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Disciplina · Linguagens

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

  • 10.965 questões
  • 95 assuntos

Resultados: 10.965 questões

Página 94 de 549

  • Linguagens

    Português

    Considere a charge e as afirmações.

    Imagem da questão de Português, UNIFESP 2009, Advérbios

    I. O advérbio já, indicativo de tempo, atribui à frase o sentido de mudança.

    II. Entende-se pela frase da charge que a população de idosos atingiu um patamar inédito no país.

    III. Observando a imagem, tem-se que a fila de velhinhos esperando um lugar no banco sugere o aumento de idosos no país.

    Está correto o que se afirma em
    Escolha uma alternativa para a questão 2c407cdf-49
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2014, Artigos

    Aquele carro é o carro alegórico de um Brasil, de um certo Brasil que temos que lutar para que não se transforme no carro alegórico do Brasil. (l. 27-28)

    A sequência do emprego dos artigos em “de um Brasil” e “do Brasil” representa uma relação de sentido entre as duas expressões, intimamente ligada a uma preocupação social por parte do autor do texto.

    Essa relação de sentido pode ser definida como:
    Escolha uma alternativa para a questão 2c527794-4a
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2014, Gêneros Textuais

    A crônica é um gênero textual que frequentemente usa uma linguagem mais informal e próxima da oralidade, pouco preocupada com a rigidez da chamada norma culta.

    Um exemplo claro dessa linguagem informal, presente no texto, está em:
    Escolha uma alternativa para a questão 2c5c7a57-4a
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2014, Interpretação de Textos

    Seu olhar agora não era mais de ladrão, e sim de professor (l. 29).

    A frase deixa subentendida a ideia de que o menino foi capaz de ensinar, pelo exemplo, algo à autora.

    Esse ensinamento dado pelo menino está ligado à capacidade de:
    Escolha uma alternativa para a questão 2c6d903d-4a
  • Linguagens

    Português

    Leia os textos a seguir para responder à questão


    Imagem da questão de Português, Universidade Federal de Pelotas 2019, Coesão e coerência

    Impostos inteligentes: cobrados em tempo real, que se modificam de acordo com as escolhas individuais, baseados em estilos de vida e nas necessidades de cada um. (linhas 19, 20 e 21)

    Reescrevendo o período acima e, conforme as ideias do texto, a alternativa mais adequada, de acordo com a língua padrão, é:
    Escolha uma alternativa para a questão 2c6e2262-ea
  • Linguagens

    Português

    Leia os textos a seguir para responder à questão


    Imagem da questão de Português, Universidade Federal de Pelotas 2019, Coesão e coerência

    Tecnologias como o blockchaim, inteligência artificial e a robótica estão se tornando parte dos nossos corpos e mentes e mudando culturas, espalhando conhecimento, redefinindo conceitos do nosso sistema social, político e econômico, que compõem as identidades nacionais e a cidadania” (linhas 2, 3 e 4). A expressão em destaque retoma o vocábulo
    Escolha uma alternativa para a questão 2c719956-ea
  • Linguagens

    Português

    Leia a charge:
    Imagem da questão de Português, Universidade Federal de Pelotas 2019, Gêneros Textuais
    cadeiranteemprimeirasviagens.wordpress.com/2012/05/29/saem-as-sacolasplasticas-e-voltam-os-sacos-plasticos-para-o-lixo-caseiro. Acesso em: jun 2019

    Com base na charge, analise as afirmações a seguir:

    I) O efeito de humor da charge advém da ideia de que o pai de um dos meninos está dançando e brincando com as frutas, com a finalidade de incentivar uma alimentação saudável para as crianças.
    II) O efeito de humor da charge advém da ideia de que a Carmem Miranda (cantora, atriz e dançarina luso-brasileira) usava um chapéu com frutas na cabeça para incentivar consumo desses alimentos.
    III) A charge é um dos gêneros textuais que faz uso da linguagem verbal e não-verbal. Pelo cenário (complementado pela linguagem verbal), infere-se que o pai de um dos meninos aderiu à campanha de não usar sacolas plásticas nas compras do mercado.
    IV) A charge incentiva o uso de sacolas retornáveis nas compras do mercado. No entanto, a população ainda não tem esse hábito.

