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Disciplina · Linguagens

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

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Resultados: 10.965 questões

Página 190 de 549

  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2015, Interpretação de Textos

    Frei Betto

    Adaptado de O Dia, 21/03/2015.

    Na produção do humor, traço típico da crônica, o autor combina eufemismos com outros recursos ou figuras de linguagem.


    O exemplo em que o humor é produzido por meio da superposição entre um eufemismo e uma comparação entre elementos distintos é:

    Escolha uma alternativa para a questão 562bfbc6-14
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2015, Interpretação de Textos

    Frei Betto

    Adaptado de O Dia, 21/03/2015.

    No segundo parágrafo, o emprego de certa estrutura encaminha a reflexão do leitor para os disfarces que a linguagem permite.

    Essa estrutura é caracterizada principalmente por:

    Escolha uma alternativa para a questão 562fd95e-14
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2015, Interpretação de Textos

    Antonio Prata

    Adaptado de Folha de São Paulo, 11/01/2015.

    O terrorismo é duplamente obscurantista: primeiro no atentado, depois nas reações que desencadeia.


    O subtítulo do texto sugere uma explicação para o título.

    Essa explicação é melhor compreendida pela associação entre:



    Escolha uma alternativa para a questão 563424fa-14
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2015, Interpretação de Textos

    Antonio Prata

    Adaptado de Folha de São Paulo, 11/01/2015.

    Considere o último parágrafo do texto para responder à  questão abaixo.


    Todo abacate é verde. O Incrível Hulk é verde. O Incrível Hulk é um abacate. (l. 22)

    Este parágrafo indica como o leitor deve ler todos os anteriores.
    Segundo essa indicação, os argumentos apresentados pelo cronista devem ser compreendidos como:



    Escolha uma alternativa para a questão 563de8aa-14
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2015, Interpretação de Textos

    Antonio Prata

    Adaptado de Folha de São Paulo, 11/01/2015.

    Considere o último parágrafo do texto para responder à  questão abaixo.


    Todo abacate é verde. O Incrível Hulk é verde. O Incrível Hulk é um abacate. (l. 22)

    Todo argumento pode se tornar um sofisma: um raciocínio errado ou inadequado que nos leva a conclusões falsas ou improcedentes. O último parágrafo do texto é um exemplo de sofisma, considerando que, da constatação de que todo abacate é verde, não se pode deduzir que só os abacates têm cor verde.
    Esse é o tipo de sofisma que adota o seguinte procedimento:



    Escolha uma alternativa para a questão 5643bbba-14
  • Linguagens

    Português

    Cidade Maravilhosa

    Cidade maravilhosa

    Cheia de encantos mil

    Cidade maravilhosa Coração do meu Brasil


    Berço do samba e de lindas canções

    Que vivem n’alma da gente

    És o altar dos nossos corações

    Que cantam alegremente

    (...)

    André Filho e silva sobreira, 1935


    rio 40 graus Rio 40 graus

    Rio 40 graus

    Cidade maravilha

    Purgatório da beleza

    E do caos

    (...)

    O Rio é uma cidade

    De cidades misturadas

    O Rio é uma cidade

    De cidades camufladas

    Com governos misturados

    Camuflados, paralelos

    Sorrateiros

    Ocultando comandos...

    (...)

    Gatilho de disket

    Marcação pagode, funk

    De gatilho marcação

    De samba-lance

    Com batuque digital

    Na sub-uzi musical

    De batucada digital

    (...)

    Fernanda Abreu, 1992

    letras.mus.br


    As letras das canções Cidade maravilhosa, de 1935, e Rio 40 graus, de 1992, parecem não retratar a mesma cidade.

    As diferentes percepções do Rio de Janeiro, retratadas em cada letra, podem ser associadas, respectivamente, às ideias de:

    Escolha uma alternativa para a questão 56d95333-14
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, PUC - SP 2015, Interpretação de Textos

    Segundo o texto, “altruísmo eficaz” é
    Escolha uma alternativa para a questão 3df5b199-34
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, PUC - SP 2015, Pontuação

    Assinale as funções das aspas nas ocorrências destacadas no texto.
    Escolha uma alternativa para a questão 3dfd46ad-34
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, PUC - SP 2015, Pontuação

    No quarto parágrafo, os dois-pontos servem para anunciar
    Escolha uma alternativa para a questão 3e02c9ae-34
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, PUC - SP 2015, Sintaxe

    Qual dos trechos abaixo apresenta relação de causa e consequência?
    Escolha uma alternativa para a questão 3e0888b6-34
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, PUC - SP 2015, Interpretação de Textos

    Qual efeito de sentido decorre do uso do verbo sugerir nesta passagem?


