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Disciplina · Linguagens

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

  • 10.965 questões
  • 95 assuntos

Resultados: 10.965 questões

Página 440 de 549

  • Linguagens

    Português

    TEXTO:

    Imagem da questão de Português, Universidade do Estado da Bahia 2018, Interpretação de Textos

    Importância de se preservar a identidade cultural do Brasil. Disponível

    em: http://www.saaesp.org.br/arquivos/2117>. Acesso em: 14 nov. 2018.

    A construção de uma identidade nacional, segundo o texto, é de responsabilidade, sobremaneira, de uma
    Escolha uma alternativa para a questão a35ba88b-bb
  • Linguagens

    Português

    Considere o poema do livro A cinza das horas, de Manuel Bandeira.


              Oceano


    Olho a praia. A treva é densa.
    Ulula o mar, que não vejo,
    Naquela voz sem consolo,
    Naquela tristeza imensa
    Que há na voz do meu desejo.


    E nesse tom sem consolo
    Ouço a voz do meu destino:
    Má sina que desconheço,
    Vem vindo desde eu menino,
    Cresce quanto em anos cresço.


    — Voz de oceano que não vejo
    Da praia do meu desejo...

    (Estrela da vida inteira. 20. ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1993)



    Acerca desse poema, está correto o que se afirma em:
    Escolha uma alternativa para a questão 2408f8a6-b9
  • Linguagens

    Português

    Texto III


    Dependência Digital

    Por Gabriela Cabral

    A dependência digital é a busca incessante pela utilização da internet que age de forma semelhante à dependência química, pois ocorre como consequência do uso prolongado da internet que, por sua vez, proporciona prazer físico à pessoa. Tal prazer está relacionado a fatos e reações simples como downloads, interatividades, e-mails, que em contato direto com o organismo originam descargas elétricas entre os neurônios através da dopamina.

    A dopamina é um neurotransmissor que antecede naturalmente a adrenalina e a noradrenalina que atuam no organismo como estimulantes do sistema nervoso central. A dependência digital estimula a produção da dopamina e provoca uma grande sensação de prazer resultando na busca por tais momentos.

    Em pesquisa realizada no ano de 1997, pela pesquisadora Diane Wieland, dos Estados Unidos, foi afirmado que o uso prolongado desta ferramenta facilitadora de buscas e pesquisas promove além do estado vicioso de dependência, relacionamentos interpessoais baseados em fatores supérfluos e sem envolvimentos. Na pesquisa, foi comprovado que pessoas que utilizam a internet em grande escala se tornam virtuais, pois aderem a relacionamentos íntimos, de amizade e de competições virtuais transformando o próprio organismo num organismo virtual.

    A dependência digital provoca compulsão, depressão, TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), agitação, irritabilidade, perda de sentimentos e perturbação. A perturbação está ligada às preocupações com a rede, com o tempo em que está on-line, com a percepção de sua necessidade de permanecer na internet, o distanciamento de amigos e familiares e ainda com o refúgio que a rede lhe proporciona diante de problemas. 

    Do ponto de vista psicológico, a dependência digital é uma patologia e ocorre em alguns casos, não acometendo todos os usuários. Quando se transforma em patologia, deve ser percebida e encaminhada para um profissional competente para que esse auxilie o indivíduo na busca do autocontrole.


    Fonte: DANTAS, Gabriela Cabral da Silva. "Dependência Digital"; Brasil Escola.Disponível em 

    <https://brasilescola.uol.com.br/psicologia/dependencia-digital.htm> .Acesso em 28 de julho de 2018.

    Considerando as características do gênero do texto III, é correto afirmar que a principal intenção da autora é:
    Escolha uma alternativa para a questão 3dfb29ed-b6
  • Linguagens

    Português

    Texto I

    Imagem da questão de Português, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri de Minas Gerais 2018, Interpretação de Textos

    Fonte: www.cartunista.com.br. Acesso em 8 de maio de 2018.

    O efeito de humor no texto I é produzido:
    Escolha uma alternativa para a questão 3de17f83-b6
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto II para responder a questão.

    Texto II

    Marketing sonhático

    Produtos com ingredientes orgânicos e fabricados respeitando as tradições locais tendem a ganhar pontos. Por isso, um número crescente de empresas exagera um tantinho na hora de se "vender". A fabricante carioca de sucos Do Bem, criada em 2007, publica verdadeiros manifestos em suas caixinhas.

