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Disciplina · Linguagens

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

  • 10.965 questões
  • 95 assuntos

Resultados: 10.965 questões

Página 172 de 549

  • Linguagens

    Português

    AMAR

    Que pode uma criatura senão,

    Entre criaturas, amar?

    Amar e esquecer, amar e malamar,

    Amar, desamar, amar?

    Sempre, e até de olhos vidrados, amar?

    Que pode, pergunto, o ser amoroso,

    Sozinho, em rotação universal, senão

    Rodar também, e amar?

    Amar o que o mar traz à praia,

    O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,

    É sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

    Amar solenemente as palmas do deserto,

    O que é entrega ou adoração expectante,

    E amar o inóspito, o áspero,

    Um vaso sem flor, um chão de ferro,

    E o peito inerte, e a rua vista em sonho,

    E uma ave de rapina.

    Este o nosso destino: Amor sem conta,

    Distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

    Doação ilimitada a uma completa ingratidão,

    E na concha vazia do amor à procura medrosa,

    Paciente, de mais e mais amor.

    Amar a nossa falta mesma de amor,

    E na secura nossa, amar a água implícita, e o beijo tácito,

    e a sede infinita.

    ANDRADE, Carlos Drummond de. Amar se aprende amando. Rio de Janeiro: Record, 1985.
    Em “Amar o que o mar traz à praia, / O que ele sepulta…”, o termo “que”, em destaque, exerce, respectivamente em suas duas ocorrências, a função sintática de: 
    Escolha uma alternativa para a questão 3db7a6da-c4
  • Linguagens

    Português

    AMAR

    Que pode uma criatura senão,

    Entre criaturas, amar?

    Amar e esquecer, amar e malamar,

    Amar, desamar, amar?

    Sempre, e até de olhos vidrados, amar?

    Que pode, pergunto, o ser amoroso,

    Sozinho, em rotação universal, senão

    Rodar também, e amar?

    Amar o que o mar traz à praia,

    O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,

    É sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

    Amar solenemente as palmas do deserto,

    O que é entrega ou adoração expectante,

    E amar o inóspito, o áspero,

    Um vaso sem flor, um chão de ferro,

    E o peito inerte, e a rua vista em sonho,

    E uma ave de rapina.

    Este o nosso destino: Amor sem conta,

    Distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

    Doação ilimitada a uma completa ingratidão,

    E na concha vazia do amor à procura medrosa,

    Paciente, de mais e mais amor.

    Amar a nossa falta mesma de amor,

    E na secura nossa, amar a água implícita, e o beijo tácito,

    e a sede infinita.

    ANDRADE, Carlos Drummond de. Amar se aprende amando. Rio de Janeiro: Record, 1985.
    No verso inicial, o eu lírico pergunta: “Que pode uma criatura senão, / Entre criaturas, amar?”. Identifique o valor semântico do termo em destaque nesse contexto e a melhor paráfrase para ele:
    Escolha uma alternativa para a questão 3db1b4d0-c4
  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão.



    Imagem da questão de Português, UCB 2025, Morfologia - Pronomes



    Luís Fernando Veríssimo. Papos. In: Ana Maria Machado. (org.)

    Comédias para se ler na escola. 1.ª ed. Editora Objetiva,

    2001 (adaptado).

    No texto, são apresentadas diferentes combinações entre pronomes átonos e formas verbais, que resultam tanto em construções que estão de acordo com a norma-padrão do português brasileiro quanto em estruturas gramaticalmente inadequadas do ponto de vista dessa norma. Nesse sentido, um trecho gramaticalmente correto, no qual a colocação pronominal está em conformidade com a norma-padrão, é
    Escolha uma alternativa para a questão 8b33eac5-ab
  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão.



    Imagem da questão de Português, UCB 2025, Interpretação de Textos



    Luís Fernando Veríssimo. Papos. In: Ana Maria Machado. (org.)

    Comédias para se ler na escola. 1.ª ed. Editora Objetiva,

    2001 (adaptado).

    Falecido em 30 de agosto de 2025, Luís Fernando Veríssimo tinha um estilo literário acessível e abordava, com bom humor, desde temas delicados até situações triviais do dia a dia. No texto apresentado, a intenção central do autor é
    Escolha uma alternativa para a questão 8b318145-ab
  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão.



    Imagem da questão de Português, UCB 2025, Sintaxe



    Oswald de Andrade. Canto de regresso à pátria. 

    Assinale a alternativa em que o segmento apresentado funciona sintaticamente como objeto direto no texto.
    Escolha uma alternativa para a questão 8b2f105a-ab
  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão.


    Imagem da questão de Português, UCB 2025, Interpretação de Textos



    Machado de Assis. Memórias Póstumas de Brás Cubas. 1ª ed. São

    Paulo: Penguin Classics, Companhia das Letras, 2014 (originalmente

    publicado em folhetins a partir de 1880).

    Em romances como Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro, Machado de Assis apresenta um estilo de escrita único, que transcende os padrões literários de sua época, apesar de tais obras serem comumente associadas à estética realista. Um dos recursos mais típicos do autor é o uso da metalinguagem, que, no texto em questão, está presente por meio da 
    Escolha uma alternativa para a questão 8b27eb38-ab
  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão.


    Imagem da questão de Português, UCB 2025, Morfologia




    Gregório de Matos. A ponderação do Dia do Juízo Final, e Universal.


    Considerando os aspectos morfológicos do texto, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 8b2033d0-ab
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    Português

    Leia o poema a seguir para responder à questão.


    MÃOS DADAS

    Não serei o poeta de um mundo caduco.
    Também não cantarei o mundo futuro.
    Estou preso à vida e olho os meus companheiros.
    Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
    Entre eles, considero a enorme realidade.
    O presente é tão grande, não nos afastemos.
    Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

    Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
    não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
    não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
    não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
    O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
    a vida presente.

    Carlos Drummond de Andrade

    ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 75.
    No poema, o eu lírico assume o compromisso de produzir uma poética que busca registrar
    Escolha uma alternativa para a questão 4383b3bf-68
  • Linguagens

    Português

    Leia a tirinha a seguir.

    Imagem da questão de Português, UEG 2025, Interpretação de Textos
    DAHMER, André. Malvados. São Paulo: Quadrinhos na Cia., 2019. p. 7.


    O efeito de humor presente na tirinha está baseado no jogo de sentido que se constrói a partir do seguinte procedimento metalinguístico: 
    Escolha uma alternativa para a questão 437e2582-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir para responder à questão.


    Figura 1 de 2 da questão de Português, UEG 2025, Pontuação

    Figura 2 de 2 da questão de Português, UEG 2025, Pontuação

    Na frase “No estudo, foi detectado que as mães apresentavam maiores índices de estresse e os pais, maiores dificuldades na expressão do afeto” (linhas 28-29), a função da vírgula após o termo “pais” é a de indicar 
    Escolha uma alternativa para a questão 437bba3c-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir para responder à questão.


    Figura 1 de 2 da questão de Português, UEG 2025, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 2 da questão de Português, UEG 2025, Interpretação de Textos

    O primeiro parágrafo do texto Dificuldade de expressar emoções, contexto competitivo e empobrecimento da linguagem é desenvolvido a partir da seguinte estratégia de textualização:
    Escolha uma alternativa para a questão 4379602f-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir para responder à questão.


    Figura 1 de 2 da questão de Português, UEG 2025, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 2 da questão de Português, UEG 2025, Interpretação de Textos

    No trecho “Eles concluem que a alexitimia pode ser encontrada na personalidade do tempo atual [...]” (linha 29), o pronome “eles” faz uma retomada de 
    Escolha uma alternativa para a questão 4376949c-68
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir para responder à questão


    Imagem da questão de Português, UEG 2025, Morfologia

    No enunciado “Na roleta financeira, os lances são altíssimos, claro, para quem pode ” (linha 10), a palavra “claro” assume o papel morfossintático e semântico de 
    Escolha uma alternativa para a questão 9ff088a3-67
  • Linguagens

    Português

    Leia o soneto de Luís de Camões para responder à questão.


    Quem diz que Amor é falso ou enganoso,

    ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,

    sem falta1 lhe terá bem merecido

    que lhe seja cruel ou rigoroso.


    Amor é brando2 , é doce e é piadoso3 .

    Quem o contrário diz não seja crido;

    seja por cego e apaixonado tido,

    e aos homens, e inda4 aos deuses, odioso.


    Se males faz Amor, em mim se veem;

    em mim mostrando todo o seu rigor,

    ao mundo quis mostrar quanto podia.


    Mas todas suas iras são de amor;

    todos estes seus males são um bem,

    que eu por todo outro bem não trocaria.



    (Luís de Camões. Sonetos: antologia comentada, 2012.)



    1 sem falta: sem dúvida.

    2 brando: manso, meigo.

    3 piadoso: piedoso.

    4 inda: ainda.

    “Se males faz Amor, em mim se veem;” (3ª estrofe) Transposta para a voz passiva, mantendo o sentido original, a oração sublinhada assume a forma:
    Escolha uma alternativa para a questão 729d743b-4a
  • Linguagens

    Português

    Leia o soneto de Luís de Camões para responder à questão.


    Quem diz que Amor é falso ou enganoso,

    ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,

    sem falta1 lhe terá bem merecido

    que lhe seja cruel ou rigoroso.


    Amor é brando2 , é doce e é piadoso3 .

    Quem o contrário diz não seja crido;

    seja por cego e apaixonado tido,

    e aos homens, e inda4 aos deuses, odioso.


    Se males faz Amor, em mim se veem;

    em mim mostrando todo o seu rigor,

    ao mundo quis mostrar quanto podia.


    Mas todas suas iras são de amor;

    todos estes seus males são um bem,

    que eu por todo outro bem não trocaria.



    (Luís de Camões. Sonetos: antologia comentada, 2012.)



    1 sem falta: sem dúvida.

    2 brando: manso, meigo.

    3 piadoso: piedoso.

    4 inda: ainda.

    Em relação às pessoas que fazem afirmações negativas sobre Amor, o eu lírico propõe
    Escolha uma alternativa para a questão 7298090c-4a
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    Português

    Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder à questão.



    1     Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo- -se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...

    2      — Bom dia.

    3      — Bom dia!

    4     — Bom dia, Carvalho!...

    5     ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...

    6     A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.

    7     Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitualmente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.


        (Os ratos, 2022.)


    1 porte-monnaie: porta-moedas.

    Ocorre objeto direto preposicionado quando o objeto direto de uma oração é introduzido por uma preposição, por motivo de ênfase, clareza ou estilo. Identifica-se um exemplo de objeto direto preposicionado em:
    Escolha uma alternativa para a questão 7291ea9e-4a
  • Linguagens

    Português

    O uso ou o não uso de vírgula(s) muda o sentido do que é escrito. Assinale a alternativa em que, com a exclusão de vírgula(s), altera-se a ênfase da proposição, mas não o sentido. 
    Escolha uma alternativa para a questão 2760b5aa-32
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, analise o trecho a seguir.


    Não conseguindo que o gato comesse o papagaio, bateu-lhe mesmo — horror! — pela primeira vez. Mas o gato se recusou. Duas horas depois, porém, vencido pela fome, aproximou-se do prato e engoliu o papagaio todo. Imediatamente subiu-lhe uma ânsia do estômago, ele olhou para a dona e, enquanto esta chorava de alegria, começou a gritar (num tom meio currupaco, meio miau-miau-au, mas perfeitamente compreensível):

    — Madame, foge pelo amor de Deus! Foge, madame, que o prédio vai cair! Corre, madame, que o prédio vai cair!

    A conjunção “Mas”, em destaque no trecho, liga
    Escolha uma alternativa para a questão 1ec73dbf-e3
  • Linguagens

    Português

    A questão refere-se ao texto a seguir.

    No dia em que o gato falou

          Era uma vez uma dama gentil e senil que tinha um gato siamês. Gato de raça, de bom-tom, de filiação, de ânimo cristão. Lindo gato, gato terno, amigo, pertencente a uma classe quase extinta de antigos deuses egípcios. Esse gato só faltava falar. Manso e inteligente, seu olhar era humano. Mas falar, não falava. E sua dona, triste, todo dia passava uma ou duas horas, repetindo sílabas e palavras para ele, na esperança de que um dia aquela inteligência que via em seu olhar explodisse em sons compreensivos e claros. Mas nada!

          A dama gentil e senil era, naturalmente, incapaz de compreender o fenômeno. Tanto mais que ali mesmo à sua frente, preso a um poleiro de ferro, estava um outro ser, também animal, inferior até ao gato, pois era somente uma pobre ave, mas que falava! Falava mesmo, muito mais do que devia. Um papagaio, que falava pelas tripas do Judas. Curiosa natureza, pensava a mulher, que fazia um gato quase humano, sem fala, e um papagaio cretino mas parlapatão. E quanto mais meditava mais tempo gastava com o gato no colo, tentando métodos, repetindo sílabas, redobrando cuidados para ver se conseguia que seu miado virasse fala.

          Exatamente no dia 16 de maio de 1958 foi que teve a ideia genial. Quando a ideia iluminou seu cérebro, veio acompanhada da crítica, autocrítica: “Mas, como não me ocorreu isso antes?”, perguntou ela para si própria, muito gentil e senil como sempre, mas agora também autopunitiva. “Como não me ocorreu isso antes?” O papagaio viu no brilho do olhar da dona o seu (dele) terrível destino e tentou escapar. Mas estava preso. Foi morto, depenado e cozinhado em menos de uma hora. Pois o raciocínio da mulher era lógico e científico: se desse ao gato o papagaio como alimentação, não era evidente que o gato começaria a falar? Era? Não era? Veria. O gato, a princípio, não quis comer o companheiro. Temendo ver fracassado o seu intuito, a dama gentil e senil procurou forçá-lo. Não conseguindo que o gato comesse o papagaio, bateulhe mesmo — horror! — pela primeira vez. Mas o gato se recusou. Duas horas depois, porém, vencido pela fome, aproximou-se do prato e engoliu o papagaio todo. Imediatamente subiu-lhe uma ânsia no estômago, ele olhou para a dona e, enquanto esta chorava de alegria, começou a gritar (num tom meio currupaco, meio miau-miau-au, mas perfeitamente compreensível):

         — Madame, foge pelo amor de Deus! Foge, madame, que o prédio vai cair! Corre, madame, que o prédio vai cair!

        A mulher, tremendo de emoção e alegria, chorando e rindo, pôs-se a gritar por sua vez:
       
        — Vejam, vejam, meu gatinho fala! Milagre! Milagre! Fala o meu gatinho!

        Mas o gato, fugindo ao seu abraço, saltou para a janela e gritou de novo:

         — Foge, madame, que o prédio vai cair! Madame, foge! — e pulou para a rua.

         Nesse momento, com um estrondo monstruoso, o prédio inteiro veio abaixo, sepultando a dama gentil e senil em meio aos seus escombros.

        O gato, escondido melancolicamente num terreno baldio, ficou vendo o tumulto diante do desastre e comentou apenas, com um gato mais pobre que passava:

         — Veja só que cretina. Passou vida inteira para me fazer falar e, no momento em que falei, não me prestou a mínima atenção.


    Moral: O mal do artista é não acreditar na própria criação.


    FERNANDES, Millôr. In: Antologia do Pasquim, volume III: 1973-1974. Rio de Janeiro: Desiderata, 2009.
    Considerando as suas características, no texto, existe a presença
    Escolha uma alternativa para a questão 1ec49bb3-e3
  • Linguagens

    Português

    Leia, a seguir, a transcrição da segunda parte da entrevista de Grada Kilomba.


    Parte II

    É uma linguagem que trabalha exatamente com as binaridades (...) e divide a existência humana entre duas identidades: o feminino e o masculino, o que é extremamente problemático, porque não leva em conta a complexidade de gêneros (...). É um enorme nó que nós temos que desatar e que mostra que a língua portuguesa não é neutra. É uma língua que traz consigo um exercício do poder, que determina identidades, e que determina quem é “normal” e quem é desviante, e que determina também uma equação que é: quem pode falar e representar a condição humana? O que que significa ser um erro ortográfico na tua própria língua? Que violência é essa quando determinadas identidades não podem existir?

    (Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=m-EyJXtlJ0M. Acesso em 26/08/2024.)


    Qual alternativa melhor resume os argumentos da autora?
    Escolha uma alternativa para a questão 02d3c629-d7