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Disciplina · Linguagens

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

  • 10.965 questões
  • 95 assuntos

Resultados: 10.965 questões

Página 541 de 549

  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o ensaio intitulado “Tópicos distópicos” de Eduardo Giannetti.


        Os jovens abúlicos1 , os velhos deprimidos; os pobres entorpecidos, os ricos enfadados; os homens embrutecidos, as mulheres desenganadas; os privilegiados acima da lei, os excluídos aquém dela; os empregados como roldanas de engrenagem, os desocupados esmagados por ela; os bem- -sucedidos sem tempo para nada, os desvalidos sem saber o que fazer com ele; as faxineiras negativadas, os banqueiros insones; os casais algemados, os amantes rompidos; os poetas à míngua, os corruptos à larga. De tudo que foi e não foi, resta o quê? A convivência entre desumanos desidratada ao mínimo legal do mercado: a troca mercenária de bens e ofícios conforme valorações aguerridamente pactuadas. O pagamento em dinheiro, à vista ou parcelado, como o único vínculo entre bolhas narcísicas ambulantes. A rua onde voz e buzina se confundem.


    (Eduardo Giannetti. Trópicos utópicos, 2016.)


    1abúlico: que se caracteriza pela incapacidade de tomar decisões.
    A prefixação é o processo de formação de palavras pela adição de prefixo a uma palavra já existente. Observa-se uma palavra formada com prefixo que exprime ideia de negação no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão 4b3d87db-2d
  • Linguagens

    Português

    Examine a tirinha de Rafa Figueiredo, publicada em 27.01.2023, para responder à questão.


    Imagem da questão de Português, Ensino Einstein 2025, Figuras de Linguagem

    O humor da tirinha decorre do recurso expressivo denominado
    Escolha uma alternativa para a questão 7ddaef25-68
  • Linguagens

    Português

    Examine a tirinha de Rafa Figueiredo, publicada em 27.01.2023, para responder à questão.


    Imagem da questão de Português, Ensino Einstein 2025, Flexão verbal de número (singular, plural)

    Mantendo o sentido geral da tirinha, caso a fala estivesse no plural, dirigindo-se a “vocês”, os verbos assumiriam as seguintes formas:
    Escolha uma alternativa para a questão 7dece543-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder às questões.


    1    Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo--se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...



     2   — Bom dia.


    3    — Bom dia!


    4   — Bom dia, Carvalho!...



    5    ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...


    6    A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.


    7    Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitual mente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.



    (Os ratos, 2022.)


    1 porte-monnaie: porta-moedas.

    Na cena, a presença de Carvalho
    Escolha uma alternativa para a questão 7dfe21a4-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder às questões.


    1    Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo--se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...



     2   — Bom dia.


    3    — Bom dia!


    4   — Bom dia, Carvalho!...



    5    ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...


    6    A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.


    7    Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitual mente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.



    (Os ratos, 2022.)


    1 porte-monnaie: porta-moedas.

    “O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos.” (1o parágrafo)


    Em relação à oração que a precede, a oração sublinhada expressa uma circunstância de

    Escolha uma alternativa para a questão 7e03356e-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder às questões.


    1    Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo--se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...



     2   — Bom dia.


    3    — Bom dia!


    4   — Bom dia, Carvalho!...



    5    ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...


    6    A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.


    7    Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitual mente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.



    (Os ratos, 2022.)


    1 porte-monnaie: porta-moedas.

    Ocorre objeto direto preposicionado quando o objeto direto de uma oração é introduzido por uma preposição, por motivo de ênfase, clareza ou estilo. Identifica-se um exemplo de objeto direto preposicionado em:
    Escolha uma alternativa para a questão 7e08e012-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder às questões.


    1    Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo--se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...



     2   — Bom dia.


    3    — Bom dia!


    4   — Bom dia, Carvalho!...



    5    ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...


    6    A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.


    7    Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitual mente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.



    (Os ratos, 2022.)


    1 porte-monnaie: porta-moedas.

    Uma palavra formada com um prefixo que expressa negação ocorre em:
    Escolha uma alternativa para a questão 7e1125ba-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o soneto de Luís de Camões para responder à questões.



    Quem diz que Amor é falso ou enganoso,

    ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,

    sem falta1 lhe terá bem merecido

    que lhe seja cruel ou rigoroso.


    Amor é brando2, é doce e é piadoso3.

    Quem o contrário diz não seja crido;

    seja por cego e apaixonado tido,

    e aos homens, e inda4 aos deuses, odioso.


    Se males faz Amor, em mim se veem;

    em mim mostrando todo o seu rigor,

    ao mundo quis mostrar quanto podia.


    Mas todas suas iras são de amor;

    todos estes seus males são um bem,

    que eu por todo outro bem não trocaria.



