Pular para o conteúdo

Disciplina · Linguagens

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

  • 10.965 questões
  • 95 assuntos

Resultados: 10.965 questões

Página 444 de 549

  • Linguagens

    Português

    TEXTO I


    Também chamados impressões ou imagens fotogramáticas [...], os fotogramas são, numa definição genérica, imagens realizadas sem a utilização da câmera fotográfica, por contato direto de um objeto ou material com uma superfície fotossensível exposta a uma fonte de luz. Essa técnica, que nasceu junto com a fotografia e serviu de modelo a muitas discussões sobre a ontologia da imagem fotográfica, foi profundamente transformada pelos artistas da vanguarda, nas primeiras décadas do século XX. Representou mesmo, ao lado das colagens, fotomontagens e outros procedimentos técnicos, a incorporação definitiva da fotografia à arte moderna e seu distanciamento da representação figurativa.

    COLUCCI, M. B. Impressões fotogramáticas e vanguardas: as experiências de Man Ray. Studium, n. 2, 2000.


    Imagem da questão de Português, ENEM 2018, Interpretação de Textos


    No fotograma de Man Ray, o “distanciamento da representação figurativa” a que se refere o Texto I manifesta-se na

    Escolha uma alternativa para a questão 979174bd-e8
  • Linguagens

    Português

    Dia 20/10


    É preciso não beber mais. Não é preciso sentir vontade de beber e não beber: é preciso não sentir vontade de beber. É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso fechar para balanço e reabrir. É preciso não dar de comer aos urubus. Nem esperanças aos urubus. É preciso sacudir a poeira. É preciso poder beber sem se oferecer em holocausto. É preciso. É preciso não morrer por enquanto. É preciso sobreviver para verificar. Não pensar mais na solidão de Rogério, e deixá-lo. É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso enquanto é tempo não morrer na via pública.

    TORQUATO NETO. In: MENDONÇA, J. (Org.) Poesia (im)popular brasileira. São Bernardo do Campo: Lamparina Luminosa, 2012.


    O processo de construção do texto formata uma mensagem por ele dimensionada, uma vez que

    Escolha uma alternativa para a questão 975aefc4-e8
  • Linguagens

    Português

          O texto a seguir é referência para as questões 41 a 45.


    Imagem da questão de Português, UFPR 2018, Pontuação

    Com base no texto, considere as seguintes afirmativas:


    1. Na frase “Os animais falantes e as fadas madrinhas não procuram confortar as crianças, e sim dotá-las de ferramentas para viver, em vez de incutir rígidos patrões de conduta, e estimular seu raciocínio moral”, a vírgula depois de “conduta” pode ser suprimida sem alteração do sentido.

    2. Na frase “A ganhadora do prêmio Nobel, admiradora de Andersen – cuja coragem se destacava por ter criado finais tristes –, ressalta a importância de se assustar...”, a vírgula depois do segundo travessão pode ser corretamente suprimida.

    3. No trecho “...não só encapsulam os mitos duradouros de uma cultura, como também contêm uma explicação geral do mundo...”, a vírgula depois de “cultura” pode ser corretamente suprimida.


    Assinale a alternativa correta.

    Escolha uma alternativa para a questão ab8f2b72-dd
  • Linguagens

    Português

    Texto II


                                   Estrelas além do tempo

                                                                                                        Alex Gonçalves


          Após todas as discussões sobre representatividade que permearam o último ano hollywoodiano, “Estrelas Além do Tempo” [2016] se apresenta para o público com um timing perfeito. Há tempos não nos víamos inseridos em um cenário no qual as ideologias reacionárias estão tão evidentes, assim como os protestos em busca pela igualdade. Portanto, nada melhor do que a ficção para nos relembrar de outros períodos também nefastos que não calaram a atuação de heróis anônimos.

