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Disciplina · Linguagens

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

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  • 95 assuntos

Resultados: 10.965 questões

Página 355 de 549

  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir para responder à questão.


    Figura 1 de 2 da questão de Português, UEG 2018, Interpretação de Textos Figura 2 de 2 da questão de Português, UEG 2018, Interpretação de Textos

    CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 13. ed. 2003. São Paulo: Ática. p. 90.

    No texto, a expressão “não batem” (linha 14), pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por
    Escolha uma alternativa para a questão 3f0c034a-c4
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir para responder à questão.


    Figura 1 de 2 da questão de Português, UEG 2018, Sintaxe Figura 2 de 2 da questão de Português, UEG 2018, Sintaxe

    CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 13. ed. 2003. São Paulo: Ática. p. 90.

    No trecho “é justamente essa enorme quantidade de veículos e formas de informação que acaba tornando tão difícil a busca da verdade” (linhas 6-7), o constituinte “essa enorme quantidade de veículos e formas de informação” exerce a função sintática de
    Escolha uma alternativa para a questão 3f0ee055-c4
  • Linguagens

    Português

    Observe a imagem e leia o texto a seguir para responder à questão.


    Imagem da questão de Português, UEG 2018, Interpretação de Textos

    AMARAL, Tarsila do. Os operários, 1931. Disponível em: <http://www.arteeartistas.com.br/operarios-tarsila-do-amaral/>. Acesso em: 01 out. 2018.


    Mulher proletária – única fábrica que o operário tem, (fabrica filhos)

         tu

    na tua superprodução de máquina humana

    forneces anjos para o Senhor Jesus,

    forneces braços para o senhor burguês.

    Mulher proletária,

    o operário, teu proprietário

    há de ver, há de ver:

    a tua produção ao contrário das máquinas burguesas

    salvar o teu proprietário. 

    LIMA, Jorge de. Mulher proletária. In: Antologia poética. São Paulo: José Olympio, 1978, p. 21.

    Uma ideia presente na pintura, e que também se verifica no poema, é a da
    Escolha uma alternativa para a questão 3f119a51-c4
  • Linguagens

    Português

    Observe a imagem e leia o texto a seguir para responder à questão.


    Imagem da questão de Português, UEG 2018, Interpretação de Textos

    AMARAL, Tarsila do. Os operários, 1931. Disponível em: <http://www.arteeartistas.com.br/operarios-tarsila-do-amaral/>. Acesso em: 01 out. 2018.


    Mulher proletária – única fábrica que o operário tem, (fabrica filhos)

         tu

    na tua superprodução de máquina humana

    forneces anjos para o Senhor Jesus,

    forneces braços para o senhor burguês.

    Mulher proletária,

    o operário, teu proprietário

    há de ver, há de ver:

    a tua produção ao contrário das máquinas burguesas

    salvar o teu proprietário. 

    LIMA, Jorge de. Mulher proletária. In: Antologia poética. São Paulo: José Olympio, 1978, p. 21.

    Em termos de construção, verifica-se, no poema, a presença de versos livres, ao passo que se tem, na pintura, uma estética de influência
    Escolha uma alternativa para a questão 3f14ac00-c4
  • Linguagens

    Português

    Observe a imagem e leia o texto a seguir para responder à questão.


    Imagem da questão de Português, UEG 2018, Interpretação de Textos

    AMARAL, Tarsila do. Os operários, 1931. Disponível em: <http://www.arteeartistas.com.br/operarios-tarsila-do-amaral/>. Acesso em: 01 out. 2018.


    Mulher proletária – única fábrica que o operário tem, (fabrica filhos)

         tu

    na tua superprodução de máquina humana

    forneces anjos para o Senhor Jesus,

    forneces braços para o senhor burguês.

    Mulher proletária,

    o operário, teu proprietário

    há de ver, há de ver:

    a tua produção ao contrário das máquinas burguesas

    salvar o teu proprietário. 

    LIMA, Jorge de. Mulher proletária. In: Antologia poética. São Paulo: José Olympio, 1978, p. 21.

    Tanto o poema quanto a pintura apresentados instauram uma relação entre
    Escolha uma alternativa para a questão 3f181ae9-c4
  • Linguagens

    Português

    Leia o fragmento a seguir para responder à questão.