    Está(ão) correta(s),
    Escolha uma alternativa para a questão 2c74d473-ea
  • Linguagens

    Português

    Observe a reprodução do cartaz a seguir:
    Imagem da questão de Português, Universidade Federal de Pelotas 2019, Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)
    https://www.transonibus.org.br/flores-lanca-campanha-sobre-assedio-notransporte-publico/. Acesso em: jun 2019

    O cartaz, que faz parte da campanha comunitária contra o assédio sexual no transporte público, busca convencer o leitor, utilizando-se de determinados recursos, dentre os quais o emprego de verbos no imperativo. Tais verbos expressam, no contexto em que são empregados

    I) uma orientação para denúncias relativas a assédio sexual no transporte público.
    II) divulgação de diversos apoiadores da campanha contra assédio no transporte público.
    III) informação sobre o período da campanha contra assédio sexual no transporte público.
    IV) divulgação dos meios de tranporte que apoiam a campanha contra o assédio sexual.

    Está(ão) correta(s):

    Escolha uma alternativa para a questão 2c779c22-ea
  • Linguagens

    Português

    Leia o fragmento textual a seguir, para resolução da questão.

    Mulheres - III

    as mulheres são
    diferentes das mulheres
    pois
    enquanto as mulheres
    vão trabalhar
    as mulheres ficam
    em casa

    lavando a louça
    e criam os filhos
    mais tarde chegam
    as mulheres
    estão sempre cansadas
    vão ver televisão.

    Angélica Freitas
    O texto lido anteriormente pertence à obra “Um útero é do tamanho de um punho”, de Angélica Freitas. Sobre o poema, é correto afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 2c7a56f5-ea
  • Linguagens

    Português

    OS SILÊNCIOS DAS JANELAS DO POVOADO

    Era um fim de dia quieto pra quem quisesse ouvi-lo Apesar do céu sangrando, alguns mateavam tranquilos. Foi quando cascos nas pedras, e constâncias de esporas Quebraram o calmo das casas, chamando olhares pra fora.

    Iam adentrando o povoado. Quatro homens bem montados
    Três baios de cabos-negros. Bem à direita um gateado.
    Ponchos negros sobre os ombros. Chapéus batidos na face
    Silhuetas desconhecidas, pra qualquer um que olhasse.

    Traziam vozes de mandos, nas suas bocas cerradas
    E aparecendo nos ponchos pontas de adagas afiadas.
    Olhavam sempre por perto até mirarem um "ranchito"
    E sofrenarem os cavalo, onde um apeou solito.

    Primeiro um rangido fraco, depois um grito "prendido"
    E a intenção da adaga tinha mostrado sentido.
    E os quatro em seus silêncios voltaram no mesmo tranco
    Deixando junto a soleira, vermelho um lenço branco.

    Era mais um que ficava. Depois que os quatro partiam. Por certo em baixo dos ponchos. Algum mandado traziam.
    Traziam fios de adagas, e silêncios pra entregar...
    − Era um gateado e três baios, foi o que deu pra enxergar!!

    Ninguém sabe, ninguém viu, notícias viram depois. Alguém firmava na adaga só não se sabe quem foi.
    E o povoado segue o mesmo, dormindo sempre mais cedo
    Dormem ouvindo o silêncio e silenciam por medo.

    Luiz Marenco

    A letra da música de Luiz Marenco faz referência a um momento histórico específico no Rio Grande do Sul, ou seja, trata da Revolução Federalista (1893-1895), a mais sangrenta revolução ocorrida no estado. Tamanha a barbárie acometida dos dois lados que esta passou a ser conhecida como “Revolução da degola”, devido à prática de degolar os adversários. Em uma das frentes de batalha estavam os federalistas, que foram alcunhados de “maragatos” e faziam uso de um lenço vermelho; já do outro lado, estavam os “castilhistas”, que foram alcunhados de “pica-paus” e utilizavam lenço branco.

    Com base na letra da canção e nos teus conhecimentos pessoais, analise as assertivas a seguir:
    I) Os versos da 4ª estrofe fazem referência explícita à prática da degola.
    II) No verso “Traziam fios de adagas, e silêncios pra entregar...”, temos a presença de um eufemismo para a morte.
    III) A letra da música enfatiza o silêncio como algo que causa temor e morte, como comprova o último verso: “Dormem ouvindo o silêncio e silenciam por medo”.
    IV) A letra da música critica a violência da revolução que acabou por transformar a vida até então pacata e tranquila do povo gaúcho.

