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Disciplina · Linguagens

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

  • 10.965 questões
  • 95 assuntos

Resultados: 10.965 questões

Página 368 de 549

  • Linguagens

    Português

    Texto 

    O conto que vem a seguir é classificado como fantástico. O conto fantástico se constitui de uma narrativa em que se chocam o plano do natural e o plano do sobrenatural (vocábulo que indica somente o que não é natural, não tem conotação religiosa). Nesse conflito, o âmbito do sobrenatural invade o âmbito do natural, geralmente desestruturando-o. O desfecho de uma narrativa fantástica não deve proporcionar, ao contrário do desfecho da narrativa de mistério, um esclarecimento, no texto, para o fato sobrenatural.

    A LUA
    “Seja aquela uma noite solitária, e não digna de louvor.” (Jó, III, 7)

    Figura 1 de 2 da questão de Português, UECE 2012, Interpretação de Textos
    Figura 2 de 2 da questão de Português, UECE 2012, Interpretação de Textos
    Murilo Rubião. Contos reunidos. p. 133-135.
    O texto literário possibilita mais de uma leitura: uma no plano superficial e outra ou outras no plano mais profundo. Apliquemos esta teoria no texto em estudo. Quando o narrador-personagem mata Cris, sai do corpo do morto a lua. Atente ao que se diz sobre o fenômeno.

    I. Uma leitura mais superficial do texto indicaria que o surgimento da lua nas mãos de Cris supriria a falta de luz naquela rua.
    II. Uma leitura mais profunda do texto seria no campo simbólico: a lua representaria a transformação, o crescimento, a passagem da vida à morte.

    Sobre as declarações acima, pode-se afirmar corretamente que
    Escolha uma alternativa para a questão b03aeadd-b7
  • Linguagens

    Português

    Texto 

    O conto que vem a seguir é classificado como fantástico. O conto fantástico se constitui de uma narrativa em que se chocam o plano do natural e o plano do sobrenatural (vocábulo que indica somente o que não é natural, não tem conotação religiosa). Nesse conflito, o âmbito do sobrenatural invade o âmbito do natural, geralmente desestruturando-o. O desfecho de uma narrativa fantástica não deve proporcionar, ao contrário do desfecho da narrativa de mistério, um esclarecimento, no texto, para o fato sobrenatural.

    A LUA
    “Seja aquela uma noite solitária, e não digna de louvor.” (Jó, III, 7)

    Figura 1 de 2 da questão de Português, UECE 2012, Coesão e coerência
    Figura 2 de 2 da questão de Português, UECE 2012, Coesão e coerência
    Murilo Rubião. Contos reunidos. p. 133-135.
    Atente ao que se diz sobre “O invisível andava pelas minhas mãos” (linha 87-88).

    I. Há, no enunciado em destaque, um desvio no nível textual quando se atribui ao “invisível” a faculdade de andar.
    II. Construiu-se em “O invisível andava pelas minhas mãos” uma metáfora de grande alcance sensorial.
    III. Com o processo descrito anteriormente, ocorreu uma intensificação da sensação tátil. Mas, como é o “invisível” que se torna palpável, há uma ênfase na dificuldade de, no meio da escuridão, a personagem narradora visualizar Cris, apesar de ela sentir que ele deve estar por perto.

    Está correto o que se diz em
    Escolha uma alternativa para a questão b04015ab-b7
  • Linguagens

    Português

    Considere o poema de Chacal para responder à questão.


