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Questões de Linguagens do ENEM

Todas as questões de Linguagens do banco, com gabarito em cada página. Combine com ano, disciplina e dificuldade para montar sua lista de estudo.

  • 18.995 questões
  • 4 disciplinas
  • 219 assuntos

Resultados: 18.995 questões

Página 81 de 950

  • Linguagens

    Português

    TEXTO 4

    Auto-retrato

    Provinciano que nunca soube

    Escolher bem uma gravata;

    Pernambucano a quem repugna

    A faca do pernambucano;

    Poeta ruim que na arte da prosa

    Envelheceu na infância da arte,

    E até mesmo escrevendo crônicas

    Ficou cronista de província; 

    Arquiteto falhado, músico
    Falhado (engoliu um dia
    Um piano, mas o teclado
    Ficou de fora); sem família,
    Religião ou filosofia;
    Mal tendo a inquietação de espírito
    Que vem do sobrenatural,
    E em matéria de profissão
    Um tísico profissional.”
    (Manuel Bandeira. Poesia completa e prosa.
    Rio de Janeiro: Aguilar, 1983)

    TEXTO 5

    Felicidade clandestina (excerto)

        Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
        Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
        Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.”

    (Clarice Lispector. Felicidade clandestina: contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998) 

    Considere as afirmativas a seguir.

    I. No poema Auto-retrato, como em boa parte de sua obra, Manuel Bandeira apresenta uma visão bem humorada dos sofrimentos e descontentamentos do ser humano diante de suas limitações.

    II. Clarice Lispector escreveu contos e romances que discutem a relevância do contexto social para os personagens de suas narrativas, com uma perspectiva politicamente engajada.

    III. Escritores brasileiros do século XX, Clarice Lispector e Manuel Bandeira se aproximam pela tendência negativista, apresentando sempre o homem por seus hábitos e características mais condenáveis.

    IV. Manuel Bandeira é considerado um autor da primeira geração modernista, enquanto Clarice Lispector filia-se à terceira geração de autores do modernismo brasileiro.  


    Estão corretas: 

    Escolha uma alternativa para a questão 1960477a-b6
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, UNIFESP 2005, Interpretação de texto | Reading comprehension Na sentença do quarto parágrafo “In all regions, deaths in the neonatal period, primarily due to preterm delivery, sepsis or pneumonia, and birth asphyxia should also be addressed.”, a expressão “due to” indica uma relação de
    Escolha uma alternativa para a questão 19622fe3-29
  • Linguagens

    Português

    O internetês na escola


    O internetês — expressão grafolinguística criada na internet pelos adolescentes na última década — foi, durante algum tempo, um bicho de sete cabeças para gramáticos e estudiosos da língua. Eles temiam que as abreviações fonéticas (onde "casa" vira ksa; e "aqui" vira aki) comprometessem o uso da norma culta do português para além das fronteiras cibernéticas. Mas, ao que tudo indica, o temido internetês não passa de um simpático bichinho de uma cabecinha só. Ainda que a maioria dos professores e educadores se preocupe com ele, a ocorrência do internetês nas provas escolares, vestibulares e em concursos públicos é insignificante. Essa forma de expressão parece ainda estar restrita a seu hábitat natural. Aliás, aí está a questão: saber separar bem a hora em que podemos escrever de qq jto, da hora em que não podemos escrever de "qualquer jeito". Mas, e para um adolescente que fica várias horas “teclando” que nem louco nos instant messengers e chats da vida, é fácil virar a "chavinha" no cérebro do internetês para o português culto? “Essa dificuldade será proporcional ao contato que o adolescente tenha com textos na forma culta, como jornais ou obras literárias. Dependendo deste contato, ele terá mais facilidade para abrir mão do internetês" — explica Eduardo de Almeida Navarro, professor livre-docente de língua tupi e literatura colonial da USP.

    RAMPAZZO, F. Disponível em: www.revistalingua.com.br. Acesso em: 1 mar. 2012 (adaptado).


    Segundo o texto, a interação virtual favoreceu o surgimento da modalidade linguística conhecida como internetês. Quanto à influência do internetês no uso da forma culta da língua, infere-se que

    Escolha uma alternativa para a questão 1962e648-4d
  • Linguagens

    Inglês

    The Wind
    James Stephens

    The wind stood up, and gave a shout:
    He whistled on his fingers, and

    Kicked the withered leaves about,
    And thumped the branches with his hand,

    And said he'd kill, and kill, and kill:
    And so he will! And so he will! 
    The Wind
    James Stephens

    The wind stood up, and gave a shout:
    He whistled on his fingers, and

    Kicked the withered leaves about,
    And thumped the branches with his hand,

    And said he'd kill, and kill, and kill:
    And so he will! And so he will!