    A Do Bem não usa açúcar, corantes ou conservantes para fazer uma "bebida verdadeira". Um desses manifestos diz que suas laranjas, "colhidas fresquinhas todos os dias, vêm da fazenda do senhor Francesco do interior de São Paulo, um esconderijo tão secreto que nem o Capitão Nascimento poderia descobrir".

    Os sucos custam cerca de 10% mais do que os da concorrência. Mas as laranjas não são tão especiais assim. Na verdade, quem fornece o suco para a Do Bem não é seu Francesco, que jamais existiu, mas empresas como a Brasil Citrus, que vende o mesmo produto para as marcas próprias de supermercados.

    Em nota, a empresa disse que não comenta a política de fornecedores e que o personagem Francesco é "inspirado em pessoas reais". Até grandes empresas estão enveredando para esse marketing mais, digamos, sonhático. A Coca-Cola, por exemplo, lançou em 2011 no Brasil um suco chamado Limão & Nada. 

    A promessa, a julgar pelo nome, era que aquele fosse um suco natural de limão. Mas a bebida tinha outros ingredientes na formulação, açúcar entre eles, e acabou saindo de linha no ano passado [2013]. A Coca-Cola diz, em nota, que os ingredientes eram informados na embalagem e que o nome não pretendia confundir o consumidor.

    Nos Estados Unidos, uma reportagem desmascarou dezenas de destilarias de uísque ditas artesanais. Algumas delas, criadas há poucos anos, vendiam bebidas envelhecidas 15 anos, o que chamou a atenção de consumidores mais desconfiados. Descobriu-se que mais de 40 marcas compravam uísque de um mesmo fornecedor, a fábrica MGP, uma das maiores do país, localizada no estado de Indiana.

    Entre as desmascaradas está a Breaker Bourbon, que afirmava produzir sua bebida numa destilaria nas montanhas douradas da costa californiana. "Todo mundo tem uma história boa e verdadeira para contar. As empresas não precisam ser desonestas com seus clientes", diz Mauricio Mota, sócio da agência de conteúdo The Alchemists.

    Para o publicitário Washington Olivetto, presidente da WMcCann, que ajudou na criação da Diletto, "um lindo produto merece uma linda história". Se a história for verdadeira, tanto melhor.

    Fonte: Adaptado de: Leal, Ana Luiza. Toda empresa quer ter uma boa história. Algumas são mentira.
    Revista Exame, 23/10/14.
    Acesso em: 23/10/17.
    Disponível em: https://exame.abril.com.br/revista-exame/marketing-ou-mentira/
    O trecho "Entre as desmascaradas está a Breaker Bourboun" faz referência a:
    Escolha uma alternativa para a questão c80ac1f6-b6
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema e as afirmativas a seguir.

    O filho do século


    Nunca mais andarei de bicicleta

    Nem conversarei no portão

    Com meninas de cabelos cacheados

    Adeus valsa "Danúbio Azul"

    Adeus tardes preguiçosas

    Adeus cheiros do mundo sambas

    Adeus puro amor

    Atirei ao fogo a medalhinha da Virgem

    Não tenho forças para gritar um grande grito

    Cairei no chão do século vinte

    Aguardem-me lá fora

    As multidões famintas justiceiras

    Sujeitos com gases venenosos

    É a hora das barricadas

    É a hora da fuzilamento, da raiva maior

    Os vivos pedem vingança

    Os mortos minerais vegetais pedem vingança

    É a hora do protesto geral

    É a hora dos vôos destruidores

    É a hora das barricadas, dos fuzilamentos

    Fomes desejos ânsias sonhos perdidos, M

    Misérias de todos os países uni-vos

    Fogem a galope os anjos-aviões

    Carregando o cálice da esperança

    Tempo espaço firmes porque me abandonastes.


    MENDES, Murilo. O Visionário. In: Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 239-240.


    I. Pode-se dizer que o poema apresenta dois momentos distintos: o primeiro se refere à época anterior à chegada do novo século e o segundo, ao século XX.

    II. Todas as situações mencionadas no poema evocam um mundo em que a vida é simples e prazerosa, parecendo ser proveniente da inocência e da ingenuidade.

    III. O novo século é caracterizado ao longo do poema pela dor, pelo sofrimento, pela violência e pela morte e desmonta-se em cenas de desesperança.

    IV. No verso “Atirei ao fogo a medalhinha da Virgem” representa-se a descrença espiritual ou o abandono da religião, já que a fé de nada adianta, considerando a realidade que se impõe.


    Marque a alternativa CORRETA:

    Escolha uma alternativa para a questão a7e809bb-b6
  • Linguagens

    Português

    Leia o excerto a seguir.


