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Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

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1.320 questões encontradas. Mostrando a página 55 de 66.

  • 327A7257-DD

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
         Em texto publicado no New York Times, Neal Gabler, da Universidade do Sul da Califórnia, argumenta que vivemos em uma sociedade na qual ter informações tornou-se mais importante do que pensar: uma era pós-ideias(...). Seu ponto de partida é uma constatação desconcertante: vivemos em uma sociedade vazia de grandes ideias, leia-se, conceitos e teorias influentes, capazes de mudar nossa maneira de ver o mundo. (...) Não somos menos inteligentes do que nossos ancestrais. A razão para a esqualidez de nossas ideias, segundo o autor, é que vivemos em um mundo no qual ideias que não podem ser rapidamente transformadas em negócios, lucros, são relegadas às margens. Tal condição é acompanhada pelo declínio dos ideais iluministas – o primado da razão, da ciência e da lógica – e a ascensão da superstição, da fé e da ortodoxia. (...)

        O autor aponta que a principal causa da debilidade das nossas ideias é o excesso de informações. Hoje, graças à internet, temos acesso facilitado a qualquer informação, de qualquer fonte, em qualquer parte do planeta. Colocamos a informação acima do conhecimento. Temos acesso a tantas informações que não temos tempo para processá-las. (...) Saber, ou possuir informação, tornou-se mais importante do que conhecer; mais importante porque tem mais valor, porque nos mantêm à tona, conectados em nossas infinitas redes de pseudorrelações.

       As novas gerações estão adotando maciçamente as mídias sociais, fazendo delas sua forma primária de comunicação. Para Glaber, tais mídias fomentam hábitos mentais que são opostos àqueles necessários para gerar ideias. Elas substituem raciocínios lógicos e argumentos por fragmentos de comunicação e opiniões descompromissadas.

       O mesmo fenômeno atinge as gerações mais velhas. Nas empresas, muitos executivos passam parte considerável de seu tempo captando fragmentos de notícias sobre mercados, concorrentes e clientes. (...) Vivem a colher informações e distribuí-las, sem vontade ou tempo para analisá-las. Tornam-se máquinas de captação e reprodução. À noite, em casa, repetem o comportamento nas mídias sociais. Seguem a vida dos amigos e dos amigos dos amigos; comunicam-se por uma orgia de imagens e frases curtas, signos cheios de significado e vazios de sentido. (Carta Capital, 16/10/2011)

    Analise as assertivas dadas a seguir.

    I) A sociedade atual não produz conhecimentos impactantes.

    II) No mundo em que vivemos, a ciência tem pouco valor; predominam as ideias infundadas, e os dogmatismos.

    III) Com tanta informação disponível, as novas gerações não precisam aprofundar seus conhecimentos: sabem de tudo um pouco.

    IV) Os ideais iluministas são muito marcantes e a sociedade atual não consegue ultrapassá-los.

    V) Na atualidade, as sociedades são regidas por interesses negociais que se traduzam em lucro.

    Assinale aquelas que estão de acordo com as ideias do texto.

    Escolha uma alternativa para a questão 327a7257-dd
  • B126655C-CE

    Português

    Interpretação de Textos
    IF Sul - MG · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    No conto de Clarice Lispector, o aspecto exótico, demarcado pela “raridade” da descoberta da “menor mulher do mundo”, é relativizado, principalmente, porque:
    Escolha uma alternativa para a questão b126655c-ce
  • B122D610-CE

    Português

    Interpretação de Textos
    IF Sul - MG · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    O conto “A menor mulher do mundo”, de Clarice Lispector, tem como tema a alteridade, ou seja, a relação Eu/Outro, marcada pelo tratamento da personagem feminina, Pequena Flor, como um objeto de curiosidade. Essa coisificação NÃO se concretiza na:
    Escolha uma alternativa para a questão b122d610-ce
  • B11F921A-CE

    Português

    Interpretação de Textos
    IF Sul - MG · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    Após a sua leitura da obra de Mário de Andrade, “Amar, verbo intransitivo”, assinale a alternativa que está de acordo com o seu enredo:
    Escolha uma alternativa para a questão b11f921a-ce
  • B11B892A-CE

    Português

    Interpretação de Textos
    IF Sul - MG · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Texto II


                                   Estrelas além do tempo

                                                                                                        Alex Gonçalves


          Após todas as discussões sobre representatividade que permearam o último ano hollywoodiano, “Estrelas Além do Tempo” [2016] se apresenta para o público com um timing perfeito. Há tempos não nos víamos inseridos em um cenário no qual as ideologias reacionárias estão tão evidentes, assim como os protestos em busca pela igualdade. Portanto, nada melhor do que a ficção para nos relembrar de outros períodos também nefastos que não calaram a atuação de heróis anônimos.

          No caso de “Estrelas Além do Tempo”, temos uma história que enaltece três figuras reais da NASA até então mantidas anônimas. Tratam-se de Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), três mulheres negras essenciais para o sucesso da missão do astronauta John Glenn (Glen Powell) em alcançar a lua.

          Entretanto, estamos aqui nos não tão distantes anos 1960, em uma Virgínia segregada e com poucos afroamericanos exercendo profissões que exigem um perfil lógico. Por isso mesmo, as vidas de Katherine, Dorothy e Mary foram triplamente difíceis justamente pela raça e gênero a que pertencem.

