Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

Resultados

10.965 questões encontradas. Mostrando a página 81 de 549.

  • BCE9571D-04

    Português

    Interpretação de Textos
    UFGD · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos
    O avanço tecnológico provocou alterações nos meios de comunicação e também na linguagem, o que deu origem aos gêneros digitais. Tal avanço trouxe diversas novidades não apenas para os meios de comunicação, mas também para a linguagem. A comunicação passou por diversas transformações graças ao advento da informática, e essas transformações estão mais próximas do que imaginamos.

    Os gêneros textuais são incontáveis e adaptáveis às diversas realidades e situações comunicacionais. Eles também podem ser definidos graças a um conjunto de elementos fixos, embora sejam mais flexíveis do que os tipos textuais convencionais. A verdade é que a comunicação na internet acabou criando novos gêneros e alterando outros, comprovando que eles estão a serviço dos falantes e às necessidades de seu tempo. Se antes enviávamos cartas, hoje enviamos e-mail, que nada mais é do que uma adaptação virtual que dispensa o papel e a caneta. Hoje utilizamos as redes sociais para deixar um recado para nossos amigos. Contudo, é importante observar que, embora os meios tenham sido modernizados, a estrutura da comunicação e a forma com a qual nos expressamos continuam seguindo parâmetros que estabelecem uma relação dialógica com formas textuais preexistentes. Embora o número de gêneros seja variado, muitos deles possuem certa similaridade na escrita e na oralidade. Podemse exemplificar como gêneros digitais presentes no dia a dia o e-mail, os blogs, os chats e os fóruns eletrônicos.

    Disponível em: https://www.portugues.com.br/redacao/generos-digitais.html. Acesso em: 24 set. 2020 (Adaptado).

    Marque a alternativa que apresenta uma característica do desenvolvimento dos gêneros digitais.
    Escolha uma alternativa para a questão bce9571d-04
  • BCE6603C-04

    Português

    Pontuação
    UFGD · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a alternativa cujo texto está corretamente pontuado.
    Escolha uma alternativa para a questão bce6603c-04
  • BCE3B3C4-04

    Português

    Coesão e coerência
    UFGD · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    [...] é pertinente abranger outras categorias eminentemente textuais, como, por exemplo a anáfora e a catáfora [...]. Na sequência de um texto, podemos reativar uma referência anteriormente ativada: ‘um rei’ – ‘o rei’. Essa operação se caracteriza por uma ‘anáfora’, ou seja, constitui uma retomada de uma referência feita anteriormente.

    [...] As catáforas, menos comuns em nossos textos do dia a dia, ocorrem quando esse movimento de ativação e de reativação aparece invertido: primeiro vem a referência que seria de retomada e, depois, a que seria a referência base; por exemplo: ‘Ele – o rei’ ”.

    ANTUNES, Irandé. Textualidade: noções básicas e implicações pedagógicas. São Paulo: Parábola, 2017, p. 100-101, grifos da autora.

    Quanto à coesão textual, analise a ocorrência, nos dois enunciados a seguir, de presença ou ausência das categorias anáfora e catáfora.

    I. Ah, pobre Tom, meu menino mais cabeça-dura, não estou sendo dura com você. Eu não faria isso.

    II. Já sei, vamos fazer assim. Ninguém conta nada pra eles […].

    Diálogos retirados de: TWAIN, Mark. As aventuras de Tom Sawyer. Trad. Karla Lima. Jandira-SP: Ciranda Cultural, 2019.

    Sobre os enunciados em análise, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão bce3b3c4-04
  • BCE17666-04

    Português

    Interpretação de Textos
    UFGD · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEMPO

    Antônio Prata

    O bem mais valioso de nossa época não é o diamante nem o petróleo, a fórmula da Coca-Cola ou o sorriso da Natalie Portman: é o tempo. Obedecendo à lei da oferta e da procura, quanto mais escasso ele fica, mais caro nos é. A seca temporal é geral e irrestrita, tão democrática quanto a calvície, a saudade e a morte: eu não tenho tempo, você não tem tempo, o Eike Batista não tem tempo, o cara que está vendendo bala no farol, em agônica marcha atlética para recolher os saquinhos dos retrovisores, antes que abra o sinal, também não tem.