    “Tudo isso sugere que Wage talvez salve mais vidas com suas doações do que salvaria se tivesse se tornado funcionário de uma ONG." 

    Escolha uma alternativa para a questão 3e0e9cfb-34
  • Linguagens

    Português

    Rolos de chamas envoltas em denso bulcão de fumo
    subiam aos ares.
    A casa das Palmas e suas dependências, vistas de
    longe, pareciam submersas em um turbilhão de fogo,
    que surgia das entranhas da terra, e convolvia-se pelo
    negrume do espaço.
    Açoitada pelo vento, a labareda estorcendo-se e
    rabiando, rugia de sanha; ou sufocada um instante
    pelas abóbodas de fumaça e pelas camadas de
    palhiço, troava como um canhão, arrojando-se às
    nuvens.
    De instante a instante ouvia-se uma descarga de
    fuzilaria, correndo ao longo daquela faixa incendiada
    que figurava a ala de um exército em renhida batalha.
    Eram os gomos das canas, que estalavam ao intenso
    calor do fogo.
    Com os sibilos da labareda enroscada no ar,
    confundiam-se os silvos das cascavéis e jararacas
    que, surpreendidas pelo incêndio, arremessavam-se
    furiosas contra o fogo e rompiam estortegando pelo
    campo abrasado.
    As aves noturnas deslumbradas com o súbito clarão,
    fugiam soltando guinchos de terror, enquanto as feras,
    insufladas pelo instinto da desolação, uivavam no
    fundo da floresta e trotavam ligeiras para arrebatarem
    a presa ao incêndio e se abeberarem de sangue.
    Medonho espetáculo!
    O incêndio crescia com tal velocidade, que parecia
    uma catarata de fogo, a inundar o espaço, ameaçando
    comunicar-se à floresta, e submergir a terra em um
    pélago de chamas.
    Do seio daquele surdo rumor produzido pelo ressolho
    da labareda, se desprendeu e reboou ao longe um
    grito soturno; mugir da turba espavorida ante as
    tremendas convulsões da natureza.

    O texto acima integra a obra Til, de José de Alencar. Das alternativas abaixo, indique a que contém informação que NÃO corresponde às características do trecho citado.
    Escolha uma alternativa para a questão 3e2252f5-34
  • Linguagens

    Português

    Vidas Secas, novela de Graciliano Ramos, apesar de ser uma obra sobre a natureza inóspita e a miséria do nordeste, apresenta um texto marcadamente estético e lírico, que alcança os limites da poesia. Assim, indique, nas alternativas abaixo, a que apresenta trecho com linguagem cuja função é dominantemente poética.
    Escolha uma alternativa para a questão 3e27a870-34
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 1

                   As vozes do homem 

    Naquele momento de angústia,

    o homem não sabia se era o mau ou o bom ladrão.

    E quando a mais amarga das estrelas o oprimia demais,

    eis que a sua boca ia dizendo:

    eu sou anjo.

    E os pés do homem: nós somos asas.

    E as mãos: nós somos asas.

    E a testa do homem: eu sou a lei.

    E os braços: nós somos cetros.

    E o peito: eu sou o escudo.

    E as pernas: nós somos as colunas.

    E a palavra do homem: eu sou o Verbo.

    E o espírito do homem: eu sou o Verbo.

    E o cérebro: eu sou o guia.

    E o estômago: eu sou o alimento.

    E se repetiram depois as acusações milenárias.

    E todas as alianças se desfizeram de súbito.

    E todas as maldições ressoaram tremendas.

    E as espadas de fogo interceptaram o caminho da

    [árvore da vida.

    E as mãos abarcaram o pescoço do homem:

    nós te abarcaremos.



    [...]

                                                               (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 94.)

    No Texto 1, as vozes a que o título se refere manifestam-se (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão 6e01da4e-34
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 1

                   As vozes do homem 

    Naquele momento de angústia,

    o homem não sabia se era o mau ou o bom ladrão.

    E quando a mais amarga das estrelas o oprimia demais,

    eis que a sua boca ia dizendo:

    eu sou anjo.