          Sempre unidas antes e após o expediente de trabalho, essas mulheres enfrentam sozinhas em suas competências os preconceitos que impedem as suas evoluções. Solicitada pelo departamento comandado por Al Harrison (Kevin Costner) para fazer os cálculos que devem assegurar o sucesso da decolagem do foguete que lançará John Glenn às alturas, Katherine é diariamente hostilizada pelos colegas, todos homens e brancos. Já em seu setor, Dorothy tem todos os seus pedidos de promoção sabotados pelo intermédio de Vivian (Kirsten Dunst), enquanto Mary não consegue desempenhar a função de engenheira por ser impedida de ingressar em uma universidade.

          Mesmo com todas essas circunstâncias, elas não desistirão de provar as singularidades que possuem, visualizando os obstáculos não como limites, mas como incentivos para continuarem perseverando. Temos com isso aquele modelo de narrativa cinematográfica que encanta desde os tempos do tramp de Charlie Chaplin, no qual a vontade para ganhar um lugar ao sol é maior do que as adversidades.

          Diretor de “Um Santo Vizinho”, Theodore Melfi se apropria do texto de Allison Schroeder compreendendo muito bem as características desse cinema inspirado e inspirador, contornando com traços ficcionais uma história real para ser efetivo principalmente em seus gritos de protesto. É especialmente arrebatadora a explosão de Katherine ao finalmente externar a sua humilhação ao precisar se prestar a um trajeto de mais de um quilômetro para ir ao banheiro exclusivo para negros. Não ficam muito atrás o fervor de Dorothy e Mary em se provarem extremamente capazes de enfrentar novos desafios.

          Além do mais, Melfi conduz com uma fluidez invejável algo que, em teoria, não tem qualquer encanto. Mesmo o mais avesso aos raciocínios de exatas se verão imediatamente hipnotizados com números e fórmulas que se revelam não somente como uma ciência complexa, como também como instrumentos sociais que só engrenam quando os seus operadores se reconhecem como semelhantes.

                                                                                      Publicado em 09/02/2017.

    Disponível em:<http://cineresenhas.com.br/2017/02/09/resenha-critica-estrelas-alem-do-tempo-2016/>. Acesso em: 30/03/2018.

    Entretanto, estamos aqui nos não tão distantes anos 1960, em uma Virgínia segregada e com poucos afro-americanos exercendo profissões que exigem um perfil lógico. Por isso mesmo, as vidas de Katherine, Dorothy e Mary foram triplamente difíceis justamente pela raça e gênero a que pertencem.”


    No trecho acima, os termos grifados indicam relações semânticas de:

    Escolha uma alternativa para a questão b11b892a-ce
  • B1180B4C-CE

    Português

    Interpretação de Textos
    IF Sul - MG · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Texto II


                                   Estrelas além do tempo

                                                                                                        Alex Gonçalves


          Após todas as discussões sobre representatividade que permearam o último ano hollywoodiano, “Estrelas Além do Tempo” [2016] se apresenta para o público com um timing perfeito. Há tempos não nos víamos inseridos em um cenário no qual as ideologias reacionárias estão tão evidentes, assim como os protestos em busca pela igualdade. Portanto, nada melhor do que a ficção para nos relembrar de outros períodos também nefastos que não calaram a atuação de heróis anônimos.

          No caso de “Estrelas Além do Tempo”, temos uma história que enaltece três figuras reais da NASA até então mantidas anônimas. Tratam-se de Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), três mulheres negras essenciais para o sucesso da missão do astronauta John Glenn (Glen Powell) em alcançar a lua.

          Entretanto, estamos aqui nos não tão distantes anos 1960, em uma Virgínia segregada e com poucos afroamericanos exercendo profissões que exigem um perfil lógico. Por isso mesmo, as vidas de Katherine, Dorothy e Mary foram triplamente difíceis justamente pela raça e gênero a que pertencem.

          Sempre unidas antes e após o expediente de trabalho, essas mulheres enfrentam sozinhas em suas competências os preconceitos que impedem as suas evoluções. Solicitada pelo departamento comandado por Al Harrison (Kevin Costner) para fazer os cálculos que devem assegurar o sucesso da decolagem do foguete que lançará John Glenn às alturas, Katherine é diariamente hostilizada pelos colegas, todos homens e brancos. Já em seu setor, Dorothy tem todos os seus pedidos de promoção sabotados pelo intermédio de Vivian (Kirsten Dunst), enquanto Mary não consegue desempenhar a função de engenheira por ser impedida de ingressar em uma universidade.

          Mesmo com todas essas circunstâncias, elas não desistirão de provar as singularidades que possuem, visualizando os obstáculos não como limites, mas como incentivos para continuarem perseverando. Temos com isso aquele modelo de narrativa cinematográfica que encanta desde os tempos do tramp de Charlie Chaplin, no qual a vontade para ganhar um lugar ao sol é maior do que as adversidades.