    O grande e o pequeno

        Todo o caso de amor tem sempre um grande e um pequeno. Essa não é uma ideia original, apenas uma adaptação da frase: “a chaque deux amoureux il y a toujours celui que aime et celui que se laisse aimer”. O pequeno ama, o grande se deixa amar, o grande fala, o pequeno escuta, o grande discorda, o pequeno concorda, o pequeno se preocupa, o grande divaga, o grande se atrasa, o pequeno se antecipa, o pequeno teme, o grande ameaça, o grande pede, ou nem precisa pedir, e o pequeno já está fazendo.

        Às vezes o grande é um homem, às vezes é uma mulher. O grande pode ser o mais bonito e pode não ser. O pequeno pode ser o mais sensível, mas nem sempre é assim. Muitas vezes o grande é o mais esperto mas o pequeno também pode ser espertíssimo. Depende do caso. Ninguém descobriu até hoje nenhuma regra que permita determinar quem é o grande e quem é o pequeno de um casal. É necessária uma observação um pouco mais atenta. Numa festa, por exemplo, não é difícil identificar qual é qual. Geralmente o pequeno está torcendo para que a festa seja boa, principalmente se foi ele que sugeriu o programa. O grande se comportará de maneira mais blasé até se deixar embriagar pela música, pela bebida ou pelo ambiente, quando então ficará muito, mas muito mais entusiasmado do que o pequeno. O grande não se preocupa em conhecer pessoas, as pessoas é que sempre se aproximam dele, pelo menos na concepção do pequeno, mas mesmo que o pequeno atraia qualquer atenção, o fato vai passar desapercebido pelo grande. O pequeno evita o silêncio porque tem certeza de que a culpa é dele. Por isso tem sempre guardados na cabeça assuntos vários que possam ser úteis em diversas ocasiões. Mas se preocupa sempre em encaixá-los no momento mais apropriado, com cuidado, claro, para não perder a espontaneidade.

       A  calça nova do pequeno dificilmente lhe cai tão bem quanto a do grande, assim como o cabelo do grande sempre está melhor do que o pequeno, ainda que o resto do mundo pense exatamente o contrário. Mesmo que o pequeno dance bem, o grande sempre dançará melhor. O grande não é bom de decorar letras de músicas mas o pequeno sabe muitas decoradas, principalmente as mais românticas. O pequeno geralmente se comove com a lua calado enquanto o grande aponta, olha só que lua. No final da festa é sempre o pequeno que quer ir embora, a não ser que a festa seja ruim, neste caso o grande quis e eles já foram há muito tempo. Na saída, o pequeno sempre tem uma promessa nervosa e oculta para o resto da noite enquanto o grande se despede dos amigos displicentemente. Em casa, o pequeno faz tudo pra agradar, é macho, é gueixa, é incansável, e, se tocar o coração do grande, ainda deve comemorar com mais uma dose antes de cair no sono. No dia seguinte o pequeno estará inevitavelmente preocupado: será que eu fiz tudo certo? Será que eu devia ter dito aquilo? Por que será que toda vez sou eu que beijo primeiro? E provavelmente vai procurar o grande urgentemente apesar de ter se prometido que jamais faria isso.

        Não precisa nem ser um caso de amor. Mesmo entre dois irmãos, dois amigos, dois o que seja, sempre haverá um que quer mais e outro que quer menos, o generoso e o pedinte, o fascinante e o fascinado. O grande e o pequeno podem ser de qualquer espécie, inclusive bichos, com exceção dos gatos que são todos grandes.


    FALCÃO, Adriana. O doido da garrafa. São Paulo: Planeta, 2003, p. 11-13.


    Em relação ao excerto, marque a alternativa CORRETA. 

    Escolha uma alternativa para a questão a7e4e846-b6
  • Linguagens

    Português

    Leia atentamente o poema que se segue.


    BUSCANDO A CRISTO


    A vós correndo vou, braços sagrados,

    Nessa cruz sacrossanta descobertos

    Que, para receber-me, estais abertos,

    E, por não castigar-me, estais cravados.


    A vós, divinos olhos, eclipsados

    De tanto sangue e lágrimas abertos,

    Pois, para perdoar-me, estais despertos,

    E, por não condenar-me, estais fechados.


    A vós, pregados pés, por não deixar-me,

    A vós, sangue vertido, para ungir-me,

    A vós, cabeça baixa, p'ra chamar-me.


    A vós, lado patente, quero unir-me,

    A vós, cravos preciosos, quero atar-me,

    Para ficar unido, atado e firme.