    E os pés do homem: nós somos asas.

    E as mãos: nós somos asas.

    E a testa do homem: eu sou a lei.

    E os braços: nós somos cetros.

    E o peito: eu sou o escudo.

    E as pernas: nós somos as colunas.

    E a palavra do homem: eu sou o Verbo.

    E o espírito do homem: eu sou o Verbo.

    E o cérebro: eu sou o guia.

    E o estômago: eu sou o alimento.

    E se repetiram depois as acusações milenárias.

    E todas as alianças se desfizeram de súbito.

    E todas as maldições ressoaram tremendas.

    E as espadas de fogo interceptaram o caminho da

    [árvore da vida.

    E as mãos abarcaram o pescoço do homem:

    nós te abarcaremos.



    [...]

                                                               (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 94.)

          Jorge de Lima é um poeta de múltiplas dimensões temporais. É considerado pela crítica “um poeta regional, negro, bíblico e hermético" (BOSI, 1989, p. 506). O motivo religioso foi determinante no desenvolvimento de sua poesia. Sobre o fragmento do poema “As vozes do homem" (Texto 1), assinale a alternativa correta:


                                        (BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix , 1989.)


    Escolha uma alternativa para a questão 6e1faf5d-34
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 2

        I
    Corre em mim
    (devastado)
    um rio de revolta
    e
    cicio.
    Por nada deste mundo
    há de saber-se afogado,
    senão por sua sede
    e seu desvio!

       II
    Tudo que edifico
    na origem milenar da espera
    é poder
    do que não pode
    e se revela

    ad mensuram.

                         (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 23-24.)


    O rio que corre no poeta (Texto 2) é de natureza (marque a alternativa correta):


    Escolha uma alternativa para a questão 6e243068-34
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 3  

                                           O outro

         Ele me olhou como se estivesse descobrindo o mundo. Me olhou e reolhou em fração de segundo. Só vi isso porque estava olhando-o na mesma sintonia. A singularização do olhar. Tentei disfarçar virando o pescoço para a direita e para a esquerda, como se estivesse fazendo um exercício, e numa dessas viradas olhei rapidamente para ele no volante. Ele me olhava e volveu rapidamente os olhos, fingindo estar tirando um cisco da camisa. Era um ser de meia idade, os cabelos com alguns fios grisalhos, postura de gente séria, camisa branca, um cidadão comum que jamais flertaria com outra pessoa no trânsito. E assim, enquanto o semáforo estava no vermelho para nós, ficou esse jogo de olhares que não queriam se fixar, mas observar o outro espécime que nada tinha de diferente e ao mesmo tempo tinha tudo de diferente. Ele era o outro e isso era tudo. É como se, na igualdade de milhares de humanos, de repente, o ser se redescobrisse num outro espécime. Quando o semáforo ficou verde, nós nos olhamos e acionamos os motores. 

                                                  (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 130.)

    Assinale a alternativa que se aproxima corretamente do conteúdo semântico do seguinte trecho retirado do Texto 3: “observar o outro espécime que nada tinha de diferente e ao mesmo tempo tinha tudo de diferente”:
    Escolha uma alternativa para a questão 6e4b2be1-34
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 4
            Lua de mel! Lua de fel. Bebi meu cálice de amargura, cumprindo cada uma das estações da dor. Fui para a cama com um rapaz decente, um amigo fiel, porém insípido, insosso, desenxabido como a sopa que agora engulo todas as noites. Enquanto isso, perto dali, o homem pelo qual meu corpo inteiro latejava, que eu queria e que me desejava, entrava debaixo dos lençóis de outra mulher, minha irmã. Amor, paixão, revolta. Ódio. Com que fúria maldisse meu pai, minha mãe. Ana Alice, minha irmã, tão apaixonada pelo Vítor quanto eu, e com a vantagem daquele odioso arzinho de fragilidade, o trunfo que acabou lhe garantindo a vitória. Na batalha da força contra a fraqueza, a última saiu vitoriosa. Quem diria! Com tão escassa munição, a sonsa Ana Alice venceu a peleja. 
            O castigo tem pressa, não se faz esperar. Aqui se faz, aqui se paga. O preço foi alto; durante anos, minha irmã permaneceu chafurdada no inferno do ciúme. Chamuscou na labareda da inveja a pureza de suas lindas asas de anjo. Encontrou, um dia, a felicidade? Não encontrou? Uma coisa é certa: ninguém pode dizer que Ana Alice tenha sido rejeitada. E, ao seu modo, talvez tenha sido feliz sim, não sei. No final, acomodou-se nos braços de um amor maduro, se morno ou não, quem há de saber? Morreu tranquila ao lado do marido. Naqueles tempos em que a palavra dada tinha peso de assinatura, ninguém ponderou a força da paixão que unia o Vítor a mim. Não avaliaram a ameaça que representava nossa cumplicidade, o gosto pelas mesmas coisas, um amor jovem demais desabrochado na clandestinidade. No início de nossos casamentos, resistimos. Permanecemos aparentemente acomodados em nossos compromissos arranjados. Antes de tudo, vinha a arraigada convicção de que era necessário manter as aparências. 
    (BARROS, Adelice da Silveira.  Mesa  dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 19.)
    Sabemos que em Literatura nem tudo o que parece é, de fato. As palavras possuem, no universo literário, pesos e medidas imensuráveis. Assim, a história das irmãs envolvidas na trama narrada por uma delas, no romance Mesa dos inocentes, de Adelice da Silveira Barros, de que faz parte o Texto 4, nos leva a concluir que (marque a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão 6e9a180b-34
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 5

