Prova
Prova de 2019: Universidade Estadual do Ceará (UECE) — questões com gabarito
264 questões da prova de 2019 de Universidade Estadual do Ceará (UECE), em Sociologia, Filosofia. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.
- 264 questões
Matérias nesta prova
- Ciências HumanasPara Anthony Giddens (2012), “nossas atividades tanto estruturam e modelam o mundo social ao nosso redor como, ao mesmo tempo, são estruturadas por esse mundo”. É esta a base do conceito de “estruturação” criado por Giddens, o qual aponta que tanto as estruturas sociais (Família, Comunidade, Estado, etc.) formam as pessoas como as pessoas em suas ações e relações estruturam essas estruturas sociais. Há aqui a concepção de que não somos, nós, agentes sociais, apenas enquadrados nos comportamentos padronizados dessas estruturas sociais e repetidores de ações já condicionadas. Mas, mesmo com a força desses padrões de conduta, podemos agir no sentido de modificar, em alguma medida, essas estruturas sociais que nos formam e informam.GIDDENS, Anthony. Sociologia. 6ª Ed., Porto Alegre: Penso, 2012.Partindo do conceito de “estruturação” de Anthony Giddens, é correto afirmar que
- Ciências Humanas
Sociologia
O sociólogo americano Erving Goffman demonstra que o termo estigma designa um atributo depreciativo que concede a uma — ou, a mais pessoas — uma identidade deteriorada diante da sociedade. O estigma ou qualquer atributo depreciativo não é negativo em si mesmo, mas apenas quando em relação à sociedade ou a grupos sociais que entendem o atributo como algo negativo ou desvalorizado.GOFFMAN, Erving. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. 4ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2013.Considerando esse entendimento sobre estigma social, avalie as frases apresentadas a seguir e assinale a que corresponde a um estigma social presente na sociedade brasileira. - Ciências Humanas
Sociologia
- Globalização, reestruturação produtiva e mudanças recentes do trabalho
- Prova de 2019
- UECE
- Dificuldade: Médio
- Código da questão: 9A1BEC73-B9
As novas técnicas de controle organizacional sobre os trabalhadores – chamados atualmente de “colaboradores” – são, na fase contemporânea das empresas capitalistas, menos diretas e mais sutis (ALVES e OLIVEIRA, 2011). Tais técnicas possibilitam uma sensação de maior liberdade e autonomia aos trabalhadores dentro e, mesmo, fora do ambiente laboral, mas não deixam de ser formas de manutenção do controle das empresas sobre sua mão de obra.ALVES, D. e OLIVEIRA, S. R. de. “Controle organizacional no processo capitalista de produção” In: PICCININI, Valmíria Carolina et ali (org.). Sociologia e Administração – Relações sociais nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.Considerando essas sutis formas contemporâneas de controle organizacional, é correto afirmar que - Ciências Humanas
Sociologia
O papel do Estado nas sociedades modernas é compreendido por visões diferentes entre os fundadores da Sociologia. Os chamados clássicos da Sociologia, Karl Marx (1818-1883) e Émile Durkheim (1858-1917), possuem entendimentos diversos sobre as finalidades e funções do Estado moderno. Para Marx, teórico crítico das lógicas fundantes das sociedades capitalistas, o Estado moderno é “tãosomente um comitê que administra os negócios comuns de toda a classe burguesa”. Já para Durkheim, um dos primeiros elaboradores da ciência sociológica, o Estado é “um órgão especial encarregado de elaborar certas representações que valem para a coletividade”.MARX, Karl. O manifesto do partido comunista. Porto Alegre: L&PM, 2010; DURKHEIM, Émile. Lições de Sociologia. São Paulo: Martins Fontes, 2002.Considerando os entendimentos de Marx e Durkheim sobre o papel do Estado nas sociedades modernas, analise as seguintes proposições:I. Na perspectiva marxiana, o Estado trata, de modo imparcial, os conflitos entre as classes sociais do capitalismo.II. Para Emile Durkheim, o Estado é a entidade social mais importante a serviço das classes dominantes.III. Karl Marx explica o Estado como um órgão a serviço dos interesses dominantes no capitalismo.IV. Émile Durkheim explica a funcionalidade do Estado moderno para a manutenção da sociedade.Está correto somente o que se afirma em - Ciências Humanas
