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Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

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282 questões encontradas. Mostrando a página 1 de 15.

  • DBD53E17-8B

    Português

    Análise sintática
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne (1533-1592).


        Há alguma razão em fazer o julgamento de um homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas, tendo em vista a natural instabilidade de nossos costumes e opiniões, muitas vezes me pareceu que mesmo os bons autores estão errados em se obstinarem em formar de nós uma ideia constante e sólida. Escolhem um caráter universal e, seguindo essa imagem, vão arrumando e interpretando todas as ações de um personagem, e, se não conseguem torcê-las o suficiente, atribuem-nas à dissimulação. Creio mais dificilmente na constância dos homens do que em qualquer outra coisa, e em nada mais facilmente do que na inconstância. Quem os julgasse nos pormenores e separadamente, peça por peça, teria mais ocasiões de dizer a verdade.

        Em toda a Antiguidade é difícil escolher uma dúzia de homens que tenham ordenado sua vida num projeto definido e seguro, que é o principal objetivo da sabedoria. Pois para resumi-la por inteiro numa só palavra e abranger em uma só todas as regras de nossa vida, “a sabedoria”, diz um antigo, “é sempre querer a mesma coisa, é sempre não querer a mesma coisa”, “eu não me dignaria”, diz ele, “a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível que sempre seja uma só e a mesma.” Na verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o desregramento e a falta de moderação; e, por conseguinte, é impossível o imaginarmos constante. É uma frase de Demóstenes, dizem, que “o começo de toda virtude são a reflexão e a deliberação, e seu fim e sua perfeição, a constância”. Se, guiados pela reflexão, pegássemos certa via, pegaríamos a mais bela, mas ninguém pensa antes de agir: “O que ele pediu, desdenha; exige o que acaba de abandonar; agita-se e sua vida não se dobra a nenhuma ordem.”


    (Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010. Adaptado.)
    “o começo de toda virtude são a reflexão e a deliberação, e seu fim e sua perfeição, a constância” (2° parágrafo)


    Nesse trecho, a segunda vírgula é empregada com a finalidade de
    Escolha uma alternativa para a questão dbd53e17-8b
  • DBD31EC9-8B

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne (1533-1592).


        Há alguma razão em fazer o julgamento de um homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas, tendo em vista a natural instabilidade de nossos costumes e opiniões, muitas vezes me pareceu que mesmo os bons autores estão errados em se obstinarem em formar de nós uma ideia constante e sólida. Escolhem um caráter universal e, seguindo essa imagem, vão arrumando e interpretando todas as ações de um personagem, e, se não conseguem torcê-las o suficiente, atribuem-nas à dissimulação. Creio mais dificilmente na constância dos homens do que em qualquer outra coisa, e em nada mais facilmente do que na inconstância. Quem os julgasse nos pormenores e separadamente, peça por peça, teria mais ocasiões de dizer a verdade.

        Em toda a Antiguidade é difícil escolher uma dúzia de homens que tenham ordenado sua vida num projeto definido e seguro, que é o principal objetivo da sabedoria. Pois para resumi-la por inteiro numa só palavra e abranger em uma só todas as regras de nossa vida, “a sabedoria”, diz um antigo, “é sempre querer a mesma coisa, é sempre não querer a mesma coisa”, “eu não me dignaria”, diz ele, “a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível que sempre seja uma só e a mesma.” Na verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o desregramento e a falta de moderação; e, por conseguinte, é impossível o imaginarmos constante. É uma frase de Demóstenes, dizem, que “o começo de toda virtude são a reflexão e a deliberação, e seu fim e sua perfeição, a constância”. Se, guiados pela reflexão, pegássemos certa via, pegaríamos a mais bela, mas ninguém pensa antes de agir: “O que ele pediu, desdenha; exige o que acaba de abandonar; agita-se e sua vida não se dobra a nenhuma ordem.”


    (Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010. Adaptado.)
    Em “eu não me dignaria [...] a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível que sempre seja uma só e a mesma.” (2° parágrafo), a locução sublinhada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido do texto, por:
    Escolha uma alternativa para a questão dbd31ec9-8b
  • DBD1067E-8B

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne (1533-1592).