    Como vocês devem saber, o principal sintoma desta doença crônica – sem trocadilho – é a ansiedade. Toda manhã, flagro-me aflito, escovando os dentes, com pressa. Vejo-me batendo os pés no hall, enquanto o elevador não chega. Até o segundo que o cursor do celular leva para piscar, num SMS, permitindo-me digitar outra letra da mesma tecla, deixa-me exasperado.

    Antigamente, não era assim. Na minha infância, os dias tinham trinta horas, alguns chegando mesmo a quarenta, se bem me lembro. Não, não é que eu faça hoje mais coisas do que antes. Já pensei nisso, mas veja só quantas obrigações eu tinha no passado: cinco horas na escola, lição de casa, inglês, bateria, natação, jantar com os pais, toda noite, sem contar os séculos ao vivo ou ao telefone tentando convencer alguma menina a beijar-me na boca... E, mesmo assim, ainda sobravam infinitos latifúndios improdutivos, impossíveis de se ocupar, por mais que assistisse televisão, tirasse cochilos vespertinos, lesse livros, fosse às casas dos amigos jogar videogame, falar mal dos outros ou simplesmente juntar nossos tédios, olhar as paredes e escutar o tic-tac dos relógios.

    Das duas, uma: ou as horas eram mais abundantes do que hoje, ou, então, tinham uma incrível capacidade regenerativa, que perderam: a cada duas ou três horas mortas, uma nova hora nascia, fresquinha, como as células de uma pele jovem.

    Acho que foi lá pelo ano dois mil que o dia começou a encolher, chegando a essas míseras vinte quatro horas – com sensação térmica de dezesseis. Talvez tenha sido esse o verdadeiro bug do milênio: na virada de noventa e nove para o zero zero, todos os ponteiros, vendo-se livres do velho milênio e admirando o vazio que se abria adiante, como um retão num circuito de fórmula um, resolveram meter os pés no acelerador, de modo que acabamos assim, espremidos entre prazeres e obrigações, aflitos, escovando os dentes com pressa, andando em círculos, no hall do elevador.

    Há quem diga que a culpa é da melhora das comunicações e, consequentemente, do envio de dados. Com a informação viajando tão rápido, desaprendemos a arte da espera. Antigamente, aguardar era normal. Estávamos sempre esperando alguma coisa chegar. Uma carta, pelo correio. Um disco, do exterior. Uma foto, um texto ou um documento, via portador. Esses hiatos eram tidos como normais, uma brecha saudável, pausa para o cigarro ou o café, a prosa, a leitura de uma revista, o devaneio, a conversa na janela, a morte da bezerra. Hoje, não. Tá tudo aqui, e, se não está, nos afligimos. Queremos o pássaro na mão e os dois voando. Por que é que ainda não trouxeram esses dois que tão no céu, diabo?! Já não era melhor ter pego logo os três, de uma vez, otimizando custos e esforços?

    Enquanto não descobrimos a cura para este mal, a única saída é aprender a lidar com ele. Há que cercar com muros altos certas horas do relógio, para que nada as possa roubar de nós. Fazer diques de pedra em torno da hora de ficar com nosso amor, da hora de trabalhar no projeto pessoal, da hora do esporte, de ler um livro, encontrar um amigo. Mesmo assim, vira e mexe, vêm as obrigações, como um tsunami, ou os eventos sociais, como meteoros, e derrubam as barragens. Não há nada a fazer, senão reconstruir os muros, ainda mais fortes do que antes.

    Você sente a mesma coisa, ou sou só eu? Talvez seja só eu. Quem sabe, numa manhã de terça-feira, lá por 1998, eu tenha perdido a hora, para nunca mais encontrá-la? Ficarei assim, trinta minutos atrás do resto do mundo, tentando alcançá-lo, ininterruptamente, como quem corre atrás de um trem, até o fim dos tempos. Será que foi isso?

    Disponível em: https://www.pavablog.com/2011/08/20/tempo. Acesso em: 11 jul. 2020.

    A partir da leitura da crônica Tempo, de Antônio Prata, assinale a alternativa que apresenta características observáveis nesse texto.
    Escolha uma alternativa para a questão bce17666-04
  • BCDCAADD-04

    Português

    Interpretação de Textos
    UFGD · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia os excertos a seguir.