    Imagem da questão de Português, UEG 2018, Interpretação de Textos

    Tem-se, no excerto apresentado, o retrato de uma mulher que
    Escolha uma alternativa para a questão 9c171e17-c5
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UEG 2018, Gêneros Textuais


    Em termos de genealogia literária, o fragmento apresentado pertence a uma obra do gênero narrativo. Não obstante, sua linguagem se utiliza de elementos do gênero

    Escolha uma alternativa para a questão 9c1e9496-c5
  • Linguagens

    Português

    Leia o soneto a seguir para responder à questão


    Tome, Dr., esta tesoura, e... corte 
    Minha singularíssima pessoa. 
    Que importa a mim que a bicharia roa 
    Todo o meu coração, depois da morte?!

    Ah! Um urubu pousou na minha sorte! 
    Também, das diatomáceas da lagoa 
    A criptógama cápsula se esbroa 
    Ao contacto de bronca destra forte!

    Dissolva-se, portanto, minha vida 
    Igualmente a uma célula caída 
    Na aberração de um óvulo infecundo;

    Mas o agregado abstrato das saudades 
    Fique batendo nas perpétuas grades 
    Do último verso que eu fizer no mundo! 


                            ANJOS, Augusto dos. Budismo moderno. In: Eu e outros poemas. 30. ed. Rio de janeiro: Livraria São José, 1965. p. 84. 

    Tem-se, no soneto apresentado, uma sugestão de que
    Escolha uma alternativa para a questão 9c243e47-c5
  • Linguagens

    Português

    Leia o soneto a seguir para responder à questão


    Tome, Dr., esta tesoura, e... corte 
    Minha singularíssima pessoa. 
    Que importa a mim que a bicharia roa 
    Todo o meu coração, depois da morte?!

    Ah! Um urubu pousou na minha sorte! 
    Também, das diatomáceas da lagoa 
    A criptógama cápsula se esbroa 
    Ao contacto de bronca destra forte!

    Dissolva-se, portanto, minha vida 
    Igualmente a uma célula caída 
    Na aberração de um óvulo infecundo;

    Mas o agregado abstrato das saudades 
    Fique batendo nas perpétuas grades 
    Do último verso que eu fizer no mundo! 


                            ANJOS, Augusto dos. Budismo moderno. In: Eu e outros poemas. 30. ed. Rio de janeiro: Livraria São José, 1965. p. 84. 

    Quanto à distribuição ao longo do poema, nota-se, nas duas primeiras estrofes, respectivamente, a presença de rimas
    Escolha uma alternativa para a questão 9c27d00f-c5
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir para responder à questão.


    Imagem da questão de Português, UEG 2018, Interpretação de Textos

    No trecho que vai da linha 5 à linha 13, o autor defende suas ideias com base em argumentos
    Escolha uma alternativa para a questão 9c2b644d-c5
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir para responder à questão.


    Imagem da questão de Português, UEG 2018, Interpretação de Textos

    De acordo com o autor, quando as pessoas aprendem a língua materna, aprendem a não prestar atenção às diferenças de som que não são importantes para a comunicação (linhas 26-29). No entanto, há casos em que essas diferenças não só são percebidas, mas também podem chamar bastante atenção. Isso é um dos objetos de estudo da Sociolinguística e acontece, por exemplo, quando
    Escolha uma alternativa para a questão 9c2f8c15-c5
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir para responder à questão.


    Imagem da questão de Português, UEG 2018, Gêneros Textuais

    O texto “Percepção e cognição”, de Mário Perini, apresenta elementos que o caracterizam como
    Escolha uma alternativa para a questão 9c33fe59-c5
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir.


    A base de toda teoria médica medieval sobre paixões ou acidentes da alma encontra-se na autoridade das obras de Cláudio Galeno (130 – 200?), médico que viveu e escreveu sua extensa obra no II século, na Roma Imperial [...]. Essa teoria médica defendia a relação estreita entre corpo e alma. Assim, as paixões da alma ou ainda os acidentes (outra expressão encontrada em obras médicas) eram considerados movimentos psicossomáticos efetivos relacionados diretamente ao corpo e indiretamente à alma.

    SANTOS, D. O. A. dos. Paixões da alma, melancolia e medicina (século XIII – XV). In: MACEDO, J. R. A Idade Média no Brasil. Porto Alegre: Vidráguas, 2011. p. 108 - 109.