        Há alguma razão em fazer o julgamento de um homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas, tendo em vista a natural instabilidade de nossos costumes e opiniões, muitas vezes me pareceu que mesmo os bons autores estão errados em se obstinarem em formar de nós uma ideia constante e sólida. Escolhem um caráter universal e, seguindo essa imagem, vão arrumando e interpretando todas as ações de um personagem, e, se não conseguem torcê-las o suficiente, atribuem-nas à dissimulação. Creio mais dificilmente na constância dos homens do que em qualquer outra coisa, e em nada mais facilmente do que na inconstância. Quem os julgasse nos pormenores e separadamente, peça por peça, teria mais ocasiões de dizer a verdade.

        Em toda a Antiguidade é difícil escolher uma dúzia de homens que tenham ordenado sua vida num projeto definido e seguro, que é o principal objetivo da sabedoria. Pois para resumi-la por inteiro numa só palavra e abranger em uma só todas as regras de nossa vida, “a sabedoria”, diz um antigo, “é sempre querer a mesma coisa, é sempre não querer a mesma coisa”, “eu não me dignaria”, diz ele, “a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível que sempre seja uma só e a mesma.” Na verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o desregramento e a falta de moderação; e, por conseguinte, é impossível o imaginarmos constante. É uma frase de Demóstenes, dizem, que “o começo de toda virtude são a reflexão e a deliberação, e seu fim e sua perfeição, a constância”. Se, guiados pela reflexão, pegássemos certa via, pegaríamos a mais bela, mas ninguém pensa antes de agir: “O que ele pediu, desdenha; exige o que acaba de abandonar; agita-se e sua vida não se dobra a nenhuma ordem.”


    (Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010. Adaptado.)
    No segundo parágrafo, depreende-se das reflexões de Montaigne a íntima relação entre
    Escolha uma alternativa para a questão dbd1067e-8b
  • DBCEFE25-8B

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne (1533-1592).


        Há alguma razão em fazer o julgamento de um homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas, tendo em vista a natural instabilidade de nossos costumes e opiniões, muitas vezes me pareceu que mesmo os bons autores estão errados em se obstinarem em formar de nós uma ideia constante e sólida. Escolhem um caráter universal e, seguindo essa imagem, vão arrumando e interpretando todas as ações de um personagem, e, se não conseguem torcê-las o suficiente, atribuem-nas à dissimulação. Creio mais dificilmente na constância dos homens do que em qualquer outra coisa, e em nada mais facilmente do que na inconstância. Quem os julgasse nos pormenores e separadamente, peça por peça, teria mais ocasiões de dizer a verdade.

        Em toda a Antiguidade é difícil escolher uma dúzia de homens que tenham ordenado sua vida num projeto definido e seguro, que é o principal objetivo da sabedoria. Pois para resumi-la por inteiro numa só palavra e abranger em uma só todas as regras de nossa vida, “a sabedoria”, diz um antigo, “é sempre querer a mesma coisa, é sempre não querer a mesma coisa”, “eu não me dignaria”, diz ele, “a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível que sempre seja uma só e a mesma.” Na verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o desregramento e a falta de moderação; e, por conseguinte, é impossível o imaginarmos constante. É uma frase de Demóstenes, dizem, que “o começo de toda virtude são a reflexão e a deliberação, e seu fim e sua perfeição, a constância”. Se, guiados pela reflexão, pegássemos certa via, pegaríamos a mais bela, mas ninguém pensa antes de agir: “O que ele pediu, desdenha; exige o que acaba de abandonar; agita-se e sua vida não se dobra a nenhuma ordem.”


    (Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010. Adaptado.)
    No primeiro parágrafo, Montaigne ressalta que mesmo os bons autores tendem a
    Escolha uma alternativa para a questão dbcefe25-8b
  • DBCCECC8-8B

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne (1533-1592).


