Questões de Português do ENEM

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10.965 questões encontradas. Mostrando a página 489 de 549.

  • CEB03E58-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    FATEC · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto e responda a questão.

    A verdadeira muralha da China
       Nos últimos anos, poucos eventos sacudiram tanto a China quanto a internet. Seu número de internautas já é maior do que os 230 milhões de usuários americanos, segundo a North America Internet Stats. Trata-se de um público de jovens, com menos de 30 anos, que declaram ter na internet sua melhor fonte de informação. Todos eles, porém, encontram dificuldades para superar um gigantesco problema: a censura.
        Um poderoso firewall oficial é a verdadeira muralha da China moderna. A segregação digital, porém, começa a ser sacudida por caminhos inesperados. Diante da possível interrupção de serviços do Google no país, a conceituada revista Nature realizou sondagem na comunidade científica chinesa e colheu resultados de primeira grandeza: a censura e o eventual fechamento do Google farão muito mal à ciência do país. Segundo os dados divulgados pela agência Reuters (24.02.2010), mais de 70% dos cientistas chineses utilizam o Google como ferramenta de busca de dados, informações, artigos científicos e literatura acadêmica em geral. Dos cientistas entrevistados, 84% afirmaram que suas pesquisas perderiam substantivamente em qualidade se fossem privados do uso do Google; 78% afirmaram que sua colaboração internacional seria profundamente afetada. O problema de fundo, que preocupa as autoridades chinesas, é que a existência do Google levou a uma alteração de hábitos de pesquisa, interferindo no modo de explorar, testar e difundir informações necessárias para a geração de conhecimento. Longe de um gesto de censura de curto alcance (se é que isso é possível), a interrupção do Google provocaria reações de longa duração, com impacto sensível na eficiência da pesquisa científica. Para um país disposto a disputar a hegemonia mundial, em que a pesquisa científica e tecnológica é a menina dos olhos das autoridades, as novidades vindas da comunidade científica não poderiam ser piores.
        Os milhares de funcionários chineses que zelam pelo sistema de censura fariam mais pela eficiência do país se ficassem menos preocupados em perseguir URIs, URLs, FTPs e HTTPs. Para o nervosismo da “nomenklatura” (e satisfação de todos os que desejam um mundo em que o conhecimento possa fluir livremente, a começar pelos cientistas e pesquisadores chineses), uma sucessão infindável de geeks, hackers, nerds, dorks e dweebs, com seus correlatos em chinês, descobre a cada dia uma nova maneira de burlar os sistemas de censura.

     (ARBIX, Glauco. Valor Econômico. 24.02.2010, p.A17. Adaptado)
    De acordo com as informações contidas no texto, pode-se afirmar que a China tem se mostrado antidemocrática porque
    Escolha uma alternativa para a questão ceb03e58-b0
  • 7B95A131-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 10


    Mais veículos que gente


    Levando-se em conta somente o aumento do número de novos veículos e não considerando variantes como o aumento da população nem registros de baixas junto ao Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), Goiânia pode mais que dobrar a frota em 2020, chegando a quase 1,7 milhão de veículos. Se o crescimento apresentado pelo Detran (6%) se mantiver, em 2015 a quantidade de carros já irá se igualar ao número de habitantes que vivem na Capital hoje, ou seja, um milhão, duzentos e quarenta e cinco mil. Como Goiânia apresenta crescimento médio populacional de 2% ao ano (está entre as 15 capitais do País que apresentam índice de crescimento populacional estagnado entre 1,5 e 3%), a projeção para 2015 é que vivam, só na cidade, por volta de 1,5 milhão de pessoas. Dados do Detran mostram que a capital tem hoje 786.501 veículos, 42% do total estadual. Só em 2007, o órgão expediu 67.631 novas licenças para carros, motos, caminhonetes e outros. Apesar do aumento de quase 36% nas licenças de 2006 para 2007, o Detran afirma que a média histórica é de 6% de aumento por ano. Para se ter uma idéia, os 49.490 registros de novos carros na Capital em 2006 foram superiores aos registros de nascimento na cidade, totalizados pelo IBGE em 22.520. Além disso, a cidade, que já apresenta um carro para cada 1,7 habitante, recebe todos os dias veículos vindos de cidades da região metropolitana, como Senador Canedo e Aparecida de Goiânia, cujas médias de crescimento populacional são maiores que 3%. Logicamente, tratase apenas de projeções simples e hipóteses, mas quando se pensa que a cidade foi projetada inicialmente para receber 50 mil pessoas e que atualmente a região metropolitana já apresenta mais de 2 milhões de habitantes, com forte tendência de crescimento, e que a proporção de carros por habitante já é a maior do Brasil, Goiânia parece estar num beco sem saída. Mas especialistas dizem que a cidade tem plenas capacidades de reverter os problemas até 2020. A mudança depende do transporte coletivo. Benjamim Jorge Rodrigues, doutor em Engenharia de Transportes e professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás e do Centro Federal de Educação Tecnológica, explica: “Basicamente, o carro consome mais malha viária do que ônibus, pois no carro se anda normalmente sozinho ou com um carona. No ônibus podemos ter mais de 50 pessoas”.


