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Disciplina · Linguagens

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

  • 10.965 questões
  • 95 assuntos

Resultados: 10.965 questões

Página 414 de 549

  • Linguagens

    Português

    TEXTO: 


    O FIM DO EMPREGO

    O futuro do trabalho no mundo globalizado

    Figura 1 de 3 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 3 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Interpretação de Textos

    Figura 3 de 3 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Interpretação de Textos


    Adaptado de: MACHADO, João Luís de Almeida. O fim do emprego.
    O futuro do trabalho no mundo globalizado. Disponível em: <http:/
    /www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=1069.
    Passim> . Acesso em: 24 nov. 2017.

    O “fim do emprego” (l. 36) é uma referência à
    Escolha uma alternativa para a questão c5956dbf-b2
  • Linguagens

    Português

    Observe a charge, abaixo, e responda à questão.


    Imagem da questão de Português, IF-BA 2019, Análise sintática

    Disponível em:<http://anacristinapb.blogspiot.com/2011/07/charge-sobre-educação-e-tecnologia.html>. Acesso em 07 de agosto de 2018.



    A oração “O que me deram na escola”, no contexto do período linguístico da charge, exerce a função de:
    Escolha uma alternativa para a questão c597a800-f9
  • Linguagens

    Português

    As questões 9 e 10 referem-se ao texto abaixo.
    Imagem da questão de Português, UFRN 2010, Coesão e coerência

    No texto,
    Escolha uma alternativa para a questão c599d978-49
  • Linguagens

    Português

    TEXTO: 


    O FIM DO EMPREGO

    O futuro do trabalho no mundo globalizado

    Figura 1 de 3 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 3 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Interpretação de Textos

    Figura 3 de 3 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Interpretação de Textos


    Adaptado de: MACHADO, João Luís de Almeida. O fim do emprego.
    O futuro do trabalho no mundo globalizado. Disponível em: <http:/
    /www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=1069.
    Passim> . Acesso em: 24 nov. 2017.

    O que se afirma sobre fragmentos do texto está correto em

    I. “Por incrível que pareça” (l. 8) – enfatiza uma situação inesperada ou inusitada.
    II. “da noite para o dia” (l. 19) – expressa situação real e previsível.
    III. “Tampouco é possível” (l. 23) – reitera uma negação anterior.
    IV. “A despeito de” (l. 26) – equivale à expressão ao contrário de.
    V. “em momento algum” (l. 82) – expressa negação de circunstância temporal.

    A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a
    Escolha uma alternativa para a questão c59ac12d-b2
  • Linguagens

    Português


    NO ANIVERSÁRIO DA LEI MARIA DA PENHA, 5 FEMINICÍDIOS NAS ÚLTIMAS 48H.


    Casos foram registrados no DF, PE, SC e RJ. Enquanto norma completa 12 anos nesta terça (07/08), aumento de pena para agressor trava na Câmara.

    Criada para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, a Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006) completa 12 anos nesta terça-feira (07/08). A necessidade de melhorar a legislação e dar maior proteção é urgente. Casos de feminicídio que chocaram o país estampam as manchetes nesta semana.


    NÚMEROS ASSUSTADORES


    Em 2017, com base em dados compilados pela Agência Patrícia Galvão – organização referência nos campos dos direitos das mulheres –, foram registrados 4.473 homicídios dolosos de mulheres. Isso significa que, a cada duas horas no Brasil, há um assassinato de uma pessoa do sexo feminino.

    O número, porém, pode ser maior, uma vez que a falta de padronização e registros embaraça o monitoramento de feminicídios no país. O estado recordista de homicídios contra mulheres é o Rio Grande do Norte, com 8,4 a cada 100 mil mulheres. Já o Mato Grosso tem a maior taxa de feminicídio: 4,6 a cada 100 mil.

    Texto adaptado. Disponível em:<htpp://www.metropoles.com/brasil/no-aniversario-da-lei-maria-da-penha-4-feminicidios-nas-ultimas-48h>. Acesso em 07 de agosto de 2018.


    A partir dos trechos da reportagem acima, pode-se afirmar que:


    I – Apesar da criação da Lei Maria da Penha, muito ainda é preciso ser feito contra a violência doméstica à mulher.

    II – Há um baixo índice de homicídio doloso de mulheres.

    III – Problemas burocráticos atrapalham o monitoramento dos casos de feminicídio.

    IV – O Mato Grosso não apresenta uma taxa relevante de feminicídio.


