Português
- Pontuação
- Prova de 2018
- UFRGS
- Dificuldade: Médio
- Com imagem
- Código da questão: 5B38337A-CC

Disciplina · Linguagens
Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.


Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações a seguir, sobre os sujeitos de algumas formas verbais do texto.
( ) O sujeito da forma verbal mataram (l. 02) é milhões de judeus (l. 03).
( ) O sujeito da forma verbal Amputavam (l. 08) é os médicos nazistas (l. 04-05).
( ) O sujeito da forma verbal morriam (l. 12) é essas atrozes quimeras (l. 13).
( ) O sujeito da locução verbal foi proclamado (l. 19) é o Estado de Israel (l. 19).
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

Considere as propostas de reescrita para o seguinte trecho do texto.
Em 1948 foi proclamado o Estado de Israel. Meu pai abriu uma garrafa de vinho – o melhor vinho do armazém –, brindamos ao acontecimento. E não saíamos de perto do rádio, acompanhando as notícias da guerra no Oriente Médio (l. 19-24).
I - Meu pai abriu uma garrafa de vinho e brindamos ao acontecimento – o melhor vinho do armazém. Em 1948 foi proclamado o Estado de Israel e não saíamos de perto do rádio, acompanhando as notícias da guerra no Oriente Médio.
II - Em 1948, o melhor vinho do armazém foi aberto por meu pai (uma garrafa), foi proclamado o Estado de Israel, brindamos ao acontecimento e, acompanhando as notícias da guerra no Oriente Médio, não saíamos de perto do rádio.
III- Em 1948, quando foi proclamado o Estado de Israel, meu pai abriu uma garrafa de vinho – o melhor vinho do armazém –, brindamos ao acontecimento. E não saíamos de perto do rádio, acompanhando as notícias da guerra no Oriente Médio.
Quais estão corretas e preservam a significação do trecho original?

Assinale a alternativa que apresenta a transposição correta para o discurso indireto do trecho abaixo:
– Temos sorte de viver no Brasil – dizia meu pai, depois da guerra (l. 01-02).

Considere as seguintes afirmações sobre o conteúdo do texto.
I - O narrador do texto considera se mudar para Israel, pois tinha como principal motivação trabalhar em um kibutz.
II - O narrador do texto comemora a proclamação do Estado de Israel com seu pai, pois ambos tinham planos de se mudar do Brasil.
III- O pai do narrador sentia-se afortunado de morar no Brasil no período pós-guerra, pois seu povo havia sido perseguido na Europa.
Quais afirmações estão corretas?


Considere as seguintes afirmações sobre o significado de palavras nos contextos de ocorrência.
I - A palavra chave (l. 11) poderia ser substituída pela expressão elemento essencial, sem prejuízo da compreensão do sentido do parágrafo.
II - A palavra Hoje (l. 28) diz respeito somente ao dia em que o autor escreveu o texto, servindo para situá-lo nesse momento específico da escrita.
III- A palavra dialeticamente (l. 32) diz respeito a um modo de interpretação que considera a interação de fatores distintos em um processo de síntese.
Quais estão corretas?

Considere o trecho abaixo extraído do texto.
É o que tem ocorrido com o estudo da relação entre a obra e o seu condicionamento social, que a certa altura chegou a ser vista como chave para compreendê-la, depois foi rebaixada como falha de visão, — e talvez só agora comece a ser proposta nos devidos termos (l. 08 a 14).
Se a palavra relação fosse substituída por vínculo, quantas outras palavras no trecho teriam de ser modificadas para fins de correção gramatical?

