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Prova

Prova de 2008: Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) — questões com gabarito

108 questões da prova de 2008 de Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Português, Matemática, Biologia, Física e mais matérias. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 108 questões
  • 11 matérias

Resultados: 21 questões

Página 1 de 2

  • Linguagens

    Português

    Fobias

            Não sei como se chamaria o medo de não ter o que ler. Existem as conhecidas claustrofobia (medo de lugares fechados), agorafobia (medo de espaços abertos), acrofobia (medo de altura), collorfobia (medo do que ele vai nos aprontar agora) e as menos conhecidas ailurofobia (medo de gatos), iatrofobia (medo de médicos) e até treiskaidekafobia (medo do número treze), mas o pânico de estar, por exemplo, num quarto de hotel, com insônia, sem nada para ler não sei que nome tem. É uma das minhas neuroses. O vício que lhe dá origem é a gutembergomania, uma dependência patológica na palavra impressa. Na falta dela, qualquer palavra serve. Já saí de cama de hotel no meio da noite e entrei no banheiro para ver se as torneiras tinham “Frio” e “Quente” escritos por extenso, para saciar minha sede de letras. Já ajeitei o travesseiro, ajustei a luz e abri a lista telefônica, tentando me convencer que, pelo menos no número de personagens, seria um razoável substituto para um romance russo. Já revirei cobertores e lençóis, à procura de uma etiqueta, qualquer coisa.
            Alguns hotéis brasileiros imitam os americanos e deixam uma Bíblia no quarto, e ela tem sido a minha salvação, embora não no modo pretendido. Nada como um best-seller numa hora dessas. A Bíblia tem tudo para acompanhar uma insônia: enredo fantástico, grandes personagens, romance, o sexo em todas as suas formas, ação, paixão, violência – e uma mensagem positiva. Recomendo “Gênesis” pelo ímpeto narrativo, “O cântico dos cânticos” pela poesia e “Isaías” e “João” pela força dramática, mesmo que seja difícil dormir depois do Apocalipse.
            Mas, e quando não tem nem a Bíblia? Uma vez liguei para a telefonista de madrugada e pedi uma Amiga.
            - Desculpe, cavalheiro, mas o hotel não fornece companhia feminina...
            - Você não entendeu! Eu quero uma revista Amiga, Capricho, Vida Rotariana, qualquer coisa.
            - Infelizmente, não tenho nenhuma revista.
            - Não é possível! O que você faz durante a noite?
            - Tricô.
            Uma esperança!
            - Com manual?
            - Não. Danação.
            - Você não tem nada para ler?
            - Bem ... Tem uma carta da mamãe.
            - Manda!

    (VERÍSSIMO, L. F. Comédias para se ler na escola. São Paulo: Objetiva, 2001.)

    Sobre as ideias do texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.


    ( ) A Bíblia foi denominada best-seller pelo narrador por ser uma obra muito vendida em todo mundo.

    ( ) O narrador chamou seu problema de gutembergomania, relacionando-o a Gutemberg, inventor da imprensa no século XV.

    ( ) A recomendação, de maneira enfática e precisa, de algumas partes da Bíblia mostra que o narrador conhece a obra.

    ( ) O narrador solicitou uma companhia feminina, pois estava com insônia, sozinho em um quarto de hotel.


    Assinale a sequência correta.

    Escolha uma alternativa para a questão 36cb0329-e6
  • Linguagens

    Português

    Fobias

            Não sei como se chamaria o medo de não ter o que ler. Existem as conhecidas claustrofobia (medo de lugares fechados), agorafobia (medo de espaços abertos), acrofobia (medo de altura), collorfobia (medo do que ele vai nos aprontar agora) e as menos conhecidas ailurofobia (medo de gatos), iatrofobia (medo de médicos) e até treiskaidekafobia (medo do número treze), mas o pânico de estar, por exemplo, num quarto de hotel, com insônia, sem nada para ler não sei que nome tem. É uma das minhas neuroses. O vício que lhe dá origem é a gutembergomania, uma dependência patológica na palavra impressa. Na falta dela, qualquer palavra serve. Já saí de cama de hotel no meio da noite e entrei no banheiro para ver se as torneiras tinham “Frio” e “Quente” escritos por extenso, para saciar minha sede de letras. Já ajeitei o travesseiro, ajustei a luz e abri a lista telefônica, tentando me convencer que, pelo menos no número de personagens, seria um razoável substituto para um romance russo. Já revirei cobertores e lençóis, à procura de uma etiqueta, qualquer coisa.
            Alguns hotéis brasileiros imitam os americanos e deixam uma Bíblia no quarto, e ela tem sido a minha salvação, embora não no modo pretendido. Nada como um best-seller numa hora dessas. A Bíblia tem tudo para acompanhar uma insônia: enredo fantástico, grandes personagens, romance, o sexo em todas as suas formas, ação, paixão, violência – e uma mensagem positiva. Recomendo “Gênesis” pelo ímpeto narrativo, “O cântico dos cânticos” pela poesia e “Isaías” e “João” pela força dramática, mesmo que seja difícil dormir depois do Apocalipse.
            Mas, e quando não tem nem a Bíblia? Uma vez liguei para a telefonista de madrugada e pedi uma Amiga.
            - Desculpe, cavalheiro, mas o hotel não fornece companhia feminina...
            - Você não entendeu! Eu quero uma revista Amiga, Capricho, Vida Rotariana, qualquer coisa.
            - Infelizmente, não tenho nenhuma revista.
            - Não é possível! O que você faz durante a noite?
            - Tricô.
            Uma esperança!
            - Com manual?
            - Não. Danação.
            - Você não tem nada para ler?
            - Bem ... Tem uma carta da mamãe.
            - Manda!

    (VERÍSSIMO, L. F. Comédias para se ler na escola. São Paulo: Objetiva, 2001.)
    O narrador afirma que Alguns hotéis brasileiros imitam os americanos e deixam uma Bíblia no quarto, e ela tem sido a minha salvação, embora não no modo pretendido. o trecho assinalado sugere que a Bíblia é colocada nos quartos de hotel para
    Escolha uma alternativa para a questão 36d353f9-e6
  • Linguagens

    Português

    Fobias

            Não sei como se chamaria o medo de não ter o que ler. Existem as conhecidas claustrofobia (medo de lugares fechados), agorafobia (medo de espaços abertos), acrofobia (medo de altura), collorfobia (medo do que ele vai nos aprontar agora) e as menos conhecidas ailurofobia (medo de gatos), iatrofobia (medo de médicos) e até treiskaidekafobia (medo do número treze), mas o pânico de estar, por exemplo, num quarto de hotel, com insônia, sem nada para ler não sei que nome tem. É uma das minhas neuroses. O vício que lhe dá origem é a gutembergomania, uma dependência patológica na palavra impressa. Na falta dela, qualquer palavra serve. Já saí de cama de hotel no meio da noite e entrei no banheiro para ver se as torneiras tinham “Frio” e “Quente” escritos por extenso, para saciar minha sede de letras. Já ajeitei o travesseiro, ajustei a luz e abri a lista telefônica, tentando me convencer que, pelo menos no número de personagens, seria um razoável substituto para um romance russo. Já revirei cobertores e lençóis, à procura de uma etiqueta, qualquer coisa.
            Alguns hotéis brasileiros imitam os americanos e deixam uma Bíblia no quarto, e ela tem sido a minha salvação, embora não no modo pretendido. Nada como um best-seller numa hora dessas. A Bíblia tem tudo para acompanhar uma insônia: enredo fantástico, grandes personagens, romance, o sexo em todas as suas formas, ação, paixão, violência – e uma mensagem positiva. Recomendo “Gênesis” pelo ímpeto narrativo, “O cântico dos cânticos” pela poesia e “Isaías” e “João” pela força dramática, mesmo que seja difícil dormir depois do Apocalipse.
            Mas, e quando não tem nem a Bíblia? Uma vez liguei para a telefonista de madrugada e pedi uma Amiga.
            - Desculpe, cavalheiro, mas o hotel não fornece companhia feminina...
            - Você não entendeu! Eu quero uma revista Amiga, Capricho, Vida Rotariana, qualquer coisa.
            - Infelizmente, não tenho nenhuma revista.
            - Não é possível! O que você faz durante a noite?
            - Tricô.
            Uma esperança!
            - Com manual?
            - Não. Danação.
            - Você não tem nada para ler?
            - Bem ... Tem uma carta da mamãe.
            - Manda!

