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Disciplina · Linguagens

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

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Resultados: 10.965 questões

Página 469 de 549

  • Linguagens

    Português

    Sem acessórios nem som

    Escrever só para me livrar

    de escrever.

    Escrever sem ver, com riscos

    sentindo falta dos acompanhamentos

    com as mesmas lesmas

    e figuras sem força de expressão.

    Mas tudo desafina:

    o pensamento pesa

    tanto quanto o corpo

    enquanto corto os conectivos

    corto as palavras rentes

    com tesoura de jardim

    cega e bruta

    com facão de mato.

    Mas a marca deste corte

    tem que ficar

    nas palavras que sobraram.

    Qualquer coisa do que desapareceu

    continuou nas margens, nos talos

    no atalho aberto a talhe de foice

    no caminho de rato.

    FREITAS FILHO, A. Máquina de escrever: poesia reunida e revista. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003.

    Nesse texto, a reflexão sobre o processo criativo aponta para uma concepção de atividade poética que põe em evidência o(a)

    Escolha uma alternativa para a questão d95e1c7f-a6
  • Linguagens

    Português

    Soneto VII

    Onde estou? Este sítio desconheço:

    Quem fez tão diferente aquele prado?

    Tudo outra natureza tem tomado;

    E em contemplá-lo tímido esmoreço.

    Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço

    De estar a ela um dia reclinado:

    Ali em vale um monte está mudado:

    Quanto pode dos anos o progresso!

    Árvores aqui vi tão florescentes,

    Que faziam perpétua a primavera:

    Nem troncos vejo agora decadentes.

    Eu me engano: a região esta não era;

    Mas que venho a estranhar, se estão presentes

    Meus males, com que tudo degenera!

    COSTA, C. M. Poemas. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 7 jul. 2012.

    No soneto de Cláudio Manuel da Costa, a contemplação da paisagem permite ao eu lírico uma reflexão em que transparece uma

    Escolha uma alternativa para a questão d92ff38b-a6
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2016, Pontuação

    Os dois-pontos podem delimitar uma relação entre uma expressão e a especificação de seu sentido.
    Observa-se esse uso dos dois-pontos no trecho apresentado em:
    Escolha uma alternativa para a questão 170df3c5-a5
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    Português

                                  Texto 2

                            “Unde Malum” 

    Imagem da questão de Português, UECE 2016, Interpretação de Textos 

    (Carta ao Leitor. Veja. 9/09/2015. p. 12)

    “Vendo sapatinho de bebê. Nunca usado” (linhas 111-112). Essa pequena história comoveu os amigos do escritor americano Ernest Hemingway, e o autor desta carta ao leitor ilustrou o seu texto com essa pequena história. Atente ao que se diz sobre essa pequena narrativa.

    I. O primeiro enunciado da historinha de Hemingway – “Vendo sapatinho de bebê” expressa uma atividade normal, desenvolvida por muitas pessoas: vender sapatinho de bebê.

    II. O segundo enunciado – “Nunca usado” – causa estranhamento, uma vez que não se costuma vender sapatinhos de bebê usados. Sendo isso verdade, não haveria necessidade de fazer essa observação.

    III. O acréscimo da informação “Nunca usado” abre para o leitor a expectativa de que algo de mau, ou pelo menos desagradável, aconteceu à criança.

    Está correto o que se diz em

    Escolha uma alternativa para a questão fff8e747-86
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    Português

                                         Texto 1

                                Pessoas habitadas 

    Imagem da questão de Português, UECE 2016, Morfologia - Verbos

    MEDEIROS, Martha. In: Org. e Int. SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As Cem Melhores Crônicas Brasileiras. Objetiva, 324-325.

    Considere o excerto “Estava conversando com uma amiga, dia desses” (linhas 1-2), e o que se diz sobre ele.

    I. Tem-se uma locução verbal de gerúndio – estava conversando –, em que estava é o verbo auxiliar e conversando é o verbo principal.

    II. O verbo auxiliar, no presente exemplo, empresta um matiz semântico novo ao verbo principal.

    III. Do ponto de vista aspectual, estava conversando não é o mesmo que conversava. Em estava conversando, a ideia de ação verbal em curso é mais forte do que em conversava. Essa constatação é importante principalmente na leitura de um texto literário, que pode ter em cada elemento uma carga expressiva a mais.

    Está correto o que se diz em

    Escolha uma alternativa para a questão ffcb2534-86
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    Português

                                         Texto 1

                                Pessoas habitadas 

    Imagem da questão de Português, UECE 2016, Interpretação de Textos

    MEDEIROS, Martha. In: Org. e Int. SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As Cem Melhores Crônicas Brasileiras. Objetiva, 324-325.

    Considerando os argumentos da enunciadora do texto, identifique com S (Sim) o que for necessariamente uma característica de uma pessoa habitada, e com N (Não) o que não for.

    ( ) maldade;

    ( ) gentileza;

    ( ) imprevisibilidade;

    ( ) dúvida;

    ( ) coerência;

    ( ) covardia;

    ( ) transgressão;

    ( ) surpresa.

    Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:

    Escolha uma alternativa para a questão ffabaf58-86
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto, para responder à questão.

    Contra a mera “tolerância” das diferenças

    Renan Quintanilha

        “É preciso tolerar a diversidade”. Sempre que me defronto com esse tipo de colocação, aparentemente progressista e bem intencionada, fico indignado. Não, não é preciso tolerar.

        “Tolerar”, segundo qualquer dicionário, significa algo como “suportar com indulgência”, ou seja, deixar passar com resignação, ainda que sem consentir expressamente com aquela conduta.

        “Tolerar” o que é diferente consiste, antes de qualquer coisa, em atribuir a “quem tolera” um poder sobre “o que tolera”. Como se este dependesse do consentimento daquele para poder existir. “Quem tolera” acaba visto, ainda, como generoso e benevolente, por dar uma “permissão” como se fosse um favor ou um ato de bondade extrema.

        Esse tipo de discurso, no fundo, nega o direito à existência autônoma do que é diferente dos padrões construídos socialmente. Mais: funciona como um expediente do desejo de estigmatizar o diferente e manter este às margens da cultura hegemônica, que traça a tênue linha divisória entre o normal e o anormal.

        Tolerar não deve ser celebrado e buscado nem como ideal político e tampouco como virtude individual. Ainda que o argumento liberal enxergue, na tolerância, uma manifestação legítima e até necessária da igualdade moral básica entre os indivíduos, não é esse o seu sentido recorrente nos discursos da política.

        Com efeito, ainda que a defesa liberal-igualitária da tolerância, diante de discussões controversas, postule que se trate de um respeito mútuo em um cenário de imparcialidade das instituições frente a concepções morais mais gerais, isso não pode funcionar em um mundo marcado por graves desigualdades estruturais.

        Marcuse1 identificava dois tipos de tolerância: a passiva e a ativa. No primeiro caso, a tolerância é vista como uma resignação e uma omissão diante de uma sociedade marcadamente injusta em suas diversas dimensões. Por sua vez, no segundo caso, ele trata da tolerância enquanto uma disposição efetiva de construção de uma sociedade igualitária. Não é este, no entanto, o discurso mais recorrente da tolerância em nossos tempos.

        Assim, quando alguém te disser que é preciso “tolerar” a liberdade das mulheres, os direitos das pessoas LGBT, a busca por melhores condições de vida das pessoas pobres, as reivindicações por igualdade material das pessoas negras, dentre outros segmentos vulneráveis, simplesmente não problematize esse discurso.

        Admitir a existência do outro não significa aceitá-lo em sua particularidade como integrante da comunidade política. É preciso valorizar os laços mais profundos de reciprocidade e respeito pelas diferenças, o que só o reconhecimento, estágio superior da tolerância, pode ajudar a promover, como ensinou Axel Honneth2. 

        Diversidade é um valor em si mesmo e não depende da concordância dos que ocupam posições de privilégios. Direitos e liberdades não se “toleram”. Devem ser respeitados e promovidos, por serem conquistas jurídicas e políticas antecedidas de muitas lutas.

        O que não se pode tolerar é o discurso aparentemente “benevolente” e “generoso” – mas na verdade bem perverso – da “tolerância das diferenças”. Ninguém precisa da licença de ninguém pra existir.

    Disponível em:<http://revistacult.uol.com.br/home/2016/02/contra-a-mera-tolerancia-das-diferencas/>  Acesso em: 03 mai 2016. 

    1 Marcuse: filósofo e sociólogo alemão, naturalizado norte-americano.

    2 Axel Honneth: filósofo e sociólogo alemão.
    Sobre os elementos coesivos destacados, é correto afirmar que, no
    Escolha uma alternativa para a questão 22f9e647-84
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto, para responder à questão.

    Contra a mera “tolerância” das diferenças

    Renan Quintanilha

        “É preciso tolerar a diversidade”. Sempre que me defronto com esse tipo de colocação, aparentemente progressista e bem intencionada, fico indignado. Não, não é preciso tolerar.

        “Tolerar”, segundo qualquer dicionário, significa algo como “suportar com indulgência”, ou seja, deixar passar com resignação, ainda que sem consentir expressamente com aquela conduta.

        “Tolerar” o que é diferente consiste, antes de qualquer coisa, em atribuir a “quem tolera” um poder sobre “o que tolera”. Como se este dependesse do consentimento daquele para poder existir. “Quem tolera” acaba visto, ainda, como generoso e benevolente, por dar uma “permissão” como se fosse um favor ou um ato de bondade extrema.

        Esse tipo de discurso, no fundo, nega o direito à existência autônoma do que é diferente dos padrões construídos socialmente. Mais: funciona como um expediente do desejo de estigmatizar o diferente e manter este às margens da cultura hegemônica, que traça a tênue linha divisória entre o normal e o anormal.

        Tolerar não deve ser celebrado e buscado nem como ideal político e tampouco como virtude individual. Ainda que o argumento liberal enxergue, na tolerância, uma manifestação legítima e até necessária da igualdade moral básica entre os indivíduos, não é esse o seu sentido recorrente nos discursos da política.

        Com efeito, ainda que a defesa liberal-igualitária da tolerância, diante de discussões controversas, postule que se trate de um respeito mútuo em um cenário de imparcialidade das instituições frente a concepções morais mais gerais, isso não pode funcionar em um mundo marcado por graves desigualdades estruturais.

        Marcuse1 identificava dois tipos de tolerância: a passiva e a ativa. No primeiro caso, a tolerância é vista como uma resignação e uma omissão diante de uma sociedade marcadamente injusta em suas diversas dimensões. Por sua vez, no segundo caso, ele trata da tolerância enquanto uma disposição efetiva de construção de uma sociedade igualitária. Não é este, no entanto, o discurso mais recorrente da tolerância em nossos tempos.

        Assim, quando alguém te disser que é preciso “tolerar” a liberdade das mulheres, os direitos das pessoas LGBT, a busca por melhores condições de vida das pessoas pobres, as reivindicações por igualdade material das pessoas negras, dentre outros segmentos vulneráveis, simplesmente não problematize esse discurso.

        Admitir a existência do outro não significa aceitá-lo em sua particularidade como integrante da comunidade política. É preciso valorizar os laços mais profundos de reciprocidade e respeito pelas diferenças, o que só o reconhecimento, estágio superior da tolerância, pode ajudar a promover, como ensinou Axel Honneth2. 

        Diversidade é um valor em si mesmo e não depende da concordância dos que ocupam posições de privilégios. Direitos e liberdades não se “toleram”. Devem ser respeitados e promovidos, por serem conquistas jurídicas e políticas antecedidas de muitas lutas.

        O que não se pode tolerar é o discurso aparentemente “benevolente” e “generoso” – mas na verdade bem perverso – da “tolerância das diferenças”. Ninguém precisa da licença de ninguém pra existir.

    Disponível em:<http://revistacult.uol.com.br/home/2016/02/contra-a-mera-tolerancia-das-diferencas/>  Acesso em: 03 mai 2016. 

    1 Marcuse: filósofo e sociólogo alemão, naturalizado norte-americano.

    2 Axel Honneth: filósofo e sociólogo alemão.

    No 8° parágrafo do texto, não há uniformidade de tratamento, pois primeiramente está empregado o pronome de 2ª pessoa do singular e, ao final, o verbo está conjugado na 3ª pessoa do singular.

    Em qual das frases abaixo, ocorre esse mesmo problema?

    Escolha uma alternativa para a questão 22f10bc0-84
  • Linguagens

    Português

    A prática de fazer nada

    01    Há 10 anos, Marcelo Bohrer, 40 anos, criou um movimento

    02 que, atualmente, é considerado absolutamente
    03 inovador: o nadismo.
    04 Em parques de Porto Alegre, convidava pessoas a
    05 se juntar a ele para fazer absolutamente nada por um
    06 período de cerca de uma hora. A proposta era trazer um
    07 colchão e apreciar a vista, pensar, deixar o pensamento
    08 livre, sem nenhuma técnica ou regra. É “freestyle”, como
    09 ele define.
    10 – Há um tempo, as pessoas achavam estranho,
    11 não levavam a sério. Mas o dia a dia está sempre mais
    12 intenso. As empresas já têm programas de prevenção
    13 de estresse e estão vendo como a pausa é importante
    14 para a saúde – diz.
    15 No Brasil, há opções de turismo que já consideram o
    16 valor dessa “parada”. Em São Paulo, na cidade de Serra
    17 Negra, a pousada Shangri La reserva um espaço que se
    18 destina aos que querem praticar o nadismo por alguns
    19 dias. Zero agitação por lá. O local é perfeito para olhar
    20 as montanhas e tem uma vista espetacular.
    21 Sirlene Terenciani, 51 anos, é proprietária do lugar
    22 há 19 anos e diz que o público que busca o ambiente
    23 é composto principalmente por médicos, advogados e
    24 profissionais que têm uma rotina corrida. A preocupação
    25 com o bem-estar mental e emocional leva os clientes
    26 até a pousada.
    27 – Aqui a pessoa se dá o direito de fazer nada,
    28 contemplar a montanha. O foco é descansar, praticar
    29 nadismo mesmo. É isso que elas querem, tanto que me
    30 dizem: não tire o nadismo daqui – relata, bem-humorada.
    31 Depois de cumprir a agenda da manhã e da tarde, o
    32 advogado Tarcisio Carneiro, 42 anos, coloca o celular no
    33 silencioso, ignora ligações e e-mails e se acomoda em
    34 um canto do escritório no bairro Petrópolis, na Capital.
    35 Há cerca de 10 anos, ele leu sobre o nadismo e os
    36 benefícios de tirar um tempinho para descansar a mente
    37 durante a rotina frenética do dia a dia. Quando ouviu
    38 falar, não deu muita atenção. Mas, em 2010, passou a
    39 priorizar essa parada na rotina.
    40 – É isso que mantém minha sanidade. Fico literalmente
    41 contemplando a vista lá fora, o que está passando
    42 pela rua, e deixo minha mente vagar, sem pensar em
    43 nada próximo da minha realidade. É meu momento relax
    44 que ajudou na minha ansiedade, insônia e que recarrega
    45 as minhas energias – explica.

    Adaptado de: http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/.
    Acesso em 02 abr. 2016
    Para responder à questão, analise as propostas de substituição para formas verbais do texto.

    I. “deixar o pensamento livre” (linhas 07 e 08) – deixando

    II. “há opções” (linha 15) – existe

    III. “e tem uma vista espetacular” (linha 20) – ter

    IV. “ignora ligações e e-mails” (linha 33) – ignorando

    As propostas de substituição que mantêm a correção e a coerência dos respectivos parágrafos são, apenas,
    Escolha uma alternativa para a questão 5184a5e1-37
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    Português

                                                             Texto 1                   
                                   Línguas que não sabemos que sabíamos
                                                        (fragmento)1
                                                                                     Mia CoutoImagem da questão de Português, CEDERJ 2016, Interpretação de Textos 
    1 Foi mantido o texto original. Mia Couto é um renomado escritor moçambicano, com obra literária extensa e diversificada, incluindo poesia, contos, romance e crônicas.
    Ao falar da relação entre linguagem e mundo, o professor José Carlos Azeredo (2007) ressalta que a linguagem não é uma simples ferramenta ou instrumento, tampouco o espelho de um mundo de objetos e fenômenos, porque o que nossos textos significam resulta da filtragem e modelação de nossas experiências; em outras palavras, a transformação de nossas experiências de mundo em matéria textual envolve fatores socioculturais de propriedade coletiva.
    Indique o fragmento de texto que melhor exemplifica o enunciado acima:
    Escolha uma alternativa para a questão 52cd062c-36
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UERJ 2016, Interpretação de Textos

    Fala-se, por exemplo, em aldeia global para fazer crer que a difusão instantânea de notícias realmente informa as pessoas. (l. 8-9)

    Ao empregar a expressão destacada neste trecho, o autor indica sua discordância em relação a uma ideia difundida como verdade inquestionável.

    Outra expressão empregada com a mesma finalidade está destacada em:

    Escolha uma alternativa para a questão bcfe8ec6-31
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho inicial de um artigo do livro Bilhões e bilhões do astrônomo e divulgador científico Carl Sagan (1934-1996) para responder à questão.

    O tabuleiro de xadrez persa
        
      Segundo o modo como ouvi pela primeira vez a história, aconteceu na Pérsia antiga. Mas podia ter sido na Índia ou até na China. De qualquer forma, aconteceu há muito tempo. O grão-vizir, o principal conselheiro do rei, tinha inventado um novo jogo. Era jogado com peças móveis sobre um tabuleiro quadrado que consistia em 64 quadrados vermelhos e pretos. A peça mais importante era o rei. A segunda peça mais importante era o grão-vizir – exatamente o que se esperaria de um jogo inventado por um grão-vizir. O objetivo era capturar o rei inimigo e, por isso, o jogo era chamado, em persa, shahmat – shah para rei, mat para morto. Morte ao rei. Em russo, é ainda chamado shakhmat. Expressão que talvez transmita um remanescente sentimento revolucionário. Até em inglês, há um eco desse nome – o lance final é chamado checkmate (xeque-mate). O jogo, claro, é o xadrez. Ao longo do tempo, as peças, seus movimentos, as regras do jogo, tudo evoluiu. Por exemplo, já não existe um grão-vizir – que se metamorfoseou numa rainha, com poderes muito mais terríveis.
        A razão de um rei se deliciar com a invenção de um jogo chamado “Morte ao rei” é um mistério. Mas reza a história que ele ficou tão encantado que mandou o grão-vizir determinar sua própria recompensa por ter criado uma invenção tão magnífica. O grão-vizir tinha a resposta na ponta da língua: era um homem modesto, disse ao xá. Desejava apenas uma recompensa simples. Apontando as oito colunas e as oito filas de quadrados no tabuleiro que tinha inventado, pediu que lhe fosse dado um único grão de trigo no primeiro quadrado, o dobro dessa quantia no segundo, o dobro dessa quantia no terceiro e assim por diante, até que cada quadrado tivesse o seu complemento de trigo. Não, protestou o rei, era uma recompensa demasiado modesta para uma invenção tão importante. Ofereceu joias, dançarinas, palácios. Mas o grão-vizir, com os olhos apropriadamente baixos, recusou todas as ofertas. Só desejava pequenos montes de trigo. Assim, admirando-se secretamente da humildade e comedimento de seu conselheiro, o rei consentiu.
        No entanto, quando o mestre do Celeiro Real começou a contar os grãos, o rei se viu diante de uma surpresa desagradável. O número de grãos começa bem pequeno: 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128, 256, 512, 1024... mas quando se chega ao 64o quadrado, o número se torna colossal, esmagador. Na realidade, o número é quase 18,5 quintilhões*. Talvez o grão-vizir estivesse fazendo uma dieta rica em fibras.
        Quanto pesam 18,5 quintilhões de grãos de trigo? Se cada grão tivesse o tamanho de um milímetro, todos os grãos juntos pesariam cerca de 75 bilhões de toneladas métricas, o que é muito mais do que poderia ser armazenado nos celeiros do xá. Na verdade, esse número equivale a cerca de 150 anos da produção de trigo mundial no presente. O relato do que aconteceu a seguir não chegou até nós. Se o rei, inadimplente, culpando-se pela falta de atenção nos seus estudos de aritmética, entregou o reino ao vizir, ou se o último experimentou as aflições de um novo jogo chamado vizirmat, não temos o privilégio de saber.

    *1 quintilhão = 1 000 000 000 000 000 000 = 1018. Para se contar esse número a partir de 0 (um número por segundo, dia e noite), seriam necessários 32 bilhões de anos (mais tempo do que a idade do universo).

    (Carl Sagan. Bilhões e bilhões, 2008. Adaptado.)
    Por ser um artigo de divulgação científica, o texto apresenta uma linguagem
    Escolha uma alternativa para a questão 6f6f8069-06
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    Português

    Millôr Fernandes, morto em 2012, foi um dos mais profícuos intelectuais brasileiros das últimas décadas. Escritor, poeta, tradutor, cartunista, jornalista e dramaturgo, seus escritos e desenhos são a expressão de seu talento humorístico, sua irreverência e sua perspicácia.

    São dele as seguintes sentenças:

    (1) Quando um quer, dois brigam.
    (2) A esperança é a última que mata.
    (3) Cão que ladra não morde. Enquanto ladra.

    Sobre as sentenças, assinale a alternativa incorreta.
    Escolha uma alternativa para a questão 429b3b16-f7
  • Linguagens

    Português

        “Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico; diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora, e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam. 
        Eufemismo, os felizes tempos, eufemismo apenas, igual aos outros que nos alimentam, a saudade dos dias que correram como melhores. Bem considerando, a atualidade é a mesma em todas as datas.