    MATOS, Gregório de. In: WISNIK, José Miguel (org.). Gregório de Matos: poemas escolhidos. São Paulo: Círculo do Livro/Cultrix, s.d., p. 282.


    Marque a alternativa CORRETA que melhor expressa o desejo do eu lírico no último terceto.

    Escolha uma alternativa para a questão a7d74ba1-b6
  • Linguagens

    Português

    Leia atentamente o texto apresentados a seguir.

    TEXTO 1
    Saudosa Maloca

    Se o senhor não tá lembrado
    Dá licença de contá
    Que acá onde agora está
    Esse adifício arto
    Era uma casa véia
    Um palacete assobradado

    Foi aqui seu moço
    Que eu, Mato Grosso e o Joca
    Construímos nossa maloca
    Mas um dia, nós nem pode se alembrá
    Veio os homis c'as ferramentas
    O dono mandô derrubá

    Peguemos todas nossas coisas
    E fumos pro meio da rua
    Apreciá a demolição
    Que tristeza que nós sentia
    Cada táuba que caía
    Doía no coração

    Mato Grosso quis gritá
    Mas em cima eu falei:
    Os homis tá cá razão
    Nós arranja outro lugar
    Só se conformemo quando o Joca falou:
    "Deus dá o frio conforme o cobertor"

    E hoje nós pega páia nas gramas do jardim
    E prá esquecê, nós cantemos assim:
    Saudosa maloca, maloca querida
    Dim-dim donde nós passemos os dias feliz de nossa vida
    Saudosa maloca, maloca querida
    Dim-dim donde nós passemos os dias feliz de nossas vidas.

    BARBOSA, Adoniran. Saudosa maloca. Disponível em: <http://m.letras.mus.br/adoniranbarbosa> . Acesso em: 17 abr. 2018.


    Analise as seguintes proposições a respeito do texto I.
    I. A canção trata do processo de urbanização dos grandes centros urbanos que transforma as casas em edifícios.
    II. A canção trata de três homens expulsos da casa abandonada que haviam invadido porque em seu lugar será construído um edifício.
    III. A canção tematiza a moradia, mas pelo lado daqueles que não a possuem.

    Marque a alternativa CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão a7c4408b-b6
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 1

    Figura 1 de 2 da questão de Português, IFN-MG 2018, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 2 da questão de Português, IFN-MG 2018, Interpretação de Textos

    Leia o trecho do TEXTO 01:
    ''Conhecendo melhor os interesses empresariais da mídia brasileira, é fundamental questionar: qual é a participação dos grupos com negócios imobiliários na produção do atual modelo de urbanização corporativa e mercantilização do espaço urbano? Que informações são dadas sobre a reforma agrária, o uso de agrotóxicos e a agricultura familiar, já que foram identificados tantos vínculos com o agronegócio? Que soluções para a educação pública são apresentadas nas pautas de veículos com investimentos na educação privada? Que política econômica os grupos com negócios no mercado financeiro defendem?'' (Linhas 108 a 113)

    Considerando as indagações que fecham o TEXTO 01, só NÃO podemos inferir que:
    Escolha uma alternativa para a questão 72b23605-b5
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 1

    Figura 1 de 2 da questão de Português, IFN-MG 2018, Interpretação de Textos

    Figura 2 de 2 da questão de Português, IFN-MG 2018, Interpretação de Textos

    De acordo com o TEXTO 01, o MOM-Brasil, ao dar visibilidade sobre quem controla a mídia brasileira, NÃO destacou que:
    Escolha uma alternativa para a questão 729a679a-b5
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 1:

    Chiquinho Azevedo

    (Gilberto Gil)


    Chiquinho Azevedo

    Garoto de Ipanema

    Já salvou um menino

    Na Praia, no Recife

    Nesse dia Momó também estava com a gente


    Levou-se o menino

    Pra uma clínica em frente

    E o médico não quis

    Vir atender a gente

    Nessa hora nosso sangue ficou bem quente


    Menino morrendo

    Era aquela agonia

    E o doutor só queria

    Mediante dinheiro

    Nessa hora vi quanto o mundo está doente


    Discutiu-se muito

    Ameaçou-se briga

    Doze litros de água

    Tiraram da barriga

    Do menino que sobreviveu finalmente


    Muita gente me pergunta

    Se essa estória aconteceu

    Aconteceu minha gente

    Quem está contando sou eu

    Aconteceu e acontece

    Todo dia por aí

    Aconteceu e acontece

    Que esse mundo é mesmo assim


    (GIL, Gilberto. Quanta. CD Warner Music, 1997. Faixa 6.) 


