Pular para o conteúdo

Instituição

Questões: Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) — com gabarito

476 questões de Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), de 2010 a 2024. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 476 questões
  • 8 provas

Resultados: 149 questões

Página 3 de 8

  • Linguagens

    Português

    AS SINHÁS PRETAS DA FOLHA

    Começo a ler o artigo e pauso. Verifico a data do jornal: não é o século 19.

    Thiago Amparo

    Abro este jornal. Nele, um artigo sobre "negras prósperas no ápice da escravidão". Eu pauso. Verifico a data do jornal: não é o século 19. Continuo a leitura. O autor promete "complicar as narrativas de ativistas"; afirma que a "culpada é a época e seus valores diferentes dos nossos"; e que nos traria "maturidade e conciliação" com as "lindas histórias de vida das sinhás pretas".

    Munido da falácia reacionária que lhe é característica, Narloch usa histórias individuais para mascarar a brutalidade do seu argumento: legitimar a escravidão ao relativizá-la. Imagino como se sentiriam as escravas diariamente estupradas lendo seu texto; ou os escravos doentes jogados ao mar: faltou-lhes capitalismo?

    É peculiar da branquitude discutir o horror tomando chá: imagino as horas que serão gastas para se debater, com calma, se a linha editorial da barbárie foi ou não cruzada. Não há zona cinzenta aqui. O problema não é fazer referência a "negras minas" — que eventualmente enriqueceram — ou a outras figuras históricas, o problema é, de forma ao mesmo tempo risível e desonesta, utilizá-las para suavizar a brutalidade da escravidão.

    O que está em jogo é se a pluralidade que este jornal preza inclui racismo. Jornais são documentos históricos: eu me reservo a dignidade derradeira de dizer com todas as letras que a coluna de Leandro Narloch é racista; que publicá-la faz do jornal conivente; e que em algum momento a corda do pluralismo esticou a tal ponto que nos enforcará.

    Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/thiago-amparo/2021/09/as-sinhas-pretas-da-folha.shtml?origin=uol . Acesso em: 15 out. 2021 (adaptado).


    Assinale a alternativa que apresenta a análise correta sobre o texto.
    Escolha uma alternativa para a questão 7decc6d9-04
  • Linguagens

    Português

    Assinale a alternativa correta quanto à colocação pronominal em língua portuguesa.
    Escolha uma alternativa para a questão 7def2444-04
  • Linguagens

    Português

    Leia um trecho de O arquivo, de Victor Giudice.


    No fim de um ano de trabalho, joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos. joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego.

    Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.
     
    No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.

    Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.

    Dois anos mais tarde, veio outra recompensa. [...]

    GIUDICE, Victor. O arquivo. Disponível em: http://victorgiudice.com/contos.html. Acesso em: 23 out. 2021 (fragmento).


    Com relação às características do gênero textual em análise, é correto afirmar que O arquivo apresenta
    Escolha uma alternativa para a questão 7df1a720-04
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UFGD 2022, Interpretação de Textos

    Disponível em: http://blog.usare.com.br/os-melhores-memes-sobre-2020/. Acesso em: 29 out. 2020.

    A partir da análise da imagem, é correto afirmar que, para compreender a mensagem do outdoor,
    Escolha uma alternativa para a questão 7df40b20-04
  • Linguagens

    Português

    Não tomei café, ia andando meio tonta. A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível só ter ar no estômago. Comecei a sentir a boca amarga. Pensei: já não bastam as amarguras da vida? Parece que quando nasci o destino marcou-me para passar fome. Catei um saco de papel. Ia catando tudo que encontrava.  

    JESUS, Carolina Maria de, 1914-1977. Quarto de despejo: diário de uma favelada / Carolina Maria de Jesus; ilustração Vinicius Rossignol Felipe. – 10. ed. – São Paulo : Ática, 2014. 200p. : il.