        Há alguma razão em fazer o julgamento de um homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas, tendo em vista a natural instabilidade de nossos costumes e opiniões, muitas vezes me pareceu que mesmo os bons autores estão errados em se obstinarem em formar de nós uma ideia constante e sólida. Escolhem um caráter universal e, seguindo essa imagem, vão arrumando e interpretando todas as ações de um personagem, e, se não conseguem torcê-las o suficiente, atribuem-nas à dissimulação. Creio mais dificilmente na constância dos homens do que em qualquer outra coisa, e em nada mais facilmente do que na inconstância. Quem os julgasse nos pormenores e separadamente, peça por peça, teria mais ocasiões de dizer a verdade.

        Em toda a Antiguidade é difícil escolher uma dúzia de homens que tenham ordenado sua vida num projeto definido e seguro, que é o principal objetivo da sabedoria. Pois para resumi-la por inteiro numa só palavra e abranger em uma só todas as regras de nossa vida, “a sabedoria”, diz um antigo, “é sempre querer a mesma coisa, é sempre não querer a mesma coisa”, “eu não me dignaria”, diz ele, “a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível que sempre seja uma só e a mesma.” Na verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o desregramento e a falta de moderação; e, por conseguinte, é impossível o imaginarmos constante. É uma frase de Demóstenes, dizem, que “o começo de toda virtude são a reflexão e a deliberação, e seu fim e sua perfeição, a constância”. Se, guiados pela reflexão, pegássemos certa via, pegaríamos a mais bela, mas ninguém pensa antes de agir: “O que ele pediu, desdenha; exige o que acaba de abandonar; agita-se e sua vida não se dobra a nenhuma ordem.”


    (Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010. Adaptado.)
    Do ponto de vista temático, o texto de Montaigne dialoga especialmente com a seguinte citação:
    Escolha uma alternativa para a questão dbccecc8-8b
  • DBCAD419-8B

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne (1533-1592).


        Há alguma razão em fazer o julgamento de um homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas, tendo em vista a natural instabilidade de nossos costumes e opiniões, muitas vezes me pareceu que mesmo os bons autores estão errados em se obstinarem em formar de nós uma ideia constante e sólida. Escolhem um caráter universal e, seguindo essa imagem, vão arrumando e interpretando todas as ações de um personagem, e, se não conseguem torcê-las o suficiente, atribuem-nas à dissimulação. Creio mais dificilmente na constância dos homens do que em qualquer outra coisa, e em nada mais facilmente do que na inconstância. Quem os julgasse nos pormenores e separadamente, peça por peça, teria mais ocasiões de dizer a verdade.

        Em toda a Antiguidade é difícil escolher uma dúzia de homens que tenham ordenado sua vida num projeto definido e seguro, que é o principal objetivo da sabedoria. Pois para resumi-la por inteiro numa só palavra e abranger em uma só todas as regras de nossa vida, “a sabedoria”, diz um antigo, “é sempre querer a mesma coisa, é sempre não querer a mesma coisa”, “eu não me dignaria”, diz ele, “a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível que sempre seja uma só e a mesma.” Na verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o desregramento e a falta de moderação; e, por conseguinte, é impossível o imaginarmos constante. É uma frase de Demóstenes, dizem, que “o começo de toda virtude são a reflexão e a deliberação, e seu fim e sua perfeição, a constância”. Se, guiados pela reflexão, pegássemos certa via, pegaríamos a mais bela, mas ninguém pensa antes de agir: “O que ele pediu, desdenha; exige o que acaba de abandonar; agita-se e sua vida não se dobra a nenhuma ordem.”


    (Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010. Adaptado.)
    De acordo com Montaigne, as ações humanas caracterizam-se
    Escolha uma alternativa para a questão dbcad419-8b
  • DBC882B9-8B

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos

    Examine a tirinha da cartunista Laerte, publicada em sua conta do Instagram em 28.03.2022.


    Imagem da questão de Português, UNESP 2022, Interpretação de Textos


    A se acreditar na narrativa do sapo, 

    Escolha uma alternativa para a questão dbc882b9-8b
  • DBC3C5CF-8B

    Português

    Coesão e coerência
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Leia o soneto “Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia”, do poeta Gregório de Matos (1636-1696), para responder à questão.