    The figure of speech in which an animal, object, or idea is given the characteristics of a person, as we see in the poem, is:

    Escolha uma alternativa para a questão 196350ff-b6
  • Linguagens

    Inglês

    The Wind
    James Stephens

    The wind stood up, and gave a shout:
    He whistled on his fingers, and

    Kicked the withered leaves about,
    And thumped the branches with his hand,

    And said he'd kill, and kill, and kill:
    And so he will! And so he will! 
    Assinale entre as alternativas seguir aquela que apresenta os verbos conjugados da mesma forma que stand up no texto
    Escolha uma alternativa para a questão 196634ed-b6
  • Linguagens

    Português

    Uma tuiteratura?


    As novidades sobre o Twitter já não cabem em 140 toques. Informações vindas dos EUA dão conta de que a marca de 100 milhões de adeptos acaba de ser alcançada e que a biblioteca do Congresso, um dos principais templos da palavra impressa, vai guardar em seu arquivo todos os tweets, ou seja, as mensagens do microblog. No Brasil o fenômeno não chega a tanto, mas já somos o segundo país com o maior número de tuiteiros. Também aqui o Twitter está sendo aceito em territórios antes exclusivos do papel. A própria Academia Brasileira de Letras abriu um concurso de microcontos para textos com apenas 140 caracteres. Também se fala das possibilidades literárias desse meio que se caracteriza pela concisão. Já há até um neologismo, "tuiteratura", para indicar os “enunciados telegráficos com criações originais, citações ou resumos de obras impressas". Por ora, pergunto como se estivesse tuitando: querer fazer literatura com palavras de menos não é pretensão demais?

    VENTURA, Z. O Globo, 17 abr. 2010 (adaptado).


    As novas tecnologias estão presentes na sociedade moderna, transformando a comunicação por meio de inovadoras linguagens. O texto de Zuenir Ventura mostra que o Twitter tem sido acessado por um número cada vez maior de internautas e já se insere até na literatura. Neste contexto de inovações linguísticas, a linguagem do Twitter apresenta como característica relevante

    Escolha uma alternativa para a questão 1966692f-4d
  • Linguagens

    Português

    Era uma vez


    Um rei leão que não era rei.

    Um pato que não fazia quá-quá.

    Um cão que não latia.

    Um peixe que não nadava.

    Um pássaro que não voava.

    Um tigre que não comia.

    Um gato que não miava.

    Um homem que não pensava...

    E, enfim, era uma natureza sem nada.

    Acabada. Depredada.

    Pelo homem que não pensava.

    Laura Araújo Cunha

    CUNHA, L. A. In: KOCH, I. V.; ELIAS, V. M. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2011.


    São as relações entre os elementos e as partes do texto que promovem o desenvolvimento das ideias. No poema, a estratégia linguística que contribui para esse desenvolvimento, estabelecendo a continuidade do texto, é a

    Escolha uma alternativa para a questão 1969e47d-4d
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto a seguir para a questão.

    Mouse Night: One of our games

    William Stafford

    We heard thunder. Nothing great – on high

    ground rain began. Who ran through

    that rain? I shrank, a fieldmouse, when

    the thunder came – under grass with bombs

    of water scything stems. My tremendous

    father cowered: “Lions rushing make

    that sound,” he said: “we'll be brain-washed

    for sure if head-size chunks of water hit us.

    Duck and cover! It takes a man

    to be a mouse this night,” he said. 

    As it can be seen, the “music” of a poem is essential part of its meaning. However, this music can be lost if the reader does not pay close attention to the form and to each word of each line. The poet is very careful when he writes his poem, and he uses many different ways to allow the reader to feel the music and understand the meaning of his words. One of the techniques William Stafford used to create this poem was what we called run-on lines, which is:
    Escolha uma alternativa para a questão 196cd552-b6
  • Linguagens

    Português

    TEXTO I


    A canção do africano

    Lá na úmida senzala,

    Sentado na estreita sala,

    Junto ao braseiro, no chão,

    entoa o escravo o seu canto,

    E ao cantar correm-lhe em pranto

    Saudades do seu torrão...

    De um lado, uma negra escrava

    Os olhos no filho crava,

    Que tem no colo a embalar...