          Diretor de “Um Santo Vizinho”, Theodore Melfi se apropria do texto de Allison Schroeder compreendendo muito bem as características desse cinema inspirado e inspirador, contornando com traços ficcionais uma história real para ser efetivo principalmente em seus gritos de protesto. É especialmente arrebatadora a explosão de Katherine ao finalmente externar a sua humilhação ao precisar se prestar a um trajeto de mais de um quilômetro para ir ao banheiro exclusivo para negros. Não ficam muito atrás o fervor de Dorothy e Mary em se provarem extremamente capazes de enfrentar novos desafios.

          Além do mais, Melfi conduz com uma fluidez invejável algo que, em teoria, não tem qualquer encanto. Mesmo o mais avesso aos raciocínios de exatas se verão imediatamente hipnotizados com números e fórmulas que se revelam não somente como uma ciência complexa, como também como instrumentos sociais que só engrenam quando os seus operadores se reconhecem como semelhantes.

                                                                                      Publicado em 09/02/2017.

    Disponível em:<http://cineresenhas.com.br/2017/02/09/resenha-critica-estrelas-alem-do-tempo-2016/>. Acesso em: 30/03/2018.

    De acordo com o autor, “Estrelas além do tempo” apresenta um “timing perfeito” porque:
    Escolha uma alternativa para a questão b1180b4c-ce
  • B1140A50-CE

    Português

    Interpretação de Textos
    IF Sul - MG · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, IF Sul - MG 2018, Interpretação de Textos


    Em relação à tirinha acima, NÃO está correto o que se afirma em:

    Escolha uma alternativa para a questão b1140a50-ce
  • B11016D3-CE

    Português

    Interpretação de Textos
    IF Sul - MG · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    A ilustração abaixo faz parte do projeto “Coisa de Mulher”. Segundo Raquel Vitorelo, artista que criou o projeto em 2015, a proposta “consiste na criação de ilustrações que buscam resgatar e homenagear mulheres históricas, mostrando que ‘coisa de mulher’ é muito mais do que somos levados a acreditar, trazendo assim evidência de que a história é construída por mulheres de todos os tipos, em todas as áreas do conhecimento, do esporte e das artes”


                     Imagem da questão de Português, IF Sul - MG 2018, Interpretação de Textos


    Considerando as possíveis relações entre a campanha “Coisa de Mulher” e o texto I, avalie as afirmações abaixo.


    I- A ilustração, ao utilizar como slogan a expressão “coisa de mulher”, opõe-se à noção de gênero apresentada no texto I, pois reafirma que existem papéis exclusivamente femininos.

    II- Assim como no texto I, a referência a Simone de Beauvoir na ilustração problematiza a noção naturalizada acerca do que é ser mulher, mostrando que essa é uma construção histórica e social.

    III- A campanha “Coisa de mulher” estabelece uma relação de confronto com o mito da Mulher, trazendo, por meio de suas ilustrações, a “existência múltipla das mulheres” em oposição ao “Eterno Feminino único e cristalizado”.


    Julga-se como correto o que se apresenta em: 

    Escolha uma alternativa para a questão b11016d3-ce
  • B10C07F5-CE

    Português

    Advérbios
    IF Sul - MG · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, IF Sul - MG 2018, Advérbios

    Considerando a leitura integral do texto I, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão b10c07f5-ce
  • B1084DF9-CE

    Português

    Interpretação de Textos
    IF Sul - MG · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, IF Sul - MG 2018, Interpretação de Textos

    Assinale o trecho retirado do texto I que melhor justifica o título “O gênero da ciência ou sobre silêncios e temores em torno de uma epistemologia feminista”:
    Escolha uma alternativa para a questão b1084df9-ce
  • B1043A6E-CE

    Português

    Interpretação de Textos
    IF Sul - MG · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, IF Sul - MG 2018, Interpretação de Textos

    A partir da leitura do texto I, conclui-se que:
    Escolha uma alternativa para a questão b1043a6e-ce
  • 87F87C92-CD

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-SE · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO II

    – Puxa vida! Este Cabo Viloso é homem até debaixo d’água!
    – Arre, égua! Este sim, tem coragem de mamar em onça!
    A bem da verdade, eu nunca soube se, naquele momento eles aplaudiam o cabo por sua postura empombada, ou se pilheriavam às suas costas. Será que botavam fogo no coitado, fingindo enaltecer-lhe a bravura? Em Contendas do Papudo, o que não falta é cabra safado e gaiato. DANTAS, Francisco J. C. Cabo Josino Viloso. São Paulo: Planeta, 2005.


    No Texto II, o emprego das expressões “arre, égua”, “coragem de mamar em onça” e “cabra safado” contribui para: 

    Escolha uma alternativa para a questão 87f87c92-cd
  • 87F50CC2-CD

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-SE · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    PORTUGUÊS

    TEXTO I 

    Depois, chegou o Natal, o Ano-Novo que passaram juntos, recusando convites dos colegas de repartição. Raul deu a Saul uma reprodução do Nascimento de Vênus, de Botticelli, que ele colocou na parede exatamente onde estivera o quadro de Van Gogh. Saul deu a Raul um disco chamado Os grandes sucessos de Dalva de Oliveira. A faixa que mais ouviram foi Nossas Vidas, prestando atenção naquele trechinho que dizia “até nossos beijos parecem beijos de quem nunca amou”.