    Beijo beijos


    qual o sentido da palavra beijo?

    ato de tocar com os lábios em alguém

    ou alguma coisa, fazendo leve sucção; ósculo?

    ou aquele que o cauã reymond deu na mariana

    ximenes na novela?

    ou aquele que você deu no daniel que só você sentiu?

    que é diferente do que eu dei na dolores que nunca

    vou esquecer.

    já a gabi, sempre que sai de casa, dá em sua mãe

    um beijo automático

    parecido com os dois beijos de cumprimento que eu

    dou numa garota

    se estiver no rio, um em são paulo ou três em minas

    gerais.

    diferente ainda do beijo de despedida apaixonado que

    você deu no julinho

    quando ele foi para a austrália

    diferente do derradeiro beijo no leito de morte que o

    luís deu na laís, sua avó

    ou do beijo da traição de judas ou do beijo que a

    princesa deu no sapo.

    diante de tantos sentidos diferentes da palavra beijo,

    a melhor forma de saber o que significa é ir direto ao

    assunto:

    língua pra que te quero!

    (Murundum, 2012.)

    Em “a melhor forma de saber o que significa é ir direto ao assunto”, o termo sublinhado é um verbo 
    Escolha uma alternativa para a questão b0424820-02
  • Linguagens

    Português

    Texto 1


    O uso de inteligência artificial (IA) para tarefas simples e complexas está se tornando cada vez mais comum, mas você já se perguntou se dizer “por favor” e “obrigado” a uma IA afeta a resposta que ela dará? Estudos da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, revelaram que a resposta da IA variava dependendo se a pessoa era gentil ou não. “A linguagem educada na comunicação humana frequentemente gera maior conformidade e eficácia, enquanto a grosseria pode causar aversão, o que afeta a qualidade da resposta”, afirmou o estudo.


    (https://oglobo.globo.com, 18.04.2025. Adaptado.)


    Texto 2


    Dizer “obrigada” e “por favor” para o ChatGPT pode au mentar ainda mais os custos de seu funcionamento. A em presa criadora do chatbot, OpenAI, gasta até US$ 700 mil por dia para manter o ChatGPT ativo, e cada resposta consome mais do que só eletricidade: há água, dados e bilhões em jogo. Destacam-se não apenas os custos financeiros, mas também o impacto ambiental dos modelos de inteligência artificial mais avançada do mundo. Modelos como o GPT-4 demandam uma grande infraestrutura computacional para entregar respostas em segundos.


    (Tamires Vitorio. https://exame.com, 19.04.2025. Adaptado.)


    Os textos 1 e 2 demonstram que as novas dinâmicas da relação entre indivíduo e tecnologia expressam a


    Escolha uma alternativa para a questão b04318eb-00
  • Linguagens

    Português

    Considere o trecho do romance O quinze, de Rachel de Queiroz, para responder à questão.


    Armado com um cartãozinho do bispo e um bilhete particular de Conceição à senhora que administrava o serviço, Chico Bento conseguiu obter o ambicionado lugar no açude do Tauape.

     No bilhete, a moça fazia o possível para comover a destinatária; e a senhora, apesar de já se ter habituado a esses pedidos que falavam sempre numa mesma pobreza extrema e em criancinhas famintas, achou jeito de desentulhar uma pá, e ela mesma guiou o vaqueiro aturdido, com seu ferro na mão, e o entregou ao feitor.

    Duramente Chico Bento trabalhou todo o dia no serviço da barragem.

    Só de longe em longe parava para tomar um fôlego, sentindo o pobre peito cansado e os músculos vadios.

    E o almoço, ao meio-dia, onde, junto do pirão, um naco de carne cheiroso emergia, mal o soergueu e o animou.

    Já era tão antiga, tão bem instalada a sua fome, para fugir assim, diante do primeiro prato de feijão, da primeira lasca de carne!…   


     

    (O quinze, 2009.)

    No romance O quinze, Chico Bento é
    Escolha uma alternativa para a questão b04586a9-02
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho de uma entrevista concedida por Tarcízio Silva, autor do livro Racismo Algorítmico: mídia, inteligência artificial e discriminação nas redes digitais.


    Quais os impactos do racismo algorítmico, principalmente em relação a minorias raciais no Brasil e no mundo?