    Imagem da questão de Português, UNESP 2022, Coesão e coerência

    (Gregório de Matos. Poemas escolhidos, 2010.)


    1Trazidos sob os pés os homens nobres: na visão de Gregório de Matos, os mulatos em ascensão subjugam com esperteza os verdadeiros “homens nobres”.
    No soneto, o pronome “o” refere-se a
    Escolha uma alternativa para a questão dbc3c5cf-8b
  • DBB9F563-8B

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


        Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

        — Mãe, venha ouvir: está a bater!

        A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

        Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

        — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

        A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

        Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

    — Agora não sonha, filha?

    — Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

        Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

        — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

        O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

    — Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

    — Morta, a minha menina? Mas, assim...?

    — Esta é a sua maneira de estar morta.

        A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

    — Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

        A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

        — Então, minha querida não escutou nada?

        Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

        Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

        E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


    (Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
    Ocorre o pronome apassivador “se” no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão dbb9f563-8b
  • DBB76D00-8B

    Português

    Formação das Palavras: Composição, Derivação, Hibridismo, Onomatopeia e Abreviação
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


        Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

        — Mãe, venha ouvir: está a bater!

        A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

        Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

        — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

        A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

        Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

    — Agora não sonha, filha?

    — Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

        Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

        — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

        O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

    — Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

    — Morta, a minha menina? Mas, assim...?

    — Esta é a sua maneira de estar morta.

        A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

    — Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

        A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

        — Então, minha querida não escutou nada?

        Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

        Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

        E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


    (Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
    Constitui exemplo de neologismo formado pelo processo de sufixação a palavra
    Escolha uma alternativa para a questão dbb76d00-8b
  • DBB2A65B-8B

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


        Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

        — Mãe, venha ouvir: está a bater!

        A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

        Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

        — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

        A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

        Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

    — Agora não sonha, filha?

    — Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

        Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

        — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

        O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

    — Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

    — Morta, a minha menina? Mas, assim...?

    — Esta é a sua maneira de estar morta.

        A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

    — Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

        A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

        — Então, minha querida não escutou nada?

        Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

        Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

        E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


    (Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
    O narrador recorre a um enunciado aparentemente paradoxal no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão dbb2a65b-8b
  • DBB04011-8B

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


        Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

        — Mãe, venha ouvir: está a bater!

        A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

        Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

        — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

        A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

        Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

    — Agora não sonha, filha?

    — Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

        Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

        — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

        O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

    — Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

    — Morta, a minha menina? Mas, assim...?

    — Esta é a sua maneira de estar morta.

        A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

    — Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

        A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

        — Então, minha querida não escutou nada?

        Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

        Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

        E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


    (Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
        Além da variedade de discursos diretos e indiretos, a narrativa de ficção, a partir das últimas décadas do século XIX, utiliza um tipo de discurso que consiste na combinação dos já existentes, misturando valores estilísticos de um e de outro: é o discurso indireto livre. O discurso indireto livre não deixa claro quem está com a palavra, se o narrador ou a personagem.

    (Nilce Sant’Anna Martins. Introdução à estilística, 1989. Adaptado.)


    Constitui exemplo de discurso indireto livre o seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão dbb04011-8b
  • DBAE0DA8-8B

    Português

    Denotação e Conotação
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    Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


        Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

        — Mãe, venha ouvir: está a bater!

        A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

        Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

        — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

        A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

        Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

    — Agora não sonha, filha?

    — Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

        Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

        — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

        O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

    — Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

    — Morta, a minha menina? Mas, assim...?

    — Esta é a sua maneira de estar morta.

        A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

    — Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

        A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

        — Então, minha querida não escutou nada?

        Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

        Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

        E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


    (Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
    “E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto.” (3° parágrafo)


    No contexto do conto, “pingo de água” e “pleno deserto” referem-se, metaforicamente,
    Escolha uma alternativa para a questão dbae0da8-8b
  • 7279C281-7B

    Português

    Pontuação
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    Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.