    Foi na noite de trinta e um, aberta a champanhe na quitinete de Raul, que Saul ergueu a taça e brindou à nossa amizade que nunca vai terminar. Beberam até quase cair. Na hora de deitar, trocando a roupa no banheiro, muito bêbado, Saul falou que ia dormir nu. Raul olhou para ele e disse você tem um corpo bonito. Você também, disse Saul, e baixou os olhos. Deitaram ambos nus, um na cama atrás do guarda-roupa, outro no sofá. Quase a noite inteira, um conseguia ver a brasa acesa do cigarro do outro, furando o escuro feito um demônio de olhos incendiados. Pela manhã, Saul foi embora sem se despedir para que Raul não percebesse suas fundas olheiras.

    Quando janeiro começou, quase na época de tirarem férias — e tinham planejado, juntos, quem sabe Parati, Ouro Preto, Porto Seguro — ficaram surpresos naquela manhã em que o chefe de seção os chamou, perto do meio-dia. Fazia muito calor. Suarento, o chefe foi direto ao assunto. Tinha recebido algumas cartas anônimas. Recusou-se a mostrá-las. Pálidos, os dois ouviram expressões como "relação anormal e ostensiva", "desavergonhada aberração", "comportamento doentio", "psicologia deformada", sempre assinadas por Um Atento Guardião da Moral. Saul baixou os olhos desmaiados, mas Raul colocou-se em pé. Parecia muito alto quando, com uma das mãos apoiadas no ombro do amigo e a outra erguendo-se atrevida no ar, conseguiu ainda dizer a palavra nunca, antes que o chefe, entre coisas como a-reputação-de-nossa-firma ou tenho-que-zelar-pela-moral-dos-meus-funcionários, declarasse frio: os senhores estão despedidos.

    Esvaziaram lentamente cada um a sua gaveta, a sala deserta na hora do almoço, sem se olharem nos olhos.O sol de verão escaldava o tampo de metal das mesas. Raul guardou no grande envelope pardo um par de olhos enormes, sem íris nem pupilas, presente de Saul, que guardou no seu grande envelope pardo, com algumas manchas de café, a letra de Tú Me Acostumbraste, escrita à mão por Raul numa tarde qualquer de agosto e com algumas manchas de café. Desceram juntos pelo elevador, em silêncio.

    Mas quando saíram pela porta daquele prédio grande e antigo, parecido com uma clínica ou uma penitenciária, vistos de cima pelos colegas todos postos na janela, a camisa branca de um, a azul do outro, estavam ainda mais altos e mais altivos. Demoraram alguns minutos na frente do edifício. Depois apanharam o mesmo táxi, Raul abrindo a porta para que Saul entrasse. Ai-ai! alguém gritou da janela. Mas eles não ouviram. O táxi já tinha dobrado a esquina.

    Pelas tardes poeirentas daquele resto de janeiro, quando o sol parecia a gema de um enorme ovo frito no azul sem nuvens no céu, ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E foram.


    ABREU, Caio Fernando. Morangos mofados. Rio de Janeiro: Agir, 2005. 


    Partindo do Texto I e considerando, em seu conjunto, a obra Morangos Mofados de Caio Fernando Abreu, está INCORRETO o que se afirma em:
    Escolha uma alternativa para a questão 87f50cc2-cd
  • 87F1235C-CD

    Português

    Denotação e Conotação
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    PORTUGUÊS

    TEXTO I 

    Depois, chegou o Natal, o Ano-Novo que passaram juntos, recusando convites dos colegas de repartição. Raul deu a Saul uma reprodução do Nascimento de Vênus, de Botticelli, que ele colocou na parede exatamente onde estivera o quadro de Van Gogh. Saul deu a Raul um disco chamado Os grandes sucessos de Dalva de Oliveira. A faixa que mais ouviram foi Nossas Vidas, prestando atenção naquele trechinho que dizia “até nossos beijos parecem beijos de quem nunca amou”.

    Foi na noite de trinta e um, aberta a champanhe na quitinete de Raul, que Saul ergueu a taça e brindou à nossa amizade que nunca vai terminar. Beberam até quase cair. Na hora de deitar, trocando a roupa no banheiro, muito bêbado, Saul falou que ia dormir nu. Raul olhou para ele e disse você tem um corpo bonito. Você também, disse Saul, e baixou os olhos. Deitaram ambos nus, um na cama atrás do guarda-roupa, outro no sofá. Quase a noite inteira, um conseguia ver a brasa acesa do cigarro do outro, furando o escuro feito um demônio de olhos incendiados. Pela manhã, Saul foi embora sem se despedir para que Raul não percebesse suas fundas olheiras.

    Quando janeiro começou, quase na época de tirarem férias — e tinham planejado, juntos, quem sabe Parati, Ouro Preto, Porto Seguro — ficaram surpresos naquela manhã em que o chefe de seção os chamou, perto do meio-dia. Fazia muito calor. Suarento, o chefe foi direto ao assunto. Tinha recebido algumas cartas anônimas. Recusou-se a mostrá-las. Pálidos, os dois ouviram expressões como "relação anormal e ostensiva", "desavergonhada aberração", "comportamento doentio", "psicologia deformada", sempre assinadas por Um Atento Guardião da Moral. Saul baixou os olhos desmaiados, mas Raul colocou-se em pé. Parecia muito alto quando, com uma das mãos apoiadas no ombro do amigo e a outra erguendo-se atrevida no ar, conseguiu ainda dizer a palavra nunca, antes que o chefe, entre coisas como a-reputação-de-nossa-firma ou tenho-que-zelar-pela-moral-dos-meus-funcionários, declarasse frio: os senhores estão despedidos.