    Com base nos elementos e na interpretação da obra Quarto de Despejo, Diário de uma Favelada, de Carolina Maria de Jesus, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 7df66c46-04
  • Linguagens

    Português

    Texto I

    GÊNEROS TEXTUAIS

    Autobiografia: [...] narração retrospectiva em prosa que uma pessoa real faz da sua própria existência, uma vez que põe ênfase na sua vida individual, em particular a história da sua personalidade. Ou seja, relatos escritos pelo indivíduo com referência a si próprio (o que exclui as biografias), apresentados como diretamente referenciais (o que exclui os romances) e, por isso, relativos a uma vida inteira ou ao essencial de uma vida (o que exclui ao mesmo tempo as memórias da infância [...] e os diários íntimos).

    Biografia: [...] descrição material, sistemática e histórica dos livros; arrolamento alfabético das obras de um autor ou a seu respeito, de uma época, movimento, tendência, etc. Quando acompanhada de julgamento acerca do conteúdo das obras, recebe o nome de biografia crítica. E as listas em que se enumeram as classificações sistemáticas dos livros chamam-se biografias das biografias.

    Diário: [...] relato de acontecimentos ocorridos durante as vinte e quatro horas do dia. [...] Obedece ao calendário, ao presente fugaz de cada dia, o diário pode ser de vários tipos, conforme a ênfase recaia nos acontecimentos ou nas reflexões que suscitam. Desde os episódios políticos até a pura introspecção, passando pelo registro crítico dos cenários e das peripécias que as viagens propiciam [...].

    MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. 12. ed. rev.,ampl. e atual. São Paulo: Cultrix, pp. 14, 47, 57 e 123-124, 2013.


    Texto II

    [...] A escrita, ao fim e ao cabo, é uma tentativa de compreender as circunstâncias próprias e clarificar a confusão da existência, inquietudes que não atormentam as pessoas normais, só os inconformistas crônicos, muitos dos quais acabam convertidos em escritores depois de terem fracassado em outros ofícios. Esta teoria tirou-me um peso de cima: não sou um monstro, há outros como eu. [...] A raiz do meu problema foi sempre a mesma: incapacidade de aceitar o que a outros parece natural e uma tendência irresistível para emitir opiniões que ninguém deseja ouvir [...]. Mais tarde, durante os meus anos de jornalista, a curiosidade e o atrevimento tiveram algumas vantagens [...].

    ALLENDE, Isabel. Meu país inventado. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.


    Com uma vida marcada pelo golpe militar orquestrado por Augusto Pinochet, o posterior exílio na Venezuela e sua mudança para os Estados Unidos, Isabel Allende nunca mais voltou a viver em seu país natal, o Chile, mesmo após o restabelecimento da democracia. Sobre seu livro Meu País Inventado, é correto afirmar que se trata de
    Escolha uma alternativa para a questão 7df8f368-04
  • Linguagens

    Português

    Texto I

    TOCANDO EM FRENTE
    Almir Sater e Renato Teixeira

    Ando devagar porque já tive pressa
    Levo esse sorriso porque já chorei demais
    Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
    Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
    Eu nada sei

    Conhecer as manhas e as manhãs,
    O sabor das massas e das maçãs,
    É preciso amor pra poder pulsar,
    É preciso paz pra poder sorrir,
    É preciso a chuva para florir

    Penso que cumprir a vida seja simplesmente
    Compreender a marcha e ir tocando em frente
    Como um velho boiadeiro levando a boiada
    Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
    Estrada eu sou
    [...]

    Todo mundo ama um dia
    Todo mundo chora
    Um dia a gente chega
    E no outro vai embora
    Cada um de nós compõe a sua história
    Cada ser em si
    Carrega o dom de ser capaz
    E ser feliz
    [...]

    Disponível em: https://www.cifraclub.com.br/almir-sater/tocando-em-frente/. Acesso em: 28 out. 2021.


    Texto II

    EU LÍRICO [VOZ POÉTICA]

    [...] a poesia, na sua origem, se encontra estreitamente ligada à musicalidade. [...] o “eu” que fala nos versos é “lírico”, ou seja, é um termo que se refere, dentro do contexto da teoria da literatura, à análise de textos escritos em verso; pode ser entendido como a expressão de um “eu” do autor ou de um “eu” fictício, potencializando dinâmicas que conferem, naturalmente, duas avaliações influentes na análise literária. […] Compreende-se que o mundo literário exterioriza, a partir de técnicas artísticas, a sua “irrealidade”, que enquanto “real” produz emoções. Mas é importante entender a função que o irreal exerce na realidade que lhe é extrínseca; essa “realidade irreal” proporciona ao sujeito poético um caráter de autonomia, visto que se erige a partir de um escritor que lhe conferiu emoções e traços que lhe darão autoridade enquanto sujeito artístico do enunciado, índices esses que podem, ou não, ser equivalentes à personalidade do autor da obra de arte.


    NARRADOR

    O narrador é a instância da narrativa que transmite um conhecimento, narrando-o. Qualquer pessoa que conta uma história é um narrador. [...] O narrador faz parte da narrativa. Ele assume a função de um ator na diegese, pode apresentar-se sob a forma do pronome pessoal “eu” [...]; adaptar a identidade de um nome próprio [...] ou manter uma mera voz narrativa, como no caso dos contos populares em que a voz do narrador se faz sentir através da simplicidade de “Era uma vez uma bela princesa que vivia […]”. Em qualquer dos casos, trata-se de um sujeito com existência textual, “ser de papel”, como lhe chamou Barthes, e tem como função relatar eventos que constituem as alterações de estados sofridas por agentes antropomórficos, ou não, e situados no espaço empírico da narrativa.

    NARRADOR. In: E-Dicionário de Termos Literários de Carlos Ceia. Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 2021. Disponível em: https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/narrador/. Acesso em: 28 out. 2021.


    Assinale a alternativa que analisa corretamente a letra da música Tocando em Frente, de Almir Sater e Renato Teixeira.
    Escolha uma alternativa para a questão 7dfb6c4a-04
  • Linguagens

    Português

    [...]

    OTÁVIO – Farra?... Farra vão vê eles lá na fábrica. Sai o aumento nem que seja a tiro!... Querendo podem aproveitá o guarda-chuva, tá furado mas serve... Eu acho graça desses caras, contrariam a lei numa porção de coisas. Na hora de pagá o aumento querem se apoiá na lei. Vai se preparando, Tião. Num dou duas semanas e vai estourá uma bruta greve que eles vão vê se paga ou não [...].

    TIÃO – O senhor parece que tem gosto em prepará greve, pai.

    OTÁVIO – E tenho, tenho mesmo! Tu pensa o quê? Não tem outro jeito, não! É preciso mostrá pra eles que nós tamo organizado. Ou tu pensa que o negócio se resolve só com comissão. Com comissão eles não diminui o lucro deles nem de um tostão! Operário que se dane. Barriga cheia deles é o que importa... (Apontando a garrafa) Não vão querê um golinho?

    MARIA – Sabe, seu Otávio, o Tião resolveu uma coisa...

    TIÃO – É sim, pai. Nós vamos ficá noivo!

    OTÁVIO – Hum!... Se se gosta mesmo é o que tem de fazê!

    TIÃO – Isso não tem dúvida. Daqui dez dias nós fica noivo...

    OTÁVIO – Não tá meio apressado, não?

    TIÃO – Tem de sê mesmo. Vamo fazê logo...

    OTÁVIO – É uma teoria. Só que nós, ó, dinheiro é pouco...

    MARIA – De todo o mundo...

    [...]

    GUARNIERI, Gianfrancesco. Eles não usam black-tie. 35. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.


    A obra Eles não usam black-tie, de autoria de Gianfrancesco Guarnieri, passa-se na década de 1950, no Rio de Janeiro. Tem como tema as mobilizações trabalhistas em busca dos direitos de operários de uma metalúrgica e traz como pano de fundo as reflexões universais entre indivíduos de uma sociedade moderna. Sobre essa peça teatral, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 7dfddb9b-04
  • Linguagens

    Português

    No que se refere à obra A borra do café, de Mario Benedetti, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 7e004418-04
  • Linguagens

    Português

    O conceito de meme data da década de 1970, tendo sido empregado primeiramente de forma despretensiosa por Richard Dawkins em seu livro O Gene Egoísta. Após algumas décadas, o meme se tornou um fenômeno típico da Internet, popularizando-se por meio de coleções de textos, imagens, comportamentos, desafios ou
    memórias.

    Imagem da questão de Português, UFGD 2022, Interpretação de Textos

    Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=mGNq2Rln53Y. Acesso em: 10 nov. 2021.


    Sobre memes e sua interpretação nas relações sociais, é correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 7e07a0b5-04
  • Linguagens

    Português

    A falta regular de atividade física/exercício físico é, sem dúvida alguma, um dos fatores determinantes da epidemia global de excesso de peso e obesidade em todas as faixas etárias. O envolvimento na atividade física regular desde as fases iniciais da vida (na criança), durante a adolescência é benéfica para uma vida adulta saudável.


    ALMEIDA et al. Efeito do exercício físico sobre a composição corporal em crianças e adolescentes, Semioses, v.12, n1, 2018. Disponível em: https://apl.unisuam.edu.br/index.php/semioses/article/view/57. Acesso em: 16 nov. 2021 (fragmento).


    Sobre a relação entre exercício físico e saúde, é correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 7e09f87f-04
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UFGD 2022, Interpretação de Textos

    Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Pensador. Acesso em: 23 nov. 2021.


    No que diz respeito à imagem da obra O Pensador, de Auguste Rodin, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 7e0c7587-04
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho da obra Águas de Manoel de Barros, abaixo transcrito, e resolva a questão.

    Porque as águas deste lugar ainda são espraiadas para o alvoroço dos pássaros.
    Prezo os espraiados destas águas com as suas beijadas garças.
    Nossos rios precisam de idade ainda para formar os seus barrancos Para pousar em seus leitos.
    Penso com humildade que fui convidado para o banquete destas águas.
    Porque sou de bugre. Porque sou de brejo.
    Acho que as águas iniciam os pássaros
    Acho que as águas iniciam as árvores e os peixes E acho que as águas iniciam os homens. Nos iniciam.
    E nos alimentam e nos dessedentam.
    Louvo esta fonte de todos os seres, de todas as plantas, de todas as pedras.
    Louvo as natências do homem do Pantanal.
    Todos somos devedores destas águas.
    Somos todos começos de brejos e de rãs.
    E a fala dos nossos vaqueiros carrega murmúrios destas águas.
    Parece que a fala de nossos vaqueiros tem consoantes líquidas
    E carrega de umidez as suas palavras.
    Penso que os homens deste lugar são a continuação destas águas.
    BARROS, Manoel. Águas. Campo Grande: Sanesul, 2001 (Fragmento).
    Considerando no contexto das tendências dominantes da poesia de Manoel de Barros, no livro Águas, pode-se afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 8b13d4ce-b0
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho da obra Águas de Manoel de Barros, abaixo transcrito, e resolva a questão.

    Porque as águas deste lugar ainda são espraiadas para o alvoroço dos pássaros.
    Prezo os espraiados destas águas com as suas beijadas garças.
    Nossos rios precisam de idade ainda para formar os seus barrancos Para pousar em seus leitos.
    Penso com humildade que fui convidado para o banquete destas águas.
    Porque sou de bugre. Porque sou de brejo.
    Acho que as águas iniciam os pássaros
    Acho que as águas iniciam as árvores e os peixes E acho que as águas iniciam os homens. Nos iniciam.
    E nos alimentam e nos dessedentam.
    Louvo esta fonte de todos os seres, de todas as plantas, de todas as pedras.
    Louvo as natências do homem do Pantanal.
    Todos somos devedores destas águas.
    Somos todos começos de brejos e de rãs.
    E a fala dos nossos vaqueiros carrega murmúrios destas águas.
    Parece que a fala de nossos vaqueiros tem consoantes líquidas
    E carrega de umidez as suas palavras.
    Penso que os homens deste lugar são a continuação destas águas.
    BARROS, Manoel. Águas. Campo Grande: Sanesul, 2001 (Fragmento).
    Sobre o texto, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 8b1a0974-b0
  • Linguagens

    Português

    Com relação a Laços de família, de Clarice Lispector, é correto afirmar:

    I. Nesta coletânea de contos, as personagens - sejam adultos ou adolescentes - debatem-se nas cadeias de violência latente que podem emanar do círculo doméstico. Homens ou mulheres, os laços que os unem são, em sua maioria, elos familiares ao mesmo tempo de afeto e de aprisionamento.
    II. E, como se pouco a pouco se desnudasse uma estratégia, o cotidiano dos personagens de Laços de família, cuja primeira edição data de 1960, vai-se desnudando como um ambiente falsamente estável, em que vidas aparentemente sólidas se desestabilizam de súbito, justo quando o dia-a-dia parecia estar sendo marcado pela ameaça de nada acontecer.
    III. O texto de Clarice Lispector não costuma apresentar ilusória facilidade. Seu vocabulário não é simples, as imagens voltam-se para animais e plantas, quando não para objetos domésticos e situações da vida diária, com frequência numa voltagem de intenso lirismo.

    Assinale a alternativa CORRETA:
    Escolha uma alternativa para a questão 8b2533ed-b0
  • Linguagens

    Português

    Leia o Fragmento baixo:

    Ao chegar pediu o coronel que lhe dessem água do Apa e, ou porque lhe viessem à mente vagas reminiscências históricas, a propósito de caudais célebres, ou porque, após tanto abalo de espírito, experimentasse como que uma agitação febril, disse sorrindo: “Notemos a que hora provamos a água deste rio.” Puxou o relógio, bebeu e acrescentou a gracejar: “Desejo que este incidente seja consignado na história desta expedição, se algum dia a escreverem.” Pareceu empenhado que se lhe fizesse uma promessa em tal sentido. Foi o autor desta narrativa quem, em nome de todos, a tanto se comprometeu, e hoje o cumpre com religiosa exação porque a morte, de que estava o nosso chefe tão próximo, sabe, pela própria natureza enigmática, tudo enobrecer, tudo absolver e consagrar. É neste ponto o Apa correntoso; mas as grandes lajes que lhe calçam o leito como que convidam a entrar em suas belas águas. Foi o que fizeram muitos soldados; passaram vários para a outra margem a dizer que iam conquistar o Paraguai (TAUNAY, 2006, p. 74- 75).
    TAUNAY, Alfredo d'Escragnolle. A Retirada da Laguna. São Paulo: Edições Melhoramentos, 2006 (Fragmento). 

    A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Taunay em A Retirada da Laguna. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque:
    I. o narrador Taunay, embora não seguisse um roteiro organizado da viagem relata a realidade. Desta forma, constrói imagens fortes dos fatos vividos. Toda a imagem construída antes desse fato vivido por Taunay tem apenas a visão do Brasil litorâneo, caracterizado pela presença da Corte naquele local; através do relato ele consegue observar aspectos ainda não explorados e totalmente desconhecidos, usando da sua descrição com objetivo de informar.
    II. Visconde de Taunay (1843-1899) narra um episódio da Guerra do Paraguai, considerada a mais sangrenta da América do Sul. Sua obra destaca o cenário por onde ocorreu um fato histórico (Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai) e é através desse sertão que Taunay mostra a possível busca pelo desconhecido, na qual o que se pode encontrar nem sempre é o que se imagina.
    III. ao narrar num estilo singelo o fracasso dessa expedição militar, Taunay nos leva a refletir sobre questões como heroísmo, honra e dever. Dos 1680 homens que invadiram o Paraguai, apenas 500 voltaram vivos para o Brasil.

    Assinale a alternativa CORRETA:
    Escolha uma alternativa para a questão 8b2a3d41-b0
  • Linguagens

    Português

    Leia a seguinte tirinha do humorista/ cartunista Quino:

    Imagem da questão de Português, UFGD 2016, Interpretação de Textos

    Assinale a alternativa que melhor discute o efeito de humor contido na tirinha:

    Escolha uma alternativa para a questão 8b3089b0-b0
  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão.

    O Repertório e o Mercado 

    O repertório de obras de arte atualmente servido ao público está deteriorado. Grande é o número de artistas que finge ignorar este fato: esta ignorância, verdadeira ou fingida, é crime. Em teatro, são criminosos os elencos cuja preocupação principal consiste em quitandeiramente ganhar alguns cobres servindo aos apetites mais rasteiros das plateias tranquilas; são criminosos todos aqueles que servilmente ficam atentos à última moda parisiense, ao último lançamento londrino, isto é, aqueles que renunciam à sua cidadania artística brasileira e se transformam em repetidores da arte alheia; são criminosos aqueles que apresentam sempre e apenas visões róseas do mundo através de universos feéricos das peças de boulevard, ou do psicologismo anglo-saxônico que tende a reduzir os mais graves problemas sociais e políticos a desajustes neuróticos de uns poucos cidadãos. 
    São criminosos os fabricantes irresponsáveis de comedietas idiotas que, segundo a publicidade, “até parecem italianas." Estes são criminosos e não são artistas porque arte é sempre a manifestação sensorial da verdade e não estará dizendo a verdade o artista que constantemente ignore a guerra de genocídio do Vietnã, que ignore o lento assassinato pela fome de milhões de brasileiros no Norte, no Sul, no Centro, no Nordeste e no Centro-Oeste—estas são verdades nacionais e humanas que nenhuma mensagem presidencial, por mais esperta que seja, fará esquecer. Por que são tantos os grupos teatrais que se dedicam ao teatro apodrecido, ao teatro da mentira, corruptor? Tirante os pulhas por convicção, existem também os pulhas por comodismo. Os primeiros acreditam na conquista do mercado ainda que para isso seja necessário produzir "sob medida" para o rápido consumo. (...) O mercado é o demiurgo da arte—este lugar comum já foi destruído (...) entre o artista e o consumidor, numa sociedade capitalista, insere-se o mediador-capital, o mediado-patrocinador. O dinheiro, este sim, é o verdadeiro demiurgo do gosto artístico posto em prática.
    O mercado consumidor de teatro é, em última análise, o fator determinante do conteúdo e da forma da obra de arte, da arte-mercadoria. E esse mercado, nos principais centros urbanos do país, é formado pela alta classe média, e daí para cima. O povo e a sua temática estão aprioristicamente excluídos. Este fato grave tem deformado a perspectiva criadora da maioria dos nossos artistas, que se atrelam aos desejos mais imediatos de "corte burguesa," da qual se tornam servis palhaços, praticando um teatro de classe, isto é, um teatro da classe proprietária, da classe opressora. A consequência lógica é uma arte de opressão.

    Adaptado de BOAL, Augusto. “Que Pensa Você da Arte de Esquerda?”. Latin American Theatre Review. Primavera de 1970, p. 46-47.
    Assinale a alternativa incorreta quanto à interpretação do texto acima:
    Escolha uma alternativa para a questão 8b35acba-b0
  • Linguagens

    Português

    Texto para a questão.

    O Repertório e o Mercado 

    O repertório de obras de arte atualmente servido ao público está deteriorado. Grande é o número de artistas que finge ignorar este fato: esta ignorância, verdadeira ou fingida, é crime. Em teatro, são criminosos os elencos cuja preocupação principal consiste em quitandeiramente ganhar alguns cobres servindo aos apetites mais rasteiros das plateias tranquilas; são criminosos todos aqueles que servilmente ficam atentos à última moda parisiense, ao último lançamento londrino, isto é, aqueles que renunciam à sua cidadania artística brasileira e se transformam em repetidores da arte alheia; são criminosos aqueles que apresentam sempre e apenas visões róseas do mundo através de universos feéricos das peças de boulevard, ou do psicologismo anglo-saxônico que tende a reduzir os mais graves problemas sociais e políticos a desajustes neuróticos de uns poucos cidadãos. 
    São criminosos os fabricantes irresponsáveis de comedietas idiotas que, segundo a publicidade, “até parecem italianas." Estes são criminosos e não são artistas porque arte é sempre a manifestação sensorial da verdade e não estará dizendo a verdade o artista que constantemente ignore a guerra de genocídio do Vietnã, que ignore o lento assassinato pela fome de milhões de brasileiros no Norte, no Sul, no Centro, no Nordeste e no Centro-Oeste—estas são verdades nacionais e humanas que nenhuma mensagem presidencial, por mais esperta que seja, fará esquecer. Por que são tantos os grupos teatrais que se dedicam ao teatro apodrecido, ao teatro da mentira, corruptor? Tirante os pulhas por convicção, existem também os pulhas por comodismo. Os primeiros acreditam na conquista do mercado ainda que para isso seja necessário produzir "sob medida" para o rápido consumo. (...) O mercado é o demiurgo da arte—este lugar comum já foi destruído (...) entre o artista e o consumidor, numa sociedade capitalista, insere-se o mediador-capital, o mediado-patrocinador. O dinheiro, este sim, é o verdadeiro demiurgo do gosto artístico posto em prática.
    O mercado consumidor de teatro é, em última análise, o fator determinante do conteúdo e da forma da obra de arte, da arte-mercadoria. E esse mercado, nos principais centros urbanos do país, é formado pela alta classe média, e daí para cima. O povo e a sua temática estão aprioristicamente excluídos. Este fato grave tem deformado a perspectiva criadora da maioria dos nossos artistas, que se atrelam aos desejos mais imediatos de "corte burguesa," da qual se tornam servis palhaços, praticando um teatro de classe, isto é, um teatro da classe proprietária, da classe opressora. A consequência lógica é uma arte de opressão.

    Adaptado de BOAL, Augusto. “Que Pensa Você da Arte de Esquerda?”. Latin American Theatre Review. Primavera de 1970, p. 46-47.
    No trecho “Em teatro, são criminosos os elencos cuja preocupação principal consiste em quitandeiramente ganhar alguns cobres servindo aos apetites mais rasteiros das plateias tranquilas (...)” o termo “quitandeiramente” se refere a:
    Escolha uma alternativa para a questão 8b3a0c63-b0
  • Linguagens

    Português

    Ao final da peça “Quase ministro”, o personagem Silveira narra uma história que é uma espécie de alegoria de tudo o que aconteceu anteriormente na peça:

    SILVEIRA Mas esperem: onde vão? Ouçam ao menos uma história. É pequena, mas conceituosa. Um dia anunciou-se um suplício. Toda gente correu a ver o espetáculo feroz. Ninguém ficou em casa: velhos, moços, homens, mulheres, crianças, tudo invadiu a praça destinada à execução. Mas, porque viesse o perdão à última hora, o espetáculo não se deu e a forca ficou vazia. Mais ainda: o enforcado, isto é, o condenado, foi em pessoa à praça pública dizer que estava salvo e confundir com o povo as lágrimas de satisfação. Houve um rumor geral, depois um grito, mais dez, mais cem, mais mil romperam de todos os ângulos da praça, e uma chuva de pedras deu ao condenado a morte de que o salvara a real clemência.
    ASSIS, Machado de. Quase Ministro. In: Teatro de Machado de Assis. Org. João Roberto Faria. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. 26.

    O período “Mas, porque viesse o perdão à última hora, o espetáculo não se deu e a forca ficou vazia” pode ser mais adequadamente parafraseado, sem prejuízo das relações de causa e consequência originais, por:
    Escolha uma alternativa para a questão 8b3d03bf-b0