Sociologia
- Globalização, reestruturação produtiva e mudanças recentes do trabalho
- Prova de 2019
- UECE
- Dificuldade: Médio
- Código da questão: 9A1645C2-B9
Atente para o seguinte trecho extraído de uma reportagem do Jornal Estadão:
“Bikeboys rodam 12 horas por dia e 7 dias por semana para ganhar R$ 936
Renato Jakitas e Tiago Queiroz
São Paulo - 15/09/201908h28
“[...] Existem cerca de 30 mil entregadores ciclistas cadastrados nos aplicativos de entrega de comida na capital paulista. O número dá a dimensão de uma atividade que, há um ano, passava desapercebida em São Paulo. Hoje, os ciclistas com caixa nas costas tomam as paisagens dos centros comerciais nas horas de pico da fome – das 12h às 15h e das 19h às 22h –, além de serem presença constante em calçadas próximas a shopping centers, restaurantes ou supermercados nos fins de semana.
Um perfil desse trabalhador foi traçado em junho pela Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), coordenado pelo instituto Multiplicidade e apoiado pelo Laboratório de Mobilidade Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Após entrevistas com 270 ciclistas em São Paulo, o levantamento concluiu que 75% desses profissionais têm idade entre 18 e 27 anos e, como Samuel Marques, pedalam cerca de 12 horas por um salário médio mensal de R$ 936. Realizam diariamente dez entregas, a R$ 5 cada. Seis em cada dez ciclistas trabalham todos os dias da semana, sem folgas”.
Trecho de matéria disponível em: https://economia.uol.com.br/noticias/estadaoconteudo/2019/09/15/bikeboys-rodam-12-horas.htm Acesso em: 10/11/2019.
Partindo de uma perspectiva sociológica crítica sobre essas novas condições de exploração do trabalho de prestação de serviços na era digital, assinale a afirmação verdadeira. - Ciências Humanas
Sociologia
O Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência apontou que, no ano de 2015, as principais vítimas deste tipo de violência foram jovens pretos ou pardos (em 65,75% dos casos), do sexo masculino (em 97,95% dos casos) e todos pobres e moradores de periferia. É esta certamente uma questão social que se agrava pelo país. Este estudo sobre os homicídios na adolescência na capital (Fortaleza) e em seis municípios do Ceará (Caucaia, Eusébio, Horizonte e Maracanaú, na Região Metropolitana, Sobral e Juazeiro do Norte, no interior do estado), é parte da estratégia de enfrentamento à violência letal contra o adolescente. Entre as principais recomendações do Comitê para combater tal realidade estão: promover a qualificação urbana dos territórios vulneráveis aos homicídios; mais oportunidades de emprego e renda para esses jovens; formar policiais em direitos da criança e do adolescente para garantir abordagens adequadas e promover o controle externo da atividade policial; e garantir a investigação e a responsabilização pelos homicídios.Trajetórias interrompidas: homicídios na adolescência em Fortaleza e em seis municípios do Ceará. Fortaleza: UNICEF/Governo do Estado do Ceará/Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, 2017. Adaptado.Considerando o estudo do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência, no que concerne aos jovens assassinatos no estado, é correto afirmar que
- Ciências Humanas
Sociologia
Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, em pesquisa dos anos 1960 sobre o sistema escolar francês, demonstraram como o mecanismo pedagógico das escolas focava, para a formação dos alunos, em um corpo de saberes (ciências da natureza, matemática, literatura, artes) que concedia vantagens aos filhos das classes mais abastadas economicamente, pois estes já chegavam “de casa” para o ambiente de ensino com um “capital cultural” – conjunto de conhecimentos e habilidades adquiridos – adequado com as exigências desse corpo de saberes. As “classes dominantes” podem proporcionar aos seus filhos e filhas o contato desde a mais tenra infância com leituras, artes e, mesmo, raciocínios lógicos no convívio diário com a família. A crítica dos referidos autores, em resumo, àquele sistema escolar francês foi a de que a pedagogia adotada criava uma espécie de “Escola Indiferente” que tratava como iguais, em direitos e deveres escolares, alunos desiguais em “capital cultural”. Os critérios exigidos para a avaliação do êxito escolar eram os mesmos para todos os estudantes sem tratar suas diferenças de “capital cultural” ligadas às condições socioeconômicas.BOURDIEU, Pierre e PASSERON, Jean-Claude. Os Herdeiros: os estudantes e a cultura. Florianópolis: Editora da UFSC, 2014.Sobre essa “Escola Indiferente”, sugerida pelos autores acima citados, é correto concluir que - Ciências Humanas
Sociologia
- Cultura e sociedade
- Prova de 2019
- UECE
- Dificuldade: Médio
- Código da questão: 9A0A2208-B9
Atente para a seguinte citação a respeito do índio:“O índio não é uma questão de cocar de pena, urucum e arco e flecha, algo de aparente e evidente nesse sentido estereotipificante, mas sim uma questão de ‘estado de espírito’. Um modo de ser e não um modo de aparecer. Na verdade, algo mais (ou menos) que um modo de ser: a indianidade designava para nós um certo modo de devir, algo essencialmente invisível, mas nem por isso menos eficaz: um movimento infinitesimal incessante de diferenciação, não um estado massivo de ‘diferença’ anteriorizada e estabilizada, isto é, uma identidade (um dia seria bom os antropólogos pararem de chamar identidade de diferença e vice-versa). A nossa luta, portanto, era conceitual: nosso problema era fazer com que o ‘ainda’ do juízo de senso comum ‘esse pessoal ainda é índio’ (ou ‘não é mais’) não significasse um estado transitório ou uma etapa a ser vencida. A ideia é a de que os índios ‘ainda’ não tinham sido vencidos, nem jamais o seriam. Eles jamais acabar(i)am de ser índios, ‘ainda que’... Ou justamente porquê. Em suma, a ideia era que ‘índio’ não podia ser visto como uma etapa na marcha ascensional até o invejável estado de ‘branco’ ou ‘civilizado’”.CASTRO, Eduardo Viveiro de, “No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é”, entrevista concedida à equipe de edição do livro Povos Indígenas no Brasil, Instituto Socioambiental (ISA), 2006.Considerando o texto, acima apresentado, avalie as seguintes proposições:I. A integração dos povos indígenas à sociedade brasileira não significa a perda de suas culturas e de suas identidades socioculturais.II. Os povos indígenas não deixam de ser índios enquanto mantiverem o sentimento de pertencer às suas comunidades e de serem reconhecidos como indígenas, mesmo morando em cidades e participando da vida moderna da atual sociedade brasileira.Sobre essas afirmações, é correto dizer que
- Ciências Humanas
Sociologia
- Instituições sociais, normas e valores
- Prova de 2019
- UECE
- Dificuldade: Médio
- Código da questão: 9A075C54-B9
Michel Foucault (1926-1984) investigou as origens dos princípios de vigilância, observação e correção de “comportamentos indesejados” para o funcionamento das instituições modernas. Tais princípios produzem “corpos disciplinados” ou “corpos dóceis” e os tipos de instituições que adotam tais princípios são as escolas, os hospitais, as prisões e as empresas modernas. No ambiente controlado dessas organizações, a disciplina exerce um poder sobre os corpos dos seus integrantes. Esse “poder disciplinar” explora técnicas diversas para subjugar os corpos individualmente e exerce um tipo de controle que não atua de fora, mas trabalha esses corpos de dentro produzindo os “comportamentos adequados” e fabricando o tipo de pessoa necessária ao funcionamento e manutenção dessas instituições.Considerando essa concepção de Michel Foucault, assinale a proposição verdadeira.