    (Luís de Camões. Sonetos: antologia comentada, 2012.)



    1 sem falta: sem dúvida.

    2 brando: manso, meigo.

    3 piadoso: piedoso.

    4 inda: ainda.

    “Se males faz Amor, em mim se veem;” (3ª estrofe)


    Transposta para a voz passiva, mantendo o sentido original, a oração sublinhada assume a forma:

    Escolha uma alternativa para a questão 7e34645e-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir, que é o trecho inicial de um artigo publicado na internet.


    Imagem da questão de Português, Ensino Einstein 2025, Interpretação de Textos

    O texto



    Escolha uma alternativa para a questão 7e49ec6b-68
  • Linguagens

    Português

    Examine a tirinha do cartunista André Dahmer, publicada na rede social X, em 18.03.2025, para responder à questão.

    Imagem da questão de Português, Ensino Einstein 2025, Advérbios
    Na situação apresentada, o sentido da “impermanência” é estabelecido pela palavra
    Escolha uma alternativa para a questão 14142737-69
  • Linguagens

    Português

    Examine a tirinha do cartunista André Dahmer, publicada na rede social X, em 18.03.2025, para responder à questão.

    Imagem da questão de Português, Ensino Einstein 2025, Morfologia - Pronomes
    Transposta para o discurso indireto, a fala do primeiro quadrinho assume a forma:
    Escolha uma alternativa para a questão 14177eec-69
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance O cortiço, de Aluísio Azevedo (1857-1913), para responder à questão.

            Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, e tragava dois dedos de parati1 “pra cortar a friagem”.

            Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: fazia-se contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos de ambição; para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava- -se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e volvia-se preguiçoso resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros. [...]

            E o curioso é que quanto mais ia ele caindo nos usos e costumes brasileiros, tanto mais os seus sentidos se apuravam, posto que em detrimento das suas forças físicas. Tinha agora o ouvido menos grosseiro para a música, compreendia até as intenções poéticas dos sertanejos, quando cantam à viola os seus amores infelizes; seus olhos, dantes só voltados para a esperança de tornar à terra, agora, como os olhos de um marujo, que se habituaram aos largos horizontes de céu e mar, já se não revoltavam com a turbulenta luz, selvagem e alegre, do Brasil, e abriam-se amplamente defronte dos maravilhosos despenhadeiros ilimitados e das cordilheiras sem fim, donde, de espaço a espaço, surge um monarca gigante, que o sol veste de ouro e ricas pedrarias refulgentes e as nuvens tocam de alvos turbantes de cambraia2 , num luxo oriental de arábicos príncipes voluptuosos.

    (O cortiço, 2011.)

    1parati: cachaça.
    2cambraia: tecido fino, branco, de algodão.
    Esse trecho do romance focaliza o personagem Jerônimo, um português que viera para o Brasil e que morava no “cortiço” a que se refere o título do livro.

    Na passagem selecionada, o narrador descreve
    Escolha uma alternativa para a questão 141c4fdf-69
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance O cortiço, de Aluísio Azevedo (1857-1913), para responder à questão.

            Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, e tragava dois dedos de parati1 “pra cortar a friagem”.

            Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: fazia-se contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos de ambição; para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava- -se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e volvia-se preguiçoso resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros. [...]

            E o curioso é que quanto mais ia ele caindo nos usos e costumes brasileiros, tanto mais os seus sentidos se apuravam, posto que em detrimento das suas forças físicas. Tinha agora o ouvido menos grosseiro para a música, compreendia até as intenções poéticas dos sertanejos, quando cantam à viola os seus amores infelizes; seus olhos, dantes só voltados para a esperança de tornar à terra, agora, como os olhos de um marujo, que se habituaram aos largos horizontes de céu e mar, já se não revoltavam com a turbulenta luz, selvagem e alegre, do Brasil, e abriam-se amplamente defronte dos maravilhosos despenhadeiros ilimitados e das cordilheiras sem fim, donde, de espaço a espaço, surge um monarca gigante, que o sol veste de ouro e ricas pedrarias refulgentes e as nuvens tocam de alvos turbantes de cambraia2 , num luxo oriental de arábicos príncipes voluptuosos.

    (O cortiço, 2011.)

    1parati: cachaça.
    2cambraia: tecido fino, branco, de algodão.
    Em “quanto mais ia ele caindo nos usos e costumes brasileiros, tanto mais os seus sentidos se apuravam” (3° parágrafo), há duas orações associadas de maneira que
    Escolha uma alternativa para a questão 142155d3-69
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance O cortiço, de Aluísio Azevedo (1857-1913), para responder à questão.

            Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, e tragava dois dedos de parati1 “pra cortar a friagem”.

            Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: fazia-se contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos de ambição; para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava- -se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e volvia-se preguiçoso resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros. [...]

            E o curioso é que quanto mais ia ele caindo nos usos e costumes brasileiros, tanto mais os seus sentidos se apuravam, posto que em detrimento das suas forças físicas. Tinha agora o ouvido menos grosseiro para a música, compreendia até as intenções poéticas dos sertanejos, quando cantam à viola os seus amores infelizes; seus olhos, dantes só voltados para a esperança de tornar à terra, agora, como os olhos de um marujo, que se habituaram aos largos horizontes de céu e mar, já se não revoltavam com a turbulenta luz, selvagem e alegre, do Brasil, e abriam-se amplamente defronte dos maravilhosos despenhadeiros ilimitados e das cordilheiras sem fim, donde, de espaço a espaço, surge um monarca gigante, que o sol veste de ouro e ricas pedrarias refulgentes e as nuvens tocam de alvos turbantes de cambraia2 , num luxo oriental de arábicos príncipes voluptuosos.

    (O cortiço, 2011.)

    1parati: cachaça.
    2cambraia: tecido fino, branco, de algodão.
    No primeiro parágrafo, o narrador emprega aspas a fim de
    Escolha uma alternativa para a questão 1423b876-69
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema de José Carlos Capinan (1941-) para responder à questão.

    o rebanho e o homem

    O rebanho trafega com tranquilidade o caminho:
    é sempre uma surpresa ao rebanho que ele chegue
    ao campo ou ao matadouro.
    Nenhuma raiva
    nenhuma esperança o rebanho leva,
    pouco importa que a flor sucumba aos cascos
    ou ainda que sobreviva.
    Nenhuma pergunta o rebanho não diz:
    até na sede ele é tranquilo
    até na guerra ele é mudo —
    o rebanho não pronuncia,
    usa a luz mas nunca explica a sua falta
    usa o alimento sem nunca se perguntar.
    Sobre o rebanho o sexo
    que ele nunca explicava
    e as fêmeas cobertas
    recebem a fecundidade sem admiração.
    A morte ele desconhece, e a sua vida,
    no rebanho não há companheiros
    há cada corpo em si sem lucidez alguma.
    O rebanho não vê a cara dos homens
    aceita o caminho e vai escorrendo
    num andar pesado sobre os campos.

    (Heloisa Buarque de Hollanda (org.). 26 poetas hoje: antologia, 2021.)
    No poema, caso entendida como uma metáfora, a palavra “rebanho” descreveria
    Escolha uma alternativa para a questão 14269991-69
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema de José Carlos Capinan (1941-) para responder à questão.

    o rebanho e o homem

    O rebanho trafega com tranquilidade o caminho:
    é sempre uma surpresa ao rebanho que ele chegue
    ao campo ou ao matadouro.
    Nenhuma raiva
    nenhuma esperança o rebanho leva,
    pouco importa que a flor sucumba aos cascos
    ou ainda que sobreviva.
    Nenhuma pergunta o rebanho não diz:
    até na sede ele é tranquilo
    até na guerra ele é mudo —
    o rebanho não pronuncia,
    usa a luz mas nunca explica a sua falta
    usa o alimento sem nunca se perguntar.
    Sobre o rebanho o sexo
    que ele nunca explicava
    e as fêmeas cobertas
    recebem a fecundidade sem admiração.
    A morte ele desconhece, e a sua vida,
    no rebanho não há companheiros
    há cada corpo em si sem lucidez alguma.
    O rebanho não vê a cara dos homens
    aceita o caminho e vai escorrendo
    num andar pesado sobre os campos.

    (Heloisa Buarque de Hollanda (org.). 26 poetas hoje: antologia, 2021.)
    As palavras podem mudar de classe gramatical sem sofrer modificação na forma. Basta antepor-se o artigo a qualquer vocábulo da língua para que ele se torne um substantivo. A esse processo de enriquecimento vocabular pela mudança de classe das palavras dá-se o nome de derivação imprópria.

    (Celso Cunha e Luís F. Lindley Cintra. Nova gramática do português contemporâneo, 2001. Adaptado.)