Considere as seguintes afirmações sobre o uso de pronomes no texto.
I - O pronome a (l. 04) faz referência à expressão a reação indispensável (l. 04).
II - A forma pronominal la (l. 07) faz referência à expressão uma verdade (l. 02).
III- O pronome se (l. 42) faz referência à expressão o externo (l. 39).
Quais das afirmações acima estão corretas?
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre o romance.
( ) O pano de fundo histórico da narrativa é a ditadura salazarista, que durou quatro décadas em Portugal.
( ) O Lar da Feliz Idade presentifica o tema da velhice, em uma sociedade que busca a longevidade, mas não sabe o que fazer com os velhos.
( ) O romance dialoga com obras de autores portugueses, como Fernando Pessoa e José Saramago.
( ) Antônio Silva constrói a própria narrativa, sugerindo, por vezes, estar escrevendo um livro.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Considere as seguintes afirmações sobre o romance.
I - O diário escrito pelo narrador desdobra-se em três confissões geracionais: memórias do avô, do pai e do filho.
II - O título do romance permite múltiplas interpretações da palavra “queda”: o suicídio do avô, o incidente com João, o alcoolismo do narrador, a doença do pai.
III- Os acontecimentos históricos da Shoah marcam a trajetória e o relato do narrador, apontando para a complexidade da tradição judaica.
Quais estão corretas?
Leia a crônica Ovo frito, de Rubem Alves (1933-2014).
Gosto muito de ovo. Ovo frito. Ovo escaldado, com pão torrado. Coisa boba, o fato é que comecei a pensar sobre as razões por que gosto de ovo. Lembrei-me... Meu pai era viajante. Passava a semana fora de casa. Voltava às sextas-feiras, no trem das oito. Noite escura, o trem das oito vinha apitando na curva, resfolegando de cansado, expelindo enxames de vespas vermelhas, chamuscava uma paineira, entrava na reta, passava a dez metros da nossa casa, todos nós estávamos lá, o pai com a cabeça de fora, sorrindo, e todos corríamos para a estação. Ele vinha com fome e sujo. Água quente não havia. Mas não tinha importância. Da leitura do Evangelho havíamos aprendido de Jesus, no lava-pés, que quem está com os pés limpos tem o corpo inteiro limpo. A coisa, então, era lavar os pés. E esse era o costume geral lá em Minas. Minha mãe esquentava água no fogão de lenha, punha numa bacia e eu lavava os pés do meu pai. Depois de limpo, ele se assentava à mesa e o que tinha para comer era sempre a mesma coisa: arroz, feijão, molho de tomate e cebola, ovo frito e pão. Ele me punha assentado ao joelho e comia junto. Ah, como é gostoso comer pão ensopado no molho de tomate, pão lambuzado no amarelo mole do ovo! Era um momento de felicidade. Nunca me esqueci. Acho que quando enfio o pão no amarelo mole do ovo eu volto àquela cena da minha infância. Os poetas, somente os poetas, sabem que um ovo é muito mais que um ovo...
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre a crônica.
( ) Defende a importância de comer ovos.
( ) Relata que o trem em que o pai chegava trazia também criadores de vespas.
( ) Mostra que lavar os pés antes das refeições era um hábito importante, quase sagrado.
( ) Apresenta a memória como elemento essencial para a literatura.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Sobre o livro Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações.
( ) A história, estruturada em forma de diário, abarca cinco anos da vida de Carolina, que, segundo a narradora, suporta sua rotina de fome e violência através da escrita.
( ) A autora produz uma narrativa de grande potência, apesar dos desvios gramaticais presentes no texto.
( ) A narradora reflete sobre desigualdade social e racismo. A força do texto está no depoimento de quem sente essas mazelas no corpo e ainda assim se apresenta como voz vigorosa e propositiva.
( ) O livro, relato atípico na tradição literária brasileira, nunca obteve sucesso editorial, permanecendo esquecido até os dias de hoje.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Considere as seguintes afirmações sobre as escritoras Carolina Maria de Jesus e Clarice Lispector e sobre suas obras.
I - Carolina Maria de Jesus (1914 – 1977) e Clarice Lispector (1920 – 1977) pertencem à mesma geração cronológica, mas não tiveram a mesma trajetória no campo literário, dada a diferença de classe e raça.
II - Quarto de despejo, publicado em 1960, é o testemunho, em primeira pessoa, de Carolina Maria de Jesus sobre sua vida de miséria em uma favela paulista. Editado por Audalio Dantas, está presente no livro a tensão entre a linguagem dominada por Carolina e aquela que, para ela, seria a linguagem literária.