    (LISITA, Gabriel. Mais veículos que gente. Diário da Manhã. Cidades. 21 fev. 2008. p. 12-13. Disponível em <http://www2.dm.com.br/digital/index.php?edicao=7412>.Acesso em: 20 out. 2010.)



    A respeito do tema do texto 10, analise as afirmações abaixo:


    I   -   Se a capital tem hoje 786.501 veículos, 42% do total estadual, então pode-se estimar que a quantidade de carros do Estado de Goiás é de 1.872.621,4 carros, aproximadamente.

    II  -  Em 2007, o Detran expediu 67.631 novas licenças para carros, motos, caminhonetes e outros que corresponde a um aumento de quase 36% nas licenças de 2006 para 2007. Assim, podemos concluir que o número de licenças expedidas em 2006 foi de aproximadamente 49.728,676.

    III-Como Goiânia apresenta crescimento médio populacional de 2% ao ano, a projeção para 2015 é que vivam, só na cidade, por volta de 1,5 milhão de pessoas. Mantendo-se essa taxa de crescimento, pode-se estimar que a quantidade de pessoas residindo em Goiânia em 2020 será de 1,66 milhão de habitantes.

    IV-Goiânia apresenta a proporção de um carro para cada 1,7 habitante. Se fosse essa a média de carro para a projeção inicial de Goiânia, então a quantidade de carros seria de 29.411,76 carros.


    Agora, assinale a alternativa verdadeira:
    Escolha uma alternativa para a questão 7b95a131-b0
  • 7B71D279-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2010FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, PUC-GO 2010, Interpretação de Textos

    A relação entre a imagem e o seu contexto verbal é estreita e variada. A imagem pode, pois, tanto ilustrar um texto verbal ou vice-versa, podendo, ainda, o texto verbal acrescentar informações à referida imagem, na forma de um comentário, por exemplo. O texto 09 é visual e, dessa forma, pode-se afirmar (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão 7b71d279-b0
  • 7B6B8ED8-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, PUC-GO 2010, Interpretação de Textos

    O homem precisa consumir bens e serviços para se manter vivo, tais como roupas, abrigo, meios de transporte, alimentos, dentre outros, denominados necessidades materiais. Como não vive isolado, também precisa relacionar-se e, ainda, pertencer a grupos, ter consciência desse pertencimento e de si mesmo, respeitando a individualidade do sujeito em relação aos grupos sociais circundantes. Esses bens são denominados necessidades sociais. Sobre o texto 09, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 7b6b8ed8-b0
  • 7B64F884-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 08



    [...]


           Sangram-me o peito, palavras/punhais de um reduzido número de pessoas insensatas que dominam o país e assistem com prazer, na arena dos verdes campos de minha terra, a homens digladiando-se e outros defendendo a utopia; outros, ainda incautos, insanamente ganham o pão de cada dia ao colorir a terra com sangue do irmão.

          Meu olhar, ante opaco, adquire a transparência límpida do regato. Minhas retinas fotografam e embaralham cartas e cenas, alegres e tristes.

         Cada pessoa ocupa o seu lugar. Existe. Resiste. Luta e revanche; recebe pancadas e flores. Sorriso de rosas; chicotadas traiçoeiras apanham-na, desprevenidamente, ao virar a esquina do tempo.

          Importa viver, importa navegar nas naves aventureiras e, sem comparações, viver sua história – de amor? Em julgar ou estabelecer parâmetros para suas ações. [...]



    (MARTINS, Maria Teresinha. Rapto de memória. Goiânia: Ed. da PUC Goiás, 2010. p. 75.)