    Identifica-se uma palavra formada por derivação imprópria em:
    Escolha uma alternativa para a questão 142921d8-69
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema de José Carlos Capinan (1941-) para responder à questão.

    o rebanho e o homem

    O rebanho trafega com tranquilidade o caminho:
    é sempre uma surpresa ao rebanho que ele chegue
    ao campo ou ao matadouro.
    Nenhuma raiva
    nenhuma esperança o rebanho leva,
    pouco importa que a flor sucumba aos cascos
    ou ainda que sobreviva.
    Nenhuma pergunta o rebanho não diz:
    até na sede ele é tranquilo
    até na guerra ele é mudo —
    o rebanho não pronuncia,
    usa a luz mas nunca explica a sua falta
    usa o alimento sem nunca se perguntar.
    Sobre o rebanho o sexo
    que ele nunca explicava
    e as fêmeas cobertas
    recebem a fecundidade sem admiração.
    A morte ele desconhece, e a sua vida,
    no rebanho não há companheiros
    há cada corpo em si sem lucidez alguma.
    O rebanho não vê a cara dos homens
    aceita o caminho e vai escorrendo
    num andar pesado sobre os campos.

    (Heloisa Buarque de Hollanda (org.). 26 poetas hoje: antologia, 2021.)
    Há entre os vocábulos “morte” e “vida” (18° verso) uma relação lógica semelhante à relação existente entre:
    Escolha uma alternativa para a questão 142b9229-69
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia a tirinha de Fernando Gonsales, publicada pelo perfil @niquel.nausea no Instagram, em 23.05.2025.

    Imagem da questão de Português, Ensino Einstein 2025, Figuras de Linguagem
    No comentário “Até as árvores ficam ansiosas com tanta propaganda”, foram empregadas duas figuras de linguagem, fundamentais para a construção do efeito de humor da tirinha. São elas:
    Escolha uma alternativa para a questão 39cf21aa-69
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia a tirinha de Fernando Gonsales, publicada pelo perfil @niquel.nausea no Instagram, em 23.05.2025.

    Imagem da questão de Português, Ensino Einstein 2025, Interpretação de Textos
    A tirinha faz uma crítica, sobretudo,
    Escolha uma alternativa para a questão 39d3a526-69
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    Português

    Para responder à questão, leia um trecho da obra Ideias para adiar o fim do mundo, uma adaptação de duas palestras e uma entrevista realizadas com o autor Ailton Krenak.

            O fim do mundo talvez seja uma breve interrupção de um estado de prazer extasiante que a gente não quer perder. Parece que todos os artifícios que foram buscados pelos nossos ancestrais e por nós têm a ver com essa sensação. Quando se transfere isso para a mercadoria, para os objetos, para as coisas exteriores, se materializa no que a técnica desenvolveu, no aparato todo que se foi sobrepondo ao corpo da mãe Terra. Todas as histórias antigas chamam a Terra de Mãe, Pacha Mama, Gaia. Uma deusa perfeita e infindável, fluxo de graça, beleza e fartura. Veja-se a imagem grega da deusa da prosperidade, que tem uma cornucópia1 que fica o tempo todo jorrando riqueza sobre o mundo… Noutras tradições, na China e na Índia, nas Américas, em todas as culturas mais antigas, a referência é de uma provedora maternal. Não tem nada a ver com a imagem masculina ou do pai. Todas as vezes que a imagem do pai rompe nessa paisagem é sempre para depredar, detonar e dominar.

            O desconforto que a ciência moderna, as tecnologias, as movimentações que resultaram naquilo que chamamos de “revoluções de massa”, tudo isso não ficou localizado numa região, mas cindiu o planeta a ponto de, no século XX, termos situações como a Guerra Fria, em que você tinha, de um lado do muro, uma parte da humanidade, e a outra, do lado de lá, na maior tensão, pronta para puxar o gatilho para cima dos outros. Não tem fim do mundo mais iminente do que quando você tem um mundo do lado de lá do muro e um do lado de cá, ambos tentando adivinhar o que o outro está fazendo. Isso é um abismo, isso é uma queda. Então a pergunta a fazer seria: “Por que tanto medo assim de uma queda se a gente não fez nada nas outras eras senão cair?”.

            Já caímos em diferentes escalas e em diferentes lugares do mundo. Mas temos muito medo do que vai acontecer quando a gente cair. Sentimos insegurança, uma paranoia da queda porque as outras possibilidades que se abrem exigem implodir essa casa que herdamos, que confortavelmente carregamos em grande estilo, mas passamos o tempo inteiro morrendo de medo. Então, talvez o que a gente tenha de fazer é descobrir um paraquedas. Não eliminar a queda, mas inventar e fabricar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos. Já que aquilo de que realmente gostamos é gozar, viver no prazer aqui na Terra. Então, que a gente pare de despistar essa nossa vocação e, em vez de ficar inventando outras parábolas, que a gente se renda a essa principal e não se deixe iludir com o aparato da técnica.

    (Ideias para adiar o fim do mundo, 2020.) 1   cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e flores que dele extravasam profusamente, antigo símbolo da fertilidade, riqueza, abundância.
    Segundo as ideias do autor, o “fim do mundo” é representado
    Escolha uma alternativa para a questão 39d66c67-69