    Estão corretas,
    Escolha uma alternativa para a questão 2c7de892-ea
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UEPB 2007, Pontuação

    No fragmento “Por causa da ocorrência cada vez mais tardia do inverno, os flocos de neve não mais dispõem do tempo necessário para se transformarem em gelo” (L 18-21), as aspas são usadas para
    Escolha uma alternativa para a questão 2c870886-70
  • Linguagens

    Português

    Leia a canção e a charge a seguir e responda à questão.

    Asa Branca

    Quando olhei a terra ardendo
    Qual fogueira de São João
    Eu perguntei a Deus do céu, ai
    Por que tamanha judiação

    Que braseiro, que fornalha
    Nem um pé de plantação
    Por falta d’água perdi meu gado
    Morreu de sede meu alazão

    Até mesmo a asa branca
    Bateu asas do sertão
    Então eu disse adeus Rosinha
    Guarda contigo meu coração

    Quando o verde dos teus olhos
    Se espalhar na plantação
    Eu te asseguro não chores não, viu
    Que eu voltarei, viu
    Meu coração

    Hoje longe muitas léguas
    Numa triste solidão
    Espero a chuva cair de novo
    Pra mim voltar pro meu sertão

    Quando o verde dos teus olhos
    Se espalhar na plantação
    Eu te asseguro Não chores não, viu?
    Que eu voltarei, viu meu coração.


    (GONZAGA, L.; TEIXEIRA, H. Asa Branca. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.phd?titulo=Asa+Branca,+Luiz+Gonzaga+Teixeira&ltr=a&id_perso=7038>. Acesso em: 9 set. 2015.)

    Imagem da questão de Português, UNICENTRO 2015, Interpretação de Textos
    Acerca da canção, considere as afirmativas a seguir.

    I. Apresenta o nordestino, diante de suas mazelas, completamente sem esperança porque a seca, nessa região, é irreversível, contínua, implacável.
    II. A letra dessa canção é um verdadeiro lamento diante do problema do homem nordestino.
    III. A canção retrata a seca que castigava o sertão, forçando os moradores daquele lugar a deixar sua terra e sua família para tentar melhores condições de vida.
    IV. Traz, além da temática da seca, um certo teor religioso e romântico.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 2ca78859-06
  • Linguagens

    Português

    Figura 1 de 2 da questão de Português, UFRN 2012, Interpretação de Textos



    A questão 4 refere-se ao Texto 2, uma peça da campanha educativa para o carnaval de 2011. Essa campanha foi promovida pelo Ministério das Cidades e teve circulação restrita aos bares de três capitais: Recife, Rio de Janeiro e Salvador.


    Figura 2 de 2 da questão de Português, UFRN 2012, Interpretação de Textos


    Sobre a linguagem do Texto 2, é correto afirmar que

    Escolha uma alternativa para a questão 2cbbc2b9-5c
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir e responda à questão.

    Imagem da questão de Português, UNICENTRO 2015, Análise sintática
    No período “100 anos lutando para que ninguém mude nem uma vírgula da sua informação”, a segunda oração se relaciona com a primeira para indicar
    Escolha uma alternativa para a questão 2cc2ea53-06
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho a seguir adaptado de um importante romance da literatura brasileira.

    Veio para a biblioteca, sentou-se a uma cadeira de balanço, descansando.
    Estava num vasto aposento. Quem examinasse vagarosamente aquela grande coleção de livros havia de espantar-se ao perceber o espírito que presidia a sua reunião.
    Na ficção, havia unicamente autores nacionais ou tidos como tais: o Bento Teixeira, da Prosopopeia; o Gregório de Matos, o Basílio da Gama, o Santa Rita Durão, o José de Alencar (todo), o Macedo, o Gonçalves Dias (todo), além de muitos outros. Podia-se afiançar que nem um dos autores nacionais ou nacionalizados faltava nas estantes do major.
    A razão tinha de ser encontrada numa disposição particular de seu espírito, no forte sentimento que guiava sua vida: era um patriota.

    O trecho refere-se à personagem
    Escolha uma alternativa para a questão 2cc6cde3-b0
  • Linguagens

    Português

    Leia a crônica a seguir e responda à questão.