    Esvaziaram lentamente cada um a sua gaveta, a sala deserta na hora do almoço, sem se olharem nos olhos.O sol de verão escaldava o tampo de metal das mesas. Raul guardou no grande envelope pardo um par de olhos enormes, sem íris nem pupilas, presente de Saul, que guardou no seu grande envelope pardo, com algumas manchas de café, a letra de Tú Me Acostumbraste, escrita à mão por Raul numa tarde qualquer de agosto e com algumas manchas de café. Desceram juntos pelo elevador, em silêncio.

    Mas quando saíram pela porta daquele prédio grande e antigo, parecido com uma clínica ou uma penitenciária, vistos de cima pelos colegas todos postos na janela, a camisa branca de um, a azul do outro, estavam ainda mais altos e mais altivos. Demoraram alguns minutos na frente do edifício. Depois apanharam o mesmo táxi, Raul abrindo a porta para que Saul entrasse. Ai-ai! alguém gritou da janela. Mas eles não ouviram. O táxi já tinha dobrado a esquina.

    Pelas tardes poeirentas daquele resto de janeiro, quando o sol parecia a gema de um enorme ovo frito no azul sem nuvens no céu, ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E foram.


    ABREU, Caio Fernando. Morangos mofados. Rio de Janeiro: Agir, 2005. 


    Denotação e conotação são duas estratégias por meio das quais se ativam o jogo de sentidos proporcionados pelo uso das palavras no texto. O fragmento do Texto I em que se faz uso da linguagem conotativa é:
    Escolha uma alternativa para a questão 87f1235c-cd
  • 87ED7815-CD

    Português

    Análise sintática
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    PORTUGUÊS

    TEXTO I 

    Depois, chegou o Natal, o Ano-Novo que passaram juntos, recusando convites dos colegas de repartição. Raul deu a Saul uma reprodução do Nascimento de Vênus, de Botticelli, que ele colocou na parede exatamente onde estivera o quadro de Van Gogh. Saul deu a Raul um disco chamado Os grandes sucessos de Dalva de Oliveira. A faixa que mais ouviram foi Nossas Vidas, prestando atenção naquele trechinho que dizia “até nossos beijos parecem beijos de quem nunca amou”.

    Foi na noite de trinta e um, aberta a champanhe na quitinete de Raul, que Saul ergueu a taça e brindou à nossa amizade que nunca vai terminar. Beberam até quase cair. Na hora de deitar, trocando a roupa no banheiro, muito bêbado, Saul falou que ia dormir nu. Raul olhou para ele e disse você tem um corpo bonito. Você também, disse Saul, e baixou os olhos. Deitaram ambos nus, um na cama atrás do guarda-roupa, outro no sofá. Quase a noite inteira, um conseguia ver a brasa acesa do cigarro do outro, furando o escuro feito um demônio de olhos incendiados. Pela manhã, Saul foi embora sem se despedir para que Raul não percebesse suas fundas olheiras.

    Quando janeiro começou, quase na época de tirarem férias — e tinham planejado, juntos, quem sabe Parati, Ouro Preto, Porto Seguro — ficaram surpresos naquela manhã em que o chefe de seção os chamou, perto do meio-dia. Fazia muito calor. Suarento, o chefe foi direto ao assunto. Tinha recebido algumas cartas anônimas. Recusou-se a mostrá-las. Pálidos, os dois ouviram expressões como "relação anormal e ostensiva", "desavergonhada aberração", "comportamento doentio", "psicologia deformada", sempre assinadas por Um Atento Guardião da Moral. Saul baixou os olhos desmaiados, mas Raul colocou-se em pé. Parecia muito alto quando, com uma das mãos apoiadas no ombro do amigo e a outra erguendo-se atrevida no ar, conseguiu ainda dizer a palavra nunca, antes que o chefe, entre coisas como a-reputação-de-nossa-firma ou tenho-que-zelar-pela-moral-dos-meus-funcionários, declarasse frio: os senhores estão despedidos.

    Esvaziaram lentamente cada um a sua gaveta, a sala deserta na hora do almoço, sem se olharem nos olhos.O sol de verão escaldava o tampo de metal das mesas. Raul guardou no grande envelope pardo um par de olhos enormes, sem íris nem pupilas, presente de Saul, que guardou no seu grande envelope pardo, com algumas manchas de café, a letra de Tú Me Acostumbraste, escrita à mão por Raul numa tarde qualquer de agosto e com algumas manchas de café. Desceram juntos pelo elevador, em silêncio.

    Mas quando saíram pela porta daquele prédio grande e antigo, parecido com uma clínica ou uma penitenciária, vistos de cima pelos colegas todos postos na janela, a camisa branca de um, a azul do outro, estavam ainda mais altos e mais altivos. Demoraram alguns minutos na frente do edifício. Depois apanharam o mesmo táxi, Raul abrindo a porta para que Saul entrasse. Ai-ai! alguém gritou da janela. Mas eles não ouviram. O táxi já tinha dobrado a esquina.

