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Disciplina · Linguagens

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

  • 10.965 questões
  • 95 assuntos

Resultados: 10.965 questões

Página 493 de 549

  • Linguagens

    Português


    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual de Feira de Santana 2010, Adjetivos

    BROWNE, Chris. Hagar. A Tarde, Salvador, 9 jun. 2010. Tiras, p. 8

    Sobre os elementos linguísticos que compõem a tira, está correto o que se afirma em
    Escolha uma alternativa para a questão e77b4c50-df
  • Linguagens

    Português

    Uma campanha alegre, IX
    Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este
    singular estado:
    Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente
    possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder,
    trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos,
    como uma pela* que quatro crianças, aos quatro cantos de
    uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
    Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder,
    esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os
    outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da
    Fazenda, a ruína do País!
    Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua
    própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os
    salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses
    do País.
    Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem
    tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da
    Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E
    os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se,
    para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros
    liberais, e os interesses do País!
    Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os
    verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação
    herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto
    que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio
    — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.
    Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de
    doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha
    sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País...
    Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado
    a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações
    mais hostis...
    Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de
    dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos
    oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa
    constitucional do poder moderador...
    E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que
    continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai,
    feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto**
    tão triunfante!
    (*) Pela: bola.
    (**) Chouto: trote miúdo.
                        (Eça de Queirós. Obras. Porto: Lello & Irmão-Editores, [s.d.].)
    Considere as frases com relação ao que se afirma na crônica de Eça de Queirós:

    I. Os que estão no poder não querem sair e os que não estão querem entrar.

    II. Quando um partido ético está no poder, tudo fica melhor.
    III. Os governantes são bons e éticos, mas vivem a trocar acusações infundadas.
    IV. Os políticos que estão fora do poder julgam-se os melhores eticamente para governar.


    As frases que representam a opinião do cronista estão contidas apenas em:


    Escolha uma alternativa para a questão e77f5f76-94
  • Linguagens

    Português

    TEXTO:


    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual de Feira de Santana 2010, Interpretação de Textos


    TELLES, Lygia Fagundes. A disciplina do amor. 9. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 64.

    As indagações presentes no texto, nas linhas de 4 a 15,
    Escolha uma alternativa para a questão e782132c-df
  • Linguagens

    Português

    Uma campanha alegre, IX
    Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este
    singular estado:
    Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente
    possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder,
    trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos,
    como uma pela* que quatro crianças, aos quatro cantos de
    uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
    Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder,
    esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os
    outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da
    Fazenda, a ruína do País!
    Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua
    própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os
    salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses
    do País.
    Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem
    tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da
    Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E
    os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se,
    para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros
    liberais, e os interesses do País!
    Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os
    verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação
    herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto
    que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio
    — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.
    Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de
    doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha
    sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País...
    Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado
    a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações
    mais hostis...
    Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de
    dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos
    oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa
    constitucional do poder moderador...
    E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que
    continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai,
    feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto**
    tão triunfante!
    (*) Pela: bola.
    (**) Chouto: trote miúdo.
                        (Eça de Queirós. Obras. Porto: Lello & Irmão-Editores, [s.d.].)
    ... cheios de fel e de tédio...
    Nesta passagem do sexto parágrafo, o cronista se utiliza figuradamente da palavra fel para significar
    Escolha uma alternativa para a questão e784ac2e-94
  • Linguagens

    Português

    TEXTO:


    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual de Feira de Santana 2010, Interpretação de Textos


    LISPECTOR, Clarice. Uma Aprendizagem ou O livro dos Prazeres. 19. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1993. p. 62-63.