- Ciências Humanas
Sociologia
No Brasil atual, o chamado “Movimento Escola Sem Partido” procura erradicar, por meio de mecanismos legais (projetos de lei), temáticas referentes ao conceito de “gênero” aplicadas ao ensino de crianças e jovens. Esse movimento se pauta por valores religiosos, tradicionais e de fundo patriarcal na defesa das relações heterossexuais, entendidas como sagradas e as únicas moralmente corretas. Diferentemente, as Ciências Sociais demonstram como o “gênero” é constituído por aspectos socioculturais, históricos e psicológicos diversos. Em termos simples, “ser homem”, “ser mulher” ou “ser transgênero” depende da cultura e da subjetividade individual. Além disso, desde o início do século XXI, entidades como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) têm aprovado resoluções diretivas para que se considere a “identidade de gênero” e a “orientação sexual” como parte dos Direitos Humanos (REIS e EGGERT, 2017).REIS, T. e EGGERT, E., Ideologia de Gênero: uma falácia construída sobre os planos de educação brasileiros, Educação e Sociedade, vol. 38, nº 138, janeiro-março 2017.Tomando como referência o entendimento acima, é correto concluir que
- Ciências Humanas
Sociologia
- Relação entre Indivíduo e Sociedade
- Prova de 2019
- UECE
- Dificuldade: Médio
- Código da questão: 9A019FA5-B9
A Sociologia conceitua “juventude” como uma “categoria social” que não possui definições fixas ou referenciais estáveis, pois qualquer definição está estreitamente ligada por condições psicológicas, históricas e socioculturais tais como condição de classe social, condição de gênero, orientação sexual, pertencimento a grupos étnicos, entre outras condicionalidades a que os jovens possam estar atrelados. Contudo, nenhuma de tais condições, de modo isolado, é o bastante para definir este conceito satisfatoriamente. Para complementar, a Sociologia compreende que a juventude é uma concepção fabricada pelos próprios indivíduos, tidos como jovens, para significar uma série de comportamentos e atitudes a ela atribuídos (GROPPO, 2000).GROPPO, L. A. Juventude: ensaios sobre sociologia e história das juventudes modernas. Rio de Janeiro: DIFEL, 2000.No que concerne ao conceito de “juventude”, assinale a opção que corresponde a uma proposição sociologicamente correta. - Ciências Humanas
Sociologia
- Globalização, reestruturação produtiva e mudanças recentes do trabalho
- Prova de 2019
- UECE
- Dificuldade: Médio
- Código da questão: 99FBF841-B9
Atente para o seguinte excerto a respeito das crises econômicas globalizadas dos últimos anos:“Nessa segunda década do século XXI, [...], praticamente não se fala em globalização. Apesar da constatação de que, de fato, vivemos em um mundo globalizado, principalmente em função da rede mundial de comunicações comandada pela Internet, esse termo não aparece com frequência nos noticiários. Pelo contrário, desde 2008 a economia mundial entrou em mais uma crise, de grandes proporções – e, desde então, somente se fala sobre isso, ou seja, sobre a crise e seus efeitos, como por exemplo, a queda na produção industrial e o aumento do desemprego, principalmente nos países mais pobres.De acordo com dados apurados pela instituição financeira Credit Suisse, em seu Informe sobre a Riqueza Global, 1% da população mundial (ou seja, os habitantes que têm bens patrimoniais avaliados em cerca de 760,000 dólares), possuem tanto dinheiro quanto os demais 99% do planeta. Essa diferença enorme só faz aumentar desde 2008, a ponto de a Credit Suisse concluir que, se a crise for interrompida, os ricos sairão dela mais ricos, ‘tanto em termos absolutos como relativos, e os pobres, relativamente mais pobres’”.OLIVEIRA, L. F. de e COSTA, R. C. R. Sociologia para Jovens do Século XXI. 4ª ed. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2016. Adaptado.Partindo desse entendimento de Oliveira e Costa, no que diz respeito às crises econômicas globalizadas dos últimos anos, é correto dizer que