    Mais uma conquista de Eva... o futebol. Há cerca de uns três meses um grupo de moças dos mais conceituados clubes esportivos dos subúrbios da nossa Capital (Rio de Janeiro) iniciou a prática do futebol feminino entre nós. Organizaram quadros e, de acordo com as regras oficiais do “Foot-ball Association”, tem as nossas patrícias disputado várias partidas entre vários clubes. [...] E as partidas repetiram-se animadas e concorridas, violentas e movimentadas, com todas as características do jogo masculino, sem mesmo lhes faltar esse complemento que parece imprescindível no famoso esporte bretão – as agressões e os socos […]. A propósito desse sensacional acontecimento esportivo, inúmeras têm sido as consultas a nós endereçadas sobre esse tema: Pode a mulher praticar o futebol?.

    LOYOLA, H. Pode a mulher praticar o futebol. Revista Educação Physica, Rio de Janeiro, v.46, p. 41-5, 1940.

    Mesmo não sendo homogêneos os discursos direcionados para a interdição das mulheres em algumas modalidades esportivas, vale lembrar que os documentos oficiais que operam nesse sentido expressam as representações normatizadas de feminilidade […]. Não raras vezes as jogadoras de futebol são questionadas acerca de sua sexualidade, parecendo ser “natural” essa inspeção […]. Transgressoras ou não, as mulheres há muito estão presentes no futebol. Vão aos estádios, assistem campeonatos, acompanham o noticiário, treinam, fazem comentários, divulgam notícias, arbitram jogos, são técnicas, compõem equipes dirigentes […], enfim, participam do universo futebolístico e isso não há como negar. Certamente algumas destas mulheres transgridem ao que convencionalmente se designou como sendo próprio de seu corpo e de seu comportamento, questionam a hegemonia esportiva masculina historicamente construída e culturalmente assimilada e enfrentam os preconceitos e também as estratégias de poder que estão subjacentes a eles. [...] No entanto, ainda é precária a estruturação da modalidade no país, pois são escassos os campeonatos, as contratações das atletas são efêmeras e, praticamente, inexistem políticas privadas e públicas direcionadas para o incentivo às mulheres que desejam fazer sua carreira dentro desse esporte o que me leva a afirmar, que, na “Pátria das Chuteiras”, as mulheres não têm vez. Estão nas zonas de sombra ainda que há muito protagonizem histórias que construíram e estruturaram o futebol desse país.

    GOELLNER, Silvana Vilodre. Na “Pátria das chuteiras” as mulheres não tem vez. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL FAZENDO GÊNERO 7. Florianópolis, UFSC, 2006, p. 1-4.

    Os excertos referenciam uma das manifestações da cultura corporal que possui ampla visibilidade no imaginário do povo brasileiro: o futebol. No entanto, principalmente na mídia esportiva, a modalidade não é igualmente valorizada – ainda hoje – se considerarmos a sua prática por mulheres. Ao destacar o futebol como uma conquista das mulheres, Loyola (1940) enfatiza o questionamento que fez parte da história da categoria feminina do esporte: “Pode a mulher praticar futebol?”. Alguns estudiosos do campo da Educação Física, a exemplo de Silvana Vilodre Goellner (2006), demonstram o caminho percorrido historicamente pelas mulheres para a sua inserção nessa modalidade esportiva, repleta de argumentos que justificaram e ainda justificam a falta de incentivo e visibilidade das atletas no esporte. Sendo assim, quanto aos argumentos recrutados durante décadas para explicar a pouca visibilidade conferida às mulheres no futebol brasileiro, assinale a afirmativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão bcdcaadd-04
  • BCDA500A-04

    Português

    Interpretação de Textos
    UFGD · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Produzido em 1827, O Jantar, de Jean-Baptiste Debret, é conhecido e muito difundido nos livros de História por abordar as relações cotidianas no Brasil à época do pintor.

    Imagem da questão de Português, UFGD 2021, Interpretação de Textos
    Disponível em: https://idd.org.br/acervo/obra-o-jantar. Acesso em: 10 ago.2020.