    TEXTO 2

    A experiência da cidade

    (Fernando Sabino)

    A coisa que mais o impressionou no Rio foram os bondes. Não pode ver um bonde, fica maravilhado: nunca pensou que existisse algo de tão fantástico.

    Se ele quiser andar de fasto, ele pode?

    Andar de fasto, na sua linguagem de menino do interior de Minas, é andar para trás. Tem outras expressões esquisitas: sungar é levantar; pra riba é pra cima; pramode é para, por causa, etc. Mas eu também sou mineiro:

    Pramode o bonde andar de fasto tem que sungar os bancos e tocar para riba. Ele fica olhando. Olha tudo com atenção. Tem oito anos mas bem podia ter cinco ou seis, de tal maneira é pequenino. Bem que a cozinheira dizia: Tenho um filho que é deste tamaninho.

    E levava a mão à altura do joelho. Chama-se Valdecir. Ninguém acerta com seu nome, nem ele próprio: Vardici, diz, mostrando os dentes. No dia em que chegou fiquei sabendo que nunca tivera ao menos notícia da existência de uma cidade, além do arraial onde nascera. Nunca vira luz elétrica ou água corrente, ainda mais telefone ou elevador. Abria a torneira e ficava olhando. Quando tinha água era capaz de inundar o edifício. Quando não tinha, divertia-se tocando a campainha da porta da rua – e para alcançá-la precisava arrastar uma cadeira. As da sala de estar têm a marca de seus pés até hoje. A cozinheira atendia ao chamado, dava-lhe um safanão, arrastava-o para a cozinha. Ele ficava olhando: nunca vira um fogão a gás.

    [...]

    Arranjei-lhe um lugar num colégio interno, a pedido da mãe. Ele concordou em ir, desde que fosse de bonde. E lá se foi, certa manhã, na beirada do banco, descobrindo maravilhas em cada esquina.

    [...]

    Não sei por quê, saiu do colégio; acabou indo morar com os tios em Santa Teresa, numa casa de cômodos. Um dia, abro o jornal e leio a notícia: um homem matara o vizinho do quarto, que tentara violentar um menino. Foi arrolado como testemunha! Voltou para minha casa e já trazia nos olhos a perplexidade dos escandalizados pela vida.

    Agora regressa à sua terra. Vai crescer, tornar-se homem como os que aqui conheceu, ou apenas envelhecer e morrer apoiado no cabo de uma enxada, como seus ancestrais. Leva da cidade a notícia de meia dúzia de coisas fantásticas – bonde, televisão, elevador, telefone – cuja lembrança irá talvez se apagando com o tempo. Esquecerá depressa este homem que aqui viu, cercado de mecanismos, moderno e civilizado, que o abrigou alguns dias e a quem devolveu a infância. Apenas não esquecerá tão cedo seu primeiro conhecimento do homem, animal feroz.

    (SABINO, Fernando. A companheira de viagem. Rio de Janeiro: Record, 1984. p. 71-74.)

    Analisando comparativamente os desfechos do Texto 1 e do Texto 2, pode-se concluir que a visão que eles apresentam sobre o ser humano é:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c59af03-b5
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 1:

    Chiquinho Azevedo

    (Gilberto Gil)


    Chiquinho Azevedo

    Garoto de Ipanema

    Já salvou um menino

    Na Praia, no Recife

    Nesse dia Momó também estava com a gente


    Levou-se o menino

    Pra uma clínica em frente

    E o médico não quis

    Vir atender a gente

    Nessa hora nosso sangue ficou bem quente


    Menino morrendo

    Era aquela agonia

    E o doutor só queria

    Mediante dinheiro

    Nessa hora vi quanto o mundo está doente


    Discutiu-se muito

    Ameaçou-se briga

    Doze litros de água

    Tiraram da barriga

    Do menino que sobreviveu finalmente


    Muita gente me pergunta

    Se essa estória aconteceu

    Aconteceu minha gente

    Quem está contando sou eu

    Aconteceu e acontece

    Todo dia por aí

    Aconteceu e acontece

    Que esse mundo é mesmo assim


    (GIL, Gilberto. Quanta. CD Warner Music, 1997. Faixa 6.) 


    TEXTO 2

    A experiência da cidade

    (Fernando Sabino)

    A coisa que mais o impressionou no Rio foram os bondes. Não pode ver um bonde, fica maravilhado: nunca pensou que existisse algo de tão fantástico.

