Pular para o conteúdo

Questões de Português do ENEM

Questões de Português, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

Resultados

10.965 questões encontradas. Mostrando a página 102 de 549.

  • 802A6FFF-92

    Português

    Interpretação de Textos
    UECE · 2020DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Reinvenção 

    A vida só é possível
    reinventada.


    Anda o sol pelas campinas
    e passeia a mão dourada
    pelas águas, pelas folhas...
    Ah! tudo bolhas
    que vem de fundas piscinas
    de ilusionismo... — mais nada.


    Mas a vida, a vida, a vida,
    a vida só é possível
    reinventada.

    Vem a lua, vem, retira
    as algemas dos meus braços.

    Projeto-me por espaços
    cheios da tua Figura.
    Tudo mentira! Mentira
    da lua, na noite escura.

    Não te encontro, não te alcanço...
    Só — no tempo equilibrada,
    desprendo-me do balanço
    que além do tempo me leva.
    Só — na treva,
    fico: recebida e dada.

    Porque a vida, a vida, a vida,
    a vida só é possível
    reinventada.

    MEIRELES, Cecília. Reinvenção. In. MEIRELES, Cecília.
    Vaga música. São Paulo: Global Editora, 1942.
    Sobre o poema “Reinvenção”, de Cecília Meireles, é correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 802a6fff-92
  • 80283BD4-92

    Português

    Interpretação de Textos
    UECE · 2020FácilEntre para guardar nos favoritos
    Reinvenção 

    A vida só é possível
    reinventada.


    Anda o sol pelas campinas
    e passeia a mão dourada
    pelas águas, pelas folhas...
    Ah! tudo bolhas
    que vem de fundas piscinas
    de ilusionismo... — mais nada.


    Mas a vida, a vida, a vida,
    a vida só é possível
    reinventada.

    Vem a lua, vem, retira
    as algemas dos meus braços.

    Projeto-me por espaços
    cheios da tua Figura.
    Tudo mentira! Mentira
    da lua, na noite escura.

    Não te encontro, não te alcanço...
    Só — no tempo equilibrada,
    desprendo-me do balanço
    que além do tempo me leva.
    Só — na treva,
    fico: recebida e dada.

    Porque a vida, a vida, a vida,
    a vida só é possível
    reinventada.

    MEIRELES, Cecília. Reinvenção. In. MEIRELES, Cecília.
    Vaga música. São Paulo: Global Editora, 1942.
    Ao tratar do tema da vida, o texto apresenta uma
    Escolha uma alternativa para a questão 80283bd4-92
  • 80260443-92

    Português

    Figuras de Linguagem
    UECE · 2020MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 3
    Meu Caro Amigo
    Chico Buarque


    Meu caro amigo, me perdoe, por favor
    Se eu não lhe faço uma visita
    Mas como agora apareceu um portador
    Mando notícias nessa fita

    Aqui na terra tão jogando futebol
    Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
    Uns dias chove, noutros dias bate o sol
    Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa
     [aqui tá preta

    Muita mutreta pra levar a situação
    Que a gente vai levando de teimoso e de
     [pirraça
    E a gente vai tomando que também sem a
     [cachaça

    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu não pretendo provocar
    Nem atiçar suas saudades
    Mas acontece que não posso me furtar
    A lhe contar as novidades

    É pirueta pra cavar o ganha-pão
    Que a gente vai cavando só de birra,
     [só de sarro
    E a gente vai fumando que, também,
     [sem um cigarro
    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu quis até telefonar
    Mas a tarifa não tem graça
    Eu ando aflito pra fazer você ficar
    A par de tudo que se passa

    Muita careta pra engolir a transação
    Que a gente tá engolindo cada sapo no
     [caminho
    E a gente vai se amando que, também,
     [sem um carinho
    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu bem queria lhe
     [escrever
    Mas o correio andou arisco

    Se me permitem, vou tentar lhe remeter
    Notícias frescas nesse disco
    A Marieta manda um beijo para os seus
    Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
    O Francis aproveita pra também mandar
     [lembranças
    A todo o pessoal
    Adeus!


    BUARQUE, Chico. Phonogram, 1976.

    Atente para a relação das seguintes figuras de linguagem, presentes no texto 3, com as respectivas classificações:

    I. “Que a gente tá engolindo cada sapo no caminho” (linha 57-58) — METÁFORA
    II. “Meu caro amigo, eu quis até telefonar/ Mas a tarifa não tem graça” (linhas 52-53) — METONÍMIA
    III. “Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll/ Uns dias chove, noutros dias bate o sol” (linhas 32-33) — EUFEMISMO
    IV. “Mas o correio andou arisco” (linha 64) — CATACRESE

    Estão corretas as classificações contidas em
    Escolha uma alternativa para a questão 80260443-92
  • 8023D7DD-92

    Português

    Coesão e coerência
    UECE · 2020MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 3
    Meu Caro Amigo
    Chico Buarque


    Meu caro amigo, me perdoe, por favor
    Se eu não lhe faço uma visita
    Mas como agora apareceu um portador
    Mando notícias nessa fita

    Aqui na terra tão jogando futebol
    Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
    Uns dias chove, noutros dias bate o sol
    Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa
     [aqui tá preta

    Muita mutreta pra levar a situação
    Que a gente vai levando de teimoso e de
     [pirraça
    E a gente vai tomando que também sem a
     [cachaça

    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu não pretendo provocar
    Nem atiçar suas saudades
    Mas acontece que não posso me furtar
    A lhe contar as novidades

    É pirueta pra cavar o ganha-pão
    Que a gente vai cavando só de birra,
     [só de sarro
    E a gente vai fumando que, também,
     [sem um cigarro
    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu quis até telefonar
    Mas a tarifa não tem graça
    Eu ando aflito pra fazer você ficar
    A par de tudo que se passa

    Muita careta pra engolir a transação
    Que a gente tá engolindo cada sapo no
     [caminho
    E a gente vai se amando que, também,
     [sem um carinho
    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu bem queria lhe
     [escrever
    Mas o correio andou arisco

    Se me permitem, vou tentar lhe remeter
    Notícias frescas nesse disco
    A Marieta manda um beijo para os seus
    Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
    O Francis aproveita pra também mandar
     [lembranças
    A todo o pessoal
    Adeus!


    BUARQUE, Chico. Phonogram, 1976.

    Manifestada por elementos formais que assinalam o vínculo entre os componentes do texto, contribuindo para a construção do sentido intentado pelo autor, a coesão textual é compreendida como a conexão entre palavras, expressões ou frases. Considerando esses aspectos, assinale a afirmação verdadeira.
    Escolha uma alternativa para a questão 8023d7dd-92
  • 8021A3C8-92

    Português

    Gêneros Textuais
    UECE · 2020MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 3
    Meu Caro Amigo
    Chico Buarque


    Meu caro amigo, me perdoe, por favor
    Se eu não lhe faço uma visita
    Mas como agora apareceu um portador
    Mando notícias nessa fita

    Aqui na terra tão jogando futebol
    Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
    Uns dias chove, noutros dias bate o sol
    Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa
     [aqui tá preta

    Muita mutreta pra levar a situação
    Que a gente vai levando de teimoso e de
     [pirraça
    E a gente vai tomando que também sem a
     [cachaça

    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu não pretendo provocar
    Nem atiçar suas saudades
    Mas acontece que não posso me furtar
    A lhe contar as novidades

    É pirueta pra cavar o ganha-pão
    Que a gente vai cavando só de birra,
     [só de sarro
    E a gente vai fumando que, também,
     [sem um cigarro
    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu quis até telefonar
    Mas a tarifa não tem graça
    Eu ando aflito pra fazer você ficar
    A par de tudo que se passa

    Muita careta pra engolir a transação
    Que a gente tá engolindo cada sapo no
     [caminho
    E a gente vai se amando que, também,
     [sem um carinho
    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu bem queria lhe
     [escrever
    Mas o correio andou arisco

    Se me permitem, vou tentar lhe remeter
    Notícias frescas nesse disco
    A Marieta manda um beijo para os seus
    Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
    O Francis aproveita pra também mandar
     [lembranças
    A todo o pessoal
    Adeus!


    BUARQUE, Chico. Phonogram, 1976.

    O texto acima, embora classificado como uma canção, apresenta muitas características dos gêneros
    Escolha uma alternativa para a questão 8021a3c8-92
  • 801EAA6E-92

    Português

    Interpretação de Textos
    UECE · 2020FácilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 3
    Meu Caro Amigo
    Chico Buarque


    Meu caro amigo, me perdoe, por favor
    Se eu não lhe faço uma visita
    Mas como agora apareceu um portador
    Mando notícias nessa fita

    Aqui na terra tão jogando futebol
    Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
    Uns dias chove, noutros dias bate o sol
    Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa
     [aqui tá preta

    Muita mutreta pra levar a situação
    Que a gente vai levando de teimoso e de
     [pirraça
    E a gente vai tomando que também sem a
     [cachaça

    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu não pretendo provocar
    Nem atiçar suas saudades
    Mas acontece que não posso me furtar
    A lhe contar as novidades

    É pirueta pra cavar o ganha-pão
    Que a gente vai cavando só de birra,
     [só de sarro
    E a gente vai fumando que, também,
     [sem um cigarro
    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu quis até telefonar
    Mas a tarifa não tem graça
    Eu ando aflito pra fazer você ficar
    A par de tudo que se passa

    Muita careta pra engolir a transação
    Que a gente tá engolindo cada sapo no
     [caminho
    E a gente vai se amando que, também,
     [sem um carinho
    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu bem queria lhe
     [escrever
    Mas o correio andou arisco

    Se me permitem, vou tentar lhe remeter
    Notícias frescas nesse disco
    A Marieta manda um beijo para os seus
    Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
    O Francis aproveita pra também mandar
     [lembranças
    A todo o pessoal
    Adeus!


    BUARQUE, Chico. Phonogram, 1976.

    Considerando que a letra da canção “Meu caro amigo” foi escrita em 1976, um momento de repressão a qualquer denúncia ao governo e aos abusos estatais ou a manifestações contrárias ao regime, constata-se que Chico Buarque faz da música uma das principais formas de protestar indiretamente, para evitar a censura, espalhar uma mensagem de resistência e conscientizar a população. Fruto de uma parceria com Francis Hime, a canção foi criada como uma tentativa de burlar o regime por meio do envio de notícias do Brasil a seu amigo Augusto Boal, que vivia no exílio em Lisboa. Atente para o que se diz a seguir a respeito dessa canção e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.

    ( ) A expressão “Muita mutreta pra levar a situação” (linha 36) revela o esforço do eu lírico para suportar as dificuldades.
    ( ) O eu lírico mostra que para segurar “esse rojão” (linhas 41, 51 e 61) o remetente da carta busca refúgio em prazeres momentâneos como a cachaça, o cigarro e o amor.
    ( ) O autor cita nomes de pessoas reais: Marieta, Francis e Cecília para organizar um discurso que fala de si próprio, passando a ideia da realidade dentro de uma ficção.
    ( ) O tom formal da mensagem permite identificar uma relação de distanciamento entre o emissor e o seu “caro amigo” (linhas 42, 52, 62).

    A sequência correta, de cima para baixo, é:
    Escolha uma alternativa para a questão 801eaa6e-92
  • 801B8FC8-92

    Português

    Interpretação de Textos
    UECE · 2020MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1 
    Pronominais
    Dê-me um cigarro
    Diz a gramática
    Do professor e do aluno
    E do mulato sabido
    Mas o bom negro e o bom branco
    Da Nação Brasileira
    Dizem todos os dias
    Deixa disso camarada
    Me dá um cigarro.

    ANDRADE, Oswald. Obras completas.
    Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.


    TEXTO 2
    Samba do Arnesto

    O Arnesto nos convidô prum samba,
     [ele mora no Brás
    Nóis fumo e não encontremos ninguém
    Nóis vortemo cuma baita duma reiva
    Da outra veiz nóis num vai mais
    Nóis não semos tatu!
    Outro dia encontremo com o Arnesto
    Que pidiu descurpa mais nóis não aceitemos
    Isso não se faz, Arnesto, nóis não se importa
    Mais você devia ter ponhado um recado na
     [porta
    Anssim: “Ói, turma, num deu prá esperá
    A vez que isso num tem importância,
     [num faz má
    Depois que nóis vai, depois que nóis vorta
    Assinado em cruz porque não sei escrever
    Arnesto"


    BARBOSA, Adoniran, Gravações Elétricas
    Continental S/A, 1953.
    A variação linguística pode revelar muitas informações acerca de quem a está utilizando. Valendo-se desse fenômeno, o autor do texto 2 apresenta o eu lírico como alguém que não domina a norma culta brasileira, por misturar traços da linguagem caipira com a fala de imigrantes italianos de conhecidos bairros paulistas para figurativizar o personagem. Atente para o que se diz a seguir sobre variação linguística:

    I. As línguas têm formas variáveis e há usos de determinada variedade em uma sociedade formada por uma heterogeneidade de falantes advindos de lugares distintos, a exemplo de São Paulo.

    II. Os aspectos mais perceptíveis da variação linguística são a pronúncia e o vocabulário, mas pode-se apontar, no texto 2, variações em todos os níveis da língua.

    III. O fenômeno da variação é complexo e o princípio de adequação à identidade de quem utiliza, a situação comunicativa e outros fatores podem intervir.

    É correto o que se afirma em
    Escolha uma alternativa para a questão 801b8fc8-92
  • 80193082-92

    Português

    Interpretação de Textos
    UECE · 2020MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1 
    Pronominais
    Dê-me um cigarro
    Diz a gramática
    Do professor e do aluno
    E do mulato sabido
    Mas o bom negro e o bom branco
    Da Nação Brasileira
    Dizem todos os dias
    Deixa disso camarada
    Me dá um cigarro.

    ANDRADE, Oswald. Obras completas.
    Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.


    TEXTO 2
    Samba do Arnesto

    O Arnesto nos convidô prum samba,
     [ele mora no Brás
    Nóis fumo e não encontremos ninguém
    Nóis vortemo cuma baita duma reiva
    Da outra veiz nóis num vai mais
    Nóis não semos tatu!
    Outro dia encontremo com o Arnesto
    Que pidiu descurpa mais nóis não aceitemos
    Isso não se faz, Arnesto, nóis não se importa
    Mais você devia ter ponhado um recado na
     [porta
    Anssim: “Ói, turma, num deu prá esperá
    A vez que isso num tem importância,
     [num faz má
    Depois que nóis vai, depois que nóis vorta
    Assinado em cruz porque não sei escrever
    Arnesto"


    BARBOSA, Adoniran, Gravações Elétricas
    Continental S/A, 1953.
    Sobre a explicação dada por Oswald de Andrade para o não emprego da ênclise na fala do português do Brasil, é correto afirmar que o autor
    Escolha uma alternativa para a questão 80193082-92
  • 80141ECF-92

    Português

    Interpretação de Textos
    UECE · 2020FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1 
    Pronominais
    Dê-me um cigarro
    Diz a gramática
    Do professor e do aluno
    E do mulato sabido
    Mas o bom negro e o bom branco
    Da Nação Brasileira
    Dizem todos os dias
    Deixa disso camarada
    Me dá um cigarro.

    ANDRADE, Oswald. Obras completas.
    Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.


    TEXTO 2
    Samba do Arnesto

    O Arnesto nos convidô prum samba,
     [ele mora no Brás
    Nóis fumo e não encontremos ninguém
    Nóis vortemo cuma baita duma reiva
    Da outra veiz nóis num vai mais
    Nóis não semos tatu!
    Outro dia encontremo com o Arnesto
    Que pidiu descurpa mais nóis não aceitemos
    Isso não se faz, Arnesto, nóis não se importa
    Mais você devia ter ponhado um recado na
     [porta
    Anssim: “Ói, turma, num deu prá esperá
    A vez que isso num tem importância,
     [num faz má
    Depois que nóis vai, depois que nóis vorta
    Assinado em cruz porque não sei escrever
    Arnesto"


    BARBOSA, Adoniran, Gravações Elétricas
    Continental S/A, 1953.
    Os textos 1 e 2 se referem ao uso da variante informal da língua portuguesa. O uso dessa variante, em ambos os textos, justifica-se por mostrar ao leitor
    Escolha uma alternativa para a questão 80141ecf-92
  • 6634348B-05

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2020FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, FGV 2020, Interpretação de Textos
    (www.fotografia.folha.uol.com.br)

    O efeito de humor da charge decorre
    Escolha uma alternativa para a questão 6634348b-05
  • 66314CEE-05

    Português

    Morfologia - Pronomes
    FGV · 2020FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia a fábula "O gato e a barata", de Millôr Fernandes, para responder à questão.

         A baratinha velha subiu pelo pé do copo que, ainda com um pouco de vinho, tinha sido largado a um canto da cozinha, desceu pela parte de dentro e começou a lambiscar o vinho. Dada a pequena distância que nas baratas vai da boca ao cérebro, o álcool lhe subiu logo a este. Bêbada, a baratinha caiu dentro do copo. Debateu-se, bebeu mais vinho, ficou mais tonta, debateu-se mais, bebeu mais, tonteou mais e já quase morria quando deparou com o carão do gato doméstico que sorria de sua aflição, do alto do copo.
         – Gatinho, meu gatinho –, pediu ela – me salva, me salva. Me salva que assim que eu sair daqui eu deixo você me engolir inteirinha, como você gosta. Me salva.
         – Você deixa mesmo eu engolir você? – disse o gato.
         – Me saaaalva! – implorou a baratinha. – Eu prometo. 
        O gato então virou o copo com uma pata, o líquido escorreu e com ele a baratinha que, assim que se viu no chão, saiu correndo para o buraco mais perto, onde caiu na gargalhada. 
         – Que é isso? – perguntou o gato. – Você não vai sair daí e cumprir sua promessa? Você disse que deixaria eu comer você inteira.
         – Ah, ah, ah – riu então a barata, sem poder se conter. – E você é tão imbecil a ponto de acreditar na promessa de uma barata velha e bêbada?
        Moral: Às vezes a autodepreciação nos livra do pelotão.

    (Diana Luz Pessoa de Barros. Teoria semiótica do texto, 2005.)
    Quando um sujeito pratica uma ação sobre si mesmo, dizemos que essa ação tem caráter reflexivo.

    Assinale a alternativa em que o pronome sublinhado atribui caráter reflexivo a uma ação.
    Escolha uma alternativa para a questão 66314cee-05
  • 662E5D30-05

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2020MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia a fábula "O gato e a barata", de Millôr Fernandes, para responder à questão.

         A baratinha velha subiu pelo pé do copo que, ainda com um pouco de vinho, tinha sido largado a um canto da cozinha, desceu pela parte de dentro e começou a lambiscar o vinho. Dada a pequena distância que nas baratas vai da boca ao cérebro, o álcool lhe subiu logo a este. Bêbada, a baratinha caiu dentro do copo. Debateu-se, bebeu mais vinho, ficou mais tonta, debateu-se mais, bebeu mais, tonteou mais e já quase morria quando deparou com o carão do gato doméstico que sorria de sua aflição, do alto do copo.
         – Gatinho, meu gatinho –, pediu ela – me salva, me salva. Me salva que assim que eu sair daqui eu deixo você me engolir inteirinha, como você gosta. Me salva.
         – Você deixa mesmo eu engolir você? – disse o gato.
         – Me saaaalva! – implorou a baratinha. – Eu prometo. 
        O gato então virou o copo com uma pata, o líquido escorreu e com ele a baratinha que, assim que se viu no chão, saiu correndo para o buraco mais perto, onde caiu na gargalhada. 
         – Que é isso? – perguntou o gato. – Você não vai sair daí e cumprir sua promessa? Você disse que deixaria eu comer você inteira.
         – Ah, ah, ah – riu então a barata, sem poder se conter. – E você é tão imbecil a ponto de acreditar na promessa de uma barata velha e bêbada?
        Moral: Às vezes a autodepreciação nos livra do pelotão.

    (Diana Luz Pessoa de Barros. Teoria semiótica do texto, 2005.)
    Assinale a alternativa que ilustra um momento em que, em situação de evidente desigualdade, um personagem zomba (tem uma atitude sarcástica) da situação do outro.
    Escolha uma alternativa para a questão 662e5d30-05
  • 662ACCF6-05

    Português

    Gêneros Textuais
    FGV · 2020MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia a fábula "O gato e a barata", de Millôr Fernandes, para responder à questão.

         A baratinha velha subiu pelo pé do copo que, ainda com um pouco de vinho, tinha sido largado a um canto da cozinha, desceu pela parte de dentro e começou a lambiscar o vinho. Dada a pequena distância que nas baratas vai da boca ao cérebro, o álcool lhe subiu logo a este. Bêbada, a baratinha caiu dentro do copo. Debateu-se, bebeu mais vinho, ficou mais tonta, debateu-se mais, bebeu mais, tonteou mais e já quase morria quando deparou com o carão do gato doméstico que sorria de sua aflição, do alto do copo.
         – Gatinho, meu gatinho –, pediu ela – me salva, me salva. Me salva que assim que eu sair daqui eu deixo você me engolir inteirinha, como você gosta. Me salva.
         – Você deixa mesmo eu engolir você? – disse o gato.
         – Me saaaalva! – implorou a baratinha. – Eu prometo. 
        O gato então virou o copo com uma pata, o líquido escorreu e com ele a baratinha que, assim que se viu no chão, saiu correndo para o buraco mais perto, onde caiu na gargalhada. 
         – Que é isso? – perguntou o gato. – Você não vai sair daí e cumprir sua promessa? Você disse que deixaria eu comer você inteira.
         – Ah, ah, ah – riu então a barata, sem poder se conter. – E você é tão imbecil a ponto de acreditar na promessa de uma barata velha e bêbada?
        Moral: Às vezes a autodepreciação nos livra do pelotão.

    (Diana Luz Pessoa de Barros. Teoria semiótica do texto, 2005.)
    A função do texto, considerado o gênero a que pertence, é sobretudo
    Escolha uma alternativa para a questão 662accf6-05
  • 66272EE8-05

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2020MédioEntre para guardar nos favoritos
    Considere o trecho inicial do conto "Uns sábados, uns agostos", de Caio Fernando Abreu, para responder à questão.

          Eles vinham aos sábados, sem telefonar. Não lembro desde quando criou-se o hábito de virem aos sábados, sem telefonar – e de vez em quando isso me irritava, pensando que se quisesse sair para, por exemplo, passear pelo parque ou tomar uma dessas lanchas de turismo que fazem excursões pelas ilhas, não poderia porque eles bateriam com as caras na porta fechada e ficariam ofendidos (eles eram sensíveis) e talvez não voltassem nunca mais. E como, aos sábados, eu jamais faria coisas como ir ao parque ou andar nessas tais lanchas que fazem excursões pelas ilhas, era obrigado a esperá-los, trancado em casa. Certamente os odiava um pouco enquanto não chegavam: um ódio de ter meus sábados totalmente dependentes deles, que não eram eu, e que não viveriam a minha vida por mim – embora eu nunca tivesse conseguido aprender como se vive aos sábados, se é que existe uma maneira específica de atravessá-los.  
    [...]
         E afinal, chovesse ou fizesse sol, sagradamente lá estavam eles, aos sábados. Naturalmente chovesse-ou-fizesse-sol é apenas isso que se convencionou chamar força de expressão, já que há muito tempo não fazia sol, talvez por ser agosto − mas de certa forma é sempre agosto nesta cidade, principalmente aos sábados.
          Não é que fossem chatos. Na verdade, eu nunca soube que critérios de julgamento se pode usar para julgar alguém definitivamente chato, irremediavelmente burro ou irrecuperavelmente desinteressante. Sempre tive uma dificuldade absurda para arrumar prateleiras. Acontece que não tínhamos nada em comum, não que isso tenha importância, mas nossas famílias não se conheciam, então não podíamos falar sobre os meus pais ou os avós deles, sobre os meus tios ou os seus sobrinhos ou qualquer outra dessas combinações genealógicas. Também não sabia que tipo de trabalho faziam, se é que faziam alguma coisa, nem sequer se liam, se estudavam, iam ao cinema, assistiam à televisão ou com que se ocupavam, enfim, além de me visitar aos sábados.

    (Caio Fernando Abreu. Mel e girassóis, 1988. Adaptado.) 
    "[...] para julgar alguém definitivamente chato, irremediavelmente burro ou irrecuperavelmente desinteressante. Sempre tive uma dificuldade absurda para arrumar prateleiras. Acontece que não tínhamos nada em comum, não que [...]" (3° parágrafo).

    Considerado o contexto, a expressão sublinhada pode ser entendida como:
    Escolha uma alternativa para a questão 66272ee8-05
  • 662350D5-05

    Português

    Análise sintática
    FGV · 2020MédioEntre para guardar nos favoritos
    Considere o trecho inicial do conto "Uns sábados, uns agostos", de Caio Fernando Abreu, para responder à questão.

          Eles vinham aos sábados, sem telefonar. Não lembro desde quando criou-se o hábito de virem aos sábados, sem telefonar – e de vez em quando isso me irritava, pensando que se quisesse sair para, por exemplo, passear pelo parque ou tomar uma dessas lanchas de turismo que fazem excursões pelas ilhas, não poderia porque eles bateriam com as caras na porta fechada e ficariam ofendidos (eles eram sensíveis) e talvez não voltassem nunca mais. E como, aos sábados, eu jamais faria coisas como ir ao parque ou andar nessas tais lanchas que fazem excursões pelas ilhas, era obrigado a esperá-los, trancado em casa. Certamente os odiava um pouco enquanto não chegavam: um ódio de ter meus sábados totalmente dependentes deles, que não eram eu, e que não viveriam a minha vida por mim – embora eu nunca tivesse conseguido aprender como se vive aos sábados, se é que existe uma maneira específica de atravessá-los.  
    [...]
         E afinal, chovesse ou fizesse sol, sagradamente lá estavam eles, aos sábados. Naturalmente chovesse-ou-fizesse-sol é apenas isso que se convencionou chamar força de expressão, já que há muito tempo não fazia sol, talvez por ser agosto − mas de certa forma é sempre agosto nesta cidade, principalmente aos sábados.
          Não é que fossem chatos. Na verdade, eu nunca soube que critérios de julgamento se pode usar para julgar alguém definitivamente chato, irremediavelmente burro ou irrecuperavelmente desinteressante. Sempre tive uma dificuldade absurda para arrumar prateleiras. Acontece que não tínhamos nada em comum, não que isso tenha importância, mas nossas famílias não se conheciam, então não podíamos falar sobre os meus pais ou os avós deles, sobre os meus tios ou os seus sobrinhos ou qualquer outra dessas combinações genealógicas. Também não sabia que tipo de trabalho faziam, se é que faziam alguma coisa, nem sequer se liam, se estudavam, iam ao cinema, assistiam à televisão ou com que se ocupavam, enfim, além de me visitar aos sábados.

    (Caio Fernando Abreu. Mel e girassóis, 1988. Adaptado.) 
    "E como, aos sábados, eu jamais faria coisas como ir ao parque ou andar nessas tais lanchas que fazem excursões pelas ilhas, era obrigado a esperá-los, trancado em casa" (1° parágrafo).

    No contexto em que está inserida, a conjunção sublinhada introduz uma oração com sentido de
    Escolha uma alternativa para a questão 662350d5-05
  • 661FFBD9-05

    Português

    Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)
    FGV · 2020FácilEntre para guardar nos favoritos
    Considere o trecho inicial do conto "Uns sábados, uns agostos", de Caio Fernando Abreu, para responder à questão.

          Eles vinham aos sábados, sem telefonar. Não lembro desde quando criou-se o hábito de virem aos sábados, sem telefonar – e de vez em quando isso me irritava, pensando que se quisesse sair para, por exemplo, passear pelo parque ou tomar uma dessas lanchas de turismo que fazem excursões pelas ilhas, não poderia porque eles bateriam com as caras na porta fechada e ficariam ofendidos (eles eram sensíveis) e talvez não voltassem nunca mais. E como, aos sábados, eu jamais faria coisas como ir ao parque ou andar nessas tais lanchas que fazem excursões pelas ilhas, era obrigado a esperá-los, trancado em casa. Certamente os odiava um pouco enquanto não chegavam: um ódio de ter meus sábados totalmente dependentes deles, que não eram eu, e que não viveriam a minha vida por mim – embora eu nunca tivesse conseguido aprender como se vive aos sábados, se é que existe uma maneira específica de atravessá-los.  
    [...]
         E afinal, chovesse ou fizesse sol, sagradamente lá estavam eles, aos sábados. Naturalmente chovesse-ou-fizesse-sol é apenas isso que se convencionou chamar força de expressão, já que há muito tempo não fazia sol, talvez por ser agosto − mas de certa forma é sempre agosto nesta cidade, principalmente aos sábados.
          Não é que fossem chatos. Na verdade, eu nunca soube que critérios de julgamento se pode usar para julgar alguém definitivamente chato, irremediavelmente burro ou irrecuperavelmente desinteressante. Sempre tive uma dificuldade absurda para arrumar prateleiras. Acontece que não tínhamos nada em comum, não que isso tenha importância, mas nossas famílias não se conheciam, então não podíamos falar sobre os meus pais ou os avós deles, sobre os meus tios ou os seus sobrinhos ou qualquer outra dessas combinações genealógicas. Também não sabia que tipo de trabalho faziam, se é que faziam alguma coisa, nem sequer se liam, se estudavam, iam ao cinema, assistiam à televisão ou com que se ocupavam, enfim, além de me visitar aos sábados.

    (Caio Fernando Abreu. Mel e girassóis, 1988. Adaptado.) 
    Considerado o contexto do primeiro parágrafo, o verbo sublinhado indica um acontecimento habitual, frequente, no passado, na frase:
    Escolha uma alternativa para a questão 661ffbd9-05
  • 661CEB9F-05

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2020FácilEntre para guardar nos favoritos
    Considere o trecho inicial do conto "Uns sábados, uns agostos", de Caio Fernando Abreu, para responder à questão.

          Eles vinham aos sábados, sem telefonar. Não lembro desde quando criou-se o hábito de virem aos sábados, sem telefonar – e de vez em quando isso me irritava, pensando que se quisesse sair para, por exemplo, passear pelo parque ou tomar uma dessas lanchas de turismo que fazem excursões pelas ilhas, não poderia porque eles bateriam com as caras na porta fechada e ficariam ofendidos (eles eram sensíveis) e talvez não voltassem nunca mais. E como, aos sábados, eu jamais faria coisas como ir ao parque ou andar nessas tais lanchas que fazem excursões pelas ilhas, era obrigado a esperá-los, trancado em casa. Certamente os odiava um pouco enquanto não chegavam: um ódio de ter meus sábados totalmente dependentes deles, que não eram eu, e que não viveriam a minha vida por mim – embora eu nunca tivesse conseguido aprender como se vive aos sábados, se é que existe uma maneira específica de atravessá-los.  
    [...]
         E afinal, chovesse ou fizesse sol, sagradamente lá estavam eles, aos sábados. Naturalmente chovesse-ou-fizesse-sol é apenas isso que se convencionou chamar força de expressão, já que há muito tempo não fazia sol, talvez por ser agosto − mas de certa forma é sempre agosto nesta cidade, principalmente aos sábados.
          Não é que fossem chatos. Na verdade, eu nunca soube que critérios de julgamento se pode usar para julgar alguém definitivamente chato, irremediavelmente burro ou irrecuperavelmente desinteressante. Sempre tive uma dificuldade absurda para arrumar prateleiras. Acontece que não tínhamos nada em comum, não que isso tenha importância, mas nossas famílias não se conheciam, então não podíamos falar sobre os meus pais ou os avós deles, sobre os meus tios ou os seus sobrinhos ou qualquer outra dessas combinações genealógicas. Também não sabia que tipo de trabalho faziam, se é que faziam alguma coisa, nem sequer se liam, se estudavam, iam ao cinema, assistiam à televisão ou com que se ocupavam, enfim, além de me visitar aos sábados.

    (Caio Fernando Abreu. Mel e girassóis, 1988. Adaptado.) 
    Ao dizer "força de expressão" (2° parágrafo), o narrador informa que não se devem tomar as palavras em seu sentido
    Escolha uma alternativa para a questão 661ceb9f-05
  • 6619D0E9-05

    Português

    Flexão de voz (ativa, passiva, reflexiva)
    FGV · 2020DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto de Teresinha Costa para responder à questão.

         Em História social da criança e da família, Philippe Ariès faz um estudo na Europa, no período compreendido entre a Idade Média e o século XX, para demonstrar como a definição de criança se modificou no decorrer do tempo de acordo com parâmetros ideológicos. Pela análise de pinturas, diários, esculturas e vitrais produzidos na Europa no período anterior aos ideais da Revolução Francesa, Ariès forja a expressão "sentimento da infância" para designar "a consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto". Esse sentimento vai aparecer a partir apenas do século XVII.
    Na Idade Média, a criança era vista como um pequeno adulto, sem características que a diferenciassem, e desconsiderada como alguém merecedor de cuidados especiais. Isso não significava que as crianças fossem até então desprezadas ou negligenciadas, mas sim que não se tinha consciência de uma série de particularidades intelectuais, comportamentais e emocionais que passaram, então, a ser consideradas como inerentes ou até mesmo naturais às crianças. Ariès comenta, inclusive, que os pintores ocidentais reproduziam crianças vestidas como pequenos adultos, e que somente percebemos se tratar de uma criança devido ao seu tamanho reduzido. Nas sociedades agrárias, a infância era um período rapidamente superado e, tão logo a criança adquiria alguma independência, passava a participar da vida dos adultos e de seus trabalhos, jogos e festas.

    (Psicanálise com crianças, 2010.)
    "Isso não significava que as crianças fossem até então desprezadas" (2° parágrafo)

    Se esta frase for transposta para a voz ativa, a locução verbal sublinhada muda para:
    Escolha uma alternativa para a questão 6619d0e9-05
  • 66168106-05

    Português

    Artigos
    FGV · 2020MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto de Teresinha Costa para responder à questão.

         Em História social da criança e da família, Philippe Ariès faz um estudo na Europa, no período compreendido entre a Idade Média e o século XX, para demonstrar como a definição de criança se modificou no decorrer do tempo de acordo com parâmetros ideológicos. Pela análise de pinturas, diários, esculturas e vitrais produzidos na Europa no período anterior aos ideais da Revolução Francesa, Ariès forja a expressão "sentimento da infância" para designar "a consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto". Esse sentimento vai aparecer a partir apenas do século XVII.
    Na Idade Média, a criança era vista como um pequeno adulto, sem características que a diferenciassem, e desconsiderada como alguém merecedor de cuidados especiais. Isso não significava que as crianças fossem até então desprezadas ou negligenciadas, mas sim que não se tinha consciência de uma série de particularidades intelectuais, comportamentais e emocionais que passaram, então, a ser consideradas como inerentes ou até mesmo naturais às crianças. Ariès comenta, inclusive, que os pintores ocidentais reproduziam crianças vestidas como pequenos adultos, e que somente percebemos se tratar de uma criança devido ao seu tamanho reduzido. Nas sociedades agrárias, a infância era um período rapidamente superado e, tão logo a criança adquiria alguma independência, passava a participar da vida dos adultos e de seus trabalhos, jogos e festas.

    (Psicanálise com crianças, 2010.)
    "entre a Idade Média e o século XX" (1º parágrafo)
    "Ariès forja a expressão 'sentimento da infância'" (1º parágrafo)
    "sem características que a diferenciassem" (2º parágrafo)

    As três ocorrências do vocábulo "a" sublinhadas correspondem, respectivamente, a:
    Escolha uma alternativa para a questão 66168106-05
  • 6612C01B-05

    Português

    Interpretação de Textos
    FGV · 2020FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto de Teresinha Costa para responder à questão.

         Em História social da criança e da família, Philippe Ariès faz um estudo na Europa, no período compreendido entre a Idade Média e o século XX, para demonstrar como a definição de criança se modificou no decorrer do tempo de acordo com parâmetros ideológicos. Pela análise de pinturas, diários, esculturas e vitrais produzidos na Europa no período anterior aos ideais da Revolução Francesa, Ariès forja a expressão "sentimento da infância" para designar "a consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto". Esse sentimento vai aparecer a partir apenas do século XVII.
    Na Idade Média, a criança era vista como um pequeno adulto, sem características que a diferenciassem, e desconsiderada como alguém merecedor de cuidados especiais. Isso não significava que as crianças fossem até então desprezadas ou negligenciadas, mas sim que não se tinha consciência de uma série de particularidades intelectuais, comportamentais e emocionais que passaram, então, a ser consideradas como inerentes ou até mesmo naturais às crianças. Ariès comenta, inclusive, que os pintores ocidentais reproduziam crianças vestidas como pequenos adultos, e que somente percebemos se tratar de uma criança devido ao seu tamanho reduzido. Nas sociedades agrárias, a infância era um período rapidamente superado e, tão logo a criança adquiria alguma independência, passava a participar da vida dos adultos e de seus trabalhos, jogos e festas.

    (Psicanálise com crianças, 2010.)
    De acordo com o texto, a pesquisa de Philippe Ariès
    Escolha uma alternativa para a questão 6612c01b-05