    Com base nessa obra, é correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão bcda500a-04
  • 041D6930-B3

    Português

    Sintaxe
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos
    Mario Quintana, poeta gaúcho, foi um dos maiores expoentes da literatura brasileira. Com estilo eclético, estreou em 1940, desafiando os críticos literários por se ter tornado um poeta popular. Sua poesia é compreensível sem ser banal; sua originalidade é natural; suas metáforas são claras, mas, ao mesmo tempo, surpreendentes.   

    O poema Noturno citadino é a base para responder à questão.

    Um cartaz luminoso ri no ar.
    Ó noite, ó minha nêga
    toda acesa
    de letreiros!... Pena
    é que a gente saiba ler... Senão
    tu serias de uma beleza única
    inteiramente feita
    para o amor dos nossos olhos. 

    QUINTANA, M. Esconderijos do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
    O articulador argumentativo “Senão” imprime no poema um valor semântico de  
    Escolha uma alternativa para a questão 041d6930-b3
  • 041AEAF4-B3

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos
    Mario Quintana, poeta gaúcho, foi um dos maiores expoentes da literatura brasileira. Com estilo eclético, estreou em 1940, desafiando os críticos literários por se ter tornado um poeta popular. Sua poesia é compreensível sem ser banal; sua originalidade é natural; suas metáforas são claras, mas, ao mesmo tempo, surpreendentes.   

    O poema Noturno citadino é a base para responder à questão.

    Um cartaz luminoso ri no ar.
    Ó noite, ó minha nêga
    toda acesa
    de letreiros!... Pena
    é que a gente saiba ler... Senão
    tu serias de uma beleza única
    inteiramente feita
    para o amor dos nossos olhos. 

    QUINTANA, M. Esconderijos do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
    O sujeito lírico, para fazer entender seus sentimentos no poema, pretende criar um dialogismo imaginário íntimo no(s)
    Escolha uma alternativa para a questão 041aeaf4-b3
  • 0418765C-B3

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho a seguir para responder à questão.

    No mocambo si alguma cunhatã se aproximava dele pra fazer festinha, Macunaíma punha a mão nas graças dela, cunhatã se afastava. Nos machos guspia na cara. Porém respeitava os velhos e frequentava com aplicação a murua a poracê o torê o bacororô a cucuicogue, todas essas danças religiosas da tribo.

    Andrade, M. Macunaíma. Porto Alegre: L&PM, 2018.

    Após apresentar fatos sobre as traquinagens do herói, o narrador, no último período, apresenta argumentação que consolida a tese de uma entidade moral para a personagem, por meio de
    Escolha uma alternativa para a questão 0418765c-b3
  • 0415FD13-B3

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    A alcova estava mobiliada com as famosas redes brancas do Maranhão. Bem no centro havia uma mesa de jacarandá esculpido arranjada com louça branco-encarnada de Breves e cerâmica de Belém, dispostas sobre uma toalha de rendas tecidas com fibra de bananeiras. 

    Andrade, M. Macunaíma. Porto Alegre: L&PM, 2018.

    O fragmento exemplifica que, em Macunaíma, de Mário de Andrade, há
    Escolha uma alternativa para a questão 0415fd13-b3
  • 041370C3-B3

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho a seguir para responder à questão.

    [...]
    — Mãe, quem que leva nossa casa pra outra banda do rio no banhado, quem que leva? Pergunta assim!  
    A velha fez. Macunaíma pediu pra ela ficar com os olhos fechados e carregou todos os carregos, tudo, pro lugar em que estavam de já-hoje no mondongo imundado. Quando a velha abriu os olhos tudo estava no lugar de dantes, vizinhando com os tejupares de mano Maanape e de mano Jiguê com a linda Iriqui. E todos ficaram roncando de fome outra vez.  
    Então a velha teve uma raiva malvada. Carregou o herói na cintura e partiu. Atravessou o mato e chegou no capoeirão chamado Cafundó do Judas. Andou légua e meia nele, nem se enxergava mato mais, era um coberto plano apenas movimentado com o pulinho dos cajueiros. 
    Nem guaxe animava a solidão. A velha botou o curumim no campo onde ele podia crescer mais não e falou: 
    — Agora vossa mãe vai embora. Tu ficas perdido no coberto e podes crescer mais não. 