    Receita para mal de amor

    Minha querida amiga:
    Sim, é para você mesma que estou escrevendo – você que aquela noite disse que estava com vontade de me pedir conselhos, mas tinha vergonha e achava que não valia a pena, e acabou me formulando uma pergunta ingênua:
    – Como é que a gente faz para esquecer uma pessoa?
    E logo depois me pediu que não pensasse nisso e esquecesse a pergunta, dizendo que achava que tinha bebido um ou dois uísques a mais...
    Sei como você está sofrendo, e prefiro lhe responder assim pelas páginas de uma revista – fazendo de conta que me dirijo a um destinatário suposto.
    Destinatário, destinatária... Bonita palavra: não devia querer dizer apenas aquele ou aquela a quem se destina uma carta, devia querer dizer também a pessoa que é dona do destino da gente. Joana é minha destinatária. Meu destino está em suas mãos; a ela se destinam meus pensamentos, minhas lembranças, o que sinto e o que sou: todo este complexo mais ou menos melancólico e todavia tão veemente de coisas que eu nasci e me tornei.
    Se me derem para encher uma fórmula impressa ou uma ficha de hotel eu poderei escrever assim:
    Procedência – São Paulo; Destino – Joana. Pois é somente para ela que eu marcho. No táxi, no bonde, no avião, na rua, não interessa a direção em que me movo, meu destino é Joana. Que importa saber que jamais chegarei ao meu destino?
    Isso eu gostaria de lhe dizer, minha amiga, com a autoridade triste do mais vivido e mais sofrido: amar é um ato de paciência e de humildade; é uma longa devoção. Você me responderá que não é nada disso; que você já chegou ao seu destinatário e foi devolvida como se fosse uma carta com o endereço errado.
    Que teve alguns dias, algumas horas de felicidade, e por isso agora sofre de maneira insuportável. Então lhe aconselho a comprar um canivete bem amolado e afinar dezoito pedacinhos de pau até ficarem bem pontudos, bem lisos, perfeitamente torneados – e depois deixá-los a um canto. Apanhar uma folha de papel tamanho ofício e enchê-la com o nome de seu amado, escrevendo uma letra bem bonita, de preferência com tinta azul. Em seguida faça com essa folha um aviãozinho, e o jogue pela janela.
    Observe o voo e a aterrissagem. Depois desça, vá lá fora, apanhe o avião de papel, desdobre a folha novamente (pode passá-la a ferro, para o serviço ficar mais perfeito e não haver mais nenhum indício da construção aeronáutica) e volte a dobrá-la, desta vez ao meio. Dobre outras vezes, até obter o menor retângulo possível. Então, com o canivete, vá cortando as partes dobradas até transformar toda a folha em minúsculos papeizinhos, tão pequenos que o nome de seu amado não deve caber inteiro em nenhum deles. Aí, apanhe todos aqueles pauzinhos que tinha deixado a um canto e, com os pedacinhos de papel, faça uma fogueira com o máximo cuidado até que restem somente cinzas. A seguir poderá repetir a operação...
    – Adianta alguma coisa?
    Por favor, querida amiga, não me faça esta pergunta. Nada adianta coisa alguma, a não ser o tempo; e fazer fogueirinhas é um meio tão bom quanto qualquer outro de passar o tempo.

    (BRAGA, R. A Traição das Elegantes. Rio de Janeiro: Record, 1982. p.17.)
    Acerca das características gerais da crônica, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.

    ( ) Seu destinatário é Joana, seu grande amor.
    ( ) O uso do pronome de tratamento “você” traz uma esfera de intimidade com o leitor.
    ( ) Não é possível identificar o destinatário da carta.
    ( ) O tom da conversa é quebrado pelo uso formal da linguagem.
    ( ) É uma resposta ao questionamento sobre a relação amorosa.

    Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 2cc6d9a3-06
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto para responder a questão.