    O texto expressa
    Escolha uma alternativa para a questão e787f1dd-df
  • Linguagens

    Português

    Uma campanha alegre, IX
    Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este
    singular estado:
    Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente
    possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder,
    trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos,
    como uma pela* que quatro crianças, aos quatro cantos de
    uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
    Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder,
    esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os
    outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da
    Fazenda, a ruína do País!
    Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua
    própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os
    salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses
    do País.
    Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem
    tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da
    Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E
    os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se,
    para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros
    liberais, e os interesses do País!
    Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os
    verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação
    herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto
    que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio
    — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.
    Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de
    doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha
    sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País...
    Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado
    a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações
    mais hostis...
    Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de
    dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos
    oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa
    constitucional do poder moderador...
    E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que
    continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai,
    feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto**
    tão triunfante!
    (*) Pela: bola.
    (**) Chouto: trote miúdo.
                        (Eça de Queirós. Obras. Porto: Lello & Irmão-Editores, [s.d.].)
    Considerando que o último parágrafo do fragmento representa uma ironia do cronista, seu significado contextual é:
    Escolha uma alternativa para a questão e78a34f8-94
  • Linguagens

    Português

    TEXTO:


    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual de Feira de Santana 2010, Interpretação de Textos


    LISPECTOR, Clarice. Uma Aprendizagem ou O livro dos Prazeres. 19. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1993. p. 62-63.



    A personagem masculina
    Escolha uma alternativa para a questão e78ae1fc-df
  • Linguagens

    Português

    TEXTO:


    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual de Feira de Santana 2010, Figuras de Linguagem


    LISPECTOR, Clarice. Uma Aprendizagem ou O livro dos Prazeres. 19. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1993. p. 62-63.



    Nas linhas 10 e 11, a personagem expressa-se por meio de uma linguagem
    Escolha uma alternativa para a questão e78dfb71-df
  • Linguagens

    Português

    Uma campanha alegre, IX
    Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este
    singular estado:
    Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente
    possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder,
    trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos,
    como uma pela* que quatro crianças, aos quatro cantos de
    uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
    Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder,
    esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os
    outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da
    Fazenda, a ruína do País!
    Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua
    própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os
    salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses
    do País.
    Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem
    tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da
    Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E
    os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se,
    para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros
    liberais, e os interesses do País!
    Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os
    verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação
    herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto
    que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio
    — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.
    Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de
    doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha
    sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País...
    Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado
    a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações
    mais hostis...
    Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de
    dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos
    oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa
    constitucional do poder moderador...
    E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que
    continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai,
    feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto**
    tão triunfante!
    (*) Pela: bola.
    (**) Chouto: trote miúdo.
                        (Eça de Queirós. Obras. Porto: Lello & Irmão-Editores, [s.d.].)
    Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações mais hostis...

    Com esta frase, o cronista afirma que
    Escolha uma alternativa para a questão e78f9654-94
  • Linguagens

    Português

    TEXTO:


    Prezados senhores, somos todos

    da mesma cepa se vistos de binóculo.

            Mas não somos os mesmos.


    Eu, com meus poemas indevassáveis

    vós, com vossas gravatas coloridas /

    eu, com esta consciência de mim

    vós, com vossa mesa farta /

    eu, buscando o sempre inatingível

    vós, com vossas gravatas coloridas /

    eu, meditando muito sobre vós

    vós, com vossa mesa farta.


    Não somos da mesma cepa, mas vistos

    de binóculo somos os mesmos.

            Eis uma grande injustiça.


    BRASILEIRO, Antônio. Divisor de águas. Antologia poética. Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado; COPENE, 1996. p. 77

    No poema, “gravatas coloridas” conota
    Escolha uma alternativa para a questão e7948a5a-df
  • Linguagens

    Português

    Uma campanha alegre, IX
    Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este
    singular estado:
    Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente
    possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder,
    trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos,
    como uma pela* que quatro crianças, aos quatro cantos de
    uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
    Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder,
    esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os
    outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da
    Fazenda, a ruína do País!
    Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua
    própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os
    salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses
    do País.
    Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem
    tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da
    Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E
    os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se,
    para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros
    liberais, e os interesses do País!
    Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os
    verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação
    herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto
    que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio
    — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.
    Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de
    doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha
    sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País...
    Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado
    a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações
    mais hostis...
    Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de
    dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos
    oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa
    constitucional do poder moderador...
    E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que
    continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai,
    feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto**
    tão triunfante!
    (*) Pela: bola.
    (**) Chouto: trote miúdo.
                        (Eça de Queirós. Obras. Porto: Lello & Irmão-Editores, [s.d.].)
    Assinale a alternativa cuja frase contém um numeral cardinal empregado como substantivo.
    Escolha uma alternativa para a questão e794aa2f-94
  • Linguagens

    Português

    Figura 1 de 2 da questão de Português, UEPB 2009, Interpretação de Textos
    Figura 2 de 2 da questão de Português, UEPB 2009, Interpretação de Textos

    Com base na leitura dos excertos da entrevista, responda às questões de 1 a 7.

