Pular para o conteúdo

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

Resultados

1.320 questões encontradas. Mostrando a página 2 de 66.

  • 60DCDA68-09

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia os versos do poema “Os estatutos do homem”, de Thiago de Mello, para responder às questões 32 e 33.


    Artigo 12

    Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.

    Tudo será permitido,

    sobretudo brincar com os rinocerontes

    e caminhar pelas tardes

    com uma imensa begônia na lapela.

    (Estatutos do homem, 1986.)


    No poema, expressam uma regra geral e um exemplo dessa regra, respectivamente,

    Escolha uma alternativa para a questão 60dcda68-09
  • 60D9E0A0-09

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    O aparecimento de elementos de linguagem poética, fantasiosa, no interior de um formato tipicamente jurídico reafirma
    Escolha uma alternativa para a questão 60d9e0a0-09
  • 60C50C3C-09

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

    Considere o poema de Chacal para responder à questão.


    Beijo beijos

    qual o sentido da palavra beijo?

    ato de tocar com os lábios em alguém

    ou alguma coisa, fazendo leve sucção; ósculo?

    ou aquele que o cauã reymond deu na mariana

    ximenes na novela?

    ou aquele que você deu no daniel que só você sentiu?

    que é diferente do que eu dei na dolores que nunca

    vou esquecer.

    já a gabi, sempre que sai de casa, dá em sua mãe

    um beijo automático

    parecido com os dois beijos de cumprimento que eu

    dou numa garota

    se estiver no rio, um em são paulo ou três em minas

    gerais.

    diferente ainda do beijo de despedida apaixonado que

    você deu no julinho

    quando ele foi para a austrália

    diferente do derradeiro beijo no leito de morte que o

    luís deu na laís, sua avó

    ou do beijo da traição de judas ou do beijo que a

    princesa deu no sapo.

    diante de tantos sentidos diferentes da palavra beijo,

    a melhor forma de saber o que significa é ir direto ao

    assunto:

    língua pra que te quero!

    (Murundum, 2012.)

    Os dois últimos versos do poema
    Escolha uma alternativa para a questão 60c50c3c-09
  • 60C16F53-09

    Português

    Interpretação de Textos
    UEA · 2018Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Considere o poema de Chacal para responder à questão.


    Beijo beijos

    qual o sentido da palavra beijo?

    ato de tocar com os lábios em alguém

    ou alguma coisa, fazendo leve sucção; ósculo?

    ou aquele que o cauã reymond deu na mariana

    ximenes na novela?

    ou aquele que você deu no daniel que só você sentiu?

    que é diferente do que eu dei na dolores que nunca

    vou esquecer.

    já a gabi, sempre que sai de casa, dá em sua mãe

    um beijo automático

    parecido com os dois beijos de cumprimento que eu

    dou numa garota

    se estiver no rio, um em são paulo ou três em minas

    gerais.

    diferente ainda do beijo de despedida apaixonado que

    você deu no julinho

    quando ele foi para a austrália

    diferente do derradeiro beijo no leito de morte que o

    luís deu na laís, sua avó

    ou do beijo da traição de judas ou do beijo que a

    princesa deu no sapo.

    diante de tantos sentidos diferentes da palavra beijo,

    a melhor forma de saber o que significa é ir direto ao

    assunto:

    língua pra que te quero!

    (Murundum, 2012.)

    Em grande parte da primeira estrofe, o eu lírico
    Escolha uma alternativa para a questão 60c16f53-09
  • 79BE2771-07

    Português

    Coesão e coerência
    Centro Universitário São Camilo · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho do livro A dança do universo, do físico brasileiro Marcelo Gleiser, para responder à questão.

         Na dedicatória de seu livro O progresso da sabedoria (1605) a Jaime I, sir Francis Bacon declara: “de todas as pessoas ainda vivas que conheci, sua Majestade é o melhor exemplo de um homem que representa a opinião de Platão, de que todo conhecimento é apenas memória”. Embora Platão tenha provavelmente escrito essas linhas como uma alegoria à sua crença na imortalidade da alma, e Bacon, como parte de um astuto plano para obter certos favores do rei, podemos nos referir a elas como uma alegoria à enorme importância que o pensamento grego exerceu e exerce no desenvolvimento da cultura ocidental.
          Após derrotar os persas em uma série de conflitos durante as primeiras décadas do século V a.C., a civilização grega viveu um século e meio de grande esplendor, inspirada pela liderança de Péricles, que governou Atenas por 32 anos, de 461 a 429. Nem mesmo as amargas disputas entre Atenas, Esparta e outros Estados, que acabaram resultando na Guerra do Peloponeso, entre 431 e 404, conseguiram ofuscar o incrível nível de sofisticação atingido durante esse período. Nas palavras de H. G. Wells, “durante esse período o pensamento e o impulso criativo e artístico dos gregos ascenderam a níveis que os transformaram numa fonte de luz para o resto da História”. Que essa luz tenha continuado a brilhar através dos tempos, sobrevivendo a séculos de intolerância religiosa e muitas guerras, é a prova concreta de coragem intelectual daqueles que acreditam que a busca do conhecimento é o antídoto contra a cegueira causada pela repressão e pelo medo.