    Pelas tardes poeirentas daquele resto de janeiro, quando o sol parecia a gema de um enorme ovo frito no azul sem nuvens no céu, ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E foram.


    ABREU, Caio Fernando. Morangos mofados. Rio de Janeiro: Agir, 2005. 


    A estrutura sintática é uma importante ferramenta na organização e na progressão do texto. Considerando a organização sintática do segundo parágrafo do Texto I, é INCORRETO o que se afirma em:
    Escolha uma alternativa para a questão 87ed7815-cd
  • 87E96B4B-CD

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-SE · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    PORTUGUÊS

    TEXTO I 

    Depois, chegou o Natal, o Ano-Novo que passaram juntos, recusando convites dos colegas de repartição. Raul deu a Saul uma reprodução do Nascimento de Vênus, de Botticelli, que ele colocou na parede exatamente onde estivera o quadro de Van Gogh. Saul deu a Raul um disco chamado Os grandes sucessos de Dalva de Oliveira. A faixa que mais ouviram foi Nossas Vidas, prestando atenção naquele trechinho que dizia “até nossos beijos parecem beijos de quem nunca amou”.

    Foi na noite de trinta e um, aberta a champanhe na quitinete de Raul, que Saul ergueu a taça e brindou à nossa amizade que nunca vai terminar. Beberam até quase cair. Na hora de deitar, trocando a roupa no banheiro, muito bêbado, Saul falou que ia dormir nu. Raul olhou para ele e disse você tem um corpo bonito. Você também, disse Saul, e baixou os olhos. Deitaram ambos nus, um na cama atrás do guarda-roupa, outro no sofá. Quase a noite inteira, um conseguia ver a brasa acesa do cigarro do outro, furando o escuro feito um demônio de olhos incendiados. Pela manhã, Saul foi embora sem se despedir para que Raul não percebesse suas fundas olheiras.

    Quando janeiro começou, quase na época de tirarem férias — e tinham planejado, juntos, quem sabe Parati, Ouro Preto, Porto Seguro — ficaram surpresos naquela manhã em que o chefe de seção os chamou, perto do meio-dia. Fazia muito calor. Suarento, o chefe foi direto ao assunto. Tinha recebido algumas cartas anônimas. Recusou-se a mostrá-las. Pálidos, os dois ouviram expressões como "relação anormal e ostensiva", "desavergonhada aberração", "comportamento doentio", "psicologia deformada", sempre assinadas por Um Atento Guardião da Moral. Saul baixou os olhos desmaiados, mas Raul colocou-se em pé. Parecia muito alto quando, com uma das mãos apoiadas no ombro do amigo e a outra erguendo-se atrevida no ar, conseguiu ainda dizer a palavra nunca, antes que o chefe, entre coisas como a-reputação-de-nossa-firma ou tenho-que-zelar-pela-moral-dos-meus-funcionários, declarasse frio: os senhores estão despedidos.

    Esvaziaram lentamente cada um a sua gaveta, a sala deserta na hora do almoço, sem se olharem nos olhos.O sol de verão escaldava o tampo de metal das mesas. Raul guardou no grande envelope pardo um par de olhos enormes, sem íris nem pupilas, presente de Saul, que guardou no seu grande envelope pardo, com algumas manchas de café, a letra de Tú Me Acostumbraste, escrita à mão por Raul numa tarde qualquer de agosto e com algumas manchas de café. Desceram juntos pelo elevador, em silêncio.

    Mas quando saíram pela porta daquele prédio grande e antigo, parecido com uma clínica ou uma penitenciária, vistos de cima pelos colegas todos postos na janela, a camisa branca de um, a azul do outro, estavam ainda mais altos e mais altivos. Demoraram alguns minutos na frente do edifício. Depois apanharam o mesmo táxi, Raul abrindo a porta para que Saul entrasse. Ai-ai! alguém gritou da janela. Mas eles não ouviram. O táxi já tinha dobrado a esquina.

    Pelas tardes poeirentas daquele resto de janeiro, quando o sol parecia a gema de um enorme ovo frito no azul sem nuvens no céu, ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E foram.


    ABREU, Caio Fernando. Morangos mofados. Rio de Janeiro: Agir, 2005. 


    O conto “Aqueles dois” narra com suspense e sutileza a relação entre Saul e Raul, dois amigos que trabalham na mesma repartição e cuja amizade supria suas carências afetivas e suas angústias diante do mundo. O texto I é a última parte do conto e também é a mais tensa porque:

    Escolha uma alternativa para a questão 87e96b4b-cd
  • 10F57485-CC

    Português

    Concordância verbal, Concordância nominal
    IF-RR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Marque a alternativa que apresenta uma frase com equívoco de concordância nominal
    Escolha uma alternativa para a questão 10f57485-cc
  • 10EE8FCD-CC

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-RR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Os Estatutos do Homem

    (Ato Institucional Permanente)


    Artigo I

    Fica decretado que agora vale a verdade.

    agora vale a vida,

    e de mãos dadas,

    marcharemos todos pela vida verdadeira.