    Figura 1 de 2 da questão de Português, UFRGS 2022, Pontuação

    Figura 2 de 2 da questão de Português, UFRGS 2022, Pontuação


    Observe as seguintes afirmações sobre o emprego de sinais de pontuação, considerando o sentido original da frase e sua correção gramatical.



    I - Substituição dos dois pontos da linha 29 por um ponto final.


    II - Substituição dos dois pontos da linha 38 por uma vírgula.


    III- Supressão da vírgula imediatamente depois de diz (l. 44).



    Quais estão corretas?

    Escolha uma alternativa para a questão 7279c281-7b
  • 72747FEB-7B

    Português

    Coesão e coerência
    UFRGS · 2022Entre para guardar nos favoritos

    Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.



    Figura 1 de 2 da questão de Português, UFRGS 2022, Coesão e coerência

    Figura 2 de 2 da questão de Português, UFRGS 2022, Coesão e coerência


    Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações a seguir.


    ( ) O pronome isso (l. 12) se refere ao trecho um modo de satisfazer nossas vontades e desejos (l. 11-12).


    ( ) O pronome cujo (l. 19) expressa uma relação de posse entre trágica oscilação (l. 17) e sujeito (l. 19).


    ( ) O pronome isso (l. 21) se refere à ideia de cada um se salvar e se despachar como pode, expressa nas linhas 20-21.


    ( ) O pronome ela (l. 39) se refere à expressão uma mediação (l. 38).



    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

    Escolha uma alternativa para a questão 72747feb-7b
  • 7271ED69-7B

    Português

    Coesão e coerência
    UFRGS · 2022Entre para guardar nos favoritos

    Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.



    Figura 1 de 2 da questão de Português, UFRGS 2022, Coesão e coerência

    Figura 2 de 2 da questão de Português, UFRGS 2022, Coesão e coerência


    Assinale a alternativa que apresenta relações, contextualmente adequadas, para se (l. 09), assim (l. 23) e De fato (l. 46), nessa ordem. 
    Escolha uma alternativa para a questão 7271ed69-7b
  • 726F43FA-7B

    Português

    Interpretação de Textos
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    Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.



    Figura 1 de 2 da questão de Português, UFRGS 2022, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 2 da questão de Português, UFRGS 2022, Interpretação de Textos


    Considere as seguintes afirmações sobre o texto.



    I - As interrogações no último parágrafo servem para o autor problematizar o tema com o leitor.


    II - Os parênteses no segundo parágrafo servem para o autor explicar termos para o leitor.


    III- As aspas no terceiro parágrafo servem para o autor introduzir passagens citadas de outros contextos.



    Quais estão corretas? 

    Escolha uma alternativa para a questão 726f43fa-7b
  • 726C9AD5-7B

    Português

    Coesão e coerência
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    Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.



    Figura 1 de 2 da questão de Português, UFRGS 2022, Coesão e coerência

    Figura 2 de 2 da questão de Português, UFRGS 2022, Coesão e coerência


    Considere as seguintes afirmações sobre a síntese dos parágrafos do texto.



    I - O primeiro parágrafo apresenta a problemática do texto, via questionamentos endereçados ao leitor para suscitar reflexões sobre o comportamento de nós, brasileiros, perante as leis e as normas.


    II - O segundo parágrafo apresenta a tese do autor, publicada em livro, de que o brasileiro oscila entre a lei, relacionada à regra coletiva, e a situação atual.


    III- O terceiro parágrafo traz questionamentos sobre situações não ligadas a normas, mas ao cotidiano dos brasileiros para levar o leitor a refletir sobre novas problemáticas relacionadas ao seu dia a dia.



    Quais estão corretas? 

    Escolha uma alternativa para a questão 726c9ad5-7b
  • 7269FBC7-7B

    Português

    Interpretação de Textos
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    Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. 



    Imagem da questão de Português, UFRGS 2022, Interpretação de Textos

    A sequência Não é mais esporte, é guerra (l. 27), no contexto em que está inserida no texto, apresenta
    Escolha uma alternativa para a questão 7269fbc7-7b