- Ciências Humanas
Sociologia
- Relação entre Indivíduo e Sociedade
- Prova de 2019
- UECE
- Dificuldade: Médio
- Código da questão: 99F8EB48-B9
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra sobre a fragilidade dos vínculos humanos nas sociedades contemporâneas, usa expressões como “modernidade líquida” e “amor líquido”. Nessa perspectiva, estaríamos vivendo um momento sociocultural e histórico de maior individualização, onde as pessoas buscam mais liberdade individual e estão menos desejosas de procurar a segurança proporcionada pelos vínculos familiares, dos grupos comunitários, das classes sociais, dos relacionamentos amorosos duradouros. A necessidade de pertencimento a grupos religiosos e o cultivo das tradições, como o casamento monogâmico, por exemplo, estariam se liquefazendo diante da imperiosa vontade desse novo indivíduo sem vínculos sólidos e orientado pela fluidez constante das instituições e relações humanas.BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. ______. Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.Partindo da perspectiva de Bauman sobre a “modernidade líquida” e o “amor líquido, é correto afirmar que
- Ciências Humanas
Filosofia
- A Política
- Prova de 2019
- UECE
- Dificuldade: Médio
- Código da questão: 99F61523-B9
Analise as seguintes passagens que se referem ao princípio fundamental do contratualismo — a existência de um pacto social como fundamento da sociedade:“As cláusulas desse contrato são de tal modo determinadas pela natureza do ato, que a menor modificação as tornaria vãs e de nenhum efeito. Violando-se o pacto social, cada um volta aos seus primeiros direitos e retoma sua liberdade natural, perdendo a liberdade convencional pela qual renunciara àquela”.ROUSSEAU, J. J. Do contrato social. 2ª ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978. Coleção “Os Pensadores”.“E os pactos sem espada não passam de palavras, sem força para dar qualquer segurança a ninguém. Portanto, apesar das leis da natureza (que cada um respeita quando tem vontade de as respeitar e quando o pode fazer com segurança), se não for instituído um poder suficientemente grande para nossa segurança, cada um confiará, e poderá legitimamente confiar, apenas em sua própria força e capacidade”.HOBBES, Thomas. LEVIATÃ ou matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. Trad. João P. Monteiro e Maria B. Nizza. 3ª ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983.Considere as seguintes proposições sobre o conceito de pacto social:I. Para Rousseau, pelo pacto social, o homem abre mão de sua liberdade, mas, ao fazê-lo, abre espaço ao surgimento da soberania e da lei, e obedecer a lei é obedecer a si mesmo, o que o torna livre novamente.II. Diferente de Hobbes, Locke não via o estado de natureza dominado pelo egoísmo. O contrato social era necessário para garantir o direito de propriedade que, segundo Locke, era anterior à própria sociabilidade.III. Hobbes e Rousseau concordavam ser necessário um pacto ou contrato social, que decorria da necessidade humana de controlar os instintos e impedir a guerra de todos contra todos do estado de natureza.É correto o que se afirma em - Ciências Humanas
Filosofia
Leia a seguinte passagem, que relaciona o regramento democrático ao desenvolvimento de uma prática social baseada na razão:“A democracia representa exatamente a possibilidade de se resolverem, através do entendimento mútuo, e de leis iguais para todos, as diferenças e divergências existentes em nome de um interesse comum. As decisões serão tomadas por consenso, o que acarreta persuadir, convencer, justificar, explicar. Anteriormente, havia a imposição, a violência, a obediência. A linguagem, o diálogo e a discussão rompem com a violência na medida em que todos os falantes têm, no diálogo, os mesmos direitos (isegoria): interrogar, questionar, contra-argumentar. A razão se sobrepõe à força”.MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Zahar