    (VERÍSSIMO, L. F. Comédias para se ler na escola. São Paulo: Objetiva, 2001.)
    Tome o trecho: O vício que lhe dá origem é a gutembergomania, uma dependência patológica na palavra impressa. Assinale a alternativa que NÃO apresenta relação correta entre a palavra do trecho e sua classificação morfológica.
    Escolha uma alternativa para a questão 36db37da-e6
  • Linguagens

    Português

    Fobias

            Não sei como se chamaria o medo de não ter o que ler. Existem as conhecidas claustrofobia (medo de lugares fechados), agorafobia (medo de espaços abertos), acrofobia (medo de altura), collorfobia (medo do que ele vai nos aprontar agora) e as menos conhecidas ailurofobia (medo de gatos), iatrofobia (medo de médicos) e até treiskaidekafobia (medo do número treze), mas o pânico de estar, por exemplo, num quarto de hotel, com insônia, sem nada para ler não sei que nome tem. É uma das minhas neuroses. O vício que lhe dá origem é a gutembergomania, uma dependência patológica na palavra impressa. Na falta dela, qualquer palavra serve. Já saí de cama de hotel no meio da noite e entrei no banheiro para ver se as torneiras tinham “Frio” e “Quente” escritos por extenso, para saciar minha sede de letras. Já ajeitei o travesseiro, ajustei a luz e abri a lista telefônica, tentando me convencer que, pelo menos no número de personagens, seria um razoável substituto para um romance russo. Já revirei cobertores e lençóis, à procura de uma etiqueta, qualquer coisa.
            Alguns hotéis brasileiros imitam os americanos e deixam uma Bíblia no quarto, e ela tem sido a minha salvação, embora não no modo pretendido. Nada como um best-seller numa hora dessas. A Bíblia tem tudo para acompanhar uma insônia: enredo fantástico, grandes personagens, romance, o sexo em todas as suas formas, ação, paixão, violência – e uma mensagem positiva. Recomendo “Gênesis” pelo ímpeto narrativo, “O cântico dos cânticos” pela poesia e “Isaías” e “João” pela força dramática, mesmo que seja difícil dormir depois do Apocalipse.
            Mas, e quando não tem nem a Bíblia? Uma vez liguei para a telefonista de madrugada e pedi uma Amiga.
            - Desculpe, cavalheiro, mas o hotel não fornece companhia feminina...
            - Você não entendeu! Eu quero uma revista Amiga, Capricho, Vida Rotariana, qualquer coisa.
            - Infelizmente, não tenho nenhuma revista.
            - Não é possível! O que você faz durante a noite?
            - Tricô.
            Uma esperança!
            - Com manual?
            - Não. Danação.
            - Você não tem nada para ler?
            - Bem ... Tem uma carta da mamãe.
            - Manda!

    (VERÍSSIMO, L. F. Comédias para se ler na escola. São Paulo: Objetiva, 2001.)
    Sobre aspectos da sintaxe em Uma vez liguei para a telefonista de madrugada e pedi uma Amiga., assinale a afirmativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 36e35194-e6
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UFMT 2008, Interpretação de Textos


    (ABAURRE, M. L. M. et alii. Português: contexto, interlocução e sentido.São Paulo: Moderna, 2008, p. 236.)

    Que intencionalidade estrutura o texto?
    Escolha uma alternativa para a questão 36f34c56-e6
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UFMT 2008, Denotação e Conotação


    (ABAURRE, M. L. M. et alii. Português: contexto, interlocução e sentido.São Paulo: Moderna, 2008, p. 236.)

    A respeito da construção da peça publicitária, analise as afirmativas abaixo.


    I - O produtor coloca em relevância o aspecto gráfico, utilizando palavras escritas com nuanças de cinza e letras com tipologias diferentes.

    II - A escolha lexical, somada à maneira como são apresentadas as palavras, aumenta o efeito persuasivo do texto.

    III - Um jogo de palavras cria duas possibilidades de leitura para o termo polígamo: uma denotativa – casar com mais de um elemento; e uma outra conotativa – ser usado de várias formas.


    Está correto o que se afirma em

    Escolha uma alternativa para a questão 36fb0d82-e6
  • Linguagens

    Português

    A coluna da esquerda apresenta provérbios e a da direita, uma leitura possível para cada um. Numere a coluna da direita de acordo com a da esquerda.


    1-Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

    2-Camarão que dorme a onda leva.

    3-Quem semeia vento colhe tempestade.

    4-Em terra de cego, quem tem um olho é rei.


    ( ) As pessoas arcam com as consequências dos próprios atos.

    ( ) No meio de ignorantes, quem sabe pouco é sábio.

    ( ) O sofrimento alheio não nos faz sofrer, porque não nos afeta.

    ( ) Se não estiver atento a sua volta, será passado para trás


    Assinale a sequência correta

    Escolha uma alternativa para a questão 37056cea-e6
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UFMT 2008, Interpretação de Textos


    (CIPRO NETO, P. e INFANTE, U. Gramática da língua portuguesa. São Paulo: Scipione, 2003, p. 406.)

    Sobre os sentidos do texto, assinale a afirmativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 370df10d-e6
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UFMT 2008, Coesão e coerência


    (CIPRO NETO, P. e INFANTE, U. Gramática da língua portuguesa. São Paulo: Scipione, 2003, p. 406.)

    Sobre os recursos linguísticos e textuais, assinale a afirmativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 3714dc62-e6
  • Linguagens

    Português

    Leia trecho de Dom Casmurro, de Machado de Assis, para responder à questão. 


    A DENÚNCIA


        Ia a entrar na sala de visitas, quando ouvi proferir o meu nome e escondi-me atrás da porta. A casa era a da Rua de Matacavalos. O mês novembro, o ano é que é um tanto remoto, mas eu não hei de trocar as datas à minha vida só para agradar as pessoas que não amam histórias velhas; o ano era de 1857.

        – D. Glória, a senhora persiste na idéia de meter o nosso Bentinho no seminário? É mais que tempo, e já agora pode haver uma dificuldade.

        – Que dificuldade?

        – Uma grande dificuldade.

        Minha mãe quis saber o que era. José Dias, depois de alguns instantes de concentração, veio ver se havia alguém no corredor; não deu por mim, voltou e, abafando a voz, disse que a dificuldade estava na casa ao pé, a gente do Pádua.

        – A gente do Pádua?

        – Há algum tempo estou para lhe dizer isto, mas não me atrevia. Não me parece bonito que o nosso Bentinho ande metido nos cantos com a filha do Tartaruga, e esta é a dificuldade, porque se eles pegam de namoro, a senhora terá muito que lutar para separá-los.

        – Não acho. Metidos nos cantos?

        – É um modo de falar. Em segredinhos, sempre juntos. Bentinho quase que não sai de lá. A pequena é uma desmiolada; o pai faz que não vê; tomara ele que as coisas andassem de tal maneira, que... Compreendo o seu gesto, a senhora não crê em tais cálculos, parece-lhe que todos têm a alma cândida...

        – Mas, Sr. José Dias, tenho visto os pequenos brincando, e nunca vi nada que faça desconfiar. Basta a idade: Bentinho mal tem quinze anos. Capitu fez quatorze à semana passada; são dois criançolas. Não se esqueça que foram criados juntos, desde aquela grande enchente, há dez anos, em que a família do Pádua perdeu tanta coisa; daí vieram as nossas relações. Pois eu hei de crer?... Mano Cosme, você que acha?

        Tio Cosme respondeu com um “Ora!” que, traduzido em vulgar, queria dizer. “São imaginações de José Dias; os pequenos divertem-se, eu divirto-me; onde está o gamão?”

         – Sim, creio que o senhor está enganado.

         – Pode ser, minha senhora. Oxalá tenham razão; mas creia que não falei senão depois de muito examinar... ......................................................................................................................................................................................................................

    José Dias desculpava-se: “Se soubesse, não tinha falado, mas falei pela veneração, pela estima, pelo afeto, para cumprir um dever amargo, um dever amaríssimo...” 

    Em relação às opiniões da personagem machadiana José Dias, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.


    ( ) Namoro com Bentinho representa oportunidade de ascensão social para a gente do Pádua.

    ( ) Descuido do Tartaruga na vigilância da filha era intencional, puro cálculo.

    ( ) Projeto de fazer Bentinho padre pode ser dificultado por eventual namoro com Capitu.