        TODO PIONEIRO É UM FORTE, pensava Bambico. Acredita nos sonhos. Se não fosse por ele, o mundo ainda estaria no tempo das cavernas... Quanto mais pensava nisso, mais se fortalecia. 

         Bambico chegara à Amazônia com as mãos vazias, vindo do Sul. Mas tinha na cabeça projetos grandiosos. Queria extrair da natureza toda a riqueza intacta, como o garimpeiro faz. Não desejava, entretanto, cavar rio e terra para achar pepitas de ouro. Não tinha vocação para tatu. Não faria como os garimpeiros: quando não havia mais nada, eles se mudavam, atrás de outros garimpos.

        — Garimpeiro vive de ilusões. Eu gosto de projetos! 

        Que projetos grandiosos eram? Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos. Em seguida, semear capim, povoando os campos com as boiadas de nelore brilhando de tanta saúde. A riqueza estava acima do chão. A imensidão verde desaparecia no horizonte. Só de olhar para uma árvore, sabia quantos dólares cairia em seus bolsos. Quando ouvia os roncos das motosserras, costumava dizer, orgulhoso: 

        — Eis o barulho da fortuna! 

        Montes de serragem eram avistados de longe quando o visitante chegava às pequenas comunidades. Os caminhões de toras gemiam nas estradas esburacadas. Índios e caboclos eram afugentados à bala. A floresta se transformava num pó fino, que logo apodrecia. Quando os montes de serragem não apodreciam, eram queimados, sempre apressadamente. Por dias, os canudos negros de fumaça subindo pesadamente ao céu. Havia o medo dos fiscais. Quando apareciam, quase nunca eram vistos, era conveniente que houvesse pouca serragem...

        Que história, a de Bambico! Teria muita coisa a contar para os netos que haveriam de chegar. 

        Em seu escritório, fumando um Havana, que um importador americano lhe presenteara, estufou o peito, vaidoso. 

        — Sim, muitas coisas! Quem te viu, quem te vê!

        [...]

        Sentia prazer com seus projetos grandiosos. Toda manhã se levantava para conquistar o mundo. Vereança era merreca. Não se rastejava em pequenos projetos. Muito menos desejava ser deputado... Ambicionava altos voos. Todo deputado era pau-mandado dos ricos. O Senado, sim, era o grande alvo. Lá, ele poderia afrontar esses “falsos profetas protetores da natureza". Essas ONGs de fachada... Lá, o seu cajado cairia sem dó, como um verdugo, sobre o costado dessa gente tola. Enquanto isso, ele poderia continuar seus projetos grandiosos. Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos, e semear capim. 

        Sonhara em ter uma dúzia de filhos, mas o destino lhe dera apenas dois. Sua mulher, após o segundo parto, ficara impossibilitada de procriar. Não queria fêmea entre os seus descendentes, mas logo no primeiro parto veio a decepção. Uma menina. Decepcionado, nada comentou com a esposa. No segundo, depois de uma gravidez tumultuada, veio o varão. Encheu-se de alegria. Com certeza, mais varões estavam para vir... [...]

                                   (GONÇALVES, David. Sangue verde. São Paulo: Sucesso Pocket, 2014. p. 114-115.)