    Artigo II

    Fica decretado que todos os dias da semana,

    inclusive as terças-feiras mais cinzentas,

    têm direito a converter-se em manhãs de domingo.


    Artigo III

    Fica decretado que, a partir deste instante,

    haverá girassóis em todas as janelas,

    que os girassóis terão direito

    a abrir-se dentro da sombra;

    e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,

    abertas para o verde onde cresce a esperança.


    Artigo IV

    Fica decretado que o homem

    não precisará nunca mais

    duvidar do homem.

    Que o homem confiará no homem

    como a palmeira confia no vento,

    como o vento confia no ar,

    como o ar confia no campo azul do céu.


    Parágrafo único:

    O homem, confiará no homem

    como um menino confia em outro menino. 


    Artigo V

    Fica decretado que os homens

    estão livres do jugo da mentira.

    Nunca mais será preciso usar

    a couraça do silêncio

    nem a armadura de palavras.

    O homem se sentará à mesa

    com seu olhar limpo

    porque a verdade passará a ser servida

    antes da sobremesa.


    Artigo VI

    Fica estabelecida, durante dez séculos,

    a prática sonhada pelo profeta Isaías,

    e o lobo e o cordeiro pastarão juntos

    e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.


    Artigo VII

    Por decreto irrevogável fica estabelecido

    o reinado permanente da justiça e da claridade,

    e a alegria será uma bandeira generosa

    para sempre desfraldada na alma do povo.


    Artigo VIII

    Fica decretado que a maior dor

    sempre foi e será sempre

    não poder dar-se amor a quem se ama

    e saber que é a água

    que dá à planta o milagre da flor.


    Artigo IX

    Fica permitido que o pão de cada dia

    tenha no homem o sinal de seu suor.

    Mas que sobretudo tenha

    sempre o quente sabor da ternura.


    Artigo X

    Fica permitido a qualquer pessoa,

    qualquer hora da vida,

    uso do traje branco.


    Artigo XI

    Fica decretado, por definição,

    que o homem é um animal que ama

    e que por isso é belo,

    muito mais belo que a estrela da manhã.


    Artigo XII

    Decreta-se que nada será obrigado

    nem proibido,

    tudo será permitido,

    inclusive brincar com os rinocerontes

    e caminhar pelas tardes 

    com uma imensa begônia na lapela.


    Parágrafo único:

    Só uma coisa fica proibida:

    amar sem amor.


    Artigo XIII

    Fica decretado que o dinheiro

    não poderá nunca mais comprar

    o sol das manhãs vindouras.

    Expulso do grande baú do medo,

    o dinheiro se transformará em uma espada fraternal

    para defender o direito de cantar

    e a festa do dia que chegou.


    Artigo Final

    Fica proibido o uso da palavra liberdade,

    a qual será suprimida dos dicionários

    e do pântano enganoso das bocas.

    A partir deste instante

    a liberdade será algo vivo e transparente

    como um fogo ou um rio,

    e a sua morada será sempre

    o coração do homem.

    (Thiago de Mello. Os estatutos do homem. São Paulo, Vergara & Riba, 2001.)

    Nos versos “Fica decretado que os homens/estão livres do jugo da mentira”, o sentido figurado da palavra destacada “jugo” só não está correto em:
    Escolha uma alternativa para a questão 10ee8fcd-cc
  • 10EA79BF-CC

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-RR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Os Estatutos do Homem

    (Ato Institucional Permanente)


    Artigo I

    Fica decretado que agora vale a verdade.

    agora vale a vida,

    e de mãos dadas,

    marcharemos todos pela vida verdadeira.


    Artigo II

    Fica decretado que todos os dias da semana,

    inclusive as terças-feiras mais cinzentas,

    têm direito a converter-se em manhãs de domingo.


    Artigo III

    Fica decretado que, a partir deste instante,

    haverá girassóis em todas as janelas,

    que os girassóis terão direito

    a abrir-se dentro da sombra;

    e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,

    abertas para o verde onde cresce a esperança.


    Artigo IV

    Fica decretado que o homem

    não precisará nunca mais

    duvidar do homem.

    Que o homem confiará no homem

    como a palmeira confia no vento,

    como o vento confia no ar,

    como o ar confia no campo azul do céu.


    Parágrafo único:

    O homem, confiará no homem

    como um menino confia em outro menino. 


    Artigo V

    Fica decretado que os homens

    estão livres do jugo da mentira.

    Nunca mais será preciso usar

    a couraça do silêncio

    nem a armadura de palavras.

    O homem se sentará à mesa

    com seu olhar limpo

    porque a verdade passará a ser servida

    antes da sobremesa.


    Artigo VI

    Fica estabelecida, durante dez séculos,

    a prática sonhada pelo profeta Isaías,

    e o lobo e o cordeiro pastarão juntos

    e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.


    Artigo VII

    Por decreto irrevogável fica estabelecido

    o reinado permanente da justiça e da claridade,

    e a alegria será uma bandeira generosa

    para sempre desfraldada na alma do povo.


    Artigo VIII

    Fica decretado que a maior dor

    sempre foi e será sempre

    não poder dar-se amor a quem se ama

    e saber que é a água

    que dá à planta o milagre da flor.