    Andrade, M. Macunaíma. Porto Alegre: L&PM, 2018.

    Em Macunaíma, Mário de Andrade inova nos padrões linguísticos, nos níveis lexical, morfológico e sintático, ao empregar a linguagem coloquial popular falada como marca de identidade nacional. No trecho acima, essa brasilidade está presente no(a)
    Escolha uma alternativa para a questão 041370c3-b3
  • 0410D62E-B3

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto a seguir para responder à questão. 

    CARTA PRAS ICAMIABAS

    Ás mui queridas súbditas nossas, Senhoras Amazonas.
     Trinta de Maio de Mil Novecentos e Vinte e Seis,
     São Paulo.
     Senhoras:

    Não pouco vos surpreenderá, por certo, o endereço e a literatura desta missiva. Cumpre-nos, entretanto, iniciar estas linhas de saùdade e muito amor, com desagradável nova. É bem verdade que na boa cidade de São Paulo – a maior do universo, no dizer de seus prolixos habitantes – não sois conhecidas por “icamiabas”, voz espúria, sinão que pelo apelativo de Amazonas; e de vós, se afirma, cavalgardes ginetes belígeros e virdes da Hélade clássica; e assim sois chamadas [...]

    Nem cinco sóis eram passados que de vós nos partíramos, quando a mais temerosa desdita pesou sobre Nós. Por uma bela noite dos idos de maio do ano translato, perdíamos a muiraquitã; que outrém grafara muraquitã, e, alguns doutos, ciosos de etimologias esdrúxulas, ortografam muyrakitan e até mesmo muraqué-itã, não sorriais! Haveis de saber que esse vocábulo, tão familiar às vossas trompas de Eustáquio, é quasi desconhecido por aqui. [...] Mas não nos sobra já vagar para discretearmos “sub tegmine fagi” sobre a língua portuguesa, também chamada lusitana. [...]

    Andrade, M. Macunaíma. Porto Alegre: L&PM, 2018.
    Há efeito de estranhamento para o leitor, porque a escrita difere da língua padrão atual, nas seguintes palavras:
    Escolha uma alternativa para a questão 0410d62e-b3
  • 040DBC7B-B3

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto a seguir para responder à questão. 

    CARTA PRAS ICAMIABAS

    Ás mui queridas súbditas nossas, Senhoras Amazonas.
     Trinta de Maio de Mil Novecentos e Vinte e Seis,
     São Paulo.
     Senhoras:

    Não pouco vos surpreenderá, por certo, o endereço e a literatura desta missiva. Cumpre-nos, entretanto, iniciar estas linhas de saùdade e muito amor, com desagradável nova. É bem verdade que na boa cidade de São Paulo – a maior do universo, no dizer de seus prolixos habitantes – não sois conhecidas por “icamiabas”, voz espúria, sinão que pelo apelativo de Amazonas; e de vós, se afirma, cavalgardes ginetes belígeros e virdes da Hélade clássica; e assim sois chamadas [...]

    Nem cinco sóis eram passados que de vós nos partíramos, quando a mais temerosa desdita pesou sobre Nós. Por uma bela noite dos idos de maio do ano translato, perdíamos a muiraquitã; que outrém grafara muraquitã, e, alguns doutos, ciosos de etimologias esdrúxulas, ortografam muyrakitan e até mesmo muraqué-itã, não sorriais! Haveis de saber que esse vocábulo, tão familiar às vossas trompas de Eustáquio, é quasi desconhecido por aqui. [...] Mas não nos sobra já vagar para discretearmos “sub tegmine fagi” sobre a língua portuguesa, também chamada lusitana. [...]

    Andrade, M. Macunaíma. Porto Alegre: L&PM, 2018.
    O trecho de “Cartas pras Icamiabas” em que se identifica intertextualidade, com efeitos de paródia, relativa à passagem da produção poética do poeta português Luís Vaz de Camões, é
    Escolha uma alternativa para a questão 040dbc7b-b3
  • 7A5CA66E-B2

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto a seguir para responder à questão. 