    Marque a alternativa:

    Escolha uma alternativa para a questão c59c8148-f9
  • Linguagens

    Português


    NO ANIVERSÁRIO DA LEI MARIA DA PENHA, 5 FEMINICÍDIOS NAS ÚLTIMAS 48H.


    Casos foram registrados no DF, PE, SC e RJ. Enquanto norma completa 12 anos nesta terça (07/08), aumento de pena para agressor trava na Câmara.

    Criada para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, a Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006) completa 12 anos nesta terça-feira (07/08). A necessidade de melhorar a legislação e dar maior proteção é urgente. Casos de feminicídio que chocaram o país estampam as manchetes nesta semana.


    NÚMEROS ASSUSTADORES


    Em 2017, com base em dados compilados pela Agência Patrícia Galvão – organização referência nos campos dos direitos das mulheres –, foram registrados 4.473 homicídios dolosos de mulheres. Isso significa que, a cada duas horas no Brasil, há um assassinato de uma pessoa do sexo feminino. O número, porém, pode ser maior, uma vez que a falta de padronização e registros embaraça o monitoramento de feminicídios no país. O estado recordista de homicídios contra mulheres é o Rio Grande do Norte, com 8,4 a cada 100 mil mulheres. Já o Mato Grosso tem a maior taxa de feminicídio: 4,6 a cada 100 mil. Texto adaptado.

    Disponível em:<htpp://www.metropoles.com/brasil/no-aniversario-da-lei-maria-da-penha-4-feminicidios-nas-ultimas-48h>.Acesso em 07 de agosto de 2018.


    “A necessidade de melhorar a legislação e dar maior proteção é urgente. Casos de feminicídio que chocaram o país estampam as manchetes nesta semana”.

    O termo em destaque poderá ser substituído por uma das palavras indicadas nas alternativas a seguir sem prejuízo de sentido:

    Escolha uma alternativa para a questão c5a0e68f-f9
  • Linguagens

    Português

    TEXTO: 


    O FIM DO EMPREGO

    O futuro do trabalho no mundo globalizado

    Figura 1 de 3 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Coesão e coerência

    Figura 2 de 3 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Coesão e coerência

    Figura 3 de 3 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Coesão e coerência


    Adaptado de: MACHADO, João Luís de Almeida. O fim do emprego.
    O futuro do trabalho no mundo globalizado. Disponível em: <http:/
    /www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=1069.
    Passim> . Acesso em: 24 nov. 2017.

    Observe o seguinte período:

    “adentramos um mundo em que o emprego, aquele vínculo entre empresa e empregado, que dá ao funcionário uma forte sensação de estabilidade associada a fatores, como os benefícios trabalhistas, e, principalmente, o salário mensal, está dando lugar ao conceito de trabalho. (l. 48-54)

    Há uma afirmação correta sobre fatos gramaticais presentes nesse trecho em

    I. O período é composto por coordenação.
    II. “está dando lugar” se refere a “o emprego”.
    III. “aquele vínculo entre empresa e empregado” constitui um aposto.
    IV. Há duas ocorrências do conectivo que, como conjunção integrante.
    V. “ao funcionário” tem a função de complemento nominal.

    A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a
    Escolha uma alternativa para a questão c5a187f4-b2
  • Linguagens

    Português

    Para responder a questão, leia o texto abaixo:


    É necessário que a mulher se coloque em um espaço mínimo de resistência, denunciando ameaças – quando há tempo para isso –, mas, ainda que ela denuncie, não evitará o crime se o Estado não se mobilizar para protegê-la. O que evita o feminicídio é a resposta estatal à violência.


    COSTA,Waleska. No aniversário da Lei Maria da Penha, 5 feminicídios nas últimas 48h. Disponível em:<http://www.metropoles.com/brasil/no-aniveresario-da-lei-maria-da-penha-4-feminicidios-nas-ultimas-48h>. Acesso em 07 de agosto de 2018.


    O apelo central da fala da Waleska Costa é:

    Escolha uma alternativa para a questão c5a424dc-f9
  • Linguagens

    Português

    Em “não evitará o crime” e “não se mobilizar para protegê-la”, as palavras em destaque funcionam morfologicamente no contexto em questão como:
    Escolha uma alternativa para a questão c5a82549-f9
  • Linguagens

    Português

    BRASIL PRECISA COLOCAR DIREITOS HUMANOS À FRENTE DA AUSTERIDADE FISCAL, DIZEM RELATORES DA ONU


    Um grupo de especialistas em direitos humanos das Nações Unidas pediu que o Brasil reconsidere seu programa de austeridade fiscal e coloque os direitos humanos de sua população, que está sofrendo duras consequências, no centro de suas políticas econômicas.

    A reportagem é publicada no portal Nações Unidas Brasil, em 03-08-2018.

    “Pessoas vivendo na pobreza e outros grupos marginalizados estão sofrendo desproporcionalmente como resultado de medidas econômicas restritivas em um país que já foi considerado exemplo de políticas progressistas para reduzir a pobreza e promover a inclusão social”, disseram os especialistas.

    Texto Adaptado. Disponível em:<http://www.ihu.unisinos.br/581554-brasil-precisa-colocar-direitos-humanos-a-frente-da-austeridade-fiscal-dizem-relatores-da-onu>. Acesso em 08 de agosto de 2018.


    De acordo com o texto acima é correto afirmar que:

    Escolha uma alternativa para a questão c5ab2b6b-f9
  • Linguagens

    Português

    TEXTO:


    Figura 1 de 2 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 2 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Interpretação de Textos

    ADONIAS FILHO. O largo de branco. O Largo da Palma. Rio de

    Janeiro: Bertrand Brasil, 2014. p. 31-32 e 46-47. 

    Marque com V ou com F, conforme sejam, respectivamente, verdadeiras ou falsas as afirmativas sobre o conto “O largo de branco”, de Adonias Filho, de onde foram retirados os trechos acima transcritos.

    ( ) Os trechos transcritos correspondem ao início e ao fim do conto, e ambos focalizam o desfecho de uma história cujo início se deu há 30 anos.
    ( ) Após a separação entre Odilon e Eliane, que eram casados, ela foi amante de outro homem, Geraldo, que a abandonou, deixando-a em decadência econômica e física.
    ( ) Odilon era estudante de Medicina quando conheceu Eliane e lhe deu apoio na difícil situação enfrentada pela família com a doença do pai e, posteriormente, casou-se com ela.
    ( ) A referência ao Largo da Palma “vestido de branco” (l. 48) constitui uma alusão simbólica ao estado emocional de Eliane, após o encontro com Odilon e a aceitação de seu convite.
    ( ) O convite para o encontro entre Odilon e Eliane – por ela aceito imediatamente – foi feito através de uma carta que ele lhe enviou, mesmo sem indicar o assunto ou o motivo desse encontro.

    A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
    Escolha uma alternativa para a questão c5b22db5-b2
  • Linguagens

    Português

    TEXTO:


    Figura 1 de 2 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Pontuação

    Figura 2 de 2 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Pontuação

    ADONIAS FILHO. O largo de branco. O Largo da Palma. Rio de

    Janeiro: Bertrand Brasil, 2014. p. 31-32 e 46-47. 

    Usa-se a vírgula para separar adjunto adverbial antecipado ou intercalado no discurso.

    Há um exemplo desse uso em
    Escolha uma alternativa para a questão c5b7cf99-b2
  • Linguagens

    Português

    TEXTO:

    Figura 1 de 2 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 2 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Interpretação de Textos

    AMADO, Jorge. Tenda dos milagres. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 175-176.

    Marque com V ou com F, conforme sejam, respectivamente, verdadeiras ou falsas as afirmativas sobre a obra de onde foi retirado o trecho em destaque.

    ( ) A obra denuncia a presença de uma ciência elitista, particularmente assumida e difundida pela área médica, com suas teorias que se ocupavam de tentar provar a inferioridade racial e intelectual de pretos e mestiços.
    ( ) A convivência conflituosa entre a cultura científica e a cultura popular constitui um dos temas apresentados e discutidos no romance Tenda dos Milagres, representadas, respectivamente, pelos personagens Nilo Argolo e Pedro Archanjo.
    ( ) O ódio às religiões de matriz africana – com criminalização do candomblé e perseguição a seus adeptos –, fato amplamente ilustrado na obra, revela um contexto de higienização religiosa e racial que marca o final do século XIX e início do século XX.
    ( ) O comportamento atribuído ao brasileiro, de valorizar o que é estrangeiro em detrimento do que é nacional, é criticado na obra a partir do incidente de súbita valorização da produção de Pedro Archanjo, relegada ao esquecimento após sua morte.
    ( ) A resistência dos grupos marginalizados, representada pela “Tenda” e os que a frequentavam, em especial Pedro Archanjo, constitui um dos polos da oposição que se estabelece, na obra, entre a opressão de brancos e poderosos, de um lado, e a resistência de pobres, pretos e pardos, de outro.

    A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
    Escolha uma alternativa para a questão c5bbb79d-b2
  • Linguagens

    Português

    TEXTO:

    Figura 1 de 2 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 2 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Interpretação de Textos

    AMADO, Jorge. Tenda dos milagres. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 175-176.

    Constitui um fato presente na trama do romance Tenda dos milagres:

    I. Os estudantes de Medicina, no embate entre Pedro Archanjo e Nilo Argolo, colocaram-se ao lado do segundo, por considerarem a sólida formação científica do professor e seu interesse de promover a divulgação das teorias mais recentes e abalizadas sobre as consequências da miscigenação.
    II. Pressionado pela repercussão de sua pesquisa sobre miscigenação, bem como pela perseguição promovida pela polícia aos boêmios e aos adeptos do candomblé, Pedro Archanjo destruiu os originais de seu livro e se recolheu ao anonimato, não se tendo notícias sobre as circunstâncias de sua morte.
    III. A importância de Pedro Archanjo e de sua obra só é reconhecida muito tempo depois de sua morte, pelo interesse de um pesquisador norte-americano, detentor de um prêmio Nobel, em obter informações sobre o autor e sua produção, que eram conhecidos no exterior, mas esquecidos em Salvador.
    IV. As teses racistas do professor Nilo Argolo estimularam Pedro Archanjo a estudar e pesquisar, durante dez anos, para fundamentar a sua teoria sobre a mestiçagem na Bahia, exposta no livro “Apontamentos sobre a mestiçagem nas famílias baianas”, provando que todos tinham raízes africanas ou indígenas, inclusive o professor Nilo.
    V. Em consequência da divulgação do livro de Pedro Archanjo, uma réplica à pesquisa racista de Nilo Argolo, a Tenda dos Milagres foi destruída e Archanjo foi preso como subversivo, sendo impedido de entrar na Faculdade onde trabalhou durante 30 anos e vindo a morrer com 75 anos, anônimo e pobre.

    A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a
    Escolha uma alternativa para a questão c5c0a528-b2
  • Linguagens

    Português

    TEXTO:

    Figura 1 de 2 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Colocação Pronominal

    Figura 2 de 2 da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Colocação Pronominal

    AMADO, Jorge. Tenda dos milagres. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 175-176.

    Há a identificação correta de um fato de morfossintaxe devidamente marcado em

    I. “não lhe basta o que já sabe? (l. 1-2) – Caso de colocação pronominal.

    II. “Pedro Archanjo ria da pressa” (l. 3) – Conectivo que marca uma regência.

    III. “Longa e árida seria a relação” (l. 10) – Função de predicativo do sujeito.

    IV. “por ocasião do assalto à oficina” ( l. 29-30) – Objeto indireto.

    V. “gostava de tê-los à mão” (l. 34) – Adjunto adverbial.

    A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a
    Escolha uma alternativa para a questão c5c58eac-b2
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia a crônica “Seu ‘Afredo’”, de Vinicius de Moraes (1913-1980), publicada originalmente em setembro de 1953.

          Seu Afredo (ele sempre subtraía o “l” do nome, ao se apresentar com uma ligeira curvatura: “Afredo Paiva, um seu criado...”) tornou-se inesquecível à minha infância porque tratava-se muito mais de um linguista que de um encerador. Como encerador, não ia muito lá das pernas. Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha mãe ficava passeando pela sala com uma flanelinha debaixo de cada pé, para melhorar o lustro. Mas, como linguista, cultor do vernáculo¹e aplicador de sutilezas gramaticais, seu Afredo estava sozinho.

          Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador, mas em quem a preocupação linguística perturbava às vezes a colocação pronominal. Um dia, numa fila de ônibus, minha mãe ficou ligeiramente ressabiada2 quando seu Afredo, casualmente de passagem, parou junto a ela e perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular:

          – Onde vais assim tão elegante?

          Nós lhe dávamos uma bruta corda. Ele falava horas a fio, no ritmo do trabalho, fazendo os mais deliciosos pedantismos que já me foi dado ouvir. Uma vez, minha mãe, em meio à lide3 caseira, queixou-se do fatigante ramerrão4 do trabalho doméstico. Seu Afredo virou-se para ela e disse:

          – Dona Lídia, o que a senhora precisa fazer é ir a um médico e tomar a sua quilometragem. Diz que é muito bão.

          De outra feita, minha tia Graziela, recém-chegada de fora, cantarolava ao piano enquanto seu Afredo, acocorado perto dela, esfregava cera no soalho. Seu Afredo nunca tinha visto minha tia mais gorda. Pois bem: chegou-se a ela e perguntou-lhe:

          – Cantas? Minha tia, meio surpresa, respondeu com um riso amarelo:

          – É, canto às vezes, de brincadeira...

          Mas, um tanto formalizada, foi queixar-se a minha mãe, que lhe explicou o temperamento do nosso encerador:

           – Não, ele é assim mesmo. Isso não é falta de respeito, não. É excesso de... gramática.

          Conta ela que seu Afredo, mal viu minha tia sair, chegou-se a ela com ar disfarçado e falou:

          – Olhe aqui, dona Lídia, não leve a mal, mas essa menina, sua irmã, se ela pensa que pode cantar no rádio com essa voz, ‘tá redondamente enganada. Nem em programa de calouro!

          E, a seguir, ponderou:

          – Agora, piano é diferente. Pianista ela é!

          E acrescentou:

          – Eximinista pianista!

                                                                               (Para uma menina com uma flor, 2009.)


    1 vernáculo: a língua própria de um país; língua nacional.

    2 ressabiado: desconfiado.

    3 lide: trabalho penoso, labuta.

    4 ramerrão: rotina.

    Na crônica, o personagem seu Afredo é descrito como uma pessoa
    Escolha uma alternativa para a questão c5c82ada-3b
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2017, Interpretação de Textos

    CUNHA, Helena Parente. Inéditos (Em tempo de Fim de Mundo). Além de estar: antologia poética. Rio de Janeiro: Imago; Salvador: fundação Cultural do Estado da Bahia, 2000. p. 192-193.


    Há uma afirmação verdadeira sobre os poemas de Helena Parente Cunha em

    I. . “brilho” (v. 4) e “tochas” (v. 6), no poema Tempo do fim, sugerem conclusão vitoriosa de um processo longo e penoso.

    II. “quatro estações” (v. 5) e “prazos do zodíaco” (v. 6) no poema Depois, se referem às limitações que o tempo impõe à possibilidade de superar situações adversas.

    III. “a fumaça e o sangue” (v. 3), no poema Tempo do fim, sugerem sofrimento e morte; “cicatriz” (v. 1) e “células renascidas” (v. 3), no poema Depois sugerem cura e superação.

    IV. Em Tempo do fim, há uma constatação negativa, sobre a violência; em Depois, a autora acena com uma perspectiva positiva, de recuperação do equilíbrio.

    V. Ao usar a primeira pessoa do plural nos dois poemas, a autora se inclui como integrante da humanidade, a respeito da qual faz constatações e previsões.


    A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a

    Escolha uma alternativa para a questão c5cab25e-b2
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia a crônica “Seu ‘Afredo’”, de Vinicius de Moraes (1913-1980), publicada originalmente em setembro de 1953.

          Seu Afredo (ele sempre subtraía o “l” do nome, ao se apresentar com uma ligeira curvatura: “Afredo Paiva, um seu criado...”) tornou-se inesquecível à minha infância porque tratava-se muito mais de um linguista que de um encerador. Como encerador, não ia muito lá das pernas. Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha mãe ficava passeando pela sala com uma flanelinha debaixo de cada pé, para melhorar o lustro. Mas, como linguista, cultor do vernáculo¹e aplicador de sutilezas gramaticais, seu Afredo estava sozinho.

          Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador, mas em quem a preocupação linguística perturbava às vezes a colocação pronominal. Um dia, numa fila de ônibus, minha mãe ficou ligeiramente ressabiada2 quando seu Afredo, casualmente de passagem, parou junto a ela e perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular:

          – Onde vais assim tão elegante?

          Nós lhe dávamos uma bruta corda. Ele falava horas a fio, no ritmo do trabalho, fazendo os mais deliciosos pedantismos que já me foi dado ouvir. Uma vez, minha mãe, em meio à lide3 caseira, queixou-se do fatigante ramerrão4 do trabalho doméstico. Seu Afredo virou-se para ela e disse:

          – Dona Lídia, o que a senhora precisa fazer é ir a um médico e tomar a sua quilometragem. Diz que é muito bão.

          De outra feita, minha tia Graziela, recém-chegada de fora, cantarolava ao piano enquanto seu Afredo, acocorado perto dela, esfregava cera no soalho. Seu Afredo nunca tinha visto minha tia mais gorda. Pois bem: chegou-se a ela e perguntou-lhe:

          – Cantas? Minha tia, meio surpresa, respondeu com um riso amarelo:

          – É, canto às vezes, de brincadeira...

          Mas, um tanto formalizada, foi queixar-se a minha mãe, que lhe explicou o temperamento do nosso encerador:

           – Não, ele é assim mesmo. Isso não é falta de respeito, não. É excesso de... gramática.

          Conta ela que seu Afredo, mal viu minha tia sair, chegou-se a ela com ar disfarçado e falou:

          – Olhe aqui, dona Lídia, não leve a mal, mas essa menina, sua irmã, se ela pensa que pode cantar no rádio com essa voz, ‘tá redondamente enganada. Nem em programa de calouro!

          E, a seguir, ponderou:

          – Agora, piano é diferente. Pianista ela é!

          E acrescentou:

          – Eximinista pianista!

                                                                               (Para uma menina com uma flor, 2009.)


    1 vernáculo: a língua própria de um país; língua nacional.

    2 ressabiado: desconfiado.

    3 lide: trabalho penoso, labuta.

    4 ramerrão: rotina.

    Em “Mas, como linguista, cultor do vernáculo e aplicador de sutilezas gramaticais, seu Afredo estava sozinho.” (1° parágrafo), o cronista sugere que seu Afredo
    Escolha uma alternativa para a questão c5cac997-3b
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia a crônica “Seu ‘Afredo’”, de Vinicius de Moraes (1913-1980), publicada originalmente em setembro de 1953.

          Seu Afredo (ele sempre subtraía o “l” do nome, ao se apresentar com uma ligeira curvatura: “Afredo Paiva, um seu criado...”) tornou-se inesquecível à minha infância porque tratava-se muito mais de um linguista que de um encerador. Como encerador, não ia muito lá das pernas. Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha mãe ficava passeando pela sala com uma flanelinha debaixo de cada pé, para melhorar o lustro. Mas, como linguista, cultor do vernáculo¹e aplicador de sutilezas gramaticais, seu Afredo estava sozinho.

          Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador, mas em quem a preocupação linguística perturbava às vezes a colocação pronominal. Um dia, numa fila de ônibus, minha mãe ficou ligeiramente ressabiada2 quando seu Afredo, casualmente de passagem, parou junto a ela e perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular:

          – Onde vais assim tão elegante?

          Nós lhe dávamos uma bruta corda. Ele falava horas a fio, no ritmo do trabalho, fazendo os mais deliciosos pedantismos que já me foi dado ouvir. Uma vez, minha mãe, em meio à lide3 caseira, queixou-se do fatigante ramerrão4 do trabalho doméstico. Seu Afredo virou-se para ela e disse:

          – Dona Lídia, o que a senhora precisa fazer é ir a um médico e tomar a sua quilometragem. Diz que é muito bão.

          De outra feita, minha tia Graziela, recém-chegada de fora, cantarolava ao piano enquanto seu Afredo, acocorado perto dela, esfregava cera no soalho. Seu Afredo nunca tinha visto minha tia mais gorda. Pois bem: chegou-se a ela e perguntou-lhe:

          – Cantas? Minha tia, meio surpresa, respondeu com um riso amarelo:

          – É, canto às vezes, de brincadeira...

          Mas, um tanto formalizada, foi queixar-se a minha mãe, que lhe explicou o temperamento do nosso encerador:

           – Não, ele é assim mesmo. Isso não é falta de respeito, não. É excesso de... gramática.

          Conta ela que seu Afredo, mal viu minha tia sair, chegou-se a ela com ar disfarçado e falou:

          – Olhe aqui, dona Lídia, não leve a mal, mas essa menina, sua irmã, se ela pensa que pode cantar no rádio com essa voz, ‘tá redondamente enganada. Nem em programa de calouro!

          E, a seguir, ponderou:

          – Agora, piano é diferente. Pianista ela é!

          E acrescentou:

          – Eximinista pianista!

                                                                               (Para uma menina com uma flor, 2009.)


    1 vernáculo: a língua própria de um país; língua nacional.

    2 ressabiado: desconfiado.

    3 lide: trabalho penoso, labuta.

    4 ramerrão: rotina.

    Um traço característico do gênero crônica, visível no texto de Vinicius de Moraes, é
    Escolha uma alternativa para a questão c5cda618-3b