    De acordo com a medicina medieval, o órgão central dessa relação entre corpo e alma era o

    Escolha uma alternativa para a questão 9c737f55-c5
  • Linguagens

    Português

    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 
    Mia Couto, escritor moçambicano, é um mestre das palavras. Nesse texto, ele aproxima a linguagem matemática das relações humanas e do cotidiano do personagem e, com isso:
    Escolha uma alternativa para a questão 50651606-cb
  • Linguagens

    Português

    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 
    Analisando o contexto em que é empregada a expressão: “A paixão é o mundo a dividir por zero”, assinale a alternativa que melhor a explica.
    Escolha uma alternativa para a questão 50684fe6-cb
  • Linguagens

    Português

    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 
    Compare as expressões I e II abaixo (também negritadas no texto) e, a seguir, assinale a alternativa correta.

    I) “...reduzida a paixão ao seu equivalente numérico.”
    II) “A paixão é o mundo a dividir por zero.”
    Escolha uma alternativa para a questão 506b4c43-cb
  • Linguagens

    Português

    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 
    Nesse texto, o escritor “brinca” com o leitor e o desafia a utilizar a imaginação para interpretar e entender toda a trama. Analisando-o segundo os elementos característicos das narrativas literárias, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 506e2097-cb
  • Linguagens

    Português

    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 


    Poesia matemática, Millôr Fernandes.


    Às folhas tantas
    Do livro matemático
    Um Quociente apaixonou-se
    Um dia
    Doidamente
    Por uma Incógnita.
    Olhou-a com seu olhar inumerável
    E viu-a, do Ápice à Base.
    Uma figura ímpar:
    Olhos romboides, boca trapezoide,
    Corpo ortogonal, seios esferoides.
    Fez da sua
    Uma vida Paralela à dela
    Até que se encontraram No infinito.
    “Quem és tu?” indagou ele
    Com ânsia radical.
    “Sou a soma do quadrado dos catetos.
    Mas pode chamar-me de Hipotenusa.”
    E de falarem descobriram que eram
    — O que, em aritmética, corresponde
    A almas irmãs
    — Primos entre si.
    E assim se amaram
    Ao quadrado da velocidade da luz
    Numa sexta potenciação
    Traçando
    Ao sabor do momento
    E da paixão
    Retas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.
    Comparando o texto de Mia Couto, com o de Millôr Fernandes, pode-se afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 50710ecc-cb
  • Linguagens

    Português

    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 


    Poesia matemática, Millôr Fernandes.


    Às folhas tantas
    Do livro matemático
    Um Quociente apaixonou-se
    Um dia
    Doidamente
    Por uma Incógnita.
    Olhou-a com seu olhar inumerável
    E viu-a, do Ápice à Base.
    Uma figura ímpar:
    Olhos romboides, boca trapezoide,
    Corpo ortogonal, seios esferoides.
    Fez da sua
    Uma vida Paralela à dela
    Até que se encontraram No infinito.
    “Quem és tu?” indagou ele
    Com ânsia radical.
    “Sou a soma do quadrado dos catetos.
    Mas pode chamar-me de Hipotenusa.”
    E de falarem descobriram que eram
    — O que, em aritmética, corresponde
    A almas irmãs
    — Primos entre si.
    E assim se amaram
    Ao quadrado da velocidade da luz
    Numa sexta potenciação
    Traçando
    Ao sabor do momento
    E da paixão
    Retas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.
    Em relação ao assunto: “poema, prosa e poesia”, analise as informações sobre os textos de Mia Couto e de Millôr Fernandes.

    I) Os dois textos apresentados diferem: o de Mia Couto está escrito em prosa, ainda que incorpore poesia, e o de Millôr é um poema, esvaziado de poesia.
    II) A narrativa de Mia Couto possui muitos elementos poéticos, perceptíveis especialmente pelas palavras e expressões que ganham significados diversos dos habituais, por vezes, incomuns.
    III) O texto de Millôr pode ser considerado poético, por se tratar de um poema e ser essa a condição indispensável para ganhar essa caracterização.
    IV) Sequência de versos sem métrica e sem rima, que abordam assunto risível, como acontece com o texto de Millôr, sequer pode ser chamada de poema.
    V) Não há possibilidade de definir ambos os textos como poesia, porque lhes faltam as características principais para tanto, entre as quais estão: métrica, ritmo, rima.
    Estão corretas apenas:
    Escolha uma alternativa para a questão 5074096e-cb