    Racismo no Brasil: todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista, diz Djamila Ribeiro 


    Em entrevista à BBC News Brasil, a autora do Pequeno Manual Antirracista diz o que deve ser feito por quem quer combater o racismo e sobre o papel dos pais na educação antirracista de seus filhos. Segundo a escritora: "Não basta só reconhecer o privilégio, precisa ter ação antirracista de fato. Ir a manifestações é uma delas, apoiar projetos importantes que visem à melhoria de vida das populações negras é importante, ler intelectuais negros, colocar na bibliografia. Quem a gente convida para entrevistar? Quem são as pessoas que a gente visibiliza?"

    Djamila Ribeiro é mestre em filosofia política pela Unifesp e uma das vozes mais influentes do movimento pelos direitos das mulheres negras no Brasil. Ela está na lista da BBC de 100 mulheres mais influentes e inspiradoras do mundo.

    Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/brasil (Adaptado)

    A fala da escritora Djamila Marques, citada no texto, é encerrada com duas interrogativas que corroboram seu argumento contra o racismo. As interrogativas retóricas, em relação ao argumento, produzem no texto, um sentido de
    Escolha uma alternativa para a questão 7a5ca66e-b2
  • 7A575155-B2

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o poema a seguir para responder à questão.


     Se um poeta falar num gato


    Se o poeta falar num gato, numa flor,

    num vento que anda por descampados e desvios

    e nunca chegou à cidade...

    se falar numa esquina mal e mal iluminada...

    numa antiga sacada... num jogo de dominó...

    se falar naqueles obedientes soldadinhos de chumbo que morriam de verdade...


    se falar na mão decepada no meio de uma escada

    de caracol...

    Se não falar em nada

    e disser simplesmente tralalá... Que importa?

    Todos os poemas são de amor!


    QUINTANA, M. Esconderijos do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.

    No poema, nota-se a presença reiterada da preposição "em", que se liga ao verbo falar, acrescentando-lhe um termo nominal dependente. Em alguns versos, seu emprego dá-se em contração com artigos definidos e indefinidos e com pronome demonstrativo.

    Considerando o sentido contextual que essa preposição apresenta no poema, a relação semântica que se estabelece entre os termos que ela liga é de

    Escolha uma alternativa para a questão 7a575155-b2
  • 7A54DD48-B2

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos
    Mario Quintana, poeta gaúcho, foi um dos maiores expoentes da literatura brasileira. Com estilo eclético, estreou em 1940, desafiando os críticos literários por se ter tornado um poeta popular. Sua poesia é compreensível sem ser banal; sua originalidade é natural; suas metáforas são claras, mas, ao mesmo tempo, surpreendentes.

    A questão trata do poema deste poeta de nossa literatura.

    Leia o poema Solau à moda antiga para responder à questão. 

    Senhora, eu vos amo tanto
    Que até por vosso marido
    Me dá um certo quebranto...
    Pois que tem que a gente inclua
    No mesmo alastrante amor
    Pessoa animal ou cousa
    Ou seja lá o que for,
    Só porque os banha o esplendor
    Daquela a quem se ama tanto?
    E sendo desta maneira,
    Não me culpeis, por favor,
    Da chama que ardente abrasa
    O nome de vossa rua,
    Vossa gente e vossa casa
    E vossa linda macieira
    Que ainda ontem deu flor...

    QUINTANA, M. Esconderijos do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.

    Nesse poema, marcado pelo senso de humor, reconhece-se, fortemente, características da poesia medieval trovadoresca nos versos: 
    Escolha uma alternativa para a questão 7a54dd48-b2
  • 7A5265B3-B2

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, é um ser que alegoricamente traz em si ambiguidades, ironias e diversas marcas como um mosaico da cultura original do Brasil.

    Há correspondência entre o fragmento do texto e o sentimento expresso pela palavra dos parênteses em:
    Escolha uma alternativa para a questão 7a5265b3-b2
  • 7A4FDBED-B2

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    O tempo, na arte literária, opera diversificado conforme os gêneros. Analise os fragmentos extraídos dos capítulos 3 e 4, de Macunaíma.

    Cap. 3
    No outro dia quando Macunaíma foi visitar o túmulo do filho, viu que nascera do corpo uma plantinha. Trataram dela com muito cuidado e foi o guaraná.

