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Prova

Prova de 2014: Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (CEDERJ) — questões com gabarito

74 questões da prova de 2014 de Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (CEDERJ), em Geografia, Física, Biologia, Português. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 74 questões

Resultados: 74 questões

Página 2 de 4

  • Ciências Humanas

    Geografia

    Analise o mapa abaixo.

                    Evolução da produção da soja, 1977-1999

                              Imagem da questão de Geografia, CEDERJ 2014, Agricultura brasileira

    Fonte: THÉRY, H. e MELLO, N. Atlas do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2008, p. 127.

    No período considerado, a macrorregião brasileira que experimentou o maior incremento da produção de soja é a seguinte:
    Escolha uma alternativa para a questão c69dde93-96
  • Ciências Humanas

    Geografia

    Observe a imagem abaixo.

                                   Imagem da questão de Geografia, CEDERJ 2014, Geografia Física

    Fonte: https://encrypted-tbn1.gstatic.com/images?q=tbn. Acesso em 05 maio 2014.

    Na imagem, registra-se uma forma rocha cristalina conhecida como Dedo de Deus, localizada no Estado do Rio de Janeiro.

    Essa forma rochosa faz parte da seguinte feição de relevo:
    Escolha uma alternativa para a questão c69902d4-96
  • Ciências Humanas

    Geografia

    Analise o texto a seguir.

    Ao longo da última década, o Brasil pôs em marcha programas maciços de inclusão social e, ao mesmo tempo, aprofundou seu modelo de produção baseado na exploração intensiva dos recursos naturais. (...) Segundo o IBGE, em 2010 o agronegócio recebeu 86% dos créditos para o setor agrícola, ao passo que a agricultura familiar recebeu apenas 14%, e ainda assim foi responsável por 74% dos empregos no campo e por 70% da produção de alimentos.

    Fonte: TONI, A. e MELLO, F. Sustentabilidade como chave para a manutenção da inclusão social. Le Monde Diplomatique Brasil, ano 7, n. 82, maio 2014, p. 37.

    O tipo de agricultura mais beneficiado pelos créditos destinados ao setor consolidou a seguinte situação no campo brasileiro:
    Escolha uma alternativa para a questão c693f7ae-96
  • Ciências Humanas

    Geografia

    Leia o texto a seguir.

    No contexto populacional de um país, quando a taxa de natalidade continua a diminuir no final da transição demográfica, enquanto a taxa de mortalidade se estabiliza, acentua-se o envelhecimento das populações num ritmo mais ou menos rápido. Essa situação é denominada inverno demográfico.

    O agravamento dessa situação, com a redução progressiva da mortalidade, provoca a seguinte consequência demográfica:

    Escolha uma alternativa para a questão c68eb65d-96
  • Ciências Humanas

    Geografia

    Leia a charge a seguir.

                                      Imagem da questão de Geografia, CEDERJ 2014, Geografia Política

                                          Fonte: O Globo, 01 abr.2014.

    Em março de 2014, o mapa do espaço geográfico pós-soviético sofreu uma alteração devido à seguinte mudança geopolítica:
    Escolha uma alternativa para a questão c6891894-96
  • Ciências da Natureza

    Física

    No circuito ilustrado na figura abaixo, a bateria tem força eletromotriz de 12V e sua resistência interna é desprezível. O voltímetro (V) tem resistência praticamente infinita e os amperímetros A1 , A2 e A têm resistências praticamente nulas. As leituras feitas nos amperímetros A1 e A2 são, respectivamente, i1=2A e i2 = 4A. Nessa situação, os valores registrados no voltímetro (V) e no amperímetro (A) são, respectivamente

                              Imagem da questão de Física, CEDERJ 2014, Circuitos Elétricos e Leis de Kirchhoff
    Escolha uma alternativa para a questão c684364c-96
  • Ciências da Natureza

    Física

    Uma carga de prova Q0 pode ser colocada em quatro posições distintas sobre a linha que une duas cargas fixas, Q1 = - Q0 /3 e Q2 = 3Q0 , como ilustra a figura. Assinale a alternativa que representa a posição em que a resultante das forças sobre a carga de prova Q0 é nula.

                             Imagem da questão de Física, CEDERJ 2014, Cargas Elétricas e Eletrização
    Escolha uma alternativa para a questão c67f2322-96
  • Ciências da Natureza

    Física

    Um bloco A, de peso igual a 5N, pode deslizar sem atrito sobre uma mesa horizontal. Utilizando-se uma corda de massa desprezível presa ao bloco A e uma roldana ideal, também de massa desprezível, é possível puxar o bloco A de duas formas distintas, como ilustram as figuras. Na situação 1, um segundo bloco, de peso também igual a 5N, é amarrado na outra extremidade da corda que passa pela roldana. Na situação 2, a extremidade livre da corda é puxada para baixo com uma força de 5N. Assinale a alternativa que descreve os módulos das acelerações (a1 e a2 ) do bloco A, nas duas situações, respectivamente.

    Imagem da questão de Física, CEDERJ 2014, Dinâmica

    Escolha uma alternativa para a questão c67aa3c6-96
  • Ciências da Natureza

    Física

    Um ciclista movendo-se com velocidade v em uma pista reta, homogênea e horizontal, freia bruscamente. Os pneus da bicicleta deslizam sobre a pista por uma distância d até a bicicleta parar. Ele repete a atividade, porém, dessa vez, freia ao atingir uma velocidade v2 , que é o dobro da anterior. A bicicleta desliza, então, por uma distância d2 até parar. Assinale a alternativa que relaciona a distância d2 à distância d.

                                          Imagem da questão de Física, CEDERJ 2014, Cinemática
    Escolha uma alternativa para a questão c67628c3-96
  • Ciências da Natureza

    Física

    A fotografia estroboscópica, muito utilizada para analisar movimentos, consiste em fotos sucessivas de um objeto em movimento contínuo. Os pontos ilustrados nas figuras representam as posições sucessivas de três objetos em movimento contínuo, registradas em intervalos de tempos iguais. Analise as três fotos estroboscópicas e assinale a alternativa que identifica quais objetos estão acelerados.

    Imagem da questão de Física, CEDERJ 2014, Cinemática

    Escolha uma alternativa para a questão c67126af-96
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    O anel de Malphigi consiste na extração completa, em forma de anel, de parte da casca do tronco de uma árvore. Esse procedimento leva a árvore à morte, porque

    Imagem da questão de Biologia, CEDERJ 2014, Identidade dos seres vivos

    Escolha uma alternativa para a questão c66c541f-96
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    As doenças venéreas, também conhecidas como Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), são infecções transmitidas através de relações sexuais e uma das principais formas de evitá-las é o uso de preservativos. Essas doenças devem ser tratadas de forma rápida e correta, pois seu desenvolvimento no corpo humano pode causar sérios problemas, tais como, infertilidade, doenças neonatais, câncer anogenital, comprometimento do aparelho reprodutor e até mesmo a morte.

    As DST causadas, respectivamente, por protozoário, bactéria e vírus são:
    Escolha uma alternativa para a questão c6665a4c-96
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    A agrônoma Johanna Döbereiner, pesquisadora da EMBRAPA que faleceu no ano de 2000, foi uma das indicadas para o Prêmio Nobel de Química em 1997. Seus estudos sobre a bactéria Rhizobium, associada à raiz de leguminosas, revolucionaram e aprimoraram o plantio da soja no Brasil.

    Fonte: http://www.brasil.gov.br/ciencia-e-tecnologia/2010/10/ conheca-as-contribuicoes-de-johanna-dobereiner-para-a-ciencia. Adaptado.

    Esse aprimoramento se deve à capacidade de essa bactéria
    Escolha uma alternativa para a questão c65fdb07-96
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    Leia e avalie as afirmativas sobre as especializações de membrana.

    I As interdigitações aumentam a área de absorção celular.

    II As microvilosidades aumentam a comunicação entre as células.