Ed.1998. Adaptado.Considerando a passagem acima, analise as seguintes afirmações:I. O surgimento de todas as formas de manifestação cultural, entre elas a filosofia, a arte e a narrativa histórica deve ser entendido a partir do contexto social e histórico no qual determinada sociedade está imersa.II. O alvorecer da filosofia, no mundo antigo, teve como motivação o desenvolvimento de uma vida social democrática, mais voltada à harmonia e conciliação de interesses diversos, o que requeria o uso do argumento racional.III O processo democrático na Grécia antiga inaugurou a obediência ao poder de todos e para todos e isso se refletiu no surgimento de um pensamento racional que, embora fosse inovador, continuava prisioneiro de uma visão autoritária de sociedade.É correto o que se afirma em
- Ciências Humanas
Filosofia
- A Experiência do Sagrado
- Prova de 2019
- UECE
- Dificuldade: Médio
- Código da questão: 99ED698A-B9
Atente para a seguinte passagem, em que Santo Agostinho se questiona sobre a origem do mal:“Quem me criou? Não foi o meu Deus, que é bom, e é também a mesma bondade? Donde me veio, então, o querer, eu, o mal e não querer o bem? Qual a sua origem, se Deus, que é bom, fez todas as coisas? Sendo o supremo e sumo Bem, criou bens menores do que Ele; mas, enfim, o Criador e as criaturas, todos são bons. Donde, pois, vem o mal?”AGOSTINHO, Santo. Confissões; De magistro. São Paulo: Nova Cultural, 1987. Coleção “Os Pensadores”. Livro VII. Adaptado.Sobre esse aspecto da filosofia do bispo de Hipona, considere as seguintes afirmações:I. Como os maniqueístas, de quem sofreu forte influência, Agostinho afirmava a existência do Bem e do Mal e que os homens não eram culpados de ações classificadas como más. O mal lhes era inato, portanto, não havia culpa, mas poderiam obter a salvação da alma por intermédio da graça divina.II. Para Agostinho, não se deveria atribuir a Deus a origem do Mal, visto que, como Sumo Bem, ele não o poderia criar. São os homens os responsáveis pela presença do Mal e cabe a estes fazerem uso de sua liberdade e escolherem entre a boa e a má ação.III. Dispondo do livre arbítrio, o ser humano pode optar por bens inferiores. Mas o livre arbítrio não pode ser visto como um mal em si, pois foi Deus quem o criou. Ter recebido de Deus uma vontade livre é para o ser humano um grande bem. O mal é o mau uso desse grande bem.É correto o que se afirma em - Ciências Humanas
Filosofia
- Aspectos da Filosofia Contemporânea
- Prova de 2019
- UECE
- Dificuldade: Médio
- Com imagem
- Código da questão: 99E9EFB1-B9

A refilmagem, deste ano, do clássico personagem “Coringa” provocou discussões sobre seus significados no plano sociopolítico. Analisando as várias versões inspiradas no HQ da DC Comics, Fabrício Moraes descreve o Coringa como o id, o impulso destrutivo e caótico, mas também criativo e artístico. Batman seria o superego, o juiz punitivo e ordenador da cidade, o arquétipo do guardião que afronta e interpõe limites a um território. O Coringa seria a face da comédia, Batman não se livra da face da tragédia. Neste sentido, o filme Coringa nos mostraria que o aspecto lúdico só tem pleno sentido se coexiste com a vida da sobriedade. Coringa e Batman são indissociáveis.Ver: MORAES, Fabrício. ‘Coringa’: A raiva de Caliban por se ver no espelho. In Revista Amálgama. Disponível em: https://www.revistaamalgama.com.br/10/2019/resenhacoringa/. 2019.Considerando a análise acima, é correto dizer que está amparada teoricamente - Ciências Humanas
Filosofia
- A Política
- Prova de 2019
- UECE
- Dificuldade: Médio
- Código da questão: 99E16EE9-B9