          No caso de “Estrelas Além do Tempo”, temos uma história que enaltece três figuras reais da NASA até então mantidas anônimas. Tratam-se de Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), três mulheres negras essenciais para o sucesso da missão do astronauta John Glenn (Glen Powell) em alcançar a lua.

          Entretanto, estamos aqui nos não tão distantes anos 1960, em uma Virgínia segregada e com poucos afroamericanos exercendo profissões que exigem um perfil lógico. Por isso mesmo, as vidas de Katherine, Dorothy e Mary foram triplamente difíceis justamente pela raça e gênero a que pertencem.

          Sempre unidas antes e após o expediente de trabalho, essas mulheres enfrentam sozinhas em suas competências os preconceitos que impedem as suas evoluções. Solicitada pelo departamento comandado por Al Harrison (Kevin Costner) para fazer os cálculos que devem assegurar o sucesso da decolagem do foguete que lançará John Glenn às alturas, Katherine é diariamente hostilizada pelos colegas, todos homens e brancos. Já em seu setor, Dorothy tem todos os seus pedidos de promoção sabotados pelo intermédio de Vivian (Kirsten Dunst), enquanto Mary não consegue desempenhar a função de engenheira por ser impedida de ingressar em uma universidade.

          Mesmo com todas essas circunstâncias, elas não desistirão de provar as singularidades que possuem, visualizando os obstáculos não como limites, mas como incentivos para continuarem perseverando. Temos com isso aquele modelo de narrativa cinematográfica que encanta desde os tempos do tramp de Charlie Chaplin, no qual a vontade para ganhar um lugar ao sol é maior do que as adversidades.

          Diretor de “Um Santo Vizinho”, Theodore Melfi se apropria do texto de Allison Schroeder compreendendo muito bem as características desse cinema inspirado e inspirador, contornando com traços ficcionais uma história real para ser efetivo principalmente em seus gritos de protesto. É especialmente arrebatadora a explosão de Katherine ao finalmente externar a sua humilhação ao precisar se prestar a um trajeto de mais de um quilômetro para ir ao banheiro exclusivo para negros. Não ficam muito atrás o fervor de Dorothy e Mary em se provarem extremamente capazes de enfrentar novos desafios.

          Além do mais, Melfi conduz com uma fluidez invejável algo que, em teoria, não tem qualquer encanto. Mesmo o mais avesso aos raciocínios de exatas se verão imediatamente hipnotizados com números e fórmulas que se revelam não somente como uma ciência complexa, como também como instrumentos sociais que só engrenam quando os seus operadores se reconhecem como semelhantes.

                                                                                      Publicado em 09/02/2017.

    Disponível em:<http://cineresenhas.com.br/2017/02/09/resenha-critica-estrelas-alem-do-tempo-2016/>. Acesso em: 30/03/2018.

    De acordo com o autor, “Estrelas além do tempo” apresenta um “timing perfeito” porque:
    Escolha uma alternativa para a questão b1180b4c-ce
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, IF Sul - MG 2018, Interpretação de Textos


    Em relação à tirinha acima, NÃO está correto o que se afirma em:

    Escolha uma alternativa para a questão b1140a50-ce
  • Linguagens

    Português

    Marque a alternativa que apresenta uma frase com equívoco de concordância nominal
    Escolha uma alternativa para a questão 10f57485-cc
  • Linguagens

    Português

    Os Estatutos do Homem

    (Ato Institucional Permanente)


    Artigo I

    Fica decretado que agora vale a verdade.

    agora vale a vida,

    e de mãos dadas,

    marcharemos todos pela vida verdadeira.


    Artigo II

    Fica decretado que todos os dias da semana,

    inclusive as terças-feiras mais cinzentas,

    têm direito a converter-se em manhãs de domingo.


    Artigo III

    Fica decretado que, a partir deste instante,

    haverá girassóis em todas as janelas,

    que os girassóis terão direito

    a abrir-se dentro da sombra;

    e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,

    abertas para o verde onde cresce a esperança.


    Artigo IV

    Fica decretado que o homem

    não precisará nunca mais

    duvidar do homem.

    Que o homem confiará no homem

    como a palmeira confia no vento,

    como o vento confia no ar,

    como o ar confia no campo azul do céu.


    Parágrafo único:

    O homem, confiará no homem

    como um menino confia em outro menino. 


    Artigo V

    Fica decretado que os homens

    estão livres do jugo da mentira.

    Nunca mais será preciso usar

    a couraça do silêncio

    nem a armadura de palavras.

    O homem se sentará à mesa

    com seu olhar limpo

    porque a verdade passará a ser servida

    antes da sobremesa.


    Artigo VI

    Fica estabelecida, durante dez séculos,

    a prática sonhada pelo profeta Isaías,

    e o lobo e o cordeiro pastarão juntos

    e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.


    Artigo VII

    Por decreto irrevogável fica estabelecido

    o reinado permanente da justiça e da claridade,

    e a alegria será uma bandeira generosa

    para sempre desfraldada na alma do povo.


    Artigo VIII

    Fica decretado que a maior dor

    sempre foi e será sempre

    não poder dar-se amor a quem se ama

    e saber que é a água

    que dá à planta o milagre da flor.


    Artigo IX

    Fica permitido que o pão de cada dia

    tenha no homem o sinal de seu suor.

    Mas que sobretudo tenha

    sempre o quente sabor da ternura.


    Artigo X

    Fica permitido a qualquer pessoa,

    qualquer hora da vida,

    uso do traje branco.


    Artigo XI

    Fica decretado, por definição,

    que o homem é um animal que ama

    e que por isso é belo,

    muito mais belo que a estrela da manhã.


    Artigo XII

    Decreta-se que nada será obrigado

    nem proibido,

    tudo será permitido,

    inclusive brincar com os rinocerontes

    e caminhar pelas tardes 

    com uma imensa begônia na lapela.


    Parágrafo único:

    Só uma coisa fica proibida:

    amar sem amor.


    Artigo XIII

    Fica decretado que o dinheiro

    não poderá nunca mais comprar

    o sol das manhãs vindouras.

    Expulso do grande baú do medo,

    o dinheiro se transformará em uma espada fraternal

    para defender o direito de cantar

    e a festa do dia que chegou.


    Artigo Final

    Fica proibido o uso da palavra liberdade,

    a qual será suprimida dos dicionários

    e do pântano enganoso das bocas.

    A partir deste instante

    a liberdade será algo vivo e transparente

    como um fogo ou um rio,

    e a sua morada será sempre

    o coração do homem.

    (Thiago de Mello. Os estatutos do homem. São Paulo, Vergara & Riba, 2001.)

    Sobre o poema “Os Estatutos do Homem” de Thiago de Mello, todas as afirmativas são verdadeiras, exceto:
    Escolha uma alternativa para a questão 10ea79bf-cc
  • Linguagens

    Português

    Os Estatutos do Homem

    (Ato Institucional Permanente)


    Artigo I

    Fica decretado que agora vale a verdade.

    agora vale a vida,

    e de mãos dadas,

    marcharemos todos pela vida verdadeira.


    Artigo II

    Fica decretado que todos os dias da semana,

    inclusive as terças-feiras mais cinzentas,

    têm direito a converter-se em manhãs de domingo.


    Artigo III

    Fica decretado que, a partir deste instante,

    haverá girassóis em todas as janelas,

    que os girassóis terão direito

    a abrir-se dentro da sombra;

    e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,

    abertas para o verde onde cresce a esperança.


    Artigo IV

    Fica decretado que o homem

    não precisará nunca mais

    duvidar do homem.

    Que o homem confiará no homem

    como a palmeira confia no vento,

    como o vento confia no ar,

    como o ar confia no campo azul do céu.


    Parágrafo único:

    O homem, confiará no homem

    como um menino confia em outro menino. 