    (A dança do universo, 2006. Adaptado.)
    Embora Platão tenha provavelmente escrito essas linhas como uma alegoria à sua crença na imortalidade da alma, e Bacon, como parte de um astuto plano para obter certos favores do rei, podemos nos referir a elas como uma alegoria à enorme importância que o pensamento grego exerceu e exerce no desenvolvimento da cultura ocidental.” (1° parágrafo)

    Tendo em vista as relações de sentido estabelecidas entre as orações que compõem esse período, a conjunção sublinhada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido, por
    Escolha uma alternativa para a questão 79be2771-07
  • 79BA2E33-07

    Português

    Interpretação de Textos
    Centro Universitário São Camilo · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho do livro A dança do universo, do físico brasileiro Marcelo Gleiser, para responder à questão.

         Na dedicatória de seu livro O progresso da sabedoria (1605) a Jaime I, sir Francis Bacon declara: “de todas as pessoas ainda vivas que conheci, sua Majestade é o melhor exemplo de um homem que representa a opinião de Platão, de que todo conhecimento é apenas memória”. Embora Platão tenha provavelmente escrito essas linhas como uma alegoria à sua crença na imortalidade da alma, e Bacon, como parte de um astuto plano para obter certos favores do rei, podemos nos referir a elas como uma alegoria à enorme importância que o pensamento grego exerceu e exerce no desenvolvimento da cultura ocidental.
          Após derrotar os persas em uma série de conflitos durante as primeiras décadas do século V a.C., a civilização grega viveu um século e meio de grande esplendor, inspirada pela liderança de Péricles, que governou Atenas por 32 anos, de 461 a 429. Nem mesmo as amargas disputas entre Atenas, Esparta e outros Estados, que acabaram resultando na Guerra do Peloponeso, entre 431 e 404, conseguiram ofuscar o incrível nível de sofisticação atingido durante esse período. Nas palavras de H. G. Wells, “durante esse período o pensamento e o impulso criativo e artístico dos gregos ascenderam a níveis que os transformaram numa fonte de luz para o resto da História”. Que essa luz tenha continuado a brilhar através dos tempos, sobrevivendo a séculos de intolerância religiosa e muitas guerras, é a prova concreta de coragem intelectual daqueles que acreditam que a busca do conhecimento é o antídoto contra a cegueira causada pela repressão e pelo medo.

    (A dança do universo, 2006. Adaptado.)
    Está empregado em sentido figurado o termo sublinhado em:
    Escolha uma alternativa para a questão 79ba2e33-07
  • 79B6812E-07

    Português

    Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)
    Centro Universitário São Camilo · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o poema do escritor português Fernando Pessoa para responder à questão. 

    Às vezes, em sonho triste
    Nos meus desejos existe
    Longinquamente um país
    Onde ser feliz consiste
    Apenas em ser feliz.

    Vive-se como se nasce
    Sem o querer nem saber.
    Nessa ilusão de viver
    O tempo morre e renasce
    Sem que o sintamos correr. 

    O sentir e o desejar
    São banidos dessa terra.
    O amor não é amor
    Nesse país por onde erra
    Meu longínquo divagar.

    Nem se sonha nem se vive:
    É uma infância sem fim.
    Parece que se revive
    Tão suave é viver assim
    Nesse impossível jardim.

    (Obra poética, 1997.)
    Os versos “O sentir e o desejar / São banidos dessa terra.” (3a estrofe) podem ser reescritos, sem prejuízo para o seu sentido e respeitando-se a correção gramatical, da seguinte forma:
    Escolha uma alternativa para a questão 79b6812e-07
  • 79B2EFF6-07

    Português

    Coesão e coerência
    Centro Universitário São Camilo · 2018Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o poema do escritor português Fernando Pessoa para responder à questão. 

    Às vezes, em sonho triste
    Nos meus desejos existe
    Longinquamente um país
    Onde ser feliz consiste
    Apenas em ser feliz.

    Vive-se como se nasce
    Sem o querer nem saber.
    Nessa ilusão de viver
    O tempo morre e renasce
    Sem que o sintamos correr. 

    O sentir e o desejar
    São banidos dessa terra.
    O amor não é amor
    Nesse país por onde erra
    Meu longínquo divagar.

    Nem se sonha nem se vive:
    É uma infância sem fim.
    Parece que se revive
    Tão suave é viver assim
    Nesse impossível jardim.

    (Obra poética, 1997.)
    Em “Sem que o sintamos correr.” (2a estrofe), o termo sublinhado refere-se a
    Escolha uma alternativa para a questão 79b2eff6-07
  • 79AF40F8-07

    Português

    Figuras de Linguagem
    Centro Universitário São Camilo · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o poema do escritor português Fernando Pessoa para responder à questão. 

    Às vezes, em sonho triste
    Nos meus desejos existe
    Longinquamente um país
    Onde ser feliz consiste
    Apenas em ser feliz.

    Vive-se como se nasce
    Sem o querer nem saber.
    Nessa ilusão de viver
    O tempo morre e renasce
    Sem que o sintamos correr. 

    O sentir e o desejar
    São banidos dessa terra.
    O amor não é amor
    Nesse país por onde erra
    Meu longínquo divagar.

    Nem se sonha nem se vive:
    É uma infância sem fim.
    Parece que se revive
    Tão suave é viver assim
    Nesse impossível jardim.

    (Obra poética, 1997.)
    O eu lírico recorre a uma construção paradoxal em:
    Escolha uma alternativa para a questão 79af40f8-07
  • 79AB9063-07

    Português

    Artigos
    Centro Universitário São Camilo · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia a crônica “Conto carioca”, de Vinicius de Moraes, para responder à questão.

         O rapaz vinha passando num Cadillac novo pela avenida Atlântica. Vinha despreocupado, assoviando um blue, os olhos esquecidos no asfalto em retração. A noite era longa, alta e esférica, cheia de uma paz talvez macabra, mas o rapaz nada sentia. Ganhara o bastante na roleta para resolver a despesa do cassino, o que lhe dava essa sensação de comando do homem que paga: porque tratava-se de um “duro”, e o automóvel era o carro paterno, obtido depois de uma promessa de fazer força nos estudos. O show estivera agradável e ele flertara com quase todas as mulheres da sua mesa. A lua imobilizava-se no céu, imparticipante, clareando a cabeleira das ondas que rugiam, mas como que em silêncio.
         De súbito, em frente ao Lido, uma mulher sentada num banco. Uma mulher de branco, o rosto envolto num véu branco, e tão elegante e bonita, meu Deus, que parecia também, em sua claridade, um luar dormente. O freio de pé agiu quase automaticamente e a borracha deslizou, levando o carro maneiroso até o meio-fio, onde estacou num rincho ousado. Depois ele deu ré, até junto da dama branca.
          – Sozinha a essas horas?
       Ela não respondeu. Limitou-se a olhar serenamente o rapaz do Cadillac, com seu olhar extraordinariamente fluido, enquanto o vento sul agitava-lhe docemente os cabelos cor de cinza.
         – Sabe que é muito perigoso ficar aqui até estas horas, uma mulher tão bonita?
         A voz veio de longe, uma voz branca, branca como a mulher, e ao mesmo tempo crestada por um ligeiro sotaque nórdico:
          – Perdi a condução... Não sei... é tão difícil arranjar condução...
         O rapaz examinou-a já com olhos de cobiça. Que criatura fascinante! Tão branca... Devia ser uma coisa branca, um mar de leite, um amor pálido. Suas pernas tinham uma alvura de marfim e suas mãos pareciam porcelanas brancas. Veio-lhe uma sensação estranha, um arrepio percorreu-lhe todo o corpo e ele se sentiu entregar a um sono triste, onde a volúpia cantava baixinho. Teve um gesto para ela: 
          – Vem... Eu levo você... 
        Ela foi. Abriu a porta do carro e sentou-se a seu lado. Fosse porque a madrugada avançasse, a noite se fizera mais fria e, ao tê-la aconchegada – talvez emoção –, o rapaz tiritou. Seus braços eram frios como o mármore e sua boca gelada como éter. Vinha dela um suave perfume de flores que o levou para longe. Ela se deixou, passiva, em seus braços, entregue a um mundo de beijos mansos.
          Quando a madrugada rompeu, ele acordou do seu letargo amoroso. A moça branca parecia mais branca ainda, e agora olhava o mar, de onde vinha um vento branco. Ele disse:
            – Amor, vou levar você agora.
           Ela deu-lhe seus olhos quase inexistentes, de tão claros:
           – Em Botafogo, por favor.
         Tocou o carro. A aventura dera-lhe um delírio de velocidade. Entrou pelo túnel como um louco e fez, a pedido dela, a curva de General Polidoro num ângulo quase absurdo. 
          – É aqui – disse ela em voz baixa.
          Ele parou. Olhou para ela espantado:
           – Por que aqui?
          – Eu moro aqui. Venha me ver quando quiser. Muito obrigada por tudo.
        E dando-lhe um último longo beijo, frio como o éter, abriu a porta do carro, passou através do portão fechado do cemitério e desapareceu.

    (Para uma menina com uma flor, 2009.)
    “O rapaz examinou-a já com olhos de cobiça. [...] Veio-lhe uma sensação estranha, um arrepio percorreu-lhe todo o corpo e ele se sentiu entregar a um sono triste, onde a volúpia cantava baixinho.” (8° parágrafo)

    Os termos sublinhados constituem, respectivamente,
    Escolha uma alternativa para a questão 79ab9063-07
  • 79A80747-07

    Português

    Estrutura das Palavras: Radical, Desinência, Prefixo e Sufixo
    Centro Universitário São Camilo · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia a crônica “Conto carioca”, de Vinicius de Moraes, para responder à questão.

