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Instituição

Questões: Universidade de São Paulo (USP) — com gabarito

1.072 questões de Universidade de São Paulo (USP), de 2009 a 2024. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 1.072 questões
  • 14 provas

Resultados: 315 questões

Página 12 de 16

  • Linguagens

    Português

    O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pera, o damasco e a nêspera?  

                      José de Alencar. Bênção Paterna. Prefácio a Sonhos d’ouro.


    A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome, outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá, as agulhas da juçara com que tece a renda e as tintas de que matiza o algodão.

                                                                               José de Alencar. Iracema.


    Glossário:

    “ará”: periquito; “uru”: cesto; “crautá”: espécie de bromélia; “juçara”: tipo de palmeira espinhosa. 

    Com base nos trechos acima, é adequado afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão d1519199-f2
  • Linguagens

    Português

    O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pera, o damasco e a nêspera?  

                      José de Alencar. Bênção Paterna. Prefácio a Sonhos d’ouro.


    A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome, outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá, as agulhas da juçara com que tece a renda e as tintas de que matiza o algodão.

                                                                               José de Alencar. Iracema.


    Glossário:

    “ará”: periquito; “uru”: cesto; “crautá”: espécie de bromélia; “juçara”: tipo de palmeira espinhosa. 

    No trecho “outras remexe o uru de palha matizada”, a palavra sublinhada expressa ideia de
    Escolha uma alternativa para a questão d1551a12-f2
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, USP 2018, Interpretação de Textos

    Considerando os poemas, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão d158eeb7-f2
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, USP 2018, Figuras de Linguagem

    O oxímoro é uma “figura em que se combinam palavras de sentido oposto que parecem excluir‐se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão” (HOUAISS, 2001). No poema “Sonetilho do falso Fernando Pessoa”, o emprego dessa figura de linguagem ocorre em:
    Escolha uma alternativa para a questão d15ca6d1-f2
  • Linguagens

    Português

    E grita a piranha cor de palha, irritadíssima:

    – Tenho dentes de navalha, e com um pulo de ida‐e‐volta resolvo a questão!...

    – Exagero... – diz a arraia – eu durmo na areia, de ferrão a prumo, e sempre há um descuidoso que vem se espetar.

    – Pois, amigas, – murmura o gimnoto*, mole, carregando a bateria – nem quero pensar no assunto: se eu soltar três pensamentos elétricos, bate‐poço, poço em volta, até vocês duas boiarão mortas...

    *peixe elétrico.


    Esse texto, extraído de Sagarana, de Guimarães Rosa,

    Escolha uma alternativa para a questão d1604f71-f2
  • Linguagens

    Português

    I. Cinquenta anos! Não era preciso confessá‐lo. Já se vai sentindo que o meu estilo não é tão lesto* como nos primeiros dias. Naquela ocasião, cessado o diálogo com o oficial da marinha, que enfiou a capa e saiu, confesso que fiquei um pouco triste. Voltei à sala, lembrou‐me dançar uma polca, embriagar‐ me das luzes, das flores, dos cristais, dos olhos bonitos, e do burburinho surdo e ligeiro das conversas particulares. E não me arrependo; remocei. Mas, meia hora depois, quando me retirei do baile, às quatro da manhã, o que é que fui achar no fundo do carro? Os meus cinquenta anos.  

    *ágil


    II. Meu caro crítico,

         Algumas páginas atrás, dizendo eu que tinha cinquenta anos, acrescentei: “Já se vai sentindo que o meu estilo não é tão lesto como nos primeiros dias”. Talvez aches esta frase incompreensível, sabendo‐se o meu atual estado; mas eu chamo a tua atenção para a sutileza daquele pensamento. O que eu quero dizer não é que esteja agora mais velho do que quando comecei o livro. A morte não envelhece. Quero dizer, sim, que em cada fase da narração da minha vida experimento a sensação correspondente. Valha‐me Deus! é preciso explicar tudo.

                              Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas.

    Entre os doistrechos do romance, nota‐se o movimento que vai da memória de vivências à revisão que o defunto autor faz de um mesmo episódio. A citação, pertencente a outro capítulo do mesmo livro, que melhor sintetiza essa duplicidade narrativa, é:
    Escolha uma alternativa para a questão d163dbf6-f2
  • Linguagens

    Português

    I. Cinquenta anos! Não era preciso confessá‐lo. Já se vai sentindo que o meu estilo não é tão lesto* como nos primeiros dias. Naquela ocasião, cessado o diálogo com o oficial da marinha, que enfiou a capa e saiu, confesso que fiquei um pouco triste. Voltei à sala, lembrou‐me dançar uma polca, embriagar‐ me das luzes, das flores, dos cristais, dos olhos bonitos, e do burburinho surdo e ligeiro das conversas particulares. E não me arrependo; remocei. Mas, meia hora depois, quando me retirei do baile, às quatro da manhã, o que é que fui achar no fundo do carro? Os meus cinquenta anos.  