    Em “O tema da diversidade, como tantos outros, [...]” (linha 15) a expressão em destaque pode ser considerada como

    I - termo explicativo, com valor sintático, pois explicita algo a mais em razão do enunciado fundamental.

    II - construção que apresenta relação causal, tendo em vista ser introduzida pela preposição “como”.

    III - um sintagma, com sentido opinativo, que apresenta relação de comparação com a expressão anterior.

    IV - expressão intercalada de valor enumerativo que estabelece uma referência comparativa genérica.

    Marque a alternativa abaixo que apresenta a(s) proposição(ões) verdadeira(s).
    Escolha uma alternativa para a questão e79c5772-6e
  • Linguagens

    Português

    I.


    E uma vez, quando ajoelhados assistíamos à dança nua

                                                                          [das auroras

    Surgiu do céu parado como uma visão de alta serenidade

    Uma branca mulher de cujo sexo a luz jorrava em ondas

    E de cujos seios corria um doce leite ignorado.


    Oh, como ela era bela! era impura — mas como era bela!

    Era como um canto ou como uma flor brotando ou como um

                                                                                        [cisne

    Tinha um sorriso de praia em madrugada e um olhar

                                                                            [esvanecente

    E uma cabeleira de luz como uma cachoeira em plenilúnio


    MORAES, Vinícius de. O poeta. Antologia poética. 16. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978. p. 25.


    II.


    A brisa teus negros cabelos soltou,

    O orvalho da face te esfria o suor;

    Teus seios palpitam — a brisa os roçou,

    Beijou-os, suspira, desmaia de amor!

                Teu pé tropeçou...

                Não corras assim!

                Donzela, onde vais?    

                Tem pena de mim!


    AZEVEDO, Álvares de. Sonhando. Lira dos Vinte anos. São Paulo: FTD, 1994. (Coleção Grandes Leituras).


    III.


    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual de Feira de Santana 2010, Interpretação de Textos

    RENOIR, Pierre Auguste. A banhista loira (1881). In: Gênios da pintura: do romantismo ao pós-impressionismo. São Paulo: Abril Cultural, 1972. p. 677.

    Assinale V ou F, conforme sejam as afirmações verdadeiras ou falsas.


    Comparando-se os textos I , II e III, está correto o que se afirma em


    ( ) Tanto o texto I quanto o II mostram a mulher como parte da paisagem natural.

    ( ) Os textos I e III apresentam uma imagem objetiva e precisa da figura feminina.

    ( ) O texto II, da mesma forma que o I, evidencia uma imagem da mulher como ser transformador.

    ( ) Os textos I, II e III interrelacionam-se ao expressarem a figura feminina portadora de sensualismo.


    A alternativa que contem a sequência correta, de cima para baixo, é a

    Escolha uma alternativa para a questão e79d528e-df
  • Linguagens

    Português

                       O fim do marketing
    A empresa vende ao consumidor
    — com a web não é mais assim


    Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do
    marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam
    mais. O paradigma era simples e unidirecional: as
    empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos;
    fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos
    anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma
    todas essas atividades.
    (...)
    Os produtos agora são customizados em massa, envolvem
    serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos
    consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores
    hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos
    estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas
    concepções industriais na definição e marketing de produtos.
    (...)

    Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado,
    os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais
    desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à
    medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas
    que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores
    vão oferecer vários preços por um produto, dependendo
    de condições específicas. Compradores e vendedores
    trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados,
    e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos
    e serviços.
    (...)
    A empresa moderna compete em dois mundos: um físico
    (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação
    (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não
    devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso,
    mas sim de uma grande comunidade online e com o capital
    de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.
    Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida
    no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a
    marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
    (...)
    Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram
    “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho
    único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.
    As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo.
    Os consumidores com frequência têm acesso a informações
    sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles
    que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem
    o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas
    por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião
    pública” online.
       Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
    (Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

    Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram “mensagens" unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.

    Nesta passagem do quinto parágrafo, ao empregar a expressão consumidores sem rosto e sem poder, o autor sugere que:
    Escolha uma alternativa para a questão e79fb738-94
  • Linguagens

    Português

                       O fim do marketing
    A empresa vende ao consumidor
    — com a web não é mais assim


    Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do
    marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam
    mais. O paradigma era simples e unidirecional: as
    empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos;
    fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos
    anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma
    todas essas atividades.
    (...)
    Os produtos agora são customizados em massa, envolvem
    serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos
    consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores
    hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos
    estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas
    concepções industriais na definição e marketing de produtos.
    (...)

    Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado,
    os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais
    desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à
    medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas
    que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores
    vão oferecer vários preços por um produto, dependendo
    de condições específicas. Compradores e vendedores
    trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados,
    e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos
    e serviços.
    (...)
    A empresa moderna compete em dois mundos: um físico
    (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação
    (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não
    devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso,
    mas sim de uma grande comunidade online e com o capital
    de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.
    Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida
    no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a
    marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
    (...)
    Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram
    “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho
    único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.
    As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo.
    Os consumidores com frequência têm acesso a informações
    sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles
    que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem
    o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas
    por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião
    pública” online.
       Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
    (Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

    São eles que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião pública" online.

    Nesta passagem do penúltimo parágrafo do texto, o autor repete por três vezes o pronome eles, para referir-se enfaticamente aos


    Escolha uma alternativa para a questão e7a411e3-94
  • Linguagens

    Português

                       O fim do marketing
    A empresa vende ao consumidor
    — com a web não é mais assim


    Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do
    marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam
    mais. O paradigma era simples e unidirecional: as
    empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos;
    fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos
    anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma
    todas essas atividades.
    (...)
    Os produtos agora são customizados em massa, envolvem
    serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos
    consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores
    hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos
    estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas
    concepções industriais na definição e marketing de produtos.
    (...)

    Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado,
    os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais
    desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à
    medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas
    que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores
    vão oferecer vários preços por um produto, dependendo
    de condições específicas. Compradores e vendedores
    trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados,
    e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos
    e serviços.
    (...)
    A empresa moderna compete em dois mundos: um físico
    (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação
    (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não
    devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso,
    mas sim de uma grande comunidade online e com o capital
    de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.
    Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida
    no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a
    marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
    (...)
    Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram
    “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho
    único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.
    As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo.
    Os consumidores com frequência têm acesso a informações
    sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles
    que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem
    o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas
    por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião
    pública” online.
       Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
    (Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

    Nós criamos produtos; fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos anúncios. Nós controlamos a mensagem.


    Nas orações que compõem os dois períodos transcritos, os termos destacados exercem a função de

    Escolha uma alternativa para a questão e7a8d547-94
  • Linguagens

    Português

                       O fim do marketing
    A empresa vende ao consumidor
    — com a web não é mais assim


    Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do
    marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam
    mais. O paradigma era simples e unidirecional: as
    empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos;
    fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos
    anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma
    todas essas atividades.
    (...)
    Os produtos agora são customizados em massa, envolvem
    serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos
    consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores
    hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos
    estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas
    concepções industriais na definição e marketing de produtos.
    (...)

    Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado,
    os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais
    desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à
    medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas
    que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores
    vão oferecer vários preços por um produto, dependendo
    de condições específicas. Compradores e vendedores
    trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados,
    e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos
    e serviços.
    (...)
    A empresa moderna compete em dois mundos: um físico
    (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação
    (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não
    devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso,
    mas sim de uma grande comunidade online e com o capital
    de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.
    Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida
    no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a
    marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
    (...)
    Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram
    “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho
    único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.
    As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo.
    Os consumidores com frequência têm acesso a informações
    sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles
    que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem
    o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas
    por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião
    pública” online.
       Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
    (Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

    Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.

    O termo marqueteiro, presente nesta frase, foi formado em português por influência do inglês e tem como uma de suas acepções usuais:
    Escolha uma alternativa para a questão e7ae6492-94
  • Linguagens

    Português

       Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes,
    poeta e cidadão

    A morte chegou pelo interurbano em longas espirais metálicas.
    Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva.
    De repente não tinha pai.
    No escuro de minha casa em Los Angeles procurei recompor
        [tua lembrança
    Depois de tanta ausência. Fragmentos da infância
    Boiaram do mar de minhas lágrimas. Vi-me eu menino
    Correndo ao teu encontro. Na ilha noturna
    Tinham-se apenas acendido os lampiões a gás, e a clarineta
    De Augusto geralmente procrastinava a tarde.
    Era belo esperar-te, cidadão. O bondinho
    Rangia nos trilhos a muitas praias de distância...
    Dizíamos: “Ê-vem meu pai!”. Quando a curva
    Se acendia de luzes semoventes*, ah, corríamos
    Corríamos ao teu encontro. A grande coisa era chegar antes
    Mas ser marraio** em teus braços, sentir por último
    Os doces espinhos da tua barba.
    Trazias de então uma expressão indizível de fidelidade e
       [paciência
    Teu rosto tinha os sulcos fundamentais da doçura
    De quem se deixou ser. Teus ombros possantes
    Se curvavam como ao peso da enorme poesia
    Que não realizaste. O barbante cortava teus dedos
    Pesados de mil embrulhos: carne, pão, utensílios
    Para o cotidiano (e frequentemente o binóculo
    Que vivias comprando e com que te deixavas horas inteiras
    Mirando o mar). Dize-me, meu pai
    Que viste tantos anos através do teu óculo de alcance
    Que nunca revelaste a ninguém?
    Vencias o percurso entre a amendoeira e a casa como o atleta
        [exausto no último lance da maratona.

    Te grimpávamos. Eras penca de filho. Jamais
    Uma palavra dura, um rosnar paterno. Entravas a casa
    humilde

    A um gesto do mar. A noite se fechava
    Sobre o grupo familial como uma grande porta espessa.
    Muitas vezes te vi desejar. Desejavas. Deixavas-te olhando
       [o mar
    Com mirada de argonauta. Teus pequenos olhos feios
    Buscavam ilhas, outras ilhas... — as imaculadas, inacessíveis
    Ilhas do Tesouro. Querias. Querias um dia aportar
    E trazer — depositar aos pés da amada as joias fulgurantes
    Do teu amor. Sim, foste descobridor, e entre eles
    Dos mais provectos***. Muitas vezes te vi, comandante
    Comandar, batido de ventos, perdido na fosforência
    De vastos e noturnos oceanos
    Sem jamais.
    Deste-nos pobreza e amor. A mim me deste
    A suprema pobreza: o dom da poesia, e a capacidade de amar
    Em silêncio. Foste um pobre. Mendigavas nosso amor
    Em silêncio. Foste um no lado esquerdo. Mas
    Teu amor inventou. Financiaste uma lancha
    Movida a água: foi reta para o fundo. Partiste um dia
    Para um brasil além, garimpeiro sem medo e sem mácula.
    Doze luas voltaste. Tua primogênita — diz-se —
    Não te reconheceu. Trazias grandes barbas e pequenas
         [águas-marinhas.
        (Vinicius de Moraes. Antologia poética. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1974, p. 180-181.)


    (*) Semovente: “Que ou o que anda ou se move por si próprio.”
    (**) Marraio: “No gude e noutros jogos, palavra que dá, a quem
    primeiro a grita, o direito de ser o último a jogar.”
    (***) Provecto: “Que conhece muito um assunto ou uma ciência,
    experiente, versado, mestre.”
                 (Dicionário Eletrônico Houaiss)

    Compare o conteúdo das frases a seguir com o que o eu-poemático afirma no poema.

    I. A notícia da morte do pai chegou por telefone.
    II. O falecimento foi informado pela primogênita.
    III. A morte do pai provocou reminiscências da infância.
    IV. Apesar de não ter sido um bom pai, o filho perdoa e sente
    saudades.

    As frases que correspondem ao que é efetivamente expresso no poema estão contidas apenas em
    Escolha uma alternativa para a questão e7b3fb37-94
  • Linguagens

    Português

    Observe o poema a seguir e marque a opção correta:

    “Portugal colonial”
    Nada te devo
    nem o sítio
    onde nasci

    nem a morte
    que depois comi
    nem a vida

    repartida
    p'los cães
    nem a notícia

    curta
    a dizer-te
    que morri

    nada te devo
    Portugal
    Colonial

    cicatriz
    doutra pele
    apertada

    (David Mestre, poeta angolano. In: DÁSKALOS, M. A.; APA, L.; BARBEITOS, A. Poesia africana de língua portuguesa: antologia. Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 2003, p. 104.)

    Escolha uma alternativa para a questão e7b7bd47-ca
  • Linguagens

    Português

    Venenos de Deus, remédios do diabo: as
          incuráveis vidas de Vila Cacimba

    – Noutro dia, você zangou-se comigo porque eu não o chamava pelo seu nome inteiro. Mas eu conheço o seu segredo.
    – Não tenho segredos. Quem tem segredos são as mulheres.
    – O seu nome é Tsotsi. Bartolomeu Tsotsi.
    – Quem lhe contou isso? De certeza que foi o cabrão do Administrador. 
    Acabrunhado, Bartolomeu aceitou. Primeiro, foram os outros que lhe mudaram o nome, no baptismo. Depois, quando pôde voltar a ser ele mesmo, já tinha aprendido a ter vergonha de seu nome original. Ele se colonizara a si mesmo. E Tsotsi dera origem a Sozinho [Bartolomeu Sozinho].
    – Eu sonhava ser mecânico, para consertar o mundo. Mas aqui para nós que ninguém nos ouve: um mecânico pode chamar-se Tsotsi?
    – Ini nkabe dziua.
    – Ah, o Doutor já anda a aprender a língua deles?
    – Deles? Afinal, já não é a sua língua?
    – Não sei, eu já nem sei...
    O português confessa sentir inveja de não ter duas línguas. E poder usar uma delas para perder o passado. E outra para ludibriar o presente. 
    – A propósito de língua, sabe uma coisa, Doutor Sidonho? Eu já me estou a desmulatar.
    E exibe a língua, olhos cerrados, boca escancarada. O médico franze o sobrolho, confrangido: a mucosa está coberta de fungos, formando uma placa esbranquiçada.
    – Quais fungos? – reage Bartolomeu. – Eu estou é a ficar branco de língua, deve ser porque só falo português...
    O riso degenera em tosse e o português se afasta, cauteloso, daquele foco contaminoso. [...]
    O médico olha para o parapeito e estremece de ver tão frágil, tão transitório aquele que é seu único amigo em Vila Cacimba. O aro da janela surge como uma moldura da derradeira fotografia desse teimoso mecânico reformado.
    – Posso fazer-lhe uma pergunta íntima?
    – Depende – responde o português.
    – O senhor já alguma vez desmaiou, Doutor?
    – Sim.
    – Eu gostava muito de desmaiar. Não queria morrer sem desmaiar.
    O desmaio é uma morte preguiçosa, um falecimento de duração temporária. O português, que era um guarda-fronteira da Vida, que facilitasse uma escapadela dessas, uma breve perda de sentidos. 
    – Me receite um remédio para eu desmaiar.
    O português ri-se. Também a ele lhe apetecia uma intermitente ilucidez, uma pausa na obrigação de existir.
    – Uma marretada na cabeça é a única coisa que me ocorre. Riem-se. Rir junto é melhor que falar a mesma língua. Ou talvez o riso seja uma língua anterior que fomos perdendo à medida que o mundo foi deixando de ser nosso. [...]

    (COUTO, Mia. Venenos de Deus, remédios do diabo: as incuráveis vidas de Vila Cacimba. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, pp. 110-113)
    “Identidade nacional representa um conjunto de sentimentos que fazem com que um indivíduo se sinta parte de uma sociedade ou nação. A língua é um importante elemento na constituição da identidade de um povo. Ela permite reconhecer membros da comunidade, diferenciar estrangeiros e transmitir tradições”. Das proposições a seguir, marque a que não aparece o sentimento de não pertencimento:
    Escolha uma alternativa para a questão e7bb235c-ca