         O rapaz vinha passando num Cadillac novo pela avenida Atlântica. Vinha despreocupado, assoviando um blue, os olhos esquecidos no asfalto em retração. A noite era longa, alta e esférica, cheia de uma paz talvez macabra, mas o rapaz nada sentia. Ganhara o bastante na roleta para resolver a despesa do cassino, o que lhe dava essa sensação de comando do homem que paga: porque tratava-se de um “duro”, e o automóvel era o carro paterno, obtido depois de uma promessa de fazer força nos estudos. O show estivera agradável e ele flertara com quase todas as mulheres da sua mesa. A lua imobilizava-se no céu, imparticipante, clareando a cabeleira das ondas que rugiam, mas como que em silêncio.
         De súbito, em frente ao Lido, uma mulher sentada num banco. Uma mulher de branco, o rosto envolto num véu branco, e tão elegante e bonita, meu Deus, que parecia também, em sua claridade, um luar dormente. O freio de pé agiu quase automaticamente e a borracha deslizou, levando o carro maneiroso até o meio-fio, onde estacou num rincho ousado. Depois ele deu ré, até junto da dama branca.
          – Sozinha a essas horas?
       Ela não respondeu. Limitou-se a olhar serenamente o rapaz do Cadillac, com seu olhar extraordinariamente fluido, enquanto o vento sul agitava-lhe docemente os cabelos cor de cinza.
         – Sabe que é muito perigoso ficar aqui até estas horas, uma mulher tão bonita?
         A voz veio de longe, uma voz branca, branca como a mulher, e ao mesmo tempo crestada por um ligeiro sotaque nórdico:
          – Perdi a condução... Não sei... é tão difícil arranjar condução...
         O rapaz examinou-a já com olhos de cobiça. Que criatura fascinante! Tão branca... Devia ser uma coisa branca, um mar de leite, um amor pálido. Suas pernas tinham uma alvura de marfim e suas mãos pareciam porcelanas brancas. Veio-lhe uma sensação estranha, um arrepio percorreu-lhe todo o corpo e ele se sentiu entregar a um sono triste, onde a volúpia cantava baixinho. Teve um gesto para ela: 
          – Vem... Eu levo você... 
        Ela foi. Abriu a porta do carro e sentou-se a seu lado. Fosse porque a madrugada avançasse, a noite se fizera mais fria e, ao tê-la aconchegada – talvez emoção –, o rapaz tiritou. Seus braços eram frios como o mármore e sua boca gelada como éter. Vinha dela um suave perfume de flores que o levou para longe. Ela se deixou, passiva, em seus braços, entregue a um mundo de beijos mansos.
          Quando a madrugada rompeu, ele acordou do seu letargo amoroso. A moça branca parecia mais branca ainda, e agora olhava o mar, de onde vinha um vento branco. Ele disse:
            – Amor, vou levar você agora.
           Ela deu-lhe seus olhos quase inexistentes, de tão claros:
           – Em Botafogo, por favor.
         Tocou o carro. A aventura dera-lhe um delírio de velocidade. Entrou pelo túnel como um louco e fez, a pedido dela, a curva de General Polidoro num ângulo quase absurdo. 
          – É aqui – disse ela em voz baixa.
          Ele parou. Olhou para ela espantado:
           – Por que aqui?
          – Eu moro aqui. Venha me ver quando quiser. Muito obrigada por tudo.
        E dando-lhe um último longo beijo, frio como o éter, abriu a porta do carro, passou através do portão fechado do cemitério e desapareceu.

    (Para uma menina com uma flor, 2009.)
    As palavras do texto cujos prefixos exprimem ideia de negação são
    Escolha uma alternativa para a questão 79a80747-07
  • 79A4F818-07

    Português

    Interpretação de Textos
    Centro Universitário São Camilo · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia a crônica “Conto carioca”, de Vinicius de Moraes, para responder à questão.