    Aptidão
    – Bom dia, Senhor Pacheco. Sente-se, por favor. Temos uma ótima notícia. Como o senhor deve saber, contratamos uma firma de psicomputocratas para fazer testes de aptidão nos dez mil empregados desta firma. Precisamos nos atualizar. Acompanhar os tempos.
     – Sim, senhor.
    – Os dez mil testes foram submetidos a um computador, e os resultados estão aqui. O senhor é o primeiro a ser chamado porque o computador nos forneceu os resultados em rigorosa ordem alfabética.
    – Mas o meu nome começa com P.
    – Hum, sim, deixa ver. Pacheco. Sim, sim. Deve ser por ordem alfabética do primeiro nome, então. Este computador é de última geração. Nunca erra. Como é seu primeiro nome?
    – Xisto.
    – Bom, isso não tem importância. Vamos adiante. Vejo aqui pela sua ficha que o senhor está conosco há vinte e oito anos. Sempre na seção de entorte de fresos. O senhor nunca falhou no serviço, nunca tirou férias e já recebeu várias vezes nosso prêmio de produção.
    – Sim, senhor.
    – O senhor começou na seção de entorte de fresos como faxineiro, depois passou a assistente de entortador, depois entortador, e hoje é o chefe de entorte. Me diga uma coisa, o senhor nunca se sentiu atraído para outra função, além do entorte de fresos? Nunca achou que entortar não era bem sua vocação?
    – Nunca, não senhor.
    – Pois veja só! O computador nos revela que a sua verdadeira vocação não é o entorte de fresos e sim o bistoque de tronas! O senhor é um bistocador de tronas nato, segundo o computador. Não é fantástico? E ainda tem gente que critica a tecnologia. O senhor era um homem deslocado no entorte de fresos e não sabia. Se não fosse o teste, nunca ficaria sabendo. Claro que essa situação vai ser corrigida. O senhor, a partir deste minuto, deixa de entortar.
    – Sim, senhor.
    – Só tem uma coisa, Senhor Pacheco. Nossa firma não trabalha com tronas. Pensando bem, ninguém trabalha com tronas, hoje em dia.
    – Olha, tanto faz. Eu estou perfeitamente satisfeito no entorte e faltam só vinte anos pra me aposentar...
     – Então a firma gasta um dinheirão para descobrir a sua verdadeira vocação e o senhor quer jogá-la fora? Reconheço que o senhor tem sido um chefe de entorte perfeito. Aliás, o computador não descobriu ninguém com aptidão para o entorte. Vai ser um problema substituí-lo. Mas não podemos contestar a tecnologia. O senhor está despedido. Por favor, mande entrar o seguinte e passe bem.
    (VERÍSSIMO, Luís Fernando. O nariz e outras crônicas. São Paulo: Ática, 2003. Adaptado)
    Assinale a alternativa em que a afirmação sobre o texto está corretamente associada ao trecho selecionado
    Escolha uma alternativa para a questão 2ccac312-b0
  • Linguagens

    Português

    Leia a crônica a seguir e responda à questão.

    Receita para mal de amor

    Minha querida amiga:
    Sim, é para você mesma que estou escrevendo – você que aquela noite disse que estava com vontade de me pedir conselhos, mas tinha vergonha e achava que não valia a pena, e acabou me formulando uma pergunta ingênua:
    – Como é que a gente faz para esquecer uma pessoa?
    E logo depois me pediu que não pensasse nisso e esquecesse a pergunta, dizendo que achava que tinha bebido um ou dois uísques a mais...
    Sei como você está sofrendo, e prefiro lhe responder assim pelas páginas de uma revista – fazendo de conta que me dirijo a um destinatário suposto.
    Destinatário, destinatária... Bonita palavra: não devia querer dizer apenas aquele ou aquela a quem se destina uma carta, devia querer dizer também a pessoa que é dona do destino da gente. Joana é minha destinatária. Meu destino está em suas mãos; a ela se destinam meus pensamentos, minhas lembranças, o que sinto e o que sou: todo este complexo mais ou menos melancólico e todavia tão veemente de coisas que eu nasci e me tornei.
    Se me derem para encher uma fórmula impressa ou uma ficha de hotel eu poderei escrever assim:
    Procedência – São Paulo; Destino – Joana. Pois é somente para ela que eu marcho. No táxi, no bonde, no avião, na rua, não interessa a direção em que me movo, meu destino é Joana. Que importa saber que jamais chegarei ao meu destino?
    Isso eu gostaria de lhe dizer, minha amiga, com a autoridade triste do mais vivido e mais sofrido: amar é um ato de paciência e de humildade; é uma longa devoção. Você me responderá que não é nada disso; que você já chegou ao seu destinatário e foi devolvida como se fosse uma carta com o endereço errado.
    Que teve alguns dias, algumas horas de felicidade, e por isso agora sofre de maneira insuportável. Então lhe aconselho a comprar um canivete bem amolado e afinar dezoito pedacinhos de pau até ficarem bem pontudos, bem lisos, perfeitamente torneados – e depois deixá-los a um canto. Apanhar uma folha de papel tamanho ofício e enchê-la com o nome de seu amado, escrevendo uma letra bem bonita, de preferência com tinta azul. Em seguida faça com essa folha um aviãozinho, e o jogue pela janela.
    Observe o voo e a aterrissagem. Depois desça, vá lá fora, apanhe o avião de papel, desdobre a folha novamente (pode passá-la a ferro, para o serviço ficar mais perfeito e não haver mais nenhum indício da construção aeronáutica) e volte a dobrá-la, desta vez ao meio. Dobre outras vezes, até obter o menor retângulo possível. Então, com o canivete, vá cortando as partes dobradas até transformar toda a folha em minúsculos papeizinhos, tão pequenos que o nome de seu amado não deve caber inteiro em nenhum deles. Aí, apanhe todos aqueles pauzinhos que tinha deixado a um canto e, com os pedacinhos de papel, faça uma fogueira com o máximo cuidado até que restem somente cinzas. A seguir poderá repetir a operação...
    – Adianta alguma coisa?
    Por favor, querida amiga, não me faça esta pergunta. Nada adianta coisa alguma, a não ser o tempo; e fazer fogueirinhas é um meio tão bom quanto qualquer outro de passar o tempo.

