pouco do seu poder de susto. Mas não posso garantir nada. É assim: Um casal de velhos mora sozinho numa casa. Já criaram os filhos, os netos já estão grandes, só lhes resta implicar um com o outro. Retomam com novo fervor uma discussão antiga. Ela diz que ele ronca quando dorme, ele diz que é mentira.

    – Ronca.

    – Não ronco.

    – Ele diz que não ronca – comenta ela, impaciente, como se falasse com uma terceira pessoa.

    Mas não existe outra pessoa na casa. Os filhos raramente visitam. Os netos, nunca. A empregada vem de manhã, faz o almoço, deixa o jantar e sai cedo. Ficam os dois sozinhos.

    – Eu devia gravar os seus roncos, pra você se convencer – diz ela. E em seguida tem a ideia infeliz. – É o que eu vou fazer! Esta noite, quando você dormir, vou ligar o gravador e gravar os seus roncos.

    – Humrfm – diz o velho.

    Você, leitor, já deve estar sentindo o que vai acontecer. Pare de ler, leitor. Eu não posso parar de escrever. Às ideias não podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem amigos, a vida ou o sono. Imagine se Shakespeare tivesse se horrorizado com suas próprias ideias e deixado de escrevê-las, por puro comedimento. Não que eu queira me comparar a Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro. Tenho que exercer este ofício, esta danação. Você, no entanto, não é obrigado a me acompanhar, leitor. Vá passear, vá tomar um sol. Uma das maneiras de controlar a demência solta no mundo e deixar os escritores falando sozinhos, exercendo sozinhos a sua profissão malsã, o seu vício solitário. Você ainda está lendo. Você é pior do que eu, leitor. Você tinha escolha.

    Sozinhos. Os velhos sozinhos na casa. Os dois vão para a cama. Quando o velho dorme, a velha liga o gravador. Mas em poucos minutos a velha também dorme. O gravador fica ligado, gravando. Pouco depois a fita acaba. Na manhã seguinte, certa do seu triunfo, a velha roda a fita. Ouvem-se alguns minutos de silêncio. Depois, alguém roncando.

    – Rarrá! – diz a velha, feliz.

    Pouco depois ouve-se o ronco de outra pessoa, a velha também ronca!

    – Rarrá! – diz o velho, vingativo.

    E, em seguida, por cima do contraponto de roncos, ouve-se um sussurro. Uma voz sussurrando, leitor. Uma voz indefinida. Pode ser de homem, de mulher ou de criança. A princípio – por causa dos roncos – não se distingue o que ela diz. Mas aos poucos as palavras vão ficando claras. São duas vozes. É um diálogo sussurrado.

    “Estão prontos?”

    “Não, acho que ainda não...”

    “Então, vamos voltar amanhã...”.

    VERISSIMO, Luis Fernando. Sozinho. In.: Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001


    Assinale a alternativa correta sobre os aspectos narrativos empregados por Luís Fernando Veríssimo no texto Sozinhos, presente na obra Comédias para se ler na escola (use o texto I como apoio).
    Escolha uma alternativa para a questão bcee24ea-04
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2016, Interpretação de Textos

    Talvez eu tivesse encontrado a história que todos nós procuramos nas páginas dos livros e nas telas dos cinemas: uma história na qual as estrelas e eu éramos os protagonistas. (l. 21-22)


    Na frase acima, o autor procura delimitar um sentido para a palavra história por meio dos trechos destacados.

    Esses trechos apresentam uma formulação do seguinte tipo:

    Escolha uma alternativa para a questão bcefbef9-31
  • Linguagens

    Português

    Leia o excerto a seguir, de A metamorfose, de Franz Kafka.


    – Queridos pais – disse a irmã e como introdução bateu com a mão na mesa –, assim não pode continuar. Se vocês acaso não compreendem, eu compreendo. Não quero pronunciar o nome do meu irmão diante desse monstro e por isso digo apenas o seguinte: precisamos tentar nos livrar dele. Procuramos fazer o que é humanamente possível para tratálo e suportá-lo e acredito que ninguém pode nos fazer a menor censura.

    – Ela tem mil vezes razão – disse o pai consigo mesmo. A mãe, que ainda não podia respirar direito, começou a tossir, em som surdo, com a mão espalmada, com uma expressão alucinada nos olhos.

    A irmã correu até a mãe e segurou-lhe a testa. O pai, que através da irmã parecia ter chegado a pensamentos mais definidos, havia se sentado em posição ereta e ficou brincando com o quepe de funcionário entre os pratos do jantar dos inquilinos que ainda jaziam sobre a mesa; de vez em quando olhava para Gregor, que estava quieto. – Precisamos nos livrar disso – disse então a irmã exclusivamente ao pai.

    KAFKA, Franz. A metamorfose. Tradução Modesto Carone. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, pp. 74-75.


    Com base no excerto, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão bcf06893-04
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UDESC 2018, Adjetivos

    Assinale a alternativa incorreta em relação à obra Valsa no 6, Nelson Rodrigues, e ao Texto 2.
    Escolha uma alternativa para a questão bcf1d5c0-b0
  • Linguagens

    Inglês

    Considere o cartum.

    Imagem da questão de Inglês, FATEC 2017, Interpretação de texto | Reading comprehension

    De acordo com o texto do cartum,
    Escolha uma alternativa para a questão bcf1d85d-b1
  • Linguagens

    Português

    Considerando a crônica Ética de Princípios, de Rubem Alves, é correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão bcf2df3a-04
  • Linguagens

    Português

    É correto afirmar que a música Viola e Poesia, de Francisco Vilela
    Escolha uma alternativa para a questão bcf5455a-04
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2016, Interpretação de Textos

    No último parágrafo, ao descrever a experiência vivida no planetário, o autor identifica três efeitos: de ficção, de História e de realidade.

    De acordo com a exposição do autor, a interação entre esses três efeitos pode ser descrita como uma relação de:
    Escolha uma alternativa para a questão bcf611ec-31