    *ágil


    II. Meu caro crítico,

         Algumas páginas atrás, dizendo eu que tinha cinquenta anos, acrescentei: “Já se vai sentindo que o meu estilo não é tão lesto como nos primeiros dias”. Talvez aches esta frase incompreensível, sabendo‐se o meu atual estado; mas eu chamo a tua atenção para a sutileza daquele pensamento. O que eu quero dizer não é que esteja agora mais velho do que quando comecei o livro. A morte não envelhece. Quero dizer, sim, que em cada fase da narração da minha vida experimento a sensação correspondente. Valha‐me Deus! é preciso explicar tudo.

                              Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas.

    A passagem final do texto II – “Valha‐me Deus! é preciso explicar tudo.” – denota um elemento presente no estilo do romance, ou seja,
    Escolha uma alternativa para a questão d167bc9f-f2
  • Linguagens

    Inglês

                                 Imagem da questão de Inglês, USP 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension


          What time isit? Thatsimple question probably is asked more often today than ever. In our clock‐studded, cell‐phone society, the answer is never more than a glance away, and so we can blissfully partition our daysinto eversmaller incrementsfor ever more tightly scheduled tasks, confident that we will always know it is 7:03 P.M.

          Modern scientific revelations about time, however, make the question endlessly frustrating. If we seek a precise knowledge of the time, the elusive infinitesimal of “now” dissolves into a scattering flock of nanoseconds. Bound by the speed of light and the velocity of nerve impulses, our perceptions of the present sketch the world as it was an instant ago—for all that our consciousness pretends otherwise, we can never catch up.

          Even in principle, perfect synchronicity escapes us. Relativity dictates that, like a strange syrup, time flows slower on moving trains than in the stations and faster in the mountains than in the valleys. The time for our wristwatch or digital screen is not exactly the same as the time for our head.  

          Our intuitions are deeply paradoxical. Time heals all wounds, but it is also the great destroyer. Time is relative but also relentless. There is time for every purpose under heaven, but there is never enough.  

                                        Scientific American, October 24, 2014. Adaptado.

    No texto, a pergunta “What time is it?” (L. 1), inserida no debate da ciência moderna sobre a noção de tempo,
    Escolha uma alternativa para a questão d16b1341-f2
  • Linguagens

    Inglês

                                 Imagem da questão de Inglês, USP 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension


          What time isit? Thatsimple question probably is asked more often today than ever. In our clock‐studded, cell‐phone society, the answer is never more than a glance away, and so we can blissfully partition our daysinto eversmaller incrementsfor ever more tightly scheduled tasks, confident that we will always know it is 7:03 P.M.

          Modern scientific revelations about time, however, make the question endlessly frustrating. If we seek a precise knowledge of the time, the elusive infinitesimal of “now” dissolves into a scattering flock of nanoseconds. Bound by the speed of light and the velocity of nerve impulses, our perceptions of the present sketch the world as it was an instant ago—for all that our consciousness pretends otherwise, we can never catch up.

          Even in principle, perfect synchronicity escapes us. Relativity dictates that, like a strange syrup, time flows slower on moving trains than in the stations and faster in the mountains than in the valleys. The time for our wristwatch or digital screen is not exactly the same as the time for our head.  

          Our intuitions are deeply paradoxical. Time heals all wounds, but it is also the great destroyer. Time is relative but also relentless. There is time for every purpose under heaven, but there is never enough.  

                                        Scientific American, October 24, 2014. Adaptado.

    No texto, a expressão que melhor representa o caráter supostamente exato do tempo é:
    Escolha uma alternativa para a questão d16f0ae0-f2
  • Linguagens

    Inglês

                                 Imagem da questão de Inglês, USP 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension


          What time isit? Thatsimple question probably is asked more often today than ever. In our clock‐studded, cell‐phone society, the answer is never more than a glance away, and so we can blissfully partition our daysinto eversmaller incrementsfor ever more tightly scheduled tasks, confident that we will always know it is 7:03 P.M.

          Modern scientific revelations about time, however, make the question endlessly frustrating. If we seek a precise knowledge of the time, the elusive infinitesimal of “now” dissolves into a scattering flock of nanoseconds. Bound by the speed of light and the velocity of nerve impulses, our perceptions of the present sketch the world as it was an instant ago—for all that our consciousness pretends otherwise, we can never catch up.

          Even in principle, perfect synchronicity escapes us. Relativity dictates that, like a strange syrup, time flows slower on moving trains than in the stations and faster in the mountains than in the valleys. The time for our wristwatch or digital screen is not exactly the same as the time for our head.  

          Our intuitions are deeply paradoxical. Time heals all wounds, but it is also the great destroyer. Time is relative but also relentless. There is time for every purpose under heaven, but there is never enough.  

                                        Scientific American, October 24, 2014. Adaptado.

    De acordo com o texto, considera‐se contraditório, em relação à percepção humana do tempo,
    Escolha uma alternativa para a questão d172f55c-f2
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, USP 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension

    De acordo com o texto, para ingresso nos Estados Unidos, o cruzamento da fronteira entre este país e o México, no local denominado The Gateway International Bridge, é
    Escolha uma alternativa para a questão d176e693-f2
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, USP 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension

    A frase nominal “this kind of barrier” (L. 14‐15) refere‐se
    Escolha uma alternativa para a questão d17ab622-f2
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, USP 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension

    Segundo o texto, após ingresso nos Estados Unidos, os migrantes que requerem asilo
    Escolha uma alternativa para a questão d17e453b-f2
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, USP 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension

    Com base no texto e nos fatos que envolveram a política imigratória dos EUA em junho de 2018, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão d18266b6-f2
  • Linguagens

    Português

        No modelo hegemônico, quase todo o treinamento é reservado para o desenvolvimento muscular, sobrando muito pouco tempo para a mobilidade, a flexibilidade, o treino restaurativo, o relaxamento e o treinamento cardiovascular. Na teoria, seria algo em torno de 70% para o fortalecimento, 20% para o cárdio e 10% para a flexibilidade e outros. Na prática, muitos alunos direcionam 100% do tempo para o fortalecimento.

        Como a prática cardiovascular é infinitamente mais significativa e determinante para a nossa saúde orgânica como um todo, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e saudável, essa ordem deveria ser revista.

    Nuno Cobra Jr. “Fitness não é saúde”. Uol. 06/05/2021. Adaptado.

    Sem alteração de sentido, o segundo parágrafo do texto poderia ser reescrito da seguinte maneira: 
    Escolha uma alternativa para a questão d82dcd22-73
  • Linguagens

    Português

        No modelo hegemônico, quase todo o treinamento é reservado para o desenvolvimento muscular, sobrando muito pouco tempo para a mobilidade, a flexibilidade, o treino restaurativo, o relaxamento e o treinamento cardiovascular. Na teoria, seria algo em torno de 70% para o fortalecimento, 20% para o cárdio e 10% para a flexibilidade e outros. Na prática, muitos alunos direcionam 100% do tempo para o fortalecimento.

        Como a prática cardiovascular é infinitamente mais significativa e determinante para a nossa saúde orgânica como um todo, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e saudável, essa ordem deveria ser revista.

    Nuno Cobra Jr. “Fitness não é saúde”. Uol. 06/05/2021. Adaptado.

    Dentre as expressões destacadas, a que exerce a mesma função sintática do termo sublinhado em “o treino restaurativo, o relaxamento e o treinamento cardiovascular” é: 
    Escolha uma alternativa para a questão d8306d1c-73
  • Linguagens

    Português

    Por narrativas paralelas entende-se um procedimento literário segundo o qual dois ou mais fios narrativos pertencentes a níveis distintos de realidade se desenrolam intercaladamente formando um todo. Considerando-se a sua estrutura, as duas narrativas que podem ser identificadas com base nessa definição são: 
    Escolha uma alternativa para a questão d832f1c5-73
  • Linguagens

    Português

    LEIA OS SEGUINTES TEXTOS DE MACHADO DE ASSIS PARA RESPONDER À QUESTÃO.


    I.

            Suave mari magno*

    Lembra-me que, em certo dia,

    Na rua, ao sol de verão,

    Envenenado morria

            Um pobre cão.


    Arfava, espumava e ria,

    De um riso espúrio e bufão,

    Ventre e pernas sacudia

            Na convulsão.


    Nenhum, nenhum curioso

    Passava, sem se deter,

            Silencioso,


    Junto ao cão que ia morrer,

    Como se lhe desse gozo

            Ver padecer.

                                                    Machado de Assis. Ocidentais. 


    *Expressão latina, retirada de Lucrécio (Da natureza das coisas), a qual aparece no seguinte trecho: Suave, mari magno, turbantibus aequora ventis/ E terra magnum alterius spectare laborem. (“É agradável, enquanto no mar revoltoso os ventos levantam as águas, observar da terra os grandes esforços de um outro.”). 


    II.

        Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.

    Machado de Assis. Quincas Borba, cap. XVIII.


    III.

         Sofia soltou um grito de horror e acordou. Tinha ao pé do leito o marido:

          – Que foi? perguntou ele.

          – Ah! respirou Sofia. Gritei, não gritei?

                                         (...)

       – Sonhei que estavam matando você. Palha ficou enternecido. Havê-la feito padecer por ele, ainda que em sonhos, encheu-o de piedade, mas de uma piedade gostosa, um sentimento particular, íntimo, profundo, – que o faria desejar outros pesadelos, para que o assassinassem aos olhos dela, e para que ela gritasse angustiada, convulsa, cheia de dor e de pavor.

    Machado de Assis. Quincas Borba, cap. CLXI.  

    A visão do eu-lírico no texto I 
    Escolha uma alternativa para a questão d835d11a-73
  • Linguagens

    Português

    LEIA OS SEGUINTES TEXTOS DE MACHADO DE ASSIS PARA RESPONDER À QUESTÃO.


    I.

            Suave mari magno*

    Lembra-me que, em certo dia,

    Na rua, ao sol de verão,

    Envenenado morria

            Um pobre cão.


    Arfava, espumava e ria,

    De um riso espúrio e bufão,

    Ventre e pernas sacudia

            Na convulsão.


    Nenhum, nenhum curioso

    Passava, sem se deter,

            Silencioso,


    Junto ao cão que ia morrer,

    Como se lhe desse gozo

            Ver padecer.

                                                    Machado de Assis. Ocidentais. 


    *Expressão latina, retirada de Lucrécio (Da natureza das coisas), a qual aparece no seguinte trecho: Suave, mari magno, turbantibus aequora ventis/ E terra magnum alterius spectare laborem. (“É agradável, enquanto no mar revoltoso os ventos levantam as águas, observar da terra os grandes esforços de um outro.”). 


    II.

        Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.

    Machado de Assis. Quincas Borba, cap. XVIII.


    III.

         Sofia soltou um grito de horror e acordou. Tinha ao pé do leito o marido:

          – Que foi? perguntou ele.

          – Ah! respirou Sofia. Gritei, não gritei?

                                         (...)

       – Sonhei que estavam matando você. Palha ficou enternecido. Havê-la feito padecer por ele, ainda que em sonhos, encheu-o de piedade, mas de uma piedade gostosa, um sentimento particular, íntimo, profundo, – que o faria desejar outros pesadelos, para que o assassinassem aos olhos dela, e para que ela gritasse angustiada, convulsa, cheia de dor e de pavor.

    Machado de Assis. Quincas Borba, cap. CLXI.  

    A analogia consiste em um recurso de expressão comumente utilizado para ilustrar um raciocínio por meio da semelhança que se observa entre dois fatos ou ideias. No texto II, a analogia construída a partir da imagem do chicote pretende sugerir que 
    Escolha uma alternativa para a questão d839323a-73
  • Linguagens

    Português

    LEIA OS SEGUINTES TEXTOS DE MACHADO DE ASSIS PARA RESPONDER À QUESTÃO.


    I.

            Suave mari magno*

    Lembra-me que, em certo dia,

    Na rua, ao sol de verão,

    Envenenado morria

            Um pobre cão.


    Arfava, espumava e ria,

    De um riso espúrio e bufão,

    Ventre e pernas sacudia

            Na convulsão.


    Nenhum, nenhum curioso

    Passava, sem se deter,

            Silencioso,


    Junto ao cão que ia morrer,

    Como se lhe desse gozo

            Ver padecer.

                                                    Machado de Assis. Ocidentais. 


    *Expressão latina, retirada de Lucrécio (Da natureza das coisas), a qual aparece no seguinte trecho: Suave, mari magno, turbantibus aequora ventis/ E terra magnum alterius spectare laborem. (“É agradável, enquanto no mar revoltoso os ventos levantam as águas, observar da terra os grandes esforços de um outro.”). 


    II.

        Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.

    Machado de Assis. Quincas Borba, cap. XVIII.


    III.

         Sofia soltou um grito de horror e acordou. Tinha ao pé do leito o marido:

          – Que foi? perguntou ele.

          – Ah! respirou Sofia. Gritei, não gritei?

                                         (...)

       – Sonhei que estavam matando você. Palha ficou enternecido. Havê-la feito padecer por ele, ainda que em sonhos, encheu-o de piedade, mas de uma piedade gostosa, um sentimento particular, íntimo, profundo, – que o faria desejar outros pesadelos, para que o assassinassem aos olhos dela, e para que ela gritasse angustiada, convulsa, cheia de dor e de pavor.

    Machado de Assis. Quincas Borba, cap. CLXI.  

    No texto III, ao analisar a interioridade de Palha, o narrador descobre, no pensamento oculto do negociante,
    Escolha uma alternativa para a questão d83d18b4-73