    Se ele quiser andar de fasto, ele pode?

    Andar de fasto, na sua linguagem de menino do interior de Minas, é andar para trás. Tem outras expressões esquisitas: sungar é levantar; pra riba é pra cima; pramode é para, por causa, etc. Mas eu também sou mineiro:

    Pramode o bonde andar de fasto tem que sungar os bancos e tocar para riba. Ele fica olhando. Olha tudo com atenção. Tem oito anos mas bem podia ter cinco ou seis, de tal maneira é pequenino. Bem que a cozinheira dizia: Tenho um filho que é deste tamaninho.

    E levava a mão à altura do joelho. Chama-se Valdecir. Ninguém acerta com seu nome, nem ele próprio: Vardici, diz, mostrando os dentes. No dia em que chegou fiquei sabendo que nunca tivera ao menos notícia da existência de uma cidade, além do arraial onde nascera. Nunca vira luz elétrica ou água corrente, ainda mais telefone ou elevador. Abria a torneira e ficava olhando. Quando tinha água era capaz de inundar o edifício. Quando não tinha, divertia-se tocando a campainha da porta da rua – e para alcançá-la precisava arrastar uma cadeira. As da sala de estar têm a marca de seus pés até hoje. A cozinheira atendia ao chamado, dava-lhe um safanão, arrastava-o para a cozinha. Ele ficava olhando: nunca vira um fogão a gás.

    [...]

    Arranjei-lhe um lugar num colégio interno, a pedido da mãe. Ele concordou em ir, desde que fosse de bonde. E lá se foi, certa manhã, na beirada do banco, descobrindo maravilhas em cada esquina.

    [...]

    Não sei por quê, saiu do colégio; acabou indo morar com os tios em Santa Teresa, numa casa de cômodos. Um dia, abro o jornal e leio a notícia: um homem matara o vizinho do quarto, que tentara violentar um menino. Foi arrolado como testemunha! Voltou para minha casa e já trazia nos olhos a perplexidade dos escandalizados pela vida.

    Agora regressa à sua terra. Vai crescer, tornar-se homem como os que aqui conheceu, ou apenas envelhecer e morrer apoiado no cabo de uma enxada, como seus ancestrais. Leva da cidade a notícia de meia dúzia de coisas fantásticas – bonde, televisão, elevador, telefone – cuja lembrança irá talvez se apagando com o tempo. Esquecerá depressa este homem que aqui viu, cercado de mecanismos, moderno e civilizado, que o abrigou alguns dias e a quem devolveu a infância. Apenas não esquecerá tão cedo seu primeiro conhecimento do homem, animal feroz.

    (SABINO, Fernando. A companheira de viagem. Rio de Janeiro: Record, 1984. p. 71-74.)

    De acordo com o Texto 2, os elementos que melhor evidenciam “a experiência da cidade”, mencionada no título, são
    Escolha uma alternativa para a questão 6c55f4a6-b5
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 3:

    “Retrato próprio”, de Manuel Maria du Bocage


    Magro, de olhos azuis, carão moreno,

    Bem servido de pés, meão na altura,

    Triste de face, o mesmo de figura,

    Nariz alto no meio, e não pequeno:


    Incapaz de assistir num só terreno,

    Mais propenso ao furor do que à ternura;

    Bebendo em níveas mãos por taça escura

    De zelos infernais letal veneno:


    Devoto incensador de mil deidades

    (Digo, de moças mil) num só momento,

    E somente no altar amando os frades:


    Eis Bocage, em quem luz algum talento;

    Saíram dele mesmo estas verdades

    Num dia em que se achou mais pachorrento.

    (BOCAGE, Manuel Maria Barbosa du. Poemas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015. p. 130.)  

    No Texto 3, o poema de Bocage constitui-se num autorretrato, marcado pelas autodescrições física e psicológica. É exemplo de sua descrição psicológica:
    Escolha uma alternativa para a questão a493f2bf-b5
  • Linguagens

    Português

    Eu não sou um homem fácil: um filme que precisa ser visto!

    23/04/2018

    Por Paula Ramos


    Recentemente, o já amplo cardápio da Netflix ganhou novas aquisições. Filmes e séries foram adicionados às milhares de opções do streaming – ou seja, nossas dúvidas só aumentaram. Em meio a diversas produções norte-americanas, um certo filme francês ganhou destaque. Eu não sou um homem fácil [Je ne suis pas un Homme Facile] pode não ter o melhor título do mundo, mas certamente merece a atenção do público. Embora pareça uma clássica comédia machista, a trama não demora para revelar seu verdadeiro objetivo. E é exatamente o oposto do que pensávamos. O longa não apenas vai contra todos os princípios machistas, como também usa a comédia para distorcê-los. 