         O rapaz vinha passando num Cadillac novo pela avenida Atlântica. Vinha despreocupado, assoviando um blue, os olhos esquecidos no asfalto em retração. A noite era longa, alta e esférica, cheia de uma paz talvez macabra, mas o rapaz nada sentia. Ganhara o bastante na roleta para resolver a despesa do cassino, o que lhe dava essa sensação de comando do homem que paga: porque tratava-se de um “duro”, e o automóvel era o carro paterno, obtido depois de uma promessa de fazer força nos estudos. O show estivera agradável e ele flertara com quase todas as mulheres da sua mesa. A lua imobilizava-se no céu, imparticipante, clareando a cabeleira das ondas que rugiam, mas como que em silêncio.
         De súbito, em frente ao Lido, uma mulher sentada num banco. Uma mulher de branco, o rosto envolto num véu branco, e tão elegante e bonita, meu Deus, que parecia também, em sua claridade, um luar dormente. O freio de pé agiu quase automaticamente e a borracha deslizou, levando o carro maneiroso até o meio-fio, onde estacou num rincho ousado. Depois ele deu ré, até junto da dama branca.
          – Sozinha a essas horas?
       Ela não respondeu. Limitou-se a olhar serenamente o rapaz do Cadillac, com seu olhar extraordinariamente fluido, enquanto o vento sul agitava-lhe docemente os cabelos cor de cinza.
         – Sabe que é muito perigoso ficar aqui até estas horas, uma mulher tão bonita?
         A voz veio de longe, uma voz branca, branca como a mulher, e ao mesmo tempo crestada por um ligeiro sotaque nórdico:
          – Perdi a condução... Não sei... é tão difícil arranjar condução...
         O rapaz examinou-a já com olhos de cobiça. Que criatura fascinante! Tão branca... Devia ser uma coisa branca, um mar de leite, um amor pálido. Suas pernas tinham uma alvura de marfim e suas mãos pareciam porcelanas brancas. Veio-lhe uma sensação estranha, um arrepio percorreu-lhe todo o corpo e ele se sentiu entregar a um sono triste, onde a volúpia cantava baixinho. Teve um gesto para ela: 
          – Vem... Eu levo você... 
        Ela foi. Abriu a porta do carro e sentou-se a seu lado. Fosse porque a madrugada avançasse, a noite se fizera mais fria e, ao tê-la aconchegada – talvez emoção –, o rapaz tiritou. Seus braços eram frios como o mármore e sua boca gelada como éter. Vinha dela um suave perfume de flores que o levou para longe. Ela se deixou, passiva, em seus braços, entregue a um mundo de beijos mansos.
          Quando a madrugada rompeu, ele acordou do seu letargo amoroso. A moça branca parecia mais branca ainda, e agora olhava o mar, de onde vinha um vento branco. Ele disse:
            – Amor, vou levar você agora.
           Ela deu-lhe seus olhos quase inexistentes, de tão claros:
           – Em Botafogo, por favor.
         Tocou o carro. A aventura dera-lhe um delírio de velocidade. Entrou pelo túnel como um louco e fez, a pedido dela, a curva de General Polidoro num ângulo quase absurdo. 
          – É aqui – disse ela em voz baixa.
          Ele parou. Olhou para ela espantado:
           – Por que aqui?
          – Eu moro aqui. Venha me ver quando quiser. Muito obrigada por tudo.
        E dando-lhe um último longo beijo, frio como o éter, abriu a porta do carro, passou através do portão fechado do cemitério e desapareceu.

    (Para uma menina com uma flor, 2009.)
    O desfecho da crônica pode ser caracterizado como
    Escolha uma alternativa para a questão 79a4f818-07
  • 79A1A2A5-07

    Português

    Interpretação de Textos
    Centro Universitário São Camilo · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia a crônica “Conto carioca”, de Vinicius de Moraes, para responder à questão.

         O rapaz vinha passando num Cadillac novo pela avenida Atlântica. Vinha despreocupado, assoviando um blue, os olhos esquecidos no asfalto em retração. A noite era longa, alta e esférica, cheia de uma paz talvez macabra, mas o rapaz nada sentia. Ganhara o bastante na roleta para resolver a despesa do cassino, o que lhe dava essa sensação de comando do homem que paga: porque tratava-se de um “duro”, e o automóvel era o carro paterno, obtido depois de uma promessa de fazer força nos estudos. O show estivera agradável e ele flertara com quase todas as mulheres da sua mesa. A lua imobilizava-se no céu, imparticipante, clareando a cabeleira das ondas que rugiam, mas como que em silêncio.
         De súbito, em frente ao Lido, uma mulher sentada num banco. Uma mulher de branco, o rosto envolto num véu branco, e tão elegante e bonita, meu Deus, que parecia também, em sua claridade, um luar dormente. O freio de pé agiu quase automaticamente e a borracha deslizou, levando o carro maneiroso até o meio-fio, onde estacou num rincho ousado. Depois ele deu ré, até junto da dama branca.
          – Sozinha a essas horas?
       Ela não respondeu. Limitou-se a olhar serenamente o rapaz do Cadillac, com seu olhar extraordinariamente fluido, enquanto o vento sul agitava-lhe docemente os cabelos cor de cinza.
         – Sabe que é muito perigoso ficar aqui até estas horas, uma mulher tão bonita?
         A voz veio de longe, uma voz branca, branca como a mulher, e ao mesmo tempo crestada por um ligeiro sotaque nórdico:
          – Perdi a condução... Não sei... é tão difícil arranjar condução...
         O rapaz examinou-a já com olhos de cobiça. Que criatura fascinante! Tão branca... Devia ser uma coisa branca, um mar de leite, um amor pálido. Suas pernas tinham uma alvura de marfim e suas mãos pareciam porcelanas brancas. Veio-lhe uma sensação estranha, um arrepio percorreu-lhe todo o corpo e ele se sentiu entregar a um sono triste, onde a volúpia cantava baixinho. Teve um gesto para ela: 
          – Vem... Eu levo você... 
        Ela foi. Abriu a porta do carro e sentou-se a seu lado. Fosse porque a madrugada avançasse, a noite se fizera mais fria e, ao tê-la aconchegada – talvez emoção –, o rapaz tiritou. Seus braços eram frios como o mármore e sua boca gelada como éter. Vinha dela um suave perfume de flores que o levou para longe. Ela se deixou, passiva, em seus braços, entregue a um mundo de beijos mansos.
          Quando a madrugada rompeu, ele acordou do seu letargo amoroso. A moça branca parecia mais branca ainda, e agora olhava o mar, de onde vinha um vento branco. Ele disse:
            – Amor, vou levar você agora.
           Ela deu-lhe seus olhos quase inexistentes, de tão claros:
           – Em Botafogo, por favor.
         Tocou o carro. A aventura dera-lhe um delírio de velocidade. Entrou pelo túnel como um louco e fez, a pedido dela, a curva de General Polidoro num ângulo quase absurdo. 
          – É aqui – disse ela em voz baixa.
          Ele parou. Olhou para ela espantado:
           – Por que aqui?
          – Eu moro aqui. Venha me ver quando quiser. Muito obrigada por tudo.
        E dando-lhe um último longo beijo, frio como o éter, abriu a porta do carro, passou através do portão fechado do cemitério e desapareceu.