    Cap. 4
    No outro dia bem cedo o herói padecendo saudades de Ci, a companheira pra sempre inesquecível, furou o beiço inferior e fez da muiraquitã um tembetá.

    A expressão “no outro dia”, exemplificada acima, é frequentemente usada pelo narrador ao longo da obra Macunaíma. A recorrência desse marcador temporal mostra a intencionalidade do narrador em
    Escolha uma alternativa para a questão 7a4fdbed-b2
  • 7A4D5335-B2

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho do Cap. 1 para responder à questão. 

    Capítulo I

    [...]

    Nem bem teve seis anos deram água num chocalho pra ele e Macunaíma principiou falando como todos. E pediu pra mãe que largasse da mandioca ralando na cevadeira e levasse ele passear no mato. A mãe não quis porque não podia largar da mandioca não. Macunaíma choramingou dia inteiro. De-noite continuou chorando. No outro dia esperou com o olho esquerdo dormindo que a mãe principiasse o trabalho. Então pediu pra ela que largasse de tecer o paneiro de guarumá-membeca e levasse ele no mato passear. A mãe não quis porque não podia largar o paneiro não. E pediu pra nora, companheira de Jiguê, que levasse o menino. A companheira de Jiguê era bem moça e chamava Sofará. Foi se aproximando ressabiada porém desta vez Macunaíma ficou muito quieto sem botar a mão na graça de ninguém. A moça carregou o piá nas costas e foi até o pé de aninga na beira do rio. A água parara pra inventar um ponteio de gozo nas folhas do javari. O longe estava bonito com muitos biguás e biguatingas avoando na estrada do furo. A moça botou Macunaíma na praia porém ele principiou choramingando, que tinha muita formiga!... e pediu pra Sofará que o levasse até o derrame do morro lá dentro do mato. A moça fez. Mas assim que deitou o curumim nas tiriricas, tajás e trapoerabas da serrapilheira, ele botou corpo num átimo e ficou um príncipe lindo. Andaram por lá muito.

    [...]

    Andrade, M. Macunaíma. São Paulo: Ótima, 2015.
    As metamorfoses experimentadas pelo herói no percurso da obra concorrem para a solidez do epíteto “herói sem nenhum caráter”. Além dessas transformações, Macunaíma apresenta, ao longo da narrativa, indícios de sua falta de caráter, tal como se comprova no trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão 7a4d5335-b2
  • 7A4A00F3-B2

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho do Cap. 1 para responder à questão. 

    Capítulo I

    [...]

    Nem bem teve seis anos deram água num chocalho pra ele e Macunaíma principiou falando como todos. E pediu pra mãe que largasse da mandioca ralando na cevadeira e levasse ele passear no mato. A mãe não quis porque não podia largar da mandioca não. Macunaíma choramingou dia inteiro. De-noite continuou chorando. No outro dia esperou com o olho esquerdo dormindo que a mãe principiasse o trabalho. Então pediu pra ela que largasse de tecer o paneiro de guarumá-membeca e levasse ele no mato passear. A mãe não quis porque não podia largar o paneiro não. E pediu pra nora, companheira de Jiguê, que levasse o menino. A companheira de Jiguê era bem moça e chamava Sofará. Foi se aproximando ressabiada porém desta vez Macunaíma ficou muito quieto sem botar a mão na graça de ninguém. A moça carregou o piá nas costas e foi até o pé de aninga na beira do rio. A água parara pra inventar um ponteio de gozo nas folhas do javari. O longe estava bonito com muitos biguás e biguatingas avoando na estrada do furo. A moça botou Macunaíma na praia porém ele principiou choramingando, que tinha muita formiga!... e pediu pra Sofará que o levasse até o derrame do morro lá dentro do mato. A moça fez. Mas assim que deitou o curumim nas tiriricas, tajás e trapoerabas da serrapilheira, ele botou corpo num átimo e ficou um príncipe lindo. Andaram por lá muito.

    [...]

    Andrade, M. Macunaíma. São Paulo: Ótima, 2015.
    A obra Macunaíma apresenta uma exploração criativa da linguagem, em nível oral e popular, que se distancia da linguagem padrão. No trecho acima, essa subversão linguística é marcada pelo(a)
    Escolha uma alternativa para a questão 7a4a00f3-b2