    TEXTO 01


    CITONHO Doutor Noêmio, desculpe a indiscrição. Andaram me falando de uma coisa, mas eu não quis de maneira nenhuma acreditar. Me disseram que o senhor é de uma raça que só come folha.
    DR. NOÊMIO Pois pode acreditar. Sou vegetariano e tenho muito orgulho disto.
    CITONHO Mas a gente vê umas neste mundo! Não está vendo que tomate e chuchu não dão sustança a ninguém?! Agora: feijão, farinha e carne, sim, isso é que é comida. Olhe aqui eu. Estou com mais de oitenta anos, só não como carne na Sexta-feira da Paixão – e olhe lá... Resultado: uma saúde de ferro: estou tinindo.
    DR. NOÊMIO Isso é o que o senhor pensa. Seu corpo está envenenado, meu velho, com toxinas até na ponta dos cabelos. Até na sombra.

    [...]

    FREDERICO Eu só rezo pra defunto. Interessa? Liás, cabra safado não serve pra morrer, só serve pra apanhar. E apanhar entre os bicos dos peitos e o caroço do imbigo, que é pra não deixar marcas da surra. Ah!, nós três num deserto: eu, você e um cacete de quixaba! Porque quixaba é o chá melhor que existe no mundo pra pancada. Assim, pra ganhar tempo, a gente dá logo a pisa com quixaba, porque está dando o castigo e o remédio. Mas já gastei muita cera com você. [...]


    (LINS, Osman. Lisbela e o prisioneiro. São Paulo: Planeta, 2003. p. 22 e 25.)



    O termo sinônimo é designativo da palavra que apresenta significado idêntico ou semelhante ao de outra. Contextualizadas, no texto 01, encontram-se as palavras assistem, incautos, insanamente, límpida, revanche, desprevenidamente e parâmetros, cujos sinônimos são, respectivamente (marque a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão 7b64f884-b0
  • 7B60A574-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 08



    [...]


           Sangram-me o peito, palavras/punhais de um reduzido número de pessoas insensatas que dominam o país e assistem com prazer, na arena dos verdes campos de minha terra, a homens digladiando-se e outros defendendo a utopia; outros, ainda incautos, insanamente ganham o pão de cada dia ao colorir a terra com sangue do irmão.

          Meu olhar, ante opaco, adquire a transparência límpida do regato. Minhas retinas fotografam e embaralham cartas e cenas, alegres e tristes.

         Cada pessoa ocupa o seu lugar. Existe. Resiste. Luta e revanche; recebe pancadas e flores. Sorriso de rosas; chicotadas traiçoeiras apanham-na, desprevenidamente, ao virar a esquina do tempo.

          Importa viver, importa navegar nas naves aventureiras e, sem comparações, viver sua história – de amor? Em julgar ou estabelecer parâmetros para suas ações. [...]



    (MARTINS, Maria Teresinha. Rapto de memória. Goiânia: Ed. da PUC Goiás, 2010. p. 75.)

    Com relação às narrativas curtas do livro Rapto de Memória, de Maria Teresinha Martins, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 7b60a574-b0
  • 7B546B22-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 07

            Gente pisando no calo de gente que bronqueia, revolta, geme.
            – Parado.
           Desce um lote de passageiros, levando na face o marco do trabalho e da esperança.
         João, de pé, com as mãos firmes no friso do friso do ônibus, pensa. Seus pensamentos voam às ruas, correm contrariamente e desaparecem no turbilhão das avenidas.
           João calcula: “Vida miserável, a gente tem disposição, quer trabalhar e não consegue emprego”.
           – Parado.
            Desce outro lote de passageiros e sobe mais gente.
         Espremido e revoltado, João matuta: “Vida desgraçada: vinte oito anos, casado, pai de dois filhos, desempregado, sem casa, sem dinheiro, sem destino”...
           O coletivo corre pelo asfalto quente da Avenida Goiás em direção à Praça do Bandeirante, onde os imponentes edifícios fazem guarda ao travesso Bartolomeu que ameaça incendiar os rios.
    (TELES, José Mendonça. João. In: ______. A Cidade do Ócio. 4. ed. Goiânia: Editora Kelps. 2010, p. 43.)
    “Meio-dia, gente correndo pelas ruas, preocupações: dinheiro, cheques para cobrir, títulos em protesto, filas de pagar luz, água, esgoto, telefone, imposto, saúde, coração rateando, angina pectoris, desidratação, neurastenia, Adauto Botelho, filas de INPS [...], meio-dia, João dentro do ônibus que faz a linha Redenção-Centro”.