    Artigo V

    Fica decretado que os homens

    estão livres do jugo da mentira.

    Nunca mais será preciso usar

    a couraça do silêncio

    nem a armadura de palavras.

    O homem se sentará à mesa

    com seu olhar limpo

    porque a verdade passará a ser servida

    antes da sobremesa.


    Artigo VI

    Fica estabelecida, durante dez séculos,

    a prática sonhada pelo profeta Isaías,

    e o lobo e o cordeiro pastarão juntos

    e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.


    Artigo VII

    Por decreto irrevogável fica estabelecido

    o reinado permanente da justiça e da claridade,

    e a alegria será uma bandeira generosa

    para sempre desfraldada na alma do povo.


    Artigo VIII

    Fica decretado que a maior dor

    sempre foi e será sempre

    não poder dar-se amor a quem se ama

    e saber que é a água

    que dá à planta o milagre da flor.


    Artigo IX

    Fica permitido que o pão de cada dia

    tenha no homem o sinal de seu suor.

    Mas que sobretudo tenha

    sempre o quente sabor da ternura.


    Artigo X

    Fica permitido a qualquer pessoa,

    qualquer hora da vida,

    uso do traje branco.


    Artigo XI

    Fica decretado, por definição,

    que o homem é um animal que ama

    e que por isso é belo,

    muito mais belo que a estrela da manhã.


    Artigo XII

    Decreta-se que nada será obrigado

    nem proibido,

    tudo será permitido,

    inclusive brincar com os rinocerontes

    e caminhar pelas tardes 

    com uma imensa begônia na lapela.


    Parágrafo único:

    Só uma coisa fica proibida:

    amar sem amor.


    Artigo XIII

    Fica decretado que o dinheiro

    não poderá nunca mais comprar

    o sol das manhãs vindouras.

    Expulso do grande baú do medo,

    o dinheiro se transformará em uma espada fraternal

    para defender o direito de cantar

    e a festa do dia que chegou.


    Artigo Final

    Fica proibido o uso da palavra liberdade,

    a qual será suprimida dos dicionários

    e do pântano enganoso das bocas.

    A partir deste instante

    a liberdade será algo vivo e transparente

    como um fogo ou um rio,

    e a sua morada será sempre

    o coração do homem.

    (Thiago de Mello. Os estatutos do homem. São Paulo, Vergara & Riba, 2001.)

    Marque a opção falsa sobre o poema “Os Estatutos do Homem” de Thiago de Mello:
    Escolha uma alternativa para a questão 10e6e045-cc
  • Linguagens

    Português

    O linguista Luiz Antônio Marcuschi define gêneros textuais como “os textos materializados que encontramos em nossa vida diária”. Algumas afirmações foram feitas sobre alguns dos gêneros textuais utilizados nesta prova. Entre elas, apenas uma está CORRETA. Identifique-a:

    Escolha uma alternativa para a questão 2de40401-cc
  • Linguagens

    Português

    Texto I 

    Feliz por nada 

    Geralmente, quando uma pessoa exclama “Estou tão feliz!”, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.

    Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.

    Feliz por nada, nada mesmo? Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. “Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho? 

    Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo. 

     Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.

    Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto? 

    A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa. 

    Ser feliz por nada talvez seja isso. 

    MEDEIROS, Martha. Felicidade crônica. 15.ed. Porto Alegre: L&PM, 2016. p. 86-87. 


    Texto III

    O conceito felicidade para os filósofos 

    A felicidade é particular para cada ser humano, é uma questão muito individual. Mesmo que a ideia compartilhada entre a maior parte das pessoas seja que esse conceito é construído com saúde, amor, dinheiro, entre outros itens. 

    A filosofia que investiga e se dedica para definir e esclarecer as ideias do ser humano é excelente para refletir sobre a felicidade. E as primeiras reflexões de filosofia sobre ética continham o assunto felicidade, na Grécia antiga. 

    A mais antiga referência de filosofia sobre esse tema é o fragmento do texto de Tales de Mileto, este que viveu entre 7 a.C. e 6 a.C. Para Tales, ser feliz é ter corpo forte e são, boa sorte e alma formada. 

    Para Sócrates, essa ideia teve rumo novo, ele postulou que não havia relação da felicidade com somente satisfação dos desejos e necessidades do corpo, mas que o homem não é apenas corpo, e sim em principal, alma. Felicidade seria o bem da alma, através da conduta justa e virtuosa. 

    E já para Kant, a felicidade está no âmbito do prazer e desejo, e não há relação com Ética, logo não seria tema para investigar de maneira filosófica. 

    Mas ao que cerca a língua inglesa, na época de Kant, a felicidade teve destaque no pensamento político e sua busca passou a ser “direito do homem”, e isso é consignado na Constituição dos Estados Unidos da América, de 1787, redigida de acordo com o Iluminismo. 

    No século 20, surge uma nova reflexão sobre o tema do inglês Bertrand Russel com a obra A Conquista da Felicidade, com método da investigação lógica; para Bertrand, por síntese, ser feliz é eliminar o egocentrismo. 

    [...] 

    • Disponível em: www.afilosofia.com.br/post/o-conceito-felicidade-para-os-filosofos/542.
    • Acesso em: 06 abr. 2018 (adaptado). 

    • Texto IV 

    • Felicidade clandestina 

        • Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós, menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade". 

        • Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. 

      Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. 

      Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. 

      Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. 

      No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.

      E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados. 

      Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! 

      E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer. 

      Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. 

      Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. 

      Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. 

      Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante. 

      LISPECTOR, Clarice. Felicidade Clandestina. In: Felicidade Clandestina: contos. 

      Rio de Janeiro: Ed. Rocco, 1998 (adaptado).


      Texto V 

      A busca pela felicidade está nos tornando infelizes e as redes sociais não estão ajudando 


      A opinião é do pianista James Rhodes, "Não somos destinados a ser felizes o tempo inteiro", diz ele no quadro opinativo Viewsnight, do programa da BBC Newsnight, afirmando que a busca pela felicidade a todo custo está nos tornando infelizes. 

      Na visão do pianista, "a busca pela felicidade parece nobre, mas é fundamentalmente falha". 

      Ele considera que "a felicidade não é algo a se perseguir mais do que a tristeza, a raiva, a esperança ou o amor". 

      A felicidade "é, simplesmente, um estado de ser, que é fluido, passageiro e às vezes inatingível". 

      Negar a existência de outros sentimentos, nem sempre considerados positivos, afirma, não é o melhor caminho. [...] 

      Rhodes observa que estamos em uma era de ritmo sem precedentes no dia a dia e que "nossa mentalidade 'sempre ligada' criou um ambiente impraticável e insustentável". 

      "Estamos em apuros", diz ele. "E as selfies cuidadosamente escolhidas e postadas no Instagram; a perfeição física espalhada por todas as mídias – inalcançável e extremamente 'photoshopada' – e o anonimato das redes sociais, onde descarregamos nossa ira, não estão ajudando". 

      "Sentimentos desafiadores" 

      Rhodes chama a atenção para os diferentes tipos de sentimento que permeiam a vida e nem todos têm a ver com satisfação ou alegrias. Há também o outro lado. 

      "Todos nos sentimos alternadamente ansiosos, para baixo, tranquilos, aflitos, contentes. Ocasionalmente, alguns de nós podemos nos perder no continuum em direção a depressão, ao transtorno de estresse pós-traumático e a pensamentos suicidas", diz. 

      Mas pondera: "Só porque não estamos felizes não significa que estamos infelizes". Para o pianista, assim é a complexidade da vida: "repleta de sentimentos e situações tumultuados, desafiadores e difíceis". 

      "Negá-los, resistir a eles, se desculpar por eles ou fingir que não existem é contraintuitivo e contraproducente". 

      Foi justamente o caminho contrário, o do reconhecimento de que "coisas ruins também acontecem" e de que é preciso falar sobre elas que ele decidiu trilhar há alguns anos – quando resolveu contar em livro problemas que enfrentou ao longo da vida. 

      Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/salasocial-42680542. Acesso em: 06 abr. 2018 (adaptado). 


      Texto VI

      Ode ao dia feliz

      Desta vez deixa-me

      ser feliz,

      nada passou a ninguém,

      não estou em parte alguma,

      acontece somente

      que sou feliz

      pelos quatro lados

      do coração, andando 

      dormindo ou escrevendo.

      O que vou fazer-te, sou

      feliz

      [...] 


      Pablo Neruda

      Disponível em: http://www.portaldaliteratura.com/poemas.php?id=1400. Acesso em: 16 abr. 2018.  

      No processo de comunicação, é preciso expressar uma finalidade, um objetivo, que se materializa por meio de uma função da linguagem específica. Leia as assertivas a seguir e marque a INCORRETA em relação aos textos I, III, IV, V e VI:

      Escolha uma alternativa para a questão 2de0556c-cc
    • Linguagens

      Português

      Figura 1 de 2 da questão de Português, IFN-MG 2018, Interpretação de Textos


      Figura 2 de 2 da questão de Português, IFN-MG 2018, Interpretação de Textos


      TEXTO 03

      CHEGA DE MÁGOA


      Milton Nascimento e outros (criação coletiva)


      Nós não vamos nos dispersar

      Juntos, é tão bom saber

      Que passado o tormento

      Será nosso esse chão…

      Água, dona da vida

      Ouve essa prece tão comovida

      Chega, brinca na fonte

      Desce do monte, vem como amiga

      Te quero água de beber

      Um copo d’água

      Marola mansa da maré

      Mulher amada

      Te quero orvalho toda manhã

      Terra, olha essa terra

      Raça valente, gente sofrida

      Chama, tem que ter feira

      Tem que ter festa, vamos pra vida

      Te quero terra pra plantar, ah

      Te quero verde

      Te quero casa pra morar, ah

      Te quero rede

      Depois da chuva o Sol da manhã

      Chega de mágoa

      Chega de tanto penar

      Canto e o nosso canto

      Joga no tempo uma semente

      Gente, olha essa gente

      Olha essa gente, olha essa gente

      Te quero água de beber

      Um copo d’água

      Marola mansa da maré

      Mulher amada

      Te quero terra pra plantar

      Te quero verde, hum

      Te quero casa pra morar

      Te quero rede

      Depois da chuva o Sol da manhã

      Canto (eu canto) e o nosso canto (canto)

      Joga no tempo (joga no tempo) uma semente

      Gente (quero te ver crescer bonita)

      Olha essa gente (quero te ver crescer feliz)

      Olha essa gente (olha essa terra, olha essa gente)

      Olha essa gente (Gente pra ser feliz, feliz)

      Te quero água de beber (me dê um copo)

      Um copo d’água

      Marola mansa da maré

      Mulher amada

      Te quero terra pra plantar

      Te quero verde

      Te quero casa pra morar

      Te quero rede

      Depois da chuva o Sol da manhã

      Chega de mágoa

      Chega de tanto penar

      Chega de mágoa

      Chega de tanto penar

      Ah!

      Disponível em: https://www.letras.mus.br/milton-nascimento/1493585/. Acesso em 22 abr. 2018.


      “Chega de mágoa”, compõe o disco “Nordeste Já”, gravado no Brasil, em 1985, com o objetivo de angariar fundos para a população carente do nordeste do país. Sobre a letra da música “Chega de Mágoa”, podemos observar que:

      Escolha uma alternativa para a questão d6145fc1-cc
    • Linguagens

      Português

      Imagem da questão de Português, IFN-MG 2018, Interpretação de Textos

      A opção que explica melhor o trecho “O sistema econômico global é extremamente predatório, produzindo uma sinergia e uma cumulatividade de impactos ao meio ambiente, o que provoca alterações climáticas, poluição e destruição dos ecossistemas essenciais para a renovação da água”. (Linhas 5-7) é:
      Escolha uma alternativa para a questão d5e62303-cc
    • Linguagens

      Português

      Imagem da questão de Português, IFN-MG 2018, Interpretação de Textos

      De acordo com o TEXTO 01, o ritmo civilizatório é desumano porque:
      Escolha uma alternativa para a questão d5e25fd3-cc
    • Linguagens

      Português

      Imagem da questão de Português, UFRGS 2018, Coesão e coerência

      Considere as seguintes afirmações sobre o texto.


      I - Os usos pronominais e verbais ora na primeira pessoa do singular, ora na primeira pessoa do plural, ora na terceira pessoa devem-se ao caráter científico do texto.

      II - Expressões como Bom (l. 33) e daí (l. 48) revelam um uso coloquial da língua relacionado ao fato de o texto ter sido publicado em revista, e não em livro.

      III- A predominância de verbos no presente do indicativo, no texto, é reveladora de seu caráter expositivo-argumentativo.


      Quais estão corretas?

      Escolha uma alternativa para a questão 5b54d817-cc
    • Linguagens

      Português

      Imagem da questão de Português, UFRGS 2018, Coesão e coerência

      O deslocamento de segmentos de um texto pode ou não afetar as relações de sentido estabelecidas.


      Assinale a alternativa em que o deslocamento de segmentos – considerando os ajustes com maiúscula, minúscula e pontuação – mantém as relações de sentido do parágrafo do texto.

      Escolha uma alternativa para a questão 5b4ce79d-cc
    • Linguagens

      Português

      Imagem da questão de Português, UFRGS 2018, Regência

      Se a forma verbal almejava fosse substituída por aspirava em Aquela, sim, era a morte que eu almejava (l. 40-41), qual das alternativas abaixo estaria gramaticalmente correta?
      Escolha uma alternativa para a questão 5b401fb6-cc
    • Linguagens

      Português

      Imagem da questão de Português, UFRGS 2018, Coesão e coerência

      Considere as seguintes propostas de substituição de nexos do texto e assinale com 1 aquelas que mantêm o sentido do texto e com 2 aquelas que alteram.


      ( ) Mas (l. 03) por sobretudo.

      ( ) De fato (l. 15) por No entanto.

      ( ) portanto (l. 43) por todavia.

      ( ) pois (l. 56) por porque.


      A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

      Escolha uma alternativa para a questão 5b12f08d-cc
    • Linguagens

      Português

      Imagem da questão de Português, UFRGS 2018, Interpretação de Textos

      Considere as seguintes afirmações sobre a síntese de cada parágrafo do texto.


      I - O primeiro parágrafo situa a problemática relacionada à relação da obra com o seu condicionamento social, com a apresentação de duas posições.

      II - O segundo parágrafo apresenta os modos de abordagem da relação entre a obra e a realidade, constituídos no tempo.

      III- O terceiro parágrafo procura separar as diferentes posições acerca da análise literária para inserir a relação entre obra e realidade como um fator de arte.


      Quais estão de acordo com o texto?

      Escolha uma alternativa para a questão 5b0f3fb0-cc
    • Linguagens

      Português

      Imagem da questão de Português, UFRGS 2018, Interpretação de Textos

      Assinale a afirmação que está de acordo com a argumentação defendida pelo autor no texto.
      Escolha uma alternativa para a questão 5b0b6b44-cc
    • Linguagens

      Português

      Instrução: A questão refere-se ao romance a máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe.
      Assinale a alternativa correta sobre o romance.
      Escolha uma alternativa para a questão 27007701-cb