    — As tecnologias digitais possuem dualidades que podem pender para a opressão em sociedades marcadas pelas desigualdades. Manifestações mais individualizadas do racismo algorítmico podem acontecer em quase todas as esferas da vida e são cada vez mais mediadas por tecnologias digitais como plataformas, aplicativos e sistemas de classificação e ranqueamento. Assim, a mediação algorítmi ca de decisões em áreas como serviços públicos, liberda de de expressão, trabalho, remuneração, segurança e até acesso à saúde pode aumentar as disparidades já conheci das socialmente.


    Seria o racismo algorítmico apenas uma consequência do racismo estrutural?


    — O racismo algorítmico é uma espécie de atualização do racismo estrutural. Nesse contexto, o desenvolvimento de tecnologias algorítmicas se alimenta do histórico social para oferecer uma pretensa inteligência artificial, ou seja, que, na verdade, é comprometida com o patriarcado e o colonialismo. Essa desinteligência artificial atualiza opressões como o racismo estrutural.


    (Daiane Batista. “Tarcízio Silva: ‘O racismo algorítmico é uma espécie de atualização do racismo estrutural’”. https://cee.fiocruz.br, 30.03.2023. Adaptado.)


    Com base nas respostas de Tarcízio Silva, compreender o racismo algorítmico como uma forma atualizada de racismo estrutural implica reconhecer que


    Escolha uma alternativa para a questão b0459131-00
  • Linguagens

    Português

    Considere o trecho do romance O quinze, de Rachel de Queiroz, para responder à questão.


    Armado com um cartãozinho do bispo e um bilhete particular de Conceição à senhora que administrava o serviço, Chico Bento conseguiu obter o ambicionado lugar no açude do Tauape.

     No bilhete, a moça fazia o possível para comover a destinatária; e a senhora, apesar de já se ter habituado a esses pedidos que falavam sempre numa mesma pobreza extrema e em criancinhas famintas, achou jeito de desentulhar uma pá, e ela mesma guiou o vaqueiro aturdido, com seu ferro na mão, e o entregou ao feitor.

    Duramente Chico Bento trabalhou todo o dia no serviço da barragem.

    Só de longe em longe parava para tomar um fôlego, sentindo o pobre peito cansado e os músculos vadios.

    E o almoço, ao meio-dia, onde, junto do pirão, um naco de carne cheiroso emergia, mal o soergueu e o animou.

    Já era tão antiga, tão bem instalada a sua fome, para fugir assim, diante do primeiro prato de feijão, da primeira lasca de carne!…   


     

    (O quinze, 2009.)

    No trecho selecionado, a palavra “armado” (1º parágrafo)
    Escolha uma alternativa para a questão b0492e3f-02
  • Linguagens

    Português

    Considere o trecho do romance O quinze, de Rachel de Queiroz, para responder à questão.


    Armado com um cartãozinho do bispo e um bilhete particular de Conceição à senhora que administrava o serviço, Chico Bento conseguiu obter o ambicionado lugar no açude do Tauape.

     No bilhete, a moça fazia o possível para comover a destinatária; e a senhora, apesar de já se ter habituado a esses pedidos que falavam sempre numa mesma pobreza extrema e em criancinhas famintas, achou jeito de desentulhar uma pá, e ela mesma guiou o vaqueiro aturdido, com seu ferro na mão, e o entregou ao feitor.

    Duramente Chico Bento trabalhou todo o dia no serviço da barragem.

    Só de longe em longe parava para tomar um fôlego, sentindo o pobre peito cansado e os músculos vadios.

    E o almoço, ao meio-dia, onde, junto do pirão, um naco de carne cheiroso emergia, mal o soergueu e o animou.

    Já era tão antiga, tão bem instalada a sua fome, para fugir assim, diante do primeiro prato de feijão, da primeira lasca de carne!…   


     

    (O quinze, 2009.)

    “E o almoço, ao meio-dia, onde, junto do pirão, um naco de carne cheiroso emergia, mal o soergueu e o animou.” (5º parágrafo)

    Os pronomes sublinhados retomam o sentido de:
    Escolha uma alternativa para a questão b04c05b4-02
  • Linguagens

    Português

    Leia os versos do poema “Os estatutos do homem”, de Thiago de Mello, para responder à questão.


    Artigo 12

    Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.

    Tudo será permitido,

    sobretudo brincar com os rinocerontes

    e caminhar pelas tardes

    com uma imensa begônia na lapela.

    (Estatutos do homem, 1986.)

    No poema, expressam uma regra geral e um exemplo dessa regra, respectivamente,
    Escolha uma alternativa para a questão b054e5f1-02
  • Linguagens

    Português

    INSTRUÇÃO: As questões de 45 a 48 devem ser respondidas com base nas obras indicadas para leitura prévia.

    Assinale a alternativa em que o texto mencionado, de Papéis avulsos, de Machado de Assis, está corretamente associado a seu tema.
    Escolha uma alternativa para a questão b083a27c-62
  • Linguagens

    Português

                           “PIMBA NA GORDUCHINHA”* DATOU


          Empolgação já não basta. Comentaristas usam cada vez mais estatísticas e termos técnicos para traduzir o que acontece em campo.

          Por tradição, a tarefa de comentar uma partida de futebol sempre foi o oposto disso. A “crônica esportiva” pontificada por lendas como Nelson Rodrigues e Armando Nogueira, entre muitos outros, evocava heróis em campo e fazia da genialidade individual, do empenho coletivo e do imponderável instituições que comandavam o jogo. O belo texto valia tanto quanto – ou mais – que a observação de treinos e jogos. “O padrão para falar de futebol no Brasil costumava abordar aspectos como a qualidade individual do jogador e fatores emocionais”, afirma Carlos Eduardo Mansur, do jornal O Globo. “O desafio hoje é estudar o jogo taticamente.” Não havia no passado, obviamente, a ideia nem os recursos técnicos para compilar dados, que hoje sustentam as análises feitas durante os 90 minutos.

          O uso de softwares que ajudam a dissecar partidas em números se difundiu nos clubes e transbordou para as redações. Crescem grupos dedicados à tabulação e análise de dados. Estatísticas individuais e coletivas, como o número de finalizações de um atacante e a média de posse de bola de uma equipe, são dados prosaicos em palestras de treinadores e programas de TV, blogs ou jornais.

          Detratores desse modelo, no entanto, consideram essa tendência um modismo, uma chatice. “Há preconceito de quem ouve e exagero de quem usa”, afirma o comentarista PVC [Paulo Vinícius Coelho]. Excessos ou modismos à parte, não há como fugir da realidade. O uso de dados e estatísticas por clubes europeus para elaborar estratégias e jogadas é antigo e há anos chegou aos brasileiros, com maior ou menor simpatia. Não existe futebol bem jogado, em alto nível, sem isso.

          A tarefa de dissecar o jogo por números e dados ajuda a entender, mas não esgota o futebol, que, por sua dinâmica, segue como um esporte dos mais imprevisíveis.

                                                                    Rafael Oliveira, Época, 29.01.2018. Adaptado.

    * "ripa na chulipa e pimba na gorduchinha": bordão criado pelo narrador de futebol Osmar Santos e popularizado nos anos 1980.  

    Foram empregadas em sentido figurado as seguintes expressões do texto:
    Escolha uma alternativa para a questão b0899fc6-15
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UFT 2010, Interpretação de Textos

    Assinale a alternativa INCORRETA quanto à leitura discursiva e gramatical dos provérbios:
    Escolha uma alternativa para a questão b08ad859-6d
  • Linguagens

    Português

                           “PIMBA NA GORDUCHINHA”* DATOU


          Empolgação já não basta. Comentaristas usam cada vez mais estatísticas e termos técnicos para traduzir o que acontece em campo.

          Por tradição, a tarefa de comentar uma partida de futebol sempre foi o oposto disso. A “crônica esportiva” pontificada por lendas como Nelson Rodrigues e Armando Nogueira, entre muitos outros, evocava heróis em campo e fazia da genialidade individual, do empenho coletivo e do imponderável instituições que comandavam o jogo. O belo texto valia tanto quanto – ou mais – que a observação de treinos e jogos. “O padrão para falar de futebol no Brasil costumava abordar aspectos como a qualidade individual do jogador e fatores emocionais”, afirma Carlos Eduardo Mansur, do jornal O Globo. “O desafio hoje é estudar o jogo taticamente.” Não havia no passado, obviamente, a ideia nem os recursos técnicos para compilar dados, que hoje sustentam as análises feitas durante os 90 minutos.

          O uso de softwares que ajudam a dissecar partidas em números se difundiu nos clubes e transbordou para as redações. Crescem grupos dedicados à tabulação e análise de dados. Estatísticas individuais e coletivas, como o número de finalizações de um atacante e a média de posse de bola de uma equipe, são dados prosaicos em palestras de treinadores e programas de TV, blogs ou jornais.

          Detratores desse modelo, no entanto, consideram essa tendência um modismo, uma chatice. “Há preconceito de quem ouve e exagero de quem usa”, afirma o comentarista PVC [Paulo Vinícius Coelho]. Excessos ou modismos à parte, não há como fugir da realidade. O uso de dados e estatísticas por clubes europeus para elaborar estratégias e jogadas é antigo e há anos chegou aos brasileiros, com maior ou menor simpatia. Não existe futebol bem jogado, em alto nível, sem isso.

          A tarefa de dissecar o jogo por números e dados ajuda a entender, mas não esgota o futebol, que, por sua dinâmica, segue como um esporte dos mais imprevisíveis.

                                                                    Rafael Oliveira, Época, 29.01.2018. Adaptado.

    * "ripa na chulipa e pimba na gorduchinha": bordão criado pelo narrador de futebol Osmar Santos e popularizado nos anos 1980.  

    Considerada no contexto, a substituição proposta para a frase citada no início de cada alternativa mantém o sentido mas NÃO a correção gramatical em:
    Escolha uma alternativa para a questão b090b553-15
  • Linguagens

    Português

                                            PARDAIS NOVOS


          Um dia o meu telefone, instalado à cabeceira de minha cama, retiniu violentamente às sete da manhã. Estremunhado tomei do receptor e ouvi do outro lado uma voz que dizia: “Mestre, sou um pardal novo. Posso ler-lhe uns versos para que o senhor me dê a sua opinião?” Ponderei com mau humor ao pardal que aquilo não eram horas para consultas de tal natureza, que ele me telefonasse mais tarde. O pardal não telefonou de novo: veio às nove e meia ao meu apartamento.

          Mal o vi, percebi que não se tratava de pardal novo. Ele mesmo como que concordou que o não era, pois perguntando-lhe eu a idade, hesitou contrafeito para responder que tinha 35 anos. Ainda por cima era um pardal velho!

          Desde esse dia passei a chamar de pardais novos os rapazes que me procuram para mostrar-me os seus primeiros ensaios de voo no céu da poesia. Dizem eles que desejam saber se têm realmente queda para o ofício, se vale a pena persistir etc. Fico sempre embaraçado para dar qualquer conselho. A menos que se seja um Rimbaud ou, mais modestamente, um Castro Alves, que poesia se pode fazer antes dos vinte anos? Como Mallarmé afirmou certa vez que todo verso é um esforço para o estilo, acabo aconselhando ao pardal que vá fazendo os seus versinhos, sem se preocupar com a opinião de ninguém, inclusive a minha.

          (...)

                                                     Manuel Bandeira, Melhores crônicas. Global Editora. 

    Sabendo-se que “alegoria consiste em uma metáfora que, em um dado contexto, desdobra-se em outras”, pode-se apontar o emprego desse recurso, sobretudo, no seguinte trecho do texto:
    Escolha uma alternativa para a questão b0959b0b-15
  • Linguagens

    Português

    Quando a proteção desprotege as mulheres

    Projeto de lei pode fazer com que as mulheres passem a ser consideradas como contratações de risco

    Por José Pastore

    Com frequência, os legisladores, com a boa intenção de proteger as mulheres e conquistar o seu voto, acabam criando tantas dificuldades que o resultado final é uma verdadeira desproteção. Esse é o espírito do Projeto de Lei 1.558/2021 da Câmara dos Deputados que busca igualar o salário das mulheres ao dos homens. O projeto impõe ao empregador multa em favor da empregada no valor de cinco vezes a diferença verificada entre o seu salário e o dos empregados na mesma função durante todo o período de contratação. Isso vai causar uma verdadeira explosão de ações trabalhistas.

    Atentem bem para a insegurança jurídica aqui embutida. Digamos que uma mulher, gerente de banco em uma pequena agência do interior ganhe menos do que seu colega que é gerente de uma grande agência numa região metropolitana. O nome da função é o mesmo. A empresa também é a mesma. Mas as responsabilidades são completamente diferentes. O projeto de lei não leva isso em conta, mas o mercado de trabalho considera muito a complexidade da função para definir a remuneração.

    É evidente que a nova regra, se aprovada, vai provocar mais conflitos, mais despesas e mais desgastes emocionais. Não sei se os parlamentares avaliaram bem o valor da multa. Dou um exemplo para mostrar a extravagância. Para uma gerente que ganhe R$ 4 mil mensais e para a qual o auditor fiscal ou o juiz fixe o percentual de 30% referente à alegada diferença de remuneração ao longo de cinco anos de trabalho na empresa, o valor da multa chegará a R$ 520 mil. Se a funcionária tiver 20 anos na empresa, a multa ultrapassará os R$ 2 milhões, mais a correção dos débitos trabalhistas.

    Está aí um irrecusável convite para judicializar o assunto e abalar a saúde financeira das empresas, pois nenhuma delas fez provisão desses montantes quando contrataram as referidas funcionárias, uma vez que essa regra não existia. Se esse projeto virar lei, temo que as mulheres passem a ser consideradas como contratações de risco, o que poderá levar os empregadores a evitá-las. Todos sairão perdendo.

    Artigo originalmente publicado no Correio Braziliense em 3 de março de 2023.


    Disponível em: https://www.fecomercio.com.br/noticia/quando-a-protecao-desprotege-as-mulheres. Acesso em: 20 jun. 2023 (adaptado).


    Considerando gêneros textuais, como artigo, conto, crônica, etc., assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão b0aa6182-04
  • Linguagens

    Português

                                             Imagem da questão de Português, FGV 2018, Interpretação de Textos


          À hora do primeiro almoço, como prometera, Aristarco mostrou-se em toda a grandeza fúnebre dos justiçadores. De preto. Calculando magnificamente os passos pelos do diretor, seguiam-no em guarda de honra muitos professores. À porta fronteira, mais professores de pé e os bedéis ainda, e a multidão bisbilhoteira dos criados.

          Tão grande a calada, que se distinguia nítido o tique-taque do relógio, na sala de espera, palpitando os ansiados segundos.

          Aristarco soprou duas vezes através do bigode, inundando o espaço com um bafejo de todo-poderoso.

          E, sem exórdio:

          “Levante-se, Sr. Cândido Lima! “Apresento-lhes, meus senhores, a Sra. D. Cândida”, acrescentou com uma ironia desanimada.

          “Para o meio da casa! e curve-se diante dos seus colegas!”

          Cândido era um grande menino, beiçudo, louro, de olhos verdes e maneiras difíceis de indolência e enfado. Atravessou devagar a sala, dobrando a cabeça, cobrindo o rosto com a manga, castigado pela curiosidade pública.

          “Levante-se, Sr. Emílio Tourinho...

           Este é o cúmplice, meus senhores!”

          Tourinho era um pouco mais velho que o outro, porém mais baixo; atarracado, moreno, ventas arregaladas, sobrancelhas crespas, fazendo um só arco pela testa. Nada absolutamente conformado para galã; mas era com efeito o amante.

          “Venha ajoelhar-se com o companheiro.”

          “Agora, os auxiliares...”

          Desde as cinco horas da manhã trabalhava Aristarco no processo. O interrogatório, com o apêndice das delações da polícia secreta e dos tímidos, comprometera apenas dez alunos.

          A chamado do diretor, foram deixando os lugares e postando-se de joelhos em seguimento dos principais culpados.

          “Estes são os acólitos da vergonha, os corréus do silêncio!”

          Cândido e Tourinho, braço dobrado contra os olhos, espreitavam-se a furto, confortando-se na identidade da desgraça, como Francesca e Paolo* no inferno.

          Prostrados os doze rapazes perante Aristarco, na passagem alongada entre as cabeceiras das mesas, parecia aquilo um ritual desconhecido de noivado: a espera da bênção para o casal à frente.

          Em vez da bênção chovia a cólera.

                                                                                                    Raul Pompeia, O Ateneu.

    * Francesca e Paolo: personagens de A Divina Comédia, de Dante Alighieri. 

    No contexto da obra O Ateneu, a homossexualidade, tematizada no trecho aqui reproduzido, configura-se como
    Escolha uma alternativa para a questão b0ac3863-15
  • Linguagens

    Português

    O peso sobre a Geração Sanduíche, que cuida ao mesmo tempo de pais idosos, filhos e netos

    Faz dez anos que a paranaense Lady Daiane de Vargas Flores cuida em tempo integral da mãe, que sofre de demência. Dona Maria Joana tem 68 anos e já não fala, não anda nem se alimenta sozinha.

    “Ela virou um bebê total”, explica Daiane, 39 anos, à BBC News Brasil [...]. “Quando você vai ganhar um bebê, quer que a sua mãe esteja ao seu lado. Mas, comigo, o que aconteceu é que virei órfã de mãe e passei a ter uma filha a mais.”

    [...]

    Nos Estados Unidos, por exemplo, uma pesquisa do centro Pew estimou que quase um em cada quatro adultos americanos potencialmente se encaixa nessa definição [...]. Dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio Contínua (Pnad Contínua) do IBGE em 2019 apontam que 54,1 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais cuidavam de outros moradores da sua casa ou de outros parentes, mas não se sabe ao certo quantos cuidam de duas gerações ao mesmo tempo [...]. Há uma combinação de motivos por trás desse fenômeno global: como as pessoas estão tendo filhos mais tarde, e seus pais estão vivendo mais, muitas se veem lidando com os cuidados das duas gerações. Ao mesmo tempo, as famílias ficaram menores — e há menos pessoas com as quais dividir essas tarefas.

    Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3g7ppnwn0zo. Acesso em: 20 jul. 2023 (adaptado).


    Assinale a alternativa que traz em destaque exemplo de pronome relativo.
    Escolha uma alternativa para a questão b0ad340c-04
  • Linguagens

    Português

    A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi elaborada em 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU), no contexto de um mundo traumatizado com as barbáries da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

    Com base em sua leitura e na interpretação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinale V para verdadeiro e F para falso nas afirmações a seguir.


    [ ] Apesar de a Declaração Universal dos Direitos Humanos ser bastante detalhada, é fácil para uma nação, por meio de um tribunal sem independência e parcial, seguir todos os seus termos sem, de fato, promover mudanças. A falta de artigos que deixem clara a não aceitação de medidas que busquem “burlar” os Direitos Humanos é uma das principais fragilidades da Declaração.

    [ ] A Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que toda pessoa pode ser arbitrariamente privada de sua propriedade desde que isso seja feito por um bem maior.

    [ ] A existência de um sistema de patentes justo e eficiente colabora para o cumprimento de um dos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

    [ ] A pena de morte é direta e expressamente proibida na Declaração Universal dos Direitos Humanos.


    Considerando as afirmativas de cima para baixo, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão b0afb09f-04
  • Linguagens

    Português

    TRECHO I: A educação física que queremos é a de qualidade e, como tal, a diversidade é um ponto fundamental para se conseguir esta finalidade.

    [...] Ao se lecionar a disciplina de educação física, da educação infantil até o ensino médio, comprova-se que as lutas fazem sucesso em todas as faixas etárias. Na educação infantil, as lutas de animais (luta do sapo, luta do jacaré ou a luta do saci) têm ajudado muito na liberação de agressividade das crianças, além de serem trabalhados, nestas atividades, todos os fatores psicomotores. No ensino fundamental, lutas que requerem um maior esforço trazem excelentes respostas, como a luta do “empurra e puxa” ou o “uga-uga” (tirar o colega de dentro do círculo central).


    TRECHO II: No Brasil, a educação física deve resgatar a Capoeira como parte da manifestação da cultura dos negros no período escravocrata [...].

    Também não se pode esquecer o Brazilian Jiu-Jitsu [...], hoje considerado um esporte genuinamente “tupiniquim”.

    A disciplina de educação física, também, tem a responsabilidade de não deixar que os grandes nomes de nossos esportes de luta sejam esquecidos: como Aurélio Miguel [judoca], Rogério Sampaio [judoca], Eder Jofre [pugilista], Maguila [pugilista], Acelino “Popó” Freitas [pugilista], Família Gracie [Jiu-Jitsu], entre tantos outros.


    TRECHO III: É mais cômodo ao professor ministrar aulas de futebol, de voleibol ou de qualquer outra atividade com bola, do que preparar aulas envolvendo um tema tão complexo como as lutas.


    TRECHO IV: Perguntados se a prática da luta geraria violência: 12 (24%) responderam que sim; 22 (44%), que não; e 16 (32%) disseram que depende do professor. Também questionados se os alunos da educação física, ao praticarem lutas nas aulas, se tornariam mais agressivos: 12 (24%) responderam que sim; 25 (50%), que não; e 13 (26%), que talvez. (Análise das respostas de um questionário preenchido por 50 professores de educação física).

    FERREIRA, Heraldo Simões. As lutas na educação física escolar. Revista de Educação Física. N° 135. Novembro de 2006. P. 36-44.


    Com base na leitura dos trechos apresentados, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão b0b238ae-04
  • Linguagens

    Português

    Leia atentamente o texto abaixo e responda à questão.

    Porque é mau negócio “comer gato por lebre”?
    Emiliano Urbin
    Se considerarmos que um filhote de gato persa com pedigree custa até 2 mil, enquanto a venda de uma lebre reprodutora, regulada pelo Ibama, não rende um décimo disso, pode-se dizer que o ditado está errado. Mas ele surgiu na Espanha medieval onde a carne era escassa e a malandragem abundante. O registro mais antigo do sentido clássico, ser ludibriado em uma transação, é de um livro de 1611, Tesoro de la lengua, do espanhol Sebástian de Covarrubias. Relatos dessa época mostram que pedir uma carne e ser servido com um prato pior era uma preocupação constante dos viajantes. (Aliás, gato e lebre, servidos decepados são bem parecidos). [...].
    Fonte: Revista Superinteressante - Edição 262 - Fev/2009. 
    O pronome “ele”, sublinhado no texto, refere-se:
    Escolha uma alternativa para a questão b0b33025-b0