    III Os estereocílios são cílios sem mobilidade.

    IV Os desmossomos têm a função de aumentar a adesão entre células vizinhas.

    Após a leitura, conclui-se que:
    Escolha uma alternativa para a questão c65b207b-96
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    As vias catabólicas – a anaeróbica e a aeróbica – são utilizadas pela célula para produção de ATP. A via metabólica utilizada pela célula para sintetizar energia na ausência de oxigênio é a seguinte:
    Escolha uma alternativa para a questão c656e6ce-96
  • Linguagens

    Português

    Texto 2

                                        Canção de garoa

                                                                                  Mário Quintana

                                  Em cima do meu telhado
                                  Pirulin lulin lulin,
                                  Um anjo, todo molhado,
                                  Soluça no seu flautim.

                                  O relógio vai bater:
                                  As molas rangem sem fim.
                                  O retrato na parede
                                  Fica olhando para mim.

                                  E chove sem saber por quê...
                                  E tudo foi sempre assim!
                                  Parece que vou sofrer:
                                  Pirulin lulin lulin...

        QUINTANA, Mário. Nariz de vidro. 4.ed. Editora Moderna, 1984. p. 23.
    A conjunção “e" foi usada duas vezes na terceira estrofe, para reforçar a ideia de
    Escolha uma alternativa para a questão c65208d6-96
  • Linguagens

    Português

    Texto 2

                                        Canção de garoa

                                                                                  Mário Quintana

                                  Em cima do meu telhado
                                  Pirulin lulin lulin,
                                  Um anjo, todo molhado,
                                  Soluça no seu flautim.

                                  O relógio vai bater:
                                  As molas rangem sem fim.
                                  O retrato na parede
                                  Fica olhando para mim.

                                  E chove sem saber por quê...
                                  E tudo foi sempre assim!
                                  Parece que vou sofrer:
                                  Pirulin lulin lulin...

        QUINTANA, Mário. Nariz de vidro. 4.ed. Editora Moderna, 1984. p. 23.
    No poema, a onomatopeia utilizada procurar imitar o som
    Escolha uma alternativa para a questão c64d85c5-96
  • Linguagens

    Português

    Texto 1

                      As gravatas de Mário Quintana (não basta saber uma língua para entendê-la)

          Como é que uma pessoa se comunica com a outra? Como fazemos para transmitir ideias?

          A resposta parece bastante óbvia: transmitimos ideias usando a língua. Assim, se vou passando na rua e vejo um avestruz (digamos que seja uma rua muito peculiar, onde o tráfego de avestruzes é intenso), digo ao meu amigo: Olha, lá vai um avestruz. Com isso, transmito determinada informação ao meu amigo; em outras palavras, passo para a mente de outra pessoa uma ideia que estava originalmente em minha mente.

          Para isso, evidentemente, é preciso que as duas pessoas em questão conheçam a mesma língua, que ambas chamem aquele animal desajeitado de avestruz; que ambas saibam utilizar os verbos olhar e ir, e assim por diante. Uma vez isso arranjado, as duas pessoas se entenderão. Para que as pessoas se entendam, é necessário – e suficiente – que falem a mesma língua.

          É isso mesmo? Veremos que não. Na verdade, para que se dê a compreensão, mesmo em nível bastante elementar, é necessário que as pessoas tenham muito mais em comum que simplesmente uma língua. Precisam ter em comum um grande número de informações, precisam pertencer a meios culturais semelhantes, precisam mesmo ter, até certo ponto, crenças comuns. Sem isso, a língua simplesmente deixa de funcionar enquanto instrumento de comunicação. Na verdade, a comunicação linguística é um processo bastante precário; depende de tantos fatores que falham com muita frequência, para desânimo de muitos que ficam gemendo Por que é que ele não me entendeu?

          O problema é que o que a língua exprime é apenas uma parte do que se quer transmitir. Geralmente, se pensa no processo de comunicação como uma rua de mão única: a informação passa do falante para o ouvinte (ou do autor para o leitor). Se fosse assim, a estrutura linguística teria de ser suficiente para veicular a mensagem, porque, afinal de contas, a única coisa que o emissor realmente produz é um conjunto de sons (ou de riscos no papel), organizados de acordo com as regras da língua. Mesmo isso, como vimos, depende de alguma coisa por parte do receptor, a saber, o conhecimento das palavras e das regras da língua; mas poderia ser só isso, e as coisas seriam muito mais simples – e, também, talvez os seres humanos se entendessem melhor. (...)

         O significado de uma frase não é simples função de seus elementos constitutivos, mas depende ainda da informação extralinguística. Ou ainda (e aqui me oponho às crenças de boa parte de meus colegas linguistas), uma frase fora de contexto não tem, a rigor, significado.

         Vamos ver o exemplo: seja o sintagma as gravatas de Mário Quintana. Que significa isso? E, em especial, que tipo de relação exprime a preposição de? Evidentemente, de exprime “posse", e o sintagma equivale a as gravatas pertencem a Mário Quintana. Pode parecer, então, que computamos o significado do sintagma simplesmente juntando o significado das palavras: as gravatas + de + Mário Quintana.

          Mas ainda aqui isso é só a primeira impressão. Digamos que o sintagma fosse as gravatas de Pierre Cardin; agora, para alguém que sabe quem é Pierre Cardin, a relação expressa pela preposição de já não precisa ser de posse. Na verdade, é mais provável que se entenda como “autoria", isto é, as gravatas criadas por Pierre Cardin.

          Ora, a preposição é a mesma nos dois casos. De onde vem essa diferença de significado? Simplesmente do que sabemos sobre Mário Quintana (um poeta) e sobre Pierre Cardin (um estilista de moda). Se dissermos os poemas de Mário Quintana, a preposição já não exprimirá posse, mas autoria – porque, já que Mário Quintana é um poeta, é plausível que se fale dos poemas de sua autoria; além do mais, em geral, não se pensa em poemas como tendo possuidor.

          Se a situação é essa, não faz sentido perguntar se o significado da preposição de é de posse ou autoria. Será posse ou autoria segundo o que soubermos dos diversos objetos ou pessoas mencionadas: se se trata de um objeto possuível, como uma gravata, ou não possuível, como um poema; e se se trata de um poeta ou de um costureiro.

                                 (PERINI, Mário A. Sofrendo a gramática. São Paulo: Ática, 2000, páginas 57-60.)
    Numere a segunda coluna de acordo com a primeira, observando a relação expressa pela preposição “de" e, a seguir, assinale a alternativa que contempla a numeração correta.

    (1) As gravatas de Mário Quintana

    (2) As gravatas de Pierre Cardin

    (3) Os copos de vinho

    (4) Os copos de vidro

    (5) A casa de campo

    (6) A chegada de Paris

    ( ) Procedência

    ( ) Tipo

    ( ) Posse

    ( ) Autoria

    ( ) Conteúdo

    ( ) Matéria
    Escolha uma alternativa para a questão c648f45f-96
  • Linguagens

    Português

    Texto 1

                      As gravatas de Mário Quintana (não basta saber uma língua para entendê-la)

          Como é que uma pessoa se comunica com a outra? Como fazemos para transmitir ideias?

          A resposta parece bastante óbvia: transmitimos ideias usando a língua. Assim, se vou passando na rua e vejo um avestruz (digamos que seja uma rua muito peculiar, onde o tráfego de avestruzes é intenso), digo ao meu amigo: Olha, lá vai um avestruz. Com isso, transmito determinada informação ao meu amigo; em outras palavras, passo para a mente de outra pessoa uma ideia que estava originalmente em minha mente.

          Para isso, evidentemente, é preciso que as duas pessoas em questão conheçam a mesma língua, que ambas chamem aquele animal desajeitado de avestruz; que ambas saibam utilizar os verbos olhar e ir, e assim por diante. Uma vez isso arranjado, as duas pessoas se entenderão. Para que as pessoas se entendam, é necessário – e suficiente – que falem a mesma língua.

          É isso mesmo? Veremos que não. Na verdade, para que se dê a compreensão, mesmo em nível bastante elementar, é necessário que as pessoas tenham muito mais em comum que simplesmente uma língua. Precisam ter em comum um grande número de informações, precisam pertencer a meios culturais semelhantes, precisam mesmo ter, até certo ponto, crenças comuns. Sem isso, a língua simplesmente deixa de funcionar enquanto instrumento de comunicação. Na verdade, a comunicação linguística é um processo bastante precário; depende de tantos fatores que falham com muita frequência, para desânimo de muitos que ficam gemendo Por que é que ele não me entendeu?

          O problema é que o que a língua exprime é apenas uma parte do que se quer transmitir. Geralmente, se pensa no processo de comunicação como uma rua de mão única: a informação passa do falante para o ouvinte (ou do autor para o leitor). Se fosse assim, a estrutura linguística teria de ser suficiente para veicular a mensagem, porque, afinal de contas, a única coisa que o emissor realmente produz é um conjunto de sons (ou de riscos no papel), organizados de acordo com as regras da língua. Mesmo isso, como vimos, depende de alguma coisa por parte do receptor, a saber, o conhecimento das palavras e das regras da língua; mas poderia ser só isso, e as coisas seriam muito mais simples – e, também, talvez os seres humanos se entendessem melhor. (...)

         O significado de uma frase não é simples função de seus elementos constitutivos, mas depende ainda da informação extralinguística. Ou ainda (e aqui me oponho às crenças de boa parte de meus colegas linguistas), uma frase fora de contexto não tem, a rigor, significado.

         Vamos ver o exemplo: seja o sintagma as gravatas de Mário Quintana. Que significa isso? E, em especial, que tipo de relação exprime a preposição de? Evidentemente, de exprime “posse", e o sintagma equivale a as gravatas pertencem a Mário Quintana. Pode parecer, então, que computamos o significado do sintagma simplesmente juntando o significado das palavras: as gravatas + de + Mário Quintana.

          Mas ainda aqui isso é só a primeira impressão. Digamos que o sintagma fosse as gravatas de Pierre Cardin; agora, para alguém que sabe quem é Pierre Cardin, a relação expressa pela preposição de já não precisa ser de posse. Na verdade, é mais provável que se entenda como “autoria", isto é, as gravatas criadas por Pierre Cardin.

          Ora, a preposição é a mesma nos dois casos. De onde vem essa diferença de significado? Simplesmente do que sabemos sobre Mário Quintana (um poeta) e sobre Pierre Cardin (um estilista de moda). Se dissermos os poemas de Mário Quintana, a preposição já não exprimirá posse, mas autoria – porque, já que Mário Quintana é um poeta, é plausível que se fale dos poemas de sua autoria; além do mais, em geral, não se pensa em poemas como tendo possuidor.

          Se a situação é essa, não faz sentido perguntar se o significado da preposição de é de posse ou autoria. Será posse ou autoria segundo o que soubermos dos diversos objetos ou pessoas mencionadas: se se trata de um objeto possuível, como uma gravata, ou não possuível, como um poema; e se se trata de um poeta ou de um costureiro.

                                 (PERINI, Mário A. Sofrendo a gramática. São Paulo: Ática, 2000, páginas 57-60.)
    Do ponto de vista da estrutura textual, é correto afirmar que o texto “As gravatas de Mário Quintana" é predominantemente
    Escolha uma alternativa para a questão c64319a8-96
  • Linguagens

    Português

    Texto 1

                      As gravatas de Mário Quintana (não basta saber uma língua para entendê-la)

          Como é que uma pessoa se comunica com a outra? Como fazemos para transmitir ideias?

          A resposta parece bastante óbvia: transmitimos ideias usando a língua. Assim, se vou passando na rua e vejo um avestruz (digamos que seja uma rua muito peculiar, onde o tráfego de avestruzes é intenso), digo ao meu amigo: Olha, lá vai um avestruz. Com isso, transmito determinada informação ao meu amigo; em outras palavras, passo para a mente de outra pessoa uma ideia que estava originalmente em minha mente.

          Para isso, evidentemente, é preciso que as duas pessoas em questão conheçam a mesma língua, que ambas chamem aquele animal desajeitado de avestruz; que ambas saibam utilizar os verbos olhar e ir, e assim por diante. Uma vez isso arranjado, as duas pessoas se entenderão. Para que as pessoas se entendam, é necessário – e suficiente – que falem a mesma língua.

          É isso mesmo? Veremos que não. Na verdade, para que se dê a compreensão, mesmo em nível bastante elementar, é necessário que as pessoas tenham muito mais em comum que simplesmente uma língua. Precisam ter em comum um grande número de informações, precisam pertencer a meios culturais semelhantes, precisam mesmo ter, até certo ponto, crenças comuns. Sem isso, a língua simplesmente deixa de funcionar enquanto instrumento de comunicação. Na verdade, a comunicação linguística é um processo bastante precário; depende de tantos fatores que falham com muita frequência, para desânimo de muitos que ficam gemendo Por que é que ele não me entendeu?

          O problema é que o que a língua exprime é apenas uma parte do que se quer transmitir. Geralmente, se pensa no processo de comunicação como uma rua de mão única: a informação passa do falante para o ouvinte (ou do autor para o leitor). Se fosse assim, a estrutura linguística teria de ser suficiente para veicular a mensagem, porque, afinal de contas, a única coisa que o emissor realmente produz é um conjunto de sons (ou de riscos no papel), organizados de acordo com as regras da língua. Mesmo isso, como vimos, depende de alguma coisa por parte do receptor, a saber, o conhecimento das palavras e das regras da língua; mas poderia ser só isso, e as coisas seriam muito mais simples – e, também, talvez os seres humanos se entendessem melhor. (...)

         O significado de uma frase não é simples função de seus elementos constitutivos, mas depende ainda da informação extralinguística. Ou ainda (e aqui me oponho às crenças de boa parte de meus colegas linguistas), uma frase fora de contexto não tem, a rigor, significado.

         Vamos ver o exemplo: seja o sintagma as gravatas de Mário Quintana. Que significa isso? E, em especial, que tipo de relação exprime a preposição de? Evidentemente, de exprime “posse", e o sintagma equivale a as gravatas pertencem a Mário Quintana. Pode parecer, então, que computamos o significado do sintagma simplesmente juntando o significado das palavras: as gravatas + de + Mário Quintana.

          Mas ainda aqui isso é só a primeira impressão. Digamos que o sintagma fosse as gravatas de Pierre Cardin; agora, para alguém que sabe quem é Pierre Cardin, a relação expressa pela preposição de já não precisa ser de posse. Na verdade, é mais provável que se entenda como “autoria", isto é, as gravatas criadas por Pierre Cardin.

          Ora, a preposição é a mesma nos dois casos. De onde vem essa diferença de significado? Simplesmente do que sabemos sobre Mário Quintana (um poeta) e sobre Pierre Cardin (um estilista de moda). Se dissermos os poemas de Mário Quintana, a preposição já não exprimirá posse, mas autoria – porque, já que Mário Quintana é um poeta, é plausível que se fale dos poemas de sua autoria; além do mais, em geral, não se pensa em poemas como tendo possuidor.

          Se a situação é essa, não faz sentido perguntar se o significado da preposição de é de posse ou autoria. Será posse ou autoria segundo o que soubermos dos diversos objetos ou pessoas mencionadas: se se trata de um objeto possuível, como uma gravata, ou não possuível, como um poema; e se se trata de um poeta ou de um costureiro.

                                 (PERINI, Mário A. Sofrendo a gramática. São Paulo: Ática, 2000, páginas 57-60.)
    A ideia central do texto está resumida no seguinte fragmento:
    Escolha uma alternativa para a questão c63dcebc-96