    (BRAGA, R. A Traição das Elegantes. Rio de Janeiro: Record, 1982. p.17.)
    Em relação ao título e ao conteúdo do texto, considere as afirmativas a seguir.

    I. Quando prescritos por especialistas, os conselhos amorosos têm grande possibilidade de dar certo.
    II. Apesar de se chamar “Receita”, o texto não contém todos os elementos típicos de um texto instrucional.
    III. Como um texto instrucional, o gênero receita é construído com o uso de verbos no modo imperativo.
    IV. Para o eu do cronista, os conselhos não resolverão os problemas, só servirão para passar o tempo.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 2ccafdee-06
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto para responder a questão.

    Aptidão
    – Bom dia, Senhor Pacheco. Sente-se, por favor. Temos uma ótima notícia. Como o senhor deve saber, contratamos uma firma de psicomputocratas para fazer testes de aptidão nos dez mil empregados desta firma. Precisamos nos atualizar. Acompanhar os tempos.
     – Sim, senhor.
    – Os dez mil testes foram submetidos a um computador, e os resultados estão aqui. O senhor é o primeiro a ser chamado porque o computador nos forneceu os resultados em rigorosa ordem alfabética.
    – Mas o meu nome começa com P.
    – Hum, sim, deixa ver. Pacheco. Sim, sim. Deve ser por ordem alfabética do primeiro nome, então. Este computador é de última geração. Nunca erra. Como é seu primeiro nome?
    – Xisto.
    – Bom, isso não tem importância. Vamos adiante. Vejo aqui pela sua ficha que o senhor está conosco há vinte e oito anos. Sempre na seção de entorte de fresos. O senhor nunca falhou no serviço, nunca tirou férias e já recebeu várias vezes nosso prêmio de produção.
    – Sim, senhor.
    – O senhor começou na seção de entorte de fresos como faxineiro, depois passou a assistente de entortador, depois entortador, e hoje é o chefe de entorte. Me diga uma coisa, o senhor nunca se sentiu atraído para outra função, além do entorte de fresos? Nunca achou que entortar não era bem sua vocação?
    – Nunca, não senhor.
    – Pois veja só! O computador nos revela que a sua verdadeira vocação não é o entorte de fresos e sim o bistoque de tronas! O senhor é um bistocador de tronas nato, segundo o computador. Não é fantástico? E ainda tem gente que critica a tecnologia. O senhor era um homem deslocado no entorte de fresos e não sabia. Se não fosse o teste, nunca ficaria sabendo. Claro que essa situação vai ser corrigida. O senhor, a partir deste minuto, deixa de entortar.
    – Sim, senhor.
    – Só tem uma coisa, Senhor Pacheco. Nossa firma não trabalha com tronas. Pensando bem, ninguém trabalha com tronas, hoje em dia.
    – Olha, tanto faz. Eu estou perfeitamente satisfeito no entorte e faltam só vinte anos pra me aposentar...
     – Então a firma gasta um dinheirão para descobrir a sua verdadeira vocação e o senhor quer jogá-la fora? Reconheço que o senhor tem sido um chefe de entorte perfeito. Aliás, o computador não descobriu ninguém com aptidão para o entorte. Vai ser um problema substituí-lo. Mas não podemos contestar a tecnologia. O senhor está despedido. Por favor, mande entrar o seguinte e passe bem.
    (VERÍSSIMO, Luís Fernando. O nariz e outras crônicas. São Paulo: Ática, 2003. Adaptado)
    O leitor pode identificar as personagens porque, entre outros recursos, empregou-se o discurso
    Escolha uma alternativa para a questão 2cceb97c-b0
  • Linguagens