    ( ) Dona Glória acreditava na capacidade do Pádua fazer cálculos, planejar um futuro melhor para Capitu.


    Assinale a seqüência correta.

    Escolha uma alternativa para a questão 8075a241-df
  • Linguagens

    Português

    Leia trecho de Dom Casmurro, de Machado de Assis, para responder à questão. 


    A DENÚNCIA


        Ia a entrar na sala de visitas, quando ouvi proferir o meu nome e escondi-me atrás da porta. A casa era a da Rua de Matacavalos. O mês novembro, o ano é que é um tanto remoto, mas eu não hei de trocar as datas à minha vida só para agradar as pessoas que não amam histórias velhas; o ano era de 1857.

        – D. Glória, a senhora persiste na idéia de meter o nosso Bentinho no seminário? É mais que tempo, e já agora pode haver uma dificuldade.

        – Que dificuldade?

        – Uma grande dificuldade.

        Minha mãe quis saber o que era. José Dias, depois de alguns instantes de concentração, veio ver se havia alguém no corredor; não deu por mim, voltou e, abafando a voz, disse que a dificuldade estava na casa ao pé, a gente do Pádua.

        – A gente do Pádua?

        – Há algum tempo estou para lhe dizer isto, mas não me atrevia. Não me parece bonito que o nosso Bentinho ande metido nos cantos com a filha do Tartaruga, e esta é a dificuldade, porque se eles pegam de namoro, a senhora terá muito que lutar para separá-los.

        – Não acho. Metidos nos cantos?

        – É um modo de falar. Em segredinhos, sempre juntos. Bentinho quase que não sai de lá. A pequena é uma desmiolada; o pai faz que não vê; tomara ele que as coisas andassem de tal maneira, que... Compreendo o seu gesto, a senhora não crê em tais cálculos, parece-lhe que todos têm a alma cândida...

        – Mas, Sr. José Dias, tenho visto os pequenos brincando, e nunca vi nada que faça desconfiar. Basta a idade: Bentinho mal tem quinze anos. Capitu fez quatorze à semana passada; são dois criançolas. Não se esqueça que foram criados juntos, desde aquela grande enchente, há dez anos, em que a família do Pádua perdeu tanta coisa; daí vieram as nossas relações. Pois eu hei de crer?... Mano Cosme, você que acha?

        Tio Cosme respondeu com um “Ora!” que, traduzido em vulgar, queria dizer. “São imaginações de José Dias; os pequenos divertem-se, eu divirto-me; onde está o gamão?”

         – Sim, creio que o senhor está enganado.

         – Pode ser, minha senhora. Oxalá tenham razão; mas creia que não falei senão depois de muito examinar... ......................................................................................................................................................................................................................

    José Dias desculpava-se: “Se soubesse, não tinha falado, mas falei pela veneração, pela estima, pelo afeto, para cumprir um dever amargo, um dever amaríssimo...” 

    Em Compreendo o seu gesto, a senhora não crê em tais cálculos, parece-lhe que todos têm a alma cândida, José Dias indica que
    Escolha uma alternativa para a questão 8079ef1a-df
  • Linguagens

    Português

    Leia trecho de Dom Casmurro, de Machado de Assis, para responder à questão. 


    A DENÚNCIA


        Ia a entrar na sala de visitas, quando ouvi proferir o meu nome e escondi-me atrás da porta. A casa era a da Rua de Matacavalos. O mês novembro, o ano é que é um tanto remoto, mas eu não hei de trocar as datas à minha vida só para agradar as pessoas que não amam histórias velhas; o ano era de 1857.

        – D. Glória, a senhora persiste na idéia de meter o nosso Bentinho no seminário? É mais que tempo, e já agora pode haver uma dificuldade.

        – Que dificuldade?

        – Uma grande dificuldade.

        Minha mãe quis saber o que era. José Dias, depois de alguns instantes de concentração, veio ver se havia alguém no corredor; não deu por mim, voltou e, abafando a voz, disse que a dificuldade estava na casa ao pé, a gente do Pádua.

        – A gente do Pádua?

        – Há algum tempo estou para lhe dizer isto, mas não me atrevia. Não me parece bonito que o nosso Bentinho ande metido nos cantos com a filha do Tartaruga, e esta é a dificuldade, porque se eles pegam de namoro, a senhora terá muito que lutar para separá-los.