    (TELES, José Mendonça. A Cidade do Ócio. 4 ed. Goiânia: Kelps, 2010)


    A respeito do fragmento acima, extraído da obra de José Mendonça Teles, publicada pela primeira vez há 40 anos, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 7b546b22-b0
  • 7B4B2521-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 07

            Gente pisando no calo de gente que bronqueia, revolta, geme.
            – Parado.
           Desce um lote de passageiros, levando na face o marco do trabalho e da esperança.
         João, de pé, com as mãos firmes no friso do friso do ônibus, pensa. Seus pensamentos voam às ruas, correm contrariamente e desaparecem no turbilhão das avenidas.
           João calcula: “Vida miserável, a gente tem disposição, quer trabalhar e não consegue emprego”.
           – Parado.
            Desce outro lote de passageiros e sobe mais gente.
         Espremido e revoltado, João matuta: “Vida desgraçada: vinte oito anos, casado, pai de dois filhos, desempregado, sem casa, sem dinheiro, sem destino”...
           O coletivo corre pelo asfalto quente da Avenida Goiás em direção à Praça do Bandeirante, onde os imponentes edifícios fazem guarda ao travesso Bartolomeu que ameaça incendiar os rios.
    (TELES, José Mendonça. João. In: ______. A Cidade do Ócio. 4. ed. Goiânia: Editora Kelps. 2010, p. 43.)
    A Cidade do Ócio, de José Mendonça Teles, e Cinzas da Paixão e Outras Estórias, de Maria Aparecida Rodrigues, são duas obras da Literatura Goiana que, cada vez mais, despertam grande interesse de estudiosos e leitores, em geral. Em relação a essa afirmativa, assinale a justificativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 7b4b2521-b0
  • 7B2A2001-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2010Muito difícilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 05

          Fecho os olhos com insistência e tento resgatar a veracidade daqueles momentos. Tudo insólito, orvalho matutino, insolitíssimo.
         Na infância, corríamos quintal adentro. Subíamos nas grimpas das árvores e lá brincávamos de morar. Ela sempre no andar de baixo; eu, nas alturas. [...] O mundo dali era pequeno e ao mesmo tempo enorme. Eu e o mundo. Um no dentro do outro. Um além do outro. Tão longe e tão junto. [...] Ficava, eu, horas e horas, assim, balançando nas grimpas. Esquecia do tempo. Às vezes, brincávamos de impulsionar forte o galho, no ritmo do balanço até que lançássemos o nosso corpo da copa de uma árvore aos galhos de outras árvores próximas, feito pássaros: voando de galho em galho, de árvore em árvore, transpondo os limites do vazio e do céu.

    (RODRIGUES, Maria Aparecida. A Transfiguração de Lúcia In:. _______ . Cinzas da paixão e outras estórias. Goiânia: Ed. da UCG, 2007. p. 19.)
    Assinale a alternativa que caracteriza corretamente o livro de contos Cinzas da paixão e outras estórias, de Maria Aparecida Rodrigues:
    Escolha uma alternativa para a questão 7b2a2001-b0
  • 7B162613-B0

    Português

    Análise sintática
    PUC-GO · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 05

          Fecho os olhos com insistência e tento resgatar a veracidade daqueles momentos. Tudo insólito, orvalho matutino, insolitíssimo.
         Na infância, corríamos quintal adentro. Subíamos nas grimpas das árvores e lá brincávamos de morar. Ela sempre no andar de baixo; eu, nas alturas. [...] O mundo dali era pequeno e ao mesmo tempo enorme. Eu e o mundo. Um no dentro do outro. Um além do outro. Tão longe e tão junto. [...] Ficava, eu, horas e horas, assim, balançando nas grimpas. Esquecia do tempo. Às vezes, brincávamos de impulsionar forte o galho, no ritmo do balanço até que lançássemos o nosso corpo da copa de uma árvore aos galhos de outras árvores próximas, feito pássaros: voando de galho em galho, de árvore em árvore, transpondo os limites do vazio e do céu.

    (RODRIGUES, Maria Aparecida. A Transfiguração de Lúcia In:. _______ . Cinzas da paixão e outras estórias. Goiânia: Ed. da UCG, 2007. p. 19.)
    No que se refere à organização sintática do texto, identifique a única alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 7b162613-b0
  • 7B0EA445-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 04


    Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. [...]

    Arrastaram-se para lá, devagar, sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.

    Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão. – Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai. Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo. A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O vôo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.

    – Anda, excomungado.

    O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário – e a obstinação da criança irritava-o. [...]