III- Clarice Lispector, em A hora da estrela (1977), cria uma personagem, Macabéa, que narra, em primeira pessoa, as dificuldades de sua vida de empregada doméstica e moradora de uma favela carioca.
Quais estão corretas?
Sobre a peça Gota d’Água: uma tragédia brasileira, de Chico Buarque e Paulo Pontes, assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações.
( ) Paulo Pontes e Chico Buarque, no texto de apresentação à peça de 1975, criticam a experiência capitalista do “milagre econômico” brasileiro e conclamam a intelectualidade a aproximar-se do povo, inscrevendo o drama na vertente nacional popular do período.
( ) Algumas das canções hoje clássicas de Chico Buarque e Paulo Pontes integram a peça como a que dá título ao texto – Gota d’Água – e Basta um dia, ambas interpretadas por Bibi Ferreira na montagem original.
( ) Gota d’Água, embora ambientada no subúrbio carioca, atualiza Medeia, texto clássico de Eurípides, mantendo a linguagem elevada da tragédia grega.
( ) O desfecho da peça de Chico Buarque e Paulo Pontes não segue o texto da tragédia de Eurípides: Joana e Jasão se reconciliam e vivem em harmonia com os filhos.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
No bloco superior abaixo, estão listados os títulos de alguns romances, representantes do Romance de 30 no Brasil; no inferior, o enredo central desses romances.
Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.
1 - A bagaceira, de José Américo de Almeida.
2 - O quinze, de Rachel de Queiroz.
3 - Menino de engenho, de José Lins do Rego.
4 - Os ratos, de Dyonélio Machado.
5 - Vidas secas, de Graciliano Ramos.
( ) Os retirantes sertanejos Valentim Pereira, Soledade, sua filha, e Pirunga, um agregado, buscam, durante uma terrível seca, abrigo no engenho de Dagoberto Marcão.
( ) Carlos de Melo narra suas memórias de infância na fazenda Santa Rosa, apresentando o avô, as tias e os “moleques da bagaceira”.
( ) Família de retirantes foge da seca em direção ao sul do Brasil, rumo a uma cidade grande, onde há trabalho para o pai e escola para os filhos.
( ) Funcionário público, endividado com o leiteiro, perambula pela cidade em busca do dinheiro para saldar sua dívida.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Leia as seguintes afirmações sobre os romances Dom Casmurro, de Machado de Assis, e Diário da queda, de Michel Laub.
I - Os dois romances são narrados em primeira pessoa, como processo de compreensão do vivido.
II - Os dois narradores apresentam uma relação amorosa com esposa e filhos, reproduzindo a tradição familiar.
III- O balanço final dos narradores de cada romance demonstra grande aprendizado, a partir das experiências vividas, repleto de esperança e de otimismo.
Quais estão corretas?
Leia as seguintes afirmações sobre os poemas “Autopsicografia” e “Isto”.
I - Em ambos os poemas, são apresentados os princípios de Pessoa para a construção da poesia, constituindo-se como “arte poética”.
II - Nos dois poemas, não há referência à figura do leitor.
III- Em ambos os poemas, o sujeito lírico admite construir sua poética inventando e falseando.
Quais estão corretas?
Leia o trecho final de O cortiço.
A negra, imóvel, cercada de escamas e tripas de peixe, com uma das mãos espalmada no chão e com a outra segurando a faca de cozinha, olhou aterrada para eles, sem pestanejar.
Os policiais, vendo que ela se não despachava, desembainharam os sabres. Bertoleza então, erguendo-se com ímpeto de anta bravia, recuou de um salto e, antes que alguém conseguisse alcançála, já de um só golpe certeiro e fundo rasgara o ventre de lado a lado.
E depois embarcou para a frente, rugindo e esfocinhando moribunda numa lameira de sangue.
João Romão fugira até ao canto mais escuro do armazém, tapando o rosto com as mãos.
Nesse momento parava à porta da rua uma carruagem. Era uma comissão de abolicionistas que vinha, de casaca, trazer-lhe respeitosamente o diploma de sócio benemérito.
Ele mandou que os conduzissem para a sala de visitas.
Considere as seguintes afirmações sobre o trecho.
I - O narrador em terceira pessoa aproxima-se de Bertoleza, assumindo seu ponto de vista para desmascarar o falso abolicionismo de João Romão; ao mesmo tempo, mantém-se distante dela ao descrevê-la com traços animalescos.
II - A morte terrível de Bertoleza destoa do andamento geral do romance, marcado pelo lirismo da narração, característica naturalista presente no texto de Aluísio Azevedo.
III- A última frase do trecho sugere que João Romão receberá a comissão a despeito do fim de Bertoleza, em uma alegoria do Brasil: abolicionista na sala de visitas, escravocrata na cozinha.
Quais estão corretas?