    Português

    Leia a crônica a seguir e responda à questão.

    Receita para mal de amor

    Minha querida amiga:
    Sim, é para você mesma que estou escrevendo – você que aquela noite disse que estava com vontade de me pedir conselhos, mas tinha vergonha e achava que não valia a pena, e acabou me formulando uma pergunta ingênua:
    – Como é que a gente faz para esquecer uma pessoa?
    E logo depois me pediu que não pensasse nisso e esquecesse a pergunta, dizendo que achava que tinha bebido um ou dois uísques a mais...
    Sei como você está sofrendo, e prefiro lhe responder assim pelas páginas de uma revista – fazendo de conta que me dirijo a um destinatário suposto.
    Destinatário, destinatária... Bonita palavra: não devia querer dizer apenas aquele ou aquela a quem se destina uma carta, devia querer dizer também a pessoa que é dona do destino da gente. Joana é minha destinatária. Meu destino está em suas mãos; a ela se destinam meus pensamentos, minhas lembranças, o que sinto e o que sou: todo este complexo mais ou menos melancólico e todavia tão veemente de coisas que eu nasci e me tornei.
    Se me derem para encher uma fórmula impressa ou uma ficha de hotel eu poderei escrever assim:
    Procedência – São Paulo; Destino – Joana. Pois é somente para ela que eu marcho. No táxi, no bonde, no avião, na rua, não interessa a direção em que me movo, meu destino é Joana. Que importa saber que jamais chegarei ao meu destino?
    Isso eu gostaria de lhe dizer, minha amiga, com a autoridade triste do mais vivido e mais sofrido: amar é um ato de paciência e de humildade; é uma longa devoção. Você me responderá que não é nada disso; que você já chegou ao seu destinatário e foi devolvida como se fosse uma carta com o endereço errado.
    Que teve alguns dias, algumas horas de felicidade, e por isso agora sofre de maneira insuportável. Então lhe aconselho a comprar um canivete bem amolado e afinar dezoito pedacinhos de pau até ficarem bem pontudos, bem lisos, perfeitamente torneados – e depois deixá-los a um canto. Apanhar uma folha de papel tamanho ofício e enchê-la com o nome de seu amado, escrevendo uma letra bem bonita, de preferência com tinta azul. Em seguida faça com essa folha um aviãozinho, e o jogue pela janela.
    Observe o voo e a aterrissagem. Depois desça, vá lá fora, apanhe o avião de papel, desdobre a folha novamente (pode passá-la a ferro, para o serviço ficar mais perfeito e não haver mais nenhum indício da construção aeronáutica) e volte a dobrá-la, desta vez ao meio. Dobre outras vezes, até obter o menor retângulo possível. Então, com o canivete, vá cortando as partes dobradas até transformar toda a folha em minúsculos papeizinhos, tão pequenos que o nome de seu amado não deve caber inteiro em nenhum deles. Aí, apanhe todos aqueles pauzinhos que tinha deixado a um canto e, com os pedacinhos de papel, faça uma fogueira com o máximo cuidado até que restem somente cinzas. A seguir poderá repetir a operação...
    – Adianta alguma coisa?
    Por favor, querida amiga, não me faça esta pergunta. Nada adianta coisa alguma, a não ser o tempo; e fazer fogueirinhas é um meio tão bom quanto qualquer outro de passar o tempo.

    (BRAGA, R. A Traição das Elegantes. Rio de Janeiro: Record, 1982. p.17.)
    Acerca dos recursos linguísticos presentes na crônica, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 2ccf06c0-06