        – Não acho. Metidos nos cantos?

        – É um modo de falar. Em segredinhos, sempre juntos. Bentinho quase que não sai de lá. A pequena é uma desmiolada; o pai faz que não vê; tomara ele que as coisas andassem de tal maneira, que... Compreendo o seu gesto, a senhora não crê em tais cálculos, parece-lhe que todos têm a alma cândida...

        – Mas, Sr. José Dias, tenho visto os pequenos brincando, e nunca vi nada que faça desconfiar. Basta a idade: Bentinho mal tem quinze anos. Capitu fez quatorze à semana passada; são dois criançolas. Não se esqueça que foram criados juntos, desde aquela grande enchente, há dez anos, em que a família do Pádua perdeu tanta coisa; daí vieram as nossas relações. Pois eu hei de crer?... Mano Cosme, você que acha?

        Tio Cosme respondeu com um “Ora!” que, traduzido em vulgar, queria dizer. “São imaginações de José Dias; os pequenos divertem-se, eu divirto-me; onde está o gamão?”

         – Sim, creio que o senhor está enganado.

         – Pode ser, minha senhora. Oxalá tenham razão; mas creia que não falei senão depois de muito examinar... ......................................................................................................................................................................................................................

    José Dias desculpava-se: “Se soubesse, não tinha falado, mas falei pela veneração, pela estima, pelo afeto, para cumprir um dever amargo, um dever amaríssimo...” 

    Com base no texto de Machado de Assis, assinale a afirmativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 807e71ef-df
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UFMT 2008, Interpretação de Textos

    O Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público do Estado de Mato Grosso usaram o gênero propaganda social (Texto I) para
    Escolha uma alternativa para a questão 8081d3c5-df
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UFMT 2008, Coesão e coerência

    Sobre os Textos I e II, pode-se afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 808550a2-df
  • Linguagens

    Português

    Leia trechos do Avoante do Cariri, pseudônimo de Antônio Rodrigues Pimentel, poeta mato-grossense que, com olhar agudo sobre a realidade, tem sua obra enriquecida pela pluralidade temática. A coluna da esquerda apresenta trechos extraídos de vários volumes das Desovas em trovas e a da direita, sua caracterização. Numere a coluna da direita de acordo com a da esquerda.

    1 Avoas baixo, mais do que perdiz
    E entanto do meu vôo inda ris...
    Não lembras o ditado que assim diz...
    Antes fanhoso do que sem nariz...

    2 Nem vejo tanta maldade
    No agir do astuto Satã
    Pois, bem mais grave é, em verdade
    Tal represália malsã:
    Punir-se assim a humanidade
    Por causa de uma maçã.

    3 Sonhei, um dia, best-seller vir a ser
    E enfiar no bolso boa grana até,
    Mas, afinal de contas, dei-me fé
    Ser é besta-de-sela, sem querer.

    4 Pra cobaia não deixes que te tomem!
    Não confies ao INAMPS* o teu abdômen...
    (Que estão fazendo cesariana em homem).

    *Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (atualmente SUS)

    ( ) Há questionamento quanto à extensão do castigo imposto ao ser humano e presença de intertextualidade.
    ( ) Ao lado da crítica social, sobressai fina ironia em estilo predominantemente oral.
    ( ) O ditado popular, as escolhas lexicais e a sátira são utilizados para rebaixar a figura de um tu a quem se dirige o autor.
    ( ) O poeta, ao ironizar sua própria ilusão, brinca com a linguagem, criando trocadilhos.


    Marque a seqüência correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 808d4508-df
  • Linguagens

    Português

    Manuel de Barros, uma das mais sólidas referências literárias mato-grossenses, é autor de O homem de lata, da obra Gramática expositiva do chão, de 1968.


    O homem de lata

    Está na boca de espera

    De enferrujar.


    O homem de lata

    Se relva nos cantos

    E morre de não ter um pássaro

    Em seus joelhos.


    A partir da leitura do poema, assinale a afirmativa INCORRETA.

    Escolha uma alternativa para a questão 8090efe6-df
  • Linguagens

    Português

    Dom Pedro Casaldáliga, padre espanhol radicado na região de São Félix do Araguaia, é representativo de uma poética que, engajada, encoraja a luta contra o silêncio e a dominação, como exemplifica o texto Dá-nos a tua paz!, de Cantigas menores, obra publicada em 1979.