    Raul Pompeia, O Ateneu.  
    No início do texto, o pai do narrador revela pensar que a experiência do mundo é centrada na luta. Consideradas as diferenças, também vê o mundo principalmente sob esse prisma a personagem
    Escolha uma alternativa para a questão 4e5e39ec-fd
  • Linguagens

    Português

        “Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico; diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora, e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam. 
        Eufemismo, os felizes tempos, eufemismo apenas, igual aos outros que nos alimentam, a saudade dos dias que correram como melhores. Bem considerando, a atualidade é a mesma em todas as datas.

    Raul Pompeia, O Ateneu.  
    Costuma-se considerar que O Ateneu, de Raul Pompeia, embora tenha como subtítulo “Crônica de saudades”, pertence à modalidade literária conhecida como romance de formação, cujo modelo ou paradigma é a narrativa do percurso de aprendizagem de um jovem, no qual ele forma seu caráter, supera os problemas encontrados e prepara sua inserção harmônica na sociedade.
    Admitindo-se esse paradigma, a reflexão sobre o tempo apresentada pelo narrador na abertura do livro, aqui reproduzida, indica que O Ateneu irá se configurar como um romance de formação
    Escolha uma alternativa para a questão 4e5ad2d9-fd
  • Linguagens

    Português

        Era no tempo do rei.

        Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da Quitanda, cortando-se mutuamente, chamava-se nesse tempo - O canto dos meirinhos -; e bem lhe assentava o nome, porque era aí o lugar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa classe (que gozava então de não pequena consideração). Os meirinhos de hoje não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; esses eram gente temível e temida, respeitável e respeitada; formavam um dos extremos da formidável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a demanda era entre nós um elemento de vida: o extremo oposto eram os desembargadores. Ora, os extremos se tocam, e estes, tocando-se, fechavam o círculo dentro do qual se passavam os terríveis combates das citações, provarás, razões principais e finais, e todos esses trejeitos judiciais que se chamava o processo.

        Daí sua influência moral.


    Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias.  

    O convívio de um repertório narrativo de caráter mítico ou lendário e de referências diretas a coisas e pessoas reais, pertencentes à realidade histórica, presente nas Memórias de um sargento de milícias, caracteriza também, principalmente, a estrutura da obra
    Escolha uma alternativa para a questão 4e521901-fd
  • Linguagens

    Português

        Era no tempo do rei.

        Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da Quitanda, cortando-se mutuamente, chamava-se nesse tempo - O canto dos meirinhos -; e bem lhe assentava o nome, porque era aí o lugar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa classe (que gozava então de não pequena consideração). Os meirinhos de hoje não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; esses eram gente temível e temida, respeitável e respeitada; formavam um dos extremos da formidável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a demanda era entre nós um elemento de vida: o extremo oposto eram os desembargadores. Ora, os extremos se tocam, e estes, tocando-se, fechavam o círculo dentro do qual se passavam os terríveis combates das citações, provarás, razões principais e finais, e todos esses trejeitos judiciais que se chamava o processo.

        Daí sua influência moral.


    Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias.  

    Já na frase de abertura das Memórias de um sargento de milícias – “Era no tempo do rei.” –, que remete ao mesmo tempo à abertura-padrão dos contos da carochinha e ao período joanino da história do Brasil, manifestam-se as duas modalidades do tempo presentes nessa obra: uma, de caráter lendário e intemporal e, outra, de caráter histórico bem determinado.
    O convívio dessas duas modalidades do tempo indica que, do ponto de vista dessa obra, a história brasileira caracterizou-se pela conjunção de
    Escolha uma alternativa para a questão 4e48d2be-fd
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    Português

    A classificação sintática e o valor semântico do termo destacado em “sacudir da toalha as migalhas de pão” (texto 2, linha 11) são, respectivamente:
    Escolha uma alternativa para a questão a8a6cea8-fc
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    Português

    Assinale a alternativa que apresenta uma análise correta sobre o enunciado “eles deixavam o poste” (texto 2, linha 02).
    Escolha uma alternativa para a questão a8a2a84c-fc
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    Português

    No primeiro parágrafo do texto 2 (linhas 01-08), o tempo verbal utilizado quando se expressa um comentário é o:
    Escolha uma alternativa para a questão a89c2cf0-fc