    E à meia-voz lá responde

    Ao canto, e o filhinho esconde,

    Talvez p'ra não o escutar!

    "Minha terra é lá bem longe,

    Das bandas de onde o sol vem;

    Esta terra é mais bonita,

    Mas à outra eu quero bem."

    ALVES, C. Poesias com pletas. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995 (fragmento).


    TEXTO II


    No caso da Literatura Brasileira, se é verdade que prevalecem as reformas radicais, elas têm acontecido mais no âmbito de movimentos literários do que de gerações literárias. A poesia de Castro Alves em relação à de Gonçalves Dias não é a de negação radical, mas de superação, dentro do mesmo espírito romântico.

    MELO NETO, J. C. Obra com pleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003 (fragmento)


    O fragmento do poema de Castro Alves exemplifica a afirmação de João Cabral de Melo Neto porque

    Escolha uma alternativa para a questão 196d6b60-4d
  • Linguagens

    Português

    Notícias do além


    Aquele que morrer primeiro e for para o céu deverá voltar à Terra para contar ao outro como é a vida lá no paraíso. Assim ficou combinado entre Francisco e Sebastião, amigos inseparáveis e apaixonados pelo futebol. Francisco teve morte súbita e, passado algum tempo, no meio da noite, sua alma apareceu ao colega:

    — Nossa Senhora, Chico! Você veio mesmo!

    — Estou aqui, Tião, para cumprir a minha promessa, trazendo-lhe duas notícias.

    — Então me fala.

    — O céu é uma maravilha, um colosso, uma beleza. Tem futebol todo dia.

    — E a outra?

    — A outra é que você está escalado para jogar no meu time amanhã cedo.

    DIAS, M. V. R. Humor na Marolândia. In: ILARI, R. Introdução à semântica: brincando com a gramática. São Paulo: Contexto, 2001.


    Esse texto pode ser analisado sob dois pontos de vista que incluem situações diferentes de interlocução: a primeira, considerando seu produtor e seus potenciais leitores; e a segunda, considerando os interlocutores Francisco e Sebastião. Para cada uma dessas situações o produtor do texto tem um objetivo específico que se determina, não só pela situação, mas também pelo gênero textual.

    Os verbos que sintetizam os objetivos do produtor nas duas situações propostas são, respectivamente,

    Escolha uma alternativa para a questão 1970dab0-4d
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNB 2011, Interpretação de Textos

    Tendo como referência inicial os fragmentos de textos acima e a multiplicidade de aspectos que eles evocam, assinale a opção correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 19710126-a4
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto a seguir para a questão.

    Mouse Night: One of our games

    William Stafford

    We heard thunder. Nothing great – on high

    ground rain began. Who ran through

    that rain? I shrank, a fieldmouse, when

    the thunder came – under grass with bombs

    of water scything stems. My tremendous

    father cowered: “Lions rushing make

    that sound,” he said: “we'll be brain-washed

    for sure if head-size chunks of water hit us.

    Duck and cover! It takes a man

    to be a mouse this night,” he said. 

    No poema, a palavra que sugere perigo é:
    Escolha uma alternativa para a questão 197281c5-b6
  • Linguagens

    Português

    O que a internet esconde de você


    Para cada site que você pode visitar, existem pelo menos 400 outros que não consegue acessar. Eles existem, estão lá, mas são invisíveis. Estão presos num buraco negro digital maior do que a própria internet. A cada vez que você interage com um amigo nas redes sociais, vários outros são ignorados e têm as mensagens enterradas num enorme cemitério on-line. E, quando você faz uma pesquisa no Google, não recebe os resultados de fato — e sim uma versão maquiada, previamente modificada de acordo com critérios secretos. Sim, tudo isso é verdade — e não é nenhuma grande conspiração. Acontece todos os dias sem que você perceba. Pegue seu chapéu de Indiana Jones e vamos explorar a web perdida.

    GRAVATÁ, A. Superinteressante, nov. 2011 (fragmento).


    Os gêneros do discurso jornalístico, geralmente a manchete, a notícia e a reportagem, exigem um repórter que não diz “eu”, nem mesmo que se refira ao leitor do texto explicitamente. No trecho lido, ao contrário, é recorrente o emprego de "você", o qual

    Escolha uma alternativa para a questão 19745d47-4d
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto a seguir para a questão.

    Mouse Night: One of our games

    William Stafford

    We heard thunder. Nothing great – on high

    ground rain began. Who ran through

    that rain? I shrank, a fieldmouse, when

    the thunder came – under grass with bombs

    of water scything stems. My tremendous

    father cowered: “Lions rushing make

    that sound,” he said: “we'll be brain-washed

    for sure if head-size chunks of water hit us.

    Duck and cover! It takes a man

    to be a mouse this night,” he said. 

    According to the poem, the best meaning for the word “duck” is:
    Escolha uma alternativa para a questão 19764384-b6
  • Linguagens

    Português

    Pode chegar de mansinho, como é costume por ali, e observar sem pressa cada detalhe da estação ferroviária de Mariana. Repare na arquitetura recém-revitalizada do casarão, e como os detalhes em madeira branca, as delicadas arandelas de luzes amarelas e os elementos barrocos da torre já começam a dar o gostinho da viagem aguardada. Vindo lá de longe, o apito estridente anuncia que logo, logo o cenário estará completo para a partida. E não tarda para o trem de fato surgir. Pequenino a princípio, mas de repente, em toda aquela imensidão que desliza pelos trilhos. Arrancando sorrisos e deixando boquiaberto até o mais desconfiado dos mineiros.

    TIUSSU, B. Raízes m ineiras. Disponível em: www.estadao.com.br. Acesso em: 15 nov. 2011 (fragmento).


    A leitura do trecho mostra que textos jornalísticos produzidos em determinados gêneros mobilizam recursos linguísticos com o objetivo de conduzir seu público-alvo a aceitar suas ideias. Para envolver o leitor no retrato que faz da cidade, a autora

    Escolha uma alternativa para a questão 1977dee4-4d
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto a seguir para a questão.

    Mouse Night: One of our games

    William Stafford

    We heard thunder. Nothing great – on high

    ground rain began. Who ran through

    that rain? I shrank, a fieldmouse, when

    the thunder came – under grass with bombs

    of water scything stems. My tremendous

    father cowered: “Lions rushing make

    that sound,” he said: “we'll be brain-washed

    for sure if head-size chunks of water hit us.

    Duck and cover! It takes a man

    to be a mouse this night,” he said. 

    O título do poema “Mouse night: One of our games” revela ao leitor que:
    Escolha uma alternativa para a questão 197b1275-b6
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UECE 2018, Interpretação de Textos

    Considerando o propósito da crônica de Martha Medeiros, assinale a afirmação verdadeira.
    Escolha uma alternativa para a questão 197e0de6-fa
  • Linguagens

    Inglês

    De acordo com a charge a seguir, pode-se afirmar que:

    Imagem da questão de Inglês, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - Goiás 2012, Interpretação de texto | Reading comprehension


    Escolha uma alternativa para a questão 197e5cb8-b6
  • Linguagens

    Português

    Sambinha


    Vêm duas costureirinhas pela rua das Palmeiras.

    Afobadas braços dados depressinha

    Bonitas, Senhor! que até dão vontade pros homens da rua.

    As costureirinhas vão explorando perigos...

    Vestido é de seda.

    Roupa-branca é de morim.

    Falando conversas fiadas

    As duas costureirinhas passam por mim.

    — Você vai?

    — Não vou não!

    Parece que a rua parou pra escutá-las.

    Nem trilhos sapecas

    Jogam mais bondes um pro outro.

    E o Sol da tardinha de abril

    Espia entre as pálpebras sapiroquentas de duas nuvens.

    As nuvens são vermelhas.

    A tardinha cor-de-rosa.

    Fiquei querendo bem aquelas duas costureirinhas...

    Fizeram-me peito batendo

    Tão bonitas, tão modernas, tão brasileiras!

    Isto é...

    Uma era ítalo-brasileira.

    Outra era áfrico-brasileira.

    Uma era branca.

    Outra era preta.

    ANDRADE, M. Os melhores poemas. Sao Paulo: Global, 1988.


    Os poetas do Modernismo, sobretudo em sua primeira fase, procuraram incorporar a oralidade ao fazer poético, como parte de seu projeto de configuração de uma identidade linguística e nacional. No poema de Mário de Andrade esse projeto revela-se, pois

    Escolha uma alternativa para a questão 197e8afd-4d
  • Linguagens

    Português

    Texto 1

    Somos uma sociedade injusta e segregacionista

    O fenômeno dos centenas de rolezinhos que ocuparam shoppings centers no Rio e em São Paulo suscitaram as mais disparatadas interpretações. (...)

    Eu, por minha parte, interpreto da seguinte forma tal irrupção:

    Em primeiro lugar, são jovens pobres, das grandes periferias, sem espaços de lazer e de cultura, penalizados por serviços públicos ausentes ou muito ruins como saúde, escola, infra-estrutura sanitária, transporte, lazer e segurança. Veem televisão cujas propagandas os seduzem para um consumo que nunca vão poder realizar. E sabem manejar computadores e entrar nas redes sociais para articular encontros. Seria ridículo exigir deles que teoricamente tematizem sua insatisfação.

    Mas sentem na pele o quanto nossa sociedade é malvada porque exclui, despreza e mantém os filhos e filhas da pobreza na invisibilidade forçada. O que se esconde por trás de sua irrupção? O fato de não serem incluídos no contrato social. Não adianta termos uma "constituição cidadã" que neste aspecto é apenas retórica, pois implementou muito pouco do que prometeu em vista da inclusão social. Eles estão fora, não contam, nem sequer servem de carvão para o consumo de nossa fábrica social (Darcy Ribeiro). Estar incluído no contrato social significa ter garantidos os serviços básicos: saúde, educação, moradia, transporte, cultura, lazer e segurança. Quase nada disso funciona nas periferias. O que eles estão dizendo com suas penetrações nos bunkers do consumo? "Oia nóis na fita"; "nois não tamo parado";"nóis tamo aqui para zoar"(incomodar). Eles estão com seu comportamento rompendo as barreiras do aparheid social.(...)

    Continuamos uma Brasilíndia: uma Bélgica rica dentro de uma Índia pobre. Tudo isso os rolezinhos denunciam, por atos e menos por palavras.

    Em segundo lugar, eles denunciam a nossa maior chaga: a desigualdade social cujo verdadeiro nome é injustiça histórica e social. Releva constatar que, com as políticas sociais do governo do PT, a desigualdade diminuiu, pois, segundo o IPEA, os 10% mais pobres tiveram entre 2001-2011 um crescimento de renda acumulado de 91,2%, enquanto a parte mais rica cresceu 16,6%. Mas esta diferença não atingiu a raiz do problema, pois o que supera a desigualdade é uma infraestrutura social de saúde, escola, transporte, cultura e lazer que funcione e seja acessível a todos. Não é suficiente transferir renda; tem que criar oportunidades e oferecer serviços, coisa que não foi o foco principal no Ministério de Desenvolvimento Social.

    O "Atlas da Exclusão Social" de Márcio Poschmann (Cortez 2004) nos mostra que há cerca de 60 milhões de famílias no Brasil, das quais cinco mil famílias extensas detém 45% da riqueza nacional. Democracia sem igualdade, que é seu pressuposto, é farsa e retórica. Os rolezinhos denunciam essa contradição. Eles entram no "paraíso das mercadorias" vistas virtualmente na TV para vê-las realmente e senti-las nas mãos. Eis o sacrilégio insuportável pelos donos dos shoppings. Eles não sabem dialogar, chamam logo a polícia para bater e fecham as portas a esses bárbaros. Sim, bem o viu T.Todorov em seu livro "Os novos bárbaros": os marginalizados do mundo inteiro estão saindo da margem e indo rumo ao centro para suscitar a má consciência dos "consumidores felizes" e lhes dizer: esta ordem é ordem na desordem. Ela os faz frustrados e infelizes, tomados de medo, medo dos próprios semelhantes que somos nós.

    Por fim, os rolezinhos não querem apenas consumir. Não são animaizinhos famintos. Eles têm fome sim, mas fome de reconhecimento, de acolhida na sociedade, de lazer, de cultura e de mostrar o que sabem: cantar, dançar, criar poemas críticos, celebrar a convivência humana. E querem trabalhar para ganhar sua vida. Tudo isso lhes é negado, porque, por serem pobres, negros, mestiços sem olhos azuis e cabelos loiros, são desprezados e mantidos longe, na margem.

    Esse tipo de sociedade pode ser chamada ainda de humana e civilizada? Ou é uma forma travestida de barbárie? Esta última lhe convém mais. Os rolezinhos mexeram numa pedra que começou a rolar. Só parará se houver mudanças.

    BOFF, Leonardo. Jornal Zero Hora. 28 jan. 2014. (adaptado). Disponível em: <http://goo.gl/4UeRbD>. Acesso em 05 abr. 2014
    Observe a criação do neologismo Brasilíndia neste trecho:

    “Continuamos uma Brasilíndia: uma Bélgica rica dentro de uma Índia pobre.”

    A criação do neologismo Brasilíndia ocorreu por
    Escolha uma alternativa para a questão 197f8b6a-dc