    (Para uma menina com uma flor, 2009.)
    Ao intitular a narrativa de “Conto carioca”, o cronista chama a atenção para
    Escolha uma alternativa para a questão 79a1a2a5-07
  • 799CCD2F-07

    Português

    Figuras de Linguagem
    Centro Universitário São Camilo · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Examine a tira do cartunista americano Bill Watterson.

    Imagem da questão de Português, Centro Universitário São Camilo 2018, Figuras de Linguagem
    (Criaturas bizarras de outro planeta!:
    as aventuras de Calvin & Haroldo, 2011.)

    No último quadrinho, o garoto Calvin faz uso do seguinte recurso expressivo:
    Escolha uma alternativa para a questão 799ccd2f-07
  • B1EFC010-05

    Português

    Interpretação de Textos
    Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    Imagem da questão de Português, Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário 2018, Interpretação de Textos

    A compreensão dessa peça da publicidade nacional exige atenção para:

    1) o caráter homonímico de algumas palavras.
    2) o peso do contexto na interpretação das palavras.
    3) a polissemia e a possibilidade de ambiguidade de certas expressões.

    Estão corretas:
    Escolha uma alternativa para a questão b1efc010-05
  • B1ECB48A-05

    Português

    Concordância verbal, Concordância nominal
    Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    Como e por que leio o romance brasileiro

         Leitora apaixonada, fã de carteirinha, me envolvo com os romances de que gosto: curto, torço, roo as unhas, leio de novo um pedaço que tenha me agradado de forma particular. Se não gosto, largo no meio ou até no começo. O autor tem vinte ou trinta páginas para me convencer de que seu livro vai fazer diferença. Pois acredito piamente que a leitura faz a diferença. Se não, adeus! O livro volta para a estante e vou cuidar de outra coisa...
          Ao terminar a leitura de um romance de que gosto, fico com vontade de dividi-lo com os amigos. Recomendar a leitura, emprestar, dar de presente. Mas, sobretudo, discutir. Nada melhor do que conversar sobre livros... eu acho uma coisa, meu amigo acha outra, a colega discorda de nós dois...
         Na discussão, pode tudo, só não pode não achar nada nem concordar com todo mundo. No fim do papo, cada um fica mais cada um, ouvindo os outros. Quem sabe o livro tem mais de um sentido? Como foi mesmo aquele lance? E aquele personagem... vilão ou herói?
           Na minha geração e nas minhas relações, é assim que se lê romance.
        A leitura de romance, no entanto, não é só esta leitura envolvida e vertiginosa. Junto com o suspense, ao lado do mergulho na história, transcorre o tempo de decantação. Enredo, linguagem e personagens depositam-se no leitor. Passam a fazer parte da vida de quem lê. Vêm à tona meio sem aviso, aos pedaços, evocados não se sabe bem por quais articulações...
        Vida e literatura enredam-se em bons e em maus momentos, e os romances que leio passam a fazer parte da minha vida, me expressam em várias situações.

    Marisa Lajolo. Como e por que ler o romance brasileiro. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004, p. 13-14.
    As normas sintáticas da concordância e da regência verbal foram integralmente respeitadas na seguinte alternativa:
    Escolha uma alternativa para a questão b1ecb48a-05
  • B1E90119-05

    Português

    Interpretação de Textos
    Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Como e por que leio o romance brasileiro