    Artigo IX

    Fica permitido que o pão de cada dia

    tenha no homem o sinal de seu suor.

    Mas que sobretudo tenha

    sempre o quente sabor da ternura.


    Artigo X

    Fica permitido a qualquer pessoa,

    qualquer hora da vida,

    uso do traje branco.


    Artigo XI

    Fica decretado, por definição,

    que o homem é um animal que ama

    e que por isso é belo,

    muito mais belo que a estrela da manhã.


    Artigo XII

    Decreta-se que nada será obrigado

    nem proibido,

    tudo será permitido,

    inclusive brincar com os rinocerontes

    e caminhar pelas tardes 

    com uma imensa begônia na lapela.


    Parágrafo único:

    Só uma coisa fica proibida:

    amar sem amor.


    Artigo XIII

    Fica decretado que o dinheiro

    não poderá nunca mais comprar

    o sol das manhãs vindouras.

    Expulso do grande baú do medo,

    o dinheiro se transformará em uma espada fraternal

    para defender o direito de cantar

    e a festa do dia que chegou.


    Artigo Final

    Fica proibido o uso da palavra liberdade,

    a qual será suprimida dos dicionários

    e do pântano enganoso das bocas.

    A partir deste instante

    a liberdade será algo vivo e transparente

    como um fogo ou um rio,

    e a sua morada será sempre

    o coração do homem.

    (Thiago de Mello. Os estatutos do homem. São Paulo, Vergara & Riba, 2001.)

    Sobre o poema “Os Estatutos do Homem” de Thiago de Mello, todas as afirmativas são verdadeiras, exceto:
    Escolha uma alternativa para a questão 10ea79bf-cc
  • 10E6E045-CC

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-RR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Os Estatutos do Homem

    (Ato Institucional Permanente)


    Artigo I

    Fica decretado que agora vale a verdade.

    agora vale a vida,

    e de mãos dadas,

    marcharemos todos pela vida verdadeira.


    Artigo II

    Fica decretado que todos os dias da semana,

    inclusive as terças-feiras mais cinzentas,

    têm direito a converter-se em manhãs de domingo.


    Artigo III

    Fica decretado que, a partir deste instante,

    haverá girassóis em todas as janelas,

    que os girassóis terão direito

    a abrir-se dentro da sombra;

    e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,

    abertas para o verde onde cresce a esperança.


    Artigo IV

    Fica decretado que o homem

    não precisará nunca mais

    duvidar do homem.

    Que o homem confiará no homem

    como a palmeira confia no vento,

    como o vento confia no ar,

    como o ar confia no campo azul do céu.


    Parágrafo único:

    O homem, confiará no homem

    como um menino confia em outro menino. 


    Artigo V

    Fica decretado que os homens

    estão livres do jugo da mentira.

    Nunca mais será preciso usar

    a couraça do silêncio

    nem a armadura de palavras.

    O homem se sentará à mesa

    com seu olhar limpo

    porque a verdade passará a ser servida

    antes da sobremesa.


    Artigo VI

    Fica estabelecida, durante dez séculos,

    a prática sonhada pelo profeta Isaías,

    e o lobo e o cordeiro pastarão juntos

    e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.


    Artigo VII

    Por decreto irrevogável fica estabelecido

    o reinado permanente da justiça e da claridade,

    e a alegria será uma bandeira generosa

    para sempre desfraldada na alma do povo.


    Artigo VIII

    Fica decretado que a maior dor

    sempre foi e será sempre

    não poder dar-se amor a quem se ama

    e saber que é a água

    que dá à planta o milagre da flor.


    Artigo IX

    Fica permitido que o pão de cada dia

    tenha no homem o sinal de seu suor.

    Mas que sobretudo tenha

    sempre o quente sabor da ternura.


    Artigo X

    Fica permitido a qualquer pessoa,

    qualquer hora da vida,

    uso do traje branco.


    Artigo XI

    Fica decretado, por definição,

    que o homem é um animal que ama

    e que por isso é belo,

    muito mais belo que a estrela da manhã.


    Artigo XII

    Decreta-se que nada será obrigado

    nem proibido,

    tudo será permitido,

    inclusive brincar com os rinocerontes

    e caminhar pelas tardes 

    com uma imensa begônia na lapela.


    Parágrafo único:

    Só uma coisa fica proibida:

    amar sem amor.


    Artigo XIII

    Fica decretado que o dinheiro

    não poderá nunca mais comprar

    o sol das manhãs vindouras.

    Expulso do grande baú do medo,

    o dinheiro se transformará em uma espada fraternal

    para defender o direito de cantar

    e a festa do dia que chegou.


    Artigo Final

    Fica proibido o uso da palavra liberdade,

    a qual será suprimida dos dicionários

    e do pântano enganoso das bocas.

    A partir deste instante

    a liberdade será algo vivo e transparente

    como um fogo ou um rio,

    e a sua morada será sempre

    o coração do homem.

    (Thiago de Mello. Os estatutos do homem. São Paulo, Vergara & Riba, 2001.)

    Marque a opção falsa sobre o poema “Os Estatutos do Homem” de Thiago de Mello:
    Escolha uma alternativa para a questão 10e6e045-cc