Considere o seguinte excerto a respeito da desumanização dos imigrantes latinos:“Estou estarrecido pelo que vejo acontecer hoje nos EUA – filhos de imigrantes, sendo arrancados de seus pais e enviados a centros de detenção. Laura Ingraham, da rede de notícias Fox News disse que as crianças imigrantes presas estavam ‘praticamente numa colônia de férias’, a despeito do áudio em que se ouvem crianças chorando. Quase 60% dos republicanos aprovam a prática de separar crianças imigrantes de seus pais e não é difícil entender os motivos. Há alguns anos Donald Trump vem aproveitando todas as oportunidades de desumanizar os latinos que atravessam a fronteira, chamando-os de animais, assassinos e estupradores. Essa etapa é essencial, a de reduzir imigrantes a um status sub-humano. Aconteceu durante o Holocausto. Sempre que um grupo de pessoas sofre opressão e horrores, os grupos no poder, primeiramente as reduzem e desumanizam, de forma a aliviar a consciência dos poderosos enquanto dure a opressão”.King, Shaun. Separar famílias de migrantes é uma barbaridade. E os EUA fazem isso há séculos com não brancos. Publicado em 21/06/2018. Disponível em: https://theintercept.com/2018/06/21/eua-familiasmigrantes-trump/. Adaptado.No texto acima, a referência ao processo de desumanização dos imigrantes latinos corresponde a uma ação política baseada em uma concepção de poder que é encontrada - Ciências Humanas
Filosofia
- A Política
- Prova de 2019
- UECE
- Dificuldade: Médio
- Código da questão: 99DCC1E5-B9
Relacione, corretamente, as definições sobre o papel do poder político ou do Estado, com seus respectivos pensadores, numerando os parênteses abaixo, de acordo com a seguinte indicação:1. Karl Marx2. John Locke3. Thomas Hobbes4. Agostinho de Hipona( ) Poder político do Estado, como resultante de um pacto de consentimento, constituído para consolidar os direitos naturais e individuais de cada homem.( ) Poder do Estado, como poder de origem espiritual, voltado às necessidades mundanas e à vigilância da retidão dos indivíduos.( ) Poder político do Estado, originário da necessidade de um grupo manter seu domínio econômico, pelo domínio político, sobre outros grupos.( ) Poder político do Estado, com poder absoluto, fruto da renúncia de direitos naturais originários e garantidores da paz.A sequência correta, de cima para baixo, é:
- Ciências Humanas
Filosofia
- Aspectos da Filosofia Contemporânea
- Prova de 2019
- UECE
- Dificuldade: Médio
- Código da questão: 99D70B4C-B9
O trecho abaixo apresentado se refere à influência da indústria cultural e seus produtos, em relação à ordem social e política contemporânea, sob a ótica dos pensadores da Escola de Frankfurt:“O desenvolvimento da indústria cultural ocasionou a incorporação dos indivíduos numa totalidade social racionalizada e reificada; frustrou sua imaginação e tornou-os vulneráveis à manipulação por ditadores e demagogos. A propaganda fascista necessitou apenas ativar e reproduzir a mentalidade existente das massas; ela simplesmente tomou as pessoas pelo que eram – os filhos da indústria cultural – e empregou as técnicas dessa indústria para mobilizá-las por trás dos objetivos agressivos e reacionários do fascismo”.THOMPSON, John B. Ideologia e cultura moderna: teoria social crítica na era dos meios de comunicação de massa. Petrópolis, RJ:Vozes. Adaptado.Considerando o trecho acima e o conceito de indústria cultural, atente para o que se diz a seguir e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.( ) Os produtos da indústria cultural são, geralmente, construções simbólicas impregnadas de estereótipos que suprimem a reflexão crítica sobre a ordem social, podendo abrir espaço para uma visão autoritária.( ) Aqueles indivíduos que foram capturados pela retórica autoritária do fascismo são os que já haviam sucumbido à influência da indústria cultural e à sua capacidade de manipulação das massas.( ) Os produtos da indústria cultural desafiam as normas sociais e possuem um caráter antirrealista que se torna fonte de fascínio por parte das massas que aderem ao seu falso caráter revolucionário.( ) Exemplificada na indústria de entretenimento, a indústria cultural padronizou e mercantilizou as formas culturais, o que resultou em uma arte banal e repetitiva, incapaz de provocar um olhar crítico.A sequência correta, de cima para baixo, é: