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Instituição

Questões: Universidade de São Paulo (USP) — com gabarito

1.072 questões de Universidade de São Paulo (USP), de 2009 a 2024. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 1.072 questões
  • 14 provas

Resultados: 315 questões

Página 13 de 16

  • Linguagens

    Português

    Terça é dia de Veneza revelar as atrações de seu festival anual, cuja 77ª edição começa no dia 2 de setembro, com a dramédia "Lacei", do romano Daniele Luchetti, seguindo até 12/9, com 50 produções internacionais e uma expectativa (extraoficial) de colocar "West Side Story", de Steven Spielberg, na ribalta.

    Rodrigo Fonseca. "À espera dos rugidos de Veneza".

    O Estado de S. Paulo. Julho/2020. Adaptado.


    Um processo de formação de palavras em língua portuguesa é o cruzamento vocabular, em que são misturadas pelo menos duas palavras na formação de uma terceira. A força expressiva dessa nova palavra resulta da síntese de significados e do inesperado da combinação, como é o caso de "dramédia" no texto. Ocorre esse mesmo tipo de formação em

    Escolha uma alternativa para a questão df37a4dd-7b
  • Linguagens

    Português

    Romance LIII ou Das Palavras Aéreas


    Ai, palavras, ai, palavras,

    que estranha potência, a vossa!

    Ai, palavras, ai, palavras,

    sois de vento, ides no vento,

    no vento que não retorna,

    e, em tão rápida existência,

    tudo se forma e transforma!


    Sois de vento, ides no vento,

    e quedais, com sorte nova! (...)


    Ai, palavras, ai, palavras,

    que estranha potência, a vossa!

    Perdão podieis ter sido!

    - sois madeira que se corta,

    - sois vinte degraus de escada,

    - sois um pedaço de corda...

    - sois povo pelas janelas,

    cortejo, bandeiras, tropa...


    Ai, palavras, ai, palavras,

    que estranha potência, a vossa!

    Éreis um sopro na aragem...

    - sois um homem que se enforca!

    Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência

    Ao substituir a pessoa verbal utilizada para se referir ao substantivo "palavras" pela 3ª pessoa do plural, os verbos dos versos "sois de vento, ides no vento," (v. 4) / "Perdão podieis ter sido!" (v. 12) / "Éreis um sopro na aragem..." (v. 20) seriam conjugados conforme apresentado na alternativa:
    Escolha uma alternativa para a questão df3aa985-7b
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    Português

    Romance LIII ou Das Palavras Aéreas


    Ai, palavras, ai, palavras,

    que estranha potência, a vossa!

    Ai, palavras, ai, palavras,

    sois de vento, ides no vento,

    no vento que não retorna,

    e, em tão rápida existência,

    tudo se forma e transforma!


    Sois de vento, ides no vento,

    e quedais, com sorte nova! (...)


    Ai, palavras, ai, palavras,

    que estranha potência, a vossa!

    Perdão podieis ter sido!

    - sois madeira que se corta,

    - sois vinte degraus de escada,

    - sois um pedaço de corda...

    - sois povo pelas janelas,

    cortejo, bandeiras, tropa...


    Ai, palavras, ai, palavras,

    que estranha potência, a vossa!

    Éreis um sopro na aragem...

    - sois um homem que se enforca!

    Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência

    A "estranha potência" que a voz lírica ressalta nas palavras decorre de uma combinação entre
    Escolha uma alternativa para a questão df3db253-7b
  • Linguagens

    Português

    Alferes, Ouro Preto em sombras

    Espera pelo batizado,

    Ainda que tarde sobre a morte do sonhador

    Ainda que tarde sobre as bocas do traidor.

    Raios de sol brilharão nos sinos:

    Dez vias dar.


    Ai Marilia, as liras e o amor

    Não posso mais sufocar

    E a minha voz irá

    Pra muito além do desterro e do sal,

    Maior que a voz do rei.

    Aldir Blanc e João Bosco, trecho da canção "Alferes", de 1973.


    A imagem deTiradentes-a quem Cecília Meireles qualificou "o Alferes imortal, radiosa expressão dos mais altos sonhos desta cidade, do Brasil e do próprio mundo", em palestra feita em Ouro Preto - torna a aparecer como símbolo da luta pela liberdade em vários momentos da cultura nacional. Os versos do letrista Aldir Blanc evocam, em novo contexto, o mártir sonhador para resistir ao discurso

    Escolha uma alternativa para a questão df4146e5-7b
  • Linguagens

    Português

    I


    - Traíste-me, Sem Medo. Tu traíste-me.

    ( ...)

    Sabes o que tu és afinal, Sem Medo? És um ciumento. Chego a pensar se não és homossexual. Tu querias-me só, como tu. Um solitário do Mayombe. (...) Desprezo-te. (...) Nunca me verás atrás de uma garrafa vazia. (...) Cada sucesso que eu tiver, será a paga da tua bofetada, pois não serei um falhado como tu.

    Pepetela, Mayombe. Adaptado.


    II

    - Peço-te perdão, Sem Medo. Não te compreendí, fui um imbecil. E quis igualar o inigualável.

    Pepetela, Mayombe.


    Esses excertos de Mayombe referem-se a conversas entre as personagens Comissário e Sem Medo em momentos distintos do romance. Em I e II, as falas do Comissário revelam, respectivamente,

    Escolha uma alternativa para a questão df443ed4-7b
  • Linguagens

    Português

    Leusipo perguntou o que eu tinha ido fazer na aldeia. Preferi achar que o tom era amistoso e, no meu paternalismo ingênuo, comecei a lhe explicar o que era um romance. Eu tentava convencê-lo de que não havia motivo para preocupação. Tudo o que eu queria saber já era conhecido. E ele me perguntava: "Então, por que você quer saber, se já sabe?" Tentei lhe explicar que pretendia escrever um livro e mais uma vez o que era um romance, o que era um livro de ficção (e mostrava o que tinha nas mãos), que seria tudo historinha, sem nenhuma consequência na realidade. Ele seguia incrédulo. Fazia-se de desentendido, mas na verdade só queria me intimidar. As minhas explicações sobre o romance eram inúteis. Eu tentava dizer que, para os brancos que não acreditam em deuses, a ficção servia de mitologia, era o equivalente dos mitos dos índios, e antes mesmo de terminar a frase, já não sabia se o idiota era ele ou eu. Ele não dizia nada a não ser: "O que você quer com o passado?". Repetia. E, diante da sua insistência bovina, tive de me render à evidência de que eu não sabia responder à sua pergunta.

    Bernardo Carvalho, Nove noites. Adaptado.

    Sem prejuízo de sentido e fazendo as adaptações necessárias, é possível substituir as expressões em destaque no texto, respectivamente, por
    Escolha uma alternativa para a questão df47baf4-7b
  • Linguagens

    Português

    Leusipo perguntou o que eu tinha ido fazer na aldeia. Preferi achar que o tom era amistoso e, no meu paternalismo ingênuo, comecei a lhe explicar o que era um romance. Eu tentava convencê-lo de que não havia motivo para preocupação. Tudo o que eu queria saber já era conhecido. E ele me perguntava: "Então, por que você quer saber, se já sabe?" Tentei lhe explicar que pretendia escrever um livro e mais uma vez o que era um romance, o que era um livro de ficção (e mostrava o que tinha nas mãos), que seria tudo historinha, sem nenhuma consequência na realidade. Ele seguia incrédulo. Fazia-se de desentendido, mas na verdade só queria me intimidar. As minhas explicações sobre o romance eram inúteis. Eu tentava dizer que, para os brancos que não acreditam em deuses, a ficção servia de mitologia, era o equivalente dos mitos dos índios, e antes mesmo de terminar a frase, já não sabia se o idiota era ele ou eu. Ele não dizia nada a não ser: "O que você quer com o passado?". Repetia. E, diante da sua insistência bovina, tive de me render à evidência de que eu não sabia responder à sua pergunta.

    Bernardo Carvalho, Nove noites. Adaptado.

    As respostas do narrador às perguntas de Leusipo são uma tentativa de disfarçar o caráter
    Escolha uma alternativa para a questão df4ae0e6-7b
  • Linguagens

    Português

    Leusipo perguntou o que eu tinha ido fazer na aldeia. Preferi achar que o tom era amistoso e, no meu paternalismo ingênuo, comecei a lhe explicar o que era um romance. Eu tentava convencê-lo de que não havia motivo para preocupação. Tudo o que eu queria saber já era conhecido. E ele me perguntava: "Então, por que você quer saber, se já sabe?" Tentei lhe explicar que pretendia escrever um livro e mais uma vez o que era um romance, o que era um livro de ficção (e mostrava o que tinha nas mãos), que seria tudo historinha, sem nenhuma consequência na realidade. Ele seguia incrédulo. Fazia-se de desentendido, mas na verdade só queria me intimidar. As minhas explicações sobre o romance eram inúteis. Eu tentava dizer que, para os brancos que não acreditam em deuses, a ficção servia de mitologia, era o equivalente dos mitos dos índios, e antes mesmo de terminar a frase, já não sabia se o idiota era ele ou eu. Ele não dizia nada a não ser: "O que você quer com o passado?". Repetia. E, diante da sua insistência bovina, tive de me render à evidência de que eu não sabia responder à sua pergunta.

    Bernardo Carvalho, Nove noites. Adaptado.

    Na cena apresentada, que explora o desconforto gerado pela difícil interlocução com o indígena, o narrador
    Escolha uma alternativa para a questão df4e3a3e-7b
  • Linguagens

    Português

    Rubião fitava a enseada, - eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas em verdade vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora! Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.

    - Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça...

    Machado de Assis, Quincas Borba.


    O primeiro capítulo de Quincas Borba já apresenta ao leitor um elemento que será fundamental na construção do romance:

    Escolha uma alternativa para a questão df51337f-7b
  • Linguagens

    Português

    Remissão


    Tua memória, pasto de poesia,

    tua poesia, pasto dos vulgares,

    vão se engastando numa coisa fria

    a que tu chamas: vida, e seus pesares.


    Mas, pesares de quê? perguntaria,

    se esse travo de angústia nos cantares,

    se o que dorme na base da elegia

    vai correndo e secando pelos ares,


    e nada resta, mesmo, do que escreves

    e te forçou ao exílio das palavras,

    senão contentamento de escrever,


    enquanto o tempo, e suas formas breves

    ou longas, que sutil interpretavas,

    se evapora no fundo do teu ser?

    Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.


    Claro enigma apresenta, por meio do lirismo reflexivo, o posicionamento do escritor perante a sua condição no mundo. Considerando-o como representativo desse seu aspecto, o poema "Remissão"

    Escolha uma alternativa para a questão df54a92b-7b
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, USP 2021, Interpretação de Textos


    O efeito de humor presente nas falas das personagens decorre

    Escolha uma alternativa para a questão df57b6db-7b
  • Linguagens

    Português

    Psicanálise do açúcar


    O açúcar cristal, ou açúcar de usina,

    mostra a mais instável das brancuras:

    quem do Recife sabe direito o quanto,

    e o pouco desse quanto, que ela dura.

    Sabe o mínimo do pouco que o cristal

    se estabiliza cristal sobre o açúcar,

    por cima do fundo antigo, de mascavo,

    do mascavo barrento que se incuba;

    e sabe que tudo pode romper o mínimo

    em que o cristal é capaz de censura:

    pois o tal fundo mascavo logo aflora

    quer inverno ou verão mele o açúcar.


    Só os banguês* que-ainda purgam ainda

    o açúcar bruto com barro, de mistura;

    a usina já não o purga: da infância,

    não de depois de adulto, ela o educa;

    em enfermarias, com vácuos e turbinas,

    em mãos de metal de gente indústria,

    a usina o leva a sublimar em cristal

    o pardo do xarope: não o purga, cura.

    Mas como a cana se cria ainda hoje,

    em mãos de barro de gente agricultura,

    o barrento da pré-infância logo aflora

    quer inverno ou verão mele o açúcar.

    João Cabral de Melo Neto, A Educação pela Pedra.


    *banguê: engenho de açúcar primitivo movido a força animal. 

    Os últimos quatro versos do poema rompem com a série de contrapontos entre a usina e o banguê, pois
    Escolha uma alternativa para a questão df5b7257-7b
  • Linguagens

    Português

    Psicanálise do açúcar


    O açúcar cristal, ou açúcar de usina,

    mostra a mais instável das brancuras:

    quem do Recife sabe direito o quanto,

    e o pouco desse quanto, que ela dura.

    Sabe o mínimo do pouco que o cristal

    se estabiliza cristal sobre o açúcar,

    por cima do fundo antigo, de mascavo,

    do mascavo barrento que se incuba;

    e sabe que tudo pode romper o mínimo

    em que o cristal é capaz de censura:

    pois o tal fundo mascavo logo aflora

    quer inverno ou verão mele o açúcar.


    Só os banguês* que-ainda purgam ainda

    o açúcar bruto com barro, de mistura;

    a usina já não o purga: da infância,

    não de depois de adulto, ela o educa;

    em enfermarias, com vácuos e turbinas,

    em mãos de metal de gente indústria,

    a usina o leva a sublimar em cristal

    o pardo do xarope: não o purga, cura.

    Mas como a cana se cria ainda hoje,

    em mãos de barro de gente agricultura,

    o barrento da pré-infância logo aflora

    quer inverno ou verão mele o açúcar.

    João Cabral de Melo Neto, A Educação pela Pedra.


    *banguê: engenho de açúcar primitivo movido a força animal. 

    Na oração "que ela dura" (v. 4), o pronome sublinhado
    Escolha uma alternativa para a questão df5e0248-7b
  • Linguagens

    Português

        No modelo hegemônico, quase todo o treinamento é reservado para o desenvolvimento muscular, sobrando muito pouco tempo para a mobilidade, a flexibilidade, o treino restaurativo, o relaxamento e o treinamento cardiovascular. Na teoria, seria algo em torno de 70% para o fortalecimento, 20% para o cárdio e 10% para a flexibilidade e outros. Na prática, muitos alunos direcionam 100% do tempo para o fortalecimento.

        Como a prática cardiovascular é infinitamente mais significativa e determinante para a nossa saúde orgânica como um todo, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e saudável, essa ordem deveria ser revista.

    Nuno Cobra Jr. “Fitness não é saúde”. Uol. 06/05/2021. Adaptado.

    Sem alteração de sentido, o segundo parágrafo do texto poderia ser reescrito da seguinte maneira: 
    Escolha uma alternativa para a questão d82dcd22-73
  • Linguagens

    Português

        No modelo hegemônico, quase todo o treinamento é reservado para o desenvolvimento muscular, sobrando muito pouco tempo para a mobilidade, a flexibilidade, o treino restaurativo, o relaxamento e o treinamento cardiovascular. Na teoria, seria algo em torno de 70% para o fortalecimento, 20% para o cárdio e 10% para a flexibilidade e outros. Na prática, muitos alunos direcionam 100% do tempo para o fortalecimento.

        Como a prática cardiovascular é infinitamente mais significativa e determinante para a nossa saúde orgânica como um todo, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e saudável, essa ordem deveria ser revista.

    Nuno Cobra Jr. “Fitness não é saúde”. Uol. 06/05/2021. Adaptado.

    Dentre as expressões destacadas, a que exerce a mesma função sintática do termo sublinhado em “o treino restaurativo, o relaxamento e o treinamento cardiovascular” é: 
    Escolha uma alternativa para a questão d8306d1c-73
  • Linguagens

    Português

    Por narrativas paralelas entende-se um procedimento literário segundo o qual dois ou mais fios narrativos pertencentes a níveis distintos de realidade se desenrolam intercaladamente formando um todo. Considerando-se a sua estrutura, as duas narrativas que podem ser identificadas com base nessa definição são: 
    Escolha uma alternativa para a questão d832f1c5-73
  • Linguagens

    Português

    LEIA OS SEGUINTES TEXTOS DE MACHADO DE ASSIS PARA RESPONDER À QUESTÃO.


    I.

            Suave mari magno*

    Lembra-me que, em certo dia,

    Na rua, ao sol de verão,

    Envenenado morria

            Um pobre cão.


    Arfava, espumava e ria,

    De um riso espúrio e bufão,

    Ventre e pernas sacudia

            Na convulsão.


    Nenhum, nenhum curioso

    Passava, sem se deter,

            Silencioso,


    Junto ao cão que ia morrer,

    Como se lhe desse gozo

            Ver padecer.

                                                    Machado de Assis. Ocidentais. 


    *Expressão latina, retirada de Lucrécio (Da natureza das coisas), a qual aparece no seguinte trecho: Suave, mari magno, turbantibus aequora ventis/ E terra magnum alterius spectare laborem. (“É agradável, enquanto no mar revoltoso os ventos levantam as águas, observar da terra os grandes esforços de um outro.”). 


    II.

        Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.

    Machado de Assis. Quincas Borba, cap. XVIII.


    III.

         Sofia soltou um grito de horror e acordou. Tinha ao pé do leito o marido:

          – Que foi? perguntou ele.

          – Ah! respirou Sofia. Gritei, não gritei?

                                         (...)

       – Sonhei que estavam matando você. Palha ficou enternecido. Havê-la feito padecer por ele, ainda que em sonhos, encheu-o de piedade, mas de uma piedade gostosa, um sentimento particular, íntimo, profundo, – que o faria desejar outros pesadelos, para que o assassinassem aos olhos dela, e para que ela gritasse angustiada, convulsa, cheia de dor e de pavor.

    Machado de Assis. Quincas Borba, cap. CLXI.  

    A visão do eu-lírico no texto I 
    Escolha uma alternativa para a questão d835d11a-73
  • Linguagens

    Português

    LEIA OS SEGUINTES TEXTOS DE MACHADO DE ASSIS PARA RESPONDER À QUESTÃO.


    I.

            Suave mari magno*

    Lembra-me que, em certo dia,

    Na rua, ao sol de verão,

    Envenenado morria

            Um pobre cão.


    Arfava, espumava e ria,

    De um riso espúrio e bufão,

    Ventre e pernas sacudia

            Na convulsão.


    Nenhum, nenhum curioso

    Passava, sem se deter,

            Silencioso,


    Junto ao cão que ia morrer,

    Como se lhe desse gozo

            Ver padecer.

                                                    Machado de Assis. Ocidentais. 


    *Expressão latina, retirada de Lucrécio (Da natureza das coisas), a qual aparece no seguinte trecho: Suave, mari magno, turbantibus aequora ventis/ E terra magnum alterius spectare laborem. (“É agradável, enquanto no mar revoltoso os ventos levantam as águas, observar da terra os grandes esforços de um outro.”). 


    II.

        Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.

    Machado de Assis. Quincas Borba, cap. XVIII.


    III.

         Sofia soltou um grito de horror e acordou. Tinha ao pé do leito o marido:

          – Que foi? perguntou ele.

          – Ah! respirou Sofia. Gritei, não gritei?

                                         (...)

       – Sonhei que estavam matando você. Palha ficou enternecido. Havê-la feito padecer por ele, ainda que em sonhos, encheu-o de piedade, mas de uma piedade gostosa, um sentimento particular, íntimo, profundo, – que o faria desejar outros pesadelos, para que o assassinassem aos olhos dela, e para que ela gritasse angustiada, convulsa, cheia de dor e de pavor.

    Machado de Assis. Quincas Borba, cap. CLXI.  

    A analogia consiste em um recurso de expressão comumente utilizado para ilustrar um raciocínio por meio da semelhança que se observa entre dois fatos ou ideias. No texto II, a analogia construída a partir da imagem do chicote pretende sugerir que 
    Escolha uma alternativa para a questão d839323a-73
  • Linguagens

    Português

    LEIA OS SEGUINTES TEXTOS DE MACHADO DE ASSIS PARA RESPONDER À QUESTÃO.


    I.

            Suave mari magno*

    Lembra-me que, em certo dia,

    Na rua, ao sol de verão,

    Envenenado morria

            Um pobre cão.


    Arfava, espumava e ria,

    De um riso espúrio e bufão,

    Ventre e pernas sacudia

            Na convulsão.


    Nenhum, nenhum curioso

    Passava, sem se deter,

            Silencioso,


    Junto ao cão que ia morrer,

    Como se lhe desse gozo

            Ver padecer.

                                                    Machado de Assis. Ocidentais. 


    *Expressão latina, retirada de Lucrécio (Da natureza das coisas), a qual aparece no seguinte trecho: Suave, mari magno, turbantibus aequora ventis/ E terra magnum alterius spectare laborem. (“É agradável, enquanto no mar revoltoso os ventos levantam as águas, observar da terra os grandes esforços de um outro.”). 


    II.

        Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.

    Machado de Assis. Quincas Borba, cap. XVIII.


    III.

         Sofia soltou um grito de horror e acordou. Tinha ao pé do leito o marido:

          – Que foi? perguntou ele.

          – Ah! respirou Sofia. Gritei, não gritei?

                                         (...)

       – Sonhei que estavam matando você. Palha ficou enternecido. Havê-la feito padecer por ele, ainda que em sonhos, encheu-o de piedade, mas de uma piedade gostosa, um sentimento particular, íntimo, profundo, – que o faria desejar outros pesadelos, para que o assassinassem aos olhos dela, e para que ela gritasse angustiada, convulsa, cheia de dor e de pavor.

    Machado de Assis. Quincas Borba, cap. CLXI.  

    No texto III, ao analisar a interioridade de Palha, o narrador descobre, no pensamento oculto do negociante,
    Escolha uma alternativa para a questão d83d18b4-73
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    Português

    Largo em sentir, em respirar sucinto,

    Peno, e calo, tão fino, e tão atento,

    Que fazendo disfarce do tormento

    Mostro que o não padeço, e sei que o sinto.


    O mal, que fora encubro, ou que desminto,

    Dentro no coração é que o sustento:

    Com que, para penar é sentimento,

    Para não se entender, é labirinto.


    Ninguém sufoca a voz nos seus retiros;

    Da tempestade é o estrondo efeito:

    Lá tem ecos a terra, o mar suspiros.


    Mas oh do meu segredo alto conceito!

    Pois não me chegam a vir à boca os tiros

    Dos combates que vão dentro no peito.

    Gregório de Matos e Guerra


    No soneto, o eu lírico:

    Escolha uma alternativa para a questão d840d9be-73