    Ao assumir o ponto de vista de Bambico (Texto 5), o narrador (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão 6e9ed1b3-34
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 5

        TODO PIONEIRO É UM FORTE, pensava Bambico. Acredita nos sonhos. Se não fosse por ele, o mundo ainda estaria no tempo das cavernas... Quanto mais pensava nisso, mais se fortalecia. 

         Bambico chegara à Amazônia com as mãos vazias, vindo do Sul. Mas tinha na cabeça projetos grandiosos. Queria extrair da natureza toda a riqueza intacta, como o garimpeiro faz. Não desejava, entretanto, cavar rio e terra para achar pepitas de ouro. Não tinha vocação para tatu. Não faria como os garimpeiros: quando não havia mais nada, eles se mudavam, atrás de outros garimpos.

        — Garimpeiro vive de ilusões. Eu gosto de projetos! 

        Que projetos grandiosos eram? Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos. Em seguida, semear capim, povoando os campos com as boiadas de nelore brilhando de tanta saúde. A riqueza estava acima do chão. A imensidão verde desaparecia no horizonte. Só de olhar para uma árvore, sabia quantos dólares cairia em seus bolsos. Quando ouvia os roncos das motosserras, costumava dizer, orgulhoso: 

        — Eis o barulho da fortuna! 

        Montes de serragem eram avistados de longe quando o visitante chegava às pequenas comunidades. Os caminhões de toras gemiam nas estradas esburacadas. Índios e caboclos eram afugentados à bala. A floresta se transformava num pó fino, que logo apodrecia. Quando os montes de serragem não apodreciam, eram queimados, sempre apressadamente. Por dias, os canudos negros de fumaça subindo pesadamente ao céu. Havia o medo dos fiscais. Quando apareciam, quase nunca eram vistos, era conveniente que houvesse pouca serragem...

        Que história, a de Bambico! Teria muita coisa a contar para os netos que haveriam de chegar. 

        Em seu escritório, fumando um Havana, que um importador americano lhe presenteara, estufou o peito, vaidoso. 

        — Sim, muitas coisas! Quem te viu, quem te vê!

        [...]

        Sentia prazer com seus projetos grandiosos. Toda manhã se levantava para conquistar o mundo. Vereança era merreca. Não se rastejava em pequenos projetos. Muito menos desejava ser deputado... Ambicionava altos voos. Todo deputado era pau-mandado dos ricos. O Senado, sim, era o grande alvo. Lá, ele poderia afrontar esses “falsos profetas protetores da natureza". Essas ONGs de fachada... Lá, o seu cajado cairia sem dó, como um verdugo, sobre o costado dessa gente tola. Enquanto isso, ele poderia continuar seus projetos grandiosos. Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos, e semear capim. 

        Sonhara em ter uma dúzia de filhos, mas o destino lhe dera apenas dois. Sua mulher, após o segundo parto, ficara impossibilitada de procriar. Não queria fêmea entre os seus descendentes, mas logo no primeiro parto veio a decepção. Uma menina. Decepcionado, nada comentou com a esposa. No segundo, depois de uma gravidez tumultuada, veio o varão. Encheu-se de alegria. Com certeza, mais varões estavam para vir... [...]

                                   (GONÇALVES, David. Sangue verde. São Paulo: Sucesso Pocket, 2014. p. 114-115.)


       Em Sangue verde (Texto 5), o narrador retrata os pensamentos e conhecimentos de Bambico. Com base na leitura do livro, analise as afirmações a seguir:

    I- A personagem entende que o garimpo é, para ela, apenas um ponto para se estabelecer a relação com Brasília, onde o enriquecimento não dependeria do trabalho insano de se extrair pepitas da terra.

    II- Bambico demonstra ser ambicioso a partir do momento que realiza o oposto daqueles que buscam o ouro, pois deseja extrair da Amazônia a verdadeira riqueza – aquilo que estava acima do chão – para mais rapidamente poder ascender a um cargo.

    III- A personagem prega a moral e os bons costumes, mas age inteiramente ao contrário, já que assassina índios, grila terras, sustenta amantes e elimina de seu caminho o Senador Justino, principal empecilho à sua candidatura ao Senado.

    Dos itens apresentados marque a alternativa que apresenta todos os itens corretos:

    Escolha uma alternativa para a questão 6eb20f8c-34