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Prova

Prova de 2011: Universidade Estadual Paulista (UNESP) — questões com gabarito

133 questões da prova de 2011 de Universidade Estadual Paulista (UNESP), em Física, Matemática, Português. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 133 questões

Resultados: 133 questões

Página 4 de 7

  • Ciências da Natureza

    Física

    Uma bolsa térmica com 500 g de água à temperatura inicial de 60 ºC é empregada para tratamento da dor nas costas de um paciente. Transcorrido um certo tempo desde o início do tratamento, a temperatura da água contida na bolsa é de 40 ºC. Considerando que o calor específico da água é 1 cal/(g·ºC), e supondo que 60% do calor cedido pela água foi absorvido pelo corpo do paciente, a quantidade de calorias recebidas pelo paciente no tratamento foi igual a
    Escolha uma alternativa para a questão 3d80b4d2-8d
  • Ciências da Natureza

    Física

    A diferença de pressão máxima que o pulmão de um ser humano pode gerar por inspiração é em torno de 0,1 × 105 Pa ou 0,1 atm. Assim, mesmo com a ajuda de um snorkel (respiradouro), um mergulhador não pode ultrapassar uma profundidade máxima, já que a pressão sobre os pulmões aumenta à medida que ele mergulha mais fundo, impedindo-os de inflarem.

                                      Imagem da questão de Física, UNESP 2011, Estática e Hidrostática

    Considerando a densidade da água ρ ≅ 103 kg/m3 e a aceleração da gravidade g ≅ 10 m/s2 , a profundidade máxima estimada, representada por h, a que uma pessoa pode mergulhar respirando com a ajuda de um snorkel é igual a


    Escolha uma alternativa para a questão 3d8752e9-8d
  • Ciências da Natureza

    Física

    Uma espécie de peixe-elétrico da Amazônia, o Poraquê, de nome científico Electrophorous electricus, pode gerar diferenças de potencial elétrico (ddp) entre suas extremidades, de tal forma que seus choques elétricos matam ou paralisam suas presas. Aproximadamente metade do corpo desse peixe consiste de células que funcionam como eletrocélulas. Um circuito elétrico de corrente contínua, como o esquematizado na figura, simularia o circuito gerador de ddp dessa espécie. Cada eletrocélula consiste em um resistor de resistência R = 7,5 Ω e de uma bateria de fem ε.

                                  Imagem da questão de Física, UNESP 2011, Circuitos Elétricos e Leis de Kirchhoff

    Sabendo-se que, com uma ddp de 750 V entre as extremidades A e B, o peixe gera uma corrente I = 1,0 A, a fem ε em cada eletrocélula, em volts, é


    Escolha uma alternativa para a questão 3d8cdd6e-8d
  • Ciências da Natureza

    Física

    Na geração da voz humana, a garganta e a cavidade oral agem como um tubo, com uma extremidade aproximadamente fechada na base da laringe, onde estão as cordas vocais, e uma extremidade aberta na boca. Nessas condições, sons são emitidos com maior intensidade nas frequências e comprimentos de ondas para as quais há um nó (N) na extremidade fechada e um ventre (V) na extremidade aberta, como ilustra a figura. As frequências geradas são chamadas harmônicos ou modos normais de vibração. Em um adulto, este tubo do trato vocal tem aproximadamente 17 cm. A voz normal de um adulto ocorre em frequências situadas aproximadamente entre o primeiro e o terceiro harmônicos.

                                    Imagem da questão de Física, UNESP 2011, Movimento Harmônico

    Considerando que a velocidade do som no ar é 340 m/s, os valores aproximados, em hertz, das frequências dos três primeiros harmônicos da voz normal de um adulto são


    Escolha uma alternativa para a questão 3d93484c-8d
  • Ciências da Natureza

    Física

    A figura 1 mostra um quadro de Georges Seurat, grande expressão do pontilhismo.

                                       Figura 1 de 2 da questão de Física, UNESP 2011, Óptica Geométrica

    De forma grosseira podemos dizer que a pintura consiste de uma enorme quantidade de pontos de cores puras, bem próximos uns dos outros, tal que a composição adequada dos pontos causa a sensação de vibração e efeitos de luz e sombra impressionantes. Alguns pontos individuais podem ser notados se chegarmos próximo ao quadro. Isso ocorre porque a resolução angular do olho humano é θmín ≅ 3,3 × 10– 4 rad. A figura 2 indica a configuração geométrica para que uma pessoa perceba a separação d entre dois pontos vizinhos à distância L ≅ 30 cm do quadro.

                                         Figura 2 de 2 da questão de Física, UNESP 2011, Óptica Geométrica

    Considerando que para ângulos θ < 0,17 rad é válida a aproximação tg θ ≅ θ, a distância d aproximada entre esses dois pontos, representados na figura 2, é, em milímetros, igual a


    Escolha uma alternativa para a questão 3d9829b4-8d
  • Ciências da Natureza

    Física

    Analise a tabela, adaptada da cartilha “Práticas de utilização consciente da energia elétrica", da CPFL.

                             Imagem da questão de Física, UNESP 2011, Resistores e Potência Elétrica

    Por um descuido, alguns “pingos" d'água caíram sobre três informações dessa tabela.

    Para que se pudesse verificar se o consumo de energia elétrica mensal era condizente com os aparelhos elétricos da casa, foi necessário recuperar tais informações.

    A média de tempo de utilização, por dia, em minutos do chuveiro, a potência média, em watts, da lavadora de roupas e a estimativa do número de dias de uso no mês do secador de cabelos, respectivamente, são


    Escolha uma alternativa para a questão 3d9e530b-8d
  • Matemática

    Matemática

    Em um jogo lotérico, com 40 dezenas distintas e possíveis de serem escolhidas para aposta, são sorteadas 4 dezenas e o ganhador do prêmio maior deve acertar todas elas. Se a aposta mínima, em 4 dezenas, custa R$ 2,00, uma aposta em 6 dezenas deve custar:
    Escolha uma alternativa para a questão 3da9fca8-8d
  • Matemática

    Matemática

    A revista Superinteressante trouxe uma reportagem sobre o custo de vida em diferentes cidades do mundo. A tabela mostra o ranking de cinco das 214 cidades pesquisadas pela “Mercer LLC", empresa americana, em 2010.

                              Cidade mais cara do mundo fica na África

                       Imagem da questão de Matemática, UNESP 2011, Análise de Tabelas e Gráficos

    Observando as informações, numéricas e coloridas, contidas na tabela, analise as afirmações:

    I. O custo do aluguel em Luanda é o mais alto do mundo.

    II. O custo do cafezinho em Tóquio é o mais alto do mundo.

    III. O custo do jornal importado em São Paulo é o mais alto do mundo.

    IV. O custo do lanche em Libreville é o mais alto do mundo.

    V. O custo da gasolina em Tóquio é o mais alto do mundo.

    Estão corretas as afirmações:


    Escolha uma alternativa para a questão 3dafacb7-8d
  • Matemática

    Matemática

    A tabela apresenta, na coluna da esquerda, a descrição de alguns tipos de funções e, na coluna da direita, representações de alguns gráficos de funções, cujas variáveis independentes, definidas no domínio dos números reais, estão representadas nos eixos das abscissas.

                             Imagem da questão de Matemática, UNESP 2011, Função de 1º Grau ou Função Afim, Problemas com Equação e Inequações

    O conjunto de pares ordenados que relaciona cada função à sua respectiva representação gráfica é:


    Escolha uma alternativa para a questão 3db4f14c-8d
  • Linguagens

    Português

    Uma campanha alegre, IX
    Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este
    singular estado:
    Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente
    possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder,
    trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos,
    como uma pela* que quatro crianças, aos quatro cantos de
    uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
    Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder,
    esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os
    outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da
    Fazenda, a ruína do País!
    Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua
    própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os
    salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses
    do País.
    Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem
    tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da
    Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E
    os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se,
    para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros
    liberais, e os interesses do País!
    Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os
    verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação
    herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto
    que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio
    — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.
    Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de
    doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha
    sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País...
    Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado
    a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações
    mais hostis...
    Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de
    dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos
    oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa
    constitucional do poder moderador...
    E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que
    continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai,
    feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto**
    tão triunfante!
    (*) Pela: bola.
    (**) Chouto: trote miúdo.
                        (Eça de Queirós. Obras. Porto: Lello & Irmão-Editores, [s.d.].)
    Considere as frases com relação ao que se afirma na crônica de Eça de Queirós:

    I. Os que estão no poder não querem sair e os que não estão querem entrar.

    II. Quando um partido ético está no poder, tudo fica melhor.
    III. Os governantes são bons e éticos, mas vivem a trocar acusações infundadas.
    IV. Os políticos que estão fora do poder julgam-se os melhores eticamente para governar.


    As frases que representam a opinião do cronista estão contidas apenas em:


    Escolha uma alternativa para a questão e77f5f76-94
  • Linguagens

    Português

    Uma campanha alegre, IX
    Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este
    singular estado:
    Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente
    possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder,
    trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos,
    como uma pela* que quatro crianças, aos quatro cantos de
    uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
    Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder,
    esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os
    outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da
    Fazenda, a ruína do País!
    Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua
    própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os
    salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses
    do País.
    Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem
    tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da
    Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E
    os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se,
    para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros
    liberais, e os interesses do País!
    Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os
    verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação
    herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto
    que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio
    — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.
    Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de
    doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha
    sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País...
    Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado
    a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações
    mais hostis...
    Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de
    dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos
    oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa
    constitucional do poder moderador...
    E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que
    continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai,
    feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto**
    tão triunfante!
    (*) Pela: bola.
    (**) Chouto: trote miúdo.
                        (Eça de Queirós. Obras. Porto: Lello & Irmão-Editores, [s.d.].)
    ... cheios de fel e de tédio...
    Nesta passagem do sexto parágrafo, o cronista se utiliza figuradamente da palavra fel para significar
    Escolha uma alternativa para a questão e784ac2e-94
  • Linguagens

    Português

    Uma campanha alegre, IX
    Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este
    singular estado:
    Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente
    possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder,
    trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos,
    como uma pela* que quatro crianças, aos quatro cantos de
    uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
    Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder,
    esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os
    outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da
    Fazenda, a ruína do País!
    Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua
    própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os
    salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses
    do País.
    Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem
    tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da
    Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E
    os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se,
    para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros
    liberais, e os interesses do País!
    Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os
    verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação
    herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto
    que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio
    — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.
    Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de
    doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha
    sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País...
    Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado
    a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações
    mais hostis...
    Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de
    dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos
    oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa
    constitucional do poder moderador...
    E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que
    continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai,
    feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto**
    tão triunfante!
    (*) Pela: bola.
    (**) Chouto: trote miúdo.
                        (Eça de Queirós. Obras. Porto: Lello & Irmão-Editores, [s.d.].)
    Considerando que o último parágrafo do fragmento representa uma ironia do cronista, seu significado contextual é:
    Escolha uma alternativa para a questão e78a34f8-94
  • Linguagens

    Português

    Uma campanha alegre, IX
    Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este
    singular estado:
    Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente
    possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder,
    trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos,
    como uma pela* que quatro crianças, aos quatro cantos de
    uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
    Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder,
    esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os
    outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da
    Fazenda, a ruína do País!
    Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua
    própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os
    salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses
    do País.
    Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem
    tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da
    Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E
    os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se,
    para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros
    liberais, e os interesses do País!
    Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os
    verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação
    herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto
    que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio
    — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.
    Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de
    doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha
    sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País...
    Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado
    a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações
    mais hostis...
    Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de
    dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos
    oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa
    constitucional do poder moderador...
    E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que
    continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai,
    feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto**
    tão triunfante!
    (*) Pela: bola.
    (**) Chouto: trote miúdo.
                        (Eça de Queirós. Obras. Porto: Lello & Irmão-Editores, [s.d.].)
    Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações mais hostis...

    Com esta frase, o cronista afirma que
    Escolha uma alternativa para a questão e78f9654-94
  • Linguagens

    Português

    Uma campanha alegre, IX
    Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este
    singular estado:
    Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente
    possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder,
    trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos,
    como uma pela* que quatro crianças, aos quatro cantos de
    uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
    Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder,
    esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os
    outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da
    Fazenda, a ruína do País!
    Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua
    própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os
    salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses
    do País.
    Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem
    tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da
    Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E
    os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se,
    para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros
    liberais, e os interesses do País!
    Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os
    verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação
    herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto
    que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio
    — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.
    Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de
    doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha
    sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País...
    Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado
    a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações
    mais hostis...
    Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de
    dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos
    oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa
    constitucional do poder moderador...
    E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que
    continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai,
    feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto**
    tão triunfante!
    (*) Pela: bola.
    (**) Chouto: trote miúdo.
                        (Eça de Queirós. Obras. Porto: Lello & Irmão-Editores, [s.d.].)
    Assinale a alternativa cuja frase contém um numeral cardinal empregado como substantivo.
    Escolha uma alternativa para a questão e794aa2f-94
  • Linguagens

    Português

                       O fim do marketing
    A empresa vende ao consumidor
    — com a web não é mais assim


    Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do
    marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam
    mais. O paradigma era simples e unidirecional: as
    empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos;
    fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos
    anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma
    todas essas atividades.
    (...)
    Os produtos agora são customizados em massa, envolvem
    serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos
    consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores
    hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos
    estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas
    concepções industriais na definição e marketing de produtos.
    (...)

    Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado,
    os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais
    desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à
    medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas
    que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores
    vão oferecer vários preços por um produto, dependendo
    de condições específicas. Compradores e vendedores
    trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados,
    e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos
    e serviços.
    (...)
    A empresa moderna compete em dois mundos: um físico
    (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação
    (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não
    devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso,
    mas sim de uma grande comunidade online e com o capital
    de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.
    Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida
    no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a
    marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
    (...)
    Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram
    “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho
    único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.
    As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo.
    Os consumidores com frequência têm acesso a informações
    sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles
    que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem
    o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas
    por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião
    pública” online.
       Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
    (Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

    Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram “mensagens" unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.

    Nesta passagem do quinto parágrafo, ao empregar a expressão consumidores sem rosto e sem poder, o autor sugere que:
    Escolha uma alternativa para a questão e79fb738-94
  • Linguagens

    Português

                       O fim do marketing
    A empresa vende ao consumidor
    — com a web não é mais assim


    Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do
    marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam
    mais. O paradigma era simples e unidirecional: as
    empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos;
    fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos
    anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma
    todas essas atividades.
    (...)
    Os produtos agora são customizados em massa, envolvem
    serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos
    consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores
    hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos
    estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas
    concepções industriais na definição e marketing de produtos.
    (...)

    Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado,
    os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais
    desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à
    medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas
    que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores
    vão oferecer vários preços por um produto, dependendo
    de condições específicas. Compradores e vendedores
    trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados,
    e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos
    e serviços.
    (...)
    A empresa moderna compete em dois mundos: um físico
    (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação
    (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não
    devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso,
    mas sim de uma grande comunidade online e com o capital
    de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.
    Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida
    no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a
    marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
    (...)
    Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram
    “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho
    único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.
    As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo.
    Os consumidores com frequência têm acesso a informações
    sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles
    que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem
    o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas
    por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião
    pública” online.
       Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
    (Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

    São eles que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião pública" online.

    Nesta passagem do penúltimo parágrafo do texto, o autor repete por três vezes o pronome eles, para referir-se enfaticamente aos


    Escolha uma alternativa para a questão e7a411e3-94
  • Linguagens

    Português

                       O fim do marketing
    A empresa vende ao consumidor
    — com a web não é mais assim


    Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do
    marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam
    mais. O paradigma era simples e unidirecional: as
    empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos;
    fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos
    anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma
    todas essas atividades.
    (...)
    Os produtos agora são customizados em massa, envolvem
    serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos
    consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores
    hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos
    estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas
    concepções industriais na definição e marketing de produtos.
    (...)

    Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado,
    os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais
    desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à
    medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas
    que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores
    vão oferecer vários preços por um produto, dependendo
    de condições específicas. Compradores e vendedores
    trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados,
    e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos
    e serviços.
    (...)
    A empresa moderna compete em dois mundos: um físico
    (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação
    (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não
    devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso,
    mas sim de uma grande comunidade online e com o capital
    de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.
    Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida
    no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a
    marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
    (...)
    Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram
    “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho
    único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.
    As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo.
    Os consumidores com frequência têm acesso a informações
    sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles
    que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem
    o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas
    por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião
    pública” online.
       Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
    (Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

    Nós criamos produtos; fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos anúncios. Nós controlamos a mensagem.


    Nas orações que compõem os dois períodos transcritos, os termos destacados exercem a função de

    Escolha uma alternativa para a questão e7a8d547-94
  • Linguagens

    Português

                       O fim do marketing
    A empresa vende ao consumidor
    — com a web não é mais assim


    Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do
    marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam
    mais. O paradigma era simples e unidirecional: as
    empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos;
    fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos
    anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma
    todas essas atividades.
    (...)
    Os produtos agora são customizados em massa, envolvem
    serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos
    consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores
    hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos
    estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas
    concepções industriais na definição e marketing de produtos.
    (...)

    Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado,
    os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais
    desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à
    medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas
    que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores
    vão oferecer vários preços por um produto, dependendo
    de condições específicas. Compradores e vendedores
    trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados,
    e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos
    e serviços.
    (...)
    A empresa moderna compete em dois mundos: um físico
    (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação
    (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não
    devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso,
    mas sim de uma grande comunidade online e com o capital
    de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.
    Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida
    no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a
    marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
    (...)
    Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram
    “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho
    único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.
    As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo.
    Os consumidores com frequência têm acesso a informações
    sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles
    que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem
    o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas
    por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião
    pública” online.
       Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
    (Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

    Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.

    O termo marqueteiro, presente nesta frase, foi formado em português por influência do inglês e tem como uma de suas acepções usuais:
    Escolha uma alternativa para a questão e7ae6492-94
  • Linguagens

    Português

       Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes,
    poeta e cidadão

    A morte chegou pelo interurbano em longas espirais metálicas.
    Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva.
    De repente não tinha pai.
    No escuro de minha casa em Los Angeles procurei recompor
        [tua lembrança
    Depois de tanta ausência. Fragmentos da infância
    Boiaram do mar de minhas lágrimas. Vi-me eu menino
    Correndo ao teu encontro. Na ilha noturna
    Tinham-se apenas acendido os lampiões a gás, e a clarineta
    De Augusto geralmente procrastinava a tarde.
    Era belo esperar-te, cidadão. O bondinho
    Rangia nos trilhos a muitas praias de distância...
    Dizíamos: “Ê-vem meu pai!”. Quando a curva
    Se acendia de luzes semoventes*, ah, corríamos
    Corríamos ao teu encontro. A grande coisa era chegar antes
    Mas ser marraio** em teus braços, sentir por último
    Os doces espinhos da tua barba.
    Trazias de então uma expressão indizível de fidelidade e
       [paciência
    Teu rosto tinha os sulcos fundamentais da doçura
    De quem se deixou ser. Teus ombros possantes
    Se curvavam como ao peso da enorme poesia
    Que não realizaste. O barbante cortava teus dedos
    Pesados de mil embrulhos: carne, pão, utensílios
    Para o cotidiano (e frequentemente o binóculo
    Que vivias comprando e com que te deixavas horas inteiras
    Mirando o mar). Dize-me, meu pai
    Que viste tantos anos através do teu óculo de alcance
    Que nunca revelaste a ninguém?
    Vencias o percurso entre a amendoeira e a casa como o atleta
        [exausto no último lance da maratona.

    Te grimpávamos. Eras penca de filho. Jamais
    Uma palavra dura, um rosnar paterno. Entravas a casa
    humilde

    A um gesto do mar. A noite se fechava
    Sobre o grupo familial como uma grande porta espessa.
    Muitas vezes te vi desejar. Desejavas. Deixavas-te olhando
       [o mar
    Com mirada de argonauta. Teus pequenos olhos feios
    Buscavam ilhas, outras ilhas... — as imaculadas, inacessíveis
    Ilhas do Tesouro. Querias. Querias um dia aportar
    E trazer — depositar aos pés da amada as joias fulgurantes
    Do teu amor. Sim, foste descobridor, e entre eles
    Dos mais provectos***. Muitas vezes te vi, comandante
    Comandar, batido de ventos, perdido na fosforência
    De vastos e noturnos oceanos
    Sem jamais.
    Deste-nos pobreza e amor. A mim me deste
    A suprema pobreza: o dom da poesia, e a capacidade de amar
    Em silêncio. Foste um pobre. Mendigavas nosso amor
    Em silêncio. Foste um no lado esquerdo. Mas
    Teu amor inventou. Financiaste uma lancha
    Movida a água: foi reta para o fundo. Partiste um dia
    Para um brasil além, garimpeiro sem medo e sem mácula.
    Doze luas voltaste. Tua primogênita — diz-se —
    Não te reconheceu. Trazias grandes barbas e pequenas
         [águas-marinhas.
        (Vinicius de Moraes. Antologia poética. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1974, p. 180-181.)


    (*) Semovente: “Que ou o que anda ou se move por si próprio.”
    (**) Marraio: “No gude e noutros jogos, palavra que dá, a quem
    primeiro a grita, o direito de ser o último a jogar.”
    (***) Provecto: “Que conhece muito um assunto ou uma ciência,
    experiente, versado, mestre.”
                 (Dicionário Eletrônico Houaiss)

    Compare o conteúdo das frases a seguir com o que o eu-poemático afirma no poema.

    I. A notícia da morte do pai chegou por telefone.
    II. O falecimento foi informado pela primogênita.
    III. A morte do pai provocou reminiscências da infância.
    IV. Apesar de não ter sido um bom pai, o filho perdoa e sente
    saudades.

    As frases que correspondem ao que é efetivamente expresso no poema estão contidas apenas em
    Escolha uma alternativa para a questão e7b3fb37-94
  • Linguagens

    Português

       Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes,
    poeta e cidadão

    A morte chegou pelo interurbano em longas espirais metálicas.
    Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva.
    De repente não tinha pai.
    No escuro de minha casa em Los Angeles procurei recompor
        [tua lembrança
    Depois de tanta ausência. Fragmentos da infância
    Boiaram do mar de minhas lágrimas. Vi-me eu menino
    Correndo ao teu encontro. Na ilha noturna
    Tinham-se apenas acendido os lampiões a gás, e a clarineta
    De Augusto geralmente procrastinava a tarde.
    Era belo esperar-te, cidadão. O bondinho
    Rangia nos trilhos a muitas praias de distância...
    Dizíamos: “Ê-vem meu pai!”. Quando a curva
    Se acendia de luzes semoventes*, ah, corríamos
    Corríamos ao teu encontro. A grande coisa era chegar antes
    Mas ser marraio** em teus braços, sentir por último
    Os doces espinhos da tua barba.
    Trazias de então uma expressão indizível de fidelidade e
       [paciência
    Teu rosto tinha os sulcos fundamentais da doçura
    De quem se deixou ser. Teus ombros possantes
    Se curvavam como ao peso da enorme poesia
    Que não realizaste. O barbante cortava teus dedos
    Pesados de mil embrulhos: carne, pão, utensílios
    Para o cotidiano (e frequentemente o binóculo
    Que vivias comprando e com que te deixavas horas inteiras
    Mirando o mar). Dize-me, meu pai
    Que viste tantos anos através do teu óculo de alcance
    Que nunca revelaste a ninguém?
    Vencias o percurso entre a amendoeira e a casa como o atleta
        [exausto no último lance da maratona.

    Te grimpávamos. Eras penca de filho. Jamais
    Uma palavra dura, um rosnar paterno. Entravas a casa
    humilde

    A um gesto do mar. A noite se fechava
    Sobre o grupo familial como uma grande porta espessa.
    Muitas vezes te vi desejar. Desejavas. Deixavas-te olhando
       [o mar
    Com mirada de argonauta. Teus pequenos olhos feios
    Buscavam ilhas, outras ilhas... — as imaculadas, inacessíveis
    Ilhas do Tesouro. Querias. Querias um dia aportar
    E trazer — depositar aos pés da amada as joias fulgurantes
    Do teu amor. Sim, foste descobridor, e entre eles
    Dos mais provectos***. Muitas vezes te vi, comandante
    Comandar, batido de ventos, perdido na fosforência
    De vastos e noturnos oceanos
    Sem jamais.
    Deste-nos pobreza e amor. A mim me deste
    A suprema pobreza: o dom da poesia, e a capacidade de amar
    Em silêncio. Foste um pobre. Mendigavas nosso amor
    Em silêncio. Foste um no lado esquerdo. Mas
    Teu amor inventou. Financiaste uma lancha
    Movida a água: foi reta para o fundo. Partiste um dia
    Para um brasil além, garimpeiro sem medo e sem mácula.
    Doze luas voltaste. Tua primogênita — diz-se —
    Não te reconheceu. Trazias grandes barbas e pequenas
         [águas-marinhas.
        (Vinicius de Moraes. Antologia poética. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1974, p. 180-181.)


    (*) Semovente: “Que ou o que anda ou se move por si próprio.”
    (**) Marraio: “No gude e noutros jogos, palavra que dá, a quem
    primeiro a grita, o direito de ser o último a jogar.”
    (***) Provecto: “Que conhece muito um assunto ou uma ciência,
    experiente, versado, mestre.”
                 (Dicionário Eletrônico Houaiss)

    Marque a alternativa cujo verso contém um pleonasmo, ou seja, uma redundância de termos com bom efeito estilístico.
    Escolha uma alternativa para a questão e7bec741-94