    (RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 100. ed. Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 9-10)




    No texto de Graciliano Ramos, encontramos elementos culturais que são usados em diversas sociedades. Os estudos etnomatemáticos de Elivanete Alves de Jesus mostram que, na sociedade Kalunga do Riachão, localizada no município de Monte Alegre de Goiás, são utilizadas a quarta, a cuia feita de cabaças, com capacidade de aproximadamente 2 litros, e o tapiti, uma herança indígena, feito de palha de buriti, que serve para escorrer a massa de mandioca. Segundo essa pesquisadora, o tapiti tem forma cilíndrica e, na comunidade Kalunga do Riachão, possui aproximadamente 2 m de comprimento por uns 20 cm de diâmetro. Com base nessas informações, analise os itens abaixo:


    I-O volume aproximado de massa de mandioca que o tapiti acima descrito suporta é de aproximadamente 0,0628 m3 .

    II-Considerando que uma quarta de farinha de mandioca equivale a 20 litros de farinha, então a mesma quantidade pode ser distribuída em 10 cuias.

    III-A quantidade de palha de buriti necessária para construir a lateral do tapiti é aproximadamente 0,1256 m2 .

    IV- Se considerarmos que um tapiti equivale a 1/8 de uma quarta e supondo que a capacidade da quarta seja de 20 litros de farinha, então a capacidade desse tapiti é de 2,5 litros de farinha.


    Após a análise dos itens, assinale a alternativa verdadeira:
    Escolha uma alternativa para a questão 7b0ea445-b0
  • 7AE3D0ED-B0

    Português

    Advérbios
    PUC-GO · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 04

          Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. [...]

           Arrastaram-se para lá, devagar, sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.

          Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.

          – Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai. Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo.

          A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O vôo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.

             – Anda, excomungado.

       O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário – e a obstinação da criança irritava-o. [...]

    (RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 100. ed. Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 9-10)



    Sobre o trecho “Arrastaram-se para lá, devagar [...] o menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás”, retirado do texto 04, indique a única alternativa verdadeira:

    Escolha uma alternativa para a questão 7ae3d0ed-b0
  • 7AD44E17-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2010DifícilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 02


    Ao chegar ao Rio, de Corumbá, Fuentes hospedou-se no Hotel Bragança, na avenida Mem de Sá. Um hotel cheio de turistas argentinos falando portunhol. [...]
    Na lista telefônica Fuentes escolheu um oftalmologista de nome espanhol, Pablo Hernandez. O dr. Hernandez descendia de uruguaios e, para desapontamento de Fuentes, não falava espanhol. Em seu bem montado consultório, na avenida Graça Aranha, na Esplanada do Castelo, examinou Fuentes cuidadosamente. O cristalino, a íris, a conjuntiva, o nervo ótico, os músculos, artérias e veias do aparelho ocular estavam perfeitos. A córnea, porém, fora atingida. Didaticamente Hernandez explicou ao seu cliente que a córnea era uma camada externa transparente através da qual a luz – e com a luz, a cor, a forma, o movimento das coisas – penetrava no olho.

    Córnea – moça, 24ª , vende. Tel. 185-3944.
    O anúncio no O Dia foi lido por Fuentes. Ele ligou de seu quarto, no Hotel Bragança. Atendeu uma mulher...[...] Ela disse que ele podia pegar um ônibus no largo de São Francisco.
    “É para você?”, perguntou a mulher quando Fuentes lhe falou que era a pessoa que havia telefonado. [...]
    “Sim, é para mim.” A mulher não ter percebido a cicatriz no seu olho esquerdo deixou Fuentes satisfeito. [...]
    “Dez milhas”, disse a mulher impaciente. “E não é caro. O preço de um carro pequeno. Minha filha é muito moça, nunca teve doença, dentes bons, ouvidos ótimos. Olhos maravilhosos.”


    (FONSECA, Rubem. A Grande Arte. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 137-139.)


    Com relação ao texto 02, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 7ad44e17-b0
  • 7AB11D6F-B0

    Português

    Adjetivos
    PUC-GO · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 02


    Ao chegar ao Rio, de Corumbá, Fuentes hospedou-se no Hotel Bragança, na avenida Mem de Sá. Um hotel cheio de turistas argentinos falando portunhol. [...]
    Na lista telefônica Fuentes escolheu um oftalmologista de nome espanhol, Pablo Hernandez. O dr. Hernandez descendia de uruguaios e, para desapontamento de Fuentes, não falava espanhol. Em seu bem montado consultório, na avenida Graça Aranha, na Esplanada do Castelo, examinou Fuentes cuidadosamente. O cristalino, a íris, a conjuntiva, o nervo ótico, os músculos, artérias e veias do aparelho ocular estavam perfeitos. A córnea, porém, fora atingida. Didaticamente Hernandez explicou ao seu cliente que a córnea era uma camada externa transparente através da qual a luz – e com a luz, a cor, a forma, o movimento das coisas – penetrava no olho.