         Leitora apaixonada, fã de carteirinha, me envolvo com os romances de que gosto: curto, torço, roo as unhas, leio de novo um pedaço que tenha me agradado de forma particular. Se não gosto, largo no meio ou até no começo. O autor tem vinte ou trinta páginas para me convencer de que seu livro vai fazer diferença. Pois acredito piamente que a leitura faz a diferença. Se não, adeus! O livro volta para a estante e vou cuidar de outra coisa...
          Ao terminar a leitura de um romance de que gosto, fico com vontade de dividi-lo com os amigos. Recomendar a leitura, emprestar, dar de presente. Mas, sobretudo, discutir. Nada melhor do que conversar sobre livros... eu acho uma coisa, meu amigo acha outra, a colega discorda de nós dois...
         Na discussão, pode tudo, só não pode não achar nada nem concordar com todo mundo. No fim do papo, cada um fica mais cada um, ouvindo os outros. Quem sabe o livro tem mais de um sentido? Como foi mesmo aquele lance? E aquele personagem... vilão ou herói?
           Na minha geração e nas minhas relações, é assim que se lê romance.
        A leitura de romance, no entanto, não é só esta leitura envolvida e vertiginosa. Junto com o suspense, ao lado do mergulho na história, transcorre o tempo de decantação. Enredo, linguagem e personagens depositam-se no leitor. Passam a fazer parte da vida de quem lê. Vêm à tona meio sem aviso, aos pedaços, evocados não se sabe bem por quais articulações...
        Vida e literatura enredam-se em bons e em maus momentos, e os romances que leio passam a fazer parte da minha vida, me expressam em várias situações.

    Marisa Lajolo. Como e por que ler o romance brasileiro. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004, p. 13-14.
    Na crônica vista acima, Marisa Lajolo revela que adota uma concepção de leitura:
    Escolha uma alternativa para a questão b1e90119-05
  • B1E5BD2E-05

    Português

    Interpretação de Textos
    Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    Como e por que leio o romance brasileiro

         Leitora apaixonada, fã de carteirinha, me envolvo com os romances de que gosto: curto, torço, roo as unhas, leio de novo um pedaço que tenha me agradado de forma particular. Se não gosto, largo no meio ou até no começo. O autor tem vinte ou trinta páginas para me convencer de que seu livro vai fazer diferença. Pois acredito piamente que a leitura faz a diferença. Se não, adeus! O livro volta para a estante e vou cuidar de outra coisa...
          Ao terminar a leitura de um romance de que gosto, fico com vontade de dividi-lo com os amigos. Recomendar a leitura, emprestar, dar de presente. Mas, sobretudo, discutir. Nada melhor do que conversar sobre livros... eu acho uma coisa, meu amigo acha outra, a colega discorda de nós dois...
         Na discussão, pode tudo, só não pode não achar nada nem concordar com todo mundo. No fim do papo, cada um fica mais cada um, ouvindo os outros. Quem sabe o livro tem mais de um sentido? Como foi mesmo aquele lance? E aquele personagem... vilão ou herói?
           Na minha geração e nas minhas relações, é assim que se lê romance.
        A leitura de romance, no entanto, não é só esta leitura envolvida e vertiginosa. Junto com o suspense, ao lado do mergulho na história, transcorre o tempo de decantação. Enredo, linguagem e personagens depositam-se no leitor. Passam a fazer parte da vida de quem lê. Vêm à tona meio sem aviso, aos pedaços, evocados não se sabe bem por quais articulações...
        Vida e literatura enredam-se em bons e em maus momentos, e os romances que leio passam a fazer parte da minha vida, me expressam em várias situações.

    Marisa Lajolo. Como e por que ler o romance brasileiro. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004, p. 13-14.
    O Texto, da autora Marisa Lajolo, constitui um exemplar do ‘gênero de texto declaração pessoal’, o que justifica:
    Escolha uma alternativa para a questão b1e5bd2e-05
  • B1E23A87-05

    Português

    Interpretação de Textos
    Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Nós, os brasileiros.


        Uma editora europeia me pede que traduza poemas de autores estrangeiros sobre o Brasil.

        Como sempre, eles falam da floresta amazônica, uma floresta muito pouco real, aliás. Um bosque poético, com “mulheres de corpos alvíssimos espreitando entre os troncos das árvores e olhos de serpentes hirtas acariciando esses corpos como dedos amorosos”. Não faltam flores azuis, rios cristalinos e tigres mágicos. Traduzo os poemas por dever de ofício, mas com uma secreta – e nunca realizada – vontade de inserir ali um grãozinho de realidade.

         Nas minhas idas ao Exterior, onde convivi, sobretudo com escritores, professores e estudantes universitários – portanto, gente razoavelmente culta –, fui invariavelmente surpreendida com a profunda ignorância a respeito de quem, como e o que somos.

        – A senhora é brasileira? Comentaram espantados alunos de uma Universidade americana famosa: – Mas a senhora é loira!

         Depois de ler, num Congresso de escritores em Amsterdã, um trecho de um de meus romances traduzidos em inglês, ouvi de um senhor, dono de um antiquário famoso, que segurou comovido minhas duas mãos:

         – Que maravilha! Nunca imaginei que no Brasil houvesse pessoas cultas!

         Pior ainda, no Canadá, alguém exclamou incrédulo:

         – Escritora brasileira? Ué, mas no Brasil existem editoras?

        A culminância foi a observação de uma crítica berlinense, num artigo sobre um romance meu editado por lá, acrescentando, a alguns elogios, a grave restrição: “porém não parece livro brasileiro, pois não fala nem de plantas, nem de índios, nem de bichos.”

