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Disciplina · Linguagens

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

  • 10.965 questões
  • 95 assuntos

Resultados: 10.965 questões

Página 65 de 549

  • Linguagens

    Português

    Texto 1 


    13 DE MAIO


    Foi quando eu era seminarista no interior de São Paulo. Era 13 de maio de 1966 e os meus colegas de seminário, quase todos descendentes de italianos ou alemães, resolveram homenagear o dia da abolição dos escravos com um almoço. Nós, os poucos negros ou pardos da turma, fomos "convidados" a sentar na mesa central do refeitório, decorada com as palavras 'Navio Negreiro'. Quando vi aquilo me recusei e me sentei numa mesa lateral, com todos os outros colegas. Pois os organizadores daquilo me pegaram à força, me arrastaram e me fizeram sentar na marra junto aos outros negros, no que considerei uma ofensa gravíssima. Arrumei as malas para ir embora, mas fui convencido a ficar pelo padre do local. Ele me recomendou que deixasse o ódio passar e que tomasse aquele episódio como bandeira de luta para um mundo melhor. E, de fato, aquele episódio alterou radicalmente a direção da minha vida. Foi a partir de então que tirei a foto do meu pai, que era negro, do fundo da minha mala, e coloquei-a ao lado da fotografia da minha mãe, branca, com os meus objetos pessoais.


    Frei David Raimundo dos Santos, 63 anos, frade, fundador da ONG Educafro. Disponível em: www.educafro.org.br Acesso em: 15 set. 2020. Adaptado.

    No trecho: "E, de fato, aquele episódio alterou radicalmente a direção da minha vida." (Texto 1), o termo destacado acrescenta ao trecho em questão um/uma:
    Escolha uma alternativa para a questão 11bdf810-6a
  • Linguagens

    Português

     E se esse tal futuro                       

      for pior do que o presente             

    E se for melhor parar                   

    do que caminhar pra frente         

    E se o amor for dor                      

     E se todo sonhador                      

     não passar de um pobre louco    

     E se eu desanimar,                      

    Se eu parar de sonhar                

    queda a queda, pouco a pouco.

    (Bráulio Bessa. “Se”. In: Poesia que transforma, 2018.)

    No excerto do cordel, o eu lírico manifesta inquietação equivalente a uma preocupação central e recorrente na história da filosofia, desde suas origens, qual seja:
    Escolha uma alternativa para a questão 224bcbb1-65
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o trecho da peça A mais-valia vai acabar, seu Edgar, de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha. A peça foi encenada em 1960 na arena da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Brasil e promoveu um amplo debate. A mobilização resultante desse debate desencadeou a criação do Centro Popular de Cultura (CPC).


    Coro dos desgraçados: Trabalhamos noite e dia, dia e noite sem parar! Então de nada precisamos, se só precisamos trabalhar! Há mil anos sem parar! Fizemos as correntes que nos botaram nos pés, fizemos a Bastilha onde fomos morar, fizemos os canhões que vão nos apontar. Há mil anos sem parar! Não mandamos, não fugimos, não cheiramos, não matamos, não fingimos, não coçamos, não corremos, não deitamos, não sentamos: trabalhamos. Há mil anos sem parar! Ninguém sabe nosso nome, não conhecemos a espuma do mar, somos tristes e cansados. Há mil anos sem parar! Eu nunca ri — eu nunca ri — sempre trabalhei. Eu faço charutos e fumo bitucas, eu faço tecidos e ando pelado, eu faço vestido pra mulher, e nunca vi mulher desvestida. Há mil anos sem parar! Maria esqueceu de mim e foi morar com seu Joaquim. Há mil anos sem parar!

    (Apito longo. Um cartaz aparece:

    “Dois minutos de descanso e lamba as unhas.”

    Todos vão tentar sentar.

    Menos o Desgraçado 4 que fica de pé furioso.)

    Desgraçado 1: Ajuda-me aqui, Dois. Eu quero me dá uma sentadinha.

    (Desgraçado 2 ri de tudo.)

    Desgraçado 3: Senta. (Desgraçado 1 vai pôr a cabeça no chão.) De assim, não. Acho que não é com a cabeça não.

    Desgraçado 1: Eu esqueci.

    Desgraçado 3: A bunda, põe ela no chão. A perna é que eu não sei.

    Desgraçado 2: A perna tira.

    (Desgraçado 3 e Desgraçado 2

    desistem de descobrir. Se atiram no chão.)

    Desgraçado 1: A perna dobra! (Senta. Satisfeito.)

    Desgraçado 2: Quero ver levantar.

    (Todos olham para Desgraçado 4,

    fazem sinais para que ele se sente.)

    Desgraçado 4: Não! Chega pra mim! Eu só trabalho, trabalho, trabalho… (Perde o fôlego.)

    Desgraçado 3: Eu te ajudo: trabalho, trabalho, trabalho...

    Desgraçado 4: E tenho dois minutos de descanso? Nunca vi o sol, não tomei leite condensado, não canto na rua, esqueci do sentar, quando chega a hora de descansar, fico pensando na hora de trabalhar! Chega!

    Slide: Quem canta seus males espanta.

    Desgraçado 1: (cantando) A paga vem depois que a gente morre! Você vira um anjo todo branco, rindo sempre da brancura, bebe leite em teta de nuvem, não tem mais fome, não tem saudade, pinta o céu de cor de felicidade!

    (Peças do CPC, 2016. Adaptado.)

    O título da peça refere-se a importante conceito da teoria de
    Escolha uma alternativa para a questão 217f9e2c-65
  • Linguagens

    Português


    O Poeta da Roça


    Sou fio das mata, cantô da mão grosa
    Trabaio na roça, de inverno e de estio
    A minha chupana é tapada de barro
    Só fumo cigarro de paia de mio

    Sou poeta das brenha, não faço o papé
    De argum menestrê, ou errante cantô
    Que veve vagando, com sua viola
    Cantando, pachola, à percura de amô

    Não tenho sabença, pois nunca estudei
    Apenas eu seio o meu nome assiná
    Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre
    E o fio do pobre não pode estudá

    Meu verso rastero, singelo e sem graça
    Não entra na praça, no rico salão
    Meu verso só entra no campo da roça e
     [dos eito
    E às vezes, recordando feliz mocidade
    Canto uma sodade que mora em meu peito.
    [...]
    Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
    Coberto de trapo e mochila na mão,
    Que chora pedindo o socorro dos home,
    E tomba de fome, sem casa e sem pão.

    E assim, sem cobiça dos cofre luzente,
    Eu vivo contente e feliz com a sorte,
    Morando no campo, sem vê a cidade,
    Cantando as verdade das coisa do Norte.

    Adaptada de ASSARÉ, Patativa do.
    Cante lá que eu canto cá: Filosofia de um trovador
    nordestino. 2. Ed. Petrópolis: Vozes, 1978.
    A poesia de Patativa do Assaré, ao primeiro contato, demonstra uma preocupação em construir uma identidade sertaneja. No texto 6, esta característica é observável, de forma mais evidente, em
    Escolha uma alternativa para a questão 80449a47-92
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 5

    Pela primeira vez na história, nova geração tem QI mais baixo que seus antecessores    


    Figura 1 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Sintaxe
    Figura 2 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Sintaxe
    Figura 3 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Sintaxe
    Figura 4 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Sintaxe

    CANCELIER, Mariela. Pela primeira vez na história, nova geração tem QI mais baixo que seus antecessores. Mundo conectado.com.br. 31 de outubro de 2020.
    Conectivos são palavras ou expressões que interligam as frases, períodos, orações, parágrafos, permitindo a sequência de ideias. O papel é desempenhado, sobretudo, pelas conjunções, palavras invariáveis usadas para ligar os termos e orações em um período. Além disso, alguns advérbios e pronomes também podem exercer essa função.

    De acordo com o sentido intentado pelo autor, o conectivo destacado apresenta a ideia de
    Escolha uma alternativa para a questão 803513f1-92
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 5

    Pela primeira vez na história, nova geração tem QI mais baixo que seus antecessores    


    Figura 1 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Análise sintática
    Figura 2 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Análise sintática
    Figura 3 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Análise sintática
    Figura 4 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Análise sintática

    CANCELIER, Mariela. Pela primeira vez na história, nova geração tem QI mais baixo que seus antecessores. Mundo conectado.com.br. 31 de outubro de 2020.
    O termo “A BBC News Brasil” (linha 99) tem a mesma função sintática do termo
    Escolha uma alternativa para a questão 8032d259-92
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 5

    Pela primeira vez na história, nova geração tem QI mais baixo que seus antecessores    


    Figura 1 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Coesão e coerência
    Figura 2 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Coesão e coerência
    Figura 3 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Coesão e coerência
    Figura 4 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Coesão e coerência

    CANCELIER, Mariela. Pela primeira vez na história, nova geração tem QI mais baixo que seus antecessores. Mundo conectado.com.br. 31 de outubro de 2020.
    O texto 5 apresenta elementos coesivos que ajudam na tessitura temática do texto. A partir dessa ideia, é correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 8030949a-92
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 5

    Pela primeira vez na história, nova geração tem QI mais baixo que seus antecessores    


    Figura 1 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Interpretação de Textos
    Figura 2 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Interpretação de Textos
    Figura 3 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Interpretação de Textos
    Figura 4 de 4 da questão de Português, UECE 2020, Interpretação de Textos

    CANCELIER, Mariela. Pela primeira vez na história, nova geração tem QI mais baixo que seus antecessores. Mundo conectado.com.br. 31 de outubro de 2020.
    De acordo com o texto 5, é correto afirmar que o autor
    Escolha uma alternativa para a questão 802d96a3-92
  • Linguagens

    Português

    Reinvenção 

    A vida só é possível
    reinventada.


    Anda o sol pelas campinas
    e passeia a mão dourada
    pelas águas, pelas folhas...
    Ah! tudo bolhas
    que vem de fundas piscinas
    de ilusionismo... — mais nada.


    Mas a vida, a vida, a vida,
    a vida só é possível
    reinventada.

    Vem a lua, vem, retira
    as algemas dos meus braços.

    Projeto-me por espaços
    cheios da tua Figura.
    Tudo mentira! Mentira
    da lua, na noite escura.

    Não te encontro, não te alcanço...
    Só — no tempo equilibrada,
    desprendo-me do balanço
    que além do tempo me leva.
    Só — na treva,
    fico: recebida e dada.

    Porque a vida, a vida, a vida,
    a vida só é possível
    reinventada.

    MEIRELES, Cecília. Reinvenção. In. MEIRELES, Cecília.
    Vaga música. São Paulo: Global Editora, 1942.
    Ao tratar do tema da vida, o texto apresenta uma
    Escolha uma alternativa para a questão 80283bd4-92
  • Linguagens

    Português

    TEXTO 3
    Meu Caro Amigo
    Chico Buarque


    Meu caro amigo, me perdoe, por favor
    Se eu não lhe faço uma visita
    Mas como agora apareceu um portador
    Mando notícias nessa fita

    Aqui na terra tão jogando futebol
    Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
    Uns dias chove, noutros dias bate o sol
    Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa
     [aqui tá preta

    Muita mutreta pra levar a situação
    Que a gente vai levando de teimoso e de
     [pirraça
    E a gente vai tomando que também sem a
     [cachaça

    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu não pretendo provocar
    Nem atiçar suas saudades
    Mas acontece que não posso me furtar
    A lhe contar as novidades

    É pirueta pra cavar o ganha-pão
    Que a gente vai cavando só de birra,
     [só de sarro
    E a gente vai fumando que, também,
     [sem um cigarro
    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu quis até telefonar
    Mas a tarifa não tem graça
    Eu ando aflito pra fazer você ficar
    A par de tudo que se passa

    Muita careta pra engolir a transação
    Que a gente tá engolindo cada sapo no
     [caminho
    E a gente vai se amando que, também,
     [sem um carinho
    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu bem queria lhe
     [escrever
    Mas o correio andou arisco

    Se me permitem, vou tentar lhe remeter
    Notícias frescas nesse disco
    A Marieta manda um beijo para os seus
    Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
    O Francis aproveita pra também mandar
     [lembranças
    A todo o pessoal
    Adeus!


    BUARQUE, Chico. Phonogram, 1976.

    Considerando que a letra da canção “Meu caro amigo” foi escrita em 1976, um momento de repressão a qualquer denúncia ao governo e aos abusos estatais ou a manifestações contrárias ao regime, constata-se que Chico Buarque faz da música uma das principais formas de protestar indiretamente, para evitar a censura, espalhar uma mensagem de resistência e conscientizar a população. Fruto de uma parceria com Francis Hime, a canção foi criada como uma tentativa de burlar o regime por meio do envio de notícias do Brasil a seu amigo Augusto Boal, que vivia no exílio em Lisboa. Atente para o que se diz a seguir a respeito dessa canção e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.

    ( ) A expressão “Muita mutreta pra levar a situação” (linha 36) revela o esforço do eu lírico para suportar as dificuldades.
    ( ) O eu lírico mostra que para segurar “esse rojão” (linhas 41, 51 e 61) o remetente da carta busca refúgio em prazeres momentâneos como a cachaça, o cigarro e o amor.
    ( ) O autor cita nomes de pessoas reais: Marieta, Francis e Cecília para organizar um discurso que fala de si próprio, passando a ideia da realidade dentro de uma ficção.
    ( ) O tom formal da mensagem permite identificar uma relação de distanciamento entre o emissor e o seu “caro amigo” (linhas 42, 52, 62).

    A sequência correta, de cima para baixo, é:
    Escolha uma alternativa para a questão 801eaa6e-92
  • Linguagens

    Português


    TEXTO 1 
    Pronominais
    Dê-me um cigarro
    Diz a gramática
    Do professor e do aluno
    E do mulato sabido
    Mas o bom negro e o bom branco
    Da Nação Brasileira
    Dizem todos os dias
    Deixa disso camarada
    Me dá um cigarro.

    ANDRADE, Oswald. Obras completas.
    Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.


    TEXTO 2
    Samba do Arnesto

    O Arnesto nos convidô prum samba,
     [ele mora no Brás
    Nóis fumo e não encontremos ninguém
    Nóis vortemo cuma baita duma reiva
    Da outra veiz nóis num vai mais
    Nóis não semos tatu!
    Outro dia encontremo com o Arnesto
    Que pidiu descurpa mais nóis não aceitemos
    Isso não se faz, Arnesto, nóis não se importa
    Mais você devia ter ponhado um recado na
     [porta
    Anssim: “Ói, turma, num deu prá esperá
    A vez que isso num tem importância,
     [num faz má
    Depois que nóis vai, depois que nóis vorta
    Assinado em cruz porque não sei escrever
    Arnesto"


    BARBOSA, Adoniran, Gravações Elétricas
    Continental S/A, 1953.
    Os textos 1 e 2 se referem ao uso da variante informal da língua portuguesa. O uso dessa variante, em ambos os textos, justifica-se por mostrar ao leitor
    Escolha uma alternativa para a questão 80141ecf-92
  • Linguagens

    Português


    Imagem da questão de Português, FGV 2020, Interpretação de Textos
    (www.fotografia.folha.uol.com.br)

    O efeito de humor da charge decorre
    Escolha uma alternativa para a questão 6634348b-05
  • Linguagens

    Português

    Leia a fábula "O gato e a barata", de Millôr Fernandes, para responder à questão.

         A baratinha velha subiu pelo pé do copo que, ainda com um pouco de vinho, tinha sido largado a um canto da cozinha, desceu pela parte de dentro e começou a lambiscar o vinho. Dada a pequena distância que nas baratas vai da boca ao cérebro, o álcool lhe subiu logo a este. Bêbada, a baratinha caiu dentro do copo. Debateu-se, bebeu mais vinho, ficou mais tonta, debateu-se mais, bebeu mais, tonteou mais e já quase morria quando deparou com o carão do gato doméstico que sorria de sua aflição, do alto do copo.
         – Gatinho, meu gatinho –, pediu ela – me salva, me salva. Me salva que assim que eu sair daqui eu deixo você me engolir inteirinha, como você gosta. Me salva.
         – Você deixa mesmo eu engolir você? – disse o gato.
         – Me saaaalva! – implorou a baratinha. – Eu prometo. 
        O gato então virou o copo com uma pata, o líquido escorreu e com ele a baratinha que, assim que se viu no chão, saiu correndo para o buraco mais perto, onde caiu na gargalhada. 
         – Que é isso? – perguntou o gato. – Você não vai sair daí e cumprir sua promessa? Você disse que deixaria eu comer você inteira.
         – Ah, ah, ah – riu então a barata, sem poder se conter. – E você é tão imbecil a ponto de acreditar na promessa de uma barata velha e bêbada?
        Moral: Às vezes a autodepreciação nos livra do pelotão.

    (Diana Luz Pessoa de Barros. Teoria semiótica do texto, 2005.)
    Quando um sujeito pratica uma ação sobre si mesmo, dizemos que essa ação tem caráter reflexivo.

    Assinale a alternativa em que o pronome sublinhado atribui caráter reflexivo a uma ação.
    Escolha uma alternativa para a questão 66314cee-05
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    Português

    Considere o trecho inicial do conto "Uns sábados, uns agostos", de Caio Fernando Abreu, para responder à questão.

          Eles vinham aos sábados, sem telefonar. Não lembro desde quando criou-se o hábito de virem aos sábados, sem telefonar – e de vez em quando isso me irritava, pensando que se quisesse sair para, por exemplo, passear pelo parque ou tomar uma dessas lanchas de turismo que fazem excursões pelas ilhas, não poderia porque eles bateriam com as caras na porta fechada e ficariam ofendidos (eles eram sensíveis) e talvez não voltassem nunca mais. E como, aos sábados, eu jamais faria coisas como ir ao parque ou andar nessas tais lanchas que fazem excursões pelas ilhas, era obrigado a esperá-los, trancado em casa. Certamente os odiava um pouco enquanto não chegavam: um ódio de ter meus sábados totalmente dependentes deles, que não eram eu, e que não viveriam a minha vida por mim – embora eu nunca tivesse conseguido aprender como se vive aos sábados, se é que existe uma maneira específica de atravessá-los.  
    [...]
         E afinal, chovesse ou fizesse sol, sagradamente lá estavam eles, aos sábados. Naturalmente chovesse-ou-fizesse-sol é apenas isso que se convencionou chamar força de expressão, já que há muito tempo não fazia sol, talvez por ser agosto − mas de certa forma é sempre agosto nesta cidade, principalmente aos sábados.
          Não é que fossem chatos. Na verdade, eu nunca soube que critérios de julgamento se pode usar para julgar alguém definitivamente chato, irremediavelmente burro ou irrecuperavelmente desinteressante. Sempre tive uma dificuldade absurda para arrumar prateleiras. Acontece que não tínhamos nada em comum, não que isso tenha importância, mas nossas famílias não se conheciam, então não podíamos falar sobre os meus pais ou os avós deles, sobre os meus tios ou os seus sobrinhos ou qualquer outra dessas combinações genealógicas. Também não sabia que tipo de trabalho faziam, se é que faziam alguma coisa, nem sequer se liam, se estudavam, iam ao cinema, assistiam à televisão ou com que se ocupavam, enfim, além de me visitar aos sábados.

    (Caio Fernando Abreu. Mel e girassóis, 1988. Adaptado.) 
    Considerado o contexto do primeiro parágrafo, o verbo sublinhado indica um acontecimento habitual, frequente, no passado, na frase:
    Escolha uma alternativa para a questão 661ffbd9-05
  • Linguagens

    Português

    Considere o trecho inicial do conto "Uns sábados, uns agostos", de Caio Fernando Abreu, para responder à questão.

          Eles vinham aos sábados, sem telefonar. Não lembro desde quando criou-se o hábito de virem aos sábados, sem telefonar – e de vez em quando isso me irritava, pensando que se quisesse sair para, por exemplo, passear pelo parque ou tomar uma dessas lanchas de turismo que fazem excursões pelas ilhas, não poderia porque eles bateriam com as caras na porta fechada e ficariam ofendidos (eles eram sensíveis) e talvez não voltassem nunca mais. E como, aos sábados, eu jamais faria coisas como ir ao parque ou andar nessas tais lanchas que fazem excursões pelas ilhas, era obrigado a esperá-los, trancado em casa. Certamente os odiava um pouco enquanto não chegavam: um ódio de ter meus sábados totalmente dependentes deles, que não eram eu, e que não viveriam a minha vida por mim – embora eu nunca tivesse conseguido aprender como se vive aos sábados, se é que existe uma maneira específica de atravessá-los.  
    [...]
         E afinal, chovesse ou fizesse sol, sagradamente lá estavam eles, aos sábados. Naturalmente chovesse-ou-fizesse-sol é apenas isso que se convencionou chamar força de expressão, já que há muito tempo não fazia sol, talvez por ser agosto − mas de certa forma é sempre agosto nesta cidade, principalmente aos sábados.
          Não é que fossem chatos. Na verdade, eu nunca soube que critérios de julgamento se pode usar para julgar alguém definitivamente chato, irremediavelmente burro ou irrecuperavelmente desinteressante. Sempre tive uma dificuldade absurda para arrumar prateleiras. Acontece que não tínhamos nada em comum, não que isso tenha importância, mas nossas famílias não se conheciam, então não podíamos falar sobre os meus pais ou os avós deles, sobre os meus tios ou os seus sobrinhos ou qualquer outra dessas combinações genealógicas. Também não sabia que tipo de trabalho faziam, se é que faziam alguma coisa, nem sequer se liam, se estudavam, iam ao cinema, assistiam à televisão ou com que se ocupavam, enfim, além de me visitar aos sábados.

    (Caio Fernando Abreu. Mel e girassóis, 1988. Adaptado.) 
    Ao dizer "força de expressão" (2° parágrafo), o narrador informa que não se devem tomar as palavras em seu sentido
    Escolha uma alternativa para a questão 661ceb9f-05
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto de Teresinha Costa para responder à questão.

         Em História social da criança e da família, Philippe Ariès faz um estudo na Europa, no período compreendido entre a Idade Média e o século XX, para demonstrar como a definição de criança se modificou no decorrer do tempo de acordo com parâmetros ideológicos. Pela análise de pinturas, diários, esculturas e vitrais produzidos na Europa no período anterior aos ideais da Revolução Francesa, Ariès forja a expressão "sentimento da infância" para designar "a consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto". Esse sentimento vai aparecer a partir apenas do século XVII.
    Na Idade Média, a criança era vista como um pequeno adulto, sem características que a diferenciassem, e desconsiderada como alguém merecedor de cuidados especiais. Isso não significava que as crianças fossem até então desprezadas ou negligenciadas, mas sim que não se tinha consciência de uma série de particularidades intelectuais, comportamentais e emocionais que passaram, então, a ser consideradas como inerentes ou até mesmo naturais às crianças. Ariès comenta, inclusive, que os pintores ocidentais reproduziam crianças vestidas como pequenos adultos, e que somente percebemos se tratar de uma criança devido ao seu tamanho reduzido. Nas sociedades agrárias, a infância era um período rapidamente superado e, tão logo a criança adquiria alguma independência, passava a participar da vida dos adultos e de seus trabalhos, jogos e festas.

    (Psicanálise com crianças, 2010.)
    De acordo com o texto, a pesquisa de Philippe Ariès
    Escolha uma alternativa para a questão 6612c01b-05
  • Linguagens

    Português

    Texto II

    A história da literatura brasileira é em grande parte a história de uma imposição cultural que foi aos poucos gerando expressão literária diferente, embora em correlação estreita com os centros civilizadores da Europa. Esta imposição atuou também no sentido mais forte da palavra, isto é, como instrumento colonizador, destinado a impor e manter a ordem política e social estabelecida pela Metrópole, através inclusive das classes dominantes locais.

    CANDIDO, Antonio. Iniciação à Literatura Brasileira. Rio de
    Janeiro: Outro sobre Azul, 2015.

    Um fator considerado relevante na opinião de Antonio Candido acerca do processo de formação literária do Brasil é:
    Escolha uma alternativa para a questão 627008ac-8e
  • Linguagens

    Português

    NÃO SE COME DINHEIRO
    Ailton Krenak

         Quando falo de humanidade não estou falando só Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos a baleia, tiramos barbatanas de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que nós achamos que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante. Ao longo da história, os humanos, aliás, esse clube exclusivo da humanidade - que está na declaração universal dos direitos humanos e nos protocolos das instituições -, foram devastando tudo ao seu redor. É como se tivessem elegido uma casta, a humanidade, e todos que estão fora dela são as sub-humanidades. Não são só os caiçaras, quilombolas e os povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho. E o caminho é o progresso: essa ideia prospectiva de que estamos indo para algum lugar. Há um horizonte, estamos indo para lá, e vamos largando no percurso tudo o que não interessa; o que sobra, a sub-humanidade - alguns de nós fazemos parte dela.
         É incrível que esse vírus que está aí agora esteja atingindo só as pessoas. Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra (...) dizer: "Respirem agora, eu quero ver.” [...] Estamos sendo lembrados de que somos tão vulneráveis que, se cortarem nosso ar poralguns minutos, nós morremos. Não é preciso nenhum sistema bélico complexo para apagar essa tal humanidade: se extingue com a mesma facilidade que os mosquitos de uma sala depois de aplicado um aerossol. Nós não estamos com nada: essa é a declaração da Terra.
         E, se nós não estamos com nada, deveríamos ter contato com a experiência de estar vivos para além dos aparatos tecnológicos que podemos inventar. A ideia da economia, por exemplo, essa coisa invisível a não ser por aquele emblema de cifrão. Pode ser uma ficção afirmar que se a economia não estiver funcionando plenamente nós morremos. Nós poderíamos colocar todos os dirigentes do banco central em um cofre gigante e deixá-los vivendo lá, qual economia deles. Ninguém come dinheiro.
         Hoje de manhã eu vi um indígena norte-americano do conselho dos anciãos do povo lakota falar sobre o coronavírus. É um homem de uns setenta e poucos anos, chamado Wakya Um Manee, também conhecido como Vernon Foster.
    (Vernon, que é um típico nome americano, pois quando os colonos chegaram na América, além de proibirem as línguas nativas, mudavam os nomes das pessoas.) Pois, repetindo as palavras de um ancestral, ele dizia: "quando o último peixe estiver nas águas e a última árvore for removida da Terra, só então o homem perceberá que ele não é capaz de comer seu dinheiro”.

    KRENAK, Ailton. Não se come dinheiro. In: Avida não é útil.
    SP: Companhia das Letras, 2020. Adaptado.
    O texto I apresenta uma estrutura predominantemente:
    Escolha uma alternativa para a questão 626ca0ab-8e
  • Linguagens

    Português

    NÃO SE COME DINHEIRO
    Ailton Krenak

         Quando falo de humanidade não estou falando só Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos a baleia, tiramos barbatanas de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que nós achamos que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante. Ao longo da história, os humanos, aliás, esse clube exclusivo da humanidade - que está na declaração universal dos direitos humanos e nos protocolos das instituições -, foram devastando tudo ao seu redor. É como se tivessem elegido uma casta, a humanidade, e todos que estão fora dela são as sub-humanidades. Não são só os caiçaras, quilombolas e os povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho. E o caminho é o progresso: essa ideia prospectiva de que estamos indo para algum lugar. Há um horizonte, estamos indo para lá, e vamos largando no percurso tudo o que não interessa; o que sobra, a sub-humanidade - alguns de nós fazemos parte dela.
         É incrível que esse vírus que está aí agora esteja atingindo só as pessoas. Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra (...) dizer: "Respirem agora, eu quero ver.” [...] Estamos sendo lembrados de que somos tão vulneráveis que, se cortarem nosso ar poralguns minutos, nós morremos. Não é preciso nenhum sistema bélico complexo para apagar essa tal humanidade: se extingue com a mesma facilidade que os mosquitos de uma sala depois de aplicado um aerossol. Nós não estamos com nada: essa é a declaração da Terra.
         E, se nós não estamos com nada, deveríamos ter contato com a experiência de estar vivos para além dos aparatos tecnológicos que podemos inventar. A ideia da economia, por exemplo, essa coisa invisível a não ser por aquele emblema de cifrão. Pode ser uma ficção afirmar que se a economia não estiver funcionando plenamente nós morremos. Nós poderíamos colocar todos os dirigentes do banco central em um cofre gigante e deixá-los vivendo lá, qual economia deles. Ninguém come dinheiro.
         Hoje de manhã eu vi um indígena norte-americano do conselho dos anciãos do povo lakota falar sobre o coronavírus. É um homem de uns setenta e poucos anos, chamado Wakya Um Manee, também conhecido como Vernon Foster.
    (Vernon, que é um típico nome americano, pois quando os colonos chegaram na América, além de proibirem as línguas nativas, mudavam os nomes das pessoas.) Pois, repetindo as palavras de um ancestral, ele dizia: "quando o último peixe estiver nas águas e a última árvore for removida da Terra, só então o homem perceberá que ele não é capaz de comer seu dinheiro”.

    KRENAK, Ailton. Não se come dinheiro. In: Avida não é útil.
    SP: Companhia das Letras, 2020. Adaptado.
    No trecho "Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra (...) dizer: "Respirem agora, eu quero ver”, a fala atribuída à Terra revela que:
    Escolha uma alternativa para a questão 626a01cd-8e