    Córnea – moça, 24ª , vende. Tel. 185-3944.
    O anúncio no O Dia foi lido por Fuentes. Ele ligou de seu quarto, no Hotel Bragança. Atendeu uma mulher...[...] Ela disse que ele podia pegar um ônibus no largo de São Francisco.
    “É para você?”, perguntou a mulher quando Fuentes lhe falou que era a pessoa que havia telefonado. [...]
    “Sim, é para mim.” A mulher não ter percebido a cicatriz no seu olho esquerdo deixou Fuentes satisfeito. [...]
    “Dez milhas”, disse a mulher impaciente. “E não é caro. O preço de um carro pequeno. Minha filha é muito moça, nunca teve doença, dentes bons, ouvidos ótimos. Olhos maravilhosos.”


    (FONSECA, Rubem. A Grande Arte. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 137-139.)



    Leia o trecho destacado a seguir e, no que diz respeito à organização do seu material linguístico-textual, marque a única alternativa verdadeira.
    “O cristalino, a íris, a conjuntiva, o nervo ótico, os músculos, artérias e veias do aparelho ocular estavam perfeitos.” (FONSECA, 2008, p. 137)
    Escolha uma alternativa para a questão 7ab11d6f-b0
  • BF6E919B-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    UFPR · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto transcrito abaixo, que pertence ao livro Muitas vozes, de Ferreira Gullar. 

    MEU PAI

    meu pai foi
    ao Rio se tratar de
    um câncer (que
    o mataria) mas
    perdeu os óculos
    na viagem

    quando lhe levei
    os óculos novos
    comprados na Ótica
    Fluminense ele
    examinou o estojo com
    o nome da loja dobrou
    a nota de compra guardou-a
    no bolso e falou:
    quero ver
    agora qual é o
    sacana que vai dizer
    que eu nunca estive
              no Rio de Janeiro 

    Assinale a alternativa correta. 
    Escolha uma alternativa para a questão bf6e919b-b0
  • BF6B3A05-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    UFPR · 2010Muito difícilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a alternativa em que a expressão entre parênteses veicula significação equivalente à expressão grifada do enunciado.
    Escolha uma alternativa para a questão bf6b3a05-b0
  • BF686D29-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    UFPR · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    Numere as frases a seguir, indicando a sequência em que devem ser ordenadas para compor um texto coeso e coerente.

    ( ) Embora essa seja uma característica de municípios pequenos e médios, é observada também em duas capitais: Boa Vista (RR) e Rio Branco (AC).
    ( ) Mesmo levando em conta essas vantagens e reconhecendo a importância das motos para a mobilidade das pessoas, especialistas alertam para o aumento das mortes de motociclistas no país, que saltaram de 725 em 1996 para mais de 8 000 em 2009.
    ( ) O índice se limitava a 26% no começo da década.
    ( ) Essa preferência pela moto como principal meio de transporte em um número tão alto de municípios e mesmo em duas capitais da Região Norte pode ser explicada também pelo preço e facilidade de financiamento, com prestações que às vezes se limitam a 100 reais.
    ( ) Office-boys substituídos por motoboys, jegues por motos, táxis por mototáxis, preferência pela moto como um recurso para escapar de engarrafamentos, ônibus caros, lentos e desconfortáveis.
    ( ) O fenômeno, já observado desde os anos 90 está perto de se tornar predominante: quase metade das cidades brasileiras – 46% – já tem mais motocicletas que carros.

    Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
    Escolha uma alternativa para a questão bf686d29-b0
  • BF65A682-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    UFPR · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    As expressões assinaladas no parágrafo inicial da entrevista fazem a retomada de informações apresentadas previamente no texto.