       Diante dos três poemas sobre o Brasil, esquisitos para qualquer brasileiro, pensei mais uma vez que esse desconhecimento não se deve apenas à natural alienação estrangeira quanto ao geograficamente fora de seus interesses, mas também é culpa nossa. Pois o que mais exportamos de nós é o exótico e o folclórico.

        Em uma feira do livro de Frankfurt, no espaço brasileiro, o que se via eram livros (não muito bem arrumados), muita caipirinha na mesa, e televisões mostrando carnaval, futebol, praias e ... matos.

        E eu, mulher essencialmente urbana, escritora das geografias interiores de meus personagens neuróticos, me senti tão deslocada quanto um macaco em uma loja de cristais. Mesmo que tentasse explicar, ninguém acreditaria que eu era tão brasileira quanto qualquer negra de origem africana vendendo acarajé nas ruas de Salvador. Porque o Brasil é tudo isso.

        E nem a cor de meu cabelo e olhos, nem meu sobrenome, nem os livros que li na infância, nem o idioma que falei naquele tempo, além do português, me fazem menos nascida e vivida nesta terra de tão surpreendentes misturas: imensa, desaproveitada, instigante e (por que ter medo da palavra?) maravilhosa!


    (Lya Luft. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 49-51) 

    Frente aos comentários que ouvia em seus diferentes contatos, o sentimento que a autora revela é de:

    1) inconformidade; executa seu ofício mas com uma oculta disposição para “inserir ali um grãozinho de realidade”.
    2) desilusão; “mesmo se tentasse explicar, ninguém acreditaria que eu era brasileira”.
    3) um certo desapontamento: “me senti tão deslocada quanto um macaco em uma loja de cristais”.
    4) deslumbramento; “nesta terra de tão surpreendentes misturas!”

    Estão corretas as alternativas:
    Escolha uma alternativa para a questão b1e23a87-05
  • B1DE8A1B-05

    Português

    Interpretação de Textos
    Centro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Nós, os brasileiros.


        Uma editora europeia me pede que traduza poemas de autores estrangeiros sobre o Brasil.

        Como sempre, eles falam da floresta amazônica, uma floresta muito pouco real, aliás. Um bosque poético, com “mulheres de corpos alvíssimos espreitando entre os troncos das árvores e olhos de serpentes hirtas acariciando esses corpos como dedos amorosos”. Não faltam flores azuis, rios cristalinos e tigres mágicos. Traduzo os poemas por dever de ofício, mas com uma secreta – e nunca realizada – vontade de inserir ali um grãozinho de realidade.

         Nas minhas idas ao Exterior, onde convivi, sobretudo com escritores, professores e estudantes universitários – portanto, gente razoavelmente culta –, fui invariavelmente surpreendida com a profunda ignorância a respeito de quem, como e o que somos.

        – A senhora é brasileira? Comentaram espantados alunos de uma Universidade americana famosa: – Mas a senhora é loira!

         Depois de ler, num Congresso de escritores em Amsterdã, um trecho de um de meus romances traduzidos em inglês, ouvi de um senhor, dono de um antiquário famoso, que segurou comovido minhas duas mãos:

         – Que maravilha! Nunca imaginei que no Brasil houvesse pessoas cultas!

         Pior ainda, no Canadá, alguém exclamou incrédulo:

         – Escritora brasileira? Ué, mas no Brasil existem editoras?

        A culminância foi a observação de uma crítica berlinense, num artigo sobre um romance meu editado por lá, acrescentando, a alguns elogios, a grave restrição: “porém não parece livro brasileiro, pois não fala nem de plantas, nem de índios, nem de bichos.”

       Diante dos três poemas sobre o Brasil, esquisitos para qualquer brasileiro, pensei mais uma vez que esse desconhecimento não se deve apenas à natural alienação estrangeira quanto ao geograficamente fora de seus interesses, mas também é culpa nossa. Pois o que mais exportamos de nós é o exótico e o folclórico.

        Em uma feira do livro de Frankfurt, no espaço brasileiro, o que se via eram livros (não muito bem arrumados), muita caipirinha na mesa, e televisões mostrando carnaval, futebol, praias e ... matos.

        E eu, mulher essencialmente urbana, escritora das geografias interiores de meus personagens neuróticos, me senti tão deslocada quanto um macaco em uma loja de cristais. Mesmo que tentasse explicar, ninguém acreditaria que eu era tão brasileira quanto qualquer negra de origem africana vendendo acarajé nas ruas de Salvador. Porque o Brasil é tudo isso.

        E nem a cor de meu cabelo e olhos, nem meu sobrenome, nem os livros que li na infância, nem o idioma que falei naquele tempo, além do português, me fazem menos nascida e vivida nesta terra de tão surpreendentes misturas: imensa, desaproveitada, instigante e (por que ter medo da palavra?) maravilhosa!


    (Lya Luft. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 49-51) 

    Uma convincente justificativa, para o ponto dominante de que trata o Texto, está expressa na seguinte alternativa:
    Escolha uma alternativa para a questão b1de8a1b-05