    O filme

    Damien é o típico estereótipo de um homem machista. Além de ser um conquistador, trata mulheres como objetos e pensa existir exclusividades de gênero, como roupas e tipos de bebidas. Conforme caminhava pelas ruas, a vida resolve lhe dar uma lição e recorre a uma maneira nada gentil de fazer isso. Damien bate a cabeça em um poste, literalmente, e acorda em um mundo invertido [...]. Nele, homens e mulheres têm seus papéis trocados em todos os sentidos. A vida do protagonista não mudou, visto que ele ainda tem seus amigos e seu emprego de antes. Entretanto, todos estão adaptados ao mundo novo. Enquanto seu melhor amigo se tornou dono de casa, sua chefe passou a usar terno para trabalhar. O corpo masculino passou a ser tratado de maneira exageradamente sexual, bem como o corpo feminino passou a ser coberto por calças. 

    De maneira cômica e irônica, mulheres passaram a classificar os homens como “sexo frágil”. Depilação se tornou algo destinado (e quase obrigatório) ao gênero masculino. O romantismo se tornou raro entre as garotas, que apresentam a fama de serem infiéis. Os cargos de importância e liderança são todos ocupados por mulheres, que correm pelas ruas sem camisa e sem a preocupação de serem assediadas. Além disso, para desespero de Damien, a moça por quem ele tinha se interessado antes da mudança, se transformou em uma versão feminina dele mesmo. Alexandra objetifica os homens, tratando-os como meros pedaços de carne para seu bel-prazer. Damien passa, então, a sentir as consequências de seus atos na pele. O longa desenvolve isso da melhor e mais divertida maneira possível. 


    Eu não sou um homem fácil? 

    O objetivo principal do longa é mostrar que não é fácil viver na sociedade em que vivemos. Uma vez que você tenha nascido como membro do gênero feminino, tais dificuldades se multiplicam. Quando Damien perde “os privilégios” de ter nascido homem, ele passa a entender como é ruim viver no lado “desprivilegiado”. Suas roupas confortáveis e largas passaram a ser substituídas por peças curtas e extremamente apertadas. Sua chefe exibe absorventes internos em cima da mesa, sem a menor preocupação de mencionar o assunto “menstruação”. Ela, por sua vez, oferece uma oportunidade de trabalho para Damien em troca de favores sexuais. Chocante, não? 

    No momento em que mulheres começam a olhar para suas pernas e sua bunda, Damien acha graça. Não demora, porém, para ele não aguentar mais viver no “mundo feminino”. Eu não sou um homem fácil exagera – ou não – nos estereótipos para construir sua trama. As personagens femininas arrotam, não se preocupam com a aparência, só bebem cerveja, gostam de futebol e são experts em trair seus parceiros. Mesmo que nem todos os homens sejam assim na “realidade”, sabemos que o objetivo principal do longa é criticar a sociedade patriarcal em que vivemos.

    Para fechar com chave de ouro, temos também os gays do mundo invertido. No novo cotidiano de Damien, os homossexuais são pessoas que se vestem da forma que a “normalidade” do protagonista exige. Mulheres de vestido e homens de blazer se escondem em festas exclusivas e reservadas aos olhos do público. Apesar das diferenças, algo permanece: independentemente do mundo, a sociedade irá marginalizar o diferente. 


    O que achamos? 

    Apesar de todas as risadas que damos ao longo do filme, Eu não sou um homem fácil não deve ser classificado como uma “comédia romântica invertida”. A diretora e roteirista Eleonore Pourriat optou por uma forma divertida e sutil de criticar o machismo intrínseco à sociedade. E em tempos de grandes denúncias de assédio em Hollywood, o filme não poderia ter vindo em melhor hora. Ao final da trama, o público tem a certeza de que uma sociedade matriarcal é tão ruim quanto a patriarcal, tendo apenas os papéis invertidos. Para conseguir o efeito desejado, o roteiro apela para os clichês tradicionais do gênero. A protagonista cafajeste muda de opinião ao conhecer o homem da sua vida, e vice-versa. 

    Algumas cenas ganham destaque em meio a outras. O momento de dar à luz, por exemplo, é bizarro. Embora a responsabilidade de gerar um filho ainda caiba a elas, são eles que se preocupam com as frivolidades. Um outro exemplo acontece na cena em que Damien é assediado física e verbalmente em um bar. Em nosso mundo, basta assistirmos a poucos minutos de um telejornal para observarmos casos piores com mulheres em todo o mundo. Por que o contrário é chocante? Talvez porque não estejamos acostumados à igualdade entre os gêneros – infelizmente, nem mesmo as mulheres estão. E é por isso que Eu não sou um homem fácil se tornou extremamente necessário. O filme é, sem dúvidas, mais um acerto da Netflix. Só nos resta esperar que seja aceito pelo lado masculino do público. 

    (Texto adaptado. Disponível em:<https://poltronanerd.com.br/tags/eu-nao-sou-um-homem-facil> . Acesso em: 31 jul. 2018.)

    Com base na leitura do Texto 1, podemos compreender que:
    Escolha uma alternativa para a questão a47d1192-b5
  • Linguagens

    Português

    Referente ao filme de longa-metragem Central do Brasil, de Walter Salles, ASSINALE a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 1e949395-b5
  • Linguagens

    Português

    A seguir, você lerá trechos de Um livro de instruções e desenhos de Yoko Ono, da artista plástica, compositora e escritora Yoko Ono (Tóquio, 1933-). Esses trechos estão na primeira parte do livro, intitulada “Música”, em que a autora fornece “instruções” para que seus leitores componham músicas.


    Texto 1:

    Composição da batida

    Ouça uma batida de coração


    Texto 2:

    Composição do amanhecer

    Pegue a primeira palavra que vier

    à sua cabeça.

    Repita a palavra até o amanhecer.


    Texto 3:

    Composição do sanduíche de atum

    Imagine mil sóis no

    céu ao mesmo tempo.

    Deixe-os brilhar por uma hora.

    Então, deixe-os derreter gradualmente

    no céu.

    Faça um sanduíche de atum e coma.

    (ONO, Yoko. Grapefruit – A Book of Instruction and Drawings by Yoko Ono. Nova Iorque: Simon & Schuster, 2000[1964].). 

    Os verbos utilizados nos três textos acima, no imperativo, possuem sentido de
    Escolha uma alternativa para a questão c6499886-b4
  • Linguagens

    Português

    Veja a reprodução da obra O jantar, de Jean-Baptiste Debret, de 1827.

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual de Montes Claros - MG 2018, Interpretação de Textos

    Realizando uma leitura dos elementos que compõem a tela, todas as alternativas estão corretas, EXCETO

    Escolha uma alternativa para a questão b73cd79f-b4
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    Português

    Para responder à questão, considere a obra Iracema, de José de Alencar, e especialmente, o fragmento abaixo:

    “O dia enegreceu; era noite já.
    O pajé tornara à cabana; sopesando de novo a grossa laje, fechou com ela a boca do antro. Caubi chegara também da grande taba, onde com seus irmãos guerreiros se recolhera depois que bateram a floresta, em busca do inimigo pitiguara.
    No meio da cabana, entre as redes armadas em quadro, estendeu Iracema a esteira da carnaúba, e sobre ela serviu os restos da caça, e a provisão de vinhos da última lua. Só o guerreiro tabajara achou sabor na ceia, porque o fel do coração que a tristeza espreme não amargava seu lábio.
    O pajé bebia no cachimbo o fumo sagrado de Tupã que lhe enchia as arcas do peito; o estrangeiro respirava ar às golfadas para refrescar-lhe o sangue efervescente; a virgem destilava sua alma como o mel de um favo, nos crebros soluços que lhe estalavam entre os lábios trêmulos.”
    Disponível em: <http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/iracema.pdf>. Acesso em: 4 out. 2018.


    Todas as afirmativas abaixo sobre a obra Iracema, de José de Alencar, são verdadeiras, EXCETO
    Escolha uma alternativa para a questão b73942b7-b4
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    Português

    INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir e responda a questão que a ele se referem ou que o tomam como ponto de partida.

    Sem os jovens, futuro da política é sombrio

    (Marcos da Costa, O Estadão)  

    Imagem da questão de Português, Universidade Estadual de Montes Claros - MG 2018, Interpretação de Textos


    Disponível em: <https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/sem-os-jovens-futuro-da-politica-e-sombrio/>. Publicado em: 6 jun. 2018. Acesso em: 26 jun. 2018. 

    Deste trecho: “Trata-se de uma geração que se vale de métodos mais críticos para medir a qualidade do serviço público.” (linhas 32-33), considerando o seu contexto, somente se pode inferir que
    Escolha uma alternativa para a questão b71fa805-b4