    1      No final de maio deste ano, a revista Science publicou um trabalho que causou alarde para além dos muros da comunidade
    2 científica. Liderado pelo doutor Craig Venter, um grupo de cientistas norte-americanos conseguiu criar em laboratório a primeira
    3 célula controlada por um genoma sintético. A descoberta sinaliza para o fato de que a criação de seres vivos inéditos na natureza
    4 parece não estar distante, o que despertou a atenção de diversos setores da sociedade. Prova disso foi a atitude do presidente
    5 Barack Obama que, após tomar conhecimento do feito, pediu a seus conselheiros especializados em biotecnologia que
    6 elaborassem um relatório sobre os possíveis prós e contras da descoberta. O Vaticano, por sua vez, conclamou para o debate
    7 ético, ao afirmar que a descoberta “deve ter regras, como tudo o que toca o coração da vida”.

    Assinale a alternativa que NÃO estabelece de forma adequada a relação entre a expressão destacada e a informação que essa expressão retoma. 
    Escolha uma alternativa para a questão bf65a682-b0
  • BF62A1FC-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    UFPR · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    O texto a seguir é parte de uma entrevista publicada pela revista CULT e serve de base para as questão.

         No final de maio deste ano, a revista Science publicou um trabalho que causou alarde para além dos muros da comunidade científica. Liderado pelo doutor Craig Venter, um grupo de cientistas norte-americanos conseguiu criar em laboratório a primeira célula controlada por um genoma sintético. A descoberta sinaliza para o fato de que a criação de seres vivos inéditos na natureza parece não estar distante, o que despertou a atenção de diversos setores da sociedade. Prova disso foi a atitude do presidente Barack Obama que, após tomar conhecimento do feito, pediu a seus conselheiros especializados em biotecnologia que elaborassem um relatório sobre os possíveis prós e contras da descoberta. O Vaticano, por sua vez, conclamou para o debate ético, ao afirmar que a descoberta “deve ter regras, como tudo o que toca o coração da vida”.
         Esse exemplo é apenas um entre os tantos avanços recentes da ciência que suscitam acaloradas discussões. O homem está autorizado a criar seres vivos inéditos na natureza? Quais os dilemas éticos envolvidos? Qual o papel da sociedade e dos cientistas diante desses dilemas? Para discutir essas e outras questões, a CULT entrevistou uma das maiores autoridades brasileiras no assunto, a geneticista Lygia da Veiga Pereira.  

         CULT – Com relação ao genoma sintético, é correto falar em “criação” da vida, como a mídia vem fazendo?
         Lygia da Veiga Pereira – O que esse grupo [pesquisadores norte-americanos liderados pelo doutor Craig Venter] fez foi sintetizar no laboratório um genoma completo de uma bactéria e, ao colocar esse genoma dentro de outra, ele passou a reger a vida dessa bactéria. Então, rigorosamente falando, ele não criou vida, eu diria que ele reprogramou uma vida, pois transformou uma forma de vida A em uma forma de vida B. Trata-se de um grande avanço tecnológico, pois ele mostrou que consegue sintetizar no laboratório um genoma de uma bactéria e que esse genoma funciona quando é posto dentro de outra.   
         Por que eu digo que é um avanço puramente tecnológico? Eles de fato sintetizaram as moléculas de DNA em laboratório, mas a sequência daquele DNA já existia na natureza. O próximo passo, esse sim revolucionário, será criar um genoma inédito, que a natureza não selecionou. Baseados nos milhares de genes já descritos em bancos de dados, os pesquisadores poderão criar um genoma completamente inédito, inseri-lo em uma bactéria e então vão criar um ser vivo inédito. E para que fazer isso? Porque eles acham que vão conseguir desenhar seres vivos que exerçam funções interessantes para nós, como, por exemplo, captar CO2 da atmosfera ou digerir o petróleo no mar. É um enorme desafio. 

         CULT – Que implicações éticas você prevê para isso?
       Lygia – O dilema ético é que não conseguimos prever se esse ser vivo fará somente o que o pesquisador pretende que ele faça. Não sabemos se aquela bactéria que ele desenhou só para digerir o petróleo na água do mar vai, por exemplo, começar a digerir algas ou será tóxica para alguns peixes e então provocar um desastre ecológico. A questão é que os sistemas biológicos são muito complexos e não conhecemos todas as leis que os regem. Então, se propor a construir novos seres vivos, desenhar novos seres vivos talvez seja uma pretensão ainda muito grande, dado o nosso pouco conhecimento dessas leis. Pode-se ter a melhor das intenções, mas, quando esse ser vivo estiver solto no meio ambiente, ele vai se comportar de forma imprevisível e o tiro pode sair pela culatra. É nisso que devemos prestar atenção.
    (CULT, 16 jul. 2010.) 
    Avalie se as afirmativas a seguir correspondem ao ponto de vista expresso por Lygia da Veiga Pereira na entrevista a propósito da criação em laboratório de seres não existentes na natureza:

    1. A criação de seres vivos inéditos pode ser avaliada positivamente, uma vez que esses seres podem ser projetados para exercer funções benéficas para os homens e outros seres vivos.
    2. Antes de criar novos seres vivos, a ciência deve priorizar o estudo e a preservação da diversidade biológica existente.
    3. É necessário ampliar o conhecimento sobre os sistemas biológicos antes de colocar na natureza seres criados em laboratório.
    4. A criação de seres vivos inéditos representa uma ingerência humana injustificável nos processos naturais de evolução biológica.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão bf62a1fc-b0
  • BF5E8374-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    UFPR · 2010MédioEntre para guardar nos favoritos
    O texto a seguir é parte de uma entrevista publicada pela revista CULT e serve de base para as questão.

         No final de maio deste ano, a revista Science publicou um trabalho que causou alarde para além dos muros da comunidade científica. Liderado pelo doutor Craig Venter, um grupo de cientistas norte-americanos conseguiu criar em laboratório a primeira célula controlada por um genoma sintético. A descoberta sinaliza para o fato de que a criação de seres vivos inéditos na natureza parece não estar distante, o que despertou a atenção de diversos setores da sociedade. Prova disso foi a atitude do presidente Barack Obama que, após tomar conhecimento do feito, pediu a seus conselheiros especializados em biotecnologia que elaborassem um relatório sobre os possíveis prós e contras da descoberta. O Vaticano, por sua vez, conclamou para o debate ético, ao afirmar que a descoberta “deve ter regras, como tudo o que toca o coração da vida”.
         Esse exemplo é apenas um entre os tantos avanços recentes da ciência que suscitam acaloradas discussões. O homem está autorizado a criar seres vivos inéditos na natureza? Quais os dilemas éticos envolvidos? Qual o papel da sociedade e dos cientistas diante desses dilemas? Para discutir essas e outras questões, a CULT entrevistou uma das maiores autoridades brasileiras no assunto, a geneticista Lygia da Veiga Pereira.  

         CULT – Com relação ao genoma sintético, é correto falar em “criação” da vida, como a mídia vem fazendo?
         Lygia da Veiga Pereira – O que esse grupo [pesquisadores norte-americanos liderados pelo doutor Craig Venter] fez foi sintetizar no laboratório um genoma completo de uma bactéria e, ao colocar esse genoma dentro de outra, ele passou a reger a vida dessa bactéria. Então, rigorosamente falando, ele não criou vida, eu diria que ele reprogramou uma vida, pois transformou uma forma de vida A em uma forma de vida B. Trata-se de um grande avanço tecnológico, pois ele mostrou que consegue sintetizar no laboratório um genoma de uma bactéria e que esse genoma funciona quando é posto dentro de outra.   
         Por que eu digo que é um avanço puramente tecnológico? Eles de fato sintetizaram as moléculas de DNA em laboratório, mas a sequência daquele DNA já existia na natureza. O próximo passo, esse sim revolucionário, será criar um genoma inédito, que a natureza não selecionou. Baseados nos milhares de genes já descritos em bancos de dados, os pesquisadores poderão criar um genoma completamente inédito, inseri-lo em uma bactéria e então vão criar um ser vivo inédito. E para que fazer isso? Porque eles acham que vão conseguir desenhar seres vivos que exerçam funções interessantes para nós, como, por exemplo, captar CO2 da atmosfera ou digerir o petróleo no mar. É um enorme desafio. 

         CULT – Que implicações éticas você prevê para isso?
       Lygia – O dilema ético é que não conseguimos prever se esse ser vivo fará somente o que o pesquisador pretende que ele faça. Não sabemos se aquela bactéria que ele desenhou só para digerir o petróleo na água do mar vai, por exemplo, começar a digerir algas ou será tóxica para alguns peixes e então provocar um desastre ecológico. A questão é que os sistemas biológicos são muito complexos e não conhecemos todas as leis que os regem. Então, se propor a construir novos seres vivos, desenhar novos seres vivos talvez seja uma pretensão ainda muito grande, dado o nosso pouco conhecimento dessas leis. Pode-se ter a melhor das intenções, mas, quando esse ser vivo estiver solto no meio ambiente, ele vai se comportar de forma imprevisível e o tiro pode sair pela culatra. É nisso que devemos prestar atenção.
    (CULT, 16 jul. 2010.) 
    Segundo o texto, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão bf5e8374-b0