    Dá-nos, Senhor, aquela Paz estranha

    que brota em plena luta

    como uma flor de fogo;

    que rompe em plena noite

    como um canto escondido;

    que chega em plena morte

    como beijo esperado.


    Dá-nos a Paz dos que caminham sempre,

    nus de toda vantagem,

    vestidos pelo vento da Esperança.


    Aquela Paz dos Pobres,

    vencedores do medo.

    Aquela Paz dos Livres,

    amarrados à vida.


    A Paz que se partilha na igualdade,

    como a água e a Hóstia.


    Aquela Paz do Reino, que vem vindo,

    inviável e certo.


    Dá-nos a Paz, a outra Paz, a tua,

    Tu que és nossa Paz!


    Em relação ao sentido da expressão aquela Paz estranha, primeiro verso, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.


    ( ) Limita-se ao conceito de paz interior, individual, intransferível.

    ( ) É concedida ao homem, gratuitamente, como bênção divina.

    ( ) Emerge da revolução, vez que brota em plena luta.

    ( ) É flor de fogo que, necessária, ilumina, dá brilho, dá vida.

    ( ) É diferente, porque vem da luta e não da prece.


    Assinale a seqüência correta.

    Escolha uma alternativa para a questão 809493e8-df
  • Linguagens

    Português

     Leia trecho da crônica O moleque e a bola, de F. B. de Hollanda, e responda à questão.


    Imagem da questão de Português, UFMT 2008, Interpretação de Textos

    Sobre o sentido do texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.


    ( ) A imagem delineada da pelada contrapõe-se à do futebol oficial por ser espontânea e em campo improvisado.

    ( ) Gramado e chão são figuras usadas pelo produtor do texto para construir palcos onde a bola rola.

    ( ) Um campo oficial de futebol é imprescindível ao peladeiro visto que ele consegue fazer de uma laranja uma bola.

    ( ) A pelada caracteriza-se também pela ausência de linhas demarcadas no chão, de traves e rede no gol.


    Assinale a seqüência correta.

    Escolha uma alternativa para a questão 809875e8-df
  • Linguagens

    Português

     Leia trecho da crônica O moleque e a bola, de F. B. de Hollanda, e responda à questão.


    Imagem da questão de Português, UFMT 2008, Coesão e coerência

    Em relação aos recursos expressivos, analise as afirmativas.


    I - Os conectores Daí (linha 06), E quando (linha 07), Por isso mesmo (linha 10), além de cumprir sua função de estabelecer relação de sentido, contribuem para imprimir informalidade ao texto.

    II - Períodos como O que conta mesmo é a bola e o moleque, o moleque e a bola, e por bola pode-se entender um coco, uma laranja ou um ovo, pois já vi fazerem embaixada com ovo., essencialmente coordenados, ao contrário dos subordinados, conferem às idéias um plano não hierárquico.

    III - Em É a bola e o moleque, o moleque e a bola., elementos fônicos e sintáticos, como ritmo, sonoridade e frase curta, recriam o toque de bola e o movimento do jogo.

    IV - A expressão como se sabe (linha 02) é usada no texto para recuperar uma informação que o leitor não detém, mas o produtor espera que seja tomada como verdadeira.


    Estão corretas as afirmativas

    Escolha uma alternativa para a questão 809df416-df
  • Linguagens

    Português

     Leia a tira abaixo e responda à questão.


    Imagem da questão de Português, UFMT 2008, Interpretação de Textos

    Em relação à tira, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.


    ( ) No segundo quadrinho, Calvin declara-se mais exigente que todo mundo, o que justifica considerar-se, no primeiro quadrinho, diferente.

    ( ) A discordância de Haroldo à fala de Calvin é percebida por sua postura corporal e por seu silêncio no terceiro quadrinho.

    ( ) A fala de Calvin no último quadrinho revela que ele entendeu perfeitamente o significado do silêncio de Haroldo no quadrinho anterior.

    ( ) A explicação dada por Haroldo, no último quadrinho, é ambígua pois revela a sua descoberta da forte amizade que o liga a Calvin.


    Assinale a seqüência correta.

